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Índice desta página:
Nota: Cada seção contém Comentário, Leituras, Homilia do Diácono José da Cruz e Homilias e Comentário Exegético (Estudo Bíblico) extraído do site Presbíteros.com

. Evangelho de 12/12/2010 - 3º Domingo do Advento
. Evangelho de 05/12/2010 - 2º Domingo do Advento


Acostume-se a ler a Bíblia! Pegue-a agora para ver os trechos citados. Se você não sabe interpretar os livros, capítulos e versículos, acesse a página "A BÍBLIA COMENTADA" no menu ao lado.

Aqui nesta página, você pode ver as Leituras da Liturgia dos Domingos, colocando o cursor sobre os textos em azul. A Liturgia Diária está na página EVANGELHO DO DIA no menu ao lado.
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12.12.2010
3º DOMINGO DO ADVENTO – ANO A
__ "ALEGRAI-VOS! A LIBERTAÇÃO ESTÁ PRÓXIMA"
__

Ambientação:
Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs! Alegria da volta à Pátria, alegria da saúde readquirida, alegria pela liberdade reconquistada, através da qual se é reintegrado na vida civil e religiosa do povo: eis o fruto da intervenção de Deus que salva. Anunciada pelos profetas (1ª leitura) como novo êxodo, a volta do exílio é vista como um ato do poder e do amor exclusivo de Deus pelo seu povo, embora, depois, na realidade, tenha favorecido apenas a um pequeno resto de deportados, e não correspondido totalmente às suas expectativas. Mas o anúncio permanece sempre válido porque voltado para um tempo em que terá seu pleno acabamento. Cristo vem como aquele que guia, em sua volta para Deus, a humanidade perdida; desanimada e extenuada. Mas essa volta se explicitará no decorrer das gerações; a libertação exige tempo e fadiga; a alegria é antes, a de quem venceu uma das etapas, o que mantém viva sua esperança de atingir a meta final. Entoemos cânticos ao Senhor!

(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (Is 35,1-6.10): - "Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e floresça como um lírio."

SALMO RESPONSORIAL 145(146): - "Vem Senhor, nos salvar. Vem sem demora nos dar a paz!"

SEGUNDA LEITURA (Tg 5,7-10): - "Irmãos, ficai firmes até a vinda do Senhor."

EVANGELHO (Mt 11,2-11): - "Eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele vai preparar o teu caminho diante de ti."



Homilia do Diácono José da Cruz – 3º DOMINGO DO ADVENTO – ANO A

"AS DÚVIDAS DA NOSSA FÉ"

Muita gente pensa que a Fé não suscita dúvidas porque que com ela , sempre as coisa dão certo, sem erros ou tropeços. O evangelho desse terceiro domingo do advento apresenta-nos novamente João Batista, aquele mesmo do evangelho do domingo anterior, que nos foi nos apresentado como um pregador muito bem sucedido, atraindo as multidões ao deserto e convencendo-as a se converterem recebendo o Batismo Penitencial, João Batista um homem rústico que se vestia rudemente e se alimentava de gafanhotos e mel silvestre: que não tinha  “papas na língua” e chamou os Saduceus e Fariseus de cobras venenosas, e que também denunciou a Herodes o pecado do adultério, que ele cometia contra o próprio irmão. Mas no evangelho de hoje o quadro mudou drasticamente, o pregador do deserto, Profeta vigoroso e fiel, voz do que clama no deserto, está na prisão, e ainda como se isso não bastasse tem dúvidas se Jesus é realmente o Messias que ele anunciou e envia discípulos para confirmarem. Quantas vezes nossos trabalhos pastorais cheiram o fracasso, parece que tudo deu errado... Se Jesus não fosse o Messias, a missão de João Batista teria sido um fracasso total, e eu vou ainda mais longe, se João visse Jesus morrer na cruz, poderia acabar achando que ele não era o Messias, pois o que fora anunciado não conferia com o que estava acontecendo, anunciou um Messias Forte e Poderoso, implacável com os maus....

O que teria acontecido com João Batista? Nada de mais! As dúvidas fazem parte da nossa fé. A Bíblia nos traz outros exemplos, ao ser anunciada que iria ser a Mãe de Deus, Maria, por exemplo, teve dúvidas “Como isso vai acontecer?”. Os apóstolos foram outros que também duvidaram e por conta disso, cometeram “gafes” terríveis, basta lembrar a figura de Pedro – Chefe dos Apóstolos, o tal que não queria que Jesus morresse, ou  Tiago e seu irmão, que queria um lugar de honra ao lado do novo Rei, quando ele fosse reinar. E quem achar que a ressurreição do Senhor acabou de vez com esse problema, está enganado, Jesus em mais de uma vez foi confundido com um Fantasma ao aparecer aos discípulos, e o exemplo mais bonito de quem teve dúvidas, o apóstolo Tomé, que enquanto não viu e não tocou no Senhor, não acreditou.

Depois disso vieram as dúvidas sobre a missão, os apóstolos não viram com bons olhos o início da pregação de Paulo em outras terras fora de Jerusalém, a lógica da missão em terras distantes não fazia parte do raciocínio de nenhum deles,  e se alongarmos a lista, veremos quantos santos e santas de Deus, em sua vida de Fé, algum dia tiveram dúvida, passaram por uma crise, tiveram que fazer perguntas, como João Batista.

Pronto! Agora podemos olhar a nossa vida de Fé , vivida principalmente na comunidade, e admitir com sinceridade que muitas vezes duvidamos, cometemos o mesmo pecado de João, vimos os sinais mas ficamos na dúvida. João não se enganara em sua pregação, anunciara um tempo novo por conta do Reino que já estava no meio do povo, e pregara com veemência a necessidade de uma profunda conversão, para acolher a Salvação que esse novo Reino iria trazer. João só se equivocou em uma coisa, no modo como Jesus iria fazer a salvação acontecer. O amor grandioso e a infinita misericórdia de Deus, plenamente manifestada em Jesus o Filho, surpreendeu João e continua a surpreender a nós todos. Certamente nós também imaginamos e até queremos um Deus que no final dos tempos, venha arrebentando com as forças do mal, varrendo todos os homens maus da face da terra, destruindo-os no fogo do inferno. Os sinais não conferem, o Messias é humano demais, solidário com os pobres, marginalizados, anda com gente mal vista, e os que têm a “marca” do pecado, por conta de alguma deficiência, são curados e libertos, coxos, cegos, paralíticos, mudos e surdos, mortos ressuscitam....

O amor de Deus é desconcertante e isso gera muitas dúvidas em nossa Fé, porque acreditamos muito mais no Deus vingativo, que pune cruelmente os maus e os que não crêem, e com isso fazemos  da religião um esconderijo seguro para fugir da ira Divina, achando que na comunidade, cumprindo com todas nossas obrigações, estaremos a salvo. A descoberta de um Deus que é puro amor, nos enche de alegria. A liturgia desse 3º Domingo do Advento, quer nos levar a essa descoberta, Jesus revela um Deus extremamente amoroso, que age sempre com misericórdia e paciência com os homens.

Nossas comunidades cristãs, não só devem ser sinais, mas também perceber a presença do Reino nas pessoas que promovem e valorizam a Vida como dom Sagrado,  buscam a verdade, promovem a paz e lutam corajosamente pela Justiça, pois esses são os autênticos sinais libertadores do Reino que Jesus inaugurou. Podemos ter dúvidas como o Batista, mas o que não pode acontecer é perdermos de vista esses valores e deixarmos de lutar por eles, daí, nossas pregações e testemunhos cairão no vazio, porque sempre gerarão dúvidas entre o Cristo que anunciamos, e a Fé que vivemos, pois a Fé sem obras é morta, nos diz Tiago. (3º Domingo do Advento)

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Rodrigues Costa – 3º DOMINGO DO ADVENTO – ANO A

Prova de fé

“Sois vós aquele que deve vir, ou devemos esperar por outro?” (Mt 2,2). Em 1951, um dos grandes teólogos do século XX comentava este texto evangélico. Jean Daniélou afirmava que não devemos escandalizar-nos a respeito de João Batista quando ele pergunta a Jesus se é ele mesmo quem devia vir; ao contrário, é preciso ver nessa pergunta a profundidade, por parte de João Batista, da vivência do Mistério de Cristo e, ao mesmo tempo, do mistério do homem. As almas santas levam a sério a miséria real da humanidade e, do fundo de seus corações, deixam sair um grito sincero, ainda que silencioso, e que é expressão da dor que sentem diante daquelas situações que não admitem soluções fáceis: o sofrimento dos inocentes, a desigualdade social alarmante, o terror das guerras e dos desastres naturais, a miséria do pecado que vai consumindo o ser humano sem que ele perceba. Por outro lado, é de gelar a superficialidade de Gúrshehka, aquela personagem dos Irmãos Karamázov que, já bêbada e delirante, dizia: “Quero fazer loucuras, gente boa. O que importa? Deus me perdoará. Se eu fosse Deus, perdoaria a todo o mundo e diria: ‘meus simpáticos pecadores, desde hoje eu vos perdoo a todos’. Eu, pelo menos, pedirei perdão”. Com isso não se afirma se a nossa personagem em questão é má ou não, simplesmente se enfatiza a superficialidade da supracitada diante da realidade de Deus e diante do pecado. É certo: Deus é bom! Também é certo: Deus é justo!

O teólogo francês alertava contra um otimismo fácil e superficial. O realismo cristão, sem deixar de ser otimista e alegre, é também uma visão da vida e das coisas que leva a sério a dureza das distintas situações. O cristão deve gritar desde o profundo do seu coração a Deus, que tem a solução. No fundo, dizia Daniélou, esse grito que surge de uma espécie de desespero, é uma expressão de esperança. Esse grito é um grito de confiança semelhante ao de Cristo na Cruz: “Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste?” (Mt 27,46). Temos que “obrigar” a Deus a manifestar-se – dizia Daniélou – pelo ardor da nossa oração e pela intensidade do nosso desejo.

Parece que há momentos nos quais tudo é escuridão. Parece que Deus não nos escuta, que há um obstáculo entre ele e nós. Surge uma espécie de revolta interior diante de um Deus que se diz todo-poderoso, mas não atende aquelas coisas que “eu” julgo como boas “para mim”. Esse é o momento de pedir ao Senhor que reviva em nós a fé. No “Diário de um pároco de aldeia”, de Georges Bernanos, há um momento em que o protagonista fala da sua própria fé. Como é sabido, trata-se de um sacerdote que experimenta em meio do seu trabalho apostólico, a solidão e o tédio. É um livro realista e dramático, cujas perspectivas estão abertas à esperança porque Deus está presente em toda a obra. O personagem diz que o que nós chamamos perda de fé é, no fundo, o fato de que a fé “deixa de informar a própria vida, e nada mais. (…) Eu não perdi a fé! (…) Onde ela está? Não a posso alcançar. Não a encontro no meu pobre cérebro incapaz de associar corretamente duas ideias e que não tem mais que imagens delirantes; tampouco na minha sensibilidade; nem mesmo na minha consciência”. No entanto, entre as últimas palavras do livro, encontram-se essas de enorme significado: “Que importa? Tudo é graça!”.

