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Índice desta página:
Nota: Cada seção contém Comentário, Leituras, Homilia do Diácono José da Cruz e Homilias e Comentário Exegético (Estudo Bíblico) extraído do site Presbíteros.com
. Evangelho de 11/04/2010 - 2º Domingo de Páscoa - Domingo da Misericórdia Divina
. Evangelho de 04/04/2010 - Domingo de Páscoa


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11.04.2010
2º Domingo de Páscoa - Domingo da Divina Misericórdia - ANO C

__ “JESUS RESSUSCITADO MANIFESTA-SE NA ASSEMBLÉIA DOMINICAL” __

Comentário: Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs! O Evangelho apresenta a aparição de Jesus ressuscitado num quadro "litúrgico". Os discípulos estão reunidos, no domingo à noite (dia da ressurreição) e novamente oito dias depois. Jesus apresenta-se com os sinais gloriosos da paixão; transmite-lhes, com seu Espírito, os dons pascais resumidos na paz, na reconciliação; confirma-lhes a fé e anuncia a bem-aventurança dos que creram sem tê-lo visto. Entoemos cânticos ao Senhor!

(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)

PRIMEIRA LEITURA (Atos 5,12-16): - "Cada vez mais aumentava a multidão dos homens e mulheres que acreditavam no Senhor."

SALMO RESPONSORIAL (Sl 117-118): - "Dai graças ao Senhor, porque ele é bom;“Eterna é a sua misericórdia!”"

SEGUNDA LEITURA (Apocalipse 1,9-13.17-19): - "Pois estive morto, e eis-me de novo vivo pelos séculos dos séculos; tenho as chaves da morte e da região dos mortos."

EVANGELHO (João 20,19-31): - "Creste, porque me viste. Felizes aqueles que crêem sem ter visto!"



- “O ESPÍRITO QUE DÁ A VIDA PLENA...”
    Reflexão do Evangelho por Diácono José da Cruz

A descrença de Tomé persiste ainda hoje nas comunidades cristãs, pois em sã consciência, é difícil as vezes, ter a crença inabalável de que o Senhor está vivo e presente na comunidade. Não só porque não podemos vê-lo nem tocá-lo, mas principalmente porque a vida em comunidade nem sempre é o que sonhamos e esperamos.

Como pode Jesus estar presente se  certas coisas dão tão errado, como pode Ele estar presente e as intrigas, fofocas, divisões, mal entendidos, ciúmes e inveja, serem tantas no seio da comunidade. Enfim, são tantos pecados da nossa Igreja, da parte dos fiéis e dos ministros, que é impossível crer que o Senhor está realmente presente. Parece mesmo que o Senhor desistiu da barca da Igreja e ela foi a deriva.

O próprio ambiente, e as condições em que a comunidade  se encontrava, após a morte de Jesus, já era algo mais para a incredulidade e o fracasso, do que um retorno ao projeto do Reino anunciado por Jesus. Estavam de portas fechada, por medo, provavelmente iriam fazer uma última reunião, dizer que foi um prazer caminharem aqueles três anos juntos, mas que infelizmente era melhor cada um tomar o seu rumo e retornar á vidinha de antes.

Muitos cristãos, marcados por desilusões, pensam assim, alguns até insistem em procurar uma comunidade perfeita e pensam tê-la encontrado, até que nova desilusão provém e a fé vai perdendo o seu encanto. Parece que a Igreja e o Cristianismo, tornaram-se intrusos na vida do homem.

Entretanto, uma assembléia que estava destinada a dissolver-se, porque havia perdido o seu rumo, é surpreendida pela presença do Senhor! É nos momentos de fracasso, medo e desânimo, que Jesus se revela na assembléia. Quantos momentos e períodos assim, a Igreja já não viveu, desde os primórdios até os dias atuais?  Digamos que, se ela fosse uma grande “farsa” como pensam alguns “iluminados”, como alguém  poderia sustentar uma “farsa” ao longo de dois milênios de História....

“A Paz esteja convosco!” É a primeira saudação do Ressuscitado. Como viver a paz em meio ao “caos” da Família, sociedade, comunidade, será que a Paz tem algum significado, será que ela é realmente buscada? Não! Da parte do homem nada há que se possa fazer para se construir a paz... Que não é ausência de guerras e conflitos, que não é ausência de problemas, isso seria a plenitude, e o ser humano, com suas limitações e fragilidades, jamais concretizaria o sonho da paz, mesmo porque, para quem detém algum poder, paz é quando tudo está sob controle, como era a famosa Pax Romana.

Paz, no contexto da igreja comunidade, é a presença do Senhor, entretanto, é bom compreender bem, o que significa a presença misteriosa de Jesus em nosso meio, pois há muitos que a compreendem como uma espécie de “alívio”. Jesus caminha com a nossa igreja, então vamos deixar que Ele resolva todos os problemas e dificuldades, podemos cruzar nossos braços e ficar no aguardo do grande Dia, em que seremos todos com Ele, arrebatados ao céu....

O evangelho de João, escrito 90 anos após a ascensão de Jesus, quer ajudar as comunidades cristãs, daquele tempo e também as de hoje, a perceberem que a Fé não nasce de uma experiência humana, não é resultado do raciocínio e nem produto da lógica. O Reino de Deus anunciado por Jesus, não é um reino lá de cima, sem qualquer conexão com as realidades humanas, é um reino aqui de baixo, com suas raízes plantadas no chão da história, mas que, apesar disso, não depende do homem, de suas aspirações ou ideologias, para atingir a plenitude.

Este homem novo, que não é alienado, mas que também não é só uma realidade carnal e psíquica, nasceu no “sopro” de Jesus, este homem convocado para viver uma nova realidade celestial, mesmo em meio ao “caos” estabelecido na humanidade, é que forma a Igreja dos que crêem, e que não encontrando em si mesmo uma força que transforme aas relações, sonha, constrói e vai a luta, impelido pelo Espírito do Senhor Ressuscitado, que vai á frente da sua Igreja, como um General  vai á frente da Batalha, convicto da vitória.

Há uma missão a cumprir, dificílima e sempre desafiadora, para cada Cristão Batizado, mas o bom êxito da missão está assegurado, porque é o Espírito do Senhor, que nos move, anima, direciona e impulsiona. Não importa as nossas fragilidades, vacilo e indecisões, pois o mais importante é que, como São Tomé, reconheçamos Jesus como nosso único Deus e Senhor, tudo o mais, inclusive a tenebrosa força do mal, está abaixo desse Senhorio, a Soberania pertence a Cristo, e somente a Ele...

José da Cruz é diácono permanente da Paróquia Nossa S. Consolata-Votorantim - e-mail:jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Pe. Françoá Rodrigues – 2º DOMINGO DE PÁSCOA - DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA - (Ano C)

Encontrar o Ressuscitado e acreditar nele

Hoje, Jesus aparece no meio da comunidade reunida. Nós também, reunidos com os nossos irmãos na fé, fazemos a experiência do Ressuscitado. Claramente no caso daqueles discípulos foi uma experiência muito especial, já que eles viram o corpo glorioso do Senhor. A nossa experiência, sem ser do mesmo modo, não deixa de ser maravilhosa, já que nós contemplamos o corpo eucarístico do Senhor, comungamos o seu Corpo e o seu Sangue. No mistério da Eucaristia está todo o Mistério Pascal do Senhor. Eis aqui um argumento totalmente convincente para que não faltemos a Missa dominical!

A propósito, um homem escreveu uma carta ao diretor do jornal da sua cidade e comentava como ir à igreja todos os domingos tinha pouco sentido. “Fui à igreja durante 30 anos – escrevia –, e desde então escutei mais ou menos 3000 homilias. Não posso, porém, lembrar-me de nenhuma delas. Penso então que eu perdi o meu tempo e os sacerdotes o seu ao dar sermões ao vazio.” Por causa daquela carta teve início uma polêmica na seção “Cartas ao Diretor” daquele jornal, que continuou durante semanas, até que alguém escreveu uma consideração que, surpreendentemente, acabou com todas as controvérsias: “estou casado há 30 anos. Desde então fiz aproximadamente 32000 refeições entre almoços e jantares. No entanto, não posso lembrar-me de nenhum menu inteiro de nenhum desses dias. Não posso, porém, concluir que essas refeições não serviram para nada. Alimentaram-me e deram-me forças para viver, e se eu não tivesse feito aquelas refeições já estaria morto.”

É na igreja onde fazemos a nossa experiência de Cristo ressuscitado, é aqui onde comungamos o Corpo ressuscitado do Senhor. O Domingo é o dia do cristão, pois é o dia do Ressuscitado. O Domingo só é domingo por causa do Senhor Jesus. “Este é o dia que o Senhor fez para nós”, é o primeiro dia da semana, marcando assim o início de uma nova fase: o da nova criação. O Domingo é também o oitavo dia, apontando dessa maneira para o descanso eterno, para a escatologia, para o céu. Já que a semana tem apenas 7 dias, chamar o domingo de “oitavo dia” é colocá-lo em outra dimensão, a eterna.

Diante do Cristo ressuscitado e da sua grande Misericórdia, tomemos como ponto de partida da nossa oração para o dia de hoje e para essa semana aquela frase cheia de fé e de rendição diante do Mistério: “Meu Senhor e meu Deus”. Quando Jesus for de fato Senhor e Deus das nossas vidas, acontecerá conosco aquilo que a Sagrada Escritura relata dos primeiro cristãos: “A multidão dos cristãos era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava exclusivamente seu o que possuía, mas tudo entre eles era comum” (At 4,32). No filme sobre o Papa João Paulo II, Karol – o homem que se tornou papa, que é muito recomendável, aparece muitas vezes a saudação cor unum et anima uma, a expressão vem desse trecho da Bíblia. Precisamos ser um só coração e uma só alma, nas nossas celebrações dominicais e lá fora, atuando assim seremos coerentes com o nosso ser cristão.

Uma última recomendação: vá à Missa ainda que você não sinta nada. Não importa! Nós não servimos a Deus em troca de sentimentos. Por outro lado, caso o Senhor nos conceda um sentimento de alegria e de satisfação, agradeçamos-lhe, mas não façamos desses sentimentos o motivo da nossa lealdade, da nossa fidelidade. Dá pena escutar a esses ex-católicos afirmando que mudaram de igreja por que lá, na outra, se sentem bem. Ora, para sentir-se bem, basta ir a uma discoteca! Desculpem que eu tenha baixado o nível, porém, convenhamos!

Maria, auxílio dos cristãos, nossa Mãe, causa de nossa alegria, nos ajude e nos faça mais devotos da Eucaristia, do Mistério Pascal de seu Filho e mais atentos às necessidades dos demais.

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético – 2º Domingo de Páscoa e da Divina Misericórdia - Ano C

feito por Pe Ignácio, dos padres escolápios (extraído do site http://www.presbíteros.com.br)

Epístola (Ap 1, 9-11ª; 12-13; 17-19)

O AUTOR: Eu, João, o também vosso irmão e copartícipe na tribulação e no reino e na perseverança de Jesus Cristo, estava na ilha, a chamada Patmos, pela palavra do Deus e pelo testemunho de Jesus Cristo (9). Ego Iohannes frater vester et particeps in tribulatione et regno et patientia in Iesu fui in insula quae appellatur Patmos propter verbum Dei et testimonium Iesu. JOÃO: [Iöannës <2491>=Iohannes]é um nome de origem hebraica [Yehohanan], cujo significado é Jahveh é um dador gratuito ou de graça. Com este nome temos 4 pessoas diferentes no NT: João, o Batista; João, o apóstolo, o que escreve o quarto evangelho, que a tradição diz ser também o autor do Apocalipse; João, com o sobrenome de Marcos, companheiro de Barnabé e Paulo, como narra At 12, 12 e João, um membro do Sinédrio (At 4, 6). Sobre o autor do Apocalipse, a tradição diz que o evangelista e discípulo amado do Senhor (Jo 13, 23) teve nos últimos anos o cuidado das igrejas da Ásia Menor onde morreu com idade avançada. Porém, há autores modernos, desde o final do século XIX, que afirmam nunca saiu da Palestina onde morreu já avançado em anos. Esta hipótese não é muito seguida e existe uma terceira em que se afirma que tanto o Quarto Evangelho como o Apocalipse derivam do ensinamento do apóstolo João, sem dúvida por intermédio de redatores pertencentes aos meios joaninos de Éfeso. O livro durante muito tempo  foi posto em dúvida em certas comunidades cristãs.  Hoje é um dos preferidos pelas comunidades evangélicas e considerado como profecia do passado por muitos eruditos católicos. IRMÃO [Adelfos<80>=frater] é a palavra comum entre os cristãos que se consideravam filhos de Deus e, portanto, verdadeiros irmãos pelos méritos de Cristo, o Filho natural do Pai comum.

COPARTÍCIPE [rSygkoinövos <4791>=particeps] derivado de syn [juntamente] e koinönos [associado] que, neste caso, é devido à perseguição ou TRIBULAÇÃO [Thlipsis <2347>= tribulatio] com o significado de opressão, aflição, sofrimento, tribulação, angústia, perigo, desgraça. Como em todos os escritos apocalípticos, o autor descreve em temos escuros a realidade, para caso de ser descoberto, não dar motivo à polícia para aumentar a perseguição. Daí o estilo criptográfico que é chamado apocalíptico. Cremos, portanto que a melhor tradução é perseguição.PERSEVERANÇA [Hypomonë<5281>=patientia] firmeza, perseverança, constância, tenacidade, resistência. Em Rm 5, 3, Paulo fala de que ele se gloria na tribulação [perseguição?] sabendo que a tribulação produz a perseverança(TEB). PATMOS <3963> que em grego significa meu assassinato, era uma pequena ilha do grupo das Cíclades do mar Egeu, que recebeu seu nome das árvores que produzem a turpentina ou trementina, ou seja, de certos pinheiros. Tem aproximadamente 50 Km de circunferência [10X5 milhas] e está próxima das costas da Ásia Menor, especialmente de Éfeso. S. Ignácio diz que João foi desterrado a Patmos pelo imperador Domiciano, que Irineu calcula ser ao redor dos anos 95 ou 96 não por um pecado, ou delito, mas por sua fé em Cristo, como afirma o próprio João neste versículo pela palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus Cristo. Da ilha, uma vez livre, viveu em Éfeso, distante aproximadamente 60 Km da mesma. Segundo os autores modernos relatam, Patmos era uma espécie de Alcatraz no império romano. Funcionava como um cárcere sem muros. A ilha era rica em mármore e a maioria dos presos estava forçada a trabalhar nas canteiras da mesma. Atualmente não tem árvores, nem rios, nem vegetação, exceto alguns cantos cultivados entre as rochas. Há uma gruta donde a tradição diz que o apóstolo morava e na qual teve suas visões. É, pois uma ilha deserta, isolada, estéril, apropriada como prisão. Segundo antigos testemunhos, no ano 96, após a morte de Domiciano, João pode sair para Éfeso, no tempo de Nerva, o novo imperador.

A VOZ: Achei-me em espírito no dia do Senhor e escutei detrás de mim uma grande voz como de trompa (10). Fui in spiritu in dominica die et audivi post me vocem magnam tamquam tubae. EM ESPÍRITO [En Pneumati <4145>= in spiritu] o verbo egenomën <1096> que a vulgata traduz por fui, do verbo ginomai, tem o significado de transformar-se, ter lugar, suceder, ocorrer, acontecer, passar, surgir, resultar, chegar a ser. Daí que podemos traduzir por achei-me possuído no espírito. Podemos dizer, comentando Paulo em Gl 5, 16, que não foi impulsionado pela carne, mas levado pelo espírito que provem de Deus mesmo, e que o que viu e agora escreve, são fatos e palavras que constituem o que os antigos profetas chamavam oráculo do Senhor. DIA DO SENHOR é o domingo e vemos como já era desde tempos apostólicos o dia primeiro da semana chamado dia do Senhor por causa da ressurreição de Jesus. Talvez seja também uma reação contrária ao dia de Augusto celebrado uma vez por mês em honra do imperador. TROMPA [Salpigx<4536>=tuba] é o shofar <07782> feito de um chifre de carneiro. Quando o shofar soava em Israel, o Senhor se levantava do assento do juízo e se assentava no assento da misericórdia. Assim como as trombetas anunciavam a presença de um rei mortal, o Shofar [tuba] anunciava o rei dos reis e senhor dos senhores (Sl 98, 6) onde a AV traduz: Com trombetas [behachatsoserat, salpigxin, tubis, trombetas],e ao som de buzinas [shofar, salpiggos keratinës, bucinae, trompas], De fato a setenta distingue entre salpigx [trompa] e salpigx keratinës [ trompa de chifre]. A primeira é chatsotserah <02689> e a segunda é shofar<07782>. Este foi o instrumento tocado pelos sacerdotes em Jericó, feito de um chifre de carneiro [yobel<03194], que também recebia o nome de yobel e de donde vem a palavra jubileu [yobel<03104>] com o mesmo nome, de Lv 25, 10, anunciado pelo som deste instrumento. De fato existem duas palavras: trombeta, diminutivo de trompa, com os significados de clarim, corneta (corno em espanhol), ou cornetim. Atualmente, é chamada de trompete. O corno, que melhor podia ser trompa [famosas as trompas de caça na idade média], se é de chifre de carneiro, é o Shofar. E assim devia ser traduzido o Shofar que, em grego, a Setenta traduz como salpigx. O som do shofar é o que deve ser ouvido sempre que a presença do Senhor esteja a ser anunciada, como no monte Sinai (Êxodo 19:16, 19), onde este instrumento (som fortíssimo de trompa (shofar), segundo a TEB], aparece pela primeira vez na Bíblia. Daí deduzimos que a trombeta é o Shofar, chamada para indicar a vinda e presença do Senhor.

ALFA E ÔMEGA: Dizendo: eu sou o alfa e o ômega, o primeiro e o último; e o que estás vendo escreve num livro e envia às  sete igrejas, as da Ásia (11a). Dicentis quod vides scribe in libro et mitte septem ecclesiis. ALFA E ÔMEGA: No alfabeto grego eram as duas letras inicial e final do mesmo. Por isso, o autor explica o significado desse enigma na continuação. O primeiro e o último. Que quer dizer isso? O título era próprio de Jahveh no AT como vemos em Is 41, 4 : ego Dominus primus et novissimus ego sum. Como vemos em Ap 1. 8, são palavras de Jesus, o Cristo e ele a si mesmo se define como o princípio e o fim de tudo, exatamente como o Deus do AT. Primeiro e último, pois não existe um parêntese de tempo ou espaço em sua vida. Quer dizer que a criação do mundo e o seu fim estão unidos a Cristo como princípio e fim. Por ele tudo foi criado; por ele tudo chegará ao fim próprio, para o que foi destinado. Tudo foi feito por ele e sem ele nada se fez do que foi feito (Jo 1,3). Isto é o princípio e o fim. O seu império está nas palavras do anjo a Maria: Reinará na casa de Jacó e seu reino não terá fim (Lc 1, 33). Paulo diz claramente que o fim da Lei é Cristo (Rm 19, 4). E unicamente o fim de tudo será conseguido quando Cristo entregar o seu reino a Deus Pai (1 Cor 15, 24). Portanto, poderá dizer: Eu sou o que é e o que era e o que vem, o Todo poderoso (Ap 1,8). SETE IGREJAS: São sete cidades da Província da Ásia, desde 133 a.C. que era administrada por um procônsul, dependente do Senado e cuja capital era Éfeso, que com Pérgamo, eram cidades das mais populosas da oikoumene. Além das sete citadas, havia outras na região, como Colossas que não são denominadas. Alguns manuscritos as denominam e são: Esmirna, Pérgamo, Tyatira, Saris, Filadélfia e Laodicea. Parece que o número 7 não é um numerus clausus, mas um número típico em que entra a totalidade das igrejas no tempo. Também as cartas de Paulo foram dirigidas a sete Igrejas como Roma, Corinto, Galácia, Éfeso, Colossas, Filipo e Tessalônica. Uma outra interpretação é que a província romana de Ásia estava dividida em sete distritos postais, correspondentes às sete cidades para as quais envia a carta, o autor do livro.

OS CASTIÇAIS: E virei-me a ver a voz que falou comigo; e tendo-me virado, vi sete castiçais dourados (12). Et conversus sum ut viderem vocem quae loquebatur mecum et conversus vidi septem candelabra aurea, SETE CASTIÇAIS: João pensou ver o sujeito da voz, mas no seu lugar só viu sete candelabros de ouro. Uma tipificação do Menorah? Era o Menorah uma lâmpada de azeite de sete braços, elemento ritual do judaísmo que simbolizava os arbustos em chamas que viu Moisés no monte Sinai (Êx 25). Encontrava-se no Tabernáculo e passou a formar parte dos dois templos: o de Salomão e o de Herodes. Não deve ser confundido com o Hanukiá que celebra os 8 dia que a luz de uma candeia durou milagrosamente 8 dias até que foi purificado o templo pelos Macabeus. Uma planta que cresce em Israel chamada de Moriah tem sete galhos e parece com a Menorah, o que deu lugar a ser a inspiração do mesmo. Após a destruição do templo, o famoso candelabro foi levado a Roma, onde sua figura ainda pode ser vista no arco de triunfo de Tito. Uma base para explicar o seu desenho está em que representa os sete corpos celestes da antiga cosmologia hebraica: Sol. Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. Uma outra interpretação é que representa a árvore da vida que em termos pagãos era representada pela deusa Asherah, que em hebraico era chamada de Hochmah e em grego de  (sabedoria). Na realidade, deveríamos traduzir castiçais e não candelabros, pois estes são troncos que recebem vários braços em cujos extremos estão as lâmpadas e os castiçais são um para cada lâmpada. Alguns intérpretes dizem que os castiçais são as imagens das sete igrejas e que as luzes ou lâmpadas no extremo de cada castiçal representam a luz de Cristo que cada castiçal levanta para ser mais bem vista, segundo o que diz o Senhor (Mt 5, 15). Não é a Menorah, um único candelabro com sete braços, mas são sete castiçais em cujos extremos temos as lâmpadas com sua luz independente. Nácar Colunga traduz candeleros em espanhol, que é castiçal em português. No AT temos um profeta que vê também as sete lâmpadas, mas com a diferença de que é um único candelabro do qual saem sete tubos (RA) ou bicos (TEB), como era o Menorah. Em Zacarias ainda existe uma outra imagem: a das duas oliveiras. A Igreja é onde encontramos a luz de Cristo e não em cada indivíduo em particular de modo que stare cum Christo é stare cum Ecclesia. É nela que encontramos a verdadeira luz de Cristo.

O FILHO DO HOMEM: E no meio dos sete candelabros um semelhante a um filho de homem revestido de vestido talar e cingido nos seios com uma cinta dourada (13). Et in medio septem candelabrorum similem Filio hominis vestitum podere et praecinctum ad mamillas zonam auream. FILHO DO HOMEM: ÉJesus que aparece em funções de um juiz escatológico como em Daniel 7, 13-14: vindo nas nuvens do céu e foi-lhe dado domínio e glória. Era o título messiânico usado por Jesus e que a Igreja raramente usou, preferindo, após a ressurreição, o título de Senhor, que ao contrário da humanidade, manifestava mais bem a natureza divina de Cristo.

VESTIDO TALAR ou como diz o grego podërës [<4158>=poderes] que em latim significa túnica talar, usada pelos sacerdotes. Provém do grego pous [pé] e arö [unir]. É a única vez [aplax] que sai no NT. Seu simbolismo indica que Jesus era sacerdote, sumo dirá a epístola aos hebreus (7, 17). CINTA DOURADA era a banda de quatro dedos de largura que devia cingir a túnica do Sumo sacerdote (Êx 28, 4, 31-32; 29, 5) em sinal de glória e de majestade (Êx 28, 39). Em 39, 5 descreve-se a faixa que era feita de linho, ouro, e púrpuras. A faixa de Jesus tinha mais ouro do que os fios da antiga faixa sacerdotal, pois era de ouro puro. Segundo o tipo do AT, se os sacerdotes tinham que cuidar do Menorah de modo que não faltasse o azeite, nem o pavio fosse insuficiente, Cristo cuida das igrejas do NT de modo a suas luzes estarem sempre brilhantes no dia e especialmente na escuridão da noite, que era simbolicamente a noite sem fé do mundo pagão.

NÃO TEMAS: E quando o vi, cai aos pés dele como morto e pôs a s sua mão direita acima de mim dizendo-me: Não temas! Eu sou o primeiro e o último (17). et cum vidissem eum cecidi ad pedes eius tamquam mortuus et posuit dexteram suam super me dicens noli timere ego sum primus et novissimus. O apóstolo estava abrumado pela visão, embora conhecesse que era o mesmo Jesus, o que o amava e com o qual viveu momentos de intimidade e amizade na terra. Como é descrito com cores simbólicas, era de uma majestade impressionante e, por isso, diante do temor natural, João recebe as palavras que o próprio Jesus disse aos discípulos no meio da tempestade, andando sobre as ondas do mar: Não temais (Jo 6, 20): Sou eu, dirá então. E agora: Sou o primeiro e o último.

DONO DA VIDA: E o que vive e que foi feito morto e eis que estou vivo pelos séculos dos séculos. Amém. E tenho as chaves do Hades e da morte (18).Et vivus et fui mortuus et ecce sum vivens in saecula saeculorum et habeo claves mortis et inferni. O QUE VIVE: propriamente o vivente [Zön<2198>=vivus] é uma clara alusão à morte e ressurreição. Como diz na continuação, foi feito morto [egenomën nekros <1096; 3498> =fui mortuus] que podemos traduzir por estive morto, já que o latim não tem o verbo estar que é comum ao português e espanhol. No presente está vivo e essa vida será eterna pelos séculos  [aiön<165> saeculum]. O aiön grego significa uma idade perpétua, um período de tempo sem medida ou muito longo, daí um século e quando repetido eis tous aiönas tön aiönön é traduzido ao latim in saecula saeculorum e ao português por pelos séculos dos séculos, ou seja, sem fim o forever em inglês. O Amém final indica assim é. HADES [hades<86>=infernus] era o deus de ultratumba também chamdo Pluto, que logo passou a chamar-se de reino dos mortos, do qual Hades era o rei. É neste sentido que Cristo tem as chaves [para entrar ou sair] desse reino e consequentemente, será o dominador da morte, como se esta tivesse vida própria e fosse uma pessoa real. É o mesmo que disse Jesus a Marta : Eu sou a ressurreição e a vida (Jo 11, 25).

O MANDATO: Escreve as que vedes e as que são e as que estão a acontecer depois delas (19). Scribe ergo quae vidisti et quae sunt et quae oportet fieri post haec. Com estas palavras está claro que o relato do livro na continuação é inspirado por mandato de Jesus, o Cristo. As coisas que tendes visto: ou seja, a visão de Jesus, como glorioso e majestático, o sumo pontífice da nova era. As que são, ou seja, as das sete igrejas da Ásia. Finalmente as que estão a acontecer, ou seja, no futuro próximo. Provavelmente não escatológico, pois o Apocalipse trata dos tempos anteriores e próximos futuros, segundo a opinião dos modernos exegetas. Efetivamente, o livro está dividido em três partes: coisas que o autor já viu: capítulo I. Coisas que eram do tempo presente: capítulos 2 e 3. E finalmente, o futuro: capítulo 4 até o fim.

Evangelho ( Jo 20, 19-31)

PRIMEIRA APARIÇÃO AOS DOZE

1ª PARTE: JESUS APARECE AOS DISCÍPULOS

OS LUGARES PARALELOS: Temos, além do relato de João, outros dois paralelos, muito mais breves, como corresponde a um resumo auricular e não a um testemunho ocular. São Marcos 16, 14-18 e Lucas 24, 36-49. Contrastaremos todos eles para determinar o grau de historicidade e o valor teológico das afirmações como catequistas bíblicos.

TEMPO: Sendo, portanto, o entardecer naquele dia o primeiro da semana e as portas trancadas donde estavam os discípulos reunidos por medo dos judeus, veio o Jesus e ficou em pé no meio e diz-lhes: paz convosco (19). Cum esset ergo sero die illo una sabbatorum et fores essent clausae ubi erant discipuli propter metum Iudaeorum venit Iesus et stetit in medio et dicit eis pax vobis João é o mais detalhado neste respeito: estando, pois, aquele dia perto do fim [opsies], o primeiro da semana, temos traduzido por entardecer. Comparado com o relato de Lucas anterior ao sucesso de João, que este não narra, da aparição aos dois de Emaús, parece que temos uma pequena contradição de tempo. Os dois de Emaús pedem a Jesus que fique, pois está na tarde e o dia já há declinado [temos traduzido literalmente]. Como pode dizer João que depois de uma caminhada de sessenta estádios, aproximadamente 9 mil metros, ou duas horas de caminho ainda era a tarde do dia? Vamos explicar esta aparente contradição. A tarde começava às quinze horas. Era este também o tempo em que se iniciavam as jantas. O dia, na primavera palestina, termina entre 17:30 e 18 horas. Caso estejamos, segundo Lucas, no início das 16 horas teremos mais duas horas de volta e os dois discípulos estariam com os doze às 18 horas, precisamente o fim do dia como afirma João. OS DISCÍPULOS: Além dos doze [melhor onze, porque Judas estava morto] estavam os dois de Emaús e provavelmente mais, dentre os quais logo nos Atos se dirá eram cento e vinte. Dentre os onze faltava Tomé o chamado Dídimo. Tanto Tomé como Dídimo significam o mesmo: gêmeo. Como diz Lucas estavam reunidos os onze (!) e seus companheiros comentando uma aparição a Pedro [Simão] (Lc 24, 33-34) que João não narra porque ele não foi testemunha do fato. Temos uma falha de informação em Lucas porque não sendo ele testemunha narra na totalidade, os onze, quando na verdade faltava um: Tomás. Também vemos como em Marcos existe uma narração formal e genérica, quando resume todas as aparições afirmando finalmente que apareceu aos onze quando estavam à mesa e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, porque não haviam dado crédito aos que o tinham visto ressuscitado (34, 14). Vemos que esta última afirmação é só em parte verdadeira  como constatamos em Lucas 24, 34. Esta falta de detalhes indica claramente que eles tratam o assunto na sua generalidade, como um fato que transcende a história e forma parte da tradição. Não assim em João onde hora, lugar e circunstâncias permitem conhecer o que uma testemunha viu e ouviu. Por isso temos dois detalhes importantes: o medo aos judeus [propriamente jerosolimitanos] e as portas fechadas, ou melhor, trancadas. JESUS VEIO: É desta forma como aparece para estar na frente de todos a figura do ressuscitado. Nada de ruídos, de resplendor, de experiências impactantes. Como entra a luz quando uma janela é aberta, assim o corpo de Jesus entrou e se colocou no meio deles. A PAZ: A figura na frente deles não é uma estátua; fala e comerá logo, para demonstrar que não é um espírito, uma fantasia, um fantasma. Mas vamos agora estudar suas palavras. A primeira palavra de Jesus é uma saudação que podemos dizer entra dentro do costume ambiental: PAZ. A palavra hebraica Shalom da qual a grega Eirene e a latina Pax são traduções, significa evidentemente ausência de guerra e vida tranqüila Lc 14, 32, mas também significa bênção, glória, riqueza, descanso, bem-estar, saúde física, esperança de êxito, justiça, salvação: ou seja tudo que acostumamos chamar de estado feliz. Especialmente paz e justiça aparecem unidas (Mt 5, 9-10). A paz é dom precioso de Deus (1 Cor 1, 3). Daí que o futuro Messias, Jesus em definitivo, seja antes de  tudo um porta-voz da paz e inclusive se identifique com ela (Rm 5, 1). É o Messias que a comunica por meio do Espírito como antecipação da paz definitiva (Rm 14, 7). Se a primeira vez, a palavra pode ter o significado de uma saudação (19), quando é repetida pela segunda vez, tem um significado profundamente teológico: ela é a base do Espírito que transforma os discípulos em enviados do Pai, recebendo o principal carisma da nova era: o espírito de reconciliação que basicamente é perdão. Algo novo está ocorrendo; e esse algo novo é um bem divino:  essa profunda e definitiva paz, que Deus está disposto a partilhar como doador com simples seres humanos.

AS CHAGAS: E dito isto, mostrou-lhes as mãos e o seu lado; alegraram-se, pois, os discípulos vendo o Senhor (20). Et hoc cum dixisset ostendit eis manus et latus gavisi sunt ergo discipuli viso Domino. Jesus mostrou suas chagas: mãos e pés, segundo Lucas (24, 39) e mãos e lado, segundo João (20, 21). Lucas declara o propósito dessa prova como demonstração  de que ele era o mesmo Jesus crucificado que tinha sido depositado no sepulcro e não um fantasma. Nem a afirmação de Lucas nega a de João nem esta poderá ser tomada como contraditória à de Lucas. Máxime que João distingue duas aparições: uma só para Tomé em que pede que este introduza a mão no lado, daí que o lado era mais importante para João do que as chagas do pé. Lucas só traz uma aparição, porque para ele o importante era que Jesus tinha sido visto pelos onze. Isto explica  as diferenças entre os dois. Não todos os detalhes são importantes, mas só aqueles que do ponto de vista do autor contribuem para demonstrar ou confirmar seu propósito. Desde este momento, Jesus será o crucificado, ou seja, aquele que em seu corpo apresenta umas feridas que inicialmente foram vergonha e humilhação, mas que desde agora, seriam glória e exaltação. O Jesus-homem, filho de Maria [filho do homem] agora se apresenta como o Cristo-Senhor verdadeiro filho de Deus [Cristo Deus].

O PERDÃO DOS PECADOS: Disse-lhes então o Jesus de novo: Paz convosco. Como me enviou o Pai também eu os envio (21). E dito isto, soprou e diz-lhes: recebei um espírito divino(22). Se de alguns perdoardes os pecados, são a eles perdoados, se de alguns retiverdes, retidos são (23).. Dixit ergo eis iterum pax vobis sicut misit me Pater et ego mitto vos. Hoc cum dixisset insuflavit et dicit eis accipite Spiritum Sanctum. Quorum remiseritis peccata remittuntur eis quorum retinueritis detenta sunt A nova missão dada por Jesus aos discípulos está intimamente unida ao perdão dos pecados. Por isso Jesus repete de novo Shalom lekem [Eirene ymin grego, ou Pax vobis latino]. Mas esta paz não é uma saudação, mas uma doação, um presente divino que é um perdão pela conduta imprópria dos discípulos durante os dias de paixão e morte de Jesus. Jesus esquece e perdoa. Sua paz, que é felicidade e alegria por sua presença viva no meio deles, quer ser uma reconciliação sem recriminações nem censuras. O perdão é total. O desejo de Jesus vai além do simples perdão. Jesus pretende dar aos discípulos um novo ministério: uma função divina como dom totalmente extraordinário que requeria um ato solene, visível e simbólico; ou seja,  uma ação sacramental em que o homem é instrumento visível da ação interior divina. A missão atual é totalmente diferente da dada aos doze (Mt 10, 1 +) e aos discípulos (Lc 10, 1+) que unicamente consiste em anunciar a Boa Nova e testemunhá-la com poder de curar e autoridade sobre os demônios. É uma missão nova que participa da missão fundamental do próprio Jesus, que vamos estudar na continuação. Jesus não só envia os discípulos, mas também o Paráclito (Jo 16, 7). E a missão dos discípulos está na mesma ordem da missão do Paráclito. É, pois uma missão muito importante.

MISSÃO DE JESUS: Como o Pai me enviou, dirá Jesus. Com estas palavras Jesus afirma o sentido de sua vida: Ele é um enviado do Pai, um mensageiro que tem como finalidade o que a continuação descreve como doação aos seus discípulos: o perdão. Que Jesus era enviado do Pai temos clara confirmação em Jo 5, 30 e 36. Mas qual foi a  missão fundamental de Jesus? O anjo anuncia um Salvador que será Cristo-Senhor (Lc 2, 11). No nome da pessoa estava escrita a missão de sua vida. Por-lhe-ás o nome de Jesus, pois ele salvará seu povo de seus pecados (Mt 1, 21). E o Batista descreve o futuro Messias declarando-o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1, 29). A missão de Jesus se cumpre no momento de sua morte quando pode exclamar: está consumado (Jo 19, 30). Pouco antes, ao ser elevado na cruz, reclama do Pai o perdão; e o mais admirável é que esse perdão não é para os amigos, mas para os inimigos: Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem (Lc 23, 34). Foi para essa hora[de paixão] que ele veio (Jo 12, 27). O perdão é uma amostra de que Deus é Pai e de que a justiça de Deus é clemência para quem recebe o evangelho como a Boa Nova da graça: O ano de graça do Senhor (Lc 4, 19 e Is 61, 2). Na última ceia declara o mistério encerrado na cruz como o sangue a ser derramado em prol da multidão para o perdão dos pecados (Mt 26, 28) e João na sua primeira carta resumirá esta missão afirmando: o sangue de seu Filho nos limpa de todo pecado (1 Jo 1, 7).

MISSÃO DOS DISCÍPULOS: 1)Jesus a identifica com a sua: como o Pai me enviou assim eu vos envio (21). Um favor deve ser tomado em sentido o mais amplo possível, sem restrição, como dizem os letrados em Direito. Perdoar não é só usar palavras, mas contribuir com ações, unindo-se à sua paixão para que os novos sofrimentos atuem como causa segunda do perdão, o qual Paulo já expressava numa frase de difícil interpretação: Em minha carne estou completando o que falta às tribulações de Cristo em favor de seu corpo que é a Igreja (Cl 1, 24). E como tal corpo de Cristo, também ele (sendo parte da Igreja) sofre e adquire méritos para a conversão dos pecadores, como muitos santos sofreram e S. Agostinho confirma em seus escritos. A Deus só podemos dar o nosso sofrimento de quem entrega sua vida, perdendo-a como prova do amor (Rm 5, 8). E nisso consiste precisamente o sacrifício (Ef 5, 2). 2) Jesus realiza uma ação que relembra pelo verbo usado a mesma de Gênesis 2, 7, segundo a setenta, quando Deus soprou sobre o barro para dar vida ao corpo inerte. Logo teremos uma vida nova dada aos discípulos. Até agora Jesus nunca fez gesto semelhante que implicava modo diferente de ser discípulo. 3) As palavras que explicam a ação de Jesus formam um só conjunto com a missão e o sopro, que tem como significado o perdão dos pecados. Aqui não encontramos menção do Evangelho, não aparece o Reino, não deixa os efeitos salutares aos ouvintes da palavra, mas os efeitos são dirigidos aos presentes, todos eles alegres e com viva fé no Senhor: Se perdoais serão os pecados [dos outros] perdoados, se não os perdoais [os retiverdes forçosamente, segundo o grego] não estarão perdoados. Os hemistíquios finais de cada frase estão na voz passiva o que significa uma ação direita de Deus. Poderíamos traduzir livre, mas literalmente a nova missão apostólica desta forma: Deus perdoará a quem perdoardes; e Deus não perdoará a quem não perdoardes. O melhor comentário é o do Beato Isaac della Stella: A Igreja nada pode perdoar sem Cristo e Cristo nada quer perdoar sem a Igreja. A Igreja não pode perdoar senão a quem é penitente, isto é, a quem Cristo tocou com sua graça; e Cristo nada quer considerar como perdoado a quem despreza a sua Igreja.4) Por issoa condição indispensável do penitenteé seu amor por Cristo, segundoas palavras do próprio Jesus: Eu vim chamar os pecadores ao arrependimento (Lc 5, 32) e seus muitos pecados lhe são perdoados porque amou muito; mas aquele a quem pouco se perdoa ama pouco (Lc 7, 47) ou em termos mais ocidentais: A quem pouco ama, pouco se perdoa.

INTERPRETAÇÃO: Que podemos dizer desta segunda missão dos discípulos chamados a perdoar os pecados? ANTES do século XVI todas as Igrejas admitiam que os apóstolos e seus sucessores tinham o poder ministerial de perdoar os pecados dos fiéis em nome de Cristo. DEPOIS, com a vinda da Reforma, os evangélicos afirmam que este poder e este encargo são entregues a todos os discípulos; de fato a todos os fiéis de todos os tempos (Jo 17, 20) e não a Pedro em particular (Mt 16, 19) ou a um ordo sacerdotal (Lc 24, 48). O perdão não é dado por meio de um poder ministerial causado por uma recepção do Espírito; porém, escutando o testemunho dos fiéis, os homens acreditarão (seus pecados lhes serão perdoados) ou se escandalizarão (seus pecados lhes serão retidos). Estas são as novas afirmações dos chamados evangélicos. A igreja Romana admite como certo que o poder dado por Cristo de perdoar os pecados se exerce também no Batismo e na pregação da palavra (Mc 15, 16). Todo sacerdote no final da leitura do evangelho diz: Pelos vocábulos ditos, sejam perdoados nossos delitos. O teólogo Bruce  Vawter declara que este dom do Espírito está aqui relacionado explicitamente com o poder outorgado à Igreja para continuar ostentando o caráter judicial de Cristo no referente ao pecado. Mas há algo mais: especialmente da passagem atual temos duas definições dogmáticas que interpretam a Escrituras em sentido histórico ou literal: A PRIMEIRA definição é do Concílio de Constantinopla (ano 553) proclamando que quando o Senhor insuflou sobre os apóstolos, estes recebem realmente e não figurativamente  o Espírito Santo. A SEGUNDA é do Concílio de Trento, declarando anátema do ponto de vista católico, a interpretação desta passagem como não se referindo à potestade de perdoar e reter os pecados no sacramento da penitência, mas somente restringida à autoridade de pregar o evangelho.

LUGARES PARALELOS: Em primeiro lugar temos a passagem da confissão de Pedro: E te darei as chaves do Reino dos Céus: E se alguma coisa ligares sobre a terra, estará ligada nos céus. E se alguma coisa desatares sobre a terra estará desatada nos céus (Mt 16, 19). Pedro recebe de Jesus uma autoridade que é jurídica como chefe do conjunto apostólico. É definitivamente o poder de admitir ou rejeitar dentro da comunidade homens e ideias como fundamentalmente afins ou inimigas às mensagens verdadeiras do evangelho. Uma outra passagem é: Em verdade vos digo que tudo que por quaisquer motivos ligares sobre a terra estará ligado no céu. E tudo que por qualquer causa desligares sobre a terra estará desligado no céu (Mt 18, 18). Trata-se do mesmo direito de admitir ou rejeitar homens e doutrinas, porque este versículo é a conclusão de como tratar aquele que não querem se arrepender, uma vez que rejeita a voz da Igreja. Nesse caso será tratado como gentio ou publicano. Uma terceira passagem está em Tiago 5, 16: Confessai, pois, uns aos outros os vossos pecados e orai uns pelos outros para que sejais curados. O contexto indica que é nos momentos de doença em que o doente chama os presbíteros da Igreja para ser ungido e a oração da fé salvará o doente e o Senhor o porá de pé; e se tiver cometido pecados, estes serão perdoados (15). Uma quarta passagem é encontrada em 1 Jo 9: Se confessarmos os nossos pecados, ele (Deus) é fiel e justo de modo que demita nossos pecados e nos limpe de todas as maldades. Finalmente Pedro, à pergunta dos ouvintes, que devemos fazer, dirá: Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados (At 2, 18). Destes textos deduzimos: 1o) Que Cristo realmente tem poder para entregar sua autoridade como faculdade a ser exercida visível e externamente sobre os homens . 2o) Que pelo menos de duas formas desde os tempos apostólicos essa potestade era usada: no batismo e na doença. Temos como confirmação os casos de Ananias (At 5, 1-11) e do incestuoso de Corinto (1Cor cap 5) em que o pecado é retido e punido.

PARTE: SEGUNDA APARIÇÃO

OITO DIAS: E dentro de oito dias, de novo estavam dentro os discípulos dele e Tomé junto com eles. Vem o Jesus, trancadas as portas, e ficou de pé no meio e disse: paz convosco (26). Et post dies octo iterum erant discipuli eius intus et Thomas cum eis venit Iesus ianuis clausis et stetit in medio et dixit pax vobis. TOMÉ: Seu nome hebraico significa o mesmo que Dídimo em grego: gêmeo, como o evangelista João diz em 11, 16. Somente João dá alguns detalhes de sua presença entre os apóstolos. Vamos e morramos com ele dirá em Betânia do outro lado do Jordão (Jo 11, 16). Era um homem que não se acalma com meias verdades e quer saber o significado próprio das palavras: Senhor, não sabemos aonde vais, como vamos saber o caminho? (Jo 20, 14). Ele estava com os outros pescadores na beira do mar quando Jesus aparece aos sete discípulos que intentavam pescar (Jo 21, 2). Este último evento indica que Tomé era também de Betsaida, amigo de Pedro e de João. Seu desejo de conhecer a verdade foi sem dúvida a base para o chamado evangelho de Judas Tomé, o Gêmeo, que teve uma inusitada influência entre eruditos desde a descoberta de Nag Hammadi. Num programa de History Chanel o dito evangelho é tomado como mais antigo do que os evangelhos da cruz como apelidam os canônicos que retraem [não sei com  que critérios] até 40 ou mais anos após a morte de Jesus, ou seja, após o ano 70, ano da destruição de Jerusalém. Aproveito para dizer um fato incontestável: No capítulo 15 da primeira carta aos de Corinto temos em essência o evangelho: Transmiti-vos em primeiro lugar aquilo que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados, segundo as escrituras. Foi sepultado; ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas e depois aos doze (1 Cor 15, 3-5). Porém todos afirmam que esta carta foi escrita três anos após a visita de Paulo aos de Corinto, que sucedeu entre 52-53 de nossa era. Em definitivo 20 anos após a morte de Jesus. Podemos dizer com a mesma segurança que o evangelho de Tomé foi escrito antes desse evangelho básico dos primeiros cristãos? Porque o dito evangelho só é um evangelho em que Jesus é Mestre de Sabedoria e não redentor e vítima pelos pecados, que ressuscita no terceiro dia. Ou será que a dúvida de Tomé a respeito da ressurreição de Jesus se tornou certeza e por isso, só os ditos do mestre valiam a pena de serem escritos? A FÉ DE TOMÉ: Ela veio de uma visão direta do Ressuscitado: Estavam de novo reunidos, oito dias depois, os discípulos e desta vez estava Tomé com eles. De novo as portas estavam fechadas. Atravessar as paredes é um fenômeno que modernamente vemos como parte da parapsicologia e não do milagre. É o fenômeno chamado aporte, definido como aparições de objetos que atravessam obstáculos como paredes, muros e corpos opacos de todo gênero ou mesmo vindos de longe. Encontramos exemplos em Edivino A Friderichs no livro <Panorama da Psicologia ao alcance de todos> paginas 162-167. O aporte é um fenômeno físico comprovável e até certo ponto experimental, não porque saibamos as causas e possamos explicar o fenômeno em si, mas porque, sem truques, podemos observá-lo e pode ser objeto das experiências de nossos sentidos, ou seja, da ciência experimental. Ora bem: se não sabemos explicar um fenômeno que acontece sem outra intervenção aparente que a mente humana, e não podemos duvidar de sua existência, como poderemos afirmar que o que a ciência não explica não pode existir como realidade e será, portanto fantasia, mito ou crendice? O aporte também? A ciência moderna desvendou muitos mistérios, mas também descobriu muitos mais ainda por explicar, que antes eram desconhecidos. Estamos entre a luz e as trevas. Não podemos negar a existência da lua por termos nascido cegos; portanto não podemos negar muitos fatos que acontecem ou podem acontecer por não tê-los visto. Entre eles os milagres, que não são de séculos muito distantes sem testemunhas contemporâneas; mas que contêm testemunhos oficiais desde o momento de sua realização, como o caso do coxo de Calanda. Por que não aceitá-los? A INCREDULIDADE: Não é só a de Tomé, donde vemos que não era suficiente a afirmação de seus condiscípulos e amigos. Era um cabeçudo, que só podia crer em semelhante acontecimento que ultrapassava seu íntimo convencimento, vendo e tocando por seus próprios olhos e suas próprias mãos. Não aceitava testemunhos imparciais, mesmo amigos, que por outra parte nada tinham a ocultar e nenhuma vantagem em afirmar. Tomé é o símbolo e o tipo de muitas pessoas modernas que não negam a evidência, mas que, como os antigos fariseus, atribuem ao acaso e a insuficiência científica hoje em dia, explicações que requereriam uma causa transcendente. Isso porque os levaria a retratar suas convicções e humilhar suas pretensas certezas. Como Tomé, são capazes de repetir: Se eu não vir, se eu não tocar não posso crer (Jo 20, 25)

A RENDIÇÃO: Depois diz a Tomé: traz teu dedo aqui e vê minhas mãos e traz tua mão e introduz no meu lado e não te tornes incrédulo mas fiel (27). Deinde dicit Thomae infer digitum tuum huc et vide manus meas et adfer manum tuam et mitte in latus meum et noli esse incredulus sed fidelis O ato de Jesus foi de uma delicadeza total: Um milagre só para que seu discípulo pudesse crer. A fé que, segundo João, nasce da vontade do Pai e consiste em ver o Filho e nele crer para obter a vida eterna e ser ressuscitado no último dia (6,40) foi dada a Tomé como um verdadeiro presente, devido à sua oração [de Jesus]: por eles te rogo pelos que me deste, porque são teus (17, 9) de modo que não se perca nada do que ele me deu, mas o ressuscite no último dia (6, 39) a não ser o filho da perdição (17, 12). Tomé se rende ante a evidência. A dúvida de Tomé é também para nós um esclarecimento de que hoje podemos tirar uma ideia esclarecedora: o lado de Jesus está aberto. Esse lado onde brotou sangue e água (19, 34) ainda está aberto. Porque é aquele Jesus Cristo que veio por meio de água e sangue (1Jo 5, 6). Porque são três os que testemunham na terra: O Espírito, a água e o sangue; e os três a um [só objetivo] se unem (1 Jo 5, 8). É o lado da morte que se torna fonte de vida para nós: de perdão pela água do batismo e de vida pelo sangue da Aliança, que representa a vida. Esse lado que se tornou  imagem, não da morte, mas da vida para os que o contemplam como vivo, mas crucificado. Duas são as expressões do primitivo cristianismo que hoje apelam a nossa fé: Jesus é o Senhor e ele é o Crucificado. E podemos contemplar, como João mostra, o Crucificado como o traspassado, que exige de nós água e sangue, Batismo e Eucaristia. Água que lava o pecado e o sangue como aspergido desde a cruz à semelhança do que acontecia no AT no dia do Yom Kippur em que o sangue do bode era aspergido sobre o altar. Atualmente entre os judeus modernos é o dia da reconciliação, dia em que se deve estender ao inimigo a mão da reconciliação, esquecer as ofensas recebidas e desculpar-se pelas feitas aos outros. Este ofício da expiação, na epístola aos Hebreus, no capítulo 9, tem uma perfeita réplica no NT com o Crucificado como vítima de expiação.

MEU SENHOR E MEU DEUS: Então responde o Tomé e disse-lhe: O Senhor meu e o Deus meu! (28). Respondit Thomas et dixit ei Dominus meus et Deus meus. É a palavra da fé mais vibrante e mais pessoal. Que mais poderíamos dizer da figura de Jesus que é Deus e, portanto Senhor, e que melhor de sua relação conosco que declará-lo meu como uma possessão tão pessoal como íntima? Entramos dentro da divindade e nos deixamos impregnar de sua transcendência. Por isso, a Igreja não encontrou outra melhor expressão de fé através dos séculos que esta de Tomé: Meu Senhor e meu Deus!

BEMAVENTURADOS: Diz-lhe o Jesus:porque me viste, Tomé, tendes acreditado. Ditosos os que não vendo e acreditaram (29). Dicit ei Iesus quia vidisti me credidisti beati qui non viderunt et crediderunt. A Bênção é para todos os que, sem terem visto, não obstante creem. Sem dúvida que Deus e Jesus, como fiel seguidor de seus planos, escolhem o melhor caminho para a fé. Não é a submissão a uma aparição sobrenatural, mas a um fato não experimentado e difícil de acreditar, portanto. Sobre as conclusões da ciência, sempre experimentais, e sobre a lógica da razão sempre humana, está o poder divino e a coerência de quem  aceita a palavra como norma de vida. Se confessares com tua boca que Jesus é Senhor e creres em teu coração [mente] que Deus o ressuscitou dentre os mortos serás salvo (Rm 10, 9). Esta é a Bênção que Jesus promete aos que nele crêem, sem terem visto.

MUITAS OUTRAS COISAS: Porém estas estão escritas para que acrediteis que o Jesus é o Cristo o Filho do Deus e para que crendo tenhais vida em seu nome (31). Haec autem scripta sunt ut credatis quia Iesus est Christus Filius Dei et ut credentes vitam habeatis in nomine eius. Com esta frase João declara que seu evangelho tem o defeito de toda obra humana: a limitação. Porque apesar de ser inspirada também tem características de obra humana como estilo, língua e métodos. João não pretendia escrever tudo, mas aquelas coisas que eram mais apropriadas a sua finalidade: Para que os leitores creiam que Jesus é o Ungido [Messias], o Filho do Deus [verdadeiro] e para que crendo tenhais vida em seu nome(31). Com isso se cumpria a declaração de Jesus a Marta: Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim ainda que morra viverá e quem vive e crê em mim jamais morrerá. E ele poderá perguntar a cada um de nós como a Marta: Crês nisso? (Jo 11, 25-26).

PISTAS:
1) O relato de João é simples; as circunstâncias não são barrocas nem fantasiosas, mas completamente naturais, com a exceção da figura de Jesus que foge à compreensão humana e lógica dos acontecimentos que chamamos naturais. Será um fantasma? Será um sonho? Por isso, João diz que Jesus mostrou suas chagas: era o crucificado. Durante 40 dias será visto, sempre de improviso, e aparecerá quando a necessidade ou a oportunidade o recomendem. É Jesus e não os apóstolos quem comanda a visão. Foi visto [opthé] como quando sem a vontade humana o sol aparece de manhã no horizonte. Um pouco diferente é a visão que dele temos pela fé: Não submetidos a uma evidência, mas passando da palavra à visão, para nesta encontrar o Amor.

2) Uma nova relação surge entre Jesus e seus discípulos: Os pecados podem ser perdoados e o saberemos ao escutar a palavra de perdão, como sabemos o fim de um julgamento ao escutar a sentença definitiva de um juiz. A paz reina de novo entre céu e terra.  Tudo é fruto de uma entrega, a de Jesus, que termina em sacrifício, o mais humilhante e bárbaro de toda a antiguidade. A cruz agora é salvação e o sofrimento tem essas suas mesmas qualidades: entrega e sacrifício. E Ele embora seja ainda o crucificado, se tornará Senhor e se tornarão benditos todos os que, sem tê-lo visto, acreditem que está vivo e que como Senhor da morte é também Senhor da vida.

3) A fé não é um produto do raciocínio e da lógica científica após laboriosa investigação. Um e outra não levam à fé, mas sugerem a dúvida. A fé é um dom de Deus que propõe vida após a morte, perdão após o pecado. Porém a nossa fé está baseada no testemunho dos que o viram e ouviram como ressuscitado. Pois a fé provém da pregação (Rm 10, 17). Ou seja, está avaliada por uma tradição que se tornou anúncio e escuta; tradição inicial como de origem apostólica. Na base, pois, da fé está a tradição antes do que a palavra escrita.

4) O evangelho, como livro ou Escritura, nasceu de um testemunho que foi escrito, uma vez ouvido. E tanto valor tem essa escrita quanto mais fiel é ao testemunho que recolhe e que ouviram os anunciados. A Escritura foi e ainda é tradição, enquanto esta a interpreta com a autoridade de quem primeiro a ouviu como palavra. E como livro, a palavra é sempre limitada, por não poder explicar-se a si mesma e por não conter tudo o que poderia ter sido ouvido e escrito. Como diz João nesta primeira conclusão, seu livro não tem outra finalidade além da fé. Seu livro estará mais completo com os outros livros que chamamos evangelhos.

5) Por ser uma passagem para a fé não deverá ser lido com curiosidade, nem como uma história em que buscamos tempo, lugar, circunstâncias  e detalhes que são de interesse humano, mas como fundamento da fé; desta buscamos conhecimentos que devemos aceitar como verdades divinas: como devemos pensar diante dos grandes problemas da vida, como passar da fé ao amor para ajustar nossa vida, porque encontramos diante de nós a figura do ressuscitado como Senhor e Deus da nossa vida.




04.04.2010
Domingo de Páscoa e da Ressurreição do Senhor - ANO C

__ “PÁSCOA DO SENHOR, NOVA CRIAÇÃO E NOVO ÊXODO” __

Comentário: Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs! Hoje ressoa na Igreja o anúncio pascal: Cristo Ressuscitou; ele vive para além da morte; é o Senhor dos vivos e dos mortos. Na "noite mais clara que o dia" a palavra onipotente de Deus, que criou os céus e a terra e formou o homem à sua imagem e semelhança, chama a uma vida imortal o homem novo, Jesus de Nazaré, Filho de Deus e Filho de Maria. Entoemos cânticos ao Senhor!

(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)

PRIMEIRA LEITURA (Atos 10,34.37-43): - "Ele nos mandou pregar ao povo e testemunhar que é ele quem foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos."

SALMO RESPONSORIAL (Sl 117-118): - "Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos! "

SEGUNDA LEITURA (Colossenses 3,1-4): - "Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória."

EVANGELHO (João 20,1-9): - "Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!"



- “O SENTIDO VERDADEIRO DA PÁSCOA
    Reflexão do Evangelho por Diácono José da Cruz

A palavra Páscoa tem sua origem no hebraico “Pascha” que significa passagem, e no Judaísmo está contextualizada no fato histórico ocorrido em 1250 A.C que foi a libertação do povo hebreu da escravidão do Egito. A narrativa encontra-se no livro do Êxodo, que pertence ao Pentatêutico, conjunto dos cinco primeiros livros da Sagrada Escritura, cuja autoria é atribuída a Moisés. O ritual da páscoa judaica segue as determinações dadas pelo próprio Deus ao Sacerdote Aarão conforme Êxodo 12, 1-8.11-14 e o fato histórico, com esse caráter religioso, tornou-se para o Povo um memorial da noite em que Deus os libertou da escravidão do Egito, através de Moisés, derrotando o império do Faraó.Anteriormente a páscoa era uma Festa dos Pastores, que comemoravam a passagem do inverno para a primavera quando por ocasião do degelo, e surgindo a primeira vegetação à luz do sol, os animais deixavam suas tocas, sendo essa a origem do Coelhinho da Páscoa e do ovo, que ao ter a sua casca quebrada deixa romper a vida que há dentro dele.

A libertação do Povo da escravidão do Egito é o acontecimento mais importante na tradição religiosa de Israel que o tornou um memorial celebrado no ritual judaico, preceito estabelecido pelo próprio Deus, muito rico em sua simbologia.Trata-se de uma refeição feita em pé, com os rins cingidos, sandálias nos pés e o cajado na mão, como quem está de partida “comereis as pressas, pois é Páscoa do Senhor”. O sangue do Cordeiro imolado irá marcar o batente das portas dos que iriam ser salvos do anjo exterminador, e as ervas amargas lembram a escravidão e o sofrimento que o povo passou.

Jesus de Nazaré, filho de Maria e de José, tendo passado pelo rito iniciático do Judaísmo, freqüentava o templo e a sinagoga, como qualquer judeu fervoroso. Não era sua intenção fundar uma nova religião, mas sim resgatar a essência na relação dos homens para com Deus, que o judaísmo havia perdido por causa do rigorismo do seu preceito e dos seus ritos purificatórios. O fenômeno do messianismo era muito comum naquele tempo, como hoje quando surgem a cada dia novos pregadores em cada esquina, mas somente Jesus é o verdadeiro e único messias, aquele que fora anunciado pelos profetas, o Ungido de Deus, descendente da estirpe de Davi, o grande Rei porém, na medida em que Jesus vai manifestando quem ele é, e o seu modo de viver, convivendo com os pecadores impuros, curando em dia de Sábado e fazendo um ensinamento novo que estabelecia novas relações com Deus e com o próximo.

Tudo isso foi gerando um descontentamento nas lideranças religiosas que de repente começaram a vê-lo como uma séria ameaça a estrutura religiosa existente, e a expulsão dos vendedores e cambistas do templo foi a gota dágua que faltava para à sua condenação, sendo dois os motivos que o levaram à morte: o primeiro de caráter religioso, pois ele se dizia Filho de Deus e isso constituía-se uma blasfêmia diante do judaísmo, o segundo de caráter político, Jesus veio para ser Rei dos Judeus, representando uma ameaça ao augusto Cezar Soberano do império Romano.

O Povo esperava um Messias Libertador político para restaurar a realeza em Israel, que se encontrava sob a dominação dos romanos. É essa a moldura histórica dos fatos que marcaram a vida de Jesus, nos seus três anos de vida pública, desde que deixara a casa de seus pais em Nazaré e dera início as suas pregações tendo formado o Grupo dos discípulos.Logo após sua morte e ressurreição, nas primeiras comunidades apostólicas (dirigidas pelos apóstolos) se perguntava por que Jesus havia morrido? Nas reuniões que ocorriam aos domingos, porque Jesus havia ressuscitado na madrugada de um Domingo, os apóstolos faziam a Fração do Pão, recordando tudo o que Jesus fez e ensinou, concentrando suas pregações na morte e ressurreição. E assim começou-se a se fazer as primeiras anotações sobre Jesus e mais tarde, entre os anos 60 e 70, surgiram os evangelhos que revelavam, não só porque Jesus havia morrido, mas também como e onde havia nascido e de como vivera a sua vida fazendo o bem, anunciando um reino novo sempre na fidelidade e obediência ao Pai e no amor aos seus irmãos.

A Ressurreição de Jesus é um fato apenas compreensível e aceitável à luz da Fé, que é um dom de Deus concedido aos homens, pois o momento da ressurreição não foi presenciado por ninguém e o que as mulheres viram, segundo o relato dos evangelhos sinópticos, foram os “sinais” da ressurreição: túmulo vazio, os panos dobrados e colocados de lado, e ainda um personagem que dialoga com Madalena, confundido por ela com um jardineiro, que anuncia que Jesus de Nazaré não estava mais entre os mortos porque havia ressuscitado.As mulheres tornaram-se desta forma as primeiras anunciadoras da ressurreição aos apóstolos. Outra evidência foram as aparições de Jesus Ressuscitado aos seus discípulos, reunidos em comunidade conforme relato do livro do Ato dos Apóstolos. Não se tratam de aparições sensacionalistas para causar impacto e evidenciar a vitória de Jesus sobre os que conspiraram a sua morte, mas sim de um Deus vivo e solidário com os que nele crêem, para encorajar a comunidade dos apóstolos, que tiveram a princípio muita dificuldade para vencer o medo e descrença, que abateu-se sobre eles com a morte de Jesus.

