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Índice desta página:
Nota: Cada seção contém Comentário, Leituras, Homilia do Diácono José da Cruz e Homilias e Comentário Exegético (Estudo Bíblico) extraído do site Presbíteros.com

. Evangelho de 17/07/2011 - 16º Domingo do Tempo Comum
. Evangelho de 10/07/2011 - 15º Domingo do Tempo Comum


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17.07.2011
16º Domingo do Tempo Comum
__ "A PACIÊNCIA" __

Ambientação:
Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs! Uma tendência natural dos homens é a de dividir a humanidade em duas grandes categorias: os bons de um lado, os maus de outro. Essa tendência existe também no plano religioso. Invocamos bençãos sobre nós mesmos, sobre nossa família, nossa nação; as maldições caiam sobre os outros, os inimigos, ou seja, aos que se opõem a nós... Jesus inaugura o reino dos "últimos tempos", não como juiz que separa os bons dos maus, mas como pastor universal, vindo antes de tudo para os pecadores. Não exclui ninguém do reino; todos são a ele chamados, todos podem aí entrar, pois nenhum pecado pode cortar irremediavelmente as pontes de comunicação com a força misericordiosa de Deus. Entoemos cânticos jubilosos ao Senhor!

(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (Sb 12,13.16-19): - "Não há, além de ti, outro Deus que cuide de todas as coisas."

SALMO RESPONSORIAL 85(86): - "Ó Senhor, vós sois bom, sois clemente e fiel!"

SEGUNDA LEITURA (Rm 8,26-27): - "O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza."

EVANGELHO (Mt 13,24-43): - "Quem tem ouvidos, ouça!"



Homilia do Diácono José da Cruz – 16º Domingo do Tempo Comum – Ano A

"JOIO, TRIGO E A PACIENCIA..."

Não há no calendário da igreja, pelo menos não tenho conhecimento, de uma santa com o nome de Paciência, apesar disso, ela é muito invocada pelas pessoas, quando alguém faz algo de errado, “Tenha Santa Paciência!” eu cresci ouvindo essa expressão que acho bem interessante e oportuna para a reflexão deste evangelho pois o homem paciente é aquele que sabe esperar, empenhando-se em construir algo novo, acreditando que o seu trabalho dará resultado, ainda que os frutos só sejam colhidos pelas gerações futuras.

O Reino de Deus não cai do céu já pronto, e nem acontece no imediatismo, mas como em um gigantesco quebra-cabeça, cada peça vai sendo colocada, até que no final iremos todos ver uma belíssima obra, e, das comparações que Jesus fez sobre o reino, a mais fiel é a parábola da semente, algo que precisa ser plantado, cuidado, cultivado, para poder germinar, e depois de germinado tem de ser muito bem conservado e mantido, ou seja, a edificação do reino é algo permanente em nossa vida, que um dia, na visão beatífica iremos contemplar e poder admirar toda sua beleza, e ainda mais, sentir uma imensa alegria ao perceber que ajudamos a construí-lo.

Mas quem é que planta uma semente hoje e espera que amanhã ela já brote e se transforme em uma planta? É preciso não ter pressa, nem para ver a semente germinar, nem para colher os frutos, que se arrancados da árvore fora de tempo, não estarão maduros e nenhum prazer trará a quem o comer. Eis o grande mal que afeta a relação entre as pessoas, nos dias de hoje: a falta de paciência! Talvez como conseqüência da relação homem versus máquina, dos avanços da tecnologia e da informática, que nos permite no toque de uma tecla, ver ou ter de imediato, aquilo que se quer, não se faz mais nenhum esforço para abrir um portão, que é eletrônico, acender um fogão, ligar a TV ou mudar de canal, sem levantar-se do sofá, e até controle eletrônico para o som do carro, o que eu acho um absurdo.

E assim, acabamos transportando para a relação com as pessoas, esse imediatismo, quando queremos resultados, ou mudanças de comportamento, as grandes empresas investem largamente em cursos de treinamento, porque querem resultado imediato na linha de produção.

Mas as pessoas não são máquinas, programadas para nos atender, elas tem autonomia, são movidas por sentimentos, emoções, temperamento, estão sujeitas a fraquezas, pequenos enganos ou erros atrozes, são volúveis, capazes de amar e odiar, ao mesmo tempo, o homem é um mistério, um verdadeiro Fenômeno, como define o conteúdo da obra de Pierre Teilhard de Chardin. E diante de toda essa complexidade humana, em Jesus descobrimos que o Pai nos ama, e que o seu amor é paciente, compassivo, tolerante e sabe esperar, confiando no ser humano, quando o chama para viver a vocação do amor.

Entretanto, embora alcançado pela graça de Deus, o homem não consegue refletir para o semelhante essa imagem e semelhança, com Aquele que é a essência do puro amor, pois a impaciência, a intolerância e o radicalismo, acaba prevalecendo em lugar do amor que tudo suporta e tudo crê, falta paciência com os pais, com os idosos, com as crianças, com os enfermos, com os pobres, com a esposa, com o esposo, com os netos, com os alunos, com a equipe de trabalho, com os que são diferentes, no aspecto cultural, econômico, político, religioso, onde fazemos, de simples adversário um inimigo mortal.

O que Jesus nos pede neste evangelho é justamente isso, a paciência de crer e saber esperar o novo reino, ajudando a construí-lo no meio dos homens, com todo empenho, dedicação e seriedade, o verdadeiro cristão jamais pode ser radical ou imediatista, pois seria ingenuidade desejar fazer acontecer o reino á toque de caixa, na família, na comunidade, no trabalho, na escola ou na política, infelizmente ainda há muitos cristãos que se sentem frustrados por não ver resultado do seu trabalho, são aqueles que não aceitam que haja joio em meio ao trigo, fecham-se em seus grupos, suas comunidades, seu pequeno mundo, e são sempre impulsionados a querer arrancar o joio de suas relações, ignorando que a palavra de Deus e a verdade do evangelho, quando testemunhadas de maneira autentica, tem poder sim, para transformar qualquer joio em trigo, resultado da obra da salvação, desejada por Deus e realizada plenamente por Jesus através da sua igreja.

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Rodrigues Costa – 16º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Cristão no meio do mundo

Será que alguns pensam que a cabeça foi feita somente para colocar o boné? Parece-me absurdo questionar-me dessa maneira. Mas, devido ao que se vê hoje em dia, sinto uma forte tentação de fazer tais interrogações. Por via das dúvidas, é interessante deixar bem claro: a cabeça foi feita para se usar, para pensar.

O cristão tem que usar os dotes de inteligência que o Senhor lhe concedeu colocando-os ao serviço do Reino de Deus. Uma das prioridades na nossa vida deveria ser, portanto, a formação: humana, profissional, espiritual, intelectual. E, nesse sentido, a formação para as virtudes é importantíssima. Um filho de Deus bem formado é uma joia maravilhosa no meio do mundo atual. A superficialidade e falta de vigor mental é uma das grandes dificuldades que podemos encontrar à hora de realizar o nosso apostolado. Por isso é importante que nós mesmos estejamos bem formados para entender, compreender e atuar com audácia apostólica. Necessitaríamos ser mais estratégicos.

Há um filme violentíssimo e bem realista, “Tropa de elite”, no qual o decidido capitão Nascimento ensina, por ocasião do duríssimo treinamento dos novos candidatos, uma palavra em várias línguas: estratégia. Você se lembra daquela cena? Excetuando a maneira de pronunciá-la, a palavra era quase igual nas diversas línguas utilizadas no filme. O cristão, em qualquer lugar em que estiver, deve ser santamente estratégico no seu apostolado. Tem que utilizar a inteligência auxiliada pela graça de Deus, tem que ser esperto e ganhar muitas pessoas para as fileiras de Deus.

Se perguntássemos a alguma planta herbácea da qual sai o trigo se ela se sente feliz em ser plantada na terra, ainda que junto a ela e nela mesma se infiltre o joio, não obteríamos resposta. As plantas não pensam. O ser humano, maravilha da criação, pensa inclusive sobre o próprio pensar e, portanto, pode ir dando respostas cada vez mais perfeitas às suas interrogações.

Na semana passada falávamos da importância das parábolas e da exposição da fé de maneira acessível. Isso não significa renunciar á linguagem teológica, aos conceitos da tradição, mas procurar ter a capacidade de traduzi-los. Desta maneira, introduziremos as pessoas no campo de Deus, da Escritura, da Tradição, da graça e, como consequência de tudo isso, as insertaremos na glória.

A Igreja Católica, sendo Santa, sempre fugiu dos diversos puritanismos, rigorismos e da mentalidade de seita, ou seja, duma visão estreita e separatista. Ela deseja que os seus filhos estejam no meio do mundo, convivendo com os seus iguais, como o bom trigo, e no mesmo campo que o joio. No entanto, o trigo não se sente mal, não se sente estranho no seu próprio ambiente. Se tivesse consciência, o trigo saberia que aquele é o seu lugar natural, deve estar aí, nem deseja que o plantem nos ares, aí não sobreviveria. Ainda que o joio, esta planta que engloba os vegetais e cresce às suas custas, lhe subtraia algumas energias, deve continuar aí no mesmo lugar.

Como o cristão é da terra, está inserido nas coisas deste mundo e as ama, tem que ter as ideias bem claras. Sem formação não poderá informar o mundo com a forma que Cristo quer para esse mundo. Que tipo de formação? É muito importante que esteja bem formado nos “rudimentos” da fé, deve ter pelo menos uma linha geral da história sagrada que se nos narra na Bíblia e ter uma informação amplia pelo menos dos últimos documentos mais importantes do Magistério da Igreja. Mais concretamente, o conhecimento da Sagrada Escritura, do Catecismo da Igreja Católica e dos documentos do Concílio Vaticano II é importantíssimo. Seria interessante que nos programássemos para, pouco a pouco, ir lendo esses três livros e ter sempre uma pessoa de referência para que possamos perguntar-lhe algumas coisas que não entenderemos na nossa leitura.

Com as ideias claras é preciso lutar por vivê-las. Todo o amplo mundo das virtudes humanas que podemos resumir nas quatro cardeais –prudência, justiça, fortaleza e temperança– e das virtudes teologais –fé, esperança e caridade– deveria ser o campo de um trabalho pessoal, constante e alegre. Não nos esqueçamos de que Deus teve a iniciativa, ele nos amou e colocou no nosso coração a capacidade de amá-lo.

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético – 16º Domingo do Tempo Comum – Ano A
(Extraído do site Presbíteros - Elaborado pelo Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

EPÍSTOLA (Rm 8, 26-27)

INTERCESSÃO DO ESPÍRITO: Pois do mesmo modo, também o Espírito ajuda em novas fragilidades, porque o que pedirmos como convém não conhecemos; mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos sem palavra(26). Similiter autem et Spiritus adiuvat infirmitatem nostram nam quid oremus sicut oportet nescimus sed ipse Spiritus postulat pro nobis gemitibus inenarrabilibus. Temos que centrar estes versículos no contexto total dos versículos 16-30, em que Paulo fala da certeza da esperança cristã. É a terceira prova que Paulo oferece à esperança cristã de um mundo renovado: a base são os gemidos 1º) da criação [a criação geme dores de parto](v. 23) 2º) do próprio cristão [também nós gememos interiormente esperando a adoção] 3º) do Espírito neste versículo 26. Por isso, começa falando do MESMO MODO TAMBÉM. O ESPÍRITO [to pneuma<4151>=Spiritus] que no AT traduz a palavra ruach<07307> e que acompanhada de kodesh <06944>=se traduz por ruach kadesho =to pneuma to agion (Is 63, 10): é o Espírito que habita em nós, segundo Paulo: Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? (1 Cor 3, 16). Porém, também pode ser o espírito humano de que somos compostos, segundo lemos em o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito e alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis ( 1 Ts 6, 23). De modo que no mesmo Paulo encontramos as duas classes de pneuma: O próprio Espírito [divino ou santo] testifica com o nosso espírito [humano como parte de nosso ser] que somos filhos de Deus (Rm 8, 16) . No nosso caso, de que espírito fala Paulo, pois não é possível saber, como hoje, pela letra maiúscula do nome próprio, a diferença entre o humano e o divino? Parece que é o Espírito que nós chamamos de Santo, a terceira pessoa que em nós acha sua morada após o batismo e que ajuda nossas fragilidades, ou enfermidades. Ela está também gemendo conosco, já que não sabemos o que pedir por ignorar o nosso futuro e o nosso bem presente. Por isso, sem palavras e como em gemidos inaudíveis, ora por nós em nossas necessidades. Ao que parece, pode se referir ao dom de línguas em 1 Cor 12, 2, e 14-15. Porém as línguas eram reais nos temos de Paulo e só se necessitava um que as entendesse e interpretasse. Hoje o fenômeno não é uma glossoxenia, mas uma glossolalia, esta sem ser língua mas só gemidos balbuciantes. O que Paulo afirma é que com só a sua presença, o Espírito já está intercedendo, embora sem palavras, por aqueles nos quais fez sua morada e habitação. Trata-se da atividade do Espírito como descrita nos versículos 15-16: que está clamando em nós com um grito de Abá [Pai] testemunhando que somos filhos de Deus e que Paulo também recorda em Gl 4, 6 e em 1 Cor 2, 10-13, pois recebemos o Espírito que provém de Deus para que pudéssemos conhecer o que nos foi dado gratuitamente por Deus dos quais falamos não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais. Evidentemente esses gemidos estão relacionados com a fraqueza, que é a deficiência que em nós encontramos, referente à nossa glorificação: quem se atreve a afirmar ser filho de Deus se não fosse pela graça, esse interior impulso do Espírito Divino? Por isso o Apóstolo adiciona não sabemos o que pedirmos. E assim, sem palavras certamente reconhecíveis e audíveis, como só sua presença, o Espírito está clamando por nós a um Deus que não é absolutamente ausente, mas que é o Pai o Abbá, quando a ele nos dirigimos. Não sabemos que Deus quer essa glorificação [falava a novos cristãos que não tinham o conhecimento atual nosso] e por isso pode Paulo afirmar que no interior nosso o Espírito dirige nossas orações não a um Deus estranho, mas a um Pai. Hoje sabemos a meta [somos filhos]; mas não conhecemos o caminho [katha dei=como convém; ou seja, como devemos nos comportar como tais]. E, portanto, também hoje o impulso do Espírito é necessário, especialmente se somos, como Paulo afirma, verdadeiros filhos de Deus que querem cumprir sua vontade. A suprir essa deficiência vem em nossa ajuda o Advogado [Paraklëtos], esse que vos ensinará todas as coisas (Jo 14, 26) e vos guiará em toda verdade porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir (Jo 16, 13). Segundo os teólogos, o modo de agir do Espírito em nós é duplo: modo humano, com inspirações que parecem nossas, mas que na realidade são impulsos sagrados que não apercebemos. E modo divino que realmente são impulsos superiores aos nossos poderes e unicamente podemos atribuir a sua eficiência. Aqueles podem ser ditos gemidos inefáveis ou inexpressíveis. Esse gemidos não são propriamente o Espírito; mas que Ele produz em nossos corações como são os dons [modo humano] que se distinguem dos carismas [modo divino]. E como humanos não os distinguimos de nossos próprios desejos, de modo que podem ser nominados como inexpressíveis.

A RESPOSTA DIVINA: Porque aquele que examina os corações conheceu qual o pendor do Espírito, porque, segundo Deus, intercede pelos consagrados (27). Qui autem scrutatur corda scit quid desideret Spiritus quia secundum Deum postulat pro sanctis. AQUELE QUE EXAMINA a ereunaö com o significado de buscar, escrutinar, investigar, sondar, perscrutar e explorar. Evidentemente Aquele é o próprio Deus o único que sabe o que acontece na mente [coração, segundo o sentir dos antigos semitas] dos homens. Segundo 1 Cor 2, 10 O Espírito de Deus penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus ou em Ap 2, 23: todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda os rins e os corações e darei a cada um de vós segundo as vossas obras. Esse mesmo Deus conheceu [oida grego] o PENDOR [fronëma<5427>=quid desideret] do Espírito. É a melhor oração, pois é a do Espírito de Deus que ora por nós dentro de nós. A palavra fronëma não é mente propriamente, mas o que nela se contém como pensamentos e intenções. Sai 3 vezes no NT traduzido por inclinação em Rm 8, 6-7: inclinação da carne, inclinação do espírito que na TEB vemos como pendor, tendência ou aspirações. Outros traduzem por maneira de pensar. Este Espírito, provindo de Deus, é o que intercede pelos CONSAGRADOS [agioi<40>=sancti]. Agios é a palavra que Paulo emprega para designar os cristãos a quem acostuma também chamar de escolhidos [eklektoi] por que dentre os pagãos foram os que, como diz Jesus, ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos (Mt 11, 25). São os eleitos de Deus, santos e amados, aos quais pede Paulo se revistam de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade (Cl 3, 12). Em geral, é todo cristão, pertencente a uma raça ou geração escolhida [genos eklekton] segundo 1 Pd 2, 9. A esperança de todo cristão é que como filho, por ele INTERCEDA [enygchanei <1739>=postulat] o Espírito e peça como Cristo Jesus que está à direita de Deus, o qual também intercede por nós (Rm 8, 34 e Hb 7, 25). Cristo no céu, o Espírito dentro de nós são os intercessores dos cristãos.

EVANGELHO (Mt 13, 24-43)
PARÁBOLAS DO JOIO, DA MOSTARDA E DO FERMENTO

INTRODUÇÃO: São três as parábolas narradas no evangelho de hoje: o joio, a semente de mostarda e o fermento. Todas elas oferecem um aspecto particular ou qualidade do Reino. Finalmente temos a explicação da parábola do joio como uma demonstração da política de Deus no mundo e da existência do mal como uma tolerância para não ter que castigar os bons ao mesmo tempo em que impõe sua justiça sobre os iníquos. Na leitura breve só temos a parábola do joio. Tanto no tempo de Jesus como nos da primitiva Igreja os pecadores e os justos estavam misturados. A paciência de Deus, como primeiro atributo do amor segundo S. Paulo (1 Cor 13, 4), espera e aguarda a conversão do pecador e só em última instância, acabado o tempo, a sua justiça atuará para que no além só exista um Reino de justos, separados os pecadores. Implicados no mal do mundo aprendamos do amor de Deus a ser pacientes com nossos semelhantes. Na explicação dada por Jesus aos discípulos, ele transforma a parábola em alegoria.

PRIMEIRA PARÁBOLA: O JOIO

BOA SEMENTE: Outra parábola lhes expôs, dizendo: O Reino dos céus tem sido semelhante a um homem semeando boa semente no seu campo (24). Ao dormirem, pois, os homens, veio o seu inimigo e semeou joio no meio do trigo e retirou-se (25), aliam parabolam proposuit illis dicens simile factum est regnum caelorum homini qui seminavit bonum semen in agro suo. Cum autem dormirent homines venit inimicus eius et superseminavit zizania in medio tritici et abiit. PARÁBOLA: A palavra parábola vem do grego paraballo: um entre outros, de cujo significado é pôr juntas duas coisas, comparar. A definição popular é que é uma história terrena que demonstra uma verdade celestial. Difere do conto ou da fábula em que a história da parábola pode ter sucedido ou pode ser real em qualquer momento futuro; e o conto ou a fábula, não. Nesta parábola do joio [lolium tremulans] encontramos uma analogia constante que a transforma em alegoria porque não é unicamente a moral da mesma que interessa do ponto de vista teológico, mas também certos detalhes como o juízo final e os anjos. O REINO: O termo de comparação das três parábolas é o Reino [reinado] dos céus. Apesar do título dos céus, ele tem como assento a terra, não no sentido geográfico mas humano, por isso é mais exato traduzi-lo por Reinado. O povo que o forma não é o conjunto dos bemaventurados do céu, mas refere-se à Igreja da terra, formação visível da comunidade dos fieis que escolheram Jesus como seu Senhor e que estão misturados no campo do mundo (38) com pessoas que não são crentes ou têm outras ideologias, sem descartar que dentro da Igreja podem existir também os escandalosos e os que praticam a iniquidade (41). O aoristo grego em passado, tem sido semelhante, indica que Jesus fala dos acontecimentos que acabavam de suceder, apontando ao fato da Palavra não ter sido propriamente aceita pelos seus conterrâneos. O JOIO: O joio é uma planta muito parecida com o trigo antes de se formar a espiga. O gênero Lolium divide-se em 10 espécies das quais a mais conhecida é o Lolium tremulentum, que em inglês recebe o nome de darnel, cizaña em espanhol [do grego zizanion], também joyo, e joio [do latim lolium] e cizânia em português. A espiga do joio é muito mais fina do que a do trigo e frequentemente está infectada com fungos que a tornam negra e venenosa. Também a própria gramínea tem, como o esporão do centeio, um componente venenoso. O joio só se distingue do trigo quando a espiga amadurece, sendo que a espiga do joio é formada por grãos pretos como de carvão. O INIMIGO: O inimigo do dono do campo, segundo a explicação de Jesus é O DIABO: O grego Diábolos significa caluniador. É um adjetivo que se transforma em nome próprio com o artigo. Como adjetivo, é usado unicamente por João, quando diz que um de vós é diabo, ou seja, falso acusador que se serve mal do messiado de Jesus, e o tal era Judas. Com artigo o encontramos 15 vezes. Uma vez não tem artigo e não é adjetivo, mas nome em caso vocativo. É o caso de Elimas, o mago, que ficou cego por ordem de Paulo e a quem o apóstolo repreende como de filho de diabo (At 13,10). João o chama de Príncipe deste mundo (12, 31). Paulo fala do deus deste eon [ciclo, época ou era] {mal traduzido por deus deste mundo}, que cegou o entendimento dos incrédulos para que não brilhe para eles o resplendor do evangelho (2 Cor 4, 4). E em Ef 2, 2 afirma que outrora viviam [os efésios] mortos em vossos delitos e pecados, conforme a índole [aion= época ou ambiente] deste mundo, segundo o príncipe do poder do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência. O ar era para os antigos a moradia dos demônios como é agora o habitat das bactérias e fungos (ver Lc 10, 18). Segundo o quarto evangelho, o diabo era o pai dos inimigos de Cristo e pai da mentira (8, 44), que entre os filhos conta com um dos apóstolos (6, 70). “Diabo” é o equivalente grego do hebraico “satanás” (“adversário”, “inimigo”), que na Bíblia hebraica é indiferentemente usado para indicar tanto a ação do “Anjo do Senhor” (expressão que indica o próprio Deus, Êx l6, 7) como a de pessoas como Davi, inimigo dos filisteus (l Sm 29,4) ou Amã, adversário do povo judeu (Est 7, 4). Recebe o nome de Satanás de origem aramaica correspondendo a Satã. Assim como o Parakletós é o advogado defensor, Satanás é o acusador. Aparece 4 vezes em Mateus e Marcos, 5 em Lucas e uma só em João. No Apocalipse é identificado com o dragão, a antiga serpente, cujo nome próprio é Diabo e Satanás (Ap 20, 2). Ele tem um papel importante como tentador (Mt 4,1 comparado com 4, 10). E é quem arrebata a palavra na parábola do semeador. Agora ele tem também sua semente, o joio, que astutamente mistura com a boa semente de modo a confundir os trabalhadores do campo. Das dezenas de vezes que aparece no Antigo Testamento, a única vez em que “satanás” é empregado como nome próprio é no livro das Crônicas (l Cr 21,1), no qual o autor, numa teologia mais evoluída, imputa a “Satanás” a intenção de recensear Israel, ação em princípio atribuída ao Senhor: “A ira de Yahweh se inflamou ainda contra os israelitas, e ele instigou Davi contra eles dizendo: ‘Vai, faze o recenseamento de Israel e de Judá’” (1Sm 24,1). Com o termo “satanás” também são representadas figuras genéricas como o “acusador” (Sl 109,6), título de um funcionário de Deus e membro da corte celeste: “Chegou o dia dos filhos de Deus se apresentarem em audiência diante do Senhor. Satanás veio também com eles” (Jó l,6). Apenas em um apócrifo tardio “satanás” torna-se o nome do anjo que se recusa a adorar Adão, o primeiro homem criado, e por isso é expulso para a terra com seus anjos (Vida latina de Adão e Eva 12-l6). Contrariamente àquilo em que muitos acreditam, na Bíblia não existe a fábula do belíssimo e ambiciosíssimo anjo de nome Lúcifer, expulso para sempre por Deus do paraíso e transformado em horrível diabo. Recebe também o nome de Maligno, nome com que o encontramos pela primeira vez em Mt 5, 37. O ponërós grego [mau, indigno] que é adjetivo se transforma em substantivo com o artigo, e é traduzido por mal ou o maligno. Mateus o usa várias vezes neste último sentido e unicamente João em 17, 15 tem um significado semelhante. O caso mais comentado é no final do Pai Nosso: mas livra-nos do mal que muitos dos modernos transladam por maligno (6, 13). Lúcifer [dador da luz] antes de cair do céu, seu nome era Luzbel [senhor da luz?]. No cristianismo se confunde com Satanás, devido à identificação feita por S. Jerônimo. Isaías menciona Lúcifer como um anjo caído (Is 14, 12); ao que parece, se refere ao rei de Babilônia. Porém, como Jesus disse que viu cair Satanás como um raio do alto dos céus (Lc 10, 18) daí que foi o nome alternativo do chefe dos anjos caídos ou demônios e sua identificação com Satanás. Mas a Bíblia não o identifica; só a patrística. Na realidade, os latinos chamavam de Lúcifer a estrela Vênus [fösforos para os gregos] quando aparece antes do sol e Hesperos no momento da posta solar.

EXCURSUS: DEMÔNIOS NA TRADIÇÃO JUDAICA

DEMÔNIOS: Na língua hebraica não existe o termo “demônio” [pelo grego, significava “devorador de cadáveres”]. O Diabo distingue-se do demônio [daimön e daimonion gregos], pois estes últimos eram deuses menores ou secundários. Como malignos eram chamados de espíritos impuros ou malignos [akathartoi ou poneroi] (Mt 10, 1 e Lc 7, 21). Quando a Bíblia, em uma sociedade culturalmente mais evoluída, foi traduzida para a língua grega, distanciou-se daqueles seres intermediários entre a divindade e os homens e das personagens mitológicas, cada vez mais encontradas no texto, como sereias, harpias, centauros, sátiros, faunos, duendes, gnomos e espectros, termos que passaram a ser traduzidos com o genérico “demônio” (Lv 17,7). Com a mesma palavra foram classificadas também as divindades estrangeiras, polemicamente rebaixadas a espíritos malignos, como Gad, o deus arameu da fortuna, e o “gênio protetor” da casa (Is 65,11; Dt 32,17). Talvez os tradutores tenham exagerado um pouco classificando como demônios inclusive os gatos selvagens (Is 34,14) e os bodes (Is 13,21). Deles era chefe Beelzebul (Mc 3, 22) que significa Baal, o príncipe [baal=senhor, e Zebul=príncipe]. Daí a tradução evangélica príncipe dos demônios. Outros derivam seu nome de Senhor da alta morada, que era o deus Baal da Síria (ver Mt 10, 25, em que Beelzebu é chamado chefe da casa). É o primeiro na hierarquia depois de Satã. No evangelho de Nicodemos, Satã e Beelzebul urdiram um plano para, na morte de Jesus, atrairem sua alma ao inferno, sendo Beelzebul o primeiro a enfrentar a alma de Jesus. Com sua voz, Jesus derrotou Beelzebul e este então se voltou contra Satã até que Jesus ordenou que Satã seria o rei do inferno até o fim dos tempos. E Beelzebu (ou Beelzebul) é o diretor das nove hierarquias infernais que estão embaixo da primeira, esta última regida por Samael ou Satanás. Outros demônios conhecidos são Leviatan [ferida em espiral] que também era o nome do crocodilo (Sl 104, 26). É o senhor dos oceanos e era associado com o Tiamat de babilônia e a Hidra grega. O demônio mais popular do Antigo Testamento é Asmodeu [“Aquele que faz morrer”, exterminador], inimigo jurado das uniões conjugais que deu morte a sete pretendentes de Sara, até que Tobias se livrou do malefício com oração e jejum. Ele matou sete maridos da pobre Sara, “mortos antes que se tivessem unido a ela, conforme a obrigação que se tem para com uma esposa” (Tb 3,8). Tobias, seu aspirante a marido, temeroso de ir juntar-se aos sete cadáveres precedentes, salvou a própria vida com um remédio estranho. Como soubera que Asmodeu, demônio particularmente fraco de estômago, não suporta “cheiro de fígado e coração de peixe”, lançou esses ingredientes sobre a brasa do defumador, e “o cheiro do peixe manteve à distância o demônio, que fugiu pelos ares até as regiões do Egito” (Tb 8,3). A sobriedade das Bíblias hebraica e grega no que concerne a diabos e demônios (não se registra nenhum caso de possessão diabólica, e desconhece-se o termo “endemoninhado”) contrasta com sua proliferação no judaísmo da época precedente à ação de Jesus, quando o número e a variedade dos demônios crescem desmesuradamente, deixando espaço à fantasia mais desenfreada: “Cada um de nós tem mil [demônios] à esquerda e dez mil à direita” (Ber. 6ª). Cada demônio tinha uma especialização: a embriaguez era provocada pelo demônio Shimadon (Ber. R. 36,3); a cegueira, por Shabrirri (Ab. Z. 3ª bar); e a peste por Qeteb (Dt 32,24). No Talmud, as hipóteses sobre a origem dos demônios são mais variadas. Acredita-se que fossem herdeiros dos “Nephilîm” titãs orientais nascidos da união entre seres celestes e as primeiras mulheres: “Naqueles dias, os titãs [Nephilîm] estavam na terra; e ainda estavam nela quando os filhos de Deus vieram ao encontro das filhas de homem e tiveram filhos delas” (Gn 6,4). Ou há quem sustente a teoria da evolução: “A hiena depois de sete anos transforma-se em um morcego, o morcego transforma-se em um vampiro, o vampiro em uma urtiga, a urtiga em uma sarça e, finalmente, depois de outros sete anos a sarça transforma-se em um demônio” (B. Q. 16,1). Outros pensam, ao contrário, que haja criaturas incompletas: Deus já criara suas almas, mas quando estava para modelar os corpos sobreveio o sábado e ele o observou, cessando todo trabalho, e essas almas que permaneceram sem corpo foram os demônios (Ber. R. 7,5). A noite é seu reino incontestável (“À noite é proibido saudar quem quer que seja, por temor de que seja um demônio”, Sanh. 44ª), e é perigosíssimo sair durante o sábado e na quarta-feira à noite por causa dos milhões de demônios que saem livremente (Pes. 112b). O mais célebre demônio feminino é Lilith (Is 34,14), solteirona insaciável e luxuriosa que se insinua lépida no leito dos homens para fazer amor com eles. Demônio Súcubo [feminino] da noite. O Talmud adverte: “aquele que dorme sozinho será pego por Lilith” (Shab. 151b). Lilith era um demônio feminino que, segundo lendas [um midrash], tinha sido a primeira mulher de Adão. Segundo a interpretação moderna, Adão foi POSSUÍDO por suas próprias inclinações sexuais, acerbadas até grados enfermiços e não contra entidades espirituais externas [isto é um demônio chamado Lilith]. Entre os numerosos deuses e demônios da mitologia babilônica encontramos Lilu e Lilitu [varão e fêmea respectivamente], entes malignos que prejudicavam os seres humanos em especial, incitando sexualmente os varões e danificando as mulheres grávidas, não só elas como também seus filhos neonatos. Estas superstições não têm fundamento algum na Torá; mas, quando deportados para Babilônia (586 aC), algumas das crenças desta última impregnaram a cultura judaica. De fato, a palavra Lilith é mencionada pelo profeta Isaías: As feras do deserto encontrar-se-ão com as hienas. O bode selvagem [onocentaurus, ou monstro metade homem, metade asno] gritará a seu companheiro; fantasmas [night creatures em inglês; lamiai, mulheres velhas, feiticeiras ou bruxas latinas] pousarão e acharão um lugar de descanso (34, 14). O hebraico, no lugar de fantasmas ou criaturas da noite, tem coruja [lilith], habitante da noite que passou a ser uma figura de mulher, uma deusa feminina de longa cabeleira e provida de asas como demônio, que à noite percorria os lugares desolados de Edom [sudoeste do mar Morto]. Mas também pode ser tomada como uma realidade figurada, não externa e demoníaca, mas interna e humana, já que na midrashei agadá [narrações lendárias] nos oferece a relação de Lilith com o primeiro varão da estirpe humana, Adão. Pois ele esteve separado de sua esposa Eva ou Java durante 130 anos, durante os quais copulou com espíritos femininos e gerou uma espécie mista de homens/demônios. Numa outra midrash as relações Adão–Lilith se complicam ainda mais, porque ela não quis receber o homem e rejeitou até os enviados divinos que queriam a reconciliação, decidindo que o objetivo de sua vida seria causar mal aos descendentes de Adão. Com esta narração os rabis explicavam que a masturbação era uma espécie de oferenda a Lilith que usava o sêmen para procriar os homens/demônios. Mas vejamos a explicação atual da Torá e dos hahamim [sábios]. Segundo estes últimos, Adão, no início, não era o nome de um homem, mas o genérico da espécie humana; e o relato da costela era o de uma operação para separar o ser duplo que ele era, separando as duas pessoas nele contidas: Adão e Java, o homem e a mulher. Assim, não houve um homem primeiro e uma mulher, mas ambos estavam juntos e foram separados ao mesmo tempo. Ormas, o demônio que se disfarça de mulher na tentativa de enganar e seduzir os homens faz a Lilith uma impiedosa concorrência (nos leitos). Quem deseja saber se foi visitado à noite por um demônio, basta agir da seguinte maneira: “Pega cinzas em pó, espalha-as ao redor do leito e pela manhã verás pegadas de patas de galo” (Ber 6ª), e “quem o quiser ver, pegue uma placenta de uma gata negra nascida de uma gata negra primogênita, queime-a no fogo, triture-a e coloque uma parte dela sobre os olhos, então o verá” (Ber. 6ª). Belial [indigno ou malvado] que alguns dizem Beliar. No AT fala-se dos filhos de Belial como sendo os que não admitem a lei. Azazel de etimologia incerta que, segundo os antigos judeus, era um anjo caído que habitava no deserto e para o qual era destinado o bode que recebia os pecados do povo. Asgareth [o demônio da guerra] é o último nome demoníaco conhecido, segundo testemunho do exorcista Gabriele Amorth e que [óh casualidade!] é também o nome de uma banda de música.

A PERGUNTA: Quando, pois, brotou a folha e produziu fruto então apareceu também o joio (26). Tendo, então, se aproximado os servos do dono da casa lhe disseram: Senhor, não semeaste boa semente em teu campo? Então de onde tem o joio? (27). Cum autem crevisset herba et fructum fecisset tunc apparuerunt et zizania. Accedentes autem servi patris familias dixerunt ei domine nonne bonum semen seminasti in agro tuo unde ergo habet zizania. Como temos escrito anteriormente, o joio só é conhecido após um tempo, quando já está crescido o trigo então se distingue deste último pela finura das folhas e das espigas. A pergunta dos trabalhadores do campo é produto de sua observação muito tempo após a sementeira, quando já se distinguem folhas e começa a sair a espiga. Como era possível que de uma semente escolhida saísse uma planta venenosa?

A RESPOSTA: Ele, porém, lhes disse: Um homem inimigo fez isso. Os servos então lhe disseram: Queres, portanto, que tendo ido recolhamos elas (28). Ele então, disse: Não, não seja que recolhendo as cizânias arranqueis com elas o trigo (28). Et ait illis inimicus homo hoc fecit servi autem dixerunt ei vis imus et colligimus ea. Et ait non ne forte colligentes zizania eradicetis simul cum eis et triticum. As traduções usam o singular [joio] quando o grego e a Vulgata têm como visão o plural [cizânias], das plantas que surgem tão inoportunamente. A resposta do dono é que sendo difícil, nessa época da evolução das plantas, distinguir o joio do trigo, parte do resultado seria arrancar também as plantas sãs.

SOLUÇÃO FINAL: Deixai que ambos cresçam juntos até a safra e na ocasião da ceifa direi aos ceifadores, colhei primeiramente as cizânias (em plural, referendo-se às plantas) e atai-as em feixes para queimá-las. Porém, o trigo juntai-o no meu celeiro (30). Sinite utraque crescere usque ad messem et in tempore messis dicam messoribus colligite primum zizania et alligate ea fasciculos ad conburendum triticum autem congregate in horreum meum. A resposta do dono do campo é conforme ao que se sabe na realidade dos fatos. É assim que se atuava, de fato, quando um campo estava infectado pelo venenoso joio. Era fácil na época da seara distinguir as espigas do trigo das adulteradas do joio. E nessa circunstância era quando as espigas do joio podiam ser separadas facilmente das que continham o trigo real.

SEGUNDA PARÁBOLA: A MOSTARDA.
Lugares paralelos: (Mt 4, 30-32; Lc 13, 18-19)

Outra parábola lhes propôs, dizendo: Semelhante é o reino dos céus a um grão de mostarda que, tendo tomado, um homem semeou no seu campo (31). Pois o tal é a menorzinha de todas as sementes; mas quando crescida é maior que todas as hortaliças e se torna árvore de modo a virem as aves do céu e habitarem em seus galhos. Aliam parabolam proposuit eis dicens simile est regnum caelorum grano sinapis quod accipiens homo seminavit in agro suo. Quod minimum quidem est omnibus seminibus cum autem creverit maius est omnibus holeribus et fit arbor ita ut volucres caeli veniant et habitent in ramis eius. A mostarda como planta, [sinapi em grego e sinapi ou sinapis latina], pertence à família das crucíferas e divide-se em duas espécies: sinapis alba [mostarda branca], própria do mediterrâneo e do ocidente; e brassica nigra [crucífera negra] como incitante e ardente, própria do Oriente e originária do Himalaia. A família das brassiaceae inclui as couves, os brócolis e as couves-flores. A semente em ambas as espécies tem um comprimento de 2,5 mm, de cor amarelada branca para branca, e amarelada escura para a negra. Quando adulta, a planta pode ter 2m de altura. No outono, quando as folhas caem, grande quantidade de vagens de sementes com 8 ou 20, dependendo de ser alba ou nigra, aparecem nos galhos da mesma. A mostarda é citada nos textos sumérios desde os anos 3 mil aC. E usada por Hipócrates como remédio que ainda aparece nos tempos modernos para catarros, como emplasto, e especialmente como especiaria para condimento na Idade Média e conservante de alimentos por suas qualidades. Mais da metade do comércio das especiarias tinha como fundamento a mostarda. As sementes de ambas as espécies têm até 40% de óleo vegetal, um pouco menos de proteína e uma parte de uma enzima poderosa chamada myrosin, que ao contato com água transforma os amidos ou féculas em glicose ou açúcar. Na branca se produz óleo com pouco olor, mas com um gosto picante próprio. Evidentemente o termo de comparação é o crescimento de uma semente tão pequena numa hortaliça de grande altura e frondosa ramagem. A branca chega até atingir 1,2 m de altura e a preta pode chegar até 3m e 4 m de altura. A negra é comum nas margens do lago de Tiberíades e seu tronco se torna lenhoso. Por isso os árabes falam de árvores de mostarda. Esta variedade só cresce ao longo do lago e nas margens do Jordão. Os pintassilgos, gulosos de suas sementes, chegam em bandos para pousar nos seus galhos e comer os grãos. As sementes não são as menores entre as conhecidas, mas parece que eram modelo, na época, de coisas insignificantes. O nome grego é sinapis e passou às línguas vernáculas porque a semente era usada junto com o mosto de uva para formar o mustum ardens [mosto ardente]. A mais comum é a branca não tão ardente como a preta, precisamente por sua maior facilidade em recolher os frutos. Temos visto como chegam até 3 ou 4 m de altura, suficientes para aninhar os pássaros em seus galhos. O verbo que temos traduzido por habitar é kataskenoö [<2681>= habitare], significa descansar, estabelecer-se, como temos visto anteriormente. Não é preciso traduzi-lo por aninhar. Segundo os evangelhos, é a menor das sementes (Mt 17, 32), por isso é comparada ao reino no início e à fé mínima, necessária para operar milagres (Mt 17, 20).

TERCEIRA PARÁBOLA: O FERMENTO

Outra parábola falou-lhes: Semelhante é o Reino dos céus a um fermento que tendo tomado uma mulher escondeu em três satos [medida de capacidade] de farinha até que tudo foi fermentado(33). Aliam parabolam locutus est eis simile est regnum caelorum fermento quod acceptum mulier abscondit in farinae satis tribus donec fermentatum est totum. O FERMENTO: Foi em 1876 que Luis Pasteur descobriu que a coisa que fazia o pão crescer era na verdade um ser vivo, uma levedura, um fungo microscópico, que se alimenta de açúcar e produz álcool e gás carbônico. Ao assarmos o pão o álcool é destruído, assim como o fermento, mas as bolhas permanecem e tornam o pão macio. De fato, ele faz a massa crescer. O fermento usado antigamente era o levedo que atua após um tempo e não imediatamente como o fermento em pó moderno e industrializado. Jesus sabia muito bem qual era a proporção fermento/massa para que toda a massa fosse atingida pelo levedo. A massa logicamente são todos os homens e sua maneira de pensar em busca da verdade final. O fermento são os discípulos de Jesus que entenderam e querem propagar a verdade entre os homens do mundo. Como o levedo, se precisa de tempo e de contato com a massa para que isso aconteça. Somos massa do mesmo pão que é Cristo, ou como diz S. Ignácio de Antioquia, trigo a ser moído pelos dentes das feras a fim de nos tornarmos pão limpo de Cristo. (Rm 4, 1). O fermento é a doutrina, segundo vemos no dito por Jesus: guardai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus (Mt 16, 6) que Marcos diz ser também o de Herodes (Mc 8, 15). Neste sentido, devemos evitar o velho fermento de malícia e perversidade, e por isso Paulo exorta os de Corinto a serem pães ázimos na pureza e na verdade (1Cor 5, 8). O Sato é a tradução aramaica de sa’thá ou do se’ah hebraico que corresponde a um terça de um ephah. Esse último tinha uma capacidade de algo mais de 13 litros. No total, pois, era um efá de farinha com a qual a mulher misturou a levedura até toda a massa fermentar. A quantidade era comum para produzir entre 20 a 30 pães de um quilograma de peso.

A RAZÃO DAS PARÁBOLAS: Todas estas coisas falou Jesus em parábolas às multidões e sem parábolas não lhes falava (34). De modo que se cumprisse o dito pelo profeta dizendo: abrirei em parábolas a minha boca; manifestarei coisas ocultas desde a fundação do kosmos (35). Haec omnia locutus est Iesus in parabolis ad turbas et sine parabolis non loquebatur eis. Ut impleretur quod dictum erat per prophetam dicentem aperiam in parabolis os meum eructabo abscondita a constitutione mundi. O público em geral podia ficar com a ideia de que a semente da palavra era recebida de formas mui diversas pelos ouvintes, mas a razão destas diferenças só era explicada aos que, interessados, perguntaram junto aos doze pela explicação da mesma (Mc 4, 13-20). Os discípulos tinham ocasião de saber o significado verdadeiro das comparações, por vezes não muito claras para o ouvinte geral. O caso mais evidente é o do semeador e os diversos terrenos em que a semente cai. O encontro com a palavra é um dom de Deus, mas a resposta à mesma depende da vontade e do interesse de cada um. A explicação correspondente sempre a receberá quem esteja interessado em saber a verdade. Como diz o Papa Bento XVI, Deus sempre vai ao encontro de quem se esforça. DE MODO QUE: opös [<3704>= ut latino]: o dicionário traduz como, de modo que, tal como. Já o ut latino é bem mais casual: a fim de que, para que ou como traduz o inglês: so that, de modo que pode ser entendido como causal [a fim de que] ou como confirmativo [pois assim]. O profeta citado por Mateus é o autor Asaf do salmo 72, 8, considerado como profeta no qual em hebraico se fala de abrirei os lábios em mashals e publicarei enigmas dos tempos antigos. A setenta à qual Mateus é fiel fala de parábolas e de problemata, palavra esta que poderíamos traduzir por coisas escondidas, ocultas. Mateus, como sempre, pretende confirmar os atos de Jesus com o predito no AT e vê como confirmação de uma profecia o fato de Jesus falar em parábolas. Para encontrar a verdadeira razão do modo de Jesus de usar parábolas, ver ISAÍAS no comentário do domingo anterior.

A PERGUNTA DOS DISCÍPULOS: Então, tendo despedido as turbas, veio Jesus para casa e se aproximaram os seus discípulos dizendo: explica-nos a parábola das cizânias do campo (36). Tunc dimissis turbis venit in domum et accesserunt ad eum discipuli eius dicentes dissere nobis parabolam zizaniorum agri. Vemos como a Vulgata traduz literal e fielmente o grego usando cizânias em plural, o que não acontece com as traduções vernáculas.

EXPLICAÇÃO: Ele, pois, tendo respondido, disse-lhes: O que semeia a boa semente é o Filho do homem (37). O campo é o Kosmos; já a semente boa esses são os filhos do reino; mas as cizânias são os filhos do maligno (38); já o inimigo, que as semeou, é o Diabo; mas a safra é a conclusão da época; e quanto aos ceifeiros são os anjos (39). Qui respondens ait qui seminat bonum semen est Filius hominis; ager autem est mundus bonum vero semen hii sunt filii regni zizania autem filii sunt nequam. Inimicus autem qui seminavit ea est diabolus messis vero consummatio saeculi est messores autem angeli sunt. Jesus mesmo, como resposta à pergunta dos apóstolos, interpreta a parábola, identificando os personagens e as circunstâncias. O semeador é o Filho do Homem na sua pregação da Boa Nova. O campo é o Kosmos [mundo] no sentido de humanidade e não geográfico. As boas sementes são os filhos do Reino, ou seja, aqueles para os quais a semente tem produzido os frutos necessários. As sementes de joio são os filhos do Maligno. O inimigo é o Maligno, nome este que temos explicado profusamente e que Jesus identifica com o Diabo. FILHO DO HOMEM: Jesus se identifica com esta figura que pode substituir a palavra eu assim como a expressão a gente é usada em português ou uno em espanhol. Os judeus usavam, pois, a frase filho do homem para se referirem a si mesmos. Porém existe um significado ulterior que caracteriza a expressão, através do uso de Jesus em conformidade com Daniel 7, 13. Filho do homem era a figura de Israel como reino, a ser instaurado definitivamente com a vinda do Messias que era o representante máximo do mesmo. O Filho do homem pode ser identificado com a pessoa de Jesus. Podemos afirmar que o Filho do homem é o Verbo enquanto homem, ou seja, Jesus tal e como era visto e contemplado por seus conterrâneos. A CEIFA: Somente existe uma dúvida: a que tempo de ceifa se refere Jesus? Geralmente se entende ao fim dos tempos, ou seja, um tempo escatológico final, mas é muito provável que synteleia tou aiönos [conclusão da época] é uma frase em que a época que acaba poderia ser a do Antigo Testamento. Neste caso, os anjos e o fogo podem ter um significado mais simbólico do que real. Isto é possível do ponto de vista de um estilo apocalíptico. A base desta interpretação está precisamente no fato de que até a vinda de Jesus os filhos do Reino eram os judeus e que, como povo escolhido, seriam lançados fora nas trevas onde haverá choro e ranger de dentes, porque recusaram o convite e rejeitaram Jesus como Messias. A esta versão contribui a tradução feita por muitos de syntelea tou aiönos como conclusão da época. A interpretação tradicional fala do fim do mundo no sentido total e dos anjos como agentes da separação entre os justos [dikaioi], que praticam os mandatos da lei [filhos do Reino] e os que no escândalo e na conduta sem lei [anomia] resultaram filhos do Diabo, como veremos nos versículos seguintes.

O FIM: Portanto, como são recolhidas as cizânias e são queimadas no fogo, assim será na conclusão do século presente (40). Enviará o Filho do homem seus mensageiros e reunirão do seu Reino todos os escândalos e os praticantes da maldade (40) e os arremessarão no forno de fogo. Ali será o pranto e o ranger dos dentes (42). Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça (43). Sicut ergo colliguntur zizania et igni conburuntur sic erit in consummatione saeculi mittet Filius hominis angelos suos et colligent de regno eius omnia scandala et eos qui faciunt iniquitatem mittet Filius hominis angelos suos et colligent de regno eius omnia scandala et eos qui faciunt iniquitatem. MENSAGEIROS: A palavra é angellos, que significa enviado ou mensageiro e no caso podemos traduzir como ministros da justiça de Deus (Mt 16, 27;Mc 8, 48 e Lc 9, 26 ). Jesus se apresenta como dono dos anjos, exatamente como Javé no AT: Mandará seus anjos para que te guardem (Sl 91,11). A missão destes anjos parece ser unicamente o castigo dos maus. ESCÂNDALOS: Logicamente a palavra está no lugar de escandalizadores. Como paralelismo sinônimo de praticantes da maldade. A palavra escândalo significa armadilha, alçapão, trampa, arapuca e em termos morais engano, ocasião de queda ou pecado. O escândalo essencial é o causado pelos dirigentes do povo de Israel que com enganos impediam os pequeninos [discípulos, na linguagem rabínica], que de outra maneira creriam em Jesus, de aceitarem seu messiado e, portanto, seu reinado (Mt 18, 6). Pedro, impedindo a verdadeira função de Jesus, é Satanás e escândalo de Jesus. (Mt 16, 23). Essa atitude dos mestres de Israel está aclarada na blasfêmia contra o Espírito Santo que não será perdoada (Mt 12, 32). Poderíamos dizer que é o pecado do espírito, o orgulho do homem que não quer substituir os planos humanos próprios pelos projetos divinos. E ainda a soberba dos anjos que rejeitaram os planos de Deus que os relegava a um segundo plano como inferiores a um homem Jesus, escolhido como senhor do Universo. É pecado contra o primeiro mandamento: Amarás o Senhor teu Deus sobre todas as coisas. Qual é a maldade [anomia] praticada pelos condenados nesta passagem? Nomos é a lei e, logicamente, os que serão condenados são os que não querem praticar a segunda tábua do amor ao próximo, são os que praticam as obras da carne, relatadas detalhadamente por Paulo em Gl 5, 19-21 e em Rm 1, 29-31. Ver 1 Jo 3, 10, em que o apóstolo faz a distinção entre filhos de Deus e filhos do diabo. FORNO DE FOGO: Em grego kaminos tanto pode ser forno como forja. Logicamente, é forno o sentido, já que também Dn 3, 6 fala inicialmente da fornalha ardente, onde eram castigados os que não adorassem a sua estátua. Daí que o forno de fogo e a Gehena fossem figuras do suplício infernal, que é expresso na forma popular de pranto e ranger de dentes. O choro que é expressão do sofrimento e o ranger como símbolo da desesperação. COMO O SOL: Os justos, que significam os que seguem as normas divinas, brilharão como o sol. A luz é o símbolo de glória e felicidade. Assim também, descreve Daniel em 12, 3: Os que são esclarecidos resplandecerão com o esplendor do firmamento e os que ensinam a muitos a justiça hão de ser como as estrelas por toda a eternidade.

PISTAS:
São três as parábolas com as quais se compara o Reino: A do joio é própria de Mateus sem que encontremos um paralelo nos outros evangelhos. Somente em 1 João 3, 10 encontramos a oposição entre filhos de Deus e filhos do Diabo. Estes são os que não praticam a justiça [os mandatos que procedem de Deus] e não amam o seu irmão. A explicação da parábola revela, em parte, o mistério da iniquidade de que fala Paulo em 2Ts 2, 7. Essa iniquidade [anomia] é o fruto de rejeitar a lei ou de ignorá-la e pode ser traduzida por maldade ou perversidade. Quem é o promotor dessa iniquidade é o Maligno, o Diabo. Nele nasce a maldade e a oposição ao Reino.

2) Porém existe o mistério de por que Deus permite o mal e de como combater o mesmo. Sendo Todo Poderoso e Bondade Infinita, como Ele permite que o mal triunfe de modo a parecer que a parte maligna aparece ser tão forte como a parte que Jesus chama dos filhos do Reino? Por isso existem ideologias em que ao Deus do bem se opõe o deus do mal. Ou será que Satanás é tão forte como Javé? O livro de Jó dá uma resposta parcial quando da instigação de Satanás, Javé permite a experimentação do justo com a única exceção da vida.

3) Seria melhor chamar de mistério da Bondade ao que se acostuma expor como mistério da iniquidade. Perguntar a Deus por que não destroi o mal é o mesmo que perguntar ao Pai por que não mata o filho rebelde. Deus espera que se torne pródigo e volte um dia arrependido para a casa que sempre será seu lar. Na realidade, aqueles que agem na anomalia estão dissipando os seus bens. Não sabem o que fazem, dirá Jesus. O joio não se distingue do trigo assim como uma árvore estéril não se distingue de uma boa a não ser na época dos frutos.

4) Deus é o Pai que faz com que o Sol nasça também para os maus e a chuva fertilize os campos dos incrédulos (Mt 5, 45). No fim e, unicamente no fim, a sua justiça acompanhará em parte a sua misericórdia. Para os que receberão uma eternidade de dor, é justo que recebam uma vida temporal cheia de triunfos e alegrias. Como Jesus disse na parábola do pobre Lázaro, os papeis serão invertidos. Lembra-te que tu recebeste os bens e Lázaro, pelo contrário, só os males (Lc 16, 25).

5) A influência do Diabo é a de semear o joio: propagar que a única maneira de alcançar a felicidade é saber viver na abundância e no prazer, pois não existe o além a quem tenhamos que dar contas de nossas condutas. É difícil diante desse programa de vida pregar uma existência de sacrifício e renúncia, como Jesus pede a seus discípulos. Por isso, o mal se converte em bem aparente e o verdadeiro bem está oculto aos olhos da multidão.

EXCURSUS: NORMAS DA INTERPRETAÇÃO EVANGÉLICA

- A interpretação deve ser fácil, tirada do que é o evangelho: boa nova.

- Os evangelhos são uma condescendência, um beneplácito, uma gratuidade, um amor misericordioso de Deus para com os homens. Presença amorosa e gratuita de Deus na vida humana.

- Jesus é a face do Deus misericordioso que busca o pecador, que o acolhe e que não se importa com a moralidade ou com a ética humana, mas quer mostrar sua condescendência e beneplácito, como os anjos cantavam e os pastores ouviram no dia de natal: é o Deus da eudokias, dos homens a quem ele quer bem e quer salvar, porque os ama.

Interpretação errada do evangelho:

- Um chamado à ética e à moral em que se pede ao homem mais que uma predisposição, uma série de qualidades para poder ser amado por Deus.

- Só os bons se salvam. Como se Deus não pudesse salvar a quem quiser (Fará destas pedras filhos de Abraão).

Consequências:

- O evangelho é um apelo para que o homem descubra a face misericordiosa de Deus [=Cristo] e se entregue de um modo confiante e total nos braços do Pai como filho que é amado.

- O olhar com a lente da ética, transforma o homem num escravo ou jornaleiro:aquele age pelo temor, este pelo prêmio.

- O olhar com a lente da misericórdia, transforma o homem num filho que atua pelo amor.

- O pai ama o filho independentemente deste se mostrar bom ou mau. Só porque ele é seu filho e deve amá-lo e cuidar dele.

- Só através desta ótica ou lente é que encontraremos nos evangelhos a mensagem do Pai e com ela a alegria da boa nova e a esperança de um feliz encontro definitivo. Porque sabemos que estamos na mira de um Pai que nos ama de modo infinito por cima de qualquer fragilidade humana.


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10.07.2011
15º Domingo do Tempo Comum
__ "A PALAVRA" __

Ambientação:
Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs! À atitude de não-escuta ou de rejeição da palavra de Deus no tempo de Jesus, corresponde em nossos dias a atitude de indiferença e incompreensão por parte do homem moderno. As vezes, os pastores, os pregadores e missionários de hoje dão a impressão de estar falando uma língua estrangeira. Os próprios cristãos têm a sensação de que há uma espécie de dissociação entre sua vida de cada dia e a palavra que lhes é anunciada na assembléia eucarística; esta lhes parece demasiado ligada a outros tempos, estática e sem impacto sobre a vida real. Será a palavra de Deus que está sendo questionada? Ou será o mundo e homem moderno que ainda não conseguiram sintonizar esta palavra? Entoemos cânticos jubilosos ao Senhor!

(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (Is 55,10-11): - "a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia"

SALMO RESPONSORIAL 64(65): - "A semente caiu em terra boa e deu fruto."

SEGUNDA LEITURA (Rm 8,18-23): - "Com efeito, sabemos que toda a criação, até o tempo presente, está gemendo como que em dores de parto."

EVANGELHO (Mt 13,1-23): - "Quem tem ouvidos, ouça!"



Homilia do Diácono José da Cruz – 15º Domingo do Tempo Comum – Ano A

"A HORTA DO SÊO JUSTINO"

Quando morávamos á rua Antonio Fernandes, na minha adolescência (já faz tempo), meu pai mantinha no fundo do nosso quintal uma modesta horta que se resumia a três canteiros, porém muito bem cuidados, e em certas tardes de intenso calor, lembro-me dele, armado com um velho pano de enxugar pratos, espantado borboletas amarelas e pardais que insistiam em assentar sobre o canteiro. Eu me divertia em ver a seriedade com que fazia essa tarefa e um dia, percebendo que era alvo da minha atenção, fez um comentário que está bem ligado ao evangelho desse domingo “A terra é boa, está bem regada e adubada, e a semente das verduras é de ótima qualidade, mas se a gente abandonar o canteiro e não dar atenção, os passarinhos comem tudo e as borboletas amarelas irão praguejar as folhas”.

E assim, o “Teólogo” Sêo Justino, me ensinava desta forma bem simples, que tudo o que é bom, além de cultivado, deve ser mantido e conservado, porque há fatores externos que destroem o que foi semeado. No tempo de Jesus, a técnica de plantio de sementes sofria muita perda, pois o semeador saia pelo campo, jogando as mesmas em todos os tipos de terreno, claro que hoje, com toda a tecnologia disponível na agricultura, o aproveitamento das sementes é cem por cento, e elas só são atiradas em locais preparados para o plantio, não havendo mais esse perigo de cair em terra improdutiva.

Porém, o jeito tecnicamente errado de fazer a semeadura, por aqueles tempos, mostra de maneira bem clara a bondade de Deus, que quer salvar a toda humanidade e por isso, o seu Filho Jesus, lança as sementes do reino em todos os tipos de terrenos, existentes no coração humano, a semente é eficaz, e o semeador sabe muito bem o que está fazendo, pois se a terra árida, pedregosa ou espinhenta, aonde foi lançada a semente, passar por uma transformação, haverá grande chance da semente frutificar.

Jesus não fica escolhendo as pessoas para anunciar sua palavra e plantar o reino em seu coração, todo homem tem acesso, e não passará por esta vida sem conhecer a palavra que é a todos revelada, pois Deus busca, procura e alcança a cada homem neste mundo. Uma outra comparação muito boa para compreender esta parábola, é lembrarmos daquela brasinha de final de churrasco, que sobrou na churrasqueira e tendo passado a noite inteira, no dia seguinte, ao remexer as cinzas lá está ela, basta um sopro e se transformará em chama nova que incendeia e aquece em redor, a semente está sempre plantada dentro de nós a espera de quem a ajude a germinar.

Na verdade, o evangelho nos obriga primeiramente a olhar para dentro de nós, onde iremos nos surpreender ao constatar que em nosso coração, a semente da palavra de Deus sempre é jogada abundantemente em todas as celebrações, e que apesar de sua eficácia e potencial para frutificar, muitas vezes não germina, pois há muita terra seca, batida e pedregulhos, que não a deixa brotar, há muito espinho que sufoca o anúncio dentro de nós, além dos pássaros, que são aqueles ideais contrários ao reino de Deus, e que de maneira furtiva, entram em nosso coração e roubam a semente do bem.

Mas se por um lado recebemos a semente continuamente, somos também enviados como missionários para semear a Boa Nova no coração das pessoas, e aí precisamos nos perguntar com muita honestidade, será que fazemos como Jesus, o Filho de Deus, espalhando a semente em todos os corações, sem se importar com o tipo de terreno que tem ali, ou só queremos semear em terra fértil? O verdadeiro missionário está sempre arriscando, pois o que importa é espalhar as sementes para que todo homem tenha a chance de conhecer a Jesus Salvador.

Só iremos dar conta dessa missão se primeiramente soubermos cultivar em nós a boa semente da Palavra, estando atento a cada instante, revolvendo a terra com o arado da oração, adubando-a com o verdadeiro maná que é a Santa Eucaristia, para assim manter o nosso canteiro, vivendo na unidade e a comunhão com todos, espantando, como fazia meu pai com aquele pano de prato, qualquer mal que possa impedir a semente de brotar em nosso coração, estando assim bem vigilante para fazer o bem, em todas as oportunidades que Deus nos conceder nessa vida.

E por último, vamos também refletir e entender, que em todas as nações, povos, culturas e religiões, Jesus, o Verbo Divino encarnado em nossa história, semeou a palavra e o seu Reino, e assim, iremos reconhecer na diversidade de culturas, nações e religiões, a presença fortalecedora e restauradora do Bem supremo, que brota do coração de Deus, e em Jesus atinge o coração de todo homem, transformando o que é seco em fertilidade, o pedregulho em fertilizante de primeira qualidade, e os malfadados espinhos, em belas flores que exalam para todos o perfume do amor de Deus, derramado em nós por Jesus Cristo...

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Rodrigues Costa – 15º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Parábolas do cotidiano

Vamos aproveitar as passagens bíblicas que a liturgia nos oferecerá nos próximos três domingos para refletir sobre a importância da formação. Neste domingo, procurando entender porque Jesus explicava as coisas em parábolas, tiraremos algumas consequências. No próximo, veremos que um cristão bem formado é condição de eficácia no meio do mundo. Finalmente, veremos a importância de um conhecimento que, ademais de ser fruto do estudo, é também fruto da instrução do Espírito Santo.

O que é uma parábola? É aquilo que chamávamos antes de “estória”, ou seja, uma historinha inventada da qual se podem deduzir diversas verdades importantes. Jesus contava muitas estórias. Era uma maneira pedagógica de explicar-se aos seus ouvintes. As parábolas de Jesus não são difíceis. No entanto, quando se lê que era concedido aos Apóstolos conhecer os mistérios do Reino, mas aos demais não ou quando se observa que Jesus se dirigia ao povo com parábolas, dá a impressão que ele não quer que as multidões entendam a sua mensagem. Até parece que a doutrina de Jesus é para um grupinho selecionado e formado por alguns privilegiados. E não é assim.

Ora, concedamos que, diante da dureza de coração do povo, Jesus, pedagogicamente, cite o profeta Isaias e se lamente de que ainda que fale em parábolas o povo parece encontrar-se tão torpe para as coisas do Espírito que não entende as realidades do Reino. E, no entanto, as parábolas eram altamente instrutivas, fáceis de captar e muito oportunas no contexto: “Tudo isso disse Jesus à multidão em forma de parábola. De outro modo não lhe falava, para que se cumprisse a profecia: Abrirei a boca para ensinar em parábolas; revelarei coisas ocultas desde a criação do mundo” (Mt 13, 34-35). Portanto, as parábolas são reveladoras de realidades arcanas, escondidas. Jesus as utiliza porque sabe que são muito importantes para levar o povo, paulatinamente, a adentrar nas realidades do Reino de Deus.

A parábola de hoje é maravilhosa: o semeador. Jesus é o semeador que lança em terra a semente, isto é, a palavra de Deus. Ele a semeia por todas as partes, em todos os campos, porque a salvação é para todos. Todos devem ter acesso à felicidade eterna. No entanto, os terrenos são diversos. Alguns estão muito expostos, estão à beira do caminho; outros não têm profundidade, trata-se duma terra pedregosa na qual as raízes não podem estender-se. Mas nem tudo está perdido, também há terra boa. Isso não significa que as sementes que caíram à beira do caminho ou em solo pedregoso não possam produzir frutos. O terreno seria relativamente indiferente quando preparado para a plantação. O importante é trabalhar bem o terreno, mais ainda quando hoje em dia há técnicas agrônomas eficazmente comprovadas. Aí está a missão do cristão: preparar o terreno, ser terra boa e fazer de tudo para que os outros terrenos recebam a Palavra de Deus com generosidade.

Jesus fala com uma linguagem acessível aos seus ouvintes. Há algum tempo, procurando entrar na pedagogia do Divino Mestre, utilizo historinhas nas minhas pregações para facilitar que se capte a mensagem do Senhor. É preciso que falemos aos demais das coisas do Reino de uma maneira cada vez mais inteligível. Talvez não o façamos porque nem nós mesmos entendemos aquilo que gostaríamos de transmitir. Daí a importância do estudo, da formação contínua, das boas leituras. O cristão tem que ter muito cuidado para não ser um “bicho raro”: sabe muito sobre a ciência humana na qual trabalha (física, química, matemática, etc.), mas não sabe nada ou quase nada da ciência de Deus; sabe muito do mundo, mas não do Criador do mundo; pensa saber muito sobre a liberdade, mas sem entender verdadeiramente o que significa o respeito à liberdade dos seus irmãos.

A nova evangelização dependerá muito dessa capacidade de transmissão que tenhamos. Por outro lado, não se pode pensar que isso é simplesmente um dom que se tem ou não se tem. Cada cristão deve ser evangelizador e por isso deve procurar, segundo a sua capacidade, crescer no conhecimento da doutrina cristã, ter uma verdadeira empatia – uma capacidade de identificar-se – com as coisas de Deus e com as coisas dos homens, seus irmãos. Nesse contexto, a amizade é muito importante para que seja possível compreender os próprios amigos e ajudá-los falando “a mesma língua” que eles. Quando se conhece bem a uma pessoa através da amizade, se lhe poderá falar de Deus através daquelas realidades humanas nas quais se encontra mais inserida.

A nova evangelização é tarefa de todos. No entanto, hoje eu gostaria de destacar a função dos leigos. Deus tem um campo, um terreno enorme, e ele pede que muitos homens e mulheres realizem a sua vocação cristã no campo do trabalho profissional, da família, das diversões, da amizade. Nestes campos terão que lançar a semente, falar com simplicidade e de maneira compreensível, utilizar as diversas parábolas que tenham base no cotidiano dos demais. Deus lhes ajudará a colher abundantes frutos em todos os ambientes nos quais devem viver lado a lado com os demais, implicados em realizar a sociedade atual na qual também Deus tem direito a ter o seu lugar.

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético – 15º Domingo do Tempo Comum – Ano A
(Extraído do site Presbíteros - Elaborado pelo Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

EPÍSTOLA (Rm 8, 18-23)

VALOR DO SOFRIMENTO: Porque estimo que não são dignos os padecimentos do presente tempo com a glória futura que será revelada em nós(18). Existimo enim quod non sunt condignae passiones huius temporis ad futuram gloriam quae revelabitur in nobis ESTIMO [logizomai<3049>=existimo] considerar, calcular, estimar, avaliar, pensar como uma conclusão meditada. Não é uma afirmação dogmática, mas uma opinião que merece certa consideração, dada a qualidade de apóstolo e sua dedicação ao anúncio evangélico. PADECIMENTOS [pathëma<3804>=passio] com significado de aflição, dor, amargura, infortúnio. Paulo podia falar em nome próprio, segundo ele narra em 2 Cor 11. E ele compara os mesmos com o prêmio esperado por seu meio: a GLÓRIA [doxa<1391>=gloria] com o significado de esplendor, majestade, honra, magnificência, e bemaventurança que vemos acompanhado de FUTURA [mellousa<3195>=futura] proveniente do verbo mellö como particípio de presente com o significado de estar a ponto de suceder, ou seja, de um futuro próximo. REVELADA [apokayfthënai<601>= revelari] é o infinitivo passivo de apokalyptö de significado revelar, descobrir, divulgar, manifestar. Será, pois, a bemaventurança, que será manifestada futuramente como prêmio aos que sofrem por amor ao evangelho.

A ESPECTAÇÃO: Porque o anseio profundo da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus (19). nam expectatio creaturae revelationem filiorum Dei expectat. ANSEIO PROFUNDO [apokaradokia<603>=expectatio] A palavra sai também em Fp 1, 20: Segundo a intensa expectação e esperança, dirá Paulo sobre seu fim. É, pois, uma expectativa, um desejo veemente da CRIAÇÃO [ktisis<2937>=creatura]. O significado é o ato da criação ou seu resultado: a criatura, ou melhor, as coisas criadas. Exemplos: porque as coisas invisíveis, desde a criação do mundo [apo ktiseös kosmou]. O qual [Cristo] é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação [prötotokos pases ktiseos] (Cl 1, 15). Mudaram a verdade de Deus em mentira e honraram e serviram mais a criatura [të ktisei] do que o Criador (Rm 1, 25). Se alguém está em Cristo, nova criatura é [kainë ktisis] (2 Cor 5, 17). De onde deduzimos que universo ou natureza é o sentido mais apropriado ao contexto. AGUARDA [apekdechetai<553>=expectat] aguarda ansiosamente, impulsivamente a REVELAÇÃO [apokalypsis<602>= revelatio] dos filhos de(o) Deus. Sempre que se refere ao Deus verdadeiro, Paulo usa o pronome determinante O como nesta ocasião. E como razão da esperança cristã num mundo novo, transformado para o bem, Paulo inicia suas razões com esta do sentimento das coisas criadas. Também elas esperam uma transformação para o bem, como é a produzida no homem que espera viver como verdadeiro filho de Deus. Quando esta realidade for efetiva, também a natureza, tanto a de cada homem como a material que o rodeia, encontrará em sua transformação a suprema bondade divina.

A SUBORDINAÇÃO DA NATUREZA: Pois na futilidade a criação está sujeita, não voluntariamente, senão por quem a subordinou em esperança (20). Vanitati enim creatura subiecta est non volens sed propter eum qui subiecit in spem. A principal razão é a liberdade que Paulo usa como termo de comparação entre um escravo e um filho. No momento atual, a criação está submetida, como uma escrava, a um homem caído que não busca a glória divina mas a FUTILIDADE [mataiotës <3153> =vanitas] com o sentido de vacuidade, futilidade, frustração, inutilidade e transitoriedade. Como adjetivo, pode ser traduzido por vão, inútil: Ef 4,17: Não se comportem como os pagãos que vão correndo atrás de seus pensamentos inúteis. Ou em 2 Pd 2:18: Dizem palavras atrevidas e estúpidas. É a insensatez de criar seus próprios deuses: o ouro das riquezas [a mammona do evangelho (Mt 6, 24)]; o prazer de seu corpo, pois os homens caídos são mais amigos dos deleites do que amigos de Deus (2 Tm 3,4). E a falsa glória ou vaidade para não andarmos como os gentios na vaidade de sua mente (Ef 4, 17). SUJEITA [ypetagë<5293>=subiecta] como aoristo passivo do verbo ypotassö com a tradução de está sujeita ou subordinada. Para Paulo, com o pecado do primeiro homem, Adão, aquele entrou como senhor no mundo com a morte (Rm 5,14. 21) e sujeitou tanto judeus como gentios (Rm 3,9). O pecado, que para nós é um ente abstrato e impessoal, para Paulo é um ser concreto como uma espécie de demônio dominante, que escravizou o homem (Jo 8, 34) reinando no mundo para a morte (Rm 5, 21); e com o homem, escravizou a natureza, dada ao homem para a dominar (Gn 2, 15 e 2,20), mas agora hostil e rebelde ao bem por causa do pecado (Gn 3, 17). Tal é o pecado, personificado por Paulo em seu pensamento, que dominou o mundo para um fim fútil e frustrante, como é a morte. SUBORDINOU [ypotaxanta<5293>=qui subjecit] é o particípio de ypotassö que propriamente seria subordinante, melhor que subordinou. Como a continuação diz em esperança, devemos ir ao início do relato do Gênesis e encontrar como, após o castigo do delito, Jahveh Deus deixa aberta uma porta à esperança: Um descendente que irá esmagar a cabeça do maligno (Gn 3, 15) e portanto, morta a origem do mal, a morte não seria o fim definitivo, fútil e inútil do corpo humano, que em microcosmos é um retrato da natureza ou macrocosmos do Universo.

A LIBERTAÇÃO: Porque também a criação mesma será libertada da escravidão da corrupção para a liberdade da glória dos filhos de (o) Deus (21). Quia et ipsa creatura liberabitur a servitute corruptionis in libertatem gloriae filiorum Dei. Efetivamente, neste versículo, Paulo explica a subordinação a que estava submetida a natureza [essencialmente o corpo humano, microcosmos do Universo, como é Cristo no qual todas as coisas estão recapituladas (Ef 1, 10)]: De tornar a congregar em Cristo todas as coisas. A CORRUPÇÃO [fthora <5356> =corruptio], que segundo o sentir dos judeus contemporâneos de Jesus e de Paulo, determinava definitivamente a morte real após três dias da saída do sopro divino do corpo, morte inicial. Esta frase explica qual era a subordinação que Jahveh Deus impôs à natureza humana e com ela a toda a criação (Gn 2, 15). A liberdade é para a GLÓRIA [doxa <1391> =gloria] de Deus. Paulo tem como norma final de toda ação humana, especialmente livre, a glória de Deus: Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus (1 Cor 10:31). Como sempre, Paulo, ao falar do Deus vivo em oposição aos outros deuses falsos, usa o artigo O determinante.

A NATUREZA RENOVADA: Pois temos conhecido que toda a criação geme e sofre dores de parto até agora (22). Scimus enim quod omnis creatura ingemescit et parturit usque adhuc. Como quando nasce uma nova criatura do ventre da mãe, diante da nova criação, renovada na árvore da cruz, já que foi aviltada na árvore da ciência (Gn 3, 7). Paulo usa a comparação que Jesus usou no discurso da última cena: chorareis e vos lamentareis, mas depois a vossa tristeza se converterá em alegria. Coisa que sucede com a mulher em tempos de parto (Jo 16,20-21). E em Cristo serão renovadas todas as coisas, pois as coisas velhas passaram; eis que todas as coisas são feitas novas (2Cor 5,1 7). É o novo renascer da água e do Espírito que Jesus prometeu a Nicodemos (Jo 3, 5).

AS PRIMÍCIAS DO ESPÍRITO: Mas não só, senão também nós que temos as primícias do Espírito e nós mesmos gememos, suspirando pela filiação, a libertação de nossos corpos (23). Non solum autem illa sed et nos ipsi primitias Spiritus habentes et ipsi intra nos gemimus adoptionem filiorum expectantes redemptionem corporis nostri. Paulo agora passa do macrocosmos do Universo ao microcosmos humano. Não só a Natureza, mas cada homem, especialmente os cristãos como PRIMÍCIAS [aparchë<536>=primitae]. Eram os primeiros frutos e as primeiras crias de animais domésticos que por lei pertenciam ao Senhor (Êx 23, 19). Nesta nova era do Espírito, os cristãos eram como as primícias, dedicados ao culto e sacrifício, pois tinham nascido de novo, por causa do Espírito recebido no batismo (At 2, 38), como era o caso das primícias. E suspiravam pela completa FILIAÇÃO [yiothesia<5206>=adoptio] que Paulo gosta de usar para a nova entidade de quem, com o Espírito, recebe um lugar na família divina. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai (Rm 8, 15). Tal e como o grego diz, a filiação suspirada é a libertação do corpo. Ou seja, esse corpo que é causa do pecado como diz Paulo: Não reine o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências (Rm 6,12). E em outra ocasião: Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos (2 Cor 4, 10). De modo que na imitação de Cristo, seja também o sofrimento do corpo o que imite os passos do Senhor (Mt 16, 24). Desse modo a libertação do corpo deve seguir os passos a paixão e morte do verdadeiro Filho de Deus.

EVANGELHO (Mt 13, 1-23)
Lugares paralelos:(Mc 4, 1-9 Lc 8, 1-8)

O SEMEADOR

INTRODUÇÃO: Após o discurso de preparação para o envio de seus apóstolos, Jesus dá uma lição de como pregar o Reino: por meio de exemplos. E dando uma primeira exposição sobre o tema, ele ensina como ouvir a palavra e por que sua pregação tinha resultados tão diversos e exíguos. Explica-os com uma parábola que tem paralelos nos outros dois sinóticos Mc 4, 1-8 e Lc 8, 4-8. Esta parábola, pois, chamada do semeador, foi dirigida para provar a grande dificuldade que o anúncio do Reino encontrava entre os judeus. Na realidade, Mateus aponta duas respostas: A primeira, neste evangelho de hoje 11-15 e a segunda, nos versículos 34-35 do mesmo capítulo, para citar neste último caso o salmo 78,2. No fim do evangelho de hoje, Jesus interpreta o significado da parábola.

O AMBIENTE: Naquele dia, tendo saído Jesus da casa, sentava-se perto do mar (1). E reuniram-se perto dele muitas turbas, de modo que tendo ele entrado no barco para sentar-se; e toda a multidão estava de pé sobre a praia (2). In illo die exiens Iesus de domo sedebat secus mare. Et congregatae sunt ad eum turbae multae ita ut in naviculam ascendens sederet et omnis turba stabat in litore. A tradução, embora forçada, quer manter os tempos e modos dos verbos gregos. Segundo Mateus, antes da exposição desta parábola, Jesus inicia sua pregação, aparentemente sozinho. Ele responde a uma pergunta do Batista que interrogava sobre sua missão; logo, amargamente se queixa da incredulidade de seus conterrâneos e louva os mais ignorantes. No capítulo seguinte, há algumas disputas com os fariseus, uma cura e a afirmação de quem é o verdadeiro discípulo. Depois disto [naquele dia segundo Mateus é uma maneira redacional de prosseguir o relato], é quando Jesus sai da casa [de Pedro que era sua nova moradia (Mt 8, 14)] e se dirige à beira-mar de Cafarnaum que era a sua nova cidade (Mt 9,1). Cafarnaum [aldeia de Naum ou da Consolação] era no tempo de máximo esplendor uma cidade com aproximadamente 1800 habitantes que cobria uma área de 4,5 hectares [4 ou cinco campos de futebol]; mas no tempo de Jesus provavelmente só tinha algumas centenas de habitantes. Isso pode indicar o tamanho relativo dos acontecimentos que são narrados nos evangelhos. Nela existia uma sinagoga, cujos restos ainda existem e que unia a mesma com a chamada insula sacra [o núcleo de casas em que se encontra a casa de Pedro segundo a tradição] numa mesma rua. A sinagoga monumental, cujos restos hoje são do século IV-V foi erigida sobre a antiga sinagoga dos tempos de Jesus. A cidade estava edificada num retângulo de 300X150 m de leste ao oeste; os edifícios públicos estavam no centro do retângulo. Ao leste estava a praia, muito mais perto nos tempos de Jesus do que na atualidade. A ela se dirige Jesus. Porém a multidão excede todas as previsões e Jesus recorre a um remédio que o livra do aperto da gente, aglomerada ao seu redor, e se assenta provavelmente num dos barcos, como cadeira de onde se dirige aos assistentes como mestre, segundo o costume dos rabinos, quando davam suas aulas. O mestre se assentava entre almofadas e os ouvintes o rodeavam de pé. Possivelmente Jesus está de costas para o mar e os ouvintes olhando o mesmo num círculo em que a praia, com sua inclinação natural, forma uma espécie de teatro natural, sem grades, mas com a inclinação suficiente de modo a todos poderem vir e ouvir o falante. Muita gente se reúne ao redor do Mestre e como o congestionamento continuasse, manda que o barco entre no mar e dessa cátedra improvisada leciona à multidão que o escuta de pé, desde a margem (Mt). Com menos detalhes, o relato de Marcos (4, 1) coincide com este trecho de Mateus. O barco, a praia e as multidões são detalhes que Marcos também toma como ambiente do seu evangelho para esta parábola. Segundo a tradição, este barco era de Pedro, e por isso, se transformou na cátedra de onde Pedro também seguiria ensinando à Igreja. De fato, a estátua de Pedro, sentado na cadeira [cátedra] é atribuída ao escultor Arnolfo di Cambio (1245-1302). Fica do lado direito da nave, tendo o apóstolo sentado em seu trono. As duas chaves do céu estão em sua mão esquerda e a direita se ergue em gesto de bênção à antiga moda grega, os dois dedos estendidos em reconhecimento da natureza dual de Cristo, divina e humana, enquanto os outros três dedos se unem num sinal da Santíssima Trindade. É um ritual antiquíssimo que todos os peregrinos homenageiam a estátua antiquíssima, tocando-a com sua mão ou beijando o pé que se adianta. Quando o pontífice entra na igreja e beija o pé da estátua, nos grandes dias santificados ou nas festas dos Apóstolos, tem-se mesmo a impressão de que o São Pedro de bronze abençoa seu sucessor. Como um excursus à parte deixo ao critério dos leitores este comentário de uma teóloga protestante: Próximo ao altar-mor de S. Pedro existe uma estátua de Pedro em bronze, sentado numa cadeira. Há um registro de que essa estátua era originalmente do deus pagão Júpiter, tendo sido retirada do Panteão em Roma (quando era um templo pagão) e levado à Basílica de S. Pedro, sendo ali renomeada como Pedro. Júpiter era um dos deuses principais da antiga Roma, o qual era chamado “pater”, que em Latim significa “pai”. Um dos pés da estátua é feito de prata e os peregrinos católicos tocam-na e beijam-na, supersticiosamente. De fato, o Vaticano é um ídolo gigantesco! O grande altar sobre o suposto túmulo de S. Pedro se sobressai pelas maciças colunas de ouro em espiral, as quais se assemelham a serpentes enrodilhadas. Quase podemos escutar o seu sinistro sibilar! (Mary Schultz, membro da Primeira Igreja Batista de Teresópolis, pesquisadora do catolicismo). Contrasta esta opinião com o que escreve Jerônimo: “Decidi consultar a cátedra de Pedro, onde se encontra aquela fé que a boca de um Apóstolo exaltou; agora venho pedir um alimento para a minha alma, ali onde outrora recebi a veste de Cristo. Não busco outro primado, a não ser o de Cristo; por isso, ponho-me em comunhão com a tua bemaventurança, ou seja, com a cátedra de Pedro. Sei que sobre esta pedra está edificada a Igreja” (Cartas I, 15, 1-2). De fato, a “cátedra” de Pedro, apresentada como segura meta de verdade e de paz forma a abside da Basílica de São Pedro, o monumento construído como Cátedra do Apóstolo, obra adulta de Bernini, realizada em forma de um grande trono de bronze, sustentado pelas imagens de quatro Doutores da Igreja, dois do Ocidente, Santo Agostinho e Santo Ambrósio, e dois do Oriente, São João Crisóstomo e Santo Atanásio. O trono metálico oculta a cátedra de madeira de que se servia o apóstolo para a sua pregação.

A PARÁBOLA: E falou-lhes muitas coisas em parábolas dizendo: Eis que saiu o semeador a semear(3). Et locutus est eis multa in parabolis dicens ecce exiit qui seminat seminare. Pelo que sabemos de Jesus, as parábolas são comparações tomadas da vida real em que a moral da história é o essencial. Parábola é uma narrativa, imaginada ou verdadeira, que se apresenta com o fim de ensinar uma verdade. Difere do provérbio em que não é uma apresentação tão concentrada como este, mas contém pormenores, exigindo menos esforço mental para se compreender. Difere da alegoria porque esta personifica atributos e qualidades pessoais como termos de comparação, ao passo que a parábola nos faz ver as pessoas na sua maneira de proceder e de viver. Também difere da fábula, onde encontramos seres fantasiosos, já que aquela se limita ao que é humano e possível. A parábola é um exemplo. O emprego contínuo que Jesus fez das parábolas está em perfeita concordância com o método de ensino ministrado ao povo no templo e na sinagoga. Elas aparecem no AT (2 Sm 12,1-4) e de modo especial nos profetas (Is 5, 1-12; Ez 17, 1-10). Os escribas e doutores da Lei faziam grande uso das parábolas e da linguagem figurada para ilustração de seu ensino. Assim eram os Haggadoth [narrações] dos livros rabínicos. A parábola tantas vezes usada por Jesus no seu ministério (Mc 4, 34) servia para esclarecer seus ensinamentos, referindo-se à vida comum e aos interesses humanos, para manifestar a natureza de seu reino e para experimentar a disposição de seus ouvintes (Mt 21, 45; Lc 20,19). Era um método muito usado no Oriente, apropriado ao ensino indireto dos valores e a realidades da vida. Jesus o emprega neste capítulo em que temos 8 parábolas, todas tomadas dos exemplos reais da vida cotidiana. A parábola é como uma noz; devemos abrir sua casca para gozar o fruto que dentro contém. Só o interessado abrirá a noz para gozar do fruto. Quem não se interessa ou despreza a aparência, ficará com a vivência de que a noz não contém nada de bom, a não ser uma dura casca. A mensagem do Reino foi dada em parábolas porque era difícil de entender os mistérios do mesmo. Quem poderia aceitar, nessa sociedade tão monoliticamente estruturada e totalmente dirigida por Rabis, solidamente aferrada à certeza de uma tradição, praticamente inamovível, o dogma da Trindade, para dele derivar a Encarnação do Filho, a Redenção do homem e a Salvação de todos os povos? Até esta última, sozinha, é declarada por Paulo como mistério a ele revelado (Ef 3,6) e completamente desconhecido nos tempos passados. Em meios gregos, existiam as fábulas de Esopo, autor grego do século VI aC, que segundo dizem, era corcunda e gago, vendido como escravo a um filósofo que o libertou. Acusado de sacrilégio contra um templo de Delfos, se matou, despenhando-se do alto de um promontório. As parábolas evangélicas, reconhecidas como tais são em número de 30 das quais temos 16 em Mateus. Nesta perícope, Jesus toma o exemplo de uma sementeira e, dependendo das propriedades do solo, a semente tem frutos diversos. A semente é boa, o semeador faz seu trabalho, mas os frutos dependem da qualidade do solo onde cai a semente.

A SEMENTEIRA: E ao semear ele algumas caíram perto do caminho e vieram os pássaros e as devoraram (4). Outras, porém, caíram sobre lugar pedregoso, onde não tinham muita terra; e imediatamente brotaram por não ter profundidade de solo (5). Tendo, pois, nascido o sol foram torradas e por não terem raiz murcharam (6). Outras, porém, caíram sobre os espinhos e cresceram os espinhos e as sufocaram (7). Mas outras caíram sobre a terra, a boa, e davam fruto, uma, pois, cem, mas outra sessenta, outra, porém, trinta (8). Et dum seminat quaedam ceciderunt secus viam et venerunt volucres et comederunt ea. alia autem ceciderunt in petrosa ubi non habebat terram multam et continuo exorta sunt quia non habebant altitudinem terrae. sole autem orto aestuaverunt et quia non habebant radicem aruerunt. Alia autem ceciderunt in spinas et creverunt spinae et suffocaverunt ea.Alia vero ceciderunt in terram bonam et dabant fructum aliud centesimum aliud sexagesimum aliud tricesimum. O latim da Vulgata, fielmente usa o plural para as sementes, indicando a singularidade de cada uma delas: umas, outras etc. As traduções vernáculas singularizam a semente usando uma parte inicial e tiram parte do valor da parábola, como se a semente total fosse dividida em 4 partes mais ou menos iguais. A tradução que oferecemos indica que houve algumas com um resultado, outras com outro e assim por diante, muito mais em conformidade com a Vulgata e com a realidade da sementeira. Espinhos e trechos pedregosos eram comuns na terra da palestina da época e os caminhos atravessavam os campos de modo que ao semear espalhando a semente com a mão, sem um rumo fixo [ao voleo como se diz em espanhol], ou através de carros de bois cujo fundo estava furado, e que seguiam o terreno previamente arado e preparado, estas, imprevisivelmente, podiam tomar um ou outro destino. Entre os campos havia sendas que os atravessavam: algumas sementes poderiam cair perto das veredas que dividiam os campos. Jesus nada diz sobre os números ou quantidade que caiu em cada parte do terreno. Não vamos dividir em 4 partes iguais as sementes espalhadas, nem poderemos deduzir as proporções matemáticas das mesmas. Jesus fala dos fatos de um modo vulgar, sem entrar nem na ciência, nem na história como atualmente as conhecemos. Sua ciência é a da época e sua história, embora seja verdadeira, não é a crítica dos tempos atuais. Ou seja, o que se acreditava e se tinha como fato verídico, era o que Jesus toma como modelo de sua informação. Como confirmação, sabemos que na Galileia, na melhor das suas terras, a colheita chega a 50 por um. Em Belém os fellah [camponês] consideram normal uma colheita de 2 a 4 por um. As terras, perto do lago de Genesaré, onde Jesus falava, são terras com múltiplos morros onde abundam, entre pequenos riachos, os cardos e os espinhos e em certos lugares as pedras constituem a base de um húmus pouco profundo. Por outra parte, as numerosas cavernas congêneres dão apeteço a numerosas pombas e pardais silvestres que só esperam as sementes caírem das mãos do agricultor, para, em bandos, se alimentarem das mesmas, especialmente nas numerosas sendas que percorrem os campos da região, onde as sementes aparecem melhor à vista dos pássaros.

CONCLUSÃO: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça (9). qui habet aures audiendi audiat. Com este título como um enigma, se excita a curiosidade em ordem a prestar melhor atenção e refletir sobre a parábola e seu significado. O aforismo é próprio de Jesus, pois não se encontra entre os ditos dos rabinos de seu tempo. Ele aparece no Apocalipse em várias ocasiões como 2, 7 e 3, 6. Os mestres da Lei equiparavam os diversos grupos de seus ouvintes ao ouvido e às esponjas, segundo escorregavam ou se embebiam de seus ensinamentos; e até com os filtros e peneiras para os quais só entendiam o que a eles interessavam.

A PERGUNTA: Então, tendo-se aproximado, os discípulos lhe disseram: por que lhes falas em parábolas? (10). Ele, pois, tendo respondido, lhes disse: porque a vós foi dado conhecer os mistérios do Reino dos céus em parábolas; a eles, porém, não foi dado (11). Todo, pois, aquele que tem, ser-lhe-á dado e terá abundantemente; mas todo aquele que não tem, até o que tem ser-lhe-á tirado dele (12). Et accedentes discipuli dixerunt ei quare in parabolis loqueris eis. Qui respondens ait illis quia vobis datum est nosse mysteria regni caelorum illis autem non est datum. Qui enim habet dabitur ei et abundabit qui autem non habet et quod habet auferetur ab eo. POR QUE EM PARÁBOLAS: A pergunta não é unicamente nossa, mas foi realizada pelos próprios discípulos de Jesus (Mt 13, 10 e Mc 4, 10). Na última ceia, os discípulos lhe disseram: Eis que agora falas claramente, sem figuras (Jo 18, 29). Isso indica que as parábolas foram o método escolhido por Jesus para falar do Reino e que, até mesmo os discípulos, pouco ou nada entenderam, para não falar dos conterrâneos, dos projetos de Jesus, como vemos em At 1, 6: Senhor é agora o tempo em que irás restaurar a realeza em Israel? Como muitos de nós, eles estavam como surdos sem ouvir e como cegos sem poder ver em matéria que tanto lhes concernia. É isso o que Jesus lhes disse, que a eles lhes foi dado conhecer os mistérios do Reino. REINO DOS CÉUS : Mateus usa o termo 12 vezes. Já os outros dois sinóticos preferem a tradução Reino do (assim) Deus. Céus porque no hebraico a palavra é plural Shamayim. Sendo que no singular significava chuva. Até este ponto é fiel à tradução do original, o evangelista que chamamos por Mateus. Que significa a frase reino dos céus? Evidentemente, os céus eram a morada própria de Javé (Dt 26,15) e de lá é que Ele estendia a mão para realizar sua vontade na terra. Javé escolheu, como mais próximo ao povo eleito, um lugar onde tivesse também sua morada: o templo, lugar onde disse que estaria seu nome (I Rs 8,29). O problema é como se expande o Reino ou quem entra no mesmo. A expansão e a entrada estão nas mãos do Pai. Por isso pedimos: venha a nós o teu reino. O Reino está conosco sempre que dispostos a cumprir a vontade do Pai (Mt 7,21), com o qual nos tornamos discípulos e familiares de Cristo (Mt 12,50). OS MISTÉRIOS do Reino são especialmente as coisas que estavam por trás do que se podia ver e ouvir: Todos viam os milagres de Jesus, todos ouviam suas palavras, mas os sábios e entendidos não compreenderam a justiça de Javé, os planos de escolha da pobreza, como condição para entrar: tratar os mais pobres como se fossem os mais ricos e os mais ricos como se fossem os mais pobres. Os pecadores como se fossem justos e os justos como se fossem pecadores. Com esta disposição divina, todos poderiam entrar no Reino. Porém os sábios tinham uma doutrina e uns planos em que os mais pobres junto com os pecadores estavam excluídos e desprezados [exatamente como nós agora pregamos com nossa prática], e ao ver a conduta de Jesus, contrária aos seus desígnios, no lugar de retificar e modificar sua visão [o metanoeite do evangelho] firmaram-se na sua doutrina errada, para buscar uma razão que justificasse o seu procedimento e condenasse a conduta de Jesus [Nós também buscamos pretextos para justificar nossas práticas e reduzir a palavra do evangelho]. Vendo-o e ouvindo-o exteriormente, não enxergavam nem compreendiam a verdadeira missão de Jesus: o Reino não entrava nos seus planos e o pouco que dele tinham [sua fidelidade a Javé, seu amor pela lei], foi-lhes tirado.

A CONSEQUÊNCIA: Por isso lhes falo em parábolas, porque vendo não veem e ouvindo não ouvem e não entendem (13). Ideo in parabolis loquor eis quia videntes non vident et audientes non audiunt neque intellegunt. A interpretação da resposta de Jesus constitui uma verdadeira cruz para os intérpretes. A tradução da Vulgata e algumas vernáculas traduzem o oti <3754> grego como partícula final, para que, quando, se seguida por um particípio é um simples porque explicativo, como temos feito no início do versículo. Mas vejamos as explicações dos exegetas. Segundo eles, Mateus aponta duas respostas: a 1a no evangelho de hoje (11-15) e a 2a nos versículos 34-35 do mesmo capítulo. Nesta última, a razão é o cumprimento da profecia (Mt 13, 34-35) do salmo 78, 2: Vou abrir minha boca numa parábola, vou expor enigmas do passado. Mateus universaliza, segundo seu esquema, falando no plural: parábolas. Temos, pois, uma explicação fundamental, uma profecia, que exige que seja cumprida o que estava escrito. Mas a razão principal do ponto de vista humano é que faltava base para poder entender em toda sua totalidade o Reino. Por isso, Jesus não quer forçar a barra, como vulgarmente se diz. Assim no evangelho de hoje encontramos a verdadeira explicação do porquê das parábolas de Jesus: Porque o coração deste povo se tornou insensível (15). O coração é entendido em sentido semita como órgão mais intelectual do que sentimental. Podemos traduzir por entendimento, mente. Coração que estava engrossado ou grosso [seria a tradução literal] e que podemos facilmente traduzir por entendimento embotado. Também em Êxodo 7,3 encontramos o endurecimento do coração do Faraó tornado inflexível, endurecido e obstinado. Obstinação que em parte é atribuída ao próprio Deus e em parte ao mesmo faraó. Porque se o homem é responsável pelo fechamento de sua mente, os planos de Deus parecem incluir esta oposição humana, como contraste diante da obediência dos que se salvam por sua misericórdia. Jesus propõe comparações veladas, para estimular o aprofundamento. Os discípulos interessados, encontrariam a explicação. São as pessoas dispostas a mudar, as que entendem a profundidade e radicalização do evangelho. É preciso se despojar de si mesmo para compreendê-lo em toda sua amplitude. A reviravolta do evangelho é tão extrema que é necessário nascer de novo (Jo 3,3). Era preciso romper com a ideologia oficial do judaísmo e com a idolatria do ego pessoal. É por isso que a escuridão da parábola não prejudica ninguém, mas ajuda quem realmente está disposto a querer entender. Jesus cita um provérbio: Aos que têm [boa intenção e interesse], dar-se-lhes-á; e aos que não têm, ser-lhes-á tirado o pouco que têm como correspondia a quem ouvia a palavra e não a entendia; via o milagre e o torcia em desgraça própria. Repetem-se as circunstâncias do tempo e da mensagem de Isaías (6, 9-12). O povo achava-se fechado à mensagem, porque a abertura à mesma era uma graça de Deus (Dt 29,3).

ISAÍAS: Assim é cumprida neles a profecia de Isaías, a que diz: ouvindo ouvireis, e de modo algum entendereis; e vendo vereis, e de modo algum percebereis (14). Pois engrossou o coração [mente] deste povo e com os ouvidos preguiçosamente ouviram e os seus olhos fecharam, não aconteça que vejam com os olhos e com os ouvidos ouçam e com o coração [mente] compreendam e se convertam e os cure (15). Et adimpletur eis prophetia Esaiae dicens auditu audietis et non intellegetis et videntes videbitis et non videbitis. Incrassatum est enim cor populi huius et auribus graviter audierunt et oculos suos cluserunt nequando oculis videant et auribus audiant et corde intellegant et convertantur et sanem eos. A citação agora é de Isaías. Javé duvida a quem enviar. Isaías se prontifica e Deus lhe disse: Vai, dirás a este povo: com os ouvidos ouvis, mas não compreendereis, com os olhos olhais, mas não conhecereis. Embota o coração (=mente no sentido moderno) deste povo, torna pesados seus ouvidos, tapa-lhe os olhos! Que ele não veja com os seus olhos, nem ouça com os seus ouvidos! Que seu coração não compreenda! Que não se converta e seja curado! (6,9-10). A pregação de Isaías dirige-se a ouvintes rebeldes que não querem compreender, especialmente tendo em vista a experiência do rei Acab. A passagem que Jesus cita para explicar seu uso contínuo de parábolas fala, pois, da degradação espiritual dos israelitas, do orgulho e da teimosia de coração que tornaram impossível para eles continuar a ouvir e entender as palavras de Deus. Jesus diz simplesmente que era uma profecia que tinha sido literalmente cumprida em seus próprios ouvintes. Toda a sabedoria que eles ouviram de sua boca e todas as maravilhas que viram de sua mão não tinham significado algum porque “o coração deste povo está endurecido; de mau grado ouviram com os ouvidos, e fecharam os olhos” (Mateus 13:15). A maioria dos autores modernos admite que os versículos 10-17 são um comentário do próprio Mateus, tomado dos problemas suscitados na Igreja primitiva. Nós vamos tomar uma postura intermediária. Cremos que existe um parêntesis, feito pelo evangelista, e que está incluído nos versículos 14 e 15: Certamente havereis de ouvir e jamais entendereis. Certamente havereis de enxergar e jamais vereis, porque o coração deste povo se tornou insensível. E eles ouvirão de má vontade e fecharam os olhos para não acontecer que vejam com os olhos e ouçam com os ouvidos, e entendam com o coração, e se convertam, e assim eu os cure. Este texto é tomado de Isaías 6, 9-10 e coincide palavra por palavra com o texto grego da LXX. De modo que as palavras de Jesus estão incluídas unicamente nos versículos 11-13 e 16-17. Mas vejamos em detalhe a explicação dos versículos 11-13. Porque a vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos céus, ao passo que a eles não é dado (11). Pois àquele que tem, será dado e estará na superabundância; mas àquele que não tem, nem mesmo o que tem ser-lhe-á tirado (12). O significado disto é que aos que têm boa vontade (outros dizem que aos que têm fé) ser-lhe-á dado em abundância. (=compreenderão perfeitamente a parábola). Mas aos que não têm boa vontade de ouvir e conformar-se ao escutado, até o que têm, ou seja, o que ouviram, será tirado deles. É como se nada tivessem ouvido. E Jesus continua: Eis por que lhes falo em parábolas: porque eles olham sem ver e ouvem sem ouvir, nem compreendam (13). É uma conclusão do parágrafo anterior. Neste ponto poderíamos deixar a citação de Isaías (verdadeiro parêntesis) e continuar: Pois tornaram-se duros de ouvidos, taparam os seus olhos para não ver com seus olhos, não ouvir com seus ouvidos, nem compreender com seu coração e para não se converter.(15) Se compreende assim que a causa das parábolas de se tornarem difíceis é a obstinação dos que se tornaram duros de ouvido para não se converterem. A parábola pode dar lugar a essa interpretação, em que a incompreensão é parte dessa postura de não querer entender o verdadeiro significado, por não querer se converter. As palavras diretas não admitem essa interpretação que seria um fechar-se totalmente à verdade. Só os de boa vontade, aqueles que realmente têm olhos que veem e ouvidos que ouvem é que serão felizes (16) porque entenderão o que realmente foi dito.

OS DISCÍPULOS: Porém, bemaventurados os vossos olhos, porque veem e vossos ouvidos porque ouvem (17). Certamente, pois, vos digo que muitos profetas e justos ansiaram ver as que vedes e não viram; ouvir as que ouvis e não ouviram (17). Amen quippe dico vobis quia multi prophetae et iusti cupierunt videre quae videtis et non viderunt et audire quae auditis et non audierunt. Daí que, após a disposição para escutar a mensagem da parábola, ele explica a mesma aos discípulos. Agora sim, eles a podem entender depois de tê-la escutado. O propósito das parábolas era revelar as verdades ocultas do Reino de Deus, porém, não a todos. Ao coração honesto, estas histórias ilustrativas trariam mais luz; aos orgulhosos e rebeldes, elas criariam mais confusão. Assim o explica Jesus: porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes será concedido (Mt 13, 11). É uma declaração que está na linha do profeta Isaías: “Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos” (Isaías 57:15). “… mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra” (Isaías 66:2). E quanto ao orgulhoso, Isaías diz que na vinda do reino messiânico “Os olhos altivos dos homens serão abatidos, e a sua altivez será humilhada…” (Isaías 2:11). Essa alegria e felicidade era a esperada pelos profetas e justos do AT. Para outros, os justos eram os reis. Com isso, Jesus indicava que os seus dias eram os que os antigos profetas predisseram e os que os reis de Israel desejavam como reino de paz e bemaventurança.

EXPLICAÇÃO DA PARÁBOLA: Por isso, ouvi vós a parábola do semeador (18). Vos ergo audite parabolam seminantis. Os três sinóticos narram também a explicação da parábola do semeador, e os três sinóticos dão uma mesma explicação ao tipo de terreno em que cai a semente que é a palavra do Reino, ou segundo Lucas a palavra de Deus (Lc 8, 11). Temos, portanto, a explicação dada pelo próprio Jesus. Somente alguma expressão como a de Lucas que identifica a palavra com o logos de Deus pode ser uma reinterpretação, ou melhor, uma explicação mais extensa, completamente válida, da Igreja primitiva. De fato, Marcos não explica em que consiste a semente, mas unicamente fala que o semeador semeia a palavra. E na subsequente explicação a palavra toma o lugar da semente. A semente é a palavra do Reino. Esta é a primeira conclusão. E a palavra do reino ou de Deus, era: Convertei-vos, ou melhor, Mudai vossa maneira de pensar e de viver, optando por fins honestos. Mas vejamos as quatro classes de terreno em que ela, a semente, cai.

OS OUVINTES SEM FRUTO: Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a entende, vem o maligno e arrebata a semente no seu coração [mente]; este é o semeado perto do caminho (19). O que, pois, foi semeado sobre terra rochosa, esse é quem, ouvindo a palavra, e de imediato, com gosto recebendo-a (20), porém não tem raiz em si mesmo, mas é passageiro: sobrevinda a adversidade ou a perseguição por causa da palavra, imediatamente tropeça (21). O que, pois, foi semeado entre os espinhos, esse é o ouvinte da palavra e os cuidados deste século e a fascinação da riqueza sufoca a palavra e se torna infrutífera (22. )Omnis qui audit verbum regni et non intellegit venit malus et rapit quod seminatum est in corde eius hic est qui secus viam seminatus est. Qui autem supra petrosa seminatus est hic est qui verbum audit et continuo cum gaudio accipit illud, non habet autem in se radicem sed est temporalis facta autem tribulatione et persecutione propter verbum continuo scandalizatur. qui autem est seminatus in spinis hic est qui verbum audit et sollicitudo saeculi istius et fallacia divitiarum suffocat verbum et sine fructu efficitur. Nesta explicação, Jesus ou o redator grego confunde a semente com o receptor. Em termos modernos a alegoria seria redatada: pelo que respeita à semente que caiu no caminho, representa aquele que etc. Nestas três situações Jesus declara quais são esses apetites indignos, os lacres que se opõem à irrupção do verdadeiro Reino: No caminho, será o Maligno ou Satanás, figurado pelos pássaros que impedem a semente de entrar na terra ou no coração dos homens. O solo rochoso é figura de quem está amedrontado por pressões e acuado pelas perseguições, que a Palavra deve enfrentar. A Palavra é bem recebida, mas não pode frutificar por causa desses medos e coações. A caída entre espinhos e sarças não pode frutificar porque é sufocada pelos cuidados materiais e pela ambição das riquezas. Jesus determina com precisão as dificuldades, primeiramente externas e logo internas, que impedem a entrega do homem ao apelo evangélico.

O FRUTO: Aquela, pois, que foi semeada sobre a terra, a boa, esse é que ouvindo a palavra e entendendo, quem deveras frutifica e faz (produz), um, precisamente, cem; outro, pois, sessenta, outro porém, trinta (23). Qui vero in terra bona seminatus est hic est qui audit verbum et intellegit et fructum adfert et facit aliud quidem centum aliud autem sexaginta porro aliud triginta. Finalmente, a terra, que sendo boa, nem sempre é a melhor [100 por um que significaria entrega total] e que pode ser uma dedicação parcial de até uns 30 por um. Jesus, nesta parábola, claramente indica as razões do porquê o bem não triunfa como deveria e algumas das causas que têm como base o mal que vemos no mundo. Existem causas externas e internas que sufocam a semente do Reino, total ou parcialmente, de modo que sua eficácia seja relativa. E o pior do caso, é que essas mesmas causas estão atuando no nosso tempo. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça- dirá Jesus após terminar o relato da parábola (Mt 13, 9). Palavras de uma atualidade evidente em nossos dias.

PISTAS:

1) As dificuldades em compreender o evangelho são de todas as épocas. Umas externas como é a perseguição mais ou menos oculta. Hoje está em moda a modernidade que coloca a liberdade, especialmente a sexual, como supremo valor a defender, impedindo qualquer outra opinião ou pensamento em contrário, porque defasado e medieval. E até afirmam que Jesus com seu amor, aberto a toda conduta, não condena homossexuais, nem outras condutas libertinas. Jesus não tinha por que condenar o que a sociedade de seu tempo já condenava. Mas se olharmos o evangelho, Jesus condena condutas liberais como o divórcio e o adultério (Mt 5, 16) e admite que o matrimônio de porneia não é verdadeiro. Logo nem toda liberdade está sancionada como amor e santificada como legítima pelas palavras de Jesus.

2) Uma outra dificuldade em admitir o evangelho era a perseguição clara que matava o corpo. Hoje a perseguição mata a alma porque reduz o verdadeiro cristão a um ser de outra época, atrasado, que não admite manipulação com embriões e atrasa o avanço científico em bem da humanidade. É como quem diz que se opor a uma bomba atômica é estar contrário à verdadeira ciência. Esta é amoral e pode servir tanto ou mais para o mal que para o bem. Com respeito ao caso dos embriões manipulados para obter a saúde de outros é como o escravo que é usado para benefício exclusivo do seu dono. Porque ao perder a dignidade humana [a verdade do conhecimento e a liberdade de escolha] na manipulação dum embrião, se perde o respeito ao homem completo que está no início de todo ser humano embrionário. Pois sem poder o embrião ter conhecimento e sem a autorização de seu consentimento, ele se torna um escravo ou um objeto manipulado.

3) O nosso mal é que sabemos tudo a respeito do evangelho, mas não queremos entender sua mensagem. Sempre referimos aos outros as coisas que realmente somos nós os que necessitamos mudar para melhorar a nossa vida. Por isso embora sejamos atentos às palavras as referimos aos outros e não as tomamos como sinal dado a nós mesmos. Daí que o fruto é escasso.

4) Agora entendemos por que Jesus diz que devemos aceitar o Reino como crianças. Eles não dão sentidos diversos às palavras nem sabem dulcificar a pílula, como vulgarmente se diz, para admitir uma parte – a que convém - e deixar a outra, a mais difícil, que não se ajusta aos seus desejos.

5) A maioria entende as palavras de Jesus como se fossem parábolas, metáforas que podem ter muitos sentidos e interpretações nem sempre aplicados a nossa vida pessoal. Mas os verdadeiros discípulos as escutam pensando no que essas palavras dizem para convocá-los a uma vida de maior perfeição, sempre como uma meta ainda por alcançar e que todos devem almejar.

EXCURSUS: NORMAS DA INTERPRETAÇÃO EVANGÉLICA

- A interpretação deve ser fácil, tirada do que é o evangelho: boa nova.

- Os evangelhos são uma condescendência, um beneplácito, uma gratuidade, um amor misericordioso de Deus para com os homens. Presença amorosa e gratuita de Deus na vida humana.

- Jesus é a face do Deus misericordioso que busca o pecador, que o acolhe e que não se importa com a moralidade ou com a ética humana, mas quer mostrar sua condescendência e beneplácito, como os anjos cantavam e os pastores ouviram no dia de natal: é o Deus da eudokias, dos homens a quem ele quer bem e quer salvar, porque os ama.

Interpretação errada do evangelho:

- Um chamado à ética e à moral em que se pede ao homem mais que uma predisposição, uma série de qualidades para poder ser amado por Deus.

- Só os bons se salvam. Como se Deus não pudesse salvar a quem quiser (Fará destas pedras filhos de Abraão).

Consequências:

- O evangelho é um apelo para que o homem descubra a face misericordiosa de Deus [=Cristo] e se entregue de um modo confiante e total nos braços do Pai como filho que é amado.

- O olhar com a lente da ética, transforma o homem num escravo ou jornaleiro:aquele age pelo temor, este pelo prêmio.

- O olhar com a lente da misericórdia, transforma o homem num filho que atua pelo amor.

- O pai ama o filho independentemente deste se mostrar bom ou mau. Só porque ele é seu filho e deve amá-lo e cuidar dele.

- Só através desta ótica ou lente é que encontraremos nos evangelhos a mensagem do Pai e com ela a alegria da boa nova e a esperança de um feliz encontro definitivo. Porque sabemos que estamos na mira de um Pai que nos ama de modo infinito por cima de qualquer fragilidade humana.


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Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje! Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

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