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Índice desta página:
Nota: Cada seção contém Comentário, Leituras, Homilia do Diácono José da Cruz e Homilias e Comentário Exegético (Estudo Bíblico) extraído do site Presbíteros.com

. Evangelho de 03/07/2011 - Solenidade de São Pedro e São Paulo - Dia do Papa
. Evangelho de 26/06/2011 - 13º Domingo do Tempo Comum


Acostume-se a ler a Bíblia! Pegue-a agora para ver os trechos citados. Se você não sabe interpretar os livros, capítulos e versículos, acesse a página "A BÍBLIA COMENTADA" no menu ao lado.

Aqui nesta página, você pode ver as Leituras da Liturgia dos Domingos, colocando o cursor sobre os textos em azul. A Liturgia Diária está na página EVANGELHO DO DIA no menu ao lado.
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03.07.2011
SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO - DIA DO PAPA – Ano A
__ "SÃO PEDRO E SÃO PAULO APÓSTOLOS" __

Ambientação:
Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs! Celebramos hoje a Solenidade dos Apóstolos são Pedro e são Paulo, as duas colunas da fé católica. Pedro toma a dianteira da profissão de fé apostólica e recebe a cátedra da unidade da Igreja; Paulo leva a fé aos confins do mundo e estende a Igreja a todos os povos. Estas duas missões se condensam no ministério do Papa, cujo dia hoje celebramos. Por isso, rezamos de modo especial pelo Santo Padre o Papa Bento XVI, que se assenta na "cátedra" de Pedro, mas também percorre, com espírito paulino, o mundo, visitando seus irmãos e confirmando-os na fé. Que o óbolo de São Pedro seja nossa contribuição, por meio das coletas de hoje, para a missão da Igreja no mundo inteiro. A celebração de hoje é antiquíssima; foi inscrita no Santoral romano muito antes da festa do Natal. No século IV já se celebravam três missas, uma em São Pedro no Vaticano, outra em São Paulo fora dos muros, a terceira nas caracumbas de São Sebastião, onde provavelmente estiveram escondidos por algum tempo os corpos dos dois apóstolos. Entoemos cânticos jubilosos ao Senhor!

(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (At 12, 1-11): - "Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!"

SALMO RESPONSORIAL 33(34): - "De todos os temores me livrou o Senhor Deus."

SEGUNDA LEITURA (2Tm 4, 6-8.17-18): - "Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé."

EVANGELHO (Mt 16,13-19): - "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo."



Homilia do Diácono José da Cruz – SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO - DIA DO PAPA – Ano A

"Festa de São Pedro e São Paulo"

A Festa de São Pedro e São Paulo, celebrada nesse domingo, confirma a autenticidade da Igreja instituída por Jesus. Todos se orgulham e ficam felizes quando falamos de uma Igreja Santa, mas as fisionomias mudam quando a referência é a instituição, essa parte institucional, que representa o lado humano da Igreja, sempre duramente criticada, não só pelos que não comungam da sua doutrina, como infelizmente até por alguns de seus membros. Jesus não edificou a sua igreja sobre homens especiais, dotados de super-poderes, mas sobre Pedro, pescador da Galiléia, que representa bem os homens de todos os tempos da história da Igreja, pela sua fragilidade, pelos seus enganos, pelas decisões erradas, o apóstolo Pedro, com suas palavras e gestos, consegue arrebatar o leitor da Sagrada Escritura, nele tem-se em um determinado momento um testemunho belíssimo, e em outro, uma incoerência total , como quando Jesus anuncia-lhes a paixão e a morte, e o apóstolo quer convence-lo do contrário, sendo chamado de Satanás.

Provavelmente muita gente pensa que após pentecostes o nosso apóstolo criou juízo e transformou-se em modelo de santidade e perfeição, mas basta ver o seu relacionamento conturbado com o apóstolo São Paulo, por causa de divergências e desentendimentos, pensamentos contrários em relação à doutrina. A ação da graça de Deus e do Espírito Santo em nossa vida, não anula aquilo que é humano, assim é também com a Igreja, não existem duas igrejas, uma humana e outra divina, que competem entre si para ver quem é mais poderosa, mas uma só igreja, edificada sobre homens como Pedro, a quem o Senhor promete dar as chaves do céu, palavras que mostram a confiança que Jesus deposita no apóstolo.

Certamente não entregamos a chave da nossa casa para qualquer pessoa, mas tem de ser alguém de nossa plena confiança. O amor verdadeiro sempre confia e ajuda o outro a crescer, assim é Deus em relação ao homem, desde os primórdios da história da Salvação, na aliança com homens como Abraão, apenas ele promete e do homem apenas exige uma coisa: a fé! Como nos afirma a carta aos Hebreus, Jesus é o autor e o consumidor da nossa fé.

Os atributos humanos de Jesus sempre foram e serão exaltados pelos homens de todos os tempos, até mesmo pelos não crentes. Ele é apontado como excelência em liderança, comunicação, educação, psicologia, terapeuta, pedagogia. A sua inteligência e raciocínio, o seu modo de agir e de ensinar, demonstrando uma sabedoria insuperável, encanta e fascina aos homens de todos os tempos, ao longo da História.

João Batista, Elias, Jeremias ou algum dos profetas, eram celebridades entre o povo de Israel, ao confundir Jesus com esses personagens, o povo estava manifestando na verdade o inegável reconhecimento do seu poder e da sua sabedoria, porém, Pedro, iluminado pela fé, vê muito além de todos esses atributos humanos, para ele Jesus é o Filho de Deus! Pedro não havia chegado a essa conclusão por causa das promessas ou de alguma evidência histórica, mas sim pela sua experiência com Cristo. Da mesma forma a Vida de Paulo é toda transformada pela Força Operante da Graça de Deus, diferente de Pedro, Paulo tem cultura e formação e uma profunda convicção religiosa, que o coloca como um Zeloso Fariseu, além disso, tem poder e influência entre os Romanos sendo um cidadão do Império, com um título comprado pelo Pai, conhece a cultura grega. Enfim, já estava com a sua vida traçada, e esse projeto de Vida não incluía a “Virada” que aconteceu em sua vida a partir da experiência com Jesus.É este apóstolo, abortivo, como ele mesmo se define, o primeiro a atender o mandato missionário deixado por Jesus, “Evangelizai a todas as nações....”

Professar a fé em Jesus Cristo não é apenas ser seu admirador ou fã, mas sim aceitar o discipulado que o seu chamado nos traz, aprendendo de Jesus, todos e cada um dos seus ensinamentos, moldando-nos e configurando-nos a ele, transformando a própria vida em um evangelho vivo. A Fé reconhece em Jesus nosso Deus e Senhor e isso não é fruto do esforço humano, mas dom do próprio Deus que se revela, assim é com Pedro, assim é com o apóstolo Paulo, e assim é também com todos nós...

A Fé não é ponto de chegada, mas sim de partida, ela nos faz vislumbrar um caminho novo a ser percorrido, exatamente nas pegadas de Jesus, colocando-nos disponíveis e perseverantes, aceitando todos os riscos que a mesma nos implica. E por fim, podemos dizer que a fé também não é comodismo, tranqüilidade, solução mágica para problemas humanos, ou conquistas impossíveis.

É na fé que percebemos a ação de Deus em nossa vida como Pedro, no relato da primeira leitura, que foi liberto de maneira prodigiosa da prisão por um anjo do Senhor.

A primeira  leitura traz uma rica reflexão a partir de um fato histórico, alguém libertou Pedro da prisão, e o fez sob o poder e a proteção divina, quantas vezes estamos em uma situação complicada e aparece alguém que nos ajuda. Um anjo andou á frente do povo de Deus conduzindo-o para longe da escravidão do Egito, esse anjo enviado por Deus era Moisés e Deus agiu na escuridão da noite mostrando-nos que quando por causa da nossa fragilidade, não conseguimos enxergar o que vem pela frente, o próprio Deus toma á nossa frente, conduzindo-nos à libertação.

A verdadeira fé nos leva a esse reconhecimento “agora sei que Deus enviou-me o seu anjo que me libertou dos meus inimigos”, também Paulo, no final da sua jornada reconhece que o Senhor nunca o abandonou, mas esteve ao seu lado em todos os momentos, mesmo nos mais difíceis. A fidelidade da fé nos dá sempre essa certeza, de que o Senhor caminha conosco, vem daí a afirmação de Jesus de que “as portas do inferno não prevalecerão sobre a igreja”.

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Rodrigues Costa – SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO - DIA DO PAPA – Ano A

Viva o Papa!

Tu és o Cristo”, eis a profissão de fé de Pedro. “Tu és Pedro”, eis a demonstração de que Deus confia nos homens. Na clausura do Ano Sacerdotal, o Papa Bento XVI falava da audácia de Deus, que consiste em confiar nos homens a tal ponto de fazer deles instrumentos e canais de graça. Realmente, Deus confia em nós! Não nos necessita, mas quis necessitar de nós.

São Pedro nasceu em Betsaida, cidade da Galiléia. Conheceu Jesus através de seu irmão André. Jesus “fixando nele o olhar” (Jo 1,42) o chamou para segui-lo. O olhar carinhoso de Cristo devia ser arrebatador, convincente e encerrava um radicalismo de entrega a Deus atraente. Aquele olhar transformou Pedro, agora chamado Cefas, pedra, Pedro. De simples pescador converte-se num pescador de homens. Foi o vigário de Cristo na terra quando ele, o Senhor, já não estava entre os seus em corpo mortal.

Jesus quis instituir a sua Igreja tendo Pedro e seus sucessores à frente dela, e isso para sempre. Pedro, Lino, Cleto, Clemente, Evaristo, Alexandre, Sisto, Telésforo, Higino, Pio, Aniceto, Sotero, Eleutério, Vítor,… Pio XII, João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II, Bento XVI: 266 papas, 265 sucessores de São Pedro. Que maravilha! Cheios de entusiasmo professemos a nossa fé nesta Igreja, que é “Una, Santa, Católica e Apostólica, edificada por Jesus Cristo, sociedade visível instituída com órgãos hierárquicos e comunidade espiritual simultaneamente (…); fundada sobre os Apóstolos e transmitindo de geração em geração a sua palavra sempre viva e os seus poderes de Pastores no Sucessor de Pedro e nos Bispos em comunhão com ele; perpetuamente assistida pelo Espírito Santo” (Paulo VI, Credo do Povo de Deus).

S. Jerônimo expressou firmemente a sua adesão ao Papa com as seguintes palavras: “não sigo nenhum primado a não ser o de Cristo; por isso ponho-me em comunhão com a Sua Santidade, ou seja, com a cátedra de Pedro. Sei que sobre esta pedra está edificada a Igreja”.

A história da Igreja – são já dois mil anos! – é uma demonstração de força e de debilidade, também no que se refere à história do papado. Graças a Deus, o século XX está cheio de grandes Papas, a começar por S. Pio X no começo do século culminando com João Paulo II. Todos nós somos testemunhas também da bondade e da inteireza do atual Romano Pontífice, Bento XVI: quanta fortaleza, quanto amor a Deus, quantas lutas para defender a Santa Igreja. A maioria dos Papas foram homens magníficos, cheios de Deus e entregues ao serviço do rebanho a eles confiado.

A Igreja é santa, é guiada e sustentada por Deus, nada a pode derrotar. É Santa, os pecadores somos nós; Deus a fundamentou de tal maneira que nem o inferno e seus demônios, nem os homens, poderão derrotá-la. A Igreja, esposa de Cristo, chegará à Parusia. Outro fato maravilhoso é que os Papas, mais santos ou menos santos, sempre guardaram intacto o depósito da fé. Deus garante o pastoreio da Igreja através desses homens que ele mesmo escolheu. É fato e é dogma de fé: o Papa quando fala sobre coisas de fé e de moral com a sua autoridade de Supremo Pastor do rebanho não pode errar, não pode equivocar-se.

O Papa é sempre o bispo de Roma. Deus quis – em sua providência – que Roma tivesse esse significado especial na história da Igreja peregrina. O Romano Pontífice como vigário de Cristo é o administrador de Cristo aqui na terra, como sucessor de Pedro leva consigo toda a autoridade que Cristo confiou ao mesmo Pedro para apascentar o rebanho do Senhor. S. Josemaria Escrivá dizia que “o amor ao Romano Pontífice há de ser em nós uma bela paixão, porque nele vemos Cristo”.

O católico deve estar sempre perto do Papa: escutá-lo, apoiá-lo, rezar por ele e suas intenções. Não podemos romper a unidade católica: todos com o Papa! De fato, para estar em plena comunhão com a Igreja de Cristo, que subsiste na Igreja Católica, é preciso professar a mesma fé, celebrar os mesmos sacramentos e estar unidos à hierarquia cujo ponto principal é o Papa. “Sou católico, vivo a minha fé” (Edições CNBB), um Compêndio da Doutrina elaborado pela Conferência Episcopal, quando se pergunta “Quem é o Papa para nós, católicos?” responde da seguinte maneira: “o Papa é o sucessor do apóstolo Pedro, o bispo de Roma que Jesus constituiu como “perpétuo e visível fundamento da unidade” (…) é o pastor de toda a Igreja. (…) tem a missão de confirmar toda a Igreja na fé, continuando a mesma tarefa que Cristo confiou a Pedro (…) Todo católico, além de conhecer e viver a Palavra de Deus, de dar testemunho da sua fé em Cristo, de participar da comunidade eclesial, espaço de testemunho, de serviço, de diálogo e de anúncio, ama e respeita o Papa e os bispos como seus legítimos pastores. Ora por eles e obedece às orientações da Igreja Católica” (V,15)

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético – SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO - DIA DO PAPA – Ano A
(Extraído do site Presbíteros - Elaborado pelo Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

Epístola (2 Tm 4, 6-8. 17-18)

Pois eu estou sendo oferecido em libação e a ocasião de minha partida tem chegado (6). Ego enim iam delibor et tempus meae resolutionis instat. OFEERECIDO EM LIBAÇÃO: O verbo spendö [<5743>=delibare] significa derramar, fazer uma libação, e figuradamente, na passiva, de uma pessoa cujo sangue é derramado em morte violenta por causa de Deus. Sai duas vezes no NT. Na segunda é em Fp 2,17:Mesmo que eu seja oferecido por libação [spendomai]sobre o sacrifício. É o mesmo Paulo que fala e que claramente usa com o mesmo sentido o verbo em questão. OCASIÃO: A palavra Kairos [<2540>=tempus] é o momento propício, que temos traduzido por ocasião. PARTIDA: em grego analysis [<359>=resolutio] dissolução, saída, especialmente de um barco, soltar amarras. Paulo está preso em Roma, desamparado de todos sem esperança de libertação. Era o ano de 67 pouco antes de sua morte. Antes desta em que derramou seu sangue por causa do evangelho, escreve esta carta pedindo a Timóteo para que lhe acompanhe nos seus dias finais.

A luta, a boa, lutei. A corrida completei, a fé guardei (7). Bonum certamen certavi cursum consummavi fidem servavi. LUTA: [aglön<73>=certamen] o significado é assembleia, o lugar onde se realiza a assembleia, especialmente para os jogos, a arena dos mesmos, daí a luta, e em geral uma luta ou combate e finalmente uma ação legal ou julgamento. Aqui é claro que Paulo considera sua vida como um combate contínuo contra o mal, contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestes (Ef 6, 12). O evangelho encontra um inimigo terrível nas verdadeiras forças do mal que não são a carne e sangue [os homens], mas as potestades celestes, ou seja, o próprio Satanás cujo reino Jesus previa como caindo (Lc 10, 18). Só assim descobriremos como a Igreja é perseguida, aparentemente sem motivo ou razão suficiente, como para ser o sangue de seus mártires realmente libados no terreno da História. Isso abre uma porta à interpretação da História do ponto de vista sobrenatural, em que existem momentos como na vida de Jesus dos quais podemos dizer como o Senhor: esta é a hora e o poder das trevas (Lc 22, 63). E Paulo continua sua comparação com o espetáculo dos jogos antigos como se fosse um gladiador que agora entra na corrida das bigas e quadrigas do circo, tudo para conservar sua fé naturalmente na missão de Cristo.

Do resto, me está reservada a coroa da justiça que me dará o Senhor naquele dia, o justo juiz; pois não só a mim, mas a todos os que amam seu advento (8). In reliquo reposita est mihi iustitiae corona quam reddet mihi Dominus in illa die iustus iudex non solum autem mihi sed et his qui diligunt adventum eius.Porém o triunfo final será sempre o triunfo do bem, onde a coroa da justiça, isto é, o prêmio [estamos dentro da arena da competição] a levará unicamente quem tiver competido com a regra do bem-fazer, ou seja, de quem cuidou de cumprir os mandatos do Senhor que constitui a única justiça válida e digna de recompensa. Por isso, a recompensa vem do Senhor, como justo juiz. E esta vitória não é só de Paulo, mas de todos os que amam ou estão esperando esse seu último advento ou presença entre a humanidade.

Pois o Senhor esteve presente e me deu forças para que por meu meio o anúncio fosse completado e o ouvissem todos os gentios e fui libertado da boca do leão (17). Dominus autem mihi adstitit et confortavit me ut per me praedicatio impleatur et audiant omnes gentes et liberatus sum de ore leonis. Nos versículos que faltam nesta leitura Paulo se queixa de sua solidão. Ninguém o visita, ninguém o ajuda. Mas ele encontrou um advogado no Senhor. Foi tal a sua defesa unicamente com a ajuda do paracletos [o advogado defensor prometido por Jesus] que serviu para dar a conhecer o evangelho entre os gentios como aprece na sua defesa diante do rei Agripa (At 25, 13 ss). E diz que foi libertado da boca do leão, ou seja, até agora nessa primeira audiência não foi condenado, como lemos em Sl 22,21: salva-me das faces do leão e talvez tenha em conta o castigo dado a Daniel na cova dos leões do qual o anjo de Jahveh o libertou, mas fizeram pedaços dos corpos de seus inimigos (Dn cap 6).

E me libertará o Senhor de toda obra má e salvará para seu reino, o do céu, ao qual a glória para os séculos dos séculos. Amém (18). Liberabit me Dominus ab omni opere malo et salvum faciet in regnum suum caeleste cui gloria in saecula saeculorum amen. Paulo fala num futuro que ele vê próximo, pois sua morte está já às portas, já que terminou a carreira e finalizou o combate (ver 7). E nessa visão, tem confiança de que Deus [o Senhor, pois Cristo é o Senhor Jesus] liberta-lo-á de toda espécie de mal e o levará ao Reino definitivo que segundo Paulo é o que está no céu [epouranios <2032>=caelestis] ou celeste, coisa oposta a epi tës gës [sobre a terra ou terrestre]. Finalmente, termina com uma doxologia: Glória [doxa], honra ou louvor a esse Deus por sempre. A frase eis tous aiönas tön aiönion tem em latim a tradução de pelos séculos dos séculos e podemos traduzi-la para sempre e por sempre, o que geralmente é por sempre jamais.

Evangelho (Mt 16, 13-19)
PEDRO E PAULO APÓSTOLOS

INTRODUÇÃO: Este evangelho é o primeiro IBOPE do qual temos notícia. A pergunta é: Quem dizem os homens que sou eu, como Filho do Homem? (13). Dois são os elementos de estudo principais derivados deste evangelho: Ekklësia e Petros. Estudaremos o texto comparando-o com os paralelos de Marcos 8, 27-30 e Lucas 9, 18-21. É um texto, o de Mateus, fundamental, que ilumina biblicamente a primitiva Igreja tal e como foi fundada por Jesus. Ekklësia, palavra grega que significa assembleia, designa a comunidade nova, o novo povo de Deus, que ia substituir o antigo povo de Israel. Nela, Petros [a rocha], obtem o poder supremo, o chamado primado do reino que dirá a última palavra sobre quem está dentro e quem deve ser expulso da mesma Ekklësia. E esta estrutura seria a definitiva, sem que a morte [os portões do Ades], tanto de Pedro como de seus sucessores, pudesse contra ela. As consequências são essenciais para entender o cristianismo atual, como organização que contribui para a obra de salvação de Jesus.

A PERGUNTA: Tendo chegado então Jesus para as terras de Cesareia de Filipe, perguntou a seus discípulos dizendo: Quem dizem os homens ser eu, o Filho do homem? (13). Venit autem Iesus in partes Caesareae Philippi et interrogabat discipulos suos dicens quem dicunt homines esse Filium hominis. O LOCAL: Mateus diz que era perto de Cesaréia de Filipe. Na realidade, Jesus veio para os distritos [merë], lugares, ou terras que eram dessa cidade. Cesareia era o nome comum de várias cidades. Essencialmente, na Palestina, existiam duas Cesareias: a de Palestina, cidade romana, fundada por Herodes o Grande, situada na costa do Mediterrâneo, 37 Km ao sul do monte Carmelo e 100 Km ao noroeste de Jerusalém; e a Cesareia de Filipe, cidade gentílica, situada no sopé do monte Hermom, no Antilíbano, na cabeceira principal do rio Jordão, 32 Km ao norte da Galileia. Distava 40Km de Betsaida [dois dias de caminho desta última]. A antiga Panion também Pânias, que hoje ainda subsiste com o nome de Baniyas numa aldeia das fontes do Jordão. Foi helenizada no século III aC e tinha uma população, também na região, que em sua maioria não era judia. Em 20 aC, Augusto a cedeu a Herodes, que nela construiu um grandioso templo dedicado ao imperador, feito de mármore branco, sobre uma rocha que dominava a cidade e a fértil planície da qual era capital a antigas Pânias, assim chamada porque perto da cidade existia uma gruta, dedicada desde tempos remotos, ao deus Pan ou Panion [deus dos pastores e das florestas]. A cidade foi ampliada e embelezada pelo tetrarca Filipe, que lhe deu o nome de Cesareia em honra de Tibério César. Por isso foi chamada de Cesaréia de Filipe. A partir do século II foi chamada de Cesareia de Pânias e no século IV em diante, o termo Cesareia desapareceu, permanecendo apenas o antigo Pânias. O templo sobre a rocha evidentemente era um símbolo que Jesus não devia desperdiçar. A PERGUNTA: Segundo o evangelho de Mateus, a tradução literal do versículo 13 seria: Quem me dizem os homens ser o Filho do Homem? Esse me [a mim] não está sendo traduzido na vulgata latina nem nas versões vernáculas. Numa linguagem mais elaborada a tradução seria: quem dizem os homens que Eu, o filho do homem, sou? É notório que nas três recensões da pergunta dos três sinóticos a pergunta é a mesma na primeira parte: quem me dizem os homens [as turbas em Lucas] ser? Ou quem dizem os homens que eu sou? Se tomarmos unicamente Mateus, a pergunta seria sobre o Filho do homem. Que ideia tinha a gente sobre esta figura tão frequentemente usada por Jesus como unida ao Reino por ele pregado e presidido? A expressão Filho do homem é semítica e significa em princípio um membro da comunidade humana, especialmente na sua fase de frágil mortal (Is 51, 12 e Jó 25, 6). A expressão Filho do homem se transforma em Daniel (7, 13 +) numa figura simbólica. De um significado plural [o povo dos eleitos] passa a tomar um significado singular como o Filho do homem [um homem] que recebe a glória e o poder que pertencem unicamente a Deus. Por isso foi dado a ele domínio e glória e um reino, de modo que todos os povos, nações e línguas o servissem; seu domínio é um domínio para sempre, que nunca passará e seu reino é um reino que nunca será destruído. Neste último sentido é o título preferido por Jesus, aparecendo setenta vezes na sua boca nos evangelhos. Nesta ocasião, Jesus queria saber qual era a opinião da gente sobre sua pessoa como pregador público de uma mensagem divina. Uma pergunta diretamente unida a seu rol como pregador de um reino que os discípulos esperavam fosse instaurado modo militari em Jerusalém, onde esperavam ir em breve. A figura cume desse reino era, sem dúvida, Jesus que a si mesmo se intitulava como Filho do Homem. FILHO DO HOMEM: ‘O ‘yiós tou anthrópou é uma tradução grega de BEM ADÁM que ocorre 120 vezes no AT, das quais 96 em Ezequiel, e que é um sinônimo de homem. Em Ezequiel é a denominação que Javé dá ao próprio profeta e é sempre em vocativo. Representava a humanidade em contraste com Deus e aparentando a porção da mesma que sofreria a ira do mesmo. Grita e geme, ó filho do homem, porque ela[a notícia] será contra meu povo(Ez 21, 11). Nos salmos representa a fragilidade humana em comparação com a fortaleza de Deus (8, 4-6). Porém em Dn 7, 13 aparece um como, ou semelhante a um filho de homem [Kebar mas, ‘os Yiós anthropou, quase filius hominis]. Ele provém do céu e é destinado a possuir o domínio universal. Jesus precisamente o aplica à sua vinda futura em Mt 24, 30 e lugares paralelos. No NT a frase, com uma exceção [quando Estêvão vê o filho do homem], é sempre achada em frases, pronunciadas por Jesus. Mateus usa a frase 30 vezes, Marcos 14, Lucas 25 e João 13. O ponto crucial é precisamente este trecho do evangelho de hoje.

A RESPOSTA: Eles, pois, disseram: Uns, certamente, João, o Batista, outros porém, Elias; e outros, Jeremias ou um dos profetas(14). At illi dixerunt alii Iohannem Baptistam alii autem Heliam alii vero Hieremiam aut unum ex prophetis. A RESPOSTA: Podemos dividir esta em duas partes bem diferenciadas: uma, a geral, dada pelo povo, que praticamente indica Jesus como um homem de Deus, especialmente como um profeta comparável aos grandes de Israel; a outra é a resposta particular dada por Simão Pedro. Vamos estudar ambas as respostas. A) O Batista: A pregação de Jesus e dos discípulos era a mesma de João: Arrependei-vos, o reino de Deus está próximo (Mt 3, 2) e oferecia um batismo como o do adusto homem do deserto (Jo 3, 22-23). O parecido parentesco entre o Batista e Jesus (Lc 1, 36) talvez facilitasse a ideia de que Jesus era o Batista ressuscitado. Afirmava-se que João, o Batista, era Elias, pois a Escritura afirmava que o antigo profeta não tinha morrido, mas fora arrebatado aos céus no meio de uma tempestade de fogo (2Rs 2, 11). Essa era a razão pela qual se esperava a sua vinda. B) Elias propriamente dito. Segundo a tradição, Elias escreveu uma carta depois de ser arrebatado (2 Cr 21, 12) dirigida ao rei Jorão de Judá por sua conduta idolátrica já que tinha como esposa uma filha do ímpio rei Acab de Israel. Supunha-se, pois, que Elias voltaria antes do dia do Senhor, o dia da vingança e do castigo dos ímpios, dia da ira que está por vir (Jo 3, 7). Em Malaquias 3, 1 lemos: Eu vos envio meu mensageiro. Ele aplainará o caminho diante de mim. Por isso numa data posterior ao livro [após o ano 450 aC] identifica este mensageiro ou anjo, com Elias (seria no acrescentado capítulo 4, versículo 5, que não está no canônico Malaquias). Na sua complicada alegoria animalística da História, o livro apócrifo de Henoc (século II aC), descreve a aparição de Elias antes do juízo e da aparição do grande cordeiro apocalíptico. Isto é importante, visto que João falava do Cordeiro de Deus (Jo 1, 29). Em Eclo 48, 10, temos outra referência do século II aC: Tu que fostes designado nas censuras para os tempos a vir, para aplacar a cólera antes que ela se desencadeie, reconduzir o coração do pai para o filho (Lc 1, 17). Vistos os milagres que Jesus operava, os contemporâneos de Jesus pensavam que se não fosse Elias, que em vida realizou muitos e notáveis milagres, devia ser um profeta redivivo [aneste=despertado] pois a profecia tinha acabado e não era necessária nos tempos messiânicos. C) Jeremias: esta identificação é própria de Mateus, porque como vemos em 2 Mc 2, 4-7 temos Jeremias escondendo a arca e o altar dos perfumes na montanha de Moisés para afirmar: Este lugar ficará desconhecido até que Deus tenha consumado a reunião de seu povo e lhe tenha manifestado a sua misericórdia. E em 2 Mc 15, 13 lemos: Apareceu a Judas um homem de cabelos brancos…Onias disse: Este homem que ora pelo povo e pela cidade santa é Jeremias, o profeta de Deus. D) Um profeta. Lucas dirá que é um dos antigos profetas, redivivo. De fato, os judeus distinguiam entre antigos profetas como Josué, Juízes, Samuel, Davi e os profetas compreendidos no reinado de Davi, e os últimos profetas, a começar por Isaías e terminar com Malaquias. A que profeta se referem os discípulos como porta-voz da vox populi? Talvez Samuel que já nos tempos de Saul se mostrou redivivo em 1 Sm 28, 12 diante da médium de Endor? ( ver hades em parágrafo posterior). Ou talvez Moisés, pois a ele comparam a atuação de Jesus como vemos em Jo 5, 45-46 e 6, 31-32. Na realidade, os enviados oficiais perguntam a João se ele não era o Profeta [como conhecido personagem, esperado nos tempos messiânicos] de Dt 18, 15-18. Pois Javé disse a Moisés: um profeta como tu suscitarei do meio de teus irmãos. Por isso em 1 Mc 3, 45 aguardavam a vinda de um profeta que se pronunciasse a respeito. Este profeta, semelhante a Moisés, que deveria ser escutado em tudo (At 3, 22), era o próprio Jesus, coisa que o povo admitiu após a multiplicação dos pães (Jo 6, 14) e na festa dos tabernáculos em Jerusalém(Jo 7, 40).

E VÓS? Diz-lhes: Vós, pois, quem dizeis que eu sou? (15). Dicit illis vos autem quem me esse dicitis. Que ideia têm eles, seus discípulos, do Filho do homem? Ou seja, que papel na vida pública, especialmente na vida religiosa, deve ter Jesus entre seus conterrâneos? Em qual dessas categorias deveria ser incluído o Mestre que foi seu guia e com o qual conviviam durante esse tempo?

PEDRO: Tendo respondido Simão Pedro disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente (16). Respondens Simon Petrus dixit tu es Christus Filius Dei vivi. O apóstolo-chefe é conhecido por diversos nomes entre os autores do NT. A) Simão. O nome original do apóstolo era Simão, forma abreviada de Simeão [famoso]. De fato, seu nome completo, ou como diríamos hoje, seu DNI era Simão bar Jonas [Simão, filho de Jonas], que a vulgata conserva como Simon bar Iona como vemos no versículo 17 do evangelho de hoje. Já o quarto evangelista diz dele que era filho de João [‘yiós Iöannou] (1, 42), e que a vulgata traduz por filius Iona (?) que o próprio evangelista repete em 21, 15, como Simon Iöannou [Simão de João], com a vulgata agora traduzindo corretamente por filius Ioannis ou de João. A dúvida existe: o pai era Jonas [pomba] ou João [ favor de Deus]? Talvez a solução seja a diferença entre o aramaico e o hebraico em cuja escrita as consoantes de Jonas e João eram as mesmas mas a pronúncia diferente. Jesus, sempre que fala com o apóstolo, usa o nome de Simão. Além do nome próprio ou, como dizem em inglês first name, temos outros personagens com o nome de Simão no NT: Simão, o zelotes, um dos doze (Mt 10, 4); Simão, o irmão do Senhor (Mt 13, 55); Simão, o leproso de Betânia (Mt 26, 6); Simão, o fariseu (Lc 7, 40); Simão, o Cirineu( Mt 27, 32); Simão, pai de Judas, o Iscariotes (Jo 6, 71); Simão, mago (At 8, 9) e Simão de Jope (At 8, 18). Com este nome de Simão é que Jesus o chama B) Como Pedro em latim Petrus e em grego Petros. Uma única vez aparece na boca de Jesus como vocativo ( Lc 22, 34). Esta única ocasião mais parece redacional que ipsissima verba Christi [as próprias palavras de Cristo]. Dentro da parte que poderíamos chamar redacional dos evangelhos, encontramos a palavra Pedro em Mateus 16 vezes, em Marcos 11, em Lucas 9, em João 9 e 3 nos Atos. C) Como Simão Pedro em Mateus 3, em Marcos 1, em Lucas 2, em João 17 e em Atos 4. D) Como Kefas [o aramaico por rocha] aparece em João 1, 42 e nas epístolas de Paulo, nas duas primeiras, Gálatas e 1 Coríntios e sempre na boca de Paulo. Deste nome podemos deduzir que a palavra usada por Jesus foi Kefas e que, aos poucos, ela foi traduzida ao grego como Petros, com o mesmo significado; pois pedra seria lythos. Em latim petra também significa rocha, tendo o significado de pedra a palavra lápis ou calculus. A RESPOSTA: Em nome dos doze, Simão responde: Tu és o Cristo [Ungido], o Filho do Deus vivente. Vamos comparar esta resposta com a de Marcos: Tu és o Cristo (Mc 8, 29), e a de Lucas: O Cristo do (sic) Deus. Ninguém duvida de que a resposta mais breve de Marcos é a saída da boca de Pedro. A de Lucas pode ser redacional ao explicar a unção como feita pelo Deus único e a de Mateus uma explicação, como sempre, de um bom catequista, para entender as palavras do apóstolo e a bênção imediata de Jesus. Qual era o significado de Cristo [Chrestós em grego]? Logicamente devemos recorrer à palavra correspondente hebraica. Significa Ungido que seria a tradução da palavra aramaica Messiah. A palavra Messias era traduzida como Christos em grego (Jo 1, 41). Originariamente era uma referência de Há Kohen há Massiah [o sacerdote, o ungido], ou seja, o Sumo Sacerdote, em cuja cabeça tinha sido derramado o óleo, quando consagrado como líder espiritual da comunidade (Lv 4, 3). Daí que o Messias era alguém investido por Deus de uma responsabilidade espiritual especial. Nos tempos de Jesus, existia a ideia de que um descendente da casa de Davi seria o Messias que redimiria a humanidade; tradição que provinha dos tempos de Isaías. E foi o profeta Daniel em 9, 25 que deu uma nova esperança a esse ungido de Deus. Essa tradição encarava o Messias, não como um ser divino, mas apenas como um homem, um grande chefe, reformador social, que iniciaria uma era de paz perfeita. É o que os anjos prometeram aos pastores ao anunciarem o nascimento do Salvador que era o Messias (Lc 2, 14). O termo Filho de Deus vivo era título Messiânico, assim como Santo de Deus (Jo 6, 69). O nome de Filho de Deus é uma expressão usada por Oséias em 2, 1: Aos filhos de Israel…se lhes dirá filhos do Deus vivo, o qual concorda perfeitamente com a frase de Mateus e a confissão de Marta: Eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que vem a este mundo (Jo 11, 27). O Santo [consagrado] de Deus, era também um título Messiânico, como vemos em Jo 6, 6, numa confissão feita pelo próprio Pedro. Talvez esta confissão de Pedro no quarto evangelho seja uma réplica mais ou menos exata da que hoje estudamos em Mateus. Para um judeu, o Messias era produto de uma eleição divina que confiava uma missão especialíssima ao seu ungido. Para um grego ou um romano, o título ia além da personalidade humana do Messias. Sabemos que os judeus admitiram Jesus como Messias [Chrestós], título que para os gentios era traduzido como Senhor [Kyrios]. Pois Deus o constituiu Senhor e Cristo [Kyrion autón kai Christon, de At 2, 36]. Sabia Pedro o significado substancial de suas palavras? Pelo que vemos em 16, 22, não. Porém Jesus se serviu das mesmas para fundar sua Igreja. A palavra Messias significa Ungido. Portanto, dizer tu és o Chirstós [Ungido] é a mesma coisa que dizer tu és o Messias. Quanto às palavras O Filho do Deus Vivente [muito melhor do que vivo], que seria dizer o mesmo que Filho do Deus verdadeiro, porque os outros deuses não existem, não vivem; os autores duvidam se são verdadeiramente palavras de Pedro ou foram acrescentadas pela tradição como parêntesis explicativo para distinguir entre o Messias, filho de Davi, um rei de âmbito regional, e o Messias, Filho do verdadeiro Deus, Senhor, portanto, do Universo. As razões aludidas pelos exegetas baseiam-se fundamentalmente nos lugares paralelos de Marcos [tu és o Ungido] e de Lucas [és o Ungido de Deus]. A declaração de filiação divina tem um amplo significado na tradição judaica, já que todo rei era considerado filho de Deus por virtude de seu ofício, como representante divino perante o povo. Mateus, como seus dois paralelos sinóticos, proíbe aos discípulos que digam a alguém que ele [Jesus] era o Cristo. Se o sentido de Filho de Deus fosse estrito, como o entendemos atualmente, a proibição devia recair sobre esta segunda parte, Jesus como Deus, muito mais escandalosa e até blasfema para os contemporâneos, como vemos que a contemplou Caifás (Mt 26, 36). Existia uma aposição entre Messias e Filho de Deus. O pontífice conjura Jesus, em nome do Deus, do vivo [notar a coincidência dos termos] a que declarasse se ele era o Messias, o Filho de Deus. E então Jesus explica a sua transcendência, dizendo estará sentado à direita do Poder [de Deus] e vindo sobre as nuvens do céu. Com isso, o seu messiado se transforma em Divindade; e, portanto, Caifás entende escutar uma blasfêmia já que um homem se declara divino. Mesmo que a resposta de Pedro que estudamos seja estritamente histórica, nem por isso deveria ter um significado transcendente, como era o de declarar Jesus unigênito do Pai.

RESPOSTA DE JESUS: Então tendo respondido Jesus disse-lhe: Bendito és Simão Bar Ionas porque carne nem sangue te revelou mas o meu Pai o (que está ) nos céus (17). Respondens autem Iesus dixit ei beatus es Simon Bar Iona quia caro et sanguis non revelavit tibi sed Pater meus qui in caelis est. BEMAVENTURADO ÉS: O makarismo indica um favor divino alcançado por Pedro que Jesus explicará posteriormente. A carne e o sangue não te revelaram o que disseste. Carne e sangue é uma expressão semítica para significar o homem todo, considerado como puramente homem. Foi o meu Pai [que habita] nos céus que revelou o Filho a Pedro. Mateus entra na mesma linha lógica que descreve João em 6, 36: Todo aquele que o Pai me der virá a mim. Jesus considerou esta declaração de Pedro de tal importância que afirma duas coisas que, sem dúvida, transformarão a personalidade e o ministério do apóstolo.

PEDRO E A IGREJA: E por isso te digo, que tu és rocha e e sobre esta rocha edificarei minha Igreja. E (os) portões do Hades não prevalecerão sobre ela (18). Et ego dico tibi quia tu es Petrus et super hanc petram aedificabo ecclesiam meam et portae inferi non praevalebunt adversum eam. A) Tu es Petrus: Com esta primeira declaração, Jesus além de trocar o nome do apóstolo, que agora seria Kefas, como vemos nos primeiros escritos (Gálatas e 1Cor), significa seu novo ministério: ser fundamento de um edifício como a rocha era e é em todos os tempos. O nome de Simão seria trocado e usado em grego como Petros derivado da palavra Petra com o significado de rocha ou penhasco. A tradução do grego é muito mais esclarecedora pela força das palavras. Jesus afirma: sobre esta mesma rocha [taute te petra], ou sobre esta que é a rocha, edificarei a minha Igreja. Segundo as escrituras, a mudança de nome é um claro sinal de uma especial escolha e missão divinas. Abrão se tornará Abraão (Gn 17, 5). Jacó se tornará Israel (Gn 32, 29). Sarai será chamada Sara (Gn 17, 15). Gedeão recebeu o nome de Jerobaal (Jz 6, 32). A exceção do caso de Gedeão, todos os outros recebem diretamente de Deus e, coisa notável, com o nome novo nasce um povo novo em todos os casos: Abraão como pai de uma multidão de nações; Sara como matriz de reis poderosos; Israel foi o pai do povo do mesmo nome. Por isso, podemos deduzir que Rocha é não unicamente uma mudança de nome, mas também implica uma novidade de um povo, o povo da nova aliança, do Reinado do Senhor Jesus, que neste caso Mateus chama de sua Igreja. B) Ekklësia: Sobre esta Rocha edificarei a minha Igreja. As traduções que usam a palavra pedra estão deturpadas. Como vimos anteriormente, elas não dariam o verdadeiro sentido de rocha como fundamento sobre o qual se edifica uma casa. Jesus usa a palavra Igreja [Ekklësia] que só aparece uma outra vez em Mateus 18, 17 com o significado de assembleia e nunca em outros evangelhos. Só nos Atos aparece pela primeira vez em 5, 11 quando todos ficaram com grande temor ao conhecerem os fatos de Ananias e Safira. Igreja está aqui como reino visível, comunidade escatológica [no sentido dos últimos tempos] a substituir a sinagoga nestes tempos finais, constituída pelos fiéis que acreditam em Cristo. Há quem, citando as palavras de Paulo, que só admite um fundamento que é Cristo (1 Cor 3, 11) confunda a rocha com o(s) fundamento(s) e admite que também os outros apóstolos edificam sobre o mesmo fundamento diminuindo assim a importância de Pedro, pois Cristo é a pedra mestra [akrogoniaios e lapis, nada de petron ou petra!] (Ef 2, 20) {ver parágrafo anterior da RESPOSTA DE JESUS}. Mas esquecem que a pedra mestra não era o fundamento mas o remate do arco da qual dependia a estabilidade do mesmo. De fato, o grego akrogoniaios tem como raiz akron [tope] e gonia [ângulo], sem nada haver com o elemento pedra [rocha]. Neste caso particular de Pedro, Jesus toma do templo de Pan, de mármore branco, edificado sobre uma rocha nas fontes do Jordão, o simbolismo da igreja e do seu chefe, Pedro. C) O Hades: Esta Igreja que começou com Pedro-rocha será a última e eterna como reunião do povo eleito porque as portas do Hades não prevalecerão contra ela. Se a afirmação de rocha como personalidade de Simão não fosse suficiente, Jesus persiste nos poderes e qualidades do seu apóstolo ao declarar seu papel primordial nessa grande assembleia dos eleitos, cuja perpetuidade descreve com palavras tomadas da tradição judaica. Fala das portas do inferno, ou melhor, portões do inferno. Há duas palavras em grego que são traduzidas por portas, mas que o inglês traduz por Gates [pyle] e doors [thyra]; em português poderíamos dizer portões e portas. O portão [pyle] era a entrada de uma cidade, de um templo, de um cárcere, de um reino. Assim a sublime porta do império turco. Pyle sai 9 vezes no NT. A porta [thyra] é a entrada ou a peça de madeira ou metal que fecha a mesma na casa e os interiores; também os sepulcros e os apriscos. É usada 18 vezes no NT. Chama a atenção que o pyle se usa em plural [pylai]. Porque os judeus admitiam 3 portas na cidade dos mortos, que corresponde ao Hades grego. Também podemos dizer que a maioria dos portões da cidade eram duplos com um espaço no meio para os guardas e os coletores de impostos. O Hades grego era o reino de uma ilha na nebulosa e subterrânea parte da terra, da qual era rei Aides [o invisível] ou Pluto [o rico]. Tanto bons como maus continuavam a existir como sombras em constante sede, nesse lugar tenebroso. Dentro do Hades, nesse mundo inferior [inferno] existia também um abismo chamado Tártaro, a região mais inferior da terra em que os malvados eram punidos. No judaísmo temos o Sheol do AT, que corresponderia ao Hades grego e a Gehena do NT, esta última identificada com o Tártaro. A essa expressão corresponde o Salmo 9, 14: Tu que me fazes subir das portas da morte. E ao Hades, região dos mortos , Atos 2, 27: Não deixarás a minha vida no Hades e 2, 31: Não foi deixada a vida dele [Cristo] no Hades, que as bíblias traduzem por morte ou região dos mortos. Como conclusão, podemos afirmar que a frase: as portas do inferno não prevalecerão, significa que a morte, o fim, jamais chegará a esta Igreja.

AS CHAVES: E dar-te-ei as chaves do Reino dos céus; portanto, se algo atares na terra, está atado nos céus e o que desatares sobre a terra estará desatado nos céus (19). Et tibi dabo claves regni caelorum et quodcumque ligaveris super terram erit ligatum in caelis et quodcumque solveris super terram erit solutum in caelis. Constituída a comunidade de Jesus como uma cidade com seus muros e portões próprios, só existe uma maneira de entrar: abrir as mesmas por meio de chaves, já que o assalto à mesma está descartado no parágrafo anterior [não prevalecerão]. Os levitas passavam a noite na casa de Deus, pois, a eles cabia guardá-la e abri-la todas as manhãs (1 Cr 9, 27). Sobre o ombro do mordomo Eliacim, filho de Helcias, porá o Senhor Deus a chave da casa de Davi. Ele abrirá e ninguém fechará. Fechará e ninguém abrirá (Is 22, 22). Essa é a chave de Davi que está precisamente nas mãos do Filho do Homem do Apocalipse(3, 7). A similitude é tomada dos costumes da época. Ainda hoje os árabes carregam no ombro uma grande chave para indicar sua autoridade e potestade. A nenhum outro apóstolo foram dadas essas chaves que indicam o total domínio da Igreja. Como no parágrafo anterior, Pedro é singularmente favorecido, além de ser a rocha sobre a qual o fundamento da fé que é Cristo, edificará sua comunidade de crentes. Pedro terá as chaves para indicar quem deve ser incluído ou excluído. Estas chaves têm os seguintes significados: a) O chefe do palácio era quem recebia as chaves (Is 22, 22) e, portanto, era o dignatário de maior hierarquia. b) Se ligadas ao parágrafo posterior, as chaves servem par abrir e fechar, para admitir a entrada dos dignos e para expulsar os indignos. c) Mas também, seguindo o uso rabínico da época, as chaves eram o símbolo do ato de sentenciar questões religiosas como declarar lícita ou ilícita uma conduta. Concordam com esta interpretação as palavras de Jesus aos escribas: Ai de vós legistas, que tomastes as chaves do conhecimento; vós mesmos não entrastes e os que queriam entrar, vós os impedistes (Lc 11, 52). Os rabinos aplicavam a explicação da lei no sentido de declarar algo permitido ou proibido (Jo 21, 13-18). Agora serão Jesus e seus discípulos os que terão autoridade para representar o verdadeiro ensino. Mais: nesse caso o paralelo com as chaves indica que se trata de um verdadeiro poder e não de uma licença de ensino. É o poder que Mateus dá a comunidade na pessoa dos discípulos que têm de declarar quem é culpado de uma transgressão ou pecado, que justifica sua expulsão como membro da comum convivência. Na jurisprudência judaica da época, as chaves significam a faculdade que tinham os juízes de mandar para a prisão ou deixar livre um acusado. Poucos anos mais tarde, Rabi Neconia terminava seus sermões pedindo a Javé que não deixasse atado o que ele tinha desatado, nem desatado o que ele tinha atado; que não purificasse o que ele declarava impuro, nem tornasse impuro o que ele dissera ser puro. Em Mt 18, 18 este poder de excomungar um obstinado é dado, em termos gerais, à igreja, considerada como corpo jurídico, o que aqui é concedido em termos particulares a Pedro, o supremo pastor que deve governá-la em nome e com o amor de Jesus distribuído aos irmãos com dedicação (Jo 21,15-17 e 1 Pd 5,2).

COMENTÁRIOS: O texto é tão claro que os ortodoxos gregos afirmam que, em suas dioceses, os bispos que confessam a verdadeira fé se integram em Pedro como sucessores e dele herdam o primado. Os evangélicos reconhecem a posição e a função privilegiada de Pedro nas origens da Igreja, mas não admitem sucessor e restringem os poderes à pessoa de Pedro. Os católicos fundamentam sua interpretação no versículo 18: A igreja é imortal, e seu fundamento deve perdurar sempre. Assim como ortodoxos e evangélicos admitem bispos presbíteros e diáconos, como sucessores dos primitivos homônimos, por que unicamente o princípio de unidade deve estar ausente, se é sobre essa rocha que foi fundada a Igreja? Com razão comentava um colega meu no sacerdócio: Nós, católicos, temos a certeza e o orgulho de sermos a única Igreja cristã, edificada sobre fundamento rochoso, sobre Pedro (ver Mt 7,24). Daí que séculos mais tarde os latinos, com outro primado diferente de Pedro, afirmassem Ubi Petrus ibi Ecclesia Onde está Pedro aí está a Igreja. No caso de não levarmos o livre arbítrio da interpretação das escrituras ao extremo tão radical, que rejeitemos toda outra autoridade que não seja a acrata da interpretação individual, não se entende por que se admitem sucessores dos apóstolos como são os bispos, rejeitando os sucessores de Pedro, cuja base escriturística é pelo menos tão evidente como a dos bispos, já que em Pedro está fundada a Igreja.

Pistas:
1) Deixemos a primeira pergunta – quem dizem os homens que sou eu?- Porque como está o mundo talvez a reposta muçulmana [um profeta anterior a Maomé] seja a mais próxima daquela dada pelos discípulos em Cesareia de Filipe. Vamos, pois, responder à segunda pergunta: E vós? Hoje não é suficiente a resposta de Pedro: O Messias, o esperado de Israel. A nossa deveria ser: O filho de Deus encarnado, que se entregou e morreu por mim (Gl 2, 20). Por isso, vivemos a vida presente pela fé no Filho de Deus.

2) Na verdade, essa imagem de Cristo que todos nós levamos dentro, desde o batismo, está, ou destroçada, ou escurecida. Como poderemos ser apóstolos se não sentimos sua presença dentro de nós? Como vender um produto do qual não estamos nós, os vendedores, convencidos?

3) A resposta de Jesus dada a Simão indica que a nossa resposta, admitindo seu senhorio total como Messias e como Filho de Deus, é também um dom do céu e que ela merece um makarismo especial. Não seremos os chefes, como Pedro, mas a Igreja estará fundada em nós e nas nossas famílias.

4) Além de Cristo, como figura central, temos Pedro, como figura destacada, por duas razões: por sua fé em Jesus e por sua lista de serviços como chefe da comunidade. A revelação de confessar Jesus como Messias Filho de Deus, é um dom do Pai e isso serve para todos nós. A chefia da comunidade eclesial é própria dele e continua em seus sucessores através dos séculos. A eles pertence o poder das chaves, jurídico e doutrinal, como o entende a Igreja católica. Não foi dado este poder aos outros discípulos e, portanto, devemos distingui-lo do poder evangelizador e de governo dado ao resto dos apóstolos.


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26.06.2011
13º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano A
__ "QUEM VOS ACOLHE, A MIM ACOLHE" __

Ambientação:
Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs! Dois são os temas apresentados à reflexão pela Palavra de Deus neste domingo: as condições para seguir Jesus - desprendimento, cruz, disponibilidade total e o tema do acolhimento e da hospitalidade. Seguir a Cristo é aceitar a cruz e o cristão prolonga em cada momento de sua vida o significado e a realidade do batismo, no dinamismo pascal de morte e ressurreição. Cada momento ele morre ao pecado, ao egoísmo, à carne, ao homem velho, e ressurge para a vida nova de amor e de graça, para o Espírito, para o homem novo. Assim como a ceitação da cruz é condição essencial para seguir o Senhor, também o acolhimento do outro com generosa hospitalidade é sinal de fidelidade ao mandamento novo do amor fraterno sem fronteiras. Não é só acolher o colega, o amigo ou o parente, mas acolher o forasteiro, o estrangeiro, o pobre, aquele que não pode retribuir. Um acolhimento que convida à renúncia, à disponibilidade, à gratuidade, porque vê no hóspede, no forasteiro, e principalmente no pobre, o divino Forasteiro, que não tem uma pedra onde recostar a cabeça. No que tem fome, no que tem sede, no peregrino, no que está nú, no prisioneiro... pois é sempre Jesus que bate à porta do cristão e pede hospitalidade e auxílio. Entoemos cânticos jubilosos ao Senhor!

(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)

PRIMEIRA LEITURA (2Rs 4,8-11.14-16a): - "Daqui a um ano, neste tempo, estarás com um filho nos braços."

SALMO RESPONSORIAL 88(89): - "Ó Senhor, eu cantarei, * eternamente, o vosso amor!"

SEGUNDA LEITURA (Rm 6,3-4.8-11): - "Assim, vós também considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Jesus Cristo."

EVANGELHO (Mt 10,37-42): - "Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou."



Homilia do Diácono José da Cruz – 13º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano A

"Lucros & Perdas..."

Minha equipe de “Teólogos” que me ajudam nas reflexões, diante desse evangelho começaram a debater a primeira exortação de Jesus, o amor por ele deve ser uma prioridade até em relação ao amor ao pai, a mãe, aos irmãos ou aos Filhos! Mas que coisa, Jesus quer fazer divisões nas Famílias, não basta a confusão que tem hoje em dia ? Parece que ele é ciumento e egocêntrico, quer ser o Centro de tudo...

Vamos primeiro desfazer esse mal entendido, Essa cruz que Jesus nos convida a carregar se quisermos segui-lo, tem muitos significados, mas aqui ela é a cruz das nossas limitações, inclusive nossa limitação no amor a Deus e ao próximo, quem nessa vida poderá dizer com convicção que o seu amor a Deus e ao próximo é exatamente como Jesus nos ensinou?

Acho que ninguém, nem o nosso amor aos pais, aos filhos, aos irmãos e parentes, é perfeito e nunca será... Salvar a Vida significa aqui, salvar-se com recursos próprios sem precisar de Deus e da Salvação que nos foi oferecida em Jesus.

Tentar salvar a sua vida é colocar o sentido do VIVER naquilo que sem tem e que o mundo nos oferece, aos olhos do mundo, quem se envereda por este caminho e consegue seu objetivo, é realmente um ganhador... Venceu na vida... não é assim que dizemos, quando alguém “chega lá” na vida profissional, na carreira, na política?

Entretanto, perder essa vida por causa de Jesus, não é ser um alienado, viver de oração, de meditação, isolar-se no grupo ou na comunidade, o mundo não presta e não tem jeito, vamos ficar apenas com Jesus... Isso é fantasia, é fuga, é alienação!

Tomar a cruz e seguir o Senhor, é aceitar construir o Reino com ele todos os dias, mesmo sabendo que somos minoria, e que o mundo não está interessado nesse Reino. Quando temos essa convicção, perdemos muita coisa, dedicamos nosso tempo á comunidade, sem descuidar das outras: vida profissional e familiar. Buscamos força aonde não temos, para perseverar sempre nessa caminhada. Pois bem, aos olhos do mundo estamos mesmo perdendo, porque poderíamos investir nosso talento em outra coisa, que desse um retorno.

Conheço um advogado que só arruma encrenca, no dizer dos colegas, porque ele só pega causas de pessoas carentes, dos abandonados e que não têm recursos para pagarem um processo judicial, resultado: vive na pindaíba o coitado, mas em compensação é uma pessoa alegre e feliz, ganhou algo que ninguém irá lhe tirar.

Nosso professor de Moral é Sacerdote e Médico, mas a medicina ele a exerce em outros países onde a pobreza é extrema, e lá, se dedica aos casos em que o paciente pobre está em fase terminal e os colegas não acham vantagem em assistir doentes assim. Claro que ele está perdendo, afinal é um Doutor e poderia ganhar alguns trocados com os seus conhecimentos de médico...

E assim, com esses dois exemplos chegamos ao ápice desse evangelho: Quem der um simples copo de água fria a um desses pequeninos, porque é meu discípulo (aquele que dá a água) em verdade vos digo, não perderá a sua recompensa. Eis aí o prejuízo material daquele que ama gratuitamente e incondicionalmente, assim Jesus nos ama, eis aí o tesouro, a fortuna que vamos acumulando nessa terra, embeber-nos desse amor de Jesus e partilhá-lo com os outros, principalmente os mais pequeninos, o advogado e o médico que eu citei, são exemplos disso. E nós?

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Rodrigues Costa – 13º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano A

Recompensa cristã

Quem recebe um profeta, receberá recompensa de profeta; quem um justo, recompensa de justo (cfr. Mt 10,41); quem a Cristo, recompensa cristã. Esse é o argumento que eu gostaria de desenvolver hoje tendo presente o versículo anterior: “Quem vos recebe, a mim recebe. E quem me recebe, recebe aquele que me enviou” (Mt 10,40). Em que consiste essa recompensa cristã?

Há uma recompensa temporal e uma eterna. É Jesus quem nos diz: “Em verdade vos digo: ninguém há que tenha deixado casa ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras por causa de mim e por causa do Evangelho que não receba, já neste século, cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, com perseguições e no século vindouro a vida eterna” (Mc 10,29-30). Por tão agradável seguimento está prometido tão grande tesouro! Jesus não quer que abandonemos as pessoas queridas, mas que Deus tenha o primeiro lugar nas nossas vidas; não está fazendo propaganda de uma “teologia da prosperidade” – como tantas seitas atuais –, mas está falando daquelas coisas que não faltam àqueles que amam a Deus: alegria, a pesar dos pesares; não está falando de um tempo eterno, mas simplesmente da eternidade.

O céu, também entre os pagãos, sempre foi descrito de uma maneira bela. Homero, por exemplo, não pode imaginar o Olimpo dos deuses gregos sem pensar na bem-aventurança e nas alegrias eternas: “Tendo assim falado, Atenas de olhos brilhantes retirou-se para o Olimpo, onde dizem ser a morada eternamente estável dos deuses. Nem os ventos a sacodem nem as chuvas a inundam, nem ali cai neve; mas sempre ali reina serenidade sem nuvens, de deslumbrante alvura. Para ali, onde os deuses bem-aventurados passam os dias em perene alegria, se dirigiu a deusa de olhos brilhantes” (Homero, “Odisséia”, VI).

Por toda a eternidade… Para sempre… Com Deus, com Nossa Senhora, com o nosso anjo da guarda, com aqueles amigos santos que colaboram com a nossa santificação. Estaremos felizes contemplando a glória de Deus.

Para sempre? Será que não enjoaremos? De fato, na terra, qualquer coisa que fazemos, por prazenteira que seja, entedia quando demasiada. Uma pessoa que gosta de doce deleita-se com uma caixinha de chocolates; mas se lhe derem cem caixinhas do mesmo chocolate, essa pessoa não aguentará, pode até mesmo chegar a não querer comer chocolates na vida.

Será que contemplar a Deus por toda a eternidade não é uma atividade monótona e até mesmo chata? Se assim for, vale a pena ir ao céu? Conta-se que um diabinho disse a um homem que estava indeciso em converter-se ou não ao cristianismo que não valia a pena ser cristão e depois ir ao céu porque ele teria que praticar um montão de virtudes chatas e depois ir ao um céu monótono e enjoado. As virtudes aborrecidas a que se referia era a obediência, a castidade, o desprendimento dos bens materiais, a bondade, o perdão. O diabo, para convencê-lo disse também que enquanto no céu os bem-aventurados contemplam sempre o rosto de Deus, no inferno se contempla sempre coisas diferentes e que, além do mais, existiria muita festa, muito álcool, mulheres, prazeres. O pobre coitado que estava pensando em converter-se tomou uma decisão: “- vou pensar nisso da conversão depois”.

Talvez o problema da proposta cristã que poderíamos fazer aos nossos semelhantes seria mostrar um cristianismo chato, enjoado, empenhado na prática dumas virtudes caducas e que, no fim de tudo, nos levaria a um céu mais chato ainda. Se um cristão passa essa imagem aos outros, estaria fazendo um mal apostolado.

As virtudes cristãs são alegres, dão otimismo à vida e nos colocam sempre em disposição de entregar-nos mais e mais aos outros e a Deus por amor aos outros. O céu não pode ser algo monótono. A explicação que mais me convence é aquela que diz que a felicidade inicial que experimentarmos ao ver a Deus permanecerá para sempre, por estarmos na eternidade. Mas, ao mesmo tempo, me inclino muito por aquilo que diz S. Gregório de Nissa: a bem-aventurança eterna saciará todos os nossos desejos, mas não se trata dum estaticismo cuja novidade já não tenha cabida. Não! Deus é infinito e a nossa alegria será sempre a de quem já recebeu todo o necessário para a sua felicidade eterna, mas que parte dessa felicidade é a descoberta de realidades sempre novas. Um teólogo moderno, Jean Daniélou, expressou tudo isso de uma maneira verdadeiramente poética: a nossa viagem terminar-se-á não na ascensão a uma cima definitiva, mas no maravilhoso descobrimento de que os países descobertos são apenas uma promessa de “lugares” ainda mais belos que os conhecidos até então e que estão por descobrir.

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético –13º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano A
(Extraído do site Presbíteros - Elaborado pelo Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

EPÍSTOLA (Rm 6, 3-4; 8-11)

O BATISMO: Ou ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus para a morte dele fomos batizados?(3). An ignoratis quia quicumque baptizati sumus in Christo Iesu in morte ipsius baptizati sumus. BATIZADOS [ebaptisthëmen<907>=baptizti sumus] aoristo passivo do verbo baptizö, cujo significado é mergulhar, submergir, afundar, inundar e cobrir com água. Não pode ser confundido com baptö<911> usado só 3 vezes no NT e significa molhar como em Lc 16,24 em que o rico pede que Lázaro molhe a ponta do dedo em água para o refrescar. Um outro uso de baptö é quando Jesus responde : aquele a quem eu der o pão molhado esse é o traidor (Jo 13, 26). Um exemplo da literatura médica, tendo como autor Nicander (cerca 200 aC) que diz que para fazer um picles, o vegetal deve primeiro ser lavado [uso do baptö] em água fervendo e logo afundado [uso do baptizö] numa solução de vinagre. De modo que baptizö não é uma simples imersão ou lavado, mas uma permanente submersão. No batismo, o fiel recebe o Espírito de Jesus, como era inicialmente chamado o Espírito Santo. Os primitivos batismos eram feitos em nome de Jesus, tal e como Paulo diz neste trecho e lemos em At 2, 38: E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo. Mais tarde foram feitos com a fórmula trinitária como lemos em Mt 28, 19: batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. O resultado do batismo era a inhabitação do Espírito de Jesus que transformava cada fiel em membro de Cristo, como sarmento inserido na videira, recebendo a seiva do tronco comum. Desta total imersão continuada, deduzimos os seguintes pontos: A inhabitação do Espírito Santo permanente; e, portanto, o sinal definitivo, chamado de caráter que consagra o cristão para servir o Senhor como participante na Liturgia, exercendo seu sacerdócio batismal. O selo do Senhor [Dominicus character] é o selo com o qual fomos selados para o dia da redenção (Ef 4, 30). Ungidos por Deus, o qual nos selou e deu o penhor do Espírito em nossos corações (2 Cor 1, 21-22). Como diz S. Irineu, o batismo é o selo da vida eterna. De modo que o batizado deve viver imerso no Espírito Santo que toma posse de seu espírito e o penetra de modo a ser admitido dentro da família de Deus como filho, para poder dizer abbá e ser co-herdeiro com Cristo. Como verdadeira imersão ou afundamento é a morte ao pecado, associados de uma maneira mística, mas real à morte de Cristo, ficando despido do homem velho do pecado (Cl 3,9) para se revestir do novo homem (Ef 4, 24) coisa que Paulo compara com morte e ressurreição, ao modo de Cristo. Paulo assinala duas mortes como reais entre os batizados: Uma primeira morte por causa da morte de Cristo por todos: logo todos estavam mortos (2 Cor 5, 14). Uma segunda morte por causa de que somos, ao sermos batizados, mortos ao pecado que em nós foi perdoado (Rm 6,2 e Ef 2, 1). Logo o batismo é morte e morte com Cristo. E que o batismo é vida nova e ressurreição, Paulo explica nos seguintes versículos: Deus, riquíssimo em misericórdia, nos vivificou juntamente com Cristo (Ef 2, 4-5). Uma morte que foi um sepultamento como simboliza o batismo e realiza ao mesmo tempo [próprio de um sacramento, sinal e realidade], pois sepultados juntamente com ele [Cristo] no batismo, fomos ressuscitados também pela fé da operação de Deus, que o levantou dos mortos (Cl 2, 12). Portanto, -resumirá Paulo- para que como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também nós andemos em novidade de vida (Rm 6,4).

A RESSURREIÇÃO: Fomos, pois, consepultados por meio do batismo para a morte, de modo que como se levantou Cristo dentre os mortos para a glória do Pai, assim também nós em novidade de vida andemos (4). Consepulti enim sumus cum illo per baptismum in mortem ut quomodo surrexit Christus a mortuis per gloriam Patris ita et nos in novitate vitae ambulemus. Paulo continua com a analogia entre o batismo e a morte e ressurreição de Cristo, que, se neste último foi historicamente real, em nós é misticamente realidade como evento interior que relembra o acontecimento histórico de Cristo. No batismo morre o homem velho, descendente do pecador Adão e nasce o homem novo, como surgindo da morte e agora semente nova do novo Adão, Cristo, porque assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo (1Cor 15, 22). Pois se o primeiro adão [Adão= homem] foi feito em alma vivente, o último adão [homem-Cristo] em espírito vivificante (1Cor 15, 45). E segundo este último, serão feitos todos os que nele são batizados, segundo Rm 6,5: porque fomos plantados na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição. E esta nova vida e realidade é para A GLÓRIA DO PAI [dia<1223> tës doxes<1391> tou patros=per gloriam patris] Na realidade o grego diz mediante, ou melhor, como instrumento da glória do Pai. De modo que a morte e ressurreição do fiel batizado servem como instrumento para maior glória de Deus. De fato, como diz Paulo, tudo foi e é feito para maior glória de Deus, porque dele e por ele são todas as coisas, glória, pois, a ele eternamente. Amém (Rm 11, 36). Em Gl 1, 5 repete ao qual seja dada glória para todo o sempre. Amém. E em Ef 3, 21: A esse [Deus] glória na Igreja por Jesus Cristo em todas as gerações para todo o sempre . Amém. Nisto, Paulo segue a sua norma que aconselha aos de Corinto: quer comais quer bebais, ou façais outra coisa, fazei tudo para glória de Deus (1 Cor 10, 31). De modo que a norma eterna e motivo de ação da divindade se transformam agora em regra e teor de vida da humanidade, tanto de Cristo, que foi perfeita, como de seus discípulos: Ad maiorem Dei Gloriam, que dirá S. Ignácio. Se antes do batismo foi a necessidade ou o prazer, especialmente do corpo, que dirigia nossos impulsos, agora será a glória de Deus o motivo de nossas intenções. Por isso termina: Assim também nós em novidade de vida andemos.

A MORTE VENCIDA: Pois se somos mortos com Cristo, cremos que também com ele viveremos (8). Si autem mortui sumus cum Christo credimus quia simul etiam vivemus cum Christo. Sabedores de que tendo Cristo surgido dentre os mortos, nunca morre: (a) morte nunca o domina (9). Scientes quod Christus surgens ex mortuis iam non moritur mors illi ultra non dominabitur. Paulo continua a alegoria da morte e ressurreição de Cristo comparando-os com o batismo dos seus fieis. A realidade mística do batismo imita o fato da morte e ressurreição de Cristo. O fim da morte é a ressurreição em ambos os casos. Pois o poder da morte fica anulado uma vez que a vida surge como vitoriosa. Paulo, neste versículo, glosa as palavras de Jesus: Quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á (Mt 10, 39). Morrer com Cristo é optar pela ressurreição com ele para uma vida em que a morte não terá seu principado, mas vencida, dará lugar a uma vida sem fim. Esta ideia de que a vida do cristão é uma imitação da vida de Cristo é dominante na vida do próprio Paulo, que afirma claramente em Gl 2, 20: Estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim. Fato que ele transfere a todo autêntico cristão: Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestes, em Cristo Jesus (Ef 2, 5-6). E sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos (Cl 2, 12).

A VIDA PARA DEUS: Pois o que morreu, morreu uma vez ao pecado; mas o que vive, vive para Deus (10). Quod enim mortuus est peccato mortuus est semel quod autem vivit vivit Deo. O QUE [o <3739>=quod] é o neutro do relativo os, ë, o; e indica o fato de que, a coisa que, aquilo que; e que poderíamos traduzir por todo aquele que morreu. A Vulgata com o quod sustenta nossa tradução. A tradução direta em espanhol diz: o que morreu para o pecado, coincidindo com a Vulgata. Já as traduções modernas referem tudo a Cristo, seguindo o versículo anterior, e dizem pela sua morte, Cristo morreu para o pecado duma vez (Bible Works). Pois morrendo é para o pecado que ele morreu uma vez por todas (TEB). Pois quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado (Ferreira). For in that he died, he died into sin once (KJV). For the death that He died, He died to sin, once for all (NAS). Que quer dizer Paulo neste versículo? A morte é única: ninguém morre duas vezes. Assim foi com Cristo e assim será conosco. Mas a nova vida é a vida de Deus e esta não tem fim. Esse foi o destino de Cristo e esse será o destino do verdadeiro cristão. Isso o veremos no versículo 11 com mais detalhes.

VIVER PARA DEUS: Assim também vós considerai mortos certamente ao pecado, vivos porém para Deus em Cristo Jesus, o vosso Senhor (11). Ita et vos existimate vos mortuos quidem esse peccato viventes autem Deo in Christo Iesu. Da consideração da morte como uma única vez e da vida como eterna por ser a participação da vida divina, Paulo agora tira as consequências: Pelo batismo nós estamos mortos ao pecado, o que obriga a uma vida de santidade em termos modernos, sendo a figura de Cristo, obediente até a morte e se necessário morte de cruz, modelo e paradigma da vida de todo cristão. Assim se cumprirá o que diz Paulo em Rm 6, 6-8: O nosso homem velho foi com ele crucificado,para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. Porque aquele que está morto está livre do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos.

EVANGELHO (Mt 10, 37-42)
ÚLTIMAS RECOMENDAÇÕES AOS APÓSTOLOS.

INTRODUÇÃO: o discurso apostólico termina com dois itens principais: seguimento de Cristo e recompensa aos que ajudarem os que acreditam nele e são seus mensageiros. Respondem ao que muitos pensam o que seja a essência do verdadeiro discípulo: uma doação dupla. A doação de si mesmo a Deus/Pai e a doação de si mesmo aos irmãos. Produto de um amor que se torna base da vida mesma.

O AMOR: Aquele que ama pai ou mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama filho ou filha mais do que a mim não é digno de mim (37). Qui amat patrem aut matrem plus quam me non est me dignus et qui amat filium aut filiam super me non est me dignus. AMAR [filëö<5368>=amare]. O verbo usado é filëö, da mesma raiz que filos que significa amigo. Em grego temos também Agapáo, que também é usado nas Escrituras, mas com significado um pouco diferente. O primeiro é usado para gostar de, mostrar uma predileção por alguém, amor de amizade. Na setenta fileo aparece 30 vezes, enquanto agapáo 263 vezes e geralmente traduz o hebraico aheb. Deus ama os homens, especialmente o seu povo (Dt 4, 37). No NT o verbo Filëö ocorre 5 vezes em Mateus e 13 vezes em João. No restante do NT só 7 vezes. O substantivo Filos ou Filë se emprega para amigos. Um exemplo do significado original de filëö está em Mt 6, 3: os hipócritas gostam [filousin] de orarem de pé nas sinagogas. Também em Mt 23, 6: Gostam [filousin] do primeiro lugar nos banquetes e nas primeiras cadeiras nas sinagogas, que é usado por Lucas no lugar paralelo em 20, 46. Voltando ao nosso caso, no trecho de hoje traduziríamos: Quem prefere seu pai ou sua mãe a mim, ou talvez no lugar de preferir poderíamos traduzir por estimar. No lugar paralelo Lucas usará o verbo miseö [odiar], traduzindo literalmente o aramaico que não tendo comparativo [mais, melhor] tem que usar um vocábulo contrário como é odiar. Logicamente ao traduzir devemos optar não pelo sentido literal da palavra, mas pelo sentido real dos fatos: preferir ou gostar mais. Jesus mesmo teve que fazer uma opção em sua vida: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? Para terminar quem são seus discípulos. Eles são a nova família porque eles fazem a vontade do Pai, exatamente como Jesus a cumpria (Mt 12, 48-50). Por isso os primeiros discípulos abandonaram tudo, rede, barco e pai (Mt 4, 20-22). Mas esta situação não vai contra ao primeiro mandato da segunda tábua da lei: Honra teu pai e tua mãe (Êx 20, 12), em que a LXX traduz por Tima do verbo timaö [respeitar]. O versículo que estamos comentando está na ordem de Gn 2, 24: Um homem deixa seu pai e sua mãe e se une à sua mulher. Os comentaristas destacam que hoje o cristianismo entre os paises ocidentais é motivo de união entre os membros da família e que nos tempos dos apóstolos era, pelo contrário, motivo de desunião. O versículo 37 sugere que se existe um conflito entre seguimento de Cristo e fidelidade à família, temos que optar por Cristo. Já o filósofo Epicteto afirmava: o bem deve estimar-se mais do que qualquer parentesco. A exegese deste versículo segue a lógica do amor segundo a escritura: Deus, pai, mãe, filhos com base nas duas tábuas da Torá. Miquéias afirma: O filho insulta o pai, a filha levanta-se contra a mãe, a nora contra a sogra, os inimigos do homem são as pessoas e sua casa (Mq 7, 6). Por isso dirá Mateus que o amor a Deus é o maior mandato e o amor ao próximo [logicamente o primeiro próximo são os pais] é o segundo preceito (22, 28). Calvino encontra aqui um argumento para propor uma ética de atitudes no lugar de uma ética de ação. Neste versículo os católicos encontram a razão do monacato e, como consequência, a do celibato sacerdotal. Evidentemente em ambos os casos a escolha de Cristo colocou em segundo termo o amor natural humano. O abandono da família é sinal do caminho perfeito; permanecer com os pais é sinal da simples vereda. Assim o expressou Jesus ao dizer ao rico: se queres ser perfeito [escolher o melhor caminho], vem e segue-me (Mt 19, 21). Jesus se coloca no lugar de Jahvé. Somente o Criador poderia exigir de um judeu semelhante devoção excludente de todo amor humano, até o mais sublime.

A CRUZ: E quem não toma a sua cruz e vem após mim, não é digno de mim (38). Et qui non accipit crucem suam et sequitur me non est me dignus. CRUZ [staurós<4716>=crux] em grego se emprega a palavra Xilon originariamente madeira, para logo tomar o significado de poste, árvore e cruz. E também Staurós com o significado de estaca, que era o madeiro vertical do que chamamos cruz. Como aqui a palavra usada é staurós, vejamos seu significado próprio. Da palavra temos o verbo stauróö que significa pendurar numa cruz ou crucificar. O significado original de staurós é, pois, estaca; porém mais especificamente a palavra foi usada para significar o castigo de empalar um réu, quer fosse atravessando-o numa estaca, quer pendurando-o num madeiro que poderia ser uma árvore ou um poste, afincado no lugar do suplício. Este poste recebia o nome de Stipes em latim. Na cultura romana o stipes estava sempre no lugar escolhido para o castigo dos réus. Além disso, existia um madeiro ao qual estavam atadas as mãos e era denominado Patibulum que era colocado transversalmente ao stipes formando uma T e recebia o nome de crux commissa [sobre posta], ou em forma de + como crux immisa [encaixada]. Nos tempos de Jesus a cruz era um tormento especialmente utilizado para punir crimes de Estado, como rebelião ou insurreição. O condenado carregava o patibulum amarrado aos seus braços sobre os ombros. Daí a expressão TOMAR ou agarrar a cruz [lambano ton stauron] que no latim era traduzido por tollere crucem [carregar a cruz]. No caminho da crucificação, o réu principal era acompanhado por outros que o seguiam, carregando sua cruz [seu patíbulo] e amarrados ao líder numa procissão macabra. Quando chegavam ao lugar em que estavam as estacas dos estipes, os patíbulos eram levantados, até encaixar as duas estacas, formando a cruz. A morte vinha devagar após horas ou dias de agonia extrema, provavelmente por exaustão ou sufocação. Entre os judeus foi Alexandre Janeu (103-76 aC.) quem ordenou uma execução em massa, pendurando homens vivos em estacas. Mas não era o costume judaico. Por isso, para a crucifixão Jesus será entregue nas mãos dos pecadores [gentios] (Mc 14, 41 e Lc 24, 7). O que Jesus significa com a expressão quem não tomar a cruz é que quem não está disposto a receber a máxima vergonha e a receber o mais cruel dos castigos, acompanhando o seu Mestre no caminho do suplício, não é digno de ser verdadeiro discípulo. A cruz era o maximum et crudelissimum suplicium [máximo e o mais cruel dos suplícios]. A cruz serve para ditar uma renúncia ainda mais radical: a de si mesmo. É o que Mateus afirma em 16, 24 referindo-o a todo discípulo: negue-se a si mesmo. Era o início dos escândalos que acompanhariam os primitivos cristãos.

A VIDA: Quem encontrou sua vida perdê-la-á. E quem perdeu sua vida por mim encontrá-la-á (39). Qui invenit animam suam perdet illam et qui perdiderit animam suam propter me inveniet eam. A cruz era o termo de uma vida que acabava em maldição (Dt 21, 23) essa maldição que Javé propunha em Dt 30, 15-20: a vida ou a morte, a bênção ou a maldição, dependendo de guardar os mandamentos, ou de servir outros deuses, em cujo caso a perdição era o resultado dessa deserção de Jahvé. A esta proposta de Jahvé responde a proposta de Jesus. Aparentemente a vida é perdida na morte de cruz, mas na realidade ela é salva para a eternidade. A tradução do versículo segundo o grego é: Quem encontrou sua ALMA [vida na realidade] a perderá; quem perdeu sua alma por minha causa, a encontrará (39). Colocamos os verbos no tempo aoristo [passado pontual] ao contrário das traduções em vernáculo: acha e perde em presente. O latim conserva o verbo nos tempos originais: invenit e perdiderit. Somente o inglês de tradução direta [has found e has lost] e o italiano [avrá trovato e avrá perduto] parecem respeitar os tempos do grego original. O espanhol moderno usa o subjuntivo encuentre e pierda que aponta a um futuro e não a um passado. A tradução psychë por vida é unânime em todas as traduções a exceção do latim que usa anima. Mas já vimos em nosso comentário do domingo anterior que essa tradução de psychë por vida é a mais apropriada. Consequentemente o significado mais lógico é: Quem encontrou sua vida a perderá e quem perdeu sua vida por mim a encontrará. A explicação é possível pelo que temos dito no parágrafo anterior. Outra coisa é o lugar paralelo de Mt 16, 24-25. Neste caso a negação a si mesmo é a base da posterior explicação e não a cruz que é consequência do seguimento de Jesus. E nesta ocasião, também é o querer salvar a vida ou perder a mesma, um presente visando um futuro talvez escatológico. Esta mesma conclusão é a de Lucas em 17, 33 em que emprega o aoristo na forma subjuntiva: quem tivesse querido seria a tradução, que a tradução latina conserva [quaesierit e perdiderit]. Como conclusão final, vamos traduzir de um modo mais concreto a frase de Jesus: Todo aquele que pretende ou tem a intenção de viver sua vida conforme suas conveniências, caprichos, desejos e apetites, ou seja, colocando seu ego como meta e objetivo, está perdendo o tempo, está esbanjando a vida. Porém, aquele que, abandonando sua própria escolha como última opção deixa o controle de sua vida em minhas mãos [de Jesus], esse está vivendo a verdadeira vida e aproveitando seu tempo. Especialmente nos tempos apostólicos a vida era a escolha entre os que materialmente a perdiam como mártires e os que renegavam a fé para poder viver. Era uma escolha entre a vida temporal e a vida eterna.

O RECEBIMENTO: Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe a quem me enviou (40). Qui recipit vos me recipit et qui me recipit recipit eum qui me misit. Quem recebe um profeta na índole de (porque) profeta, receberá a recompensa de um profeta; e quem recebe um justo na qualidade de justo receberá a recompensa de um justo(41). Qui recipit prophetam in nomine prophetae mercedem prophetae accipiet et qui recipit iustum in nomine iusti mercedem iusti accipiet. Se até agora o discurso era dirigido a seus enviados ou apóstolos, agora Jesus dirige suas palavras aos conterrâneos em forma geral: O objeto porém de suas palavras são os discípulos e sua categoria como enviados, de modo que os compara com profetas e homens santos [justos] ou amados de Deus. Jesus enumera atos que merecem uma recompensa segundo o sentir de seus conterrâneos. Receber tem o significado de acolher. Receber e hospedar um profeta, porque se acredita nas suas palavras, e fazer outro tanto com um homem santo, porque nele vemos o exemplo do que deve ser a nossa vida, tem uma recompensa. Os que tal fazem recebem o prêmio devido a um profeta ou a um homem de Deus. No AT temos os exemplos de Elias e Eliseu que receberam ajuda de duas mulheres às quais logo ajudaram (1 Rs 17, 10 e 2 Rs 4, 6). Jesus diz que quem recebesse a um dos seus apóstolos é como se recebesse a ele mesmo e através de Jesus a quem o enviou [o Pai].

O COPO D’ÁGUA: E quem der a beber a um destes pequenos só um copo d’água fria, porque discípulo, certamente vos digo: não perderá a sua recompensa (42). Et quicumque potum dederit uni ex minimis istis calicem aquae frigidae tantum in nomine discipuli amen dico vobis non perdet mercedem suam. E que é receber um discípulo de Jesus? Basta ter dado um copo d’água fresca, que não era nunca negado a um visitante no Oriente. Jesus fala do copo d’água fresca que foi o pedido feito por Elias à viúva de Sarepta (1Rs 17, 10). Em Mateus encontramos lugares paralelos como quem recebe uma criança em seu nome é a ele [Jesus] que recebe (Mt 18, 5). Receber tem o significado de ajudar como se faz com uma criança ou com um necessitado (Mt 25, 40). Modernamente esta frase devia ser causa de profunda reflexão para muitos pais que preferem o aborto ou a pílula, para ficarem livres dos compromissos que uma vida nova traz a toda família que, de receber a mesma, ver-se-ia obrigada a aceitar. PEQUENOS [mikroi <3398> =minimi.] Os rabinos judeus chamavam a seus discípulos de filhos, porque estes chamavam seus mestres de pais (Mt 23, 9). E como filhos, também recebiam o nome de pequenos ou pequeninos, nome dado pelo mestre correspondente. Vemos como Jesus fala dos pequenos [mikroi] que creem nele (Mt 18, 6) e que afirma ser a vontade do Pai que nenhum desses pequenos [mikroi] se perca (Mt 18 14). Jesus mesmo dirá que os seus seguidores devem se tornar como crianças [paidiai] (Mt 18, 3) para entrarem no Reino, ou seja, como aqueles que nada têm nem sabem e estão dispostos a escutar e obedecer a voz do mestre. Todo discípulo, pois, do Senhor é verdadeira criança, um pequenino para ele; e assim Jesus o ama e o ensina e guarda (Mt 18, 14). RECOMPENSA [misthos<3408>=merces]. Deste parágrafo autores católicos derivam o mérito como recompensa sempre que os atos se realizarem em nome de Cristo a quem representam seus enviados, as crianças e os necessitados. Pois de ambos disse Jesus: quando fizestes a um destes meus pequeninos [elachistos] irmãos, a mim o fizestes (Mt 18,5 e 25, 40; 45). Embora muitos dos comentários dizem serem os necessitados os pequeninos do capítulo 25, parece ser mais conforme ao sentir de Jesus que eles sejam os discípulos socorridos em tal estado de necessidade.

PISTAS:

1) Podemos dizer que o evangelho de hoje é uma espécie de discurso de formatura para os apóstolos. São mandatos e conselhos dados aos mesmos antes de sua primeira missão em vida de Jesus. A maioria era válida nos tempos apostólicos e são eternos por sua absoluta vigência, que os torna sempre atuais. Tais o amor exigido, a renúncia, a cruz, o desprendimento da vida, o prêmio dado a quem ajuda e acolhe os enviados do Reino.

2) É lógico que Jesus exige a obrigatoriedade do quarto mandamento que ele diz ser mandamento de Deus (Mc 7, 9-10). Porém quando existe uma contradição entre o mandato de obedecer a Deus e a honra devida aos pais, Jesus declara que aquele é prioritário. Na hierarquia de valores Deus é o valor supremo.

3) A cruz devia ser entendida como verdadeira na vida de Jesus, mas como uma forma simbólica de sofrimento e humilhação para a maioria de seus discípulos. Especialmente o sofrimento de serem tratados como a vergonha da humanidade, que Paulo denominou de lixo do mundo e escória do universo (1 Cor 4, 13). Hoje será a ciência e o progresso que nos julgam de semelhante maneira, e ante os quais devemos afirmar que é nessa fragilidade onde se encontra a fortaleza de Deus (2 Cor 12, 10).

4) Segundo os neoplatônicos todo homem está formado de três partes essenciais: soma [corpo], psychë [alma] e nous [mente ou espírito].O soma mais a psychë é o composto próprio dos seres vivos[animais] e seria também a base da vida de uma criança que se distingue do adulto porque neste opera também o nous ou espírito. Daí que no mundo judaico da época de Jesus se podia falar de uma vida [psychë] temporária e de uma vida eterna. O corpo que naquela predomina nesta última não aparece. Perder aquela para salvar a última é a coisa mais razoável que Jesus propõe como necessária aos seus discípulos.

5) O versículo 42 é a melhor refutação da crença evangélica que afirma não existir mérito e, portanto, não pode existir prêmio. Como explicam eles esta declaração de Jesus de que até o menor gesto como é de dar um copo d’água não perderá sua recompensa?


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Mensagem:
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( Salmos )

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