A Ressurreição de Cristo está no centro da Fé cristã, que é, segundo o pensamento Paulino, a garantia de nossa ressurreição, que não pode e nem deve ser compreendida como uma simples volta a esta vida porque se trata de uma realidade sobrenatural entendida e aceita pela Fé, e não de um fato científico. O Cristo Ressurrecto apresenta um corpo glorioso! É este o destino feliz dos que crêem e vivem essa esperança que brota da Fé, pois a Vida venceu a morte!

Celebrar a Páscoa é celebrar esta Vida Nova de toda a humanidade, que irrompeu da escuridão do túmulo com o homem Jesus de Nazaré. É a passagem do pecado para a graça de Deus, das trevas para a luz, da Morte para a Vida , porque o espírito Paráclito que Cristo deu à sua igreja no dia de Pentecostes, tudo renova e permite que, caminhando na Fé, já desfrutemos, ainda que de maneira imperfeita, dessa comunhão íntima com Deus, no Cristo glorioso que nos acompanha nessa jornada terrestre, e que nos acolherá um dia na plenitude da Vida Eterna.

Uma feliz Páscoa a todos!

José da Cruz é diácono permanente da Paróquia Nossa S. Consolata-Votorantim - e-mail:jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Pe. Françoá Rodrigues – Domingo de Páscoa (Ano C)

Uma história presente na eternidade

A ressurreição é um fato histórico e ao mesmo tempo transcende a história. A sobriedade dos relatos da ressurreição é muito eloqüente. Sem muitas explicações dizem tudo: Cristo ressuscitou, apareceu a Pedro e aos Doze e o seu sepulcro estava vazio. Diante de testemunhas tão fiáveis e do sepulcro vazio, nós rendemos a nossa inteligência e a nossa vontade ao mistério da glória de Cristo. A ressurreição do Senhor não é absurda – a fé não é absurda para o crente –, mas diante do Mistério de Deus a inteligência encontra a sua limitação. Acreditamos por que Doze homens incultos, pescadores e simples nos disseram: “Cristo ressuscitou!Nós o vimos”. Isso pode escandalizar aqueles que não são capazes de vencer o próprio orgulho intelectual, ainda que muitas vezes o que entra em jogo não é um argumento intelectual, mas uma má disposição da vontade, o que é pior. Acreditemos com fé firme, rija e robusta. Deus não nos engana nem nos pode enganar!

Páscoa signifca “passagem”, da morte para a vida, das trevas para a luz, do pecado para a graça. Essa realidade foi expressada na Vigilia Pascal: no começo reinava uma terrível escuridão; depois vimos uma única luz, a do círio, que significa a luz de Cristo; depois todos os fiéis ficaram iluminados levando a luz de Cristo nas próprias mãos, finalmente veio a luz material. Houve uma expansão da luz: de Cristo aos cristãos, dos cristãos à toda a criação material. Jesus convida-nos a ser luz para um mundo mergulhado nas trevas do pecado.

Dizia São Josemaría Escrivá que Jesus leva o homem a sério, e quer dar-lhe a conhecer o sentido divino da sua vida de homem (cf. É Cristo que passa, 109). Desde que Cristo assumiu a nossa humanidade tudo adquiriu um novo sentido, por isso nós podemos dizer que as coisas humanas têm um valor divino. Quanto o cristão aproveita todas as coisas cotidianas para santificar-se, experimenta essa realidade. O Senhor já foi levantado no madeiro, já ressuscitou, é preciso que através dos cristãos de todos os tempos Cristo reine em todas as realidades temporais. Precisamos amar o mundo, o trabalho, as realidades humanas. Porque o mundo é bom; foi o pecado de Adão que rompeu a harmonia das coisas criadas, mas Deus Pai enviou o seu Filho Unigênito para que restabelecesse a paz (cf. É Cristo que passa, 112). O Senhor vê com um amor atuante a nossa vida, as nossas alegrias, as nossas dores, os nossos trabalhos. Jesus é o Filho de Deus que também quis ser chamado o Filho do Homem, Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Jesus, como Deus ensina-nos tudo o que é necessário saber sobre Deus, como Homem é o verdadeiro mestre sobre o ser humano. Ninguém conhece mais como funciona uma determinada máquina que seu inventor, ninguém conhece mais o ser humano com todas as suas funções que o seu Criador, Deus.

Maria Santíssima esperava a Santa Ressurreição com a certeza de que ela aconteceria. Maria sempre foi uma mulher de fé. O Evangelho não nos diz se ela foi ou não ao sepulcro; sabemos, no entanto, por uma antiga tradição que Jesus aparecera em primeiro lugar à sua Mãe Santíssima. Eu pelo menos não tenho dificuldade em acreditar nessa tradição, parece-me lógico! Jesus, que tinha verdadeiro amor de filho pela su mãe, desejaria dar a notícia em primeiro lugar a ela. De fato, Santo Tomás de Aquino aconselhava aos seus ouvintes que por ocasião da Páscoa felicitassem Nossa Senhora. Nós a saudamos dizendo: Rainda dos céus, alegra-te, aleluia!

Feliz Páscoa a todos!

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético – Domingo de Páscoa e da Ressurreição do Senhor Jesus Cristo - Ano C

feito por Pe Ignácio, dos padres escolápios (extraído do site http://www.presbíteros.com.br)

EPÍSTOLA (Cl 3, 1-4)

INTRODUÇÃO: Neste trecho, Paulo chama a atenção dos colossenses para o fim fundamental que deve dirigir toda a vida de um cristão: ele está unido a Cristo, de modo que deve imitar a vida do Mestre e, conforme essa vida, passar por este mundo vivendo a esperança de  uma ressurreição do Cristo místico e total que Paulo predica em suas epístolas.

RESSUSCITADOS COM CRISTO: Se, pois, tendes ressuscitado com Cristo buscai as (coisas) do alto onde o Cristo está sentado na destra do Deus (1). Igitur si conresurrexistis Christo quae sursum sunt quaerite ubi Christus est in dextera Dei sedens. A epístola é um canto a Cristo como sendo o fundamento e raiz da vida e do pensamento dos fiéis [a sabedoria divina em nossas vidas] a quem é dirigida a carta. Essa ideia tem uma parte negativa: nada de uma Lei que ata e oprime, como eram as normas antigas em que os judeus fundamentavam sua salvação, que Paulo descreve com o não tomes, não proves, não toques como sendo mandamentos e doutrinas dos homens (Cl 2, 21-22) e que constitui a sabedoria humana para satisfazer a carne. Aqui começa o nosso trecho de hoje. TENDES RESSUSCITADO: para Paulo, o batismo é um morrer ao homem velho e um ressurgir com Cristo que é o novo Adão (1 Cor 15, 45), de onde nasce a nova humanidade. O grego Synegeirö [<4891>=conresurgere] está formado pela partícula syn [conjuntamente] e egeirö [levantar-se] que ao uni-lo com Cristo significa corressuscitar, ou seja, ressuscitar juntamente com ele. DO ALTO [Anö<507>=sursum] é um advérbio que indica acima, ou seja, segundo o pensar da época, do céu. Por isso Paulo acrescenta que é o lugar onde está sentado Cristo atualmente. E prossegue na DESTRA [<Dexios<1188>=dextera] de Deus. Na linguagem simbólica, ou metafórica, necessária para poder falar de coisas que não conhecemos, Deus habita um lugar próprio: o terceiro céu, embora saibamos que está em todo lugar, e entendamos a metáfora de sua destra como o lugar mais próximo e que exerce o maior poder, dentro de seus planos de criação e redenção. Cristo seria o primeiro ministro do rei universal que é Deus. Paulo emprega as palavras do salmo 110, 1 para esse seu simbolismo: Oráculo do Senhor ao meu senhor: senta-te à minha direita, até que eu faça de teus inimigos o escabelo de teus pés.

A SABEDORIA VERDADEIRA: As do alto considerai não as sobre a terra (2). Quae sursum sunt sapite non quae supra terram. E como se fosse um poema em que predomina a repetição com  palavras novas, mas respeitando a mesma ideia, dirá de novo que as coisas do alto [não as da terra] serão as que devem nos preocupar e dominar a nossa consideração. A morte mística é uma morte parcial: morte a tudo que na terra se considera vida de felicidade como riquezas, prazeres e honras e vida de escravos com Cristo, sempre servindo como ele deu exemplo em Jo 13, 15 dizendo que se isso praticarmos seremos felizes (idem 18).

VIDA COM CRISTO: Já que morrestes e vossa vida está escondida com Cristo em Deus (3). Mortui enim estis et vita vestra abscondita est cum Christo in Deo. Paulo repete, mais uma vez, a ideia de que todo batizado está morto para toda atividade que não seja a vida com Cristo. Vida que ele declara está oculta. Não é uma vida para ser reconhecia pela fama do mundo, mas para ser ocultada em sua maior parte, como foi a vida de Jesus. Pode ser também que esse ocultismo seja devido a que a vida plena do Cristão só se manifestará na glória, glória que agora está escondida e que desconhece o sujeito da mesma como glória, no futuro. S. Teresa dizia que se pudéssemos ver a glória duma alma em graça, ficaríamos estonteados de sua maravilha. Porque essa alma é como um pequeno céu que guarda em seu interior o esplendor divino, da forma que o que viram os três apóstolos no monte Tabor. Metamorfose  que se realiza na alma em que Deus habita por graça. Porém, essa vida está escondida no momento presente na terra. Paulo dizia de si mesmo que não vivia ele, mas que era Cristo quem vivia sua vida nele por meio da fé (Gl 2, 20). Pouco antes, ele escrevia aos de Colossos: se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças? (Cl 2,20). De onde podemos intuir que essa sua preocupação com que as leis mosaicas não anulassem a lei da cruz de Cristo, entrava dentro dessa base terrena que não devia ser considerada como vida cristã.

GLÓRIA FUTURA: Quando o Cristo se manifestar, nossa vida, então também vós com ele vos manifestareis em glória (4). Cum Christus apparuerit vita vestra tunc et vos apparebitis cum ipso in gloria. Na 1  Jo 3, 2, o apóstolo também fala de uma manifestação de Deus em nossas vidas e que então seremos semelhantes a Elepois o veremos como Ele é. Isto é entrar na glória divina. Quando Jesus se declara como caminho e vida (Jo 14, 6) pensamos nas coisas da terra e que ele nos guia e é vida durante nossa caminhada aqui embaixo; mas na realidade, está se referindo á vida final, a eterna, como ele proclama (Jo 3, 15). Pois não seria nossa condição muito melhor se só esperássemos Jesus para melhorar o mundo atual. O fracasso seria o resultado imediato. Essa vida que ele promete em abundância está oculta na terra e só será plena e visível no reino futuro, onde a fraqueza é substituída pelo poder e onde a ignomínia é transformada em glória (1Cor 15, 43), ou como declara aos filipenses, que transformará nosso corpo de  reles condição em corpo de glória (3, 21).

EVANGELHO (Jo 20, 1-8)

A RESSURREIÇÃO DO SENHOR

INTRODUÇÃO: Dos quatro evangelhos canônicos que a tradição identifica com Marcos, Mateus, Lucas e João, somente este último autor foi testemunha ocular (19, 35) que escreveu afirmando a verdade de seu testemunho (21, 24). Isso indica que ele esteve lá como testemunha de vista. Mas também seu testemunho poderia ser como ouvinte indireto, pois logicamente não ouviu as palavras entre Jesus e Pedro. Daí sua autoridade e importância como ouvinte de uma tradição imediata, reconhecida. É precisamente o que aconteceu com Marcos e Mateus (Lc 1,2). Lucas se apresenta como o investigador e ordenador dos fatos narrados por testemunhas oculares e espalhados por ministros [oficiais] da Palavra (Lc 1, 20). Se Marcos, Mateus e Lucas não são as testemunhas oculares, como é o quarto evangelho, são sim testemunhas oficiais de uma tradição que pode ter muitas lacunas e até importantes deficiências como todo relato humano de segunda mão; mas temos a certeza de que os fatos não são inventados. A tradição é a testemunha principal destes três evangelhos que chamamos sinóticos. Disso deduzimos que as conclusões são importantíssimas porque são de testemunhas auriculares nos quais a primitiva Igreja acreditava; e eram fatos reais aqueles  em que essa fé estava fundamentada. Há dentro dessas narrações, interpretações que dependem do ambiente e das tradições do antigo Israel, que se fundam tanto na Torah [lei escrita] como na Mishná [lei falada]. Por isso escolhemos como linha essencial o evangelho de João, a única testemunha ocular e auricular dos fatos do Domingo da Ressurreição.

DIA: Todos os evangelistas estão de acordo em que era o primeiro dia seguinte ao sábado [te mia ton sabbaton] A tradução literal seria no uno [dia entendido] da semana. Na realidade mia significa uma [dia é feminino em grego] e está implícita a palavra  emera [dia], sendo possível a tradução primeira no lugar de uma; ou seja, o grego usa o numeral [um] pelo cardinal [primeiro].  Semana é a tradução de sabbaton dos sábados em plural. Não existe, pois, dificuldade em traduzir: no primeiro dia da semana.

HORA: De manhã, ainda estando às escuras, diz João. Marcos dirá muito cedo, quando o sol estava saído, o que parece uma contradição. Lucas fala de uma alvorada profunda que o latim traduz por ao primeiro romper do dia. Unicamente Mateus discorda e assim podemos ler: Depois do sábado, no alvorecer do primeiro [dia] do sábado. O advérbio Opsé significa depois, muito tempo após, tarde no dia, no fim. O latim da Vulgata serviu para confundir, traduzindo vespere autem sabbati: na tarde do sábado; porque véspera significa a tarde do dia. As vésperas são as orações que se recitam na tarde do dia, mas sempre ao redor das cinco da tarde. Porém hoje todas as traduções dizem: passado o sábado. Logo todos coincidem no dia. E na hora.

AS MULHERES: Marcos fala de Maria, a Madalena, Maria de Jacó e Salomé (16, 1). Mateus de Maria, a Madalena e a outra Maria (28, 1), expressão repetida de 27, 61. Sabemos que essa outra era a mãe de Tiago e de José (27, 56), os chamados irmãos de Jesus (Mt 13, 55). Para Lucas são muitas as mulheres; além da Madalena e Maria de Jacó, estava Joana e as demais mulheres com elas (24, 10). Evidentemente Lucas está se referindo às mulheres que acompanhavam Jesus com suas posses como diz em 8, 3: Joana, mulher de Cuza, o mordomo de Herodes, Susana e várias outras. Como vemos, eram ricas e nada diz das que eram parentes de Jesus como Maria de Jacó ou parentes dos discípulos como Salomé, a mãe dos filhos de Zebedeu que era ao mesmo tempo parente de Jesus. Já João fala unicamente de Maria, a Madalena, porque provavelmente seja a única que viu o Senhor ressuscitado (Jo 20, 117), embora as outras tenham visto os anjos (Lc 24, 23) e também porque ele afirma, no seu evangelho, que narra como testemunha os fatos que escreve. Só com a Madalena ele teve contato e por isso despreza, ou melhor, não pode contar fatos dos quais ele não foi testemunha. Assim podemos compaginar a singeleza da Madalena em João com a pluralidade e a riqueza dos detalhes dos outros evangelistas. O relato de João é, pois, muito pessoal e relativo, mas totalmente verídico.

A MADALENA: Ela está incluída em todas as listas e de modo especial recebe um trato particular neste dia de domingo de Ressurreição. Mas quem foi na realidade Maria Madalena? Os evangelhos falam de Maria, a Madalena [‘e Magdalene em grego]. Este apelido sempre sai acompanhando o nome da mulher. Se fosse esposa de Jesus, como afirma o Códice da Vinci, teriam dito Maria de Jesus assim como nomeiam a Maria, mulher de Cléofas (Jo 19, 25). Mas é simplesmente Maria, a Madalena (sic). Mt 27, 56;  e 28,1. Marcos 15, 40; 15, 47; 16, 1 e 16, 9; Lucas 8, 2 e 24, 10 e finalmente João 19, 25; 20, 1 e 20, 18. Em todos os versículos é Maria, a Madalena, exceto em Lc 8, 2 em que o evangelista explica Maria a chamada Madalena. Pelo seu nome podemos dizer que não era casada, nem tinha parentes próximos vivos, como filhos, tal como Maria de Cléopas ou Maria mãe de Tiago e José. O seu sobrenome não era patronímico, nem familiar, mas geográfico, o que indica ser uma mulher solteira ou viúva sem filhos. Magdala [também de nome Magadã] situava-se no lugar que hoje ocupa Tariqueia, a cinco quilômetros ao norte de Tiberíades, a cidade capital de Herodes Antipas. O nome primitivo talvez fosse Migdal-El [= torre de Deus]. A palavra Tariqueia é de origem grega e significa pesca salgada. Contava com uma frota de 230 barcas e uma população de 40 mil habitantes; mas parece exagerada e teremos que deduzí-la a 4 mil. Era a cidade mais importante do lago, incluindo Tiberíades. Esta foi fundada por Herodes Antipas nos anos 18 a 22 e chegou a ser a capital da Galileia, substituindo a Séforis. Tinha foro, estádio,  um palácio real, templo pagão e sinagogas. Flávio Josefo a rendeu a Vespasiano. Após a guerra e queda de Jerusalém o sinédrio residiu nela e a escola rabínica que compilou o Talmud Jerosolimitano no século IV e os massoretas, que no século VIII, vocalizaram o texto das escrituras com pontos vocálicos chamados tiberienses. Uma exegese moderna liga Magdalena com uma palavra hebraica que significaria perfumista. Porém no pequeno dicionário de Sprong mais do que perfume a palavra meged e seu derivado migdanah significa coisa preciosa como uma gema ou um presente muito caro. Segundo o Talmud [o livro mais importante do judaísmo pos-bíblico, intérprete tradicional da Torah que compreende a Mishná e a Guemará], Magdalena significa cabelo crespo de mulher, embora na sua rivalidade com o cristianismo diz dela que era adúltera. Não são, pois, os evangelhos, mas o Talmud que denegriu a Madalena..De todos os relatos deduzimos: Maria Madalena era uma mulher da qual Jesus tinha expulsado sete demônios que em termos modernos diríamos uma doença mental grave como uma loucura ou esquizofrenia. Ela acompanhava Jesus, junto com outras mulheres que tinham sido curadas de espíritos malignos e também Joana mulher de Cuza, mordomo de Herodes [Antipas] e Susana e outras muitas, as quais o serviam com suas posses (Lc 8, 2-3). Joana era uma mulher de mais de 50 anos e todas as mulheres que acompanhavam Jesus tinham essa idade. Um exemplo é a própria mãe de Jesus, com Maria mãe de Tiago e José, e com Salomé, a mãe dos filhos de Zebedeu que estavam com a Madalena ao pé da cruz, como diz Mateus (27, 56). A Madalena era amiga de Maria, a mãe de Tiago e José, e  é de supor da mesma idade, ou seja, conforme diz Paulo em 1 Tm 5, 9  das mulheres inscritas no grupo das viúvas com não menos de sessenta anos Era Maria Madalena uma pecadora ou a pecadora de Lc 7, 36-50? É difícil admiti-lo, pois, após narrar o caso da pecadora em casa de Simão, no seguinte capítulo, Lucas (8,2) fala de Maria Madalena sem indicar que se trata da mesma pessoa. Ser ou estar possessa não é o mesmo que ser pecadora. E como alguns intérpretes afirmam, a palavra pecadora em Lucas significa mulher pagã ou mulher judia, casada com um pagão, muito mais do que mulher pública. Tampouco se pode identificá-la com Maria de Betânia, pois o evangelho de João distingue perfeitamente ambas as pessoas. A nossa Maria tem o nome de a Madalena do lugar da Galileia, ou a perfumista caso se admita o apelido; mas a Galileia  está no norte e Betânia é uma vila da Judeia, no Sul. Por outra parte Maria, a de Betânia, é chamada de irmã de Lázaro ou irmã de Marta. Poderíamos confundir a pecadora de Lucas 7, 36-50 com Maria de Betânia, porque ambas ungem os pés de Jesus com perfume e  secam com seus cabelos. Parece que era um costume aceito na época. A mulher, no caso da pecadora na casa de Simão, teve lugar na Galileia e os convivas eram fariseus. O próprio Simão a considera como pecadora [pagã] e desconhecida de Jesus. Isso seria impossível para Maria de Betânia que é rodeada de amigos, que entram na casa onde estava sentada e a acompanham na dor. Pelo contrário, Maria fez a unção na Judeia em casa do Simão, o leproso, em Betânia com os discípulos como convivas e o aparente desperdício do rico nardo poucos dias antes da morte de Jesus. E Jesus não só a conhecia bem como era amigo de todos os seus familiares. Este fato da unção em Betânia, narrado por Mateus e Marcos, sem indicar o nome da mulher, tem alguns detalhes diferentes do descrito por  João, como o de que o perfume foi derramado na cabeça de Jesus. Lucas fala de uma pecadora em casa de Simão e coincide com João em notar que ela ungiu os pés do Mestre. Ao máximo poderíamos deduzir que Maria de Betânia, a de João, era  a pecadora de Lucas. Porém isto está fora de cogitação porque o mesmo Lucas fala de Maria de Betânia em 10, 39-42 sem falar da identidade das duas. E a pecadora de Lucas era uma desconhecida de Jesus, enquanto a Maria de Betânia era íntima amiga dele e dos discípulos. O próprio João distingue em seu relato entre Maria [a de Betânia] a quem chama simplesmente Maria em 20, 11 e 20, 16, e Maria a Madalena em 19, 25; 20, 1 e 20, 18. Nota: A pecadora da casa de Simão se fosse pagã, explicaria melhor o escândalo do fariseu porque o Talmud impedia todo contato com mulheres pagãs por ser causa de impureza. Os textos evangélicos nunca identificam Maria Madalena com a pecadora ou com Maria de Betânia. A Igreja grega celebra três festas diferentes, uma para cada mulher. A Igreja latina antes de S. Agostinho (+430) falava de três mulheres a exceção de uma única passagem. Foi S. Gregório Magno (590-604) que de fato identificou as três mulheres. A identificação foi muito posterior ao concílio de Niceia (325). Não houve, pois, na Igreja primitiva intenção alguma de sujar a imagem de Maria Madalena, como afirma também o Códice da Vinci. Era uma mulher que, agradecida, seguia Jesus e com suas posses ajudava o colégio apostólico. Nada mais nem nada menos podemos afirmar. A Koinonia com Jesus: De um trecho do evangelhoapócrifo de Filipe o logion [dito] 32: três eram as que caminhavam continuamente com o Senhor: sua mãe Maria, a irmã desta e Madalena a quem se designa como companheira [koinonós]. Maria é, com efeito, sua irmã, sua mãe e sua companheira. Que devemos dizer disto? Em primeiro lugar o texto é um papiro cópia do século IV, e o original é do fim do século II ou início do século III, bastante tardio. Segundo, a palavra koinonós tem o significado original de sócio, participante  com outro de alguma coisa, não de mulher para a que se usa a palavra gyné. Koinonós só sai duas vezes nos evangelhos: uma com o significado de cúmplices, [os fariseus não queriam ser cúmplices dos que mataram os antigos profetas] (Mt 23, 20). A outra em Lc 5, 10 em que fala dos filhos de Zebedeu como sócios dos irmãos Pedro e André. Um exemplo da palavra gyné: Quem repudiar sua mulher [gyné], dirá Lucas o mais grego de todos os evangelistas em 16, 18. Evidentemente o evangelho gnóstico não identifica a Madalena com a mulher, esposa de Jesus. E pelo que diz respeito ao beijo na boca [número 55] não era um beijo carnal ou sensual, mas um beijo gnóstico pelo qual são fecundados os perfeitos e que estava em uso entre os gnósticos valentinianos, que por meio do beijo recebiam e transmitiam a semente pneumática. Com isso está declarada esta questão.

QUE VIRAM AS MULHERES? Todas elas viram o sepulcro aberto ou se preferirmos a pedra removida (Mc 16, 4; Mt 28, 2; Lc 24, 2 e Jo 20, 1). Sobre a pedra da entrada do sepulcro há uma unanimidade: ela era grande e era uma roda que se rolava para tampar a boca do mesmo. Sobre esta pedra, há duas maneiras de interpretar sua remoção: estava rolada de novo como parece indicar Mc 16, 4, Mt 28, 2 e Lc 24, 1;[ pois todos usam o termo kylio grego] rolar e, no caso, apokylio. Distinguem entre pros- kylio rolar em direção a; e apo-kylio rolar a parte ou para fora. Porém João, o único que viu o sepulcro, usa o verbo airo [levantar] como se a pedra tivesse sido violentamente arrancada, o qual é traduzido por revolvida [port] removida [esp] ribaltata, virada [ital] e taken away, arrancada [ingl]. Evidentemente assim se explica melhor a passagem de Mateus que diz: O anjo do Senhor descendo do céu girou a pedra e sentou-se sobre ela (Mt 28, 2). Caso rolasse a pedra até o lugar primitivo dentro da cavidade da rocha seria impossível se assentar sobre ela, mas se a pedra fosse lançada fora como numa explosão desde o interior, ela ficava deitada, diante da boca do sepulcro e facilmente serviria de assento. Optamos por esta opção que o quarto evangelista nos oferece.

O RECADO: A coisa estava feia para as mulheres. Ao ver o sepulcro aberto elas se perguntam: Quem ou como poderia ter rolado a pedra que era pesada e um problema para as forças de uma só pessoa?  A Madalena voltou imediatamente para avisar os apóstolos de que alguma coisa terrível tinha acontecido com o corpo do Senhor. Que ela estava acompanhada no momento da visão da pedra removida podemos deduzir de suas palavras aos dois apóstolos: Tiraram do sepulcro o corpo do Senhor e não conhecemos onde  o colocaram. O plural indica que ela fala em nome de todas, sem ser este o caso de um plural majestático. O sepulcro não estava muito longe dos muros e ao máximo seria um ou dois quilômetros de distância entre o sepulcro e o lugar onde estavam os dois apóstolos. Uma outra observação: a volta da Madalena seria a mais rápida possível, daí que ela não estivesse presente à aparição dos anjos às outras mulheres. Marcos (16, 5) dirá que entraram no monumento e viram um adolescente sentado à direita [às direitas em grego]. Mateus confusamente une a aparição do anjo aos soldados com a visão do mesmo pelas mulheres. Do relato de Mateus (28, 1-7) parece que as mulheres nem entraram no sepulcro [foram vê-lo], mas estavam perto do mesmo quase junto aos guardas que no momento ficaram desacordados como mortos; e então as mulheres ouviram o anúncio: Não está aqui… Ressuscitou. É um relato tão diferente que não parece provável ser historicamente certo, mas produto de uma apologética, cuja tradição Mateus redige em seu evangelho. Lucas (24, 3-4) afirma que entraram no monumento e não encontraram o corpo do Senhor. Durante um tempo elas ficaram sem saber o que pensar. Foi então que dois anjos se colocaram junto delas em roupas fulgurantes. Lucas, pois, admite um tempo entre a entrada no sepulcro, o encontro do corpo desaparecido e a aparição dos anjos. Foi o tempo suficiente para que a Madalena voltasse pedindo ajuda aos apóstolos.

A VISÃO DE PEDRO E JOÃO: Os detalhes apontam a testemunha ocular presente aos fatos. Unicamente João fala do encontro dos panos mortuários. Totalmente crível, pois; máxime que não narra fato sobrenatural algum que, em últimas instâncias, poderia ser produto de fantasias. Tentaremos traduzir da melhor maneira possível o relato de João.  João ou o discípulo preferido por Jesus, chegou e se inclinou e sem entrar viu os panos deitados. Mas o mais importantes é o que João declara mais adiante, como testemunha ocular. Pedro entra e então João tem uma visão mais detalhada do que tinha acontecido. Os versículos 6 e 7 têm sido traduzidos de formas diferentes. (6) Pedro entrou dentro do monumento [sepulcro] e vê os othonia [panos de linho] keimena [postos ordenadamente]. Vamos explicar detalhadamente o significado das palavras e depois traduzir livre, mas corretamente a frase. Entrou em aoristo. Vê em presente, indicando um presente histórico que realça a veracidade do testemunho pessoal. O sepulcro recebe o nome de mneméion, ou seja, monumento funerário, que podemos traduzir por mausoléu, ou tumba sepulcral monumental.  Uma outra palavra é othonia que o latim traduz por linteamina [roupa de linho]. No singular pode significar qualquer pano de linho desde uma vela de barco, um vestido e até panos mortuários. A lã era considerada imprópria para vestimentas puras como eram as dos sacerdotes e logicamente também para cobrir os cadáveres, impedindo que objetos de procedência animal poluíssem os mortos por contato direto. A palavra está, pois, em perfeita consonância com a relíquia que conhecemos como Santo Sudário de Turim. Mas a palavra que tem dado lugar a maior número de polêmicas é Keimena. É o particípio de presente da voz média do verbo Keimai que podemos traduzir por estando deitados. Podemos encontrar dois significados diferentes desta palavra no texto grego dos evangelhos: 1) Tratando-se de coisas inanimadas keimenon [singular] significa colocados, ordenados, postos aí, como traduz propriamente a vulgata: posita [posto, situado, colocado com certa ordem sem estar tirado]. Assim em Jo 2, 6: estavam keimenai as talhas de pedra das bodas de Caná. 2) Com respeito a pessoas, significa a postura jacente, deitado, em oposição a de pé ou sentado. Um exemplo é Lc 2, 12 quando o anjo anuncia aos pastores que veriam o menino deitado na manjedoura. Assim Mateus 28, 6 o anjo anuncia às mulheres: Vede o lugar onde jazia. CONCLUSÃO: No caso, pois, optaremos pelo significado dispostos em ordem. Não creio que possamos traduzir por desinflados, aplanados como disse meu antigo e queridíssimo professor de grego, hebraico e bíblia, o Pe. Balaguer (qepd). Alude o professor a que uma cidade conquistada é também keimene, ou seja, arrasada, as muralhas tendo desabado. Porém os que estudamos são textos evangélicos. E existe uma outra forma de ver as cidades keimenai, como cidades mortas, como um morto jaz inerte, sem vida, sem pensar em muralhas desmoronadas. E os dois exemplos evangélicos podem ser perfeitamente traduzidos como ordenadamente postos.  Assim será nossa tradução: vê os panos mortuários depositados ordenadamente.

O SUDÁRIO: Vejamos o significado de soudarion grego. Geralmente era o lenço próprio para tirar o suor do corpo. Era o lenço de grande tamanho que cobria o rosto dos mortos. Ele estava sobre sua cabeça (7). Isto indica que cobria rosto e nuca como se fosse um capuz, que aliás era veste mandatária dos condenados à morte como diz Cícero: I lictor, colliga manus, caput obnubito, arbore infelice suspendito. Vai, lictor, ata as mãos, tampa a cabeça, pendura-o da árvore infeliz. Parece que os mortos de morte natural tinham um sudário que era atado ao redor do rosto [opsis autou soudario periededeto, traduzido ao latim por fácies illius erat ligata], como eram ligados os pés e também as mãos, porém  com faixas [keiriais grego]. Encontramos no mesmo evangelista duas descrições diferentes de cadáveres: Lázaro, e Jesus. Um deles de morte natural, em que um sudário foi usado para cobrir o rosto e atado ou redor do mesmo. No outro um sudário também foi colocado sobre a cabeça; cremos que poderia ser o capuz. O corpo de Jesus foi envolto num lençol, segundo Lucas 23, 53  e mais explicitamente João dirá que eram panos de linho [othonia], os mesmos que ele encontrou dispostos em ordem. Temos uma prova de como os corpos eram sepultados ao vermos no dia de hoje os enterros dos mortos no Oriente: Envoltos num lençol e com três ataduras. Uma no pescoço, outra nas mãos e a terceira nos pés. Dentro desse sarcófago (?) de linho teremos o rosto coberto de um lenço que foi o que João viu ou meta ton othonion  keimenon, allá khoris entetyligmenon eis ena topon. A tradução latina é:non cum linteamínibus pósitum, sed separátim involútum in unum locum. A tradução latina, como sempre, é literal e precisa. De ambas as frases deduzimos: o sudário, que estava [anteriormente] cobrindo a cabeça, não estava posto junto aos lençóis, mas fora [dos mesmos], enrolado [do latim podemos traduzir tirado] a um único lugar [numa posição única]. É esquisito que o eis ena topon seja um acusativo de movimento, que dificilmente pode ser traduzido como estando [verbo estático] em um [outro] lugar, mas deveríamos traduzir como jogado [tomado do latim] para um lugar diferente. Esta é a única maneira de entender o texto que é traduzido de tantas maneiras. Como interpretá-lo? Não posso assegurar nada como certo. Porém dado o assombro de Pedro e a decisão de João de acreditar na ressurreição, podemos dizer que naquele sepulcro havia dados suficientes para evitar o roubo e pensar numa coisa sem explicação natural. Isso não tanto pelo modo como estavam os panos, mas pelo jeito como eles viram o sudário. Se o corpo não estava dentro, é lógico que a mortalha estivesse aplainada como vazia. Mas se o sudário não estava dentro  da mortalha e era visto como jogado fora da mesma em lugar visível, isso quer dizer que saiu de dentro das ataduras exatamente como o corpo, de modo incrível. Vamos explicá-lo com um exemplo: imaginemos que enterramos um familiar. Na preparação do morto, ao vesti-lo, colocamos uma gravata no defunto. Logo, dentro do caixão, fechado com pregos, o enterramos. Dois dias após, nessa tumba comum, vamos enterrar uma outra pessoa. Ao abrir a tampa do sepulcro vemos que a gravata que estava no pescoço do defunto está fora do caixão, sendo que este está fechado com pregos como no tempo em que o enterramos e ao abri-lo nos deparamos que o corpo não está lá. Que pensaríamos? Pois de modo semelhante encontrou João o corpo que ele tinha ajudado a amortalhar e no lugar da gravata o que estava fora da mortalha [fora do caixão para nosso caso] era o sudário. Por isso, Pedro voltou para casa, muito surpreso com o que acontecera (Lc 24, 12). João, conforme seu propósito,  nada diz sobre os sentimentos de Pedro, mas escreve sobre o que ele viu e acreditou. Porém deixa entender que Pedro estava confuso ao terminar o relato aclarando: Ainda não tinham compreendido que, conforme as escrituras, ele deveria ressuscitar dos mortos (9).  Que delicadeza para com seu amigo e companheiro!

PISTAS: 1) Nos relatos da ressurreição vemos a descrição de um verdadeiro milagre. Em todo fato sobrenatural existem dois fatores independentes: Um deles é o fato humano, que todos podem ver e do qual podem ser testemunhas. No caso, a pedra rolada ou bruscamente jogada fora [o sepulcro aberto],  a ausência do cadáver que a Madalena atribui a roubo: pegaram o corpo do Senhor e não sabemos onde o levaram (2). A disposição da mortalha que mesmo aceitando traduções menos comprometidas, indicava alguma coisa de anormal. E está aí o outro fator que é a causa de um fato sem explicação humana nem científica: Como pode acontecer? E é precisamente nesta inexplicável causa que encontramos um poder transcendente, se finalmente cremos, ou um mistério, que pensamos é produto do acaso ou de uma causa que deixamos para o futuro poder descobrir, se o agnosticismo domina nosso pensamento.

2) A fé: Foi necessário o encontro pessoal para que os discípulos cressem em Jesus ressuscitado, com a exceção de João. O sepulcro aberto e a disposição dos panos mortuários foram suficientes para que, desses indícios, João acreditasse. Daí sua informação que parece sem importância, mas que foi para ele o início de uma vida nova e da qual nós podemos aprender uma lição extraordinária. Nós também temos unicamente indícios sem que exista o encontro pessoal com Jesus. Porém deve existir uma vontade de crer para que esses indícios não sejam um desperdício. É essa vontade que precede a fé e que será motivo de nossa justificação como Paulo afirma (Rm 4, 3)

3) Os evangelhos recolhem informações, indícios e testemunhas que apontam à transcendência de Jesus e a transcendência de nossas vidas, dependentes de Jesus. Todas as demais religiões se apoiam em valores humanos ou humanizados da divindade. Não existe um homem-Deus. A nossa, em valores divinos que são humanos em Cristo, especialmente na sua ressurreição que não é unicamente a de Jesus, mas também nossa, como afirma Paulo. E sem esta fé na ressurreição é vã a nossa fé (1 Cor 15, 17) e sem essa esperança somos os mais dignos de compaixão de todos os homens (idem 15, 19).

4) Diante do encontro pessoal de Cristo com seus apóstolos, o sepulcro vazio, os lençóis e sua disposição passam a ser secundários. Eles passaram do Jesus de Nazaré ao Cristo Senhor pela visão que tiveram de sua pessoa ressuscitada. Por isso que nos outros três evangelhos as aparições são tão importantes e  que os detalhes do sepulcro se tornam vagos e imprecisos. Somente João os descreve minuciosamente porque foi neles que ele encontrou a sua fé. Foi o único que acreditou sem ter visto o Senhor [o ressuscitado]. E neste sentido, João é o discípulo que melhor se assemelha a nós, porque, sem ter visto, acreditamos por indícios e informações de testemunhas oculares. Por isso somos bemaventurados (Jo 20, 29).

EVANGELHO ALTERNATIVO (Lc 24, 13-35)

OS DISCÍPULOS DE EMAÚS

EMAÚS: Ora, eis que dois deles estavam caminhando nesse dia a uma vila, distante sessenta estádios de Jerusalém, de nome Emaús (13). Et ecce duo ex illis ibant ipsa die in castellum quod erat in spatio stadiorum sexaginta ab Hierusalem nomine Emmaus. EMAÚS: Seu nome significa banhos quentes e era uma vila [komes], ou seja, um conglomerado de casas rústicas para servir de habitações para os camponeses e outros, chamados teknos [marceneiro, pedreiro e ferreiro numa só pessoa] com uma população talvez inferior a 400 habitantes. Na atualidade, existe um local a 60 estádios ou aproximadamente 10 Km de distância de Jerusalém, que corresponde ao relato de Lucas. O Emaús bíblico [El- Qubeibah] está situado ao lado de uma via romana que ia de Jerusalém ao mar. Perto existe uma fonte que diz era onde Jesus lavou os pés após a caminhada com os dois discípulos.

A CONVERSA:E eles conversavam entre si acerca de todas as coisas acontecidas (14). E sucedeu que, enquanto eles conservavam e discorriam, também ele, (o) Jesus, tendo-se aproximado, caminhava com eles (15). Et ipsi loquebantur ad invicem de his omnibus quae acciderant Et factum est dum fabularentur et secum quaererent et ipse Iesus adpropinquans ibat cum illis.ACONTECIDAS [Symbebëkotön <4819>=acciderant]: Evidentemente eram os sucessos da morte de Jesus e de sua desaparição, tendo como sinal de discussão o sepulcro vazio. Era o domingo e o acontecido estava recente em suas mentes. Disso falavam entre si enquanto caminhavam. DISCORRIAM [Syzëtein <4802>=quaererent]: O verbo grego significa buscar, inspecionar, examinar e também debater, comentar. Temos optado por um verbo neutro como discorrer, ou seja, comentar em sentido de querer compreender o que tinha sucedido, pois para eles, os fatos não tinham uma razão compreensível. Nesse momento, Jesus,  que no grego tem o artigo determinante para indicar que era Ele precisamente, uniu-se a eles, como nova companhia.

OLHOS IMPOSSIBILITADOS: Porém, os olhos deles estavam travados de modo a não o reconhecerem (16). oculi autem illorum tenebantur ne eum agnoscerent. TRAVADOS [Ekratounto <2902>=tenebantur]: Segundo o sentir da época, os olhos tinham dentro uma espécie de lanterna ou lâmpada, que se iluminava e assim podiam ver as coisas  (Mt 6, 22 e Lc 11, 34). O verbo grego Krateö significa agarrar, se manter firme, resistir, conter, e por isso, optamos por travar; daí entupir, estar fechado. Os seus olhos estavam atenazados, segurados; o latim diz tenebantur [estavam retidos ou reprimidos]. A consequência é que Jesus não foi reconhecido. NÃO O RECONHECERAM: Muitos falam de que na ressurreição existe uma diferença corporal que transforma a aparência natural, como viram os apóstolos o rosto de Jesus no monte Tabor. Ou melhor, como foi a aparência que tomou Jesus ao  aparecer a Maria Madalena (Jo 20, 14) ou aos discípulos na margem do lago (Jo 21, 4-7). Sem dúvida que Jesus não tomou a aparência usual de seu rosto terreno, para não causar pânico ou medo, como devia ser, caso visse um morto ressuscitado que seria tomado por um fantasma (Lc 24, 37).

A PERGUNTA: Então lhes disse: Quais as palavras essas que discorríeis entre vós, caminhando; e (por que) estais tristes?(17). Et ait ad illos qui sunt hii sermones quos confertis ad invicem ambulantes et estis tristes. Sem dúvida que Jesus fala sobre o que pode escutar deles entrando na conversa sem produzir sobressalto algum. Foi um encontro normal entre caminhantes. No versículo 21 explica a causa da tristeza como sendo  perda de uma grande esperança que a morte tinha defraudado.

A RESPOSTA: Tendo respondido então, um deles, de nome Cléopas, disse-lhe: tu só dos que moras em Jerusalém e não conheces as (coisas) acontecidas nela nestes dias? (18). Et respondens unus cui nomen Cleopas dixit ei tu solus peregrinus es in Hierusalem et non cognovisti quae facta sunt in illa his diebus.CLÉOPAS: O grego diz Kleopas<2810> que o latim traduz por Cléophas e que aparentemente pode ser uma abreviatura de Cleopatros nome grego que significa [filho] de pai ilustre. Alguns distinguem entre este Kléopas e um outro que em grego tem um nome parecido, Klöpas[<2832>=Cleophas], mas que o latim traduz da mesma forma. Este Cleophas [latino] é o esposo da irmã de Nossa Senhora, também chamada Maria, a de Klöpas, e que estava ao pé da cruz, segundo João 19, 25: a irmã de sua mãe, Maria a de Köplas [Cleophas emlatim, Cléofas português e Cleofás castelhano]. Klöplas tem a mesma  origem que o  aramaico Achab<0256> e significa tio. Como a mulher tinha o mesmo nome de Maria, [a da mãe de Jesus] daí deduzimos que Klöpas era realmente o irmão de José, esposo de Nossa Senhora e que a sua mulher era cunhada e ao mesmo tempo era a mãe de Tiago, chamado o menor e irmão de Jesus. Klöpas é a tradução aramaica de Cleopas. Kleopas e Klöpas eram, pois, a mesma pessoa, ou seja, tio de Jesus por parte de pai. Há quem, por esta circunstância, identifica Kleofas com Alfeu ou Alfaios, que em Mt 10, 3 se diz ser o pai de Jacob ou Tiago. Em todo caso ao indicar um nome, Lucas quer nos dizer que o relato tem uma boa fonte testemunhal. Que é uma narração de primeira mão.

Então lhes disse: Quais? Eles, pois, lhe disseram: as coisas acerca de Jesus o Nazoraio (sic), que se tornou homem profeta poderoso em obra e palavra diante de (o) Deus e de todo o povo (19). E como os chefes dos sacerdotes e os dirigentes [civis] o entregaram a um juízo de morte e o crucificaram (20).Quibus ille dixit quae et dixerunt de Iesu Nazareno qui fuit vir propheta potens in opere et sermone coram Deo et omni populo. Et quomodo eum tradiderunt summi sacerdotum et principes nostri in damnationem mortis et crucifixerunt eum.NAZORAIO [Nazöraios<3480>=nazarenus]: Qual é a diferença entre Nazareno e Nazoraio?. Sem dúvida que nazareno significa oriundo de Nazaret. Mas que Significa nazoraio? Segundo alguns a distinção está em que nazoraio vem de Naziyr [<05139>=sanctificentur] e que se traduz como Nazirado em português (nazireato em espanhol e italiano) em Nm 6, 2; era o nome dado aos consagrados a Deus com voto especial, tanto homens como mulheres. Podia ser perpétuo como o caso do João, o Batista (Lc 1, 15); ou temporário, como em Paulo (At 18, 18). Pouco sabemos de como se fazia e temos muito maior conhecimento dos ritos para terminar esse estado especial. A Setenta usa o Euchë [<2171>=votum] voto, sem usar uma palavra para o Nazir. O voto impedia toda bebida de vinho ou fermentada, o corte de cabelo e o afastamento de todo cadáver mesmo do pai ou mãe. Não parece que Jesus tivesse feito esse voto, pois bebia e comia (Mt 20, 22) e não teve inconveniente em tocar um cadáver (Mc 5, 41 e Lc 7, 31). Nazarenos [<3479>=nazarenus] é propriamente latim e Nazöraios é grego. Temos o exemplo em João 19, 19 no título da cruz em que usa o grego Nazöraios. Mateus em 2. 23 usa o mesmo Nazöraios como apodo próprio de Jesus. Uma única vez, em Lucas, vemos o Nazarene [de Nazaré] em 4, 34: Que a mim e a ti Iësou Nazarëne? Dirá o demônio. É Marcos quem usa o Nazarenos (grego latinizado) com o qual temos uma prova de que ele escreveu para os gregos de Roma. Cremos que nas três passagens de Marcos (1, 24; 14, 67 e 26, 6) o nome Nazarenos, tem um final latinizado e, portanto equivale ao grego geográfico Nazöraios. Pois a terminção os é própria do patronímico grego, enquanto a nus é própria do latim. Estavam tristes, porque esse Jesus era PROFETA [ profëtës <4396>=propheta]. Tanto o grego como o latim acrescentam homem (anër/vir) de modo a ser a tradução varão profeta a mais exata. Fundamentalmente profeta é quem fala em nome de Deus, iluminando e orientando a vida e a história do povo, denunciando tudo que seja ruptura com  a aliança. Jesus reivindica para si mesmo essa condição de profeta (Mt 13, 57, Lc 13, 33 ; Jo 6, 14 e 7, 40). Poderoso em obra e palavra. Dos profetas do AT sabemos que pelo menos Elias e Eliseu realizaram milagres além de falar em nome de Jahveh. E este poder extraordinário foi em Jesus testemunho de sua palavra como procedente de Deus: Se não credes em mim, crede nas obras (Jo 10, 38). Por isso, era profeta diante de Deus e de todo o povo. Como muitas vezes, a palavra Deus está acompanhada do artigo determinante o que ressalta o verdadeiro Deus dos muitos deuses pagãos da época. Os chefes dos sacerdotes [archiereis <749> = summi sacerdotum]. A maioria das versões vernáculas traduzem por sumos sacerdotes (exemplo TEB). É verdade que um sumo sacerdote mantinha o título por vida e que em tempos de Jesus houveram muitos que obtiveram o título porque o cargo era venal e mudava quase anualmente; Josefo fala que houve 28 sumos pontífices entre Herodes e os anos 64, um total de 170 anos, o que dá um a cada dois anos e meio. Mas, neste caso, significa chefes dos sacerdotes (príncipes de los sacerdotes –diz Nácar Colunga e a KJB fala de chief priests), como parece indicar o latim [summi sacerdotum], que segundo Josefo eram os chefes das principais famílias além dos que tinham sido sumos pontífices e o atual chamado Nasi, que presidia a tribuna, o Sagan, o tesoureiro do templo e outros. E os nossos dirigentes [archontes <75,8> = príncipes], que também eram chamados de bouletes [conselheiros] ou dygnatoi, [dignatários] que eram os aristocratas das famílias mais ricas da cidade. Lucas, que em 9, 22, claramente alude aos três componentes do sinédrio, aqui não diz nada sobre a terceira parte do mesmo que era formada pelos escribas. Sem dúvida que estes últimos, como respeitados pelo povo, tinham entre seus membros Nicodemos que se opôs à condena de Jesus (Jo 7, 50). O entregaram [.paredökan <3860>=tradiderunt] O verbo tem como significado entregar uma pessoa ou coisa nas mãos de outra. Daí atraiçoar como em Mt 5, 25 te entregue nas mãos do juiz. A entrega terminou com a morte em cruz, a mais horrível e humilhante para um romano e a mais maldita para um judeu. Deus não podia permitir semelhante morte para um profeta seu. Morrer nas mãos do príncipe inimigo, como o Batista nas de Herodes Antipas, era um martírio; mas na cruz era uma maldição.

ESPERANÇA VÃ: Já que nós esperávamos que viesse libertar Israel. Mas já sobre estas coisas prevalece o terceiro dia desde que passaram elas (21). Nos autem sperabamus quia ipse esset redempturus Israhel et nunc super haec omnia tertia dies hodie quod haec facta sunt. E explicam a causa de sua tristeza que, em definitivo, é uma perda de esperança: Jesus tinha fomentado a esperança messiânica [libertação de Israel] e agora tudo acabou.Nestas palavras está resumido o sentimento mais profundo e a alma de todos os discípulos de Jesus. Tanto esforço, tanta ilusão perdida. Tudo foi um sonho bonito que agora se transforma em dolorosa desilusão. Eram três dias de profunda tristeza, como o Mestre tinha anunciado Klausete [plorabitis=lamentareis] e thrënësete [flebitis= chorareis] (Jo 16, 20), como faziam as plangentes na morte dos que pranteavam.

OS RUMORES: Mas também certas mulheres das nossas nos deixaram surpresos havendo estado muito de manhã sobre o túmulo (22). E não tendo encontrado o corpo dele, voltaram dizendo também ter visto uma visão de anjos os quais dizem que ele está vivo (23). E alguns dos que estavam conosco foram ao sepulcro e encontraram assim como as mulheres falaram, mas a ele não viram (24). sed et mulieres quaedam ex nostris terruerunt nos quae ante lucem fuerunt ad monumentum et non invento corpore eius venerunt dicentes se etiam visionem angelorum vidisse qui dicunt eum vivere et abierunt quidam ex nostris ad monumentum et ita invenerunt sicut mulieres dixerunt ipsum vero non viderunt. Havia, porém uma coisa estranha que eles duvidavam fosse realidade interessante: Temos traduzido o mais literalmente possível, respeitando tempos de verbos e significado das palavras. O caso é que os dois discípulos se mostraram tão céticos como hoje muitos dos leitores do evangelho, que só admitem como históricos o sepulcro vazio e a ausência do corpo. As visões e aparições são tidas como imaginárias, sem fundamento real. Jesus não aparece como apareceu Nossa Senhora aos pastorinhos de Fátima. A Virgem não era vista pelos assistentes. Era, pois, uma aparição interna sem que uma máquina fotográfica pudesse recordar a cena. Mas no evangelho de hoje temos a resposta: ele tinha um corpo como um homem qualquer. Precisamente a ¨cegueira¨dos dois discípulos de Emaús, indica que ele não foi uma aparição do tipo que certos teólogos indicam: ele, para todos os efeitos, era de carne e osso, indistinguível como se fosse um homem comum. Os evangelistas distinguem perfeitamente a visão dos anjos [vestes resplandecentes], que podem ser semelhantes às aparições de Fátima,  das aparições de Jesus durante os 40 dias: é o mesmo Jesus de sempre, o Jesus ainda não transformado porque não tinha ido ao Pai (Jo 20, 17). Quer dizer que só depois da Ascensão ele tomou o corpo espiritual que dirá Paulo (1 Cor 15, 43-45)? É uma hipótese que não tem nada contra a teologia e que não pode ser descartada, já que a visão de Paulo de Jesus Ressuscitado parece ser uma visão, cuja fonte era a luz (At 9, 3). Neste trecho, escrito muito antes do evangelho de João segundo o que nos diz a tradição, temos um resumo das primeiras aparições de Jesus que concorda plenamente com o relato joanino. Estes dois evangelistas devem ser tomados como base real do sucedido e não como descrição catequética do mesmo.

APOLOGIA DE JESUS: Então ele lhes disse: Ó sem inteligência e tardos no coração para crer em todas (as coisas) que falaram os profetas! (25). Et ipse dixit ad eos o stulti et tardi corde ad credendum in omnibus quae locuti sunt prophetae. Começa censurando-os: Sem entendimento e tardos de mente [coração no original]. Usando termos mais claros poderíamos traduzir por tontos e estúpidos, não no sentido de um insulto, mas de um fato certamente real e comprovável. A compreensão das Escrituras não depende unicamente da graça de Deus, mas também da disposição de ânimo do leitor. Com uma mente perturbada por prejuízos como a dos saduceus, que não admitiam a ressurreição, era impossível admitir a de Cristo. Com uma mente como a moderna em que o milagre é menosprezado, é lógico que os relatos dos evangelhos sejam tomados exatamente como os das mulheres foram aceitos pelos discípulos: lendas, fantasias.

A INTERPRETAÇÃO: Certamente, não convinha Cristo padecer essas coisas e entrar na sua glória? (26). E começando desde Moisés e desde todos os profetas interpretava-lhes em todas as Escrituras os (acontecimentos) acerca dEle (28). Nonne haec oportuit pati Christum et ita intrare in gloriam suam. Et incipiens a Mose et omnibus prophetis interpretabatur illis in omnibus scripturis quae de ipso erant. Jesus, como companheiro de viagem, se torna agora mestre de sabedoria para interpretar as Escrituras, fazendo apologia de sua paixão: Era necessário que o Ungido [Messias] padecesse, para assim entrar na sua glória [a posse do seu reino]. O verbo Deo [<1163>=oportuit] significa atar, e em termos teóricos obrigar, por estar sujeito a uma lei. O singular impessoal dei significa uma obrigação iniludível, porque estava escrito isto é: era um plano de Deus transmitido através dos profetas (25). E começando por Moisés, diz Lucas. Na realidade, Moisés diretamente não fala do Messias a não ser  em Dt 18, 15: Javé, teu Deus suscitará um profeta como eu, no meio de ti, dentre os teus irmãos, e vós o ouvireis. Temos uma outra citação em Gn 3, 15: A descendência da mulher esmagará tua cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar. Porque o Pentateuco era o livro escrito por Moisés, ao menos substancialmente. Além destas profecias que podemos chamar diretas e que são as únicas que nos tempos modernos aceitamos como verdadeiras, não podemos esquecer que, muitas vezes, os antigos viam na Escritura tipos e imagens do futuro como verdadeiras profecias. Entre esses tipos temos Isaac levando a lenha para o sacrifício que ia ser executado pelo pai, mas que no último momento foi substituído por um carneiro ( Gn 22, 6-14). Temos a serpente de bronze, da qual o próprio Jesus comentou que era sua figura (Nm 21, 8 e Jo 3, 14). Também podemos ver nos sacrifícios ordenados por Moisés, figuras do sacrifício de expiação pelos pecados da Nova Aliança de Jesus, especialmente no dia do Yom Kippur pelo holocausto do bode expiatório (Lv cap 9), que a epístola aos hebreus, no capítulo 9, afirma ser figura imperfeita de Jesus. Pelo que diz respeito aos outros profetas, tais como Davi nos salmos 22, 1-31, Isaías 53, 1-12 e Daniel 9, 1-27 as referências são muito notáveis. Por isso Jesus interpretava as Escrituras, embora não saibamos em que termos, pois o evangelista não o declara.

FICA CONOSCO: Então se aproximaram da vila para a qual caminhavam e Ele pareceu passar adiante (28). E o coagiram dizendo: fica conosco já que é a tarde e o dia declina. Então entrou para ficar com eles (29). Et adpropinquaverunt castello quo ibant et ipse se finxit longius ire. Et coegerunt illum dicentes mane nobiscum quoniam advesperascit et inclinata est iam dies et intravit cum illis. Só devido a uma pequena dificuldade para a volta, vamos explicar o vocábulo grego por TARDE [espera <2073> =advesperascit]. De fato, o original diz que é a tarde [substantivo] e não que é tarde [adjetivo, fora do tempo]. A Vulgata com o verbo advesperascit indica que já chegou a tarde. Esta começava às três horas, e era o momento do almoço.O dia, ou melhor, a luz do dia acabava às seis horas.

AO PARTIR O PÃO: E sucedeu ao se recostar ele com eles, tomando o pão, (o) abençoou e tendo (o) partido (o) dava a eles (30). Et factum est dum recumberet cum illis accepit panem et benedixit ac fregit et porrigebat illis. Segundo a Mishná, se são três os que devem comer juntos, são obrigados a benzer a mesa, porque se são três os que comem juntos não podem separar-se para a bênção (Berajot 7, 4). Segundo a tradição judaica, na liturgia da Páscoa após a segunda copa,  copa de Haggadá [das narrações da tradição] se iniciava o banquete com a bênção da mesa, feita pelo pater-famílias sobre o pão ázimo: tomava o pão e o abençoava com estas palavras: Louvado sejas tu, Senhor nosso Deus, Rei do mundo que fazes sair o pão da terra. Os comensais respondiam Amém; e, na continuação, o pai de família repartia o pão. O pai da casa tomava o último pedaço e começava a comer; com isso ele dava o sinal para todos de que o banquete tinha começado.

OS OLHOS SE ABRIRAM: Os seus olhos então se abriram e conheceram-no e Ele se tornou invisível para eles (31). Et aperti sunt oculi eorum et cognoverunt eum et ipse evanuit ex oculis eorum. É precisamente nesta bênção e no partir o pão que os dois discípulos reconhecem a pessoa de Jesus. Os olhos se abriram e o reconheceram. Os três sinóticos  falam de como Jesus, erguendo os olhos ao céu (exemplo Lc 9, 18) e abençoando o pão partiu-o e o entregou a seus discípulos.A oração, entre os judeus, sempre se fazia com o olhar baixo, em sinal de submissão; e Jesus pronunciava o nome de Pai no lugar do Adonai usual entre os conterrâneos. Os olhos, que estavam travados, agora reconheceram o Mestre; mas não puderam gozar da visão por muito tempo, porque a figura que foi seu acompanhante  no caminho, agora se desvaneceu. Ele se tornou invisível [afantos] a eles. A palavra grega indica um não ser visto, um desvanecer ou desaparecer. Indica que é assim que nós vamos encontrar o Cristo: desvanecido nas Escrituras, e sem poder ver seu rosto, que pela fé encontramos no partir o pão, como os dois contaram aos onze [que na realidade eram dez] após a volta de Emaús.

OS DISCÍPULOS: Então disseram entre si: não estava ardendo nosso coração dentro de nós enquanto falava conosco no caminho e nos abria as Escrituras?(32). E tendo se levantado na mesma hora, voltaram para Jerusalém e encontraram reunidos os onze e os que (estavam) com eles (33). dizendo que ressuscitou o Senhor verdadeiramente e foi visto por Simão (34). Et dixerunt ad invicem nonne cor nostrum ardens erat in nobis dum loqueretur in via et aperiret nobis scripturas. et surgentes eadem hora regressi sunt in Hierusalem et invenerunt congregatos undecim et eos qui cum ipsis erant dicentes quod surrexit Dominus vere et apparuit Simoni. Somente eram dez mas como Lucas não narra a aparição particular a Tomé, daí que ele o inclua entre os apóstolos e fala dos onze. Quando chegam os de Emaús que particularmente não pertenciam aos onze, encontram junto com estes, outros discípulos congregados e falando de que realmente Jesus tinha ressuscitado e tinha sido visto por Simão [Pedro]. Esta aparição é confirmada por Paulo: Apareceu a Cefas e depois aos doze (1 Cor 15, 5). Vemos como aqui também o número 12 é usado como uma relação genérica, sem incluir no caso a Judas e Tomé.

SEU TESTEMUNHO: Então eles contaram as coisas no caminho e como foi por eles conhecido ao partir o pão (35). Et ipsi narrabant quae gesta erant in via et quomodo cognoverunt eum in fractione panis. Então eles acrescentaram sua história que, além de vê-lo vivo, continha uma lição de como interpretar as Escrituras. Jesus não olvidava seu ministério de Rabi, como Mestre de seus discípulos. É um fato, que muitos exegetas apresentam como significativo, que Ele fosse reconhecido ao partir o pão. Ele foi pela primeira vez reconhecido como rei após a primeira multiplicação dos pães, quando os abençoou e partiu (Mt 14, 19) e depois mandou que os discípulos os dessem à multidão. Esse foi o momento em que a multidão o declarou como o profeta que deveria vir ao mundo e alguns até queriam torná-lo rei (Jo 6, 14-15). Foi também ao partir o pão que Ele foi reconhecido pelos dois discípulos.

PISTAS:1) A pergunta inicial: Por que a vida é sempre vencida pela morte? Por que o mal sempre triunfa do bem? O Pai abandona o Filho Jesus, ou este era simplesmente um impostor? Essencialmente as perguntas que se faziam os dois discípulos eram estas. Jesus não usa o raciocínio humano para responder, mas os escritos sagrados. Sem Jesus, as Escrituras não têm mais sentido que o dado pela comemoração de uma História particular e parcial do povo hebreu. Em Jesus encontraremos a culminação da História e a razão de nossa história porque em Jesus encontramos a justificação de como o mal deve ser vencido pelo bem: pelo sacrifício da própria vida para que, perdendo-a, outros a encontrem e a vivam melhor.

2) S. Agostinho afirma que o Senhor foi conhecido ao partir o pão; e também o conheceremos hoje ao partir o pão: a) O pão da Eucaristia onde o encontramos substancialmente b) O pão repartido entre os necessitados, com os quais ele quis se identificar.

3) A vida, como uma dádiva de Deus, está se tornando uma circunstância para gozar da mesma sem sentido de solidariedade. Os cristãos não  param na dádiva, mas no Senhor da mesma e vemos, como sendo Ele amor e ela produto do amor, devemos responder com amor. Ou seja, como entrega e não como posse definitiva. Por isso o padecer temporal é a base para a glória definitiva.

4) Apareceu a Simão: ele era o irmão que devia manter a fé dos irmãos (Lc 22, 32). A contrariedade e o sofrimento nos tornam fracos em nossa fé. Mas é aí onde a fortaleza de Deus se manifesta (2 Cor 12, 10). Os judeus pediam milagres e profecias (Lc 22, 64 e 23, 8) e os romanos poder, porque, quando Pilatos ouviu que Jesus veio a dar testemunho da verdade, o desprezou (Jo 18, 38). Mas é essa verdade que Jesus afirma: o Messias deve sofrer e assim unicamente entrar na glória do seu reino (25).




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QUE DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje! Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

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