Às vezes, do fundo do nosso ser podem vir umas perguntas que brotam duma espécie de desespero: será que Deus existe mesmo? Será que ele escuta as pessoas? Será que está me ouvindo? Deveríamos aproveitar esse desespero para clamar com mais força, para “obrigar” a Deus a manifestar-se, para que a nossa oração cheia de ardor ganhe de Deus aquilo que parece impossível e – o que é muito importante – para que saibamos aceitar as disposições de Deus crendo que ele sabe o que é melhor em cada momento. Isto é entrega total nas mãos do nosso Pai do céu! Tudo é graça!

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético – 3º DOMINGO DO ADVENTO – ANO A
(Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

EPÍSTOLA (Tg 5, 7-10)

INTRODUÇÃO: Este trecho é parte das exortações finais da carta de Santiago. O tempo de espera é pouco; logo a melhor maneira de sofrer contradições e perseguições, pelo fato de serem cristãos, é armar-se de paciência e resignação, tomando como exemplo as perseguições dos antigos profetas. O próprio apóstolo sofreu o martírio da parte dos judeus, servindo assim de exemplo e não só de palavras de estímulo que como diz o provérbio verba ducunt, exempla movent [as palavras guiam; os exemplos movem].

PERSEVERANÇA: Perseverai, pois, irmãos até a parousia do Senhor: Eis o agricultor aguarda o precioso fruto da terra, perseverando por causa dele, até que receba a primeira e última chuva(7). Patientes igitur estote fratres usque ad adventum Domini ecce agricola expectat pretiosum fructum terrae patienter ferens donec accipiat temporivum et serotinum. PERSEVERAI [makrothymësate<3114>=patientes estote] imperativo do verbo makrothymeö, cujo significado é ser constante, perseverar pacientemente, ser paciente frente às ofensas, manso e lento na vingança e na ira, e paciente e resignado diante das adversidades. Escolhemos perseverar, pois a parousia implica uma constância na fé e uma fortaleza diante das perseguições. Jesus profetizou dizendo: Sereis odiados de todos por causa de meu nome; aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo (Mt 10, 22).

PAROUSIA [<3952>=adventum] é o termo técnico para designar a  vinda gloriosa de Jesus ao fim da história humana. A primeira comunidade não distinguia entre proximidade teológica e proximidade cronológica; por isso, durante algum tempo esperou a parousia como coisa iminente, como vemos em Paulo: a nossa salvação está agora mais perto do que quando no princípio cremos (Rm 13, 11). Uma outra ideia é que a parousia era o fim do templo e da era mosaica, e a primitiva Igreja pensou que as imagens apocalípticas eram  mais reais do que o estilo permitia. De fato, unicamente Mateus (24, 3) fala da consumação do século [ou da era], como deve ser traduzido synteleia tou aiönos [=consummatiónis saéculi], e não como certas traduções fim do mundo (espanhola, italiana). Logo, em boa lógica, até Mateus fala unicamente da destruição de Jerusalém, do templo e do fim [consumação] da era pré-messiânica. Por ser o dia do Senhor, supunha-se ser um dia de ira como foi a destruição de Jerusalém. Porém, em Lucas, temos uma clara referência de que Jesus não falava do fim do mundo ao escrever: Ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça porque a vossa redenção está próxima (21, 28). Alude, sem dúvida, ao costume dos vencidos de se prostrarem no chão de bruços para os vencedores pisarem sobre suas costas (Is 10, 6 e Dn 8, 7 e Sl 91, 13 ). Pelo contrário, o vencedor devia olhar para o alto, com diz Lucas. Mas a principal razão para não pensar em um final absoluto é a frase de Jesus: Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça (Mt 24, 34; Mc 13, 30 e Lc  21, 32). Daí a insistência na iminência dessa parousia que se traduziu na ruína do templo e no aniquilamento do AT como vemos em Paulo e agora em Tiago. Precisamente, este último parece esperar que a parousia seja para bem e felicidade dos cristãos, pois os compara com o agricultor que espera as duas CHUVAS necessárias para uma boa ceifa: a de outono [primeira] e a de abril [última]. É uma esperança de triunfo após um tempo de trabalhos e sofrimentos.

ÂNIMO: Perseverai também vós, fortalecei vossos corações porque a parousia do Senhor se aproximou (8). Patientes estote et vos confirmate corda vestra quoniam adventus Domini adpropinquavit. Escrita esta carta entre os anos 50 e 62, com razão pode o apóstolo afirmar que a Parousia está próxima, pois tal e como temos antes afirmado, esta aconteceria realmente no ano 70. E exorta logicamente a FORTALECER [stërizö <4741>=confirmare] com o significado de firmar, fixar, fortalecer e no caso da mente será segurar, confirmar a  mesma  ou os corações, como se dizia na época.

SEM CONTENDAS: Não vos queixeis uns aos outros, irmãos para não serdes condenados: eis o juiz está às portas (9). Mas existe uma outra interpretação: eram frequentes SEM QUEIXAS [stenazete <4727>=inemiscere] do verbo stenazö  com o significado de suspirar  (Mc 7, 34) ou gemer (Rm 8, 23), lamentar-se (Hb 13, 17). Escolhemos queixar com o significado de estar ofendido por um agravo ou afronta. Mostrar ressentimento ou desagrado mútuo, de modo a não evitar a condena pela conduta. É, pois, uma queixa judicial ou causa de litígio ou demanda judicial. CONDENADOS [katakrinö<2632>=iudicare] o verbo katakrinö é julgar com resultado condenatório, ou seja condenar, (Mt 12, 41), reprovar. Exemplo é Jesus dirigindo-se à mulher adúltera: ninguém te condenou? (Jo 8, 10). O próprio Jesus recomenda não condenar para não ser condenados (Mt 7, 1). Neste caso o juiz seria Jesus e a condena a da parousia. Mas existe uma outra interpretação: eram frequentes os litígios entre os cristãos e Paulo recomenda que não fossem levados aos tribunais civis mas que fossem caritativamente julgados pelos próprios irmãos (1 Cor 6, 1+). Por isso, Jesus dá o seguinte conselho: Entra em acordo com teu adversário enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão (Mt 5, 25). Tiago, pois, pede um basta já a todo litígio e contenda. A última frase o JUIZ ESTÁ ÀS PORTAS não deve ser interpretado necessariamente com o dia da parousia, comparado com o dia do Senhor do AT; mas pode ser interpretado no sentido de que em todo litígio quem condena é o juiz independentemente de se ter a razão.

O PARADIGMA: Tomai por modelo de sofrimento e de perseverança, meus irmãos, os profetas, os quais falaram em nome do Senhor (10). Exemplum accipite fratres laboris et patientiae prophetas qui locuti sunt in nomine Domini. MODELO [‘ypodeigma<5262>=exemplum] hypodeigma é signo, figura, cópia, exemplo, modelo. Ao falar de sofrimento e perseverança o autor toma como modelo os profetas do AT que falaram em nome do Senhor. O exemplo mais concreto é Jeremias; mas também Amós, Oseias, Elias, Isaías e Daniel sofreram perseguição por parte dos poderes públicos. Já Jesus, em Mt 5, 12, prenunciava a perseguição dos seus discípulos e trazia como exemplo as perseguições que sofreram os profetas. E assim dirá Jesus: todo o sangue justo derramado sobre a terra, desde o sangue do justo Abel até ao sangue de Zacarias, a quem matastes entre o santuário e  o altar (Mt 25, 35). E é precisamente o serviço à palavra que merecerá a bênção do Senhor, como diz a última das bemaventuranças: Bemaventurados sois quando por minha causa vos injuriarem e vos perseguirem e, quando mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós (Mt 5, 12).

EVANGELHO (Mt 11, 2-11)
A PERGUNTA DE JOÃO

INTRODUÇÃO: O evangelho de hoje contém três seções diferentes: Pergunta do Batista; resposta de Jesus; testemunho deste sobre João. Jesus responde à pergunta do Batista com fatos que confirmam a profecia de Isaías (cap 29 e 35) sobre a conduta do Messias. E, ao mesmo tempo, não deixa de louvar aquele que foi seu arauto e precursor. Uma questão que estava na mente dos seus contemporâneos, era o poder político do Messias. Jesus se desentende do mesmo e unicamente aponta a um messiado de salvação, em que a cura do corpo é a manifestação da cura interior. Toda doença era produto de um pecado (Jo 9, 2) e a libertação da doença era sinal do perdão do pecado (Jo 5, 14), condição que Jesus impõe a quem curou da cegueira ou, antes de curar, perdoa os pecados (Mt 9, 2); assim ele se acomoda ao pensamento dos seus contemporâneos. Um outro aspecto dessa profecia é a evangelização dos pobres que trataremos em seu devido lugar, tomando as citações, tanto do grego da Setenta como do hebraico original. Finalmente está o louvor do Batista, o maior entre os nascidos de mulher, mas inferior aos nascidos na água e no Espírito (Jo 3, 5), que formam parte do Reino de Deus e não do reino de Israel, ou da descendência de Abraão.

NO CÁRCERE: Porém, o João, tendo ouvido no cárcere as obras do Cristo, tendo enviado dois dos seus discípulos (2), disse-lhe: tu és o que vem, ou esperamos outro?(3). Ioánnes autem, cum audísset in vínculis ópera Christi, mittens duos de discípulis suis ait illi: Tu es qui ventúrus es, an álium exspectámus?

