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Índice desta página:
Nota: Cada seção contém Comentário, Leituras, Homilia do Diácono José da Cruz e Homilias e Comentário Exegético (Estudo Bíblico) extraído do site Presbíteros.com

. Evangelho de 11/11/2012 - 32º Domingo do Tempo Comum
. Evangelho de 04/11/2012 - Solenidade de Todos os Santos


Acostume-se a ler a Bíblia! Pegue-a agora para ver os trechos citados. Se você não sabe interpretar os livros, capítulos e versículos, acesse a página "A BÍBLIA COMENTADA" no menu ao lado.

Aqui nesta página, você pode ver as Leituras da Liturgia dos Domingos, colocando o cursor sobre os textos em azul. A Liturgia Diária está na página EVANGELHO DO DIA no menu ao lado.
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11.11.2012
32º Domingo do Tempo Comum — ANO B
(VERDE, GLÓRIA, CREIO – IV SEMANA DO SALTÉRIO)
__ "O que você está oferecendo a Deus? As sobras ou a vida?" __

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

CLIQUE AQUI E VEJA UMA APRESENTAÇÃO ESPECIAL SOBRE A LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA


(antes de clicar - desligue o som desta página clicando no player acima do menu à direita)

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Mais uma vez nos reunimos para a celebração da Eucaristia, memorial da doação plena de Jesus Cristo ao Pai e a nós. Estamos chegando ao final do Ano Litúrgico e, os últimos domingos que celebramos, têm a característica de nos levar a avaliar o nosso modo de viver, pois um dia, estaremos diante de Deus. A liturgia hodierna nos chamará a atenção para a sinceridade de nossos atos. Diante de Deus, não conta o que fazemos de modo visto ou até mesmo teatral, mas o quanto se empenha o coração naquilo que fazemos por a ele e pelo bem dos irmãos. Conscientes de que a Páscoa de Jesus se manifesta nos grupos que sabem ser hospitaleiros e sabem partilhar o pouco que possuem, iniciemos nossa celebração intercedendo a graça de unir a nossa vida à oferta de Jesus Cristo ao Pai.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Hoje é o Dia Nacional da Juventude. O Evangelho nos ensina que a Deus devemos dar tudo, não importa o que isso signifique em termos de quantidade, pois os critérios divinos não são como os critérios humanos. Na liturgia entreguemos a Deus nosso coração para melhor entregar-lhe a vida em nossa ação cotidiana. Rezemos para que os jovens abram o coração aos apelos da fé e, como os primeiros apóstolos, se engajem na aventura de crer sem medo de deixar para trás todos os apegos humanos.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: Jesus é a revelação da presença humilde de Deus entre nós, em contato com as multidões, fazendo-se igual a todos em tudo que há de bom, justo e verdadeiro, para nos comunicar sua vida divina e eterna pela vivência do amor e da misericórdia.

Sintamos o júbilo real de Deus em nossos corações e cheios dessa alegria divina entoemos alegres cânticos ao Senhor!


(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (1 Reis 17,10-16): - "A farinha não se acabou na panela nem se esgotou o óleo da ânfora, como o Senhor o tinha dito pela boca de Elias"

SALMO RESPONSORIAL 145(146): - "Bendize, minha alma, bendize ao Senhor!"

SEGUNDA LEITURA (Hebreus 9,24-28): - "Eis por que Cristo entrou, não em santuário feito por mãos de homens, que fosse apenas figura do santuário verdadeiro, mas no próprio céu, para agora se apresentar intercessor nosso ante a face de Deus."

EVANGELHO (Marcos 12,38-44): - "... esta, porém, pôs, da sua indigência, tudo o que tinha para o seu sustento."



Homilia do Diácono José da Cruz — 32º Domingo do Tempo Comum — ANO B

"QUEM NADA TINHA, DEU TUDO"

Li umas várias vezes o evangelho desse domingo, e em pensamento queixei-me com o seu autor, o Evangelista São Marcos, pois á primeira impressão que se tem, é que Jesus estava falando de um assunto, no caso, da ostentação dos escribas, e de repente mudou, como se diz “de saco prá mala”, abordando a oferta da viúva pobre. Parece que encerrou uma conversa e iniciou outra, assim, a abordagem fica meio complicada.

Achei melhor pedir socorro á primeira leitura, que compõe a liturgia e que não está ali só de enfeite: Na casa de uma viúva pobre, o profeta Elias, primeiro pede-lhe água para beber, depois, o profeta meio folgado pediu também um pedaço de pão, o que colocou a pobre mulher em pânico, pois o restinho de farinha que possuía, só dava para fazer um pãozinho que seria a última refeição para ela e o filho.

Aqui dá para perceber algo em comum entre essas duas viúvas, as duas moedinhas de cinco centavos, e o punhadinho de farinha, que sobrou no fundo da despensa, era tudo o que as duas tinham. Como dar para alguém algo que é essencial para nós? Tirar da própria boca para sustentar o outro, não é arriscar passar fome por causa daquilo que se deu? Há uma perda material, isso é indiscutível, entretanto o Profeta garante que aquela pobre viúva não ficará desassistida, não lhe faltará aquilo que é essencial para a sobrevivência, a farinha e o óleo, até o dia em que Deus mandar a chuva, que fertilizará a terra, acabando com a miséria daquela região. O amor ágape é sempre um mistério, quanto mais se ama e se doa, mais se tem! Aqui começa a ganhar corpo uma idéia bonita, a do amor que se doa por inteiro, que não dá ao outro as migalhas, ou o que está sobrando e não vai lhe fazer falta.

O amor verdadeiro nos faz perder algo, pelo menos na lógica humana, isso é mesmo uma grande verdade, quem se dedica a um enfermo dia e noite, cuidando dele com paciência e carinho, quem se dedica aos filhos, ou ao esposo ou a esposa, com igual dedicação, Quem se dedica aos trabalhos da igreja, ou a família, se o fizer de forma autêntica, estará perdendo algo precioso: o seu tempo, por exemplo, que poderia ser melhor aproveitado, quem sabe, dedicando-se ao lazer, a algum negócio rendoso, esse tempo que foi dedicado a alguém em especial, ou á comunidade, não voltará jamais, ficou perdido. Parece que amar é perder sempre algo que nos é essencial.

Deus não nos deu o que lhe sobrava, e que não ia lhe fazer falta, mas o que tinha de mais precioso e valioso, seu amado Filho Jesus, que por sua vez, vivendo a fidelidade da missão, chegou à encruzilhada Getesâmani, “Beber o cálice de amargura, que significaria abrir mão de sua vida, pela salvação de todos, ou encontrar outra forma de amar, que não significasse uma perda total”. Afastar-se do cálice ou aceitá-lo? Sendo Deus, só podia mesmo nos amar com o amor de Deus, que olha a miséria humana com misericórdia e compaixão, e entrega a sua vida, na juventude dos 33 anos, com um amor sem limites. Aceita o sacrifício vicário, morrer em lugar de todos, para que todos pudessem se salvar. Ele não poderia morrer somente para os bons, os que fossem corresponder ao seu grande amor, ontem, hoje e no futuro, mas sua morte resgatou, e continuará a resgatar muitos ímpios.

E com a ajuda preciosa das duas primeiras leituras, agora sim, dá para entender o porquê do seu elogio aquela pobre viúva, ele não olhou para o valor que estava sendo ofertado, mas sim para a disposição interior daquela mulher que com certeza pensava “Ao meu Deus, que me deu tudo, também ofereço este pouco, que é meu tudo”. Pelo que diz o santo evangelho, os escribas gostavam de ser notados, por tudo o que faziam, impondo admiração e respeito, conquistando assim os lugares de maior importância. Aparentemente estavam se doando a Deus e aos irmãos, mas na verdade, cobravam, pela sua doação, um alto preço, o prestígio, a fama, o poder e o domínio sobre os demais. Mas havia também nas comunidades de Marcos, como há nas nossas, uma gente que se doa totalmente, e nem aparece, são discretos no servir, dão o melhor de si, talvez não exerçam um trabalho importante, mas tem no coração o carisma do amor sem medidas e sem reservas, que se doa com humildade e alegria. Uma gente que espalha alegria e o doce perfume de Cristo por onde anda.

Não nos deixemos enganar pelo falso brilho dos escribas, o poder e o brilho que ostentam, é efêmero! Busquemos no anonimato da assembléia, aqueles e aquelas que refletem no rosto o Cristo Servidor, são esses que fazem a nossa Igreja caminhar, e que a sustenta com uma oração sincera e um coração repleto de amor a Cristo e aos irmãos. ...(32º. Domingo do Tempo Comum – Mc 12, 38-44)

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do D. Henrique Soares da Costa — 32º Domingo do Tempo Comum — ANO B

Deus ama os que nada valem aos olhos dos homens

Duas cenas comoventes, de gente pobre, sem valor nem importância, histórias de gentinha sem nome, ocupam hoje nossa atenção. Ah, meus irmãos, que Deus gosta de se ocupar com quem não vale nada!

Primeiro, a Viúva de Sarepta. Qual o nome dela? Qual o enredo da sua vida? Qual o nome do seu filho? Que idade tinha? Nada! Silêncio! A Escritura se cala. Vai direto ao ponto: no tempo do profeta Elias uma seca mortal varreu a Terra Santa e sua vizinhança. O Livro dos Reis explica que isso se deveu à idolatria de Israel e à impiedade de Acab, seu rei. Até o profeta Elias, que anunciou o castigo, teve que sofrer as conseqüências: primeiro ficou sendo alimentado por um corvo na torrente de Carit; mas, depois, a torrente secou. Também os profetas de Deus sofrem, também eles participam da sorte do seu povo… Deus não super-protege seus amigos numa redoma… Também os amigos do Senhor devem combater os combates da vida… Mas, secada a torrente de Carit, Elias deixou a Terra Santa como flagelado de seca… Conhecemos essa história de tantos nordestinos que fogem da sequidão, deixando para trás sua terra e indo para o Sudeste do País. Pois bem: Elias, um dos maiores amigos de Deus, foi retirante, como um coitado flagelado nordestino! E chega no estrangeiro, na fronteira de Israel com o Líbano. Vê uma viúva cananéia, pagã, portanto, apanhando uns gravetos para fazer fogo. Pois bem, o homem pede-lhe um pouco d’água e também um pedacinho de pão. Devia estar morto de fome, o Elias retirante, flagelado, como os “severinos” da vida… E, ante o pedido do Homem de Deus, a resposta da viúva pobre e sem nome, uma maria-ninguém, é de fazer chorar de dor: “Pela vida do Senhor, teu Deus, não tenho pão. Só tenho um punhado de farinha e um pouco de azeite. Eu estava apanhado dois pedaços de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho, para comermos e depois esperar a morte”. É um fim da pouca comida na casa daquela coitada, daquela pobre. E observem que ele não amaldiçoa Deus; pelo contrário: “Pela vida do Senhor, teu Deus!” – ela diz, com respeito por Deus e por seu profeta, apesar de ser uma pagã! E Elias manda que ela prepare o pão primeiro para ele; e garante: “Assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘A vasilha de farinha não acabará e a jarra de azeite não diminuirá, até ao dia em que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra’”. A viúva fez assim, e aconteceu como o profeta de Deus dissera…

Uma segunda cena. A de uma viúva também sem nome, sem importância, outra maria-ninguém; Maria Nadinha de Nada – poderia ser esse o seu nome… Chega junto ao cofre do tesouro do Templo. Ali joga duas moedinhas. Dinheiro de nada. Não dá para comprar nem o azeite de um dia para manter o candelabro do Senhor aceso! Mas, era “tudo aquilo que possuía para viver!” E o Senhor viu, e comoveu-se com sua generosidade, pois conhecia seu coração e sabia da sua penúria miserável! – Esta segunda história nós conhecemos bem das nossas igrejas; a mão aberta, generosa, dos pobres para com a Casa de Deus e a parcimônia mesquinha e desdenhosa dos que muito possuem… Pois bem: esta viúva, indigente, quase esmoler, dá tudo ao Senhor, não reserva nada para si! Talvez nós pensemos, do alto da nossa prudência: “Mulher imprudente, mulher tola, mulher irresponsável…” Mas, o Senhor Jesus, que desmascara nossos pensamentos miseráveis e mundanos, tem opinião diferente: Ama aquela viúva, elogia aquela mulher, comove-se com ela.

Caríssimos, agora procuremos responder: Como essas duas mulheres tiveram coragem de agir assim? Como foram capazes de tal desapego? Eis a resposta: As duas acreditavam de verdade no Deus de Israel. Para elas, Deus não era uma teoria, uma hipótese, uma idéia vaga, fria e distante! Para elas, Deus era concreto, presente, atuante. Ainda hoje é assim para os pobres. Vão, meus caro! Vão às nossas comunidades de periferia e vocês ficarão impressionados com a generosidade e a fé da gente pobre! Para essas duas mulheres e para os pobres de Deus, as palavras do salmo da Missa de hoje não são uma brincadeira, não são palavras vazias: O Senhor é fiel para sempre,/ faz justiça aos que são oprimidos;/ ele dá alimento aos famintos./ É o Senhor quem protege o estrangeiro,/ quem ampara a viúva e o órfão./ O Senhor reinará para sempre!” Só quem crê de verdade, de verdade se abandona, de verdade doa, de verdade não procura segurança fora de Deus! Só quem crê de verdade faz como essas viúvas sem juízo: dão tudo, porque dão para o Senhor! Caríssimos, aquelas mulheres pobres acreditavam nisso, aquelas duas coitadas sabiam abandonar-se nas mãos benditas do Deus de Israel: uma dá tudo quanto tinha para comer a uma estranho simplesmente porque ele era um homem de Deus; a outra, não hesita em jogar tudo no tesouro da Casa do Senhor… Elas são como o Cristo Jesus, “que sendo rico se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobreza” (2Cor 8,9). Elas são tão diferentes de nós, apegados, desconfiados, iludidos com o pensamento que podemos garantir nossa vida com nosso egoísmo e que somos senhores dos nossos dias. – Senhor, dá-nos um coração de pobre! Senhor, fonte de riqueza, dá-nos um coração confiante!

E agora, para terminar, agora olhemos Jesus. A segunda leitura de hoje no-lo apresenta no céu, diante do Pai, em nosso favor. O Autor sagrado explica que ele se fez homem uma só vez, entregando-se todo, a vida toda, por nós, até morrer para apagar os pecados da multidão! Ele fez como aquelas viúvas: Ele não se poupou, não poupou nada; tudo entregou ao Pai por nós. E agora, ele estará para sempre diante do Pai, com o seu sacrifício, como Cordeiro glorioso e imolado (cf. Ap 5,6), até que apareça nos final dos tempos “para salvar aqueles que o esperam”. Eis caríssimos, o mistério: sem saberem, aquelas duas mulheres participavam da entrega de Cristo, da generosidade de Cristo, dos sentimentos de Cristo! Sem nem imaginarem, aquelas mulheres colocaram a esperança em Cristo!

Por favor, voltemos agora o olhar do coração para o Céu, para junto do Pai! Lá está o nosso Salvador, eternamente vitorioso e eternamente imolado de amor! Lá está Jesus, com seu sacrifício eterno, único, perfeito irrepetível, totalmente suficiente e eficaz! Ele nos deu tudo! Mais ainda: ele se deu todo… Todo a nós, todo por nós! Agora, olhemos para este Altar, em torno do qual nos reunimos. Daqui a pouco, esse sacrifício único e santíssimo, essa sacrifício que está para sempre diante de Deus, estará aqui, sobre este Altar sagrado, para ser nossa oferta e para que nós dele participemos! Daqui a pouco, a Hóstia santa – isto é, a Vítima do Sacrifício – estará aqui, do céu para nós, do céu entre nós, para ser nossa oferta e nosso alimento! É muito dom, é muito mistério, é muito piedade, é muita misericórdia de Deus para conosco!

Caríssimos, não sejamos mesquinhos, não sejamos incrédulos, não sejamos duros de coração: aprendamos a ver Deus agindo na nossa vida, aprendamos a confiar, e coloquemos nossa vida e nossa pobreza nas mãos de Deus! Amém.

D. Henrique Soares da Costa


Comentário Exegético — 32º Domingo do Tempo ComumANO B
(Extraído do site Presbíteros - Elaborado pelo Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

Epístola aos Hebreus 9, 24-28 - CRISTO, SUMO-SACERDOTE

INTRODUÇÃO: Dois rasgos característicos  do sacerdócio de Cristo encontramos nesta epístola: O primeiro foi sua atuação como Sumo Sacerdote no momento de sua morte. Com seu próprio sangue fez a propiciação pelos pecados do mundo. Foi um ato de expiação. O segundo é a propiciação constante diante do trono divino por aqueles que nele esperam a salvação. É um ato de intercessão. Somente no fim da História, o eschaton dos tempos, é que sua figura se transformará em Juiz para os que não o quiseram receber como Salvador. Porém será motivo de salvação e alegria para os que nele depuseram suas esperanças.

O VERDADEIRO TEMPLO: Pois não entrou o Cristo em templos [agia<39>=sanctis] fabricados por mãos [cheiropoiëta <5499> = manufactis], figuras [antitupa<499>=exemplaria] dos verdadeiros [alëthinön<228>=verorum], mas no próprio céu, para agora estar presente [emfanisthënai <1718>=appareat] para nós, diante da face [prosöpö<4383>=vultui] de (o) Deus (24). Non enim in manufactis sanctis Iesus introiit exemplaria verorum sed in ipsum caelum ut appareat nunc vultui Dei pro nobis Hebreus. TEMPLOS: Agion, neutro se refere ao lugar sagrado com o to [artigo determinante], ou seja, to agion. A palavra sai pela primeira vez nesta carta em 8, 2, tendo como ministro [leitourgos] dos lugares sagrados [tön agiön] e do tabernáculo, Cristo. Pelo que vemos, agia [plural de agion] significa o santo dos santos [Kodesh ha-Kodashim hebraico] que a Setenta traduz por to agion tön agiön (Êx 26, 36). A tradução correta seria: não entrou em lugar santíssimo fabricado por homens…  FIGURA: Antitupos é modelo, reflexo, semelhança. Só sai também em 1 Pd 3, 21, onde a arca se transforma na figura do batismo. O templo e o santuário eram, pois, figuras dos verdadeiros lugares sacros que estavam realmente habitados pela presença abrangente divina: os céus, onde seu Reino não tinha opositor, nem  podia existir outra vontade contrária: Faça-se a tua vontade assim na terra como é feita nos céus, mandou Jesus que recitássemos (Mt 6, 10). ESTAR PRESENTE: O verbo Emfanizö significa informar, manifestar, aparecer e, em sua forma passiva, ou melhor reflexiva, seu significado é manifestar-se, revelar-se, dar-se a conhecer, que é traduzido na TEB por comparecer e que temos traduzido por estar presente em nosso favor, como testemunha de equidade, por assim dizer, diante da face [prosöpö] do próprio Deus. O autor da carta compara Jesus com o ministério dos antigos Sumos Sacerdotes que compareciam, uma vez ao ano, diante da arca em cujo trono, formado por dois querubins, se supunha estava assentado Jahveh como presidindo o santuário no meio de seu povo (Sl 80, 2 e 99, 1). Logicamente não para julgar a terra, mas para interceder, como sumo sacerdote, pelos pecados do povo. A isso aponta o yper ëmön, em favor nosso [pro nobis latino] do texto.

MODELO DO AT: Nem para se oferecer [prosferë<4347>=offerat] muitas vezes [pollakis <4178> =saepe], ao modo como o Sumo sacerdote entra nos santuários cada ano, com sangue alheio [allotriö<245>=alieno] (25). Neque ut saepe offerat semet ipsum quemadmodum pontifex intrat in sancta per singulos annos in sanguine alieno. O verbo Prosferö significa oferecer um presente como os Magos em Mt 2, 11 ou apresentar alguém, como foi feito ao trazer os doentes em Mt 4, 24 e especialmente das ofertas no templo (Mt 5, 23  e  24 ). Fora dos evangelhos só sai 2 vezes em At (8, 18 e 21, 26). No primeiro caso, quando Simão ofereceu dinheiro para comprar os dons do Espírito e no segundo, quando Paulo ofereceu sua oferta para se purificar. Nesta carta, sai 18 vezes como termo técnico correspondente ao sacerdote que apresenta à divindade um sacrifício ou dom. Hebreus aqui traz à memória as vezes [POLLAKIS] em que, no ano, se celebrava a festa do Yom Kippur, ou da Expiação. NOS SANTUÁRIOS: O plural agia é traduzido por santuário. Na realidade, eram duas as salas em que só entravam os sacerdotes e que formavam o naós<3485> propriamente dito: o santo e o santíssimo. O naós clássico era a nave onde estava a imagem do deus e que se distinguia do resto do templo chamado de  ‘ieron<2411>.  Precisamente naós deriva de naiö [habitar] e era o cubículo em que se encontrava a imagem do ídolo. Também recebia o nome de domos [casa] e sëkos [recinto], palavras que não se encontram na Escritura.  Esta distinção está clara na bíblia em Mt 23, 16 sobre o naós e 4, 5 sobre o ‘ieron. Ela também dá uma força que inutilmente podemos encontrar na Vulgata ou nas traduções vernáculas: o templo [naós] de Deus, que sois vós, é sagrado (1 Cor 3, 17). A tradução latina templum como a das línguas vernáculas, está aquém do significado de naós que deve ser santuário, ou tabernáculo, onde realmente habitava o deus pertinente. Em 9, 3 o nosso autor dirá que detrás do segundo véu [katapetasma<2665>] estava o tabernáculo [skënë<4633>] o chamado santo dos santos [agia agiön<39>], sendo skene feminino. COM SANGUE ALHEIO: A carta recorda o rito do AT em que um dos bodes era sacrificado e com seu sangue era aspergido o propiciatório (Lv 16, 14) após ter coberto o mesmo com a nuvem do incenso para evitar a sua morte (idem 16, 13). Esse rito realizava-se cada ano, no dia da Expiação [yom Kippur]

 O SACRIFÍCIO DE CRISTO: Visto que [epei<1893>=alioquin] convinha [edei<1163> =oportebat] que ele padecesse muitas vezes desde a fundação [katabolës<4930>=origine] do mundo, agora pelo contrário [apax<539>=semel], uma única vez, no fim dos tempos [synteleia<4930>=consumatione], para extinção [athetësin <115> =destitutionem] do pecado, se manifestou pelo seu próprio sacrifício [thysias<2378>=hostiam] (26). Alioquin oportebat eum frequenter pati ab origine mundi nunc autem semel in consummatione saeculorum ad destitutionem peccatiper hostiam suam apparuit. CONVINHA: O edei grego é imperfeito do verbo deö atar, colocar sob a obrigação, como em Mt 16, 21: Jesus disse que deveria ir a Jerusalém e sofrer etc. O sentido da frase é que assim como o Sumo sacerdote entrava muitas vezes no tabernáculo com sangue alheio, o Cristo com seu sangue deveria sofrer muitas vezes; e isto desde a fundação do mundo, pois dessa época foi constituído como Sumo Sacerdote. Porém, o caso foi único [apax] e no fim dos tempos [synteleia]  cujo significado é conclusão, consumação, fim. Em Mt 13, 39 Jesus diz que a ceifa é o tempo do fim dos tempos.  Ou como em Mt 28, 20 até a conclusão da época (atual). EXTINÇÃO: Poderíamos dizer abolição [do pecado]. Por isso foi chamado do cordeiro que tira o pecado do mundo  (Jo 1, 29). SACRIFÍCIO: Em grego Thysia <2378> em que a oferenda era uma vítima que deveria ser morta, como indica o verbo Tyuö que indica oferecer sacrifícios, primariamente do fumo de incenso [thymos], obtido através de ser queimado, como eram as vítimas dos sacrifícios cruentos.

 A SEGUNDA VINDA: E assim como está estabelecido [apokeitai<606>=statutum est] aos homens morrer uma vez [apax<530>=semel] e, logo, o julgamento [krisis<2920>=iudicium ] (27), assim o Cristo, uma vez oferecido [prosenextheis<4374>=oblatus] para carregar [anenegkein <399> =exhaurienda] os pecados de muitos, pela segunda vez, sem pecado, aparecerá [ofthësetai<3700>=apparebit] aos que o esperam [apekdechomenois <553> =expectantibus] para salvação [söterian <4991> =salutem] (28). Et quemadmodum statutum est hominibus semel mori post hoc autem iudicium, sic et Christus semel oblatus ad multorum exhaurienda peccata secundo sine peccato apparebit expectantibus se in salutem. ESTABELECIDO: Do verbo apokeimai, que significa deitar, estar em depósito, estar separado ou reservado. Exemplos: eis minha mina aqui está guardada num lenço (Lc 19, 20). Ou melhor: por causa da esperança que vos está preservada (Cl 1, 5). A tradução é, pois, está ordenado ou estipulado. É uma norma da qual nenhum homem foi dispensado. JULGAMENTