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Índice desta página:
Nota: Cada seção contém Comentário, Leituras, Homilia do Diácono José da Cruz e Homilias e Comentário Exegético (Estudo Bíblico) extraído do site Presbíteros.com

. Evangelho de 02/01/2011 - Solenidade da Epifania do Senhor
. Evangelho de 01/01/2011 - Festa da Santa Mãe de Deus - Maria


Acostume-se a ler a Bíblia! Pegue-a agora para ver os trechos citados. Se você não sabe interpretar os livros, capítulos e versículos, acesse a página "A BÍBLIA COMENTADA" no menu ao lado.

Aqui nesta página, você pode ver as Leituras da Liturgia dos Domingos, colocando o cursor sobre os textos em azul. A Liturgia Diária está na página EVANGELHO DO DIA no menu ao lado.
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02.01.2011
SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR – ANO A
__ "NA IGREJA CRISTO SE REVELA A TODOS OS POVOS"
__

Ambientação:
Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs! Entre todas as orientações que o Concílio Vaticano II encaminhou ou pôs em relêvo, uma das mai simportantes e significativas é indubitavelmente o apelo à unidade fundamental da família humana. A humanidade tende a um universalismo até agora nunca atingido e que produzirá um novo tipo de homem, cuja cultura não será mais limitada à da sua civilização e cujos meios técnicos serão patrimonio de todos. Este dinamismo impressionante é tão característico da esperança contemporânea, que os que manifestam exclusivismo racial, nacional ou cultural são considerados ultrapassados. Visando ao universalismo os povos caminharão à tua luz e sempre haverá uma estrela no céu... Entoemos cânticos ao Senhor!

(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (Is 60,1-6): - "Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor."

SALMO RESPONSORIAL 71(72): - "Eis que vem o Senhor Soberano, * tendo em suas mãos, poder e glória."

SEGUNDA LEITURA (Ef 3, 2-3a.5-6): - "Este mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora."

EVANGELHO (Mt 2,1-12): - "e tu, Belém, terra de Judá,..., de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel"



Homilia do Diácono José da Cruz – SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR – ANO A

"VIMOS A SUA ESTRELA..."

Na Liturgia da igreja, ainda dentro das festividades do natal celebra-se nesse domingo a Festa da Epifania que significa Manifestação de Deus. Há quem pense de maneira bem equivocada, que o cristianismo é um grupo fechado para o qual Jesus se manifestou e se revelou com exclusividade e por conta desse pensamento muitos há que se apossam da salvação como se esta também fosse particular. Há outros ainda mais ousados que tendo séria dificuldade para ser seguidor fiel de Cristo e do seu santo evangelho, procuram adaptá-lo de acordo com suas conveniências ou interesses.

No passado realmente Deus escolheu o povo de Israel em particular para revelar-se porém, chegando a plenitude dos tempos, enviou–nos seu Filho Jesus Cristo que veio trazer a Salvação a toda humanidade e não mais a uma pessoa ou a um grupo em particular.

No evangelho desse domingo, uns magos do oriente, sobre os quais há muitas histórias, viram no céu um sinal e seguindo a estrela chegaram até Jesus na manjedoura. Não conheciam as profecias, eram de outra cultura religiosa, mas assim que viram a estrela no céu, puseram-se a caminho.

Não é de hoje que a humanidade sonha com uma Paz que reúna os homens do mundo inteiro, em uma unidade que não exclua a diversidade, afinal a humanidade tem algo em comum, somos todos filhos e filhas de Deus, irmanados em Jesus, de diferente nacionalidade, cultura, contexto histórico, social e político, mas somos iguais porque Jesus veio para todos.

Ser igual não significa necessariamente um mesmo jeito de rezar, de se relacionar com Deus, um mesmo rito e uma mesma maneira de manifestar a fé, se fosse assim, os magos do oriente não teriam jamais visto o sinal no céu. Quando pensamos na unidade de todos os povos e nações diante de Deus, estaríamos sendo ingênuos se desejássemos uma uniformidade, Deus não nos criou em série, mas temos cada um a nossa identidade própria, em uma diversidade, que longe de ser obstáculo para a unidade, é fator que enriquece e que solidifica a unidade.

O que faz a diferença é a fé, através da qual nos abrimos para Deus na medida em que o buscamos. Deus se manifesta a todos mas a reação de cada homem é diferente. Os poderosos e prepotentes como o Rei Herodes, embora tenham o conhecimento sobre a manifestação de Deus, em vez de se alegrarem, se sentem perturbados com esta manifestação divina, que os levará a rever seus princípios e ideologias. Mas em todos os tempos da nossa história sempre houve pessoas como os magos, que ao menor sinal de Deus, se põe a caminho e ao encontrá-lo na simplicidade da vida, não hesitam em adorá-lo e reconhecê-lo como único Deus e Senhor.

Abrir os cofres significa abrir o coração e a mente para uma compreensão clara de quem é Jesus, pois ouro, incenso e mirra significam a divindade, a realeza e a humanidade de Jesus. Deus é muito simples e está sempre ao alcance de todos, nós é que às vezes complicamos demais, quando queremos inventar fórmulas mirabolantes para se experimentar Jesus em nossa vida.

Os Magos na viagem de volta mudaram o percurso, iluminados pela luz da fé, todo aquele que conhece Jesus e o aceita como Salvador e Senhor, começa a percorrer um outro caminho, que não passa pela ambição dos poderosos e auto suficientes, mas sim pelo sonho dos que acreditam e lutam por um mundo novo, onde embora diferentes, todos os homens se reconheçam como irmãos e irmãs em Jesus, Filhos e Filhas de um mesmo Pai, que os criou para viverem na plenitude do amor.

A Jerusalém envolta em luz e que atrai a si todos os homens de todas as nações, não significa apenas um templo, mas sim uma grande assembléia na qual se insere todos os homens e mulheres de boa vontade, inclusive os pagãos, que como nos ensina o apóstolo Paulo, na graça santificante reconheceram a presença de Deus em Jesus Cristo.

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Rodrigues Costa – SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR – ANO A

Deus, homem e rei!

Nalguns países, é costume que o presente de Natal se receba não no dia 25 de dezembro, mas no dia da Epifania. O presente, além do mais, é trazido não pelo Papai Noel, mas pelos Reis Magos, que também trouxeram presentes ao Menino Jesus. Na Espanha, por exemplo, é assim. É assaz famosa a chamada cavalgada dos reis. Refiro-me à que acontece em Madri, trata-se de uma montagem espetacular: ruas enfeitadas, carros decorados majestosamente para o evento e uma multidão composta de todas as idades, ainda que, sem dúvida, as que mais esperam os reis são as crianças. Na cavalgada, três homens se vestem de reis magos e vão distribuindo a todos os que estão nas ruas madrilenas doces e presentes. Tudo é muito bem preparado e as famílias que vão assistir a cavalgada se divertem à beça.

Vi pela televisão esse espetáculo maravilhoso, ainda que com a má sorte de que exatamente no dia em que eu assistia o evento, uma jornalista me deixou um pouco nervoso. A dita-cuja disse a bobagem de que era preciso acabar com as diferenças machistas distribuindo bonecas aos meninos e carrinhos às meninas. Mas não permiti que esse comentário de meio milímetro de inteligência roubasse o meu entusiasmo pela cavalgada. Ademais, outra jornalista teve o acerto de explicar com uma claridade meridiana o significado dos três presentes que os reis levaram ao Menino Jesus: ouro ao rei, incenso a Deus deitado no presépio, mirra ao homem que morreria.

Jesus é Deus, Homem e Rei. E, nessa sociedade que, entre outras coisas, quer dar bonecas aos meninos e carrinhos às meninas, Jesus quer reinar, deseja a adoração das suas criaturas, quer que os homens e as mulheres valorizem mais o ser humano como tal, que a pessoa humana não pise a própria dignidade.

Como os reis magos, tampouco nós iremos de mãos vazias ao encontro do Senhor; ao contrário, levaremos presentes ao Menino Jesus: a nossa adoração já que ele é Deus; as nossas reparações, que desejamos que estejam simbolizadas na mirra, àquele que morrerá pelos nossos pecados; levaremos ainda os propósitos de viver melhor como homens e como mulheres, como filhos e filhas de Deus, reconhecendo a alta dignidade que recebemos e à qual somos chamados. Alegramo-nos com “profunda alegria” (Mt 2,10) ao ver a estrela de Belém, isto é, ao ver esse Menino que iluminou a nossa vida e nos deu a missão de iluminar a dos outros, não com outra luz, mas com a sua. Efetivamente, com a vinda do Filho de Deus, todos, sem distinção, podem caminhar segundo Deus. Todos somos filhos de Deus, todos somos irmãos.

Nós, os cristãos, temos que manifestar aos outros o sentido das suas próprias vidas a través da consciência e da vivência do autêntico sentido da existência. Todos precisam saber o porquê estão nesse mundo: para amar, adorar e glorificar a Deus, para receber os grandes presentes que o Senhor quis trazer-nos, para vivermos como irmãos. Nós fomos criados para a felicidade. Deus quer que sejamos felizes também aqui na terra e, depois, no céu… para sempre!

São Boaventura afirmava que a estrela que nos conduz a Jesus é triple: “a Sagrada Escritura, que temos que conhecê-la muito bem. A outra estrela é a aquela que sempre nos está facilitando andar pelas sendas de Deus fazendo-nos ver e acertar o caminho, esta estrela é a Mãe de Deus, Maria. A terceira estrela é interior, pessoal, e são as graças do Espírito Santo”. Maria é stella matutina, estrela da manhã, que sempre está apontando para Jesus, para o seu querido Filho.

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético – SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR – ANO A

Nota: Em virtude da não publicação do Comentário Exegético desta data, estamos publicando aqui o Roteiro Homilético.

Roteiro Homilético – SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR – ANO A

RITOS INICIAIS

cf. Mal 3, 1; 1 Cron 19, 12
Antífona de entrada: Eis que vem o Senhor soberano. A realeza, o poder e o império estão nas suas mãos.

Diz-se o Glória.

Introdução ao espírito da Celebração

A Segunda Pessoa da Santíssima Trindade – o Verbo – encarnou para salvar todas as pessoas, sem excepção de raça, nação, cor ou idade. Este chamamento universal à salvação, na à Igreja de Jesus Cristo, é manifestado – Epifania quer dizer manifestação – pela vinda destes homens famosos na ciência e nas virtudes humanas que visitaram Jesus recém-nascido em Belém. Acompanhemo-los em espírito, para adorarmos Jesus que Se fez Menino por nosso Amor.

Preparação penitencial

Aproveitemos esta nossa presença junto de Jesus que preside a esta Celebração para Lhe pedirmos perdão dos nossos pecados e faltas de generosidade, e prometamos emenda de vida. Oração colecta: Senhor Deus omnipotente, que neste dia revelastes o vosso Filho Unigénito aos gentios guiados por uma estrela, a nós que já Vos conhecemos pela fé levai-nos a contemplar face a face a vossa glória. Por Nosso Senhor…

Liturgia da Palavra
Primeira Leitura

Monição: O profeta Isaías dirige-se à cidade de Jerusalém, destruída e humilhada pelos babilónios, para lhe anunciar a restauração que lhe trará o Messias. Ele ilumina a cidade, situada no alto de um monte e, por isso, iluminada pelos primeiros raios de sol, enquanto as multidões, ainda mergulhadas na escuridão da noite, caminham ao seu encontro.

Isaías 60, 1-6
1Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. 2Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina. 3As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora. 4Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão chegar de longe e as tuas filhas são trazidas nos braços. 5Quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. 6Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá; hão-de trazer ouro e incenso e proclamarão as glórias do Senhor.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

O texto canta a glória da Jerusalém renovada, figura da «Jerusalém nova descida do Céu» (cf. Apoc 21, 2.23-24). A visão universalista que o poema apresenta corresponde à realidade da Igreja, que é católica, universal.

3 «As nações caminharão à tua luz, e os reis ao esplendor da tua aurora». Não há dúvida de que se pode adaptar perfeitamente este texto isaiano ao mistério hoje celebrado: os «magos» – este texto terá contribuído para se lhes chamar «reis» –, que seguem a «luz» da estrela, são os pioneiros de entre os povos gentios a acorrer ao encontro do Messias.

6 A menção de povos do Oriente – «Madiã e Efá» –, dos ricos comerciantes de «Sabá», a sul da Arábia (Yémen) e, sobretudo, os produtos que trazem – «ouro e incenso» – fazem lembrar o que nos relata o Evangelho: a vinda dos Magos do Oriente que trazem «oiro, incenso e mirra».

Salmo Responsorial Salmo 71 (72), 2.7-8.10-11.12-13(R. cf. 11)

Monição: Na sequência da profecia de Isaías, proclamada na primeira leitura, o salmo 71 descreve o Reino de Deus como um reino de justiça para os pobres e humildes. Este Reino foi inaugurado pelo nascimento do Salvador, mas há-de chegar à sua plenitude, acolhendo povos de todas as nações. Cantemos, pois, com esperança:

Refrão: Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra.

Ó Deus, concedei ao rei o poder de julgar e a vossa justiça ao filho do rei.
Ele governará o vosso povo com justiça e os vossos pobres com equidade.

Florescerá a justiça nos seus dias e uma grande paz até ao fim dos tempos.
Ele dominará de um ao outro mar, do grande rio até aos confins da terra.

Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes, os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas.
Prostrar-se-ão diante dele todos os reis, todos os povos o hão-de servir.

Socorrerá o pobre que pede auxílio e o miserável que não tem amparo.
Terá compaixão dos fracos e dos pobres e defenderá a vida dos oprimidos.

Segunda Leitura

Monição: S. Paulo fala do plano de salvação que nos trouxe Jesus Cristo, estabelecido pelo Pai, desde toda a eternidade. Agora, este plano foi também revelado aos gentios, e também eles são herdeiros da promessa de Deus.

Efésios 3, 2-3a.5-6
Irmãos: 2Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor: 3apor uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo. Nas gerações passadas, 5ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas: 6os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Nesta passagem de Efésios, S. Paulo define em que consiste o «mistério de Cristo» (v. 4). Os gentios, que vêm à Igreja, estão no mesmo pé de igualdade que os judeus procedentes do antigo povo de Deus: não há lugar para cristãos de primeira e de segunda! O texto original é muito expressivo: os gentios vêm a ser «co-herdeiros» («recebem a mesma herança que os judeus», traduz, parafraseando, o texto português oficial), «com-corpóreos» (isto é, «pertencem ao mesmo Corpo» Místico de Cristo, que é a Igreja una), e «com-participantes na Promessa» («beneficiam da mesma promessa» de salvação). E é este o mistério que também se celebra na Festa da Epifania: Cristo igualmente Salvador de gentios e judeus.

Aclamação ao Evangelho Mt 2, 2

Monição: Brilha diante de nós a estrela da Palavra de Deus, proclamada todas as vezes que participamos na celebração da Eucaristia. Também nós queremos acolhê-la com fé e procurar seguir esta estrela para caminharmos ao encontro do Salvador. Cantemos, pois:

Aleluia
Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorar o Senhor.

Evangelho
São Mateus 2, 1-12

1Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. 2«Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». 3Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. 4Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. 5Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo profeta: 6‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». 7Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. 8Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». 9Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. 10Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. 11Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, caindo de joelhos, prostraram-se diante d’Ele e adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. 12E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

O Evangelho da adoração dos Magos foi objecto das mais belas reflexões teológico-espirituais ao longo da história: já nos fins do séc. II, Tertuliano via nas ofertas dos Magos símbolos do reconhecimento de quem era Jesus: oferecem-lhe «ouro» como Rei, «incenso» como Deus, «mirra» (outra resina aromática, usada na sepultura) como Homem. Santo Ambrósio fixa-se em que os Magos vão por um caminho e voltam por outro, porque regressam melhores, depois do encontro com Cristo. Santo Agostinho vê nos Magos as primitiæ gentium, a par dos pastores que são as primícias dos judeus, etc. Mas ainda hoje os comentadores retomam e actualizam os temas do relato: Cristo como verdadeira luz, o caminho dos pagãos para Cristo, o simbolismo dos presentes, a fé e perseverança dos Magos, a busca do sentido da Escritura e o sentido de procura do caminho, etc..

O próprio relato encerra um grande alcance teológico: Jesus é o verdadeiro «rei» que merece ser procurado e adorado por todos; a Ele acorrem, vindas de longe, gentes guiadas por uma estrela e pela Escritura; ainda menino e sem falar, já divide os homens a favor e contra Ele; a homenagem que Lhe prestam os Magos é a resposta humana ao «Emanuel, Deus connosco»; n’Ele se cumprem as profecias que falavam da vinda de reis e de todos os povos a Jerusalém (Is 60 e Salm 72). Mais ainda, ao nível da própria redacção de Mateus, o relato ilustra a teologia específica do evangelista: sendo este Evangelho dirigido a judeo-cristãos, confrontados com a Sinagoga, que não aceita Jesus, o episódio dos Magos documenta bem a teologia do «messias rejeitado», pois Jesus, logo ao nascer, encontra a hostilidade do poder e a indiferença das autoridades religiosas; é também uma ilustração das palavras de Jesus, «virão muitos do Oriente…» (Mt 8, 11).

Em face de tudo isto, o estudioso não pode deixar de se interrogar se não estaremos perante um teologúmeno, uma criação de Mateus para dar corpo a uma ideia teológica. A verdade é que em toda a tradição cristã se deu grande valor à adoração dos Magos e à festa da Epifania. Se detrás disto não há realidade nenhuma, o significado de tudo fica privado da sua base mais sólida.

Nota sobre a questão da historicidade do relato: A crítica bíblica moderna tem proposto teorias bastante discordantes; por um lado, temos um grupo em que R. E. Brown reúne as objecções que se têm levantado contra a historicidade do relato, que denotam – diz – «uma inverosimilhança intrínseca»: o movimento da estrela de Norte para Sul (Jerusalém – Belém), a sua paragem sobre a casa, a consulta de Herodes aos escribas e sacerdotes, seus inimigos, a indicação de Belém como um dado desconhecido ao contrário de Jo 7, 42, a imperdoável ingenuidade de Herodes que não manda espiar os Magos, o facto de não se ter identificado o menino após a visita de homens de fora a uma pequena povoação, o silêncio de Lucas sobre a visita; estes autores concluem que se trata, então, de uma construção artificial feita com textos do Antigo Testamento. Por outro lado, temos autores mais recentes como R. T. France (The Gospel according to Mathew) que defendem a credibilidade histórica do relato, demonstrando que as dificuldades contra têm solução. Com efeito, embora estejam subjacentes no relato vários textos do A. T., apenas um é citado, podendo mesmo ser suprimido sem interromper o discurso (vv. 5b-6), o que é sinal de que a citação foi acrescentada a um relato preexistente, não sendo a citação a dar origem ao relato. Os pretensos traços duma lenda edificante, ou midraxe hagadá, nada têm de historicamente improvável, fora o caso da estrela que pára sobre a casa, mas já S. João Crisóstomo observava que a estrela não vinha de cima, mas de baixo, pois não era uma estrela natural e não é provável que a Igreja, que bem cedo entrou em conflito com a astrologia, tivesse inventado uma história a favorecê-la. O facto de Herodes não ter mandado espiar os Magos não revela ingenuidade, mas prudência para que os seus guardas não viessem a dificultar a descoberta do Menino, e também uma plena confiança em que os Magos voltassem; finge colaborar com eles, a fim de obter mais dados. Também René Laurentin sublinha a credibilidade histórica de certos pormenores, como a existência de astrólogos viajantes («magos») no Oriente, ou a astúcia e crueldade de Herodes (matou a maior parte das suas 10 mulheres, vários filhos e muitas pessoas influentes na política); e, sobretudo, Mateus revela «sensibilidade histórica», ao não fazer coincidir bem os factos que narra com as citações e alusões ao A. T.: se os factos fossem inventados, teriam sido forjados de molde a que se adaptassem bem às passagens bíblicas (a estrela da profecia de Balaão – Num 24, 17 – não é a estrela que indica o Messias, mas sim o próprio Messias, etc.). Também a propaganda religiosa judaica tinha despertado a expectativa do nascimento do Messias (ver, por ex., a IV écloga de Virgílio) e fervorosos aderentes entre os gentios, o que torna mais compreensível a visita destes estranhos. A. Díez Macho afirma que «a intenção de Mateus é narrar história confirmada com profecias ou paralelos vétero-testamentários», e descobre no episódio do Magos uma grande quantidade de «alusões» ao A. T. (o chamado rémez, figura retórica muito do gosto dos semitas e frequente na Bíblia). Este célebre biblista espanhol (assim também G. Segalla) diz que o fenómeno da estrela pode muito bem corresponder à conjunção de Júpiter e Saturno que se deu na constelação de Peixe, e que teve lugar três vezes no ano 7 a. C., data provável de nascimento de Cristo. Mas a verdade é que não se pode negar o carácter popular do relato, pouco preocupado com o rigor das coisas, pois até dá a entender que a estrela se deslocava de Norte para Sul até parar sobre a casa.

Sugestões para a homilia

A luz de Cristo brilha no rosto da Igreja
Jesus Cristo, alegria do mundo
Jesus Cristo, luz dos nossos olhos
Ajudemo-nos uns aos outros
A lição dos Magos
Um sentido para a vida
Generosidade e espírito de sacrifício
Humildade e perseverança
As nossas dádivas
Docilidade.
Entraram na casa

A luz de Cristo brilha no rosto da Igreja

Isaías dirige a sua profecia à Cidade Santa de Jerusalém, profundamente humilhada e destruída por Nabucodonosor, rei da Babilónia. Anuncia que novos tempos vão surgir para a nova Jerusalém, a Igreja e, por isso, deve abandonar o luto e a tristeza, para se revestir de festa. «Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti glória do Senhor.»

Jesus Cristo, alegria do mundo.

«Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor.» Ele veio trazer-nos a filiação divina que dá sentido a tudo quanto se passa na nossa vida. Em vez do medo, do pessimismo e da tristeza, podemos cantar com verdadeira alegria, como a criança que se abandona ao carinho dos pais.

Sabemos que quando pedimos ao Senhor que nos alivie de uma determinada preocupação, e Ele tarda – segundo nosso modo de ver – a atender-nos, ou procura ajudar-nos a crescer na fé e na intimidade com Ele, ao fazer-nos rezar mais tempo, ou tem outra coisa melhor para nos dar.

Deixemo-nos ganhar por esta alegria de caminhar ao encontro de Jesus Cristo, principalmente em cada Domingo, e agradeçamos ao Senhor o facto de o podermos fazer em inteira paz e liberdade e animados pelo calor de toda a comunidade cristã em que nos encontramos.

Jesus Cristo, luz dos nossos olhos.

«Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos.» A doutrina de Jesus Cristo é a chave para compreender a vida, para encontrar o verdadeiro significado das coisas e dos acontecimentos.

A vinda de Cristo é definitiva e os Seus ensinamentos são imutáveis. Não há os «tempos novos» de que nos falam alguns, como se a Lei de Deus ou algumas verdades da fé tivessem caído em desuso.

Deus convida-nos a caminhar ao encontro desta luz que é Ele mesmo, e isto é um mimo do Senhor e um privilégio para nós. Quantos vivem na escuridão da ignorância, do pecado, porque perderam a fé!

Esta verdade é ainda mais actual em nossos dias. O Senhor disse: «Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.» Sem o coração limpo, vivendo no meio da imundície, a luz da fé apaga-se. Começa-se por abandonar a oração, a participação na Missa Dominical, e lança-se mão da bruxaria e superstição para dar algum significado – falso! – à vida.

Ajudemo-nos uns aos outros.

«Olha em redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro.» Contra esta corrente de egoísmo, as pessoa sentem necessidade de serem úteis aos mais carenciados, e assim se desenvolveu nestes dias o voluntariado.

«Os teus filhos vão chegar de longe e as tuas filhas serão trazidas nos braços.» É uma profecia que nos anima a ajudar os outros a encontrar sentido no que andam a fazer neste mundo, na defesa da vida.

Há uma cena no Antigo Testamento que nos dá a chave do que está a acontecer hoje. Numerosos inimigos, numa grande superioridade, vêm combater o Povo de Deus, no tempo dos juízes.

Deus protege o Seu Povo. De repente, apodera-se o medo dos inimigos, e aquele exército numeroso começa a combater entre si e matam-se uns aos outros. Perante um exército em que não escapou ninguém, os Israelitas não têm necessidade de combater para se livrarem do inimigo.

Hoje assistimos no mundo a um gesto semelhante. Os que se deixaram dominar pelo demónio, matam-se uns aos outros, programando a morte a partir já do seio materno, afastam as pessoas de idade como incómodas. No final, uma grande solidão e tristeza cobre a terra. Acontece sempre isto, quando as pessoas vão contra a vontade de Deus. A Epifania é um hino à luz, à vida, à alegria de viver.

Defendamos a vida e as outras verdades elementares da nossa fé, e tornar-se-á realidade aquilo que cantamos no salmo de meditação: Virão adorar-vos, Senhor, todos os povos da terra!

A lição dos Magos

O Evangelho fala-nos de um grupo de homens valentes que empreenderam uma grande e difícil viagem para visitarem Jesus no presépio.

Não sabemos quantos eram. A tradição fixou-se em três, fundada nos três presentes que ofereceram ao Menino: ouro, incenso e mirra. Mas podiam ser muitos mais, de tal modo que alguns chegam a falar em onze e apontam até o nome de alguns deles.

Nesta deslocação que fazem dão-nos um testemunho de vida que nos anima no meio desta tentação de desleixo e preguiça.

Um sentido para a vida.

Não eram pessoas ignorantes, fáceis de iludir. Observavam os astros e o Senhor manifestou-Se-lhes por um sinal. O Evangelho fala de um astro especial, de uma estrela.

Atentos aos sinais, e talvez porque tinha chegado até eles a promessa da vinda de um Redentor, puseram-se corajosamente a caminho. Talvez tenham vindo de diversos lados e o encontro entre eles se tenha dado ali perto. A estrela junto estes homens. A fé – a estrela – reúne-nos a todos na procura do mesmo Senhor.

Generosidade e espírito de sacrifício.

Não estamos perante uma viagem turística, em que as recordações são preferentemente boas. Foi necessário abandonar a própria casa, empreender uma longa viagem cheia de incertezas e de insegurança – as quadrilhas de ladrões assaltam, de preferência, as pessoas ou grupos onde lhes parece que vão encontrar dinheiro e eles pertenciam a este número. Fazem despesas e submetem-se ao desconforto com que se viajava nessa época.

Humildade e perseverança.

Quis o Senhor experimentá-los com uma prova: a estrela deixou de ser vista. Em que direcção caminhar agora? Não será melhor abandonar este projecto e voltar para trás?

Decidem, então, recolher informações na cidade de Jerusalém. Com o andar das buscas, foram ter ao palácio real, mais em conformidade com a condição social deles.

Pode haver momentos na vida em que nos parece que a vida perdeu todo o sentido, que a oração não tem valor e o esforço para amar a Deus é uma miragem

Quer isto dizer que se ocultou a estrela do nosso ideal. Não nos resta outra solução que a de orar e pedir ajuda a alguém.

Encontramos essa ajuda num conselho de pessoa com boa formação e bom critério e, principalmente, na confissão sacramental. Aí poderá ajudar-nos o sacerdote, com a formação recebida, com a prática que lhe dá o contacto com várias pessoas e, sobretudo, com a graça de estado, recebida no Sacramento da Ordem.

Por fim, esta tenacidade alcançou-lhes a alegria de se encontrarem com Jesus e Nossa Senhora.

As nossas dádivas.

Depois de uma viagem tão longa, de tantos sacrifícios e dúvidas, poderiam estes homens pensar que já tinham feito por Deus – para se encontrarem com Ele – mais do que o necessário.

No entanto sentem ainda a exigência de serem generosos. Lembramo-nos de agradecer ao Senhor a possibilidade de participar neste encontro com Ele em cada Domingo na Santa Missa? Ou não acontecerá que estamos à espera que Deus no-lo agradeça, como se Lhe tivéssemos feito um grande favor, sempre com uma queixa?

Estes homens ofertam ouro – como Rei –, incenso – como Deus – e mirra – como Homem.

Nós podemos ofertar ao Senhor, na Missa de cada Domingo:

– O ouro do nosso trabalho, feito com esmero, de cara alegre, e na harmonia com todos os que estão ligados pelo mesmo empreendimento. O nosso trabalho deve ser obra de Deus.

O donativo que depositamos no cesto, quando se recolhem os dons, é um sinal de gratidão. Damos ao Senhor um pouco daquilo que recebemos pelo nosso trabalho, porque foi Ele quem nos deu as forças para trabalhar.

– O incenso da nossa oração. Acreditamos na sua eficácia e necessidade, para chegarmos à intimidade com o Senhor? E praticamo-la todos os dias, individualmente e em família?

– A mirra dos nossos sacrifícios e cruzes de cada dia. Desde o peso do trabalho, às limitações de saúde, ao feitio das pessoas com quem trabalhamos ou que fazem parte da nossa família, tudo pode ser aproveitado para o nosso grande ofertório do Domingo.

Docilidade.

Estes homens mudam os seus projectos de imagem de regresso. Herodes tinha-lhes pedido que se informassem bem do lugar onde estava Jesus, porque também queria ir adorá-l’O.

Como não o conheciam nem sabiam das suas intenções, um anjo veio avisá-los em sonho, para que saíssem em segredo e fossem por outro caminho que não passasse em Jerusalém.

E da estalagem onde, certamente, se hospedaram, depois da visita ao Menino, seguiram contentes para suas casas.

Devemos estar atentos ao que O Senhor nos pede, porque será necessário, muitas vezes, mudar os projectos. A doença de um filho ou de outro familiar comprometeu as férias, ou impossibilitou um passeio de Domingo, Por que havemos e encarar sempre com má cara aquilo que nos exige mudar de planos?

«Entraram na casa, viram o Menino com Sua Mãe e, caindo diante de joelhos, prostraram-se diante d’Ele e adoraram-n’O.»

Duas coisas chamam a nossa atenção:

– José não estava lá. Logicamente, estaria a trabalhar, ganhando o sustento para a Sagrada Família.

– Entraram na casa. Jesus e Maria já não estavam na gruta. José não era homem para esperar que Deus, com milagres, lhe resolvesse os problemas e, por isso, procurou melhorar a situação da família.

Ora e trabalha, deve ser o nosso lema, levando para a Celebração da Eucaristia de cada Domingo o nosso ofertório, como resposta ao Senhor que Se nos dá.

Fala o Santo Padre

«Na adoração dos Magos, se começou a realizar a adesão dos povos pagãos à fé em Cristo.»

Queridos irmãos e irmãs!

A hodierna solenidade da Epifania celebra a manifestação de Cristo aos Magos, acontecimento a que Mateus dá grande relevo (cf. Mt 2, 1-12). Narra no seu Evangelho que alguns «Magos» provavelmente chefes religiosos persas chegaram a Jerusalém guiados por uma «estrela», um fenómeno luminoso celeste por eles interpretado como sinal do nascimento de um novo rei dos Judeus. Na cidade ninguém estava ao corrente, aliás, o rei reinante, Herodes, permaneceu muito perturbado com a notícia e concebeu o trágico desígnio do «massacre dos inocentes», para eliminar o rival acabado de nascer. Os Magos, ao contrário, confiaram nas Sagradas Escrituras, sobretudo na Profecia de Miqueias segundo a qual o Messias teria nascido em Belém, a cidade de David, situada a cerca de dez quilómetros a sul de Jerusalém (cf. Mq 5, 1). Tendo partido naquela direcção, viram de novo a estrela e, cheios de alegria, seguiram-na até quando ela parou sobre uma cabana. Entraram e encontraram o Menino com Maria; prostraram-se diante d’Ele e, como homenagem à sua dignidade real, ofereceram-lhe ouro, incenso e mirra.

»Vimos a sua estrela no oriente e viemos para adorar o Senhor» (Aclamação ao Evangelho, cf. Mt 2, 2). O que nos surpreende sempre, ao ouvir estas palavras dos Magos, é que eles se prostaram em adoração diante de um simples menino nos braços da sua mãe, não no quadro de um palácio real, mas na pobreza de uma cabana em Belém (cf. Mt 2, 11). Como foi possível? Que convenceu os Magos que aquele menino era «o rei dos Judeus» e o rei dos povos? Certamente persuadiu-os o sinal da estrela, que eles tinham visto «surgir» e que tinha parado precisamente ali onde se encontrava o Menino (cf. Mt 2, 9). Mas também a estrela não teria sido suficiente, se os Magos não fossem pessoas intimamente abertas à verdade. Ao contrário do rei Herodes, tomado pelos seus interesses de poder e de riquezas, os Magos propendiam para a meta da sua busca, e quando a encontraram, mesmo sendo homens cultos, comportaram-se como os pastores de Belém: reconheceram o sinal e adoraram o Menino, oferecendo-lhe os dons preciosos e simbólicos que tinham levado consigo.

Por que é tão importante este acontecimento? Porque nele se começou a realizar a adesão dos povos pagãos à fé em Cristo, segundo a promessa feita por Deus a Abraão, sobre a qual refere o Livro do Génesis: «Todas as famílias da Terra serão em ti abençoadas» (Gn 12, 3). Portanto, se Maria, José e os pastores de Belém representam o povo de Israel que acolheu o Senhor, os Magos são ao contrário as primícias das Nações, chamadas também elas a fazer parte da Igreja, novo povo de Deus, baseado não já na homogeneidade étnica, linguística ou cultural, mas unicamente na fé comum em Jesus, Filho de Deus. Portanto, a Epifania de Cristo é ao mesmo tempo epifania da Igreja, isto é, manifestação da sua vocação e missão universal. […]

Queridos irmãos e irmãs, detenhamo-nos também nós idealmente diante do ícone da adoração dos Magos. Ele contém uma mensagem exigente e sempre actual. Exigente e sempre actual antes de tudo para a Igreja que, espelhando-se em Maria, está chamada a mostrar Jesus aos homens, nada mais do que Jesus. De facto, Ele é o Tudo e a Igreja existe unicamente para permanecer unida a Ele e dá-Lo a conhecer ao mundo. […]

Bento XVI, Vaticano, 6 de Janeiro de 2007

Liturgia Eucarística

Oração sobre as oblatas: Olhai com bondade, Senhor, para os dons da vossa Igreja, que não Vos oferece ouro, incenso e mirra, mas Aquele que por estes dons é manifestado, imolado e oferecido em alimento, Jesus Cristo, vosso Filho, Nosso Senhor, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Prefácio da Epifania: p. 460 [592-704]

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Nas Orações Eucarísticas II e III faz-se também a comemoração própria.

Santo: J. Santos, NRMS 6 (II)

Saudação da Paz
Jesus Cristo é anunciado, ao longo do Antigo testamento, como o Príncipe da Paz. A paz só se consegue pelo amor de Deus em todas as suas formas. Procuremos viver na unidade e reconciliação, caminhos da verdadeira paz. Saudai-vos na paz de Cristo!

Monição da Comunhão
O Senhor, depois de nos ter iluminado com a Sua Palavra, convida-nos agora – se estamos devidamente preparados – a recebê-l’O, vivo e real, como estava no Presépio, na Sagrada Comunhão. Revistamo-nos da fé, amor e devoção de Maria Santíssima, para nos aproximarmos d’Ele com o Seu agrado.

Antífona da comunhão: Vimos a sua estrela no Oriente e viemos com presentes adorar o Senhor.

Cântico de acção de graças: A minha alma louva, M. Carneiro, NRMS 76

Oração depois da comunhão: Iluminai-nos, Senhor, sempre e em toda a parte com a vossa luz celeste, para que possamos contemplar com olhar puro e receber de coração sincero o mistério em que por vossa graça participámos. Por Nosso Senhor…

Ritos Finais

Monição final À imitação dos Reis Magos que, no regresso, terão anunciado aos familiares, amigos e conhecidos, o grande tesouro que encontraram em Belém, levemos também às pessoas com quem partilharmos a vida durante a semana, a notícia de que Jesus Cristo já veio e a todos nos espera.

Homilias Feriais

SEMANA DEPOIS DA EPIFANIA

2ª feira, 7-I: A primeira mensagem de Cristo: A conversão.

1 Jo 3, 22- 4, 6 / Mt 4, 12-17. 23-25
A partir de então, Jesus começou a dizer: Arrependei-vos, pois o Reino de Deus está próximo.

É esta a primeira mensagem de Jesus Cristo, ao começar o seu ministério público. «A primeira obra da graça do Espírito Santo é a conversão, que opera a justificação, segundo a mensagem de Jesus no princípio do Evangelho. ‘Convertei-vos, que está perto o Reino dos Céus’ (Ev)» (CIC, 1989). A conversão exige uma renúncia ao pecado e ao que é incompatível com os ensinamentos de Cristo (é o Anticristo: cf. Leit); e pede um regresso sincero a Deus, com o auxílio da graça.

3ª feira, 8-I: O amor de Deus para connosco.

1 Jo 4, 7-10 / Mc 6, 34-44
Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, foi Ele que nos amou e enviou o seu Filho.

O Verbo fez-se carne para que assim pudéssemos conhecer o amor de Deus: «Assim se manifestou o amor de Deus para connosco: Deus enviou ao mundo o seu Filho unigénito, para que vivamos por Ele» (Leit). E esse amor manifesta-se na compaixão que Ele tem pelos nossos problemas, de ordem espiritual: «começou a instrui-los demoradamente»; e de ordem material: o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes. Este milagre prefigura já uma das maiores manifestações de amor: a Eucaristia.

4ª feira, 9-I: Um segredo íntimo de Deus.

1 Jo 4, 11-18 / Mc 4, 35-41
Deus é amor: quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele.

S. João afirma que «a própria essência de Deus é o Amor. Ao enviar, na plenitude dos tempos, o seu Filho único e o Espírito do Amor, Deus revela o seu segredo mais íntimo» (CIC, 221). Este amor será perfeito em nós se amamos o próximo; se tivermos muita confiança em Deus; se não nos deixarmos vencer pelo medo (cf. Leit). Medo tiveram os discípulos, quando apareceu a tempestade: Sou Eu, não temais (Ev). Esta é igualmente uma verdade essencial: Jesus é a nossa segurança.

5ª feira, 10-I: A causa do endurecimento do coração.

1 Jo 4, 19- 5, 4 / Lc 4, 14-22
É este o mandamento que recebemos dele: quem ama a Deus, ame igualmente o seu irmão.

«O amor, como o Corpo de Cristo, é indivisível: nós não podemos amar a Deus, a quem não vemos, se não amarmos o irmão ou a irmã, que vemos (cf. Leit). Recusando perdoar os nossos irmãos ou irmãs, o nosso coração fecha-se, a sua dureza torna-o impermeável ao amor misericordioso do Pai» (CIC, 2840. Aqui está uma explicação possível do endurecimento do nosso coração: a recusa de compreender, de desculpar os nossos irmãos e, como consequência, a ficar impenetrável às graças de Deus. Melhoremos o nosso relacionamento com aqueles com quem convivemos.

6ª feira, 11-I: O pecado e as doenças.

1 Jo 5, 5-6. 8-13 / Lc 5, 12-16
Jesus estendeu a mão e tocou-lhe, dizendo: Quero, fica curado.

Jesus fica comovido com o sofrimento do leproso (cf. Ev), mas não cura todos os doentes. As curas eram apenas um sinal de uma cura mais radical: a vitória sobre o pecado e a morte: «Na cruz, Cristo tomou sobre si todo o peso do mal e tirou o pecado do mundo, do qual a doença não é mais do que uma consequência» (CIC, 1505). «E, pela sua paixão e morte na cruz, Cristo deu um novo sentido ao sofrimento: desde então este pode configurar-nos com Ele e unir-nos à sua paixão redentora» (CIC, 1505).

Sábado, 12-I: O pecado mortal e o pecado venial.

1 Jo 5, 14-21 / Jo 3, 22-30
Se alguém vir seu irmão cometer um pecado que não leva à morte… Há um pecado que leva à morte.

«Os pecados devem ser julgados segundo a sua gravidade. A distinção entre pecado mortal e venial já perceptível na Escritura (cf. Leit), impôs-se na Tradição da Igreja. A experiência dos homens corrobora-a» (CIC, 1854). Sabemos que o mundo inteiro está sob o poder do Maligno (cf. Leit). Por isso, durante toda a nossa vida travaremos um grande combate: «Um duro combate contra os poderes das trevas atravessa toda a história dos homens… Empenhado nesta batalha, o homem vê-se na necessidade de lutar sem descanso para aderir ao bem» (GS, 37).

Celebração e Homilia: Fernando Silva
Nota Exegética: Geraldo Morujão
Homilias Feriais: Nuno Romão
Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha
Fonte: Celebração  Litúrgica


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01.01.2011
SOLENIDADE DE SANTA MÃE DE DEUS, MARIA – ANO A
__ "MARIA DÁ AO MUNDO CRISTO, NOSSA PAZ"
__

Ambientação:
Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs! Na oitava do Natal se celebra a festa de "Maria, Mãe de Deus". Na verdade, as leituras bíblicas põem a tônica no "filho de Maria" e no "Nome do Senhor", mais do que em Maria. De fato, a antiga benção sacerdotal é ritmada pelo nome do Senhor, repetido no início de cada versículo; o texto de São Paulo acentua a obra da libertação e salvação realizada por Cristo, na qual é engastada a figura de Maria, graças à qual o Filho de Deus pôde vir ao mundo como verdadeiro homem; o evangelho termina com a imposição do nome de Jesus, enquanto Maria participa em silêncio do mistério deste Filho nascido de Deus. Entoemos cânticos ao Senhor!

(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)

PRIMEIRA LEITURA (Nm, 6,22-27): - "O Senhor te abençoe e te guarde! 25O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti!"

SALMO RESPONSORIAL 66(67): - "Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção, sua graça e sua bênção."

SEGUNDA LEITURA (Gl 4,4-7): - "Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei."

EVANGELHO (Lc 2,16-21): - "Maria, guardava todos estes fatos e meditava sobre eles em seu coração."



Homilia do Diácono José da Cruz – SOLENIDADE DE SANTA MÃE DE DEUS, MARIA – ANO A

"BÊNÇÃO E PAZ!"

A Igreja celebra em todo dia primeiro de ano a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, onde a primeira leitura nos apresenta a chamada “Bênção de Aarão” que traz uma tríplice invocação de Deus, precedida de uma ação.

Para o homem bíblico, bênção tinha muitos significados e há correntes religiosas que em nossos dias ainda vê a bênção dentro desses conceitos do Antigo Testamento, o que é perigoso, pois pode gerar uma distorção nos ensinamentos básicos do Cristianismo, transmitidos por Jesus.

Bênção não é uma superproteção divina para alguns privilegiados, nem tão pouco aumento de patrimônio e conquista de riqueza, porque nesse caso, o homem Jesus de Nazaré seria o mais rico que já pisou nessa terra e seu nome estaria evidentemente relacionado entre as maiores fortunas do mundo, e Jesus também não teria proclamado que os pobres e pequenos são os prediletos no Reino de Deus.

A bênção também não é um amuleto de sorte ou uma fórmula mágica para se fazer uso quando algo dá errado em nossa vida. Na verdade, bênção é todo bem que desejamos e que Deus quer nos dar, não porque sejamos merecedores, mas porque a sua misericórdia nos concede gratuitamente.

E qual é o maior bem que podemos desejar? O mundo responde que é o “ter” e o “poder”, porém, infeliz do homem que assim pensar. A segunda leitura dessa liturgia nos dá a resposta e nos leva ao coração de Deus porque fala da bênção na sua essência, pois o Bem mais supremo e a maior de todas as bênçãos que Deus nos concede é Jesus Cristo, que nos transforma de escravos, porque éramos devedores de Deus, em filhos, herdeiros da sua graça!

É exatamente nesse ato da bondade divina que se concretiza a bênção de Aarão – Em Cristo, Deus nos guarda, nos mostrou a sua face, concedeu-nos a sua graça, voltou para nós o seu olhar e nos concedeu a verdadeira Paz.

E quem é portador dessa bênção? São pessoas especiais, dotadas de poderes sobrenaturais? O evangelho de Lucas, que narra alguns episódios da infância de Jesus, nos mostra que é portador dessa bênção, quem crê e vive essa grande esperança chamada Jesus. A narrativa coloca em realce Maria e os pastores, que eram pessoas simples do meio do povo. Os pastores viviam isolados em suas aldeias próximas a pastagem e não tinham acesso ao sistema religioso, porque sua conduta não era das melhores já que tinham fama de mentirosos e violentos. Maria é de um vilarejo pobre, Nazaré, que em nada poderia contribuir para alguma mudança na humanidade. É no coração dessas pessoas, excluídas do sistema religioso e econômico, que Deus age.

O poder religioso da época jamais admitiria que Jesus fosse o Messias prometido; já os pastores, ao ouvirem o anúncio na noite santa, puseram-se a caminho. Lucas gosta da palavra “pressa” (ele a utiliza para Maria, na visita a sua prima Isabel: Maria foi às pressas...) e nesse domingo novamente menciona que os pastores foram as pressas... Ter pressa nos sugere movimentos feitos com rapidez, mostrando-nos assim que o anúncio da Boa Nova requer certo dinamismo, uma ação eficiente e objetiva.

Quando o nosso agir emana da fé, nossas atitudes e palavras provocam admiração; porém, o verdadeiro anunciador da Boa Nova jamais aponta para si mesmo, mas para o “outro”. A admiração das pessoas é porque vê nos pastores o agir de Deus, é Ele quem causa admiração. As pessoas na verdade descobrem Deus no agir de quem o anuncia. Essa ação de Deus em nossa vida, nem sempre pode ser explicada, pois a fé é por si um mistério. Há muita gente que quando depara com o mistério em sua vida,  e não consegue explicação lógica para certos acontecimentos , acabam desistindo de viver a fé.

O texto dá a entender que Maria e José se admiraram das coisas que os pastores anunciaram. Maria é por excelência a portadora de Jesus para o mundo, mas não sabe tudo e vai descobrindo a verdade aos poucos, sabendo reconhecer Deus nas palavras daqueles homens rudes. Por isso, ela guardava todas essas coisas no coração.

A exemplo de Maria e dos pastores, louvemos e glorifiquemos a Deus, adorando-o no mais íntimo do nosso ser a cada dia de nossa vida, e neste primeiro dia do ano rezemos como o salmista “Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção”. Amém.

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Rodrigues Costa – SOLENIDADE DE SANTA MÃE DE DEUS, MARIA – ANO A

A meditação da Mãe

Você conhece a história da tia Teca?

Era uma vez tia Teca. Era uma mulher muito simples, que vendia verduras na vizinhança. Certo dia, Tia Teca, conhecida por todos, foi vender suas verduras na casa de um senhor e lá perdeu o Terço, no jardim da casa dele.

Passados alguns dias, tia Teça, voltou novamente a casa daquele senhor, que começou a zombar dela. Dizia ele: “você perdeu seu Deus?”. Ela humildemente respondeu: “Eu? Perder o meu Deus? Nunca”. Então, aquele senhor pegou o Terço e lhe disse: “não é este o seu Deus?” Ela, muito contente, respondeu: “Graças a Deus, você encontrou o meu terço. Muito obrigada”. E ele continuou: “por que você não troca este cordão com estas sementinhas pela Bíblia?” Ela disse: “por que eu não sei ler a Bíblia e com o terço eu medito toda a Palavra de Deus e a guardo no meu coração”. Com curiosidade, aquele homem lhe perguntou: “Medita a Palavra de Deus? Como assim? Poderia me dizer?”. “Posso sim, respondeu tia Teca pegando o Terço. Quando eu tenho a cruz em minhas mãos, lembro-me que o Filho de Deus derramou todo seu sangue, pregado numa cruz, para salvar a humanidade. Essa primeira conta grossa, me lembra de que há um só Deus Onipotente. Essas três contas pequenas me recordam as três Pessoas da Santíssima Trindade: Pai e Filho e Espírito Santo. Esta outra conta grossa faz lembrar-me da oração que o Senhor mesmo nos ensinou, que é o Pai-nosso. O Terço tem cinco mistérios, que são uma recordação das cinco chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, cravado na Cruz. Cada mistério tem dez Ave-Marias, que me fazem lembrar os Dez Mandamentos, que o Senhor mesmo escreveu nas Tábuas de Moisés. O Rosário de Nossa Senhora tem vinte mistérios: cinco gozosos, cinco luminosos, cinco dolorosos e cinco gloriosos. De manhã, quando me levanto para iniciar a minha luta do dia-dia, eu rezo os Mistérios Gozosos, lembrando-me do humilde lar de Maria de Nazaré. Ao meio-dia no meu cansaço e fadiga do trabalho, eu rezo os Mistérios Dolorosos, que fazem lembrar a dura caminhada de Jesus Cristo para o Calvário. Nessa caminhada, é necessária a luz de Deus, os Mistérios Luminosos concedem-me essa luz para prosseguir. E, quando chega o final do dia com as lutas vencidas, eu rezo os Mistérios Gloriosos, que me recordam a vitória de Jesus sobre a morte. E agora, diga-me: onde está a idolatria?” Ele, depois de ouvir tudo isso, respondeu à tia Teca: “Eu não sabia disso, tia Teca, por favor, ensina-me a rezar o terço”.

Vamos conceder que o homem da nossa historinha, apesar da sua chatice inicial era um gentleman, era um homem nobre e sabia reconhecer que tinha se equivocado. Quando uma pessoa despois de errar, reconhece o seu erro, deveríamos aplaudi-la. Essa pessoa é nobre, é uma alma fina.

Maria Santíssima é uma boa mãe que em tudo procura a honra do Filho. Nunca foi, nem será a intenção de Maria roubar glória a Deus. Ela sempre foi a serva fiel que apontou o caminho de Deus a tantas pessoas, e seguirá realizando esse trabalho. Ela é estrela da evangelização!

A Escritura diz que “Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração” (Lc 2,19) e que “sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração” (Lc 2,51). Maria, Mãe de Deus – porque Jesus é Deus – pensava e repensava nos acontecimentos da história da salvação, da qual o seu Filho é o centro e ela está profundamente inserida. A meditação de Maria é uma meditação de Mãe, ela pensa no seu Filho continuamente. E como bem se sabe, as mães tem uma espécie de sexto sentido.

Não faz muito tempo, um jovem rapaz teve que ficar cuidando da sua sobrinha de tão somente dois anos enquanto a sua irmã ia ao supermercado. No começo, tudo ia muito bem: ele fazia coisas engraçadas e a criaturinha ria, ele inventava joguinhos e a pequena se divertia, ele pulava feito um macaco e a menina dava gargalhadas. O tempo foi passando e mãe da criatura ia tardando. Acabaram-se todas as artimanhas daquele tio desejoso de fazer feliz a sobrinha. Num certo momento, a pequena olhou para o tio, fez cara de choro e abriu a bocarra, ou melhor, boquinha, e chorou a gritos. O jovem tio ficou desconcertado, procurou consolar a sobrinha desconsolada e… nada! Perguntava-se o nosso jovem de onde saia tanta potência para gritar e tanta água para chorar de uma criatura tão pequena. Estando na lida para procurar calar a sobrinha, toca a campainha. O nosso jovem quase reza para que seja a sua irmã de volta. E era! Mas quando a pequena viu a mãe, em vez de calar-se e correr para os seus braços, chorou com mais veemência. A mãe, no entanto, olhou para a criaturinha, observou com carinho e disse: “ah, já sei, você quer um biscoito”. Deu o biscoito e choro cessou. O tio, do outro lado, se perguntava: “como é que eu fui tão tonto? Era só isso? Um simples biscoito?”

As mães intuem, sabem, tem o sentido mais profundo da realidade. Nossa Senhora é especializada na vida de Jesus. Ela é mãe. Peçamos a ela que nos ensine através do rosário, que é meditação do que aconteceu com o Filho de Deus e Filho de Maria. Aprendamos também com a Tia Teca!

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Roteiro Homilético – SOLENIDADE DE SANTA MÃE DE DEUS, MARIA – ANO A

Nota: Em virtude da não publicação do Comentário Exegético desta data, estamos publicando aqui o Roteiro Homilético.

RITOS INICIAIS

Antífona de entrada: Salve, Santa Mãe, que destes à luz o Rei do céu e da terra.

Ou: cf. Is 9, 2.6; Lc 1, 33

Hoje sobre nós resplandece uma luz: nasceu o Senhor. O seu nome será Admirável, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz. E o seu reino não terá fim.

Diz-se o Glória.

Introdução ao espírito da Celebração

Ao saudarmos as pessoas de família, amigas e conhecidas, neste primeiro dia, desejamos-lhe um bom Ano Novo. Também a Igreja o quer para nós e, por isso, convida-nos a percorrê-lo guiados e conduzidos por Nossa Senhora, como filhos pequeninos, pela mão da sua mãe. Ela tem por missão guiar-nos, porque é Mãe Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem e, por isso, nossa Mãe também.

Acto penitencial

Nesta encruzilhada da vida, em que um ano acaba e outro começa, vemos certamente que nem tudo, no ano que findou, correu à medida dos nossos desejos e, muito, menos, segundo os desejos do Senhor. Num breve exame de consciência, encontramos passos mal dados, erros e omissões. De tudo isto peçamos humilde mente perdão ao Senhor, confiados na Sua misericórdia infinita. Oração colecta: Senhor nosso Deus, que, pela virgindade fecunda de Maria Santíssima, destes aos homens a salvação eterna, fazei-nos sentir a intercessão daquela que nos trouxe o Autor da vida, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Liturgia da Palavra
Primeira Leitura

Monição: O Senhor ensina a Moisés, seu irmãos Aarão e aos seus descendentes, as palavras com que hão-de abençoar o Povo de Deus. A invocação desta bênção equivale à renovação da Aliança. Na tríplice bênção podemos ver, depois da luz do Novo testamento, uma alusão velada ao mistério da Santíssima Trindade.

Números 6, 22-27
22O Senhor disse a Moisés: 23«Fala a Aarão e aos seus filhos e diz-lhes: Assim abençoareis os filhos de Israel, dizendo: 24‘O Senhor te abençoe e te proteja. 25O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. 26O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz’. 27Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel e Eu os abençoarei».
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

24-26 Esta é uma bênção própria da liturgia judaica, ainda hoje usada. É tripla e crescente: com três palavras a primeira; com 5 palavras e com 7 as seguintes (no original hebraico). A tríplice invocação do Senhor, faz-nos lembrar a bênção da Igreja, em nome das Três Pessoas da SS. Trindade.

Quando, ao começar o ano civil, nos saudamos desejando Ano Novo feliz, aqui temos as felicitações, isto é, as bênçãos que o Senhor – e a Igreja – nos endereça.

Salmo Responsorial Salmo 66 (67), 2-3.5.6 e 8 (R. 2a)

Monição: Israel usava este Salmo para agradecer a colheita de um ano e pedir novas bênçãos para o futuro. É, pois, uma oração muito apropriada para este primeiro dia do ano em que desejamos agradecer ao Senhor todos os benefícios recebidos durante o ano que findou e imploramos novas bênçãos para o ano que dá os primeiros passos.

Refrão: Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção.

Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção,resplandeça sobre nós a luz do seu rosto.
Na terra se conhecerão os seus caminhos e entre os povos a sua salvação.

Alegrem-se e exultem as nações, porque julgais os povos com justiça
e governais as nações sobre a terra.

Os povos Vos louvem, ó Deus, todos os povos Vos louvem.
Deus nos dê a sua bênção e chegue o seu temor aos confins da terra.

Segunda Leitura

Monição: S. Paulo explica aos cristãos da Galácia o mistério da Redenção. Quando chegou a hora planeada por Deus, o Pai enviou o Seu Filho para nos salvar, assumindo a natureza humana e nascido de uma Mulher. Devemos ao sim de Maria na Anunciação, pelo qual ela se tornou Mãe de Deus, a nossa felicidade de sermos filhos de Deus, e podermos tratar a Deus por Pai, Abba! (Papá).

Gálatas 4, 4-7
Irmãos: 4Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, 5para resgatar os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar seus filhos adoptivos. 6E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: «Abbá! Pai!». 7Assim, já não és escravo, mas filho. E, se és filho, também és herdeiro, por graça de Deus.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

O texto escolhido para hoje corresponde à única vez que S. Paulo, em todas as suas cartas, menciona directamente a Virgem Maria. Não deixa de ser interessante a alusão à Mãe de Jesus, sem mencionar o pai, o que parece insinuar a maternidade virginal de Maria.

5 Segundo o pensamento paulino, Cristo, sofrendo e morrendo, satisfaz as exigências punitivas da Lei, que exigia a morte do pecador; assim «resgatou os que estavam sujeitos à Lei» e mereceu-nos vir a ser filhos adoptivos de Deus. O Natal é a festa do nascimento do Filho de Deus e também a da nossa filiação divina.

6 «Abbá». Porque somos realmente filhos de Deus, podemos dirigirmo-nos a Ele com a confiança de filhos pequenos e chamar-Lhe, à maneira das criancinhas: «Papá». «Abbá» é o diminutivo carinhoso com que ainda hoje, em Israel, os filhos chamam pelo pai (abbá). S. Paulo, escrevendo em grego e para destinatários que na maior parte não sabiam hebraico, parece querer manter a mesma expressão carinhosa e familiar com que Jesus se dirigia ao Pai, a qual teria causado um grande impacto nos próprios discípulos, porque jamais um judeu se tinha atrevido a invocar a Deus desta maneira; esta é a razão pela qual a tradição não deixou perder esta tão significativa palavra original de Jesus.

Aclamação ao Evangelho Hebr 1, 1-2

Monição: Depois de nos ter falado muitas vezes por meio dos profetas, nestes tempos novos que nos é dado viver, o Pai falou-nos pelo Seu próprio Filho. Abramos o coração para acolher a Palavra de Deus e para a seguir na vida com fidelidade.

Aleluia! Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais pelos Profetas. Nestes dias, que são os últimos, Deus falou-nos por seu Filho.

Evangelho
São Lucas 2, 16-21

Naquele tempo, 16os pastores dirigiram-se apressadamente para Belém e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. 17Quando O viram, começaram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino. 18E todos os que ouviam admiravam-se do que os pastores diziam. 19Maria conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração. 20Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado. 21Quando se completaram os oito dias para o Menino ser circuncidado, deram-Lhe o nome de Jesus, indicado pelo Anjo, antes de ter sido concebido no seio materno.
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Texto na maior parte coincidente com o do Evangelho da Missa da Aurora do dia de Natal (ver notas supra).

21 Repetidas vezes se insiste em que o nome de Jesus é um nome designado por Deus: o nome, etimologicamente, significa aquilo que Jesus é na realidade, «Yahwéh que salva».

Sugestões para a homilia

Ao colocar no calendário litúrgico a solenidade da Maternidade Divina de Nossa Senhora, a Igreja assegura-nos as bênçãos e protecção d’Aquela que, sendo Mãe de Deus, é também nossa Mãe.

Mãe de Jesus
A maternidade é uma das maiores maravilhas que Deus criou sobre a terra. Pode realizar-se de dois modos: fisicamente, concebendo uma criança e dando-a à luz; e espiritualmente, pela virgindade por amor do Reino dos Céus. Maria reúne em si estes dois ideais: é Virgem – ao conceber Jesus, ao dá-l’O à luz e durante o resto da vida – e Mãe. O dom da maternidade. A mãe é uma fonte inesgotável de amor, de carinho e de generosidade. É também para os filhos uma promessa de segurança para todas as horas; a conselheira dos momentos difíceis; e aquela que nunca perde a esperança perante a doença ou outro qualquer mal de um filho, mesmo quando todos os outros já a perderam. O filho, desde o primeiro momento da sua existência no seio materno, fica na total dependência dela. Confia-se inteiramente aos seus braços e sente junto dela uma especial segurança, talvez pela experiência inconsciente vivida nos primeiros dias da sua vida.
(O demónio procura destruir a figura da mãe pelo aborto e pelas tristes notícias que a Comunicação Social nos traz, tentando apagar a beleza que o Senhor deixou ao criá-la).

Maria, Mãe de Jesus.
Deus quis ter na terra uma Mãe e confiou-Se ao seu carinho, na Sua vida na terra. Escolheu-A e enriqueceu-A com todos os dons. (Que faria cada um de nós se pudesse dar à sua mãe tudo quanto deseja?) Fê-l’A Imaculada desde a sua Conceição, ou seja, ilibou-A de toda a mancha do pecado original e encheu-A de graça santificante; preservou-A de toda a mancha durante a sua caminhada na terra; elevou-A gloriosa ao Céu em corpo e alma. Entregou nas suas mãos maternais todos os tesouros que nos deseja conceder. Tudo o que nos vem do Céu passa pela sua oração e pelas suas mãos. Concede-lhe tudo o que Ela pede para nós, porque Maria conforma-se inteiramente com a vontade de Deus a nosso respeito. A Igreja invoca-A como a omnipotência suplicante. A maternidade divina de Maria foi revelada por Deus. O Arcanjo S. Gabriel diz-lho claramente: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra. Por isso, o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus» (Lc 1, 35). Isabel exclama, ao receber o seu abraço de felicitações: «Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 43). Também um grupo de mulheres que ouviam a pregação de Jesus A aclamaram como Mãe d’Ele: «Bendito o ventre que Te trouxe e os peitos que Te amamentaram». (Lc 11, 27). Por isso, quando um herege levantou a voz para negar esta verdade de fé, a Igreja reuniu o Concílio de Éfeso e proclamou a maternidade divina de Maria, enchendo de alegria todo o povo. Conta-nos S. Cirilo de Alexandria : «todo o povo da cidade de Éfeso, desde as primeiras horas da manhã até à noite, permaneceu ansioso à espera da resolução… Quando se soube que o autor das blasfémias tinha sido deposto, todos ao mesmo tempo começamos a glorificar a Deus e a aclamar o Sínodo, porque tinha caído o inimigo da fé. Apenas saídos da igreja, fomos acompanhados com tochas a nossas casas. Era de noite: toda a cidade estava alegre e iluminada:» (S. Cirilo de Alexandria, Epistolæ XXIV (PG 77, 138).

Maternidade dolorosa.
Jesus pesou nos braços e no coração da Sua Mãe mais do que qualquer outro filho, para lhe dar a possibilidade de se enriquecer de merecimentos.
– Sofreu com a agonia de José que não compreendia o mistério da sua maternidade virginal, até que um Anjo o esclareceu em sonhos.
– Fugiu apressadamente para o Egipto, livrando Jesus da morte programada por Herodes, conhecendo o desconforto e a escassez do exílio.
– Procurou, aflita, com José, durante três dias, o Menino que ficara no templo, por vontade do Pai.
– Viu-O partir para a Vida Pública, remetendo-se , possivelmente, à situação de viúva sozinha.
– Sofreu na Paixão de Jesus, ao vê-l’O morrer insultado pelos homens, e sem que A deixassem guardar, como recordação, as vestes do Filho.
– Viu-se forçada a fugir de Jerusalém para o estrangeiro, por causa da perseguição aos primeiros cristãos.

Maria, nossa Mãe
Quando aceitou ser Mãe de Jesus, Maria acolheu-nos a todos como nossa Mãe. Uma verdade de fé. Pelo Baptismo fomos intrinsecamente transformados, tornámo-nos «nova criatura», animados pela vida de Deus – a graça santificante – e membros do Corpo de Jesus Cristo. Deste modo, participamos na sua mesma vida.
– Jesus proclamou solenemente esta maternidade universal de Nossa Senhora do alto da Cruz, talvez para nos ensinar que o sermos filhos de Maria é o primeiro fruto da Paixão de Jesus. «Mulher, eis o teu filho… João, eis aí a tua Mãe. E desde aquela hora, o discípulo recebeu-A em sua casa.»
– Foi proclamada no Concílio Vaticano II, por Paulo VI, Mãe da Igreja, isto é, Mãe de todo o Corpo Místico.
– Procedeu sempre como tal, livrando-nos de apuros: Em Lepanto, afasta de nós o perigo turco que ameaçava destruir todo o cristianismo na Europa; fez cair o «muro da vergonha», depois de renovada a consagração do mundo ao seu Imaculado Coração, pelo papa João Paulo II, em 25 de Março de 1985.

Tem actuado como Mãe atenta e dedicada. Compadecida do nosso descaminho, multiplica as aparições particulares: em Lurdes, em Fátima e em tantos outros lugares. Qual a razão desta atracção misteriosa que sentimos pelos seus templos? João Paulo II chama-lhes «Casas da Mãe.» Levemos Maria para a nossa casa. Imitemos o discípulo amado, trazendo Nossa Senhora para a vida de cada dia, como bons filhos que desejamos ser.
– Procuremos conhecê-l’A cada vez melhor, meditando os textos do Evangelho que nos falam d’Ela, bem como outros livros bons que estão ao nosso alcance.
– Aproximemo-nos d’Ela, como os pastores e Belém. Deste modo nos encontraremos mais perto de Jesus. Para isso, visitemo-l’A nos seus santuários, e tenhamos em casa a sua imagem.
– Procuremos falar-lhe com frequência, rezando as diversas orações tradicionais na Igreja: a Consagração, o Lembrai-vos, a Salve-Rainha, o Terço, etc.
– Deixemo-nos guiar por Ela… e ensinar-nos-á a fazer a vontade de Deus, como recomendou aos criados de Caná: «Fazei tudo o que Ele vos disser.»
– Entreguemos-lhe a nossa vida, como uma criança se confia aos braços da mãe, com a certeza de que Ela escolherá para nós o que for melhor.

Tal como as mães preparam os filhos pequenos para uma visita importante, peçamos-lhe que nos prepare para receber Jesus, e nos acolha depois deste desterro, para nos apresentar a Jesus.

Fala o Santo Padre

«A paz é verdadeiramente o dom e o compromisso do Natal.»

Queridos irmãos e irmãs!

A liturgia de hoje contempla, como num mosaico, diversos factos e realidades messiânicas, mas a atenção concentra-se particularmente sobre Maria, Mãe de Deus. Oito dias depois do nascimento de Jesus, recordamos a Mãe, a Theotókos, aquela que «deu à luz o Rei que governa o céu e a terra pelos séculos dos séculos» (Antífona de entrada; cf. Sedúlio). A liturgia medita hoje sobre o Verbo feito homem, e repete que nasceu da Virgem. Reflecte sobre a circuncisão de Jesus como rito de agregação à comunidade, e contempla Deus que deu o seu Filho Unigénito como chefe do «novo povo» por meio de Maria. Recorda o nome dado ao Messias, e ouve-o pronunciar com terna doçura pela sua Mãe. Invoca a paz para o mundo, a paz de Cristo, e fá-lo através de Maria, mediadora e cooperadora de Cristo (cf. Lumen gentium, 60-61).

Começamos um novo ano solar, que é um ulterior período de tempo que nos é oferecido pela Providência divina no contexto da salvação inaugurada por Cristo. Mas não entrou o Verbo eterno no tempo próprio por meio de Maria? Recorda-o o apóstolo Paulo na segunda Leitura, que escutámos há pouco, afirmando que Jesus nasceu «de uma mulher» (cf. Gl 4, 4). Na liturgia de hoje sobressai a figura de Maria, verdadeira Mãe de Jesus, Homem-Deus. Portanto, a solenidade não celebra uma ideia abstracta, mas um mistério e um acontecimento histórico: Jesus Cristo, pessoa divina, nasceu da Virgem Maria, a qual é, no sentido mais verdadeiro, sua mãe.

Além da maternidade hoje é posta em evidência também a virgindade de Maria. Trata-se de duas prerrogativas que são sempre proclamadas juntas e de maneira inseparável, porque se integram e se qualificam reciprocamente. Maria é mãe, mas mãe virgem; Maria é virgem, mas virgem mãe. Se omitirmos um dos dois aspectos não se compreende plenamente o mistério de Maria, como os Evangelhos no-lo apresentam. Mãe de Cristo, Maria é também Mãe da Igreja, como o meu venerado predecessor, o Servo de Deus Paulo VI quis proclamar a 21 de Novembro de 1964, durante o Concílio Vaticano II. Por fim, Maria é Mãe espiritual de toda a humanidade, porque Jesus derramou o seu sangue na cruz por todos, e a todos confiou da cruz à sua solicitude materna. […]

«O Senhor te abençoe e te guarde!… O Senhor volte para ti a sua face e te dê paz! (Nm 6, 24.26). É esta a fórmula de bênção que ouvimos na primeira Leitura. É tirada do livro dos Números: nela é repetida três vezes o nome do Senhor. Isto significa a intensidade e a força da bênção, cuja última palavra é «paz». A palavra bíblica shalom, que traduzimos por «paz», indica aquele conjunto de bens em que consiste «a salvação» que trouxe Cristo, o Messias anunciado pelos profetas. Por isso, nós cristãos reconhecemos n’Ele o Príncipe da paz. Ele fez-se homem e nasceu numa gruta em Belém para trazer a sua paz aos homens de boa vontade, aos que o acolhem com fé e amor. A paz é assim verdadeiramente o dom e o compromisso do Natal: o dom, que deve ser acolhido com humilde docilidade e invocado constantemente com orante confiança; o compromisso, que faz de cada pessoa de boa vontade um «canal de paz». […]

Bento XVI, Vaticano, 1 de Janeiro de 2007

Liturgia Eucarística

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que dais origem a todos os bens e os levais à sua plenitude, nós Vos pedimos, nesta solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus: assim como celebramos festivamente as primícias da vossa graça, tenhamos também a alegria de receber os seus frutos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

Prefácio de Nossa Senhora I [na maternidade] p. 486 [644-756]

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Nas Orações Eucarísticas II e III faz-se também a comemoração própria do Natal.

Santo: Santo IV, H. Faria, NRMS 103-104

Saudação da paz

Maria é o sinal da verdadeira paz e Cristo, o apelo permanente à reconciliação entre os seus filhos que somos todos nós. Neste dia em celebramos a sua Maternidade Divina, acabemos com os muros que nos separam. Com este desejo, Saudai-vos na paz de Cristo!

Monição da Comunhão O Corpo e Sangue e Cristo que vamos receber na Sagrada Comunhão foi-nos dado por Maria, quando aceitou ser Sua Mãe. Só ela nos pode preparar convenientemente para O recebermos. Peçamos-lhe mais este favor maternal.

Antífona da comunhão: Jesus Cristo, ontem e hoje e por toda a eternidade.

Cântico de acção de graças: Senhor, fazei de mim um instrumento, F. da Silva, NRMS 6 (II)

Oração depois da comunhão: Recebemos com alegria os vossos sacramentos nesta solenidade em que proclamamos a Virgem Santa Maria, Mãe do vosso Filho e Mãe da Igreja: fazei que esta comunhão nos ajude a crescer para a vida eterna. Por Nosso Senhor…

Ritos Finais

Monição final Procuremos encaminhar cada vez mais todas as pessoas para uma verdadeira devoção a Nossa Senhora. Tenhamos a certeza que, quanto mais perto estivermos d’Ela, mais junto de Jesus Cristo nos encontramos.

Celebração e Homilia: Fernando Silva
Nota Exegética: Geraldo Morujão
Homilias Feriais: Nuno Romão
Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha
Fonte: Celebração  Litúrgica


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QUE DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje! Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

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