POR QUE ESTAVA PRESO?  Herodes, o Grande, teve cinco mulheres e onze filhos. Dois deles tinham o mesmo nome Filipos: Um  deles, filho de Mariamne II, de nome Herodes Filipe e o outro, filho de Cleópatra cujo nome era simplesmente Filipe. Das filhas de Herodes pouco sabemos. Mas um dos filhos de Herodes chamado Aristóbulo, teve uma filha que seria célebre: HERODÍADES. Era esta, pois, neta de Herodes, o Grande, e, portanto, sobrinha de  seu futuro esposo Herodes Filipe. Tinha nascido entre os anos 15-8 aC. Herodes Filipe era filho de Mariamne II, filha do Sumo sacerdote Simão. À morte de Herodes o Grande, Herodes Filipe fica à margem do governo e vive em Roma com sua mulher Herodíades. Ambos os esposos viviam em Roma quando Herodes Antipas,  meio irmão de Herodes Filipe  e tio também de Herodíades, viajou a Roma e se hospedou na casa do seu meio irmão. Herodíades, mulher ambiciosa, não se contenta com a vida particular, fora do fausto régio. É por isso que abandona seu marido e se une a Antipas. Ambos, Herodíades e Antipas,  enamoraram-se e, como consequência, Antipas repudia sua esposa legítima, filha do rei dos nabateus, Aretas IV. Ao voltar de Roma, Antipas levou consigo Herodíades e esta, sua filha Salomé. A mulher legítima pediu por carta licença para se retirar à fortaleza de Maqueronte, o que lhe foi concedido. Reuniu-se com seu pai, Aretas, que desde esse instante se tornou inimigo de Antipas. Alguns anos mais tarde Aretas declarou guerra a Antipas. Era o ano 36. Antipas foi ajudado pelo legado da Síria,  Vitélio; mas com a morte de Tibério, o legado retirou suas tropas. Calígula, o novo imperador, que tinha grande amizade com Herodes Agripa, irmão de Herodíades, deu a este último a tetrarquia de Filipe e depois a de Antipas. Agripa é constituido rei. Agripa acusou seu tio e cunhado [Antipas] de estar em tratos com os partos. Calígula  desterrou Antipas às Gálias no 39 dC. No desterro, perto de Lião, foi acompanhado por Herodíades. E pouco tempo depois morre no desterro. Filipe o tetrarca, era filho de Cleópatra, esta de Jerusalém. Seus domínios estavam na região nordeste do lago de Genesaré que compreendia os territórios de Auranítide, Bataneia, Gaulanítide e Traconítide, e, segundo Lucas, também a Itureia. Esta parte da Palestina era a menos povoada por judeus, mas cujo domínio era de suma importância para Roma por controlar o comércio e vias de comunicação, constituindo um sério contraforte contra persas e nabateus. Governou de 4 ac até 34 dC. Foi um governador pacífico e se deixou querer pelos seus súditos. Na sua morte os domínios passaram a ser controlados pelo delegado da Síria. Mas, três anos mais tarde, Calígula os concedeu a Agripa. Nosso Herodes Filipe casou-se com Salomé, a filha de Herodíades, a que dançou na festa de Antipas e pediu a cabeça do Batista. O INCESTO: Nos comentários, geralmente ouvimos falar de adultério, mas na realidade casar com a mulher do irmão enquanto este estava vivo, era caso de incesto, segundo Lv 18, 1: Não descobrirás a nudez da mulher de teu irmão, pois é a própria nudez de teu irmão. E o homem que toma por esposa a mulher de seu irmão comete uma torpeza, pois descobriu a nudez de seu irmão e morrerão sem filhos (Lv 20, 21). Segundo o sentir dos mestres da lei, quando homem e mulher se unem em matrimônio, formam uma só carne (Gn 2, 24). Considerava-se, pois, que a mulher era como se fosse o irmão, exceto o caso de morte em que ela era considerada livre (I Cor  7, 39). Por isso, se acostar [descobrir a nudez] era como se se acostasse com seu irmão: uma torpeza, um incesto. Por outra parte a lei permitia o divórcio; mas a mulher divorciada não poderia se casar com um irmão do seu antigo marido enquanto este estivesse vivo. O caso, pois, de Antipas com Herodíades era um incesto e não um adultério. A lei, como temos visto, estava clara e por isso o Batista clamava: Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão (Mc 6, 18). MAQUERONTE: Era uma fortaleza na ribeira do mar Morto onde, segundo Flávio Josefo, Herodes Antipas encarcerou e executou  João, o Batista. Foi construída por Alexandre Janeu no ano 88 aC a 8 Km ao leste do mar Morto e 13 ao norte do Arnon, pequeno riacho que desemboca no mar Morto, como defesa conta os nabateus. No mesmo período, foi defesa contra os romanos que a arrasaram em 56 aC. Foi reedificada entre 25 e 13 aC por Herodes o Grande. Numa colina estava a cidadela, a segunda em importância dos judeus segundo Plínio, que era também fastuoso palácio e prisão do reino. Embaixo, construiu a cidade. Era parte da Pereia, correspondente a Herodes Antipas. Nele ficou preso e foi degolado o Batista. Em 72 dC, a conquistaram os romanos de Lucílio Basso. Suas imponentes ruínas ainda não foram escavadas. Os cárceres da época eram completamente escuros, os prisioneiros estavam seguros às paredes por meio de correntes como vemos em At 6, 10. Isso não impedia que recebessem algumas visitas, muitas vezes pagas a preço de ouro. O ENVIO: Desde a prisão, ou como traduz a vulgata, in vinculis, estando atado ou preso, João escuta as obras de Jesus. João sente que alguma coisa está faltando na atuação de Jesus. Ele esperava outra coisa do Messias que tinha apontado como iniciador de um reino que não acabava de se tornar visível e efetivo. Talvez ele pensasse que Jesus deveria formar um exército e tentar libertá-lo, pois o Messias era a grande justiça de Javé. Justo e vitorioso é apelidado por Zacarias (9, 9-10). Um reino firmado e consolidado sobre o direito e a justiça. Porém, a conduta de Jesus nada disto fazia supor. Daí a dúvida e a pergunta: és tu o que vem ou esperamos outro?

A RESPOSTA DE JESUS: Então Jesus lhes disse: Indo, anunciai a João as coisas que ouvis e vedes (4): cegos veem, e  coxos andam, e leprosos são limpos e surdos ouvem; mortos ressuscitam e pobres são evangelizados (5). Et respondens Iesus ait illis euntes renuntiate Iohanni quae auditis et videtis caeci vident claudi ambulant leprosi mundantur surdi audiunt mortui resurgunt pauperes evangelizantur.  Marchai e anunciai a João o que ouvis e vedes: A resposta de Jesus está na pergunta de João sobre suas obras. Estas são milagres e, portanto, apontam a uma presença substancial divina. Cegos, coxos, leprosos, surdos e mortos. É uma citação implícita de Isaías 35,5-6: Então, abrir-se-ão os olhos dos cegos e os ouvidos dos surdos ouvirão. Pulará o coxo como um cervo e a língua do mudo cantará canções alegres. Uma segunda parte que é a evangelização dos pobres, como base intelectual e objetiva do processo, está também no terceiro Isaías 61, 1: O espírito do Senhor Javé está sobre mim, porque Javé me ungiu: enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres [lebasar anawim; em grego evanggelisasthai ptöchois, que a Vulgata traduz por ad anuntiandum mansuetis =a anunciar aos mansos; e a nova Vulgata ad anuntiandum laeta mansuetis], a curar os quebrantados de coração, e proclamar a liberdade aos cativos, a libertação aos que estão presos, a proclamar um ano aceitável a Javé, e um dia de vingança do nosso Deus. Jesus agora apela ao grande profeta que anuncia a era messiânica para reafirmar seu modo de proceder. Jesus não dá uma resposta clara sobre quem ele é, mas sobre a era messiânica por todos esperada. Ela estava à vista e ele, o Batista, era o escolhido para anunciá-la como predisseram os profetas. O judaísmo dos tempos de Jesus esperava que, na nova era messiânica, as doenças e o mal em geral, desapareceriam. Deus, o médico de Israel, erradicaria as doenças; assim mesmo, esperava a repetição da época do Êxodo e seus milagres, mas não particularmente curas. Os discípulos de João perguntam pela pessoa e Jesus responde assinalando o tempo, que tem como marca essencial a evangelização dos pobres os ptochoi gregos, ou pauperes latinos. Em outra ocasião explicamos o significado da palavra ptochós [domingo XXII em presbiteros.com.br] que traduz o anawim do texto hebraico e que significa humilde [humble], baixo [lowly], manso ou pobre. A palavra original do hebraico é anawim que não pode ser traduzido por simples pobre econômico, mas, como vemos pelas duas Vulgatas, significam os desprotegidos, os que se encontram desamparados, como eram os exilados na Babilônia do terceiro Isaías. Fundamentar sobre o grego uma visão liberacionista do evangelho de Jesus é uma solução com pouco fundamento no evangelho. Especialmente quando a frase seguinte nos diz quais eram esses pobres: os cativos, aos quais promete a liberdade e aos encarcerados a abertura da prisão [to proclaim liberty to the captives, and the opening of the prison to them that are bound, da JK inglesa].  NOTA 1: Outra questão é que na lista de Jesus: cegos, surdos, coxos e mudos temos realmente uma lista dos mendigos da época e por isso Jesus pode terminar sua dissertação com a conclusão de que os pobres [ptochoi] são evangelizados. Fato que, sem dúvida, tanto Mateus aqui, como Lucas em 4, 18 usam a palavra grega para um fato real que se deu na vida de Jesus. Eles, os mendigos, foram os primeiros nos quais era clara a salvação e o ano aceitável a Javé, que Lucas traduz como ano de graça e conscientemente retira a coleta final: dia de vingança de nosso Deus. NOTA 2: Na lista de Jesus, segundo Mateus, vemos uma extrapolação, que provavelmente tem levado os exegetas a uma interpretação errônea. É o caso dos leprosos que são limpos, dos mortos que ressuscitam. Mateus não é cuidadoso na narração dos fatos nem na citação dos profetas. Duplica os endemoninhados de Gadara (8, 28) os cegos em Jericó (20, 30), e são dois os malfeitores que blasfemam na cruz (27, 44). E sobre citações: acrescenta meu povo ao Israel final de Mq 5, 1 [provavelmente um parêntese explicativo que na época formava parte do texto].  A citação mais questionada é, será chamado Nazaraeus (Mt 2, 23), que não existe em nenhum dos profetas. Estes são só alguns exemplos. O mais importante é em espírito que Mateus (5, 3) acrescenta possivelmente como explicação ao pobres original que Lucas traz no seu evangelho (Lc  6, 20). A inclusão, pois, dos dois grupos é uma redundância do evangelista que objetiva mais a salvação do que a pobreza dos indivíduos. E como era frequente na época, nesta citação implícita de Jesus como reposta, se incluem duas passagens de dois profetas diferentes: 1º e 3º Isaías, que não eram diferenciados como autores diferentes.

O ESCÂNDALO: Portanto, ditoso é quem não encontra escândalo em mim (6). Et beatus est qui non fuerit scandalizatus in me. O MAKARISMO: Temos explicado no XII Domingo o significado de makários, ou beatus em latim com motivo das bemaventuranças. Tanto em Mateus como Lucas, Jesus termina sua resposta com uma frase surpreendente: Portanto, está abençoado [por Deus] aquele que não se tenha escandalizado em mim [na minha pessoa e atuação]. Temos traduzido o Kai grego, que corresponde ao Vau hebraico, tendo este significado de consequência, causa e outros, além de simples conjunção. Que quer dizer Jesus com a palavra escândalo? A raiz é skandalon que significa armadilha, laço, obstáculo, impedimento. Jesus quer dizer que existirão muitos que verão na sua pessoa  um impedimento para entrar na nova era e, portanto neles se realizará a profecia de João: serão batizados com o fogo da destruição à semelhança como uma cidade assediada, que não quis se render inicialmente ao sitiador. Ela era condenada ao fogo e à destruição, sem misericórdia.

ELOGIO DO BATISTA: Saindo, pois, estes, começou Jesus a dizer às turbas acerca de João: Que saístes ao descampado ver? Um caniço, sendo agitado pelo vento? (7). Pelo contrário, que saístes a ver? Um homem em (roupas) finas vestido? Vede, os que vestem (roupas) finas estão nas casas dos reis (8). Illis autem abeuntibus coepit Iesus dicere ad turbas de Iohanne quid existis in desertum videre harundinem vento agitatam Sed quid existis videre hominem mollibus vestitum ecce qui mollibus vestiuntur in domibus regum sunt. O DESERTO: Uma vez idos os enviados de João, Jesus começou um panegírico de João com a pergunta: Que saístes a ver no deserto? Porque não era um caminho natural nem um lugar apropriado para passar a noite ou o dia. O deserto era um lugar estéril amaldiçoado por Deus, terra temível e espantosa, onde moravam os demônios (Mt 12, 43). Por outra parte, era do deserto que se esperava, como no Êxodo, uma ação divina salvífica. Então o deserto –dirá Isaías- se transformará em vergel e o vergel será tido como floresta (35, 15). A CANA: Contrariamente ao que temos ouvido que uma cana é frágil e por sua moleza pode se bambolear, na realidade, entre os eruditos hebreus da época, ela era símbolo de firmeza. Seja um homem sempre delicado como uma cana e não duro e obstinado como um cedro. Quando os 4 ventos da terra sopram, a cana vai e vem com os ventos e quando eles cessam a cana lá está em seu lugar. Consistência e delicadeza é a representação de uma cana perante os golpes rudes da vida. O contraste do parágrafo seguinte dá pé para afirmar também que nestas primeiras frases não está a figura de João. AS ROUPAS FINAS: Hoje os novos exegetas falam de que não é o Batista nestas duas primeiras perguntas o atingido, mas as margens do Jordão e Herodes Antipas. O deserto da Judeia, perto do rio Jordão, era um campo de canaviais de rio em abundância e, por outra parte, nele existiam os palácios de inverno de Herodes como eram Jericó, Maqueronte e Massada. Antipas e os seus cortesãos gostavam de vestidos luxuosos. Portanto, as duas perguntas primeiras de Jesus estavam dirigidas ao tetrarca e seu ambiente: Fostes ver um canavial perto do deserto ou um  homem luxuosamente vestido como era Antipas, ou era um profeta?

UM PROFETA: Mas que saístes para ver? Um profeta? Sim, digo-vos e muito melhor que profeta (9). Esse, pois, é acerca de quem está escrito: Eu envio meu mensageiro diante de tua face, o qual disporá teu caminho diante de ti (10). Sed quid existis videre prophetam etiam dico vobis et plus quam prophetam. hic enim est de quo scriptum est ecce ego mitto angelum meum ante faciem tuam qui praeparabit viam tuam ante te. O PROFETA: Aqui, sim, que Jesus dá a razão a seus ouvintes. Antipas e seus palacianos não mereciam a pena. Eram verdadeiros farsantes da vida, mas que sempre ocupam infelizmente as páginas do coração. À pergunta de: se foram ver um profeta, Jesus afirma que João era mais do que um simples profeta. O ofício destes era apontar o futuro de Israel, ou seja, a escatologia que inaugurasse o novo eón messiânico, desde Isaías até Malaquias. Os novos tempos já estavam às portas e aquele que indicava, como último sinaleiro, a nova era, era precisamente João. Por isso era mais do que um profeta. Era o enviado especial de quem estava escrito: envio meu mensageiro diante de tua face de modo a preparar teu caminho diante de ti. Mas quem é o profeta que predisse esse anjo precursor? 1º) Isaías, do qual temos os textos: Uma voz clama: no deserto abri um caminho para Iahveh; na estepe aplainai uma vereda para o nosso Deus (40, 3). E: De todos os meus montes farei caminhos, as minhas entradas serão elevadas (49, 11). 2º) Malaquias, em quem podemos ler: Eis que vou enviar o meu mensageiro para que prepare um caminho diante de mim. Então, de repente, entrará em seu templo o Senhor que vós procurais, o Anjo da Aliança que vós desejais, eis que ele vem, disse Iahveh dos exércitos (3,1). E em 3, 23-24,  segundo as bíblias católicas, ou 4, 5-6 na JK: Eis que vos enviarei Elias, o profeta, antes que chegue o dia de Iahveh grande e terrível. Ele fará voltar o coração dos pais para os filhos e o coração dos filhos para os pais para que eu não venha ferir a terra com anátema [herém, ou exterminação, no hebraico original]. Como vemos em ambos os profetas o caminho é preparado DIANTE DO SENHOR. Já  os textos do NT falam DIANTE DE TI. Em outros contextos, mas se referindo ao mesmo João, temos Marcos 1,3: Voz que grita no deserto: Preparai o caminho do Senhor. Aplainai suas sendas. Em Lucas temos: E tu menino, serás chamado profeta do Altíssimo, pois irás diante do Senhor para preparar seus caminhos (1, 76), Como está escrito no livro do profeta Isaías: Voz que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor. Aplainai suas sendas (3, 4). O ANJO DO SENHOR: A) CRISTO: Uma interpretação de uma nota (?) da bíblia evangélica JK diz que existe uma forte evidência de que as manifestações do anjo do Senhor são, de fato, manifestações de Cristo, o Filho de Deus. As coisas ditas do anjo do Senhor estão além da categoria dos anjos e unicamente são aplicáveis a Cristo. Agar o chama com o nome de Deus: tu és El Roi [Deus que vê](Gn 16, 13). Quando o anjo do Senhor apareceu através da sarça ardente a Moisés, tanto o anjo como Moisés afirmam ser ele Deus: Elohim [Deus] o chamou do meio da sarça (Êx 3, 2-6). No capítulo 23, 21, o anjo do Senhor tem o poder de perdoar os pecados e se apropria do nome de Deus em si mesmo: Nele está o meu Shem [nome]. Quem é esse anjo do Senhor em definitivo? Segundo esta nota da JK seria o próprio Cristo – Jesus. B) MOISÉS, como tipo do Batista. Em Êxodo 23, 20-21 o anjo poderia ser o próprio Moisés falando em terceira pessoa? Não existe objeção séria a essa identificação no texto do Êxodo. Nesse caso, Moisés seria a figura representativa do Batista. Mas esta interpretação está fora do lugar, pois Jesus fala diretamente do Batista como anjo do Senhor. E o Batista tem como figura tipo Elias. C) O BATISTA no lugar de Elias: Assim, a Bíblia de Jerusalém diz que esse anjo/mensageiro parece ser distinto de Deus, se bem que a sua ação seja a de Javé. Esse anjo está tão cercado do Senhor, que poderia ser confundido com Ele. No NT anuncia o nascimento de Jesus aos  pastores (Lc 2, 0-10). Jesus fala de que existem muitos nos céus e que os homens da ressurreição serão como eles (Mt 22, 30).  Neste caso, João seria o anjo e Jesus aquele a quem João prepara o caminho. O texto de Mateus: Esse, pois, é acerca de quem está escrito: Eu envio meu mensageiro diante de tua face, o qual disporá teu caminho diante de ti (11, 10), tem um lugar paralelo em Lucas: Ele é de quem está escrito: Eis que eu envio meu mensageiro à tua frente, ele preparará o teu caminho diante de ti (7, 27). Os dois textos coincidem exatamente palavra por palavra no grego original. DIANTE DE TI: Os textos proféticos, Isaías e Malaquias,  falam evidentemente dos caminhos do Senhor. Porém, os textos do NT falam diante de ti, que parece ser o Messias. O problema é que Malaquias (3,1), o único citado pelos comentaristas, não diz precisamente isso, mas: Eu enviarei meu mensageiro a preparar o caminho diante de mim, de Javé como protagonista, logicamente. Todavia, os dois evangelistas [Mt 11. 10 e Mc 1,2)] citam as palavras de Jesus como se referindo a ele mesmo. Para isso, misturam Malaquias com Êxodo 23, 20 em que Javé envia um anjo para que guarde Israel no caminho e o conduza ao lugar preparado para ele. Ou talvez seja só o Êxodo que devemos ter como citado, e esse anjo, que foi Moisés, agora se transforma em João que deve guiar o povo a uma nova terra prometida? A citação do Êxodo é: Eis que eu envio um anjo [malak, mensageiro] diante de ti para que te guarde pelo caminho e te leve ao lugar prometido. É claro que na passagem do Êxodo, o tu, diante do qual o anjo precede, era o povo de Israel. Podemos ter duas interpretações para esse diante de: A) Diante do povo de Israel, como vemos pelo texto do Êxodo 23, 20, que diz: Eis que te envio um anjo diante de ti para que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que tenho preparado para ti. Esse anjo ou guia tão perto do Senhor, que poderia ser confundido com Ele, era Moisés falando em terceira pessoa. É um anjo protetor (Gn 24, 7 e Nm 20, 16) que já anuncia o livro de Tobias (Tb 5, 4+). O Batista seria um novo Moisés que preparava o povo para a terra de salvação. B) Diante de Jesus: Esse tu diante de quem os caminhos são facilitados, poderia ser o próprio Jesus que, neste caso, toma o lugar de Iahveh e é por isso que conscientemente os evangelistas trocam expressamente o diante do Senhor por diante de ti, pois Jesus era o Senhor. Nesse caso, João seria o anjo e Jesus aquele a quem João prepara o caminho. Esta é a interpretação mais aceita pelos exegetas modernos. Porém, no nosso caso, mais parece que essa ação protetora e dirigente é a do Batista com respeito ao povo que o escutava para dirigi-lo ao terreno da salvação. Era uma missão muito próxima da que teve Moisés, que dirigiu o povo precisamente no deserto. Daí a pergunta que dirigiram ao Batista: És tu o Messias? (Lc 3, 15). E ele teve que responder que não era o Messias  (Jo 1,20). O importante é saber que João era o anjo do Senhor, tão importante como o do Gênesis ou o Moisés do Êxodo.

O ELOGIO: Certamente vos digo: Não têm surgido entre os nascidos de mulheres (sic) melhor do que João, o Batista; porém o mínimo no Reino dos céus é melhor do que ele (11), Amen dico vobis non surrexit inter natos mulierum maior Iohanne Baptista qui autem minor est in regno caelorum maior est illo. O MELHOR:  Entre os nascidos de mulher não existe melhor do que João. Jesus não tem paliativos em sua apologia do Batista. Ele estava até por cima de Moisés. A razão é que foi escolhido para o trabalho mais importante: apontar quem era aquele que todo Israel esperava como seu salvador. Porém, esta parte tem sua contrapartida: o menor do Reino será maior do que o maior da época anterior ao reino. Infelizmente, a teologia tem sido usada como intérprete numa situação em que a hermenêutica tem o labor fundamental. A exegese deve ter a primeira palavra e a teologia deve respeitar e interpretar a mesma e não deturpá-la.  Devemos partir do ponto de vista, não teológico, em que o batismo nos torna filhos de Deus, mas de que as ideias dos ouvintes devem ter prioridade na interpretação do texto. E essas ideias têm como base o conhecimento de que a presença do Messias era parte essencial do novo Reino. Como profeta, João anuncia o Messias que vem [está por vir]. Os que pertencem ao Reino aceitam o Messias que veem [estão vendo]. O reino já não é um futuro, mas uma presença real. Existe a diferença entre uma salvação em esperança e uma salvação de fato. Não é o fato de comparar os méritos de João com os méritos dos discípulos de Jesus. O caso é a eleição divina que compara um profeta de futuro com uma realidade presente que se tornou o cumprimento do vaticínio. Por isso qualquer presente é melhor que um passado obsoleto. Não é possível emendar um vestido velho com um pano novo (Mt 9, 16).

PISTAS:

1) A pergunta de João está na linha da esperança dos judeus por um mundo melhor. O que deve vir é o Messias em pessoa. A resposta de Jesus o identifica com um messiado especial com a esperança dos mais humildes, com um mundo novo diferente, em que o antigo, por mais excelente que fosse, seria sempre inferior ao mínimo novo.

2)Porém, neste Reino novo, a pessoa de Jesus era fundamental, de modo que a fé nele se tornava consequência da admissão de suas palavras. Por mais que estas parecessem difíceis e duras (Jo 6, 60), elas eram causa de vida eterna (idem 6, 68). Jesus, ou escandalizava, ou era fielmente seguido. Porque a razão de escândalo está em sua humilde aparência, em sua derrota como homem e como profeta. Em sua cruz (1 Cor 1, 23), quando poderia ter usado legiões de anjos em sua defesa, ele preferiu a morte que implicava a vitória aparente de seus inimigos. E precisamente nessa derrota está a base de seu triunfo final.

3)Paulo compreendeu bem a relação derrota/triunfo quando se propôs pregar unicamente Cristo e Cristo crucificado (1Cor 1, 23). Contrariamente a todas as grandes figuras da História, Jesus nasce na mais humilde das moradas e morre no mais odiado dos tormentos. Compreender isto e vivê-lo como norma de vida é entender o amor infinito de Jesus e a misericórdia sem limites do Pai.


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05.12.2010
2º DOMINGO DO ADVENTO – ANO A
__ "ACOLHEI-VOS MUTUAMENTE"
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Ambientação:
Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs! Deus vem, portador de salvação para todos. A mensagem que acompanha sua vinda fala de paz e reconciliação. Isaías (1ª leitura) a simboliza apresentando o que se passa entre inimigos "naturais" que luta pela sobrevivência; é real e simbólica ao mesmo tempo a mensagem apresentada pelo Apóstolo (2ª leitura) entre inimigos "culturais", que se opõem por diversidade de religião. A reconciliação, que se faz na comunidade cristã, entre os que provêm do judaísmo e os do paganismo, está sempre sujeita à precariedade, ao equilíbrio instável; existe no presente e se entrega à esperança quanto ao futuro. É todavia o sinal de um mundo reconciliado em Cristo, onde não se levam em conta os privilégios de raça ("somos filhos de Abraão": evangelho) e tudo o que separa; só o que une é levado em conta: afé no único Senhor e Salvador. Entoemos cânticos ao Senhor!

(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)

PRIMEIRA LEITURA (Is 11,1-10): - "Ele não julgará pelas aparências que vê nem decidirá somente por ouvir dizer"

SALMO RESPONSORIAL 71(72): - "Eis que vem o Senhor Soberano, tendo em suas mãos poder e glória!"

SEGUNDA LEITURA (Rm 15,4-9): - "O Deus que dá constância e conforto vos dê a graça da harmonia e concórdia"

EVANGELHO (Mt 3,1-12): - "Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo"



Homilia do Diácono José da Cruz – 2º DOMINGO DO ADVENTO – ANO A

"CONVERTEI-VOS!"

A figura de João Batista, seu estilo de vida e sua voz que grita no deserto, é a de alguém que quer mudanças, porque já não suporta mais ver um sistema religioso sufocante, que oprime e explora um povo sofrido. Não se trata de um homem desiludido, que rompeu com a sociedade e foi virar um ermitão, ao contrário, ele foi anunciado pelo profeta Isaias que o identificou como “Voz que clama no deserto, preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”.

Naquele tempo, como nos dias de hoje, havia muitos pregadores de “araque”, anunciado um messias que viria nas nuvens, com toda glória e poder, para consertar a situação e mudar tudo que estava errado, muitos hoje ainda esperam esse “Salvador da Pátria”.Mas João não é mais um desses “pregadorzinho” que quer ibope, prestígio e fama, ele não é bancado por nenhum grupo político, econômico ou religioso, pois tem um estilo próprio, vivendo no deserto, de maneira simples, vestindo-se e alimentando-se com aquilo que a natureza dá, não estava contaminado com esse espírito consumista, que só se realiza quando pode comprar tudo o que quer, e acumula bens.. O Messias que ele anuncia precisa ser acolhido a partir de uma conversão sincera, mudando a mentalidade e o modo de se viver. Quem quer mudanças deve abrir o coração para Deus, mostrando disposição em dar o primeiro passo que é mudar a si próprio.

Hoje em dia é comum a revolta e a indignação de todos os que querem mudança, na política, no governo, no legislativo, na economia e até na religião, mas para mudar as estruturas é preciso primeiro mudar as pessoas e este processo de mudança deve iniciar-se em nós primeiramente. Há muitos pregadores e líderes espirituais que pregam e exigem a conversão dos seus fiéis, mas eles mesmos, não se deixam transformar pela palavra de Deus, é o farisaísmo do terceiro milênio, mil vezes mais venenoso do que nos tempos de Jesus de Nazaré.

Para acolher o Messias que traz um reino novo, fundamentado no amor, justiça e igualdade, é preciso que a gente se renove para recebê-lo. Os astronautas, antes de serem lançados n o espaço, passam longas horas de preparação, em alojamentos térmicos, que simulam o ambiente cósmico, treinando principalmente os movimentos do corpo, que no espaço não e estará mais sob o efeito da gravidade ficando bem mais leves. Essa conversão interior, nada mais é do que treinar o nosso coração, para o grande mergulho na plenitude do amor de Deus, onde não estaremos mais sob o efeito nefasto da força do mal, é preciso uma preparação!

O povo simples, de Jerusalém e de toda região, que queria mudanças, acolheu com grande alegria o anúncio de João Batista, e ao receber o batismo, confirma que quer uma vida nova e estão dispostos a mudar em seu interior, deserto é o lugar onde o reino de Deus é gestado no coração do homem, o mergulho na águas do jordão, simboliza a travessia que um dia o povo fez, deixando para trás a escravidão e assumindo uma nova vida, na graça de Deus.

Mas os Fariseus e Saduceus, vão até João, talvez para mostrarem que em suas virtudes e práticas religiosas tradicionais na observância da lei, o Reino já está presente. Não querem mudança alguma! O sistema religioso dá a eles prestígio, fama e principalmente uma situação econômica confortável. Então, pra que mudar? O batismo penitencial de João Batista é um sinal exterior manifestado pelos que desejam uma mudança interior, que só será possível no Batismo do Espírito que será dado por Jesus, o Cordeiro de Deus, aquele que irá propiciar a todo homem a salvação, que se caracteriza antes de tudo, por esta renovação interior, por isso João se sente pequeno diante daquele que tem o poder para mudar o coração humano na graça santificante e restauradora .Só ele conhece o homem profundamente para poder recolher no final da história aquele trigo bom, que floresceu e frutificou. Quanto ao resto, isso é, aquilo que não for autêntico e não tiver consistência, será destruído pelo fogo que não se apaga.

A graça de Deus e a sua salvação são oferecidas a todos, mas dependendo da resposta que dermos a ele poderemos ser trigo bom ou palha inservível, e isso também depende das escolhas que fazemos a cada momento de nossa vida, favoráveis ou contrárias ao reino de Deus.( 2º Domingo do Advento)

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.co
m


Homilia do Padre Françoá Rodrigues Costa – 2º DOMINGO DO ADVENTO – ANO A

Trigo ao celeiro, palha ao fogo!

A primeira parte do Tempo Advento nos insere na dinâmica da espera da segunda vinda de Cristo, da Parusia. Jesus há de vir pela segunda vez! Ele “tem na mão a pá, limpará sua eira e recolherá o trigo ao celeiro. As palhas, porém, queimá-las-á num fogo inextinguível” (Mt 3,12). Essas palavras em lugar de infundir medo, são portadoras de esperança. Por outro lado, se na consumação do fim dos tempos todos fossem tratados por igual, não se manifestaria a justiça de Deus nem a importância que tem a liberdade humana. Não podemos dizer que o trigo é a mesma coisa que a palha, pois isso iria contra a verdade. O mesmo se diga da diferença entre uma pessoa que procura comportar-se de tal maneira a ser trigo para Deus de outra cuja vida está cheia de palha.

Mas, como foi dito, tudo isso é motivo de esperança: podemos ser trigo de Deus! Ainda que tenhamos errado muito na vida, enquanto vivermos o caminho encontra-se aberto rumo à santidade. Não sei de quem é o ditado, mas sei que é certo: “por um burro dar um coice não se lhe corta logo a perna”.  Por mais coices dados na vida sempre podemos utilizar as pernas para andar rumo a Deus. Quando? Agora!

Juntamente com o arroz e o milho, o trigo foi um dos alimentos mais consumidos pela humanidade. Com ele se podem fazer tantas coisas! Ser trigo para Deus significa deixar-se trabalhar para alimentar os outros, para servir para muitas coisas. De fato, triticum (trigo, em latim) significa também a atividade de triturar esse cereal para separar o grão da palhinha que o recobre.

Para sermos bons instrumentos nas mãos de Deus é preciso abandonar-nos em suas mãos. Confiemos nesse bom agricultor, ainda que às vezes tenhamos a sensação de que nos está triturando e de que sofremos muito: essa atividade é necessária para que a nossa humanidade apareça como Deus sempre a quis, transluzente da sua graça, que é antecipação da glória de Deus em nós. Somos transformados para transformar, temos que alimentar os outros. A nossa vida deve ser um reflexo dessa referência obrigatória a Deus e aos demais.

Deus nos faça bom trigo! Que a nossa vida sirva para o sacrifício da Missa e para o alimento dos irmãos. Nós que somos pão de Deus na preparação dos dons de cada celebração eucarística, temos que matar a fome dos nossos semelhantes, e em primeiro lugar a fome de Deus que eles sentem. Recentemente, na viagem que o Papa Bento XVI fez à Espanha, na homilia pronunciada na Praça do Obradoiro em Santiago de Compostela, nos recordava que os apóstolos “deram testemunha da vida, morte e ressurreição de Cristo Jesus, a quem conheceram enquanto pregava e realizava milagres. Nós também, queridos irmãos, temos que seguir o exemplo dos apóstolos, conhecendo ao Senhor cada dia mais e dando um testemunho claro e valente do seu Evangelho. Não há tesouro maior a oferecer aos nossos contemporâneos”. O Evangelho, a Boa Nova, isto é, Jesus, é o maior tesouro que podemos oferecer aos outros. Aqui está um dos pontos que mostram a especificidade do cristianismo: oferecer a vida que está em Cristo a todos. Outras coisas, outras pessoas poderão oferecer.

É preciso que mantenhamos sempre o entusiasmo da fé, a juventude da fé. O exemplo pessoal do Santo Padre deveria ser um ponto de partida para nós. Ele já tem 83 anos, a sua juventude foi marcada pelo horror do nazismo e da segunda guerra mundial, teve que estudar em situações difíceis, combater tantos erros e… sorrir oferecendo o próprio testemunho em meio a situações verdadeiramente complicadas. Depois da morte do queridíssimo João Paulo II, Ratzinger pensava retirar-se e dedicar-se ao estudo repousado da teologia. Deus não quis que fosse assim e chamou-o a ser o sucessor de Pedro. Com 83 anos, carrega erguido o peso da Igreja com um sorriso nos lábios, cativando com a sua presença discreta, com essa espécie de timidez que o faz tão simpático e tão próximo a cada um de nós. Ele é trigo de Deus!

São Josemaría Escrivá gostava de dizer que temos de ser tão úteis ao serviço de Deus que terminemos espremidos como um limão e muito felizes na nossa entrega. E depois? Depois… daremos um abraço ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético – 2º DOMINGO DO ADVENTO – ANO A
(Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

EPÍSTOLA (Rm 15, 4-9)

ESCRITURAS: Quantas coisas, pois, foram antes escritas, para nossa instrução foram escritas a fim de que por meio da perseverança e pela consolação das Escrituras tenhamos a esperança (4). Quaecumque enim scripta sunt ad nostram doctrinam scripta sunt ut per patientiam et consolationem scripturarum spem habeamus. Estamos na parte final da carta de S. Paulo aos romanos. E neste versículo ele recomenda as ESCRITURAS [grafai <1124> =scripturae] era em singular um escrito e em particular os Escritos sagrados do AT como em Mt 21, 42: perguntou-lhes Jesus: nunca lestes nas Escrituras [en tais grafais]. Paulo apela aos escritos do AT em 1 Cor 15, 3: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras [kata tas grafas] e assim sem adicionar nenhum adjetivo, elas são os escritos que os judeus veneravam como Torah, Neviim e Ketuvim [Tanak] ou seja Lei, profetas e Escritos que também recebiam o nome de Mikra [o que é lido]. Paulo apela frequentemente a esses escritos que, como diz Pedro, são superiores a nossa própria experiência para conhecer a verdade por serem palavra profética [logos profetikos] (2 Pd 1, 16-19). E essas palavras foram escritas com anelação e tinham como objetivo a INSTRUÇÃO [didaskalia<1319>=doctrina] magistério, educação, instrução, ensino, doutrina e preceitos. O fim dessa doutrina ensinada pela palavra de Deus é a PERSEVERANÇA <ypomonë<5281>=patientia] é o estado de ânimo que suporta contradição e sofrimento que geralmente é traduzido por paciência, mas que pode ser firmeza ou constância; no NT sai 32 vezes. Unicamente em Lucas, dentre todos os evangelistas, 2 vezes: quando fala de que os que têm bom e reto coração frutificam com perseverança [en ypomonë] (8, 15) e a outra é na vossa perseverança [ypomonë] que ganhareis a vossa alma (21, 19). Logo aparece 17 vezes nas cartas de Paulo. Paulo chama a Deus o da paciência e consolação (Rm 15, 5) repetindo a frase do versículo anterior em que a paciência que temos traduzido como perseverança, mais parece ser uma qualidade do homem que um atributo de Deus. Já a CONSOLAÇÃO [paraklësis<3874>=consolatio] é uma citação, um chamado para ajudar, súplicas, pedido, solicitação, exortação, admonição, e com um segundo significado de consolação, conforto, conciliação. Na maioria dos casos é consolação, com exortação e conforto por esta ordem e em número cada vez muito menor como é traduzido o termo paraklësis. O próprio Messias era esperado como consolação de Israel, segundo vemos em Lc 2, 25 que narra a espera de Simeão e o segundo Consolador [o Espírito Santo] é chamado Paraklëtos [=consolador] e é com esta palavra que é traduzido às línguas vernáculas. Essa consolação tem como fim a esperança. Dificuldades, humilhações  e sofrimentos se têm um fim esperançoso e feliz, como diz a escritura, são recebidos com resignação e até com paciente alegria.

UM MESMO SENTIR: Portanto o Deus da perseverança e da consolação vos conceda sentir o mesmo de uns para outros segundo Jesus Cristo (5). Deus autem patientiae et solacii det vobis id ipsum sapere in alterutrum secundum Iesum Christum, E Paulo fala dessa perseverança e consolação como sendo raiz das mesmas e por meio delas a causa de conceder um mesmo SENTIR [fronein<5426>=sapere] do verbo froneö ser compreensivo, sensível, sensato, sabido, inteligente, juizoso, ter simpatia, discernimento. Também, neste caso, coincidir num mesmo sentir ou pensamento. É o que temos nos Atos que narra como perseveravam unânimes em oração (At 1, 14) e tinham um só coração e uma só alma e todas as coisas eram comuns (At 4, 32). Segundo os ensinamentos de Cristo Jesus, pois o seu rogo ao Pai é que os discípulos fossem um assim como Ele e o Pai eram um (Jo 17, 11). Porque – dirá Jesus- as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e nisso  sou glorificado (Jo 17, 10).

A CONFISSÃO: Para que unanimemente com uma única boca glorifiqueis o Deus e Pai do Nosso senhor Jesus Cristo (6). Ut unianimes uno ore honorificetis Deum et Patrem Domini nostri Iesu Christi.UNANIMEMENTE [omothymadon <3661>= unianimes] é um advérbio, cujo significado é com uma só mente, de acordo, com um só sentimento. Imagem própria do mundo musical quando notas diferentes se harmonizam em tom e timbre. Omos é igual e thymos é sentimento. BOCA [stoma<4750>=os] se confessares com tua boca: Jesus como Senhor e creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos –dirá Paulo- serás salvo. Não esqueçamos que Paulo tem uma tradição judaica muito marcada e que nesse acervo atávico os judeus oravam com todo o corpo e em voz alta, como vemos hoje no muro das lamentações. O mandato de amar Jahveh com todo teu coração, de toda tua alma e com todo teu poder (Dt 6, 5) obrigava a manifestar semelhante sentimento com toda a expressão corporal possível. E dentro desse amor estava o dever de dar glória a Deus, como vemos no quarto mandamento em que o amor aos pais se torna honra aos mesmos (Êx 20, 12) e no mandato primeiro: não te inclinarás às imagens dos ídolos nem as honrarás (Êx 20,5). E logicamente a honra ormas dada com a palavra ou boca é o homologëö [confessar] que também como o centurião no Gólgota é doxazö, pois deu glória a Deus dizendo: Verdadeiramente este homem era justo (Lc 23, 47). De tal modo que a glorificação mais importante que o homem pode dar a Deus é a manifestação tanto pessoal como comunitária da fé no mesmo.

ACOLHIMENTO: Portanto, acolhei-vos mutuamente como também o Cristo vos acolheu para a glória de Deus (7). Propter quod suscipite invicem sicut et Christus suscepit vos in honorem Dei. Dessa mútua concórdia, Paulo extrai uma outra consequência: o mútuo ACOLHIMENTO que em grego é verbo [proslambanö<4355>=suscipere] é receber na casa como hóspede como fizeram os malteses com Paulo e seus companheiros (At 28, 2) ou ter um acolhimento como amigo ao fraco e necessitado, como em Rm 14,1: acolhei o que é débil na fé. É assim que Cristo recebeu como amigos os rudes galileus que se tornaram discípulos: Já não vos chamo servos…. mas amigos (Jo 15, 15). MUTUAMENTE <allëlous<240>=invicem] literalmente uns aos outros. Paulo segue as normas de Jesus que disse: Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros [allëlois]. Como diz o Papa atual, o amor tem como distintivos a entrega [de quem ama] a acolhida [do amado] e a comunhão [entre os dois] (de Charitas in veritate). E no fim, tudo deve ser feito para a glória de Deus (1 Cor 10, 31).

CRISTO MINISTRO: Digo, pois, que Jesus Cristo tornou-se servidor da circuncisão por causa da fidelidade de Deus para confirmar as promissões dos pais (8). Dico enim Christum Iesum ministrum fuisse circumcisionis propter veritatem Dei ad confirmandas promissiones patrum. SERVIDOR [diakonos <1249> =ministrum] a palavra diakonos indica um servente à mesa, em que o ofício é um acidente e a pessoa não é totalmente escrava do doulos. As traduções preferem ministro como Paulo se considerava que era do evangelho, a cujo anúncio e propagação foi dedicado por vida (Cl 1, 23). Que significa da circuncisão? Pois que Jesus como Cristo só evangelizou os judeus como ele mesmo disse: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mt 15, 24), povo que constituía a circuncisão. Pela razão da FIDELIDADE [alëtheia <225> =veritatem] Embora alëtheia tenha o significado de verdade, também pode ser traduzida por fidelidade como no caso de quem a si mesmo se chamava fiel [aman<0539>=pistos= fidelis], pois guardava o pacto e a misericórdia para os que lhe amam e guardam seus mandatos até as mil gerações (Dt 7, 9). Essa fidelidade que é cantada por Maria: Amparou a Israel seu servo, porque se lembrou de sua misericórdia….como prometera aos nossos pais (Lc 1, 54-55). Realmente a unidade das Escrituras é memorável, embora os autores humanos sejam tão diferentes.

DEUS DE MISERICÓRDIA: Porém as nações por misericórdia (devem) glorificar a Deus como está escrito: por isso te confessarei entre as nações e cantarei a teu nome (9). Gentes autem super misericordiam honorare Deum sicut scriptum est propter hoc confitebor tibi in gentibus et nomini tuo cantabo. AS NAÇÕES [ethnë<1484>=gentes] a palavra ethnos indica multidão, uma companhia, tropa, enxame, agrupamento de indivíduos da mesma natureza ou raça, a família humana, tribo, nação, de modo que no AT era o conjunto de nações que não adoravam o único e verdadeiro Deus,e em geral, o conjunto das nações pagãs. MIERICÓRDIA [eleos<1656>=misericórdia] o Eleos grego e o amor ao inferior necessitado que traduzimos como misericórdia. É a benevolência, bondade e benignidade em favor do necessitado e afligido como o desejo de ajudá-lo. Se por razão da promessa o Cristo se tornou ministro e servidor dos circuncisos de Israel, agora é por causa da misericórdia que glorificou Deus por meio do ministério do mesmo Senhor. Deus que é definido como eleos  e alêtheia [=hesed ue emeth] misericórdia e fidelidade (Sl 84, 11) no momento da encarnação Paulo o descreve com estas palavras: se manifestou a bondade [chrëstotës] e a misericórdia [filanthröpia] de Deus, nosso Salvador para com os homens (Tt 3, 4). E isso foi também preanunciado com o salmo 18, 49: eu te glorificarei entre os gentios e cantarei louvores ao teu nome, indicando a conversão ao monoteísmo dos povos antes politeístas e idólatras.

EVANGELHO (Mt 3, 1-12)
TESTEMUNHO DO BATISTA

INTRODUÇÃO: No evangelho de hoje, aparece a figura chave do Advento: João, o Batista. Ele representa o anúncio de Cristo que vem, e ao mesmo tempo a severidade de vida, própria dum tempo de austeridade, como era antigamente o Advento. Sua pregação era a metânoia <3341>, a mudança de atitude, tanto no pensamento como na conduta exterior, para um retorno a Deus, de modo que Este encontre seu caminho livre, frente a uma vontade humana que se submete aos seus planos, como um servo aceita a vontade de seu senhor. Hoje, que conhecemos como essa conversão tem como finalidade a transformação do homem em filho de Deus, as palavras de João, destas pedras Deus pode suscitar filhos de Abraão, são proféticas num sentido estrito. Para um judeu da época, a razão de sua eleição por Javé era ser filho de Abraão. Para um cristão, a eleição transformava sua vida inteiramente numa vida de um filho de Deus. Esta é a verdadeira conversão. O natal de Jesus deve ser também o nosso natal. A semelhança entre o profeta João e o Jesus dos evangelhos, que também proclama a metânoia [retorno, segundo autores modernos], é que ambos exigem o batismo para esse voltar a ser de novo: o primeiro, para uma volta à fé dos pais, de modo a se tornarem verdadeiros filhos de Abraão (Lc 1, 17); e o segundo, para iniciar a filiação, como filhos de um Deus que deseja ser seu verdadeiro Pai (Mc 16, 16 e Mt 28, 19). Mas vejamos os versículos e sua interpretação. Segundo palavras de J. Paulo II, um dos significados de Perestroika [reestruturação, reforma] é precisamente o de conversão, volta de um mal caminho empreendido. Assim se compreendem melhor as palavras da Virgem em Fátima: A Rússia converter-se-á.

NO DESERTO: Ora, naqueles dias, apresenta-se João, o Batista, pregando no deserto da Judeia (1). In diebus autem illis venit Iohannes Baptista praedicans in deserto Iudaeae. NAQUELES DIAS: É uma maneira de unir um relato novo com o anteriormente narrado. Equivale, pois, a uma conjunção copulativa. Quem realmente coloca o tempo com maior aproximação é Lucas: a época do imperador reinante servia, como no Japão dos últimos tempos, para delimitar a história no tempo. Daí que sabemos que no décimo quinto ano do imperador Tibério (Lc 3, 1) foi o início destes eventos proféticos com os quais se inicia a nova época que chamamos evangélica.  JOÃO, O BATISTA: O grego traz o verbo no presente histórico: apresenta-se ou aparece. Também o latim respeita o tempo verbal. A pessoa que aparece como uma visão fantasmagórica é João, conhecido como o Batista. Era uma figura tão importante na sua época que não merecia outra apresentação a não ser o nome. É como dizer hoje Churchill ou De Gaulle. Isso indicava um evangelho escrito antes dos anos 70, quando a memória desses fatos tinha sido esquecida e era inútil a sua memória. Quem nos dias de hoje entre os judeus, se lembra de citar esse nome que aparentemente é contrário ao Talmud? Vemos como Paulo encontra discípulos de João em Éfeso (At 19, 3-4). A data de sua pregação é aproximadamente o ano 28 de nossa era, devido a que não sabemos se Lucas conta o início do ano em outubro [ano sírio] ou em janeiro [romano] e se é contado o primeiro ano de sua sucessão. Temos, à parte dos evangelhos, um relato contemporâneo de Flávio Josefo: João era um bom homem que tinha ensinado os judeus a adorar a Deus, a levar vidas honestas e a praticar a justiça com os outros. Ensinava que não devia ser usado o batismo para obter o perdão dos pecados cometidos [contra o batismo cristão], mas como forma de consagração do corpo… Começaram a se reunir grandes multidões ao redor de João, por causa de sua pregação e Herodes tinha medo de que seu grande poder de persuasão sobre os homens desse lugar a uma rebelião. Portanto, decidiu que seria melhor matá-lo antes que se iniciasse um levantamento. Foi levado encadeado, para a fortaleza de Maqueronte e foi morto nesse cárcere. Como vemos coincide, em grande parte, com os relatos evangélicos , embora a divergência maior seja sobre o batismo de João, que por não confundi-lo com os dos cristãos, claramente retira dele o que os evangelistas dizem  ser batismo para o arrependimento (Mt 3, 11) que Marcos dirá ter como fim a remissão de pecados (1, 4) [=baptisma metanoias eis afesin amartiön, batismo de arrependimento para remissão de pecados] que Lucas repete com as mesmas palavras. Já o quarto evangelista, fora de toda discussão, distingue os dois batismos: o de João era um batismo [submersão] em água e o de Jesus em Espírito Santo [=en pneumati agiö]. Se o do Batista perdoava os pecados pela disposição do batizado [a conversão, e ex opere operantis], o de Jesus era uma imersão no Espírito de Deus, que logicamente ia muito além, por ser ex opere operante e que torna o batismo de água [o de João] inferior ao de fogo  [o de Cristo] que penetra até o fundo dos seres. O que João viu em Jesus ao ser batizado [abriram-se os céus e o Espírito em forma de pomba pousou sobre Jesus, ao mesmo tempo em que a voz do Pai declarava-o como Filho muito amado] realiza-se em todo batizado em nome do Pai,  do Filho e Do espírito Santo, de forma substancial, sem serem visíveis seus efeitos a não ser em tempos apostólicos. Confirma-o o relato dos Atos  19,2-6. Outro ponto é o batismo em fogo, que tanto Mateus (3,11) como Lucas (3, 16) acrescentam como qualidade que acompanha o Espírito.

O DESERTO DA JUDEIA: A palavra eremos <2048>[ em latim desertum em inglês widelness] significa lugar despovoado ou inabitado, não o deserto de areia que todos temos em mente como o de Sahara. Seguido do determinante da Judeia parece significar a longa faixa de terra entre Jerusalém e o mar Morto de 25 Km de largura e 80 de comprimento. Mas vejamos: Judeia pode ter vários significados: 1º) a Judeia propriamente dita, governada pelo procurador romano nos tempos de Jesus adulto que se distinguia especialmente da Galileia em mãos de Antipas como em Belém da Judeia (Mt 2,1). 2º) Com uma acepção mais ampla que podia abranger todo o território da que hoje denominamos Palestina, como parece indicar Marcos que diz vinham a escutar o Batista de toda a região da Judeia e de Jerusalém. 3º) Finalmente tendo um significado mais amplo do que a Judeia própria como em Mateus 19, 1: Jesus saiu da Galileia e foi para a Judeia ao outro lado do Jordão [peran tou Iordanou] em que peran é o advérbio grego que significa ao outro lado, além de. Como vemos neste versículo, Mateus emprega a Judeia como se formasse parte de terras que hoje chamamos da Jordânia e que nunca imaginaríamos formassem parte da antiga Judeia propriamente dita. Daí que o deserto de Judeia tem que ser considerado em termos amplos, incluindo as margens do Jordão perto de Jericó e outros lugares como diz Lucas ao afirmar que percorria toda a região do Jordão (3,3) ou como afirma João que o fato se deu ao outro lado do Jordão [peran tou Iordanou] onde João batizava (1, 28).

O PREGÃO: E dizendo: Arrependei-vos! Porque se tem aproximado o Reino dos céus (2). Et dicens paenitentiam agite adpropinquavit enim regnum caelorum. ARREPENDI-VOS: É o metanoia, o tornar ao Deus de Israel que procurava corações retos, mudar de pensamento como diz o livro da sabedoria (12, 10). Como diz o anjo a seu pai, Zacarias converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus…a fim de tornar o coração dos pais aos filhos, a fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto (Lc 1, 16-17). Aparentemente, o texto está tomado de Isaías, porém é Sirac ou Eclesiástico que em 48, 10 fala do profeta Elias e diz que foi destinado a reconduzir o coração do pai ao filho e restabelecer as tribos de Jacó [epistrepsai kardian patrós prós yion kai katastrepsai fylas Iakob, ou em latim conciliare cor patris ad filium et restituere tribus Iacob. A nova Vulgata traduz convertere no lugar de conciliare]. Elias foi o restaurador da religião de Israel e nesse sentido foi também João o que realmente tentou repor no estado primitivo a decaída piedade dos israelitas no tempo de Jesus.  O REINO: Os modernos, para distingui-lo dos reinos geográficos e materiais, do tempo, falam de REINADO, ou seja, SENHORIO que implica domínio por parte de quem é considerado rei e obediência da parte de quem se torna súdito. Para diferenciá-lo dos reinos terrestres, está em Mateus o determinante dos céus, que os outros evangelistas preferem de Deus.

A PROFECIA: Este mesmo, pois, é o anunciado por Isaías o profeta dizendo: Voz gritando no ermo: esteja preparado o caminho do Senhor! Retas fazei as suas veredas (3). Hic est enim qui dictus est per Esaiam prophetam dicentem vox clamantis in deserto parate viam Domini rectas facite semitas eius. Isaías (40, 3), ou melhor, o segundo Isaías, trata no lugar citado sobre a esperança da volta dos cativos da Babilônia num conjunto que é chamado da Consolação de Israel. Há uma pequena diferença entre o hebraico e o grego da Setenta: neste último, fala na estepe ou como traduz a nova Vulgata in solitudine antes das veredas. E no lugar de suas teremos de nosso Deus na Setenta. Fora disso, o grego de Mateus e o grego da Setenta coincidem palavra por palavra. Sem dúvida que foi uma acomodação a Jesus feita por Mateus, ao eliminar nosso Deus da citação. No quarto evangelho, o evangelista põe em boca do Batista como resposta: e tu quem és? Esta citação: Eu sou a voz que grita no ermo: endireitai o caminho do senhor, como disse Isaías, o profeta (1, 23).

A DESCRIÇÃO: Ele mesmo o  João, porém, tinha o vestido dele de pelos de camelo e um cinto de couro ao redor de seus rins; mas sua comida era gafanhotos e mel silvestre (4). Ipse autem Iohannes habebat vestimentum de pilis camelorum et zonam pelliciam circa lumbos suos esca autem eius erat lucustae et mel silvestre. O BATISTA: Devemos distinguir entre a figura externa e a mensagem de João. Ele se apresentava vestido como um dos antigos profetas, especialmente Isaías (2 Rs 1, 8). A bíblia hebraica apelida a Isaías de baal sear [= maestro do pelo] que a Vulgata traduz por vir pilosus [a nova Vulgata diz: Vir in veste pilosa] ou homem de muito pelo. Ele vestia uma túnica de pele sujeita com um cinto e por cima dela um manto solto.  Esta forma de vestir foi copiada pelos outros profetas. A vestimenta externa, ou manto de João, era um tecido de pelos de camelo o mesmo com o qual se teciam as lonas das tendas dos nômades do deserto. Servia de proteção contra os raios solares e impedia a chuva como capa. E unicamente se servia de um cinto de couro para ajustar aos lombos uma túnica de pele interior. Além dessa veste extremamente rústica, havia na vida de João um outro detalhe que chamava a atenção das multidões: sua comida, que eram gafanhotos e mel silvestre. Este mel que tem em grego o sobrenome de silvestre é provavelmente a exsudação de certas árvores como o Tamarix mannifera, de gosto insípido, e abundante na região de Jericó. Tudo indicava a austeridade de João e sua independência dos homens de modo a depender unicamente de Deus. O povo assim o entendia, pois não comia nem bebia (Mt 11, 18). Seu terreno de pregação era o outro lado do Jordão (Jo 1, 28) na Pereia, terra de Herodes Antipas (Jo 10, 40), onde ele tinha seu castelo de Maqueronte que seria o cárcere do profeta.

A FAMA: Então saiam em busca dele, Jerusalém e toda a Judeia e toda a região do Jordão (5). E eram batizados no Jordão por ele, declarando seus pecados (6). Tunc exiebat ad eum Hierosolyma et omnis Iudaea et omnis regio circa Iordanen. Et baptizabantur in Iordane ab eo confitentes peccata sua. AS MULTIDÕES: O relato de Mateus parece um tanto hiperbólico, mas encontra um paralelo em Marcos: Iam até ele toda a região da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém (1, 5). Lucas fala de multidões (3, 7). Logicamente, devemos concluir que o Batista atraía grandes multidões que o buscavam para ouvir suas palavras e depois serem imersos nas águas do rio Jordão. BAPTIZO: Porque o significado de Baptizo é imergir, enquanto bapto é mergulhar. De modo que baptizo é estar imerso como um pepininho em vinagre e bapto seria o mergulho de quem se banha numa piscina. Baptizo indica, pois, uma imersão permanente, uma impregnação total do líquido em que se está submerso. CONFISSÃO: Declarando [exomologomenoi <1843>= confitentes latino], professar ou reconhecer publicamente uma dívida ou um agradecimento. Aqui,  evidentemente, se trata de admitir em público os pecados [dívida é o nome de pecado em hebraico], não os declarando em espécie, como na confissão sacramental, mas em geral, com fórmulas conhecidas na época, como: reconheço que sou pecador (Lc 18, 13).

OS FARISEUS: Tendo visto, pois, muitos dos fariseus e dos saduceus vindo para seu batismo, disse-lhes: Estirpes de víboras! Quem vos fez ver (como) fugir da ira iminente? (7). Fazei portanto,frutos dignos de arrependimento (8). Videns autem multos Pharisaeorum et Sadducaeorum venientes ad baptismum suum dixit eis progenies viperarum quis demonstravit vobis fugere a futura ira. Facite ergo fructum dignum paenitentiae. FARISEUS E SADUCEUS: Segundo Lucas (3, 7-8) é a multidão o objeto das invectivas de João. Mas a versão de Mateus parece ser a original. A razão para Lucas não podia ser outra que a de que seus destinatários, sendo gentios, não entendiam nada das seitas judaicas e não era o momento de explicar as diferenças. Por isso engloba em termos gerais de multidão o que, na realidade, era particular de uma classe. Fora disso, ambos os evangelistas coincidem palavra por palavra. Por nossa parte, sabemos como os fariseus eram hipócritas em suas condutas já que diziam e não praticavam (Mt 23, 3) e que honrando de boca o Senhor, seu coração estava bem longe dEle (Mc 7,1) como tinha profetizado Isaías (29, 13). Sabemos também como os saduceus eram enormemente positivistas e materialistas. Sob sua influência, o templo tinha-se transformado num mercado público (Jo 2. 16). Pedir, pois, o batismo, era um ato hipócrita que constituía parte de sua vida de ostentação e em busca do aplauso popular (Mt 6,2). VÍBORAS:  [gennemata<1081> echidnön <2191>= progênies viperarum] temos traduzido por progênies de víboras. A frase sai 4 vezes nos evangelhos [3 delas em Mateus], divididas em dois grupos de imprecações: duas originadas no Batista (Mt 3, 7 e Lc 3, 7) e outras duas, saídas dos lábios de Jesus, em Mateus (12, 34 e 23, 33).  Segundo o  dicionário ON LINE  é o rótulo merecido metaforicamente por pessoas astuciosas, malignas e perversas. Jesus ao chamar os fariseus raça de víboras declara: como podeis falar coisas boas se sois maus? (Mt 12, 34). Jesus completa as 6 maldições sobre os escribas e fariseus a quem tacha de hipócritas, com o apelativo de serpentes, raça de víboras (Mt 23, 33). Como diz Tuya, a doutrina dos fariseus era corruptora porque esterilizava a Lei de Deus, até chegar a traspassar os preceitos pelas tradições e doutrinas dos homens (Mt 15, 3). Daí deduzimos duas conclusões: 1º) Que tanto João como Jesus dirigiam essas invectivas aos fariseus e escribas  e não às multidões como parece indicar Lucas. 2º) Que o próprio Jesus dá a definição de por que merecem esse apelativo: a sua língua é como a das víboras, só serve para difundir o mal, como se fosse o bem. O Batista comina-os com a ira divina, implícita na frase de ira iminente. Após o ódio, o pecado que não tem perdão é o de não querer admitir a verdade quando ela contradiz nossos interesses. Tornam-se filhos do diabo, o pai da mentira, e por isso, não podem escutar as palavras de Deus (Jo 8, 44 +) Essa ira será explicada pelo Batista quando afirma que o que vem depois dele queimará a palha no fogo que não se apaga (vers 12). Consequentemente, o Batista pede frutos que demonstrem realmente o arrependimento, a conversão.

A ESCUSA: E não intenteis dizer dentro de vós: temos como pai Abraão. Pois vos digo que pode [o] Deus destas pedras erguer filhos para Abraão (9). Et ne velitis dicere intra vos patrem habemus Abraham dico enim vobis quoniam potest Deus de lapidibus istis suscitare filios Abrahae ABRAÃO: Na sua escolha, Javé lhe disse que seria uma bênção e nele seriam abençoadas todas as comunidades da terra (Gn 12, 2-3). Daí deduziam que eles, os descendentes de Abraão, eram uma raça abençoada por Deus e, consequentemente, não tinham por que temer a ira divina.  A tradição judaica relacionava os gentios com as pedras. E aparentemente João jogava com abim [filhos] e abanim [pedras]. Daí que o gesto do Batista tinha um sentido mais profundo do que atualmente lhe atribuímos. É interessante notar como esse grupo, entre si dividido, dos fariseus e saduceus, formaram um grupo unido contra João e contra Jesus. Não sabiam o que contestar ante a pergunta de Jesus: o Batismo de João é do céu ou dos homens? Porque não creram nele (Lc 20. 4) ao contrário do povo simples que viu em João um profeta. E temiam mais a ira do povo que a ira de Deus.

A ESCATOLOGIA: Agora, pois, já está o machado assentado junto à raiz das árvores; toda árvore, portanto, não produzindo fruto bom, é cortada e é lançada ao fogo (10). Iam enim securis ad radicem arborum posita est omnis ergo arbor quae non facit fructum bonum exciditur et in ignem mittitur. Era crença comum entre os judeus, que a vinda do Messias estaria precedida de um severo julgamento (Jl 4, 1-16; Sf 1, 14-18 e Mq 3, 1-3). Era tal a crença em momentos de angústia e sofrimento predecessores dessa vinda, que era comum a frase de Parto do Messias. O Batista, como eco dessa tradição, afirma que quem não se arrepender e não fizer o bem com suas obras não entrará a formar parte desse novo Reino. Como acontece com uma árvore frutífera que é estéril, assim será feito com aqueles que não ofereçam frutos dignos do novo reino. Aquela só serve como lenha para o fogo e, de modo semelhante, será cortada a vida dos que não vivem em conformidade com a Lei. Esta fórmula de João lembra as palavras de Jesus, narradas pelo quarto evangelista em 15, 6, sobre os sarmentos que não dão fruto, que serão cortados e, recolhidos, lançados ao fogo.

AUTODEFINIÇÃO: Pois eu vos batizo [submerjo] em água para arrependimento, aquele, porém vindo depois de mim é mais poderoso do que eu, do qual eu não sou digno de carregar as sandálias; ele próprio, batizar-vos-á em espírito e fogo (11). Ego quidem vos baptizo in aqua in paenitentiam qui autem post me venturus est fortior me est cuius non sum dignus calciamenta portare ipse vos baptizabit in Spiritu Sancto et igni  O BATISMO: Aqui, João declara que ele não é o fim e que seu batismo, não tem o sentido de uma purificação total, mas só é o início da mesma, que unicamente será completada pelo seu sucessor, do qual ele, João, era o mais humilde dos escravos. Esse seu sucessor oferecerá a verdadeira limpeza e purificação que será uma imersão total no Espírito e no fogo. Temos explicado que o significado de Baptizo é o de estar submerso, como um barco que se afunda e o do bapto é ser lavado. Temos o texto clássico de  Nicander, médico do ano 200 aC,  que diz que para fazer uma conserva em salmoura, primeiro a verdura deve ser lavada [bapto] em água fervente, e, então, submergida [baptizo] numa solução de vinagre. Bapto é temporal e baptizo produz uma mudança permanente. Por isso o baptizo do NT produz uma união e identificação com Cristo, à semelhança do que acontece com a verdura dentro do vinagre. Podemos, pois afirmar que bapto seria o realizado pelo Batista para deixar o baptizo ao realizado por Jesus. É por isso que João distingue seu batismo ou mergulho na água do mergulho no Espírito e no fogo de Jesus. Sobre esta última expressão, podemos dizer que 1º) Espírito e fogo podem designar uma mesma coisa, sendo o fogo, que altera os metais, como purificador mais completo, chegando até as maiores profundezas da alma. Assim foram as línguas de fogo no dia de Pentecostes. 2º) O batismo para os bons será a purificação do espírito, mas o fogo será o batismo de destruição dos maus como veremos no seguinte versículo. O ESCRAVO: Se Mateus fala de carregar as sandálias o evangelista João fala de desatar as mesmas (1, 27). Na realidade era o mais baixo dos ofícios correspondente a um escravo doméstico. No Talmud pergunta-se: Qual é o serviço de um escravo? E responde: Ele afivela os sapatos do senhor, os desata, e os carrega antes dele ao banho. Esta era a maneira com a qual um discípulo devia tratar seu mestre, pois todo o serviço que um escravo deve fazer a seu amo deve realizar o discípulo a exceção de desatar seus sapatos. Por isso, Mateus unicamente não narra este último detalhe em particular, caso que o quarto evangelista traz como palavra do Batista. Pois este último ofício, desatar os sapatos, só poderia ser feito por um escravo cananeu [pagão] não hebreu, já que esse serviço era odioso e extremamente degradante. É assim, como último escravo, que o Batista se considerava diante da figura da qual ele era o arauto e precursor.

O JULGAMENTO: Do qual, a pá em sua mão; e limpará completamente a sua eira e recolherá seu trigo no celeiro; a palha, porém, queimará no fogo inextinguível (12).  Cuius ventilabrum in manu sua et permundabit aream suam et congregabit triticum suum in horreum paleas autem conburet igni inextinguibili. É evidente que este versículo nos introduz numa ação executiva final, complemento de uma avaliação formal sobre a multidão, dividida entre os que representam o trigo [bons] e os indesejáveis ou descartáveis como a palha [maus] que só servem para o fogo e que, neste caso, toma o caráter de inextinguível, cunho que assim recebe também a seleção executada. Com isso, entramos numa visão definitiva e última do mundo: a figura que João designa como mais poderosa é mais do que um profeta, é o dono do mundo, que separará os salvos da ira e deixará que esta se torne justiça com os malvados.

PISTAS:

1) A austeridade é um dos valores mais apreciados em todos os tempos como garantia de um homem de Deus. Mas nem sempre essa é a realidade suprema. No século 13 os cátaros eram muito mais austeros do que os membros oficiais da Igreja. E não obstante estavam errados, porque tem mais importância a verdadeira humildade que nos aproxima de Deus e nos inferioriza diante do próximo. É por esta razão que a austeridade de João é autêntica: ela está a serviço de seu Senhor.

2) O mais importante no homem é sua disposição de se arrepender e mudar de vida diante do evangelho. Radical como este é, hoje também temos muito a confessar como mal feito, ou bem descuidado, e existe, nestes tempos do advento, uma boa chance de conformar a vida com o evangelho. Essa deve ser a nossa metánoia.

3) Nos tempos modernos, temos abandonado o temor e sempre deixamos nosso último destino em mãos de um Deus, que deve absolutamente perdoar qualquer pecado, porque nos consideramos filhos dele, assim como os antigos saduceus e fariseus se consideravam filhos de Abraão. João diz que a única razão de não sermos castigados são os frutos de penitência.

4) Em todo arauto de Cristo, a humildade que vemos em João, é fundamental. Que Ele cresça e que eu diminua (Jo 3, 30) foi o conselho dado pelo Batista aos seus discípulos. E essa deve ser a nossa resposta quando a inveja impede ver o bem que outros fazem em nome de Cristo. Se Ele cresce, que importa que nós diminuamos? Nós que realmente só devíamos ter como amo e senhor o Cristo Jesus, como intentamos a glória pessoal por considerar sermos seus precursores?


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Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje! Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

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