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Índice desta página:
Nota: Cada seção contém Comentário, Leituras, Homilia do Diácono José da Cruz e Homilias e Comentário Exegético (Estudo Bíblico) extraído do site Presbíteros.com

. Evangelho de 05/06/2011 - Solenidade da Ascensão de Jesus
. Evangelho de 29/05/2011 - 6º Domingo de Páscoa


Acostume-se a ler a Bíblia! Pegue-a agora para ver os trechos citados. Se você não sabe interpretar os livros, capítulos e versículos, acesse a página "A BÍBLIA COMENTADA" no menu ao lado.

Aqui nesta página, você pode ver as Leituras da Liturgia dos Domingos, colocando o cursor sobre os textos em azul. A Liturgia Diária está na página EVANGELHO DO DIA no menu ao lado.
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05.06.2011
SOLENIDADE DA ASCENSÃO DE JESUS – ANO A
__ "O DESTINO DO HOMEM NOVO" __

Ambientação:
Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs! Interpretando teologicamente a Ascensão de Jesus, recomendam os anjos que não se fique a olhar para o céu, mas que se espere e prepare a volta gloriosa do Senhor. Esta é, até o fim dos tempos, a missão da Igreja, em tensão entre o visível e o invisível, enbtre a realidade presente e a futura cidade para a qual caminhamos. A ascensão do Cristo é a nossa ascensão; já que o Corpo é convidado a elevar-se até a glória em que o precedeu a cabeça, vamos cantar nossa alegria, expandir em ação de graças todo o nosso júbilo. Hoje, não apenas conquistamos o paraíso, mas, no Cristo, penetramos nos mais altos céus. Entoemos cânticos jubilosos ao Senhor!

(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (At 1,1-11): - "Homens da Galiléia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus que vos foi levado para o céu, virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu."

SALMO RESPONSORIAL (46/47): - "Por entre aclamações Deus se elevou, * o Senhor subiu ao toque da trombeta."

SEGUNDA LEITURA (Ef 1, 17-23): - "Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus."

EVANGELHO (Mt 28,16-20): - "Eis que eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo."



Homilia do Diácono José da Cruz – SOLENIDADE DA ASCENSÃO DE JESUS – ANO A

"O Mandato Missionário"

Dia desses alguém me perguntava, por que razão o evangelista Mateus não fala da Ascensão de Jesus, parece que a parte mais importante ele omite, justo o final Feliz de toda História: Jesus vai subindo e sumindo entre as nuvens, glorioso e vencedor! Alguns mais radicais até acham que esse evangelho  nem deveria entrar na Liturgia desse Domingo da Ascensão. Então aqui entram os admiradores de São Lucas, esse “caprichou” na narrativa, narrou em Atos, que é a primeira leitura desse domingo, e repetiu em seu segundo evangelho. Só faltou uma câmara digital para filmar Jesus subindo... Que coisa linda! Claro que esta cena cinematográfica não está no centro das atenções de nenhum dos nossos evangelistas, mas em todos eles, direta ou indiretamente há algo bem mais importante que eles transmitiram as suas comunidades e também as nossas: a História de Jesus, e principalmente a sua missão, terá continuidade!

Não podemos limitar a Festa da Ascensão apenas a essa “subida” de Jesus entre as nuvens, mesmo porque os terrnos são confusos á luz da razão humana, afinal, Jesus foi ou ficou? Pois se Ele foi, não pode ter ficado, e se ficou, então não foi. Esquecemos que Deus é Onipresente e atemporal, não há um antes e um depois nessa história. Pois se Jesus não usa dessa pedagogia própria, nem os seus discípulos e nem nós entenderíamos absolutamente nada. Também é bom esclarecer que a sua presença em nosso meio não em um “Faz de Conta”, um sonho bonito que alimentamos, quando, por exemplo, perdemos um ente querido e afirmamos convictos que sentimos a sua presença junto de nós. Jesus não está vivo entre nós, porque evocamos a sua lembrança, a sua presença é real, embora mística. Ele nunca saiu da Direita do Pai e também nunca saiu do nosso meio, o que muda aos nossos olhos é apenas o modo de se fazer presente, pois se a presença do Senhor em sua Igreja fosse apenas uma bela Utopia, a Igreja teria sucumbido nos primeiros quatro séculos de sua história, quando teve contra si a força destruidora do poderoso império romano.

Quando assumimos algum empreendimento humano, logo queremos saber o que vamos ter que fazer, qual vai ser o nosso papel. O Cristão Discípulo de Jesus já tem essa resposta sobre o que fazer “...Ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-nos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei” E Jesus ordenou tantas coisas, seu ensinamento é tão denso, como é que a gente vai se lembrar -  poderá argumentar alguém. “Eu vos dou um novo mandamento....” . Pronto! Aqui temos a missão da Igreja, anunciar o evangelho que conduz o ouvinte á prática do maior de todos os mandamentos: o amor aos irmãos e irmãs.

Todas as pastorais e movimentos, associações, ordens religiosas, ministérios e tudo mais que há no contexto da Igreja, deve estar direcionado para este mandato; Anunciar o Evangelho é essa a missão primária da Igreja, se o trabalho na em comunidade não tem esse objetivo há algo errado. Nenhuma pastoral ou Movimento deve anunciar a si mesmo, mas o Evangelho de Cristo, e qualquer  modelo de espiritualidade deve ser sempre um incentivo ao cumprimento dessa missão. A Igreja no início do Novo Milênio começou a tomar consciência de que tinha se omitido dessa sua missão primária, as paróquias passaram a ser Postos de Atendimento Religioso e Distribuidora de Sacramentos. Por conta disso alguns movimentos que trabalham o querígma, cresceram na nossa Igreja, em uma ação do Espírito Santo, graças a Deus que isso aconteceu, acho até, que foi um “puxão de orelha” em nossas paróquias, que agora, em uma nova visão pastoral vão elaborando planos que contemplam esse resgate da Missão evangelizadora fazendo um anúncio que leve o ouvinte a esta experiência profunda com a Pessoa de Jesus Cristo, chega de fórmulas doutrinárias e conceitos clássicos decorados ou mal digeridos! Chega de tanta omissão, precisamos de Paróquias evangelizadoras cada vez mais! É este o apelo nas entrelinhas do cérebre Documento de Aparecida, que deve ser o Livro de Cabeceira de todos os que se propor a viver um cristianismo mais autêntico. É normal questionar, se uma Igreja imperfeita e pecadora conseguirá dar conta dessa missão de tão grande importância, uma comunidade Santa e forte na Fé daria melhor conta desse recado. Mateus não se ilude a esse respeito, nas primeiras comunidades não faltavam pessoas fervorosas que reconheciam em Jesus o único Deus e Senhor, prostrando-se diante dele, mas havia também os fracos na Fé, que ainda duvidavam tal qual acontece ainda hoje em nossas comunidades. Jesus não deu a missão apenas aos fervorosos, mas a todos os que participam da comunidade, pois é isso eu define o “Ser Cristão”, anúncio e testemunho! (Festa da Ascensão do Senhor)

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Rodrigues Costa – SOLENIDADE DA ASCENSÃO DE JESUS – ANO A

Rumo ao céu!

Os discípulos obedeceram a Cristo e foram para a montanha que ele tinha designado. Adoraram-no e foram enviados a anunciar o Evangelho. No dia da Ascensão do Senhor, o cristão percebe que no seu coração há um duplo movimento: o primeiro, olhar para o céu; o segundo, olhar para a terra.

Nós olhamos para o céu porque pensamos na glória de Cristo, contemplando-a na fé. Vemos no Cristo glorioso que sobe à direita do Pai toda a humanidade, a nossa humanidade. A natureza humana nunca tinha sido presenteada com tão grande dádiva, nem mesmo quando, depois de criada, tinha sido sobrenaturalmente elevada. Adão antes do pecado, por mais glorioso e cheio de dons preternaturais que fosse, perderia todo protagonismo diante da glória que irradia a humanidade santíssima de Jesus Cristo. Não obstante, o primeiro Adão era uma imagem gloriosa do que Deus queria para o homem. Já conhecemos a história posterior à criação: o homem desprezou a Deus, pecou, foi expulso do paraíso, perdeu a graça e divagou pelo mundo. Deus, no entanto, não deixou de cuidar do ser humano. Mais ainda, foi generosíssimo: decidiu embelezar novamente o homem e a mulher, mais do que antes. O segundo Adão seria mais agraciado que o primeiro. E assim foi!

Jesus é verdadeiro homem (novo Adão) e verdadeiro Deus. Como Deus, nasceu eternamente do Pai, sempre foi glorioso e essa glória não podia aumentar. Como homem, a sua humanidade foi progressivamente manifestando a glória que havia recebido do Pai. A ascensão é também o esplendor da glória, a expansão da graça e a beleza do céu manifestado no ser humano.

Diante de Cristo, que sobe aos céus, os discípulos caem por terra e adoraram a glória de Deus manifestada na carne do homem Jesus. A sadia curiosidade nos leva a observar cada um dos detalhes dessa humanidade gloriosa; vemo-nos fortemente atraídos a essa realidade e pregustamos o que seremos por toda a eternidade: filhos no Filho. Já o somos, mas essa realidade ainda deve manifestar-se em toda a sua plenitude (cfr. 1 Jo 3,2). Quando nos aventurarmos a observar os detalhes da glória, cairemos por terra: ainda não podemos! A nossa visão humana tem que receber uma ajuda divina para que isso seja possível. No momento basta com adorar a Deus? Não! É preciso manifestar aos outros as maravilhas da graça e da glória.

Esse é o segundo movimento do nosso coração: pensamos nos nossos irmãos, em todos os seres humanos. Depois de contemplar por um momento o projeto de Deus para o homem já realizado na humanidade de Jesus e que se realizará em cada um de nós, temos que perguntar aos nossos semelhantes: o que vocês estão fazendo? Não percebem, por acaso, ó tardos de inteligência e endurecidos de coração, que há coisas melhores? Será que não se dão conta que isso que vocês julgam bom e agradável aos sentidos não satisfaz plenamente o coração humano? Será que estão cegos: não percebem que os dons da inteligência, os prazeres da carne, o poder das riquezas, são apenas uma manifestação de que o coração de vocês tende à felicidade? Deus é essa felicidade!

Não nos escutarão. Talvez não nos ouçam. Frequentemente nos desprezam! Pensam que somos nós os infelizes, os tristes e os apoquentados porque – dizem eles –não desfrutamos da vida, não aproveitamos os prazeres, não aproveitamos a nossa liberdade. Se o cristão não vigiar e não estiver cada dia mais unido a Deus poderia até acreditar na “felicidade-fantasma” dessas pessoas. Para alguns a vida se resume em poucas palavras: Drogas! Sexo! Dinheiro! Tá bom, drogas não; mas as outras duas coisas talvez…

Os homens e as mulheres de bem, aquelas pessoas que sabem o que vale a pessoa humana de verdade, precisam estar atentas. Não podem ser bobas! Não podem ter a falsa humildade de não atuar com inteligência e perspicácia neste nosso mundo. O cristão não pode viver cabisbaixo, triste, melancólico, como se o mundo e as pessoas não tivessem jeito! Não! Não podemos ser moles, atontados, frouxos e sem essa “malícia boa” que manifesta que nós somos pessoas prudentes, oportunas, com capacidade de planejar e de mostrar, de maneira atrativa, o Evangelho de Jesus aos demais. Parecem que eles só conhecem o seu mundo, as suas coisas, os seus prazeres, o seu planeta. É hora de mostrar-lhes algo mais bonito! Acho que é importante pedir a Deus o “dom de línguas” segundo a interpretação de São Josemaría Escrivá: falar de tal maneira que todos nos entendam, que a nossa vida seja transmissão da mensagem de Cristo aos outros, buscar expressar-se de tal maneira que cultivados e menos cultivados compreendam o que queremos dizer quando falamos de Deus.

Você e eu, queremos ir com Jesus… aos céus! Mas não, devemos ficar aqui, talvez muitos anos… trabalhar muito. Eles precisam de nós!

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


O que é a Lectio Divina?

A Lectio Divina vem do latim e tem como significado, “leitura divina”, “leitura espiritual” ou ainda “leitura orante da Bíblia”, é um alimento necessário para a nossa vida espiritual. A partir desta oração, conscientes do plano de Deus e a sua vontade, pode-se produzir os frutos espirituais necessários para a salvação. A Lectio Divina é deixar-se envolver pelo plano da Salvação de Deus. Os princípios da Lectio Divina foram expressos por volta do ano 220 e praticados por monges católicos, especialmente as regras monásticas dos santos: Pacômio, Agostinho, Basílio e Bento. Santa Terezinha Do Menino Jesus dizia, em período de aridez espiritual, que quando os livros espirituais não lhe diziam mais nada, ela busca no Evangelho o alimento de sua alma.

A Lectio Divina tradicionalmente é uma oração individual, porém, pode-se fazê-la em grupo. O importante é rezar com a Palavra de Deus lembrando o que dizem os bispos no Concílio Vaticano II, relembrando a mais antiga tradição católica, que conhecer a Sagrada Escritura é conhecer o próprio Cristo. Monges diziam que a Lectio Divina é a escada espiritual dos monges, mas é também de todo o cristão. O Papa Bento XVI fez a seguinte observação num discurso de 2005: “Eu gostaria, em especial recordar e recomendar a antiga tradição da Lectio Divina, a leitura assídua da Sagrada Escritura, acompanhada da oração que traz um diálogo íntimo em que a leitura, se escuta Deus que fala e, rezando, responde-lhe com confiança a abertura do coração”.

O Concílio Vaticano II, em seu decreto Dei Verbum 25, ratificou e promoveu com todo o peso de sua autoridade, a restauração da Lectio Divina, que teve um período de esquecimento por vários séculos na Igreja. O Concílio exorta igualmente, com ardor e insistência, a todos os fiéis cristãos, especialmente aos religiosos, que, pela freqüente leitura das divinas Escrituras, alcancem esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo (Fl 3,8). Porquanto “ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo” (São Jerônimo, Comm. In Is., prol).

A prática cristã ancestral de Oração Centrante tem suas raízes e é alimentada pela oração de escuta da Palavra de Deus na Sagrada Escritura, especialmente nos Evangelhos e Salmos. Por isso, faço este convite a você que ainda não faz a Lectio Divina para ter este profundo alimento espiritual e quem faz desejo os votos de perseverança. A Lectio Divina possui os seguintes passos: comece invocando o Espírito Santo fazendo esta oração: “Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. – Enviai o vosso Espírito, e tudo será criado; e renovareis a face da terra. Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com as luzes do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo Senhor nosso. Amém”. A Lectio possui quatro passos: 1- Lectio (Leitura); 2- Meditatio (Meditação); 3- Oratio (Oração) e 4- Contemplatio (Contemplação).

Quanto à leitura, Leia, com calma e atenção, um pequeno trecho da Sagrada Escritura (aconselha-se que nas primeiras vezes utilize-se os textos dos Evangelhos). Leia o texto quantas vezes forem necessárias. Procure identificar as coisas importantes desta perícope: o ambiente, os personagens, os diálogos, as imagens usadas, as ações. É importante que identificar tudo com calma e atenção, como se estivesse vendo a cena. A leitura é o estudo assíduo das Escrituras, feito com aplicação de espírito. À leitura, eu escuto: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8). Eis uma palavra curta, mas cheia de suaves sentidos para o repasto da alma. Ela oferece como que um cacho de uva. A alma, depois de o examinar com cuidado, diz em si mesma:Pode haver aqui algum bem, voltarei ao meu coração e tentarei, se possível, entender encontrar esta pureza. Pois é preciosa e desejável tal coisa, cujos possuidores são ditos bem-aventurados, e à qual se compromete a visão de Deus, que é a vida eterna, e que é louvada por tantos testemunhos da Sagrada Escritura. Eis uma palavra curta, mas cheia de suaves sentidos para o repasto da alma. Ela oferece como que um cacho de uva. A alma, depois de o examinar com cuidado, diz em si mesma: Pode haver aqui algum bem, voltarei ao meu coração e tentarei, se possível, entender encontrar esta pureza. Pois é preciosa e desejável tal coisa, cujos possuidores são ditos bem-aventurados, e à qual se compromete a visão de Deus, que é a vida eterna, e que é louvada por tantos testemunhos da Sagrada Escritura.

Quanto à Meditatio, começa, então, diligente meditação. Ela não se detém no exterior, não pára na superfície, apóia o pé mais profundamente, penetra no interior, perscruta cada aspecto. Considera atenta que não se disse: Bem-aventurados os puros de corpo, mas, sim, “os puros de coração”. Pois não basta ter as mãos inocentes de más obras, se não estivermos, no espírito, purificados de pensamentos depravados. Isso o profeta confirma por sua autoridade, ao dizer: Quem subirá o monte do Senhor? Ou quem estará de pé no seu santuário? Aquele que for inocente nas mãos e de coração puro (Sl 24,3-4). Depois de ter refletido sobre esses pontos e outros semelhantes no que toca à pureza do coração, a meditação começa a pensar no prêmio: Como seria glorioso e deleitável ver a face desejada do Senhor, mais bela do que a de todos os homens (Sl 45,3), não mais tendo a aparência como que o revestiu sua mão, mas envergando a estola da imortalidade, e coroado com o diadema que seu Pai lhe deu no dia da ressurreição e de glória, o dia que o Senhor fez (Sl 118,24).

Quanto à Oratio, toda boa meditação desemboca naturalmente na oração. É o momento de responder a Deus após havê-lo escutado. Esta oração é um momento muito pessoal que diz respeito apenas à pessoa e Deus. Não se preocupe em preparar palavras, fale o que vai no coração depois da meditação: se for louvor, louve; se for pedido de perdão, peça perdão; se for necessidade de maior clareza, peça a luz divina; se for cansaço e aridez, peça os dons da fé e esperança. Enfim, os momentos anteriores, se feitos com atenção e vontade, determinarão esta oração da qual nasce o compromisso de estar com Deus e fazer a sua vontade. Vendo, pois, a alma que não pode por si mesma atingir a desejada doçura de conhecimento e da experiência, e que quanto mais se aproxima do fundo do coração (Sl 64,7), tanto mais distante é Deus (cf. Sl 64,8), ela se humilha e se refugia na oração. E diz: Senhor, que não és contemplado senão pelos corações puros, eu procuro, pela leitura e pela meditação, qual é, e como poder ser adquirida a verdadeira doçura do coração, a fim de por ela conhecer-te, ao menos um pouco.

Quanto ao último passo à Contemplatio, Desta etapa a pessoa não é dona. É um momento que pertence a Deus e sua presença misteriosa, sim, mas sempre presença. É um momento no qual se permanece em silêncio diante de Deus. Se ele o conduzirá à contemplação, louvado seja Deus! Se ele lhe dará apenas a tranqüilidade de uns momentos de paz e silêncio, louvado seja Deus! Se para você será um momento de esforço para ficar na presença de Deus, louvado seja Deus!

Portanto, diante deste patrimônio da nossa Igreja que é este método de Oração da Lectio Divina, desejo a todos que ao lerem este artigo comecem a tomar gosto pela Leitura Orante da Palavra de Deus, pois, nós sabemos que a oração é um dos alimentos da alma que obtemos forças para enfrentar tantas adversidades em nossa caminhada. Que Deus os abençõe nesta nova etapa espiritual.

Pe. Jair Cardoso Alves Neto (Arquidiocese de Cuiabá).


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29.05.2011
6º DOMINGO DE PÁSCOA – ANO A
__ "JESUS RESSUSCITADO, TESTEMUNHADO PELOS CRISTÃOS QUE SE AMAM" __

Ambientação:
Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs! Jesus promete o Espírito de verdade a quem observa seus mandamentos. Só quem faz o que agrada ao amigo pode dizer que está verdadeiramente em comunhão com ele. Como Cristo sempre fez o que agradava ao Pai, aceitando sem reservas o plano de salvação e executando-o com livre obediência, e assim se manifestou como o "filho bem-amado", também quem crê em Cristo entra na mesma corrente de amor, porque responde à escolha e à predileção do Pai. O Espírito de Cristo ilumina agora os que crêem para que continuem em sua vida e atitude filial de Cristo. Não no sentido de que todos os pormenores sejam codificados como mais importantes, mas no sentido de que o amor filial escolha de maneira mais justa em todas as circunstâncias, com liberdade e fidelidade. Ainda não é cristão quem pratica os dez mandamentos, código elementar de comportamento moral e religioso, mas quem é fiel ao único mandamento do amor, até dar a vida em plena liberdade. Este amor faz passar da morte para a vida. Entoemos cânticos jubilosos ao Senhor!

(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (At 8, 5-8.14-17): - "De muitos possessos saíam os espíritos maus, dando grandes gritos. Numerosos paralíticos e aleijados também foram curados."

SALMO RESPONSORIAL (65/66): - "Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira! * Cantai salmos a seu nome glorioso!"

SEGUNDA LEITURA (1Pd 3,15-18): - "Santificai em vossos corações o Senhor Jesus Cristo, e estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir."

EVANGELHO (Jo 14,15-21): - "Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele."



Homilia do Diácono José da Cruz – 6º DOMINGO DE PÁSCOA – ANO A

"O NOSSO DEFENSOR"

Em uma sociedade onde a Família é descaracterizada do seu papel e de seu valor, a orfandade não é mais tão impactante como em outros tempos quando, ser órfão de Pai era algo tenebroso, ainda mais se o filho fosse  criança ou adolescente. A comunidade dos discípulos é preparada por Jesus para os tempos difíceis que estão por vir, após a sua morte. Este evangelho faz parte do chamado “Discurso de Consolação”onde Jesus promete que eles nunca estarão sozinhos.

Entre a inauguração do Reino de Deus, realizado no meio dos homens por Jesus, e a Plenitude dos tempos, que ainda virá, está a Igreja dos que crêem, e que alimenta no coração essa esperança, estamos no meio da caminhada, rumo a um acontecimento definitivo para onde converge toda humanidade. Nos tempos das promessas de Deus, a referência era a Lei de Moisés, portanto, a obediência aos mandamentos, nesses novos tempos o amor vem por primeiro, depois vem a Lei, a nossa relação com Deus em Jesus Cristo, tem que ser pautada primeiramente pelo amor e não pela lei, mesmo porque Jesus já resumiu toda a Lei nesse único Mandamento Amai-vos uns aos outros...

O amor agora divinizado por Jesus é dado como mandamento maior e essencial a quem se dispuser ao discipulado, mas esse amor grandioso, gratuito, incondicional e sem medidas, não caberia jamais nos horizontes tão limitados do ser humano se não fosse Aquele que , dado pelo Pai a rogo de Jesus, alargou os horizontes do coração humano, tornando-o sim,capaz de amar na mesma medida com que o Senhor amou a todos, é o Espírito Santo, o Defensor, o assistente de nossas fraquezas, a água abundante que irriga a secura do nosso egoísmo, a luz Fulgurosa que ilumina os pontos obscuros da nossa caminhada, mas há algo ainda de maior importância que o Espírito Santo realiza em nós...

Como se aproximar do Deus Altíssimo , Todo Poderoso, Onipotente e Perfeito? Em quem podemos olhar para enxergarmos esse modelo do homem novo, primogênito de todas as criaturas, dos vivos e dos mortos? Como fazer esta comunhão entre a nossa Fraqueza e a Fortaleza de Deus, entre a nossa fraqueza e a sua Santidade Gloriosa, isso equivaleria a tênue chama de uma pequenina vela tendo a pretensão de iluminar o sol. Jesus é esse caminho a ser percorrido, esse Homem totalmente novo a ser imitado. Talvez os discípulos naquele momento, já tinham até feito esta descoberta...Entretanto, se Ele os Consola, parece que descobriram tarde demais....Daria para recomeçar ? Com Deus tudo é possível, até um recomeço quando chegamos ao fundo do “poço”

Pois o Espírito Santo, entranhado nas profundezas do Homem, o une a Deus, impulsionando-o á Santidade, destinando-o á glória Futura, na vivência de um amor que já não é mais humano, mas que foi perpassado pela Divindade. É isso exatamente que o Espírito Santo faz em nossa Vida, nos diviniza! No Paraíso, a serpente enganadora insinuou ao homem que ele poderia ser igual ao Criador, e Deus, parece ter gostado dessa “idéia” e pensou, “o homem será divinizado, mas com a minha ajuda”

A proposta da serpente era de que, o homem se divinizasse sozinho, em sua prepotência egoísta, Deus encapa essa idéia, mas a partir de uma comunhão profunda, que irá agora se cumprir com o envio do Espírito Santo prometido por Jesus.

Com este enfoque podemos compreender melhor a denominação de Defensor, como Jesus o chama, pois Ele nos defende da idéia tenebrosa e dessa tentação de sermos iguais a Deus petrificados em nosso egoísmo, que é exatamente o sentimento mesquinho que domina o coração de muitos, descartando a Salvação que Deus ofereceu em Jesus, para apegar-se á salvação oferecida pelo próprio homem.

Esse Espírito com o qual Deus nos envolve na comunhão para nos divinizar, só o discípulo do Senhor conhece, o mundo não o conhece e nem parece ter interesse em conhecê-lo.  Este mundo as vezes tenebroso, na reflexão de João é a Força do mal, presente em nosso coração,  temos portanto um lado que busca a Santidade e o Divino, mas temos também um outro lado que quer estagnar-se dentro dos seus limites.

Impulsionados pelo Espírito Santo, o homem que crê descobre o sentido da Vida naquilo que faz, e que pensa, esse Sentido da Vida a que nos conduz o Espírito é precisamente Jesus Cristo, aquele que ilumina toda nossa existência, que nos torna íntimos do Pai, na vivência de um amor que extrapola o Humano.

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Rodrigues Costa – 6º DOMINGO DE PÁSCOA – ANO A

O “segredo” para a fidelidade: o livro e a rosa.

“Se me amais, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paraclito, para que fique eternamente convosco” (Jo 14,15-16).

Na semana passada falamos da mútua in-existência das três Pessoas divinas entre si e da in-habitação trinitária na nossa alma em graça. Deve ficar bem claro: as relações do homem com Deus tem que ser uma imagem daquelas relações que há na intimidade de Deus entre as três Pessoas divinas. O Pai e o Filho relacionam-se no Amor, ou seja, no Espírito Santo.

“Se me amais, guardareis os meus mandamentos”. Poderíamos fazer a oração negativa, tão verdadeira quanto a afirmativa: se não me amais, não guardareis os meus mandamentos. A moral cristã não é a moral dos heróis, dos gigantes da vontade, daquelas pessoas que à força de teimar e teimar conseguem chegar à meta. Lembro-me de uma das aulas do já falecido bispo emérito da Diocese de Anápolis, D. Manoel Pestana Filho. Animando-nos a estudar muito, ele dizia que “um gênio é 5% de inspiração e 95% de transpiração”. Aquele santo bispo nos animava a ser estudiosos de verdade. Hoje eu gostaria de utilizar a frase dita pelo D. Manoel, mas mudando-a um pouquinho para servir ao meu propósito, e sem pretensões matemáticas do mistério: “um cristão é 95% graça de Deus e 5% de esforço pessoal”.

A graça de Deus e o seu amor é o que nos vai construindo a cada momento. Podemos e devemos lutar, mas – como diz o Salmo – “se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem” (126,1). Com o passar do tempo, a experiência nos vai mostrando a importância de confiar mais na graça de Deus que nas nossas próprias forças. Os nossos propósitos, por mais firmes que sejam; a nossa luta, por mais heroica que venha a ser; os meios humanos dos quais dispomos, por mais seguros que nos pareçam… Tudo isso estaria destinado ao fracasso, dentro de pouco ou muito tempo, se não fosse a ajuda de Deus. Essa ação de Deus criou em nós, no momento em que fomos batizados, um dinamismo novo que nos capacitou para viver a nova vida em Cristo.

É possível cultivar o amor? Em primeiro lugar, a caridade inicial ninguém a merece, a recebemos no momento do nosso Batismo sem mérito algum da nossa parte. Depois de batizados, podemos atrair mais o amor de Deus para nós.

Todos os anos em Barcelona, na Espanha, no dia de S. Jorge, o namorado ou o esposo tem que dar uma rosa à sua namorada ou esposa. A sua vez, a namorada ou esposa tem que presentear o seu namorado ou esposo com um livro. Eu, pessoalmente, acho que o homem sai ganhando porque o livro se conserva durante anos, enquanto a rosa… Mas tudo bem.

Passeando pelas ruas daquela grande cidade, quem não conhece essa tradição poderia ficar um pouco espantado ao perceber que a cada 10 minutos algum comerciante oferece em plena rua uma rosa para ser comprada e, posteriormente, presenteada. Graças a Deus, existem aqueles casais anciãos aos quais não dá vergonha perguntar o porquê de tudo aquilo sem temor a passar por ignorante. Futuramente, se pode descobrir a raiz mais profunda desse costume. É nesse momento que passamos para o campo da lenda, da estória. Conta-se que num reino muito distante e há muitos séculos atrás existia um dragão muito, mas muito mau, e que comia as donzelas da região. Um dia, o dragão malíssimo queria tragar a princesa. Então Jorge, um soldado romano, enfrentou a fera, matou-a e do sangue do dragão brotou uma rosa que, o destemido soldado entregou reverentemente à princesa. Os homens até hoje entregam uma rosa às suas amadas.

E o livro? É simplesmente porque ao dia de S. Jorge, celebrado aos 23 de abril, antecede o dia da morte de Miguel de Cervantes (22 de abril), máxima expressão da literatura espanhola. Assim os homens não fiquem sem presentinho. E que presentinho… um livro!

Quando pensamos no amor de Deus e na nossa correspondência humana, a comparação com esse costume barcelonense é válida, ainda que imperfeita. Deus nos presenteia com a sua graça, o dom mais valioso que podemos receber nesse mundo. Não se trata simplesmente de um livro, mas daquele livro do qual fala o Apocalipse: “um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos” (Ap 5,1). Esse livro, que contém os desígnios de Deus para a história universal e para a nossa história pessoal, pode ser aberto somente por Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, a vítima de propiciação pelos nossos pecados que nos mereceu a salvação e a graça. Ele nos entrega o plano de Deus para as nossas vidas. Esse plano inclui todas as virtualidades provindas do Trono da graça e que nos ajudam na realização da vontade de Deus. E nós, o que vamos entregar a Deus? Uma flor, uma correspondência à sua graça cada vez mais leal e fiel que atraia o Coração amoroso de Deus para que continue derramando as suas graças sobre nós. A flor pode até murchar logo. Nós seguiremos sendo santamente teimosos na luta por ser melhores; daremos a Deus outra flor, outro empenho de seguir adiante, outros propósitos de uma entrega mais generosa. Não obstante, a partir de agora confiaremos mais na graça de Deus. É questão de humildade, de verdade.

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético — 6º DOMINGO DE PÁSCOA – ANO A
(Extraído do site Presbíteros - Elaborado pelo Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

EPÍSTOLA (1Pd 3,15-18)

CRISTO MODELO: Consagrai, portanto, o Senhor Cristo em vossos corações, preparados sempre para a defesa a todo aquele que vos pedir uma prova acerca de vossa esperança (15). Dóminum autem Christum sanctificáte in córdibus vestris, paráti semper ad satisfactiónem omni poscénti vos ratiónem de ea, quae in vobis est, spe. SANTIFICAI: O grego agiasete [< 37>=sanctificate] é o aoristo imperativo do verbo agiazö, cujo significado é fazer, declarar ou designar como sagrado, santo ou divino um lugar, uma coisa ou uma pessoa. Daí consagrar e também venerar ou no caso adorar e cultuar. Com isto quer dizer o apóstolo que devemos render culto interior a Cristo como a nosso Senhor e Deus. PREPARADOS é a tradução de etoimoi[<2092>=parati] com o significado de prontos, preparados, dispostos a realizar alguma coisa. DEFESA é a tradução escolhida para o grego apologia [<627>=satisfactio] com o significado de defesa, argumento, alegação, testemunho, prova e razão. É a palavra que emprega Paulo quando prisioneiro diz aos de Filipo que os retem no seu coração, porque foram participantes tanto de suas prisões como na defesa [apologia] e confirmação do evangelho (Fp 1, 7). PROVA em grego logos [<3056>=ratio] é um vocábulo que em geral significa a palavra saída da boca, mas que tem uma série de significados, como decreto, mandato, preceito, profecia, declaração, aforismo, máxima, discurso, instrução, conversa, doutrina, razão, causa, consideração, avaliação, resposta a um juízo. Conforme esta última acepção temos escolhido PROVA ou talvez razão sobre a ESPERANÇA do grego elpis [<1680>=spes] com o significado cristão de alegre e confidencial expectação da eterna salvação. A esperança é uma virtude cristã própria, pois é a que nos propõe o triunfo da vida sobre a morte e da bondade sobre o pecado e a injustiça.

A CONSCIÊNCIA: Mas com mansidão e temor, tendo boa consciência, para que, no que sois caluniados, sejam confundidos os que ofendem vossa boa conduta em Cristo (15). Sed cum modéstia et timóre consciéntiam habéntes bonam, ut in eo quod détrahunt vobis confundántur qui calumniántur vestram bonam in Christo conversatiónem. MANSIDÃO do grego praytës [<4240>=modestia] com o significado de suavidade, brandura em disposição, bondade, mansidão, humildade. Este trecho está unido ao versículo anterior em algumas traduções como a KJV. Unida ao TEMOR, fobos [<5401> =timor] medo, temor, pavor e, finalmente, reverência que sentimos quando falamos com um superior a quem devemos obediência e respeito. E é neste último aspecto que devemos usar a palavra. A tradução direta de Lacueva diz em espanhol con mansedumbre e respeito. Esta é a tradução que parece mais conforme com o pensamento do autor. CONSCIÊNCIA [syneidësis<4893>=conscientia] em grego com os significados seguintes: ser conscientes de uma coisa, como em Hb 10, 5: purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado. A faculdade da alma que distingue entre o bem e o mal feito como em Rm 9, 1: Em Cristo digo a verdade, não minto (dando-me testemunho a minha consciência no Espírito Santo). No nosso caso é um impulso interior, dirigido ao bem de modo que a resposta a estímulos alheios seja para a vitória do bem. Assim, CALUNIADOS [katalaleisthe<2635>=detrahunt] do presente do verbo katalaleö com significado de falar contra ou mal de uma pessoa; literalmente eles falam mal seguido de sejam CONFUNDIDOS [kataischynthösin <2617>=confundantur] do verbo kataischynö de significado desonrar, degradar, envergonhar, repulsar. Neste caso optamos por traduzir sejam envergonhados ou confundidos. E quais são eles? Pois os que OFENDEM [epëreazö <1908>=calumniantur] com o significado de insultar, tratar com desprezo, acusar falsamente, ameaçar, intimidar. Podemos optar por insultar ou acusar. Insultam ou acusam da CONDUTA [anastrofë<391>=conversatio] como conduta, modo de se comportar, procedimento. Como conclusão, temos que Pedro escreve em momentos de perseguição, quando os cristãos eram levados à frente das autoridades para serem interrogados sobre sua fé e sua conduta. As palavras gregas apologia e aitein logon eram términos legais, usados nos tribunais. Assim, ao se declarar seguidores de Cristo com a esperança posta na herança do Reino, sua conduta ratificaria de modo convincente, que não eram nem simuladores nem se serviam da mentira para própria vantagem e benefício.

ENTRE O BEM E O MAL: Pois melhor fazendo o bem padecer, se Deus quer, do que fazer o mal (17). Mélius est enim benefaciéntes (si volúntas Dei velit) pati, quam malefaciéntes, MELHOR [kreittön<2909>=melius] com o significado de mais útil, mais vantajoso, excelente. Como falta o verbo ser, podemos deduzir que o grego é uma tradução de um texto em aramaico, como dizem foi feito por Silvano (5, 12) ou Silas, companheiro de Paulo na primeira viagem (At 15, 22), do texto original, ditado por Pedro. PADECER [paschein<3958>=pati] infinitivo do verbo paschö, com o significado de estar afetado, ter uma experiência sensível para o bem ou para o mal e, neste caso, padecer. SE DEUS QUER, no grego ei thelei to thelëma tou Theou que em tradução direta é se quer a vontade de Deus. THELËMA [<2307>=voluntas]. É vontade, escolha, inclinação, anseio, desejo especialmente se tratando dos propósitos de Deus com respeito à salvação. Portanto, é excelente e está no propósito de Deus, padecer [perseguição] por fazer o bem, antes do que ser castigado por fazer o mal. Tenhamos em conta que Pedro escreve aos do Ponto, Galácia, Capadócia e Ásia Menor em momentos de perseguição. As perseguições não foram extensivas a todo o Império, a não ser a de Décio (250-51) e posteriores. É possível que não fosse a perseguição em si mesma, mas o que aconteceu com Paulo em diversas cidades, agitadas e rancorosas da parte dos judeus especialmente, pois a primeira perseguição em termos de morte por edito foi a de Nero (64-68), posterior a carta de Pedro.

PARADIGMA DE CRISTO: Já que também Cristo, uma vez padeceu pelos pecados, justo pelos injustos, para nós oferecer a(o) Deus; morto certamente em carne, mas sendo vivificado em espírito (18). Quia et Christus semel pro peccátis nostris mórtuus est, iustus pro iniústis, ut nos offérret Deo, mortificátus quidem carne, vivificátus autem spíritu. Pedro apela agora ao exemplo de Cristo, predestinado nos planos do Pai como paradigma do verdadeiro cristão e não unicamente como promotor da vida e reconciliação com Ele. O também [kai grego] indica que Jesus não ficou alheio a essa paixão e sofrimento de que Paulo trata entre os cristãos da Ásia Menor no seu tempo. JUSTO pelos INJUSTOS, logicamente se refere a Jesus, que foi chamado o Justo (At 3, 14) pelo mesmo Pedro, no discurso do templo, após a cura do coxo de nascença. Como tal vítima, ele se ofereceu a Deus e foi sacrificado [morto na carne], mas, foi vivifivado em espírito. Esta última frase pode ter o sentido de que foi o Espírito de Deus que ressuscitou seu corpo ou foi ele, como Deus que é espírito, quem viveu sem experimentar a morte e corrupção. Com essa frase, Pedro afirma indiretamente a ressurreição de Cristo, causa e modelo também dos que com ele, como diz Paulo, padecemos para triunfarmos com ele (Rm 8, 17).

EVANGELHO (Jo 14, 15-21)
DESPEDIDA. EXORTAÇÃO AO AMOR.

INTRODUÇÃO: Este evangelho é uma parte do discurso na última ceia de Jesus com seus doze discípulos. Um discurso de despedida como se fosse um testamento em vida. No trecho de hoje, encontramos quatro partes bem diferenciadas: A promessa do Paraklétos, uma breve separação, uma presença que só os discípulos experimentarão para entender que Jesus e o Pai são uma mesma coisa [um único Deus] e uma recomendação para os que o amam de guardar os mandatos como prova do amor e para que tanto o Pai como o Filho possam se manifestar a eles. João apresenta o Parákletos como o Espírito que comunica a Verdade, que sempre acompanhará os seus discípulos. Neste sentido será o Mestre interior que supre as palavras do Mestre exterior que era Jesus.

SE ME AMAIS: Se me amais, os preceitos, os meus, guardai (15). Si diligitis me mandata mea servate. OS PRECEITOS: O verdadeiro amor se distingue da paixão e do interesse, porque aquele se dedica totalmente à pessoa amada, é um serviço, cumprindo, antes de tudo, os desejos da mesma. Neste caso, os entolai, traduzido ao latim por mandata, são preceitos particulares ou recomendações de Jesus. O grego distingue entre nomos [a lei geral, essencialmente de Moisés], entolê [preceito, norma ou mandato particular que podemos traduzir por ordem] e dogma [decreto de uma autoridade, promulgado publicamente]. Como preceitos especiais de Jesus são algo mais do que o mandato novo [entolé kainé] de se amarem como ele os amou (13, 43). Podemos afirmar que os mandatos, aos quais Jesus agora se refere, constituem todo o conjunto que chamamos de evangelho, e especialmente os trabalhos que deviam se realizar na difusão do mesmo.

GUARDAI: O texto grego está no imperativo embora muitas traduções prefiram o futuro: Se me amais observareis meus mandamentos (Jerusalém). A tradução seria, pois: se me amais guardai meus mandatos. Mais que mandatos poderíamos traduzir por recomendações ou talvez melhor, ordens? Como resultado Jesus dirá no versículo 21: Quem se atém às minhas ordens e as cumpre, esse é que me ama. Como sabemos, as ordens entram no mundo íntimo e particular das pessoas por elas relacionadas. Ordem é algo que se faz de mim para ti, entre duas pessoas intimamente dependentes. Jesus aqui toma o lugar de Javé no AT, cujo Shemá [ouve] começava com estas palavras: Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração (Dt 6, 5). Jesus exige esse amor que se tornará visível no cumprimento de suas exigências. O sentido é de que o amor é causa de que a palavra ouvida seja guardada como quem conserva, em depósito, uma fórmula sagrada.

E EU SOLICITAREI: Pois eu rogarei ao Pai e outro Parácleto vos dará a fim de que permaneça entre vós para sempre (16). Et ego rogabo Patrem et alium paracletum dabit vobis ut maneat vobiscum in aeternum. O Verbo erotao é próprio de Jesus e mais que orar significa requerer, perguntar e, por isso, temos traduzido por solicitar. O verbo pedir, orar, próprio dos discípulos, é aiteuo. Jesus exige do Pai o Parákletos, sempre que os discípulos o necessitem para cumprir as normas recomendadas por Jesus para a difusão do evangelho. No versículo seguinte explicaremos o significado da palavra Parákletos. PARA SEMPRE: O envio do Espírito está submetido à ausência de Jesus. Mas sua permanência será eis ton aiona. In aeternum, traduz a vulgata. Para sempre. A palavra grega aion <165> é um nome masculino derivado de aiei [sempre] e on [estando] que significa tempo, duração, vida, eternidade, século, idade, geração. Tem diversos significados, como vemos, e tanto no plural como no singular, especialmente na frase de João eis ton aiona significa para a eternidade, ou como traduzem algumas bíblias, para sempre, para não confundir eternidade com o além. Precisamente, vendo a expressão, podemos deduzir que o quarto evangelho é o trabalho de um único redator. A frase sai 9 vezes em João e unicamente uma em Lucas (1, 55) sendo outra vez no plural (1, 33) e com o mesmo significado. Duas vezes em Marcos (3, 29 e 11, 14) e só uma vez em Mateus (6, 13) e num versículo provavelmente adicionado ao Pai Nosso por outra mão: teu o reino, o poder e a glória para sempre. É interessante ver que aion significa, nessas passagens de João, a eternidade ou para sempre; isto é, sem limites, sem ser condicionado pela vida dos apóstolos ou, como diz Mateus, até o término do século.

OUTRO PARÁCLITO: O Pneuma da verdade o qual o Kosmos não pode receber porque não o vê nem o conhece, mas vós o conheceis porque junto a vós permanece e em vós estará (17). Spiritum veritatis quem mundus non potest accipere quia non videt eum nec scit eum vos autem cognoscitis eum quia apud vos manebit et in vobis erit. PARÁKLETOS: A palavra é própria do evangelho de João e sai 4 vezes nos capítulos 14 a 16 e uma vez em 1 Jo 2, 1, esta última com um significado diferente como advogado defensor, intercedendo pelos pecados do discípulo. Neste caso esse advogado é Jesus Cristo. Vejamos o significado próprio de parákletos. Derivado do substantivo paráklesis [chamado de auxílio] significa advogado defensor [o counsel inglês]. Como termo evangélico tomado por João, temos sua definição nas diversas passagens dos capítulos antes citados. Estas são as passagens das quais podemos deduzir, segundo o evangelista João, as qualidades e tarefas do Parákletos: 14, 26; 15, 26 e 16, 7. Em todas elas o latim traduz por paraclitus. Os evangélicos, seguindo a versão de Lutero, traduzem o grego original <3875> por Consolador ou Confortador. Num comentário bíblico dizem que tem o mesmo significado de MENAHEM <04505>, confortador, de 2Rs 15, 14 nome do rei de Samaria (752 aC-742 aC.) e que este título era atribuído pelos judeus ao Messias. Também os judeus falam de Parákletos com o significado de advogado ou defensor com a seguinte frase: Quem cumpre um mandamento obtém um paráklito [sic em hebraico]; e quem transgride um mandamento, gera um acusador. Como vemos, os judeus contemporâneos de Jesus, usavam a mesma palavra de João para apontar o advogado defensor. As bíblias católicas, modernas, vernáculas, traduzem defensor [esp], protector [latino am], advogado [port], helper [ingl], protecteur[fra], e paraclito[it]. A natureza do Paráclito era ser Espírito. Logo não pode ser visto nem experimentado. Consequentemente não será visível, mas atuará no escuro e no silêncio. Aparentemente nada será percebido pelos que não são discípulos. Só pode ser notado nos seus efeitos ou atuações. E isto de duas maneiras: a mais frequente, modo humano, como dizem os teólogos místicos; neste caso, nem mesmo o possuidor do Espírito se dá conta de que sua mente e seus sentimentos proveem de uma causa superior e externa; pois parece que são próprios e encontrados por pesquisa ou por casualidade. A segunda é modo divino ou sobrenatural, em cujo caso, a intervenção do Espírito é clara a todos os presentes, como testemunhas. Tal foi o caso da xenoglossia [falar línguas estranhas] de Pentecostes (At 2, 4). Porém, neste caso, as palavras de Pedro, ditadas sem dúvida pelo Espírito, pareciam ter origem numa reflexão humana quando diz: Saiba, portanto, com certeza, toda a casa de Israel: Deus o constituiu Senhor e Messias, esse Jesus a quem vós crucificastes (At 2, 36). Podemos dizer com Paulo que a mente e o coração [sentimento] do homem natural [psíquico] foram substituídos por uma mente e um sentimento superiores formando o homem espiritual (1 Cor 15, 44). Atributos próprios: ele é Sagrado [ágios] que podemos traduzir por Divino, de natureza não criada, exatamente como o Deus de Israel (14, 26). Um outro atributo é de ser Espírito da Verdade (15, 26). Contrariamente ao mundo e ao seu príncipe [o diabo], ele é Espírito da Verdade e, como tal, verdadeira testemunha da principal verdade humana [ou respeito ao homem]: a verdade sobre Jesus.

A VERDADE não vence, mas convence. Ela nos liberta do erro, da mentira e da morte que têm como origem e fruto o pecado, cujo pai é o diabo, aquele que disse: vossos olhos se abrirão [a uma falsa verdade] e sereis como deuses (Gn 3, 5). Por isso, Jesus dirá aos judeus que não acreditavam em suas palavras [do Logo de Deus], que tinham como pai o diabo, o pai da mentira (Jo, 8, 48). A VERDADE fundamental é conhecer e reconhecer [como Senhor] que Jesus é o Filho de Deus encarnado. Este reconhecimento nos torna livres, porque seremos amigos do Filho e não escravos, já que o amigo conhece a VERDADE do Filho (Jo 15, 15). Nós, os cristãos, não somos como os judeus, filhos de Abraão e, portanto, escravos na casa do Pai comum, mas amigos e livres pois o Pai nos tornou filhos no Filho pela fé em Cristo Jesus (Gl 3, 26). Assim se tornam os que se deixam guiar pelo Espírito de Deus (Rm 8, 14) que receberam o espírito de filhos adotivos que nos faz exclamar, Abbá (Rm 8, 15). Por isso a VERDADE de Jesus se torna a nossa Verdade, a de filhos de Deus. Nos liberta do pecado em que incorreram inicialmente os judeus e que consiste em não crer em Jesus (Jo 16, 9). Foi por isso que o julgaram como blasfemo e impostor [falso Messias] e assim o entregaram à autoridade romana para que o condenasse à morte e o crucificasse (Lc 24, 20). O Espírito substitui Jesus, pois é necessária a ausência deste último para que ele o envie (16, 7). É, pois um Espírito enviado tanto pelo Pai (14, 16 e 26) como pelo Filho ( 15, 26 e 16, 7). Procede do Pai (15. 26) porque é o Espírito do Pai que falará em vós (Mt 10, 20). Ele é enviado, porque ele fala as palavras do Pai, assim como Jesus também falava, ele pode ser tanto chamado de o enviado do Pai como de o enviado do Filho. Está, pois, para o serviço dos homens, especialmente dos discípulos de Jesus. Sua atuação: Uma de suas tarefas é ensinar e recordar as coisas ensinadas por Jesus (14, 26). Daí que as palavras dos discípulos tenham o selo de verdadeiras profecias, no sentido de serem palavras cuja origem é divina. Outra tarefa é ser prova testemunhal de Jesus como principal testemunha, acompanhando os testemunhos dos discípulos (15, 26) que escrevem ou são relatados em cartas e escritos por eles aprovados e que constituem o NT. É o Espírito, testemunho de cargo, que estabelecerá a culpabilidade e libertará da mentira do mundo, pois este último é causa do pecado por manter a injusta mentira de ver Jesus como culpado e ter dado origem a uma demanda de seus representantes, tanto religiosos quanto civis, resultante numa condenação que não devia ter acontecido; porque a condenação foi injusta e falsa. Por isso poderá João afirmar que o mundo não o conheceu (1, 10). Nos julgamentos judaicos não existia o papel de advogado defensor que era substituído pelas testemunhas de descarga favoráveis ao réu. E este foi precisamente o rol do Espírito, testemunhar em favor de Jesus como diz 16, 8 estabelecendo a culpabilidade dos três grandes causadores da morte de Jesus: o mundo [inimigo do reino], o pecado [como se fosse um ser pessoal ao estilo de Paulo] e o Príncipe deste mundo, que é Satanás. O Espírito atuará como testemunha da santidade [justiça] de Jesus, como Filho do Pai, pois agora está à direita dEle.

ESPÍRITO DA VERDADE: Pode ter dois significados: Verdade, como possessiva, e o significado seria essa Verdade como adjetivo ou qualidade do Espírito; sendo a sua tradução Espírito Verdadeiro contrário de espírito mentiroso. E uma segunda acepção: Verdade como objeto e a tradução seria Espírito que propaga a Verdade que é a testemunha da mesma e a protege, cooperando com ela. Neste sentido, acabamos de ouvir a homilia do novo Papa. Quando em 24 de março de 1977 aceitou, a pedido de seu confessor, o cargo de Arcebispo de Munique, ele tomou como moto ou lema Cooperatores Veritatis [cooperadores da Verdade]. Este lema era precisamente o escolhido por S. José de Calasanz para indicar o espírito dos membros de sua Ordem, educadores dedicados às crianças nas suas escolas. A expressão é tomada da III epístola de João versículo 8. É acolhendo aos que pregam o nome de Jesus, que seremos cooperadores da Verdade, diz João. E o Papa é uma testemunha moderna das palavras de Jesus: Ele fala da Caridade da Verdade. Fazendo o bem, somos de Deus (3 Jo 11) afirma João, e assim seremos cooperadores da Verdade. O Espírito da Verdade não deve só mostrar a Verdade aos discípulos e ser testemunha da mesma perante o mundo, mas, dentro desse testemunho, entra o modo como essa Verdade é anunciada: por meio da caridade. A caridade é o amplificador que, no mundo moderno, tão surdo a outras maneiras de pregar a verdade, mostra-la-á com toda claridade, como diferente da mentira e hipocrisia que o dominam. Porém também a caridade ou o amor deve ser a lente com a qual devemos olhar os problemas do mundo e nossos problemas individuais. O aborto, a eutanásia, o relacionamento sexual julgam-se no mundo moderno partindo de bases diferentes do verdadeiro amor. Cortamos o vínculo fraterno que deve unir essas questões conosco e unicamente os julgamos do ponto de vista egoísta. Os princípios do mundo são a liberdade e a vantagem, esta última mascarada como felicidade: são os que dirigem o politicamente correto, o economicamente rentável e o socialmente desejável. Mas vemos que na convivência humana esses dois princípios [liberdade e vantagem] são insuficientes e até poderíamos dizer que constituem uma doutrina destrutiva socialmente. O amor, a entrega e o serviço são os únicos princípios válidos que unem e devem reger as mentes e governar as condutas para uma convivência pacífica. Princípios que aglutinam e não desagregam os diversos grupos humanos. Eles são a Verdade da vida. Por isso, como dizia um jovem, é hora de dizer basta já! Basta de consumismo, de dinheiro, de fama, de egoísmo; e vamos deixar passagem ao trabalho, à lealdade, ao bem comum. Vamos acreditar de novo na bondade das pessoas e viver de novo o amor. Esse amor que constitui a essência divina revelada ao homem em Jesus; porque o Pai tanto amou o mundo que entregou seu Filho (Jo 3, 16). E foi esse mesmo Espírito Divino que por meio de Jesus afirma que veio não para ser serviddo, mas para servir e dar a vida em resgate (Mc 10, 45). Vida que encontraremos, perdendo-a, em proveito dos outros (Mc 8, 35).

O KOSMOS: A palavra grega na realidade significa ordem, um sistema harmônico como amostra de beleza, do qual o universo é uma imagem perfeita pela harmonia dos astros e sua beleza noturna. Daí passou a determinar a terra, centro do mesmo, e a humanidade, parte essencial desta última. No evangelho de João, o mundo em geral, é considerado como inimigo do evangelho. Evidentemente que usando os princípios do egoísmo, anteriormente enunciados, o Espírito de Amor e Verdade não pode ser recebido pelo mundo porque o Kosmos não o vê, nem o sente; já que a vista do Espírito se identifica com o sentimento que ele deixa naquele que o recebe como presença viva. O mundo não o conhece: tudo que o Espírito pede e exige é absurdo diante de um egoísmo frontal que tem sido o deus do mundo ou o espírito do mesmo. O Espírito busca a verdade em princípios opostos aos do mundo. Segundo os princípios do mundo os outros estão para me servir e o domínio exercido sobre eles é a base do próprio engrandecimento e felicidade (Mc 10, 41). Por isso o politicamente correto, o economicamente rentável e o socialmente majoritário não devem ser as metas dos discípulos de Jesus.

OS DISCÍPULOS devem reconhecer unicamente a base do amor e do serviço, como eticamente verdadeiros para lograr como fim a convivência humana. O outro, sua felicidade, seu bem-estar, serão a base de meu pensamento, de minha atuação como discípulo de Cristo, porque devemos amá-lo como a nós mesmos (Mt 22, 39). Jesus, pois, afirmará: vós, pois, conheceis o Espírito, pois entre vós permanece e dentro de vós estará. O conhecimento do Espírito deu-se em primeiro lugar quando abandonaram tudo e seguiram Jesus (Mc 10, 28). Compreenderam que nesse seguimento e discipulado tinham encontrado as palavras de Vida Eterna, palavras da Verdade, una e indivisível, pois em Jesus está a luz e a luz é a vida do homem (Jo 8, 12). A fé, confirmada pelas aparições de Jesus, tornava os discípulos verdadeiros mestres da Verdade, essa Verdade que não era conhecida nem reconhecida pelo mundo, mas que espalhar-se-ia como fundamento do Reino em que Jesus era também caminho e vida.

ÓRFÃOS: Não vos deixarei órfão: estou vindo a vós(18). Ainda um pouco e o mundo não mais me vê, mas vós me vedes porque eu vivo e vós vivereis(19). Non relinquam vos orfanos veniam ad vos. Adhuc modicum et mundus me iam non videt vos autem videtis me quia ego vivo et vos vivetis. A palavra órfão significa abandonado e os apóstolos não se sentirão abandonados porque Jesus, além de voltar, lhes deixa o Confortador. O grego emprega o presente ercomai <2064> [erchomai] que a Vulgata traduz pelo futuro veniam, virei. Indica que a presença de Jesus é imediata, com uma ausência temporal muito breve, isto é, minha partida não será definitiva, porque me vereis em breve, embora não me manifeste ao mundo. Porque eu vivo, também vivereis vós (19). Que significa esta última frase? O emprego em presente dos verbos indica uma tradução literal de uma linguagem semítica, que devemos interpretar temporalmente. Eu vivo seria o mesmo que eu estou sempre vivo e não vou morrer definitivamente. E a minha vida é causa de que a vossa esteja também viva e a morte não possa terminar a sua obra definitiva. Jesus aponta que a sua ressurreição é a causa da ressurreição de todos os discípulos.

NAQUELE DIA: Naquele dia conhecereis que eu no meu Pai e vós em mim como eu em vós (estou). In illo die vos cognoscetis quia ego sum in Patre meo et vos in me et ego in vobis. No grego falta o verbo, que temos colocado ao fim da frase como estou e que bem podia ser sou. Precisamente esse verbo não existe no aramaico como no hebraico e assim vemos como o texto é fiel ao original. A Vulgata coloca o verbo na primeira parte da frase correspondente: sum in Patre, assim corrigindo gramaticalmente o texto original. Que significa esta afirmação de Jesus? A tradução do estou não é completa. Com um exemplo o veremos melhor. Para dizer o livro é vermelho, em hebraico diríamos o livro vermelho. O verbo que falta é o verbo copulativo ser. Podemos, pois, traduzir a frase como eu vivo [sou] no meu Pai como vós viveis em mim e eu estou vivo em vós. É uma identidade de vida ou comunhão de existência que implica unidade de espírito, manifestada em pensamento e vontade, conseguida pela entrega total, pelo amor. Daí a conclusão do versículo seguinte. Com este versículo, assim como com Rm 8, 9-11 Jesus aponta para a inhabitação trinitária.

OS PRECEITOS: Quem conserva meus preceitos e os guarda, esse é quem me ama. Quem, pois, me ama será amado por meu Pai e eu o amarei e me manifestarei a ele (21). Qui habet mandata mea et servat ea ille est qui diligit me qui autem diligit me diligetur a Patre meo et ego diligam eum et manifestabo ei me ipsum. O evangelista será mais explícito em 14, 23 onde pressupõe o amor como base dessa inhabitação: o amor, que repetirá na sua carta em 1 Jo 4, 16. Leão XIII dirá: Deus, por meio de sua graça, está na alma do justo em forma a mais íntima e inefável, como em seu templo. E disso se segue aquele mútuo amor pelo qual a alma está presente em Deus e está nele mais do que acontece entre os amigos mais fieis, e goza dEle com a mais gostosa doçura. E esta união admirável, que propriamente chamamos de inhabitação, só em condição e não em essência, se diferencia da que constitui a felicidade no céu… morada que se dá na alma amante de Deus. Vivida experimentalmente [a manifestação de que fala Jesus] constitui o último degrau da mística. Essencialmente, segundo S. Tomás, consiste: 1º) numa presença física das Pessoas Divinas que produzem e conservam em nós a graça e os demais dons sobrenaturais e que ele denomina de presença dinâmica. 2º) Presença intencional que não é outra que a potestade de gozar de Deus pela inteligência e vontade em modo sobrenatural e amigável, como uma antecipação do gozo eterno. Essa presença intelectual e volitiva não é por motivos naturais, como são a razão e a submissão de uma criatura para com seu Criador, mas implica a fé e a caridade pelas quais nos encontramos com um Pai e gozamos de um amigo íntimo, que em nós inspiram um amor superior a todo outro conhecido. Por isso dirá Jesus que o modo dEle de permanecer entre os seus discípulos é o amor. O amor não só é símbolo, mas produz a união mais íntima e verdadeira. Portanto será no cumprimento dos preceitos que será reconhecido esse amor. Um modelo perfeito é o cumprimento dos planos do Pai por Jesus que por isso foi causa da complacência do mesmo. Também o discípulo que ama Jesus será amado do Pai e Jesus o amará e se manifestará a ele.

PISTAS:
1) O Espírito da Verdade instaurou no Ocidente o lema filosófico fundamental: Vita impendere vero [arriscar a vida pela verdade] que foi pela primeira vez enunciado por Juvenal. Hoje nos perguntamos se são realidades fundamentais o amor, a justiça, o próximo, a paz, ou pelo contrário, o poder, o prazer, o imediatismo e o lucro, os que medem o valor das coisas e das pessoas?

2) Nesta luta cada vez mais atual entre as trevas e a luz pretendemos encontrar um terreno neutro como é o agnosticismo e o relativismo de uma posição cômoda sem compromissos?

3) Uma modernidade que podemos denominar selvagem em que a liberdade cega os olhos para não ver que a verdade é custosa porque nos limita; e que se nos deixarmos guiar pela liberdade como único norte, terminamos na libertinagem, porque seremos nós os que põem os limites que aliás só a nós favorecem. De fato, esta libertinagem está tomando conta da vida individual e social, destruindo a convivência e a paz.

4) Um olhar só para as ideias, sem se deter nos homens, é uma falsa doutrina porque coloca as coisas por cima das pessoas. As ideias, como os sujeitos, só serão boas se servirem para melhorar as pessoas. E o mundo só será melhor se as pessoas forem melhores.

5) Os momentos místicos de união são a prova mais relevante de que as palavras de Jesus eram verdadeiras. A manifestação de sua presença deu-se através dos séculos até os atuais em que sua presença foi sentida pelas almas místicas.


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QUE DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje! Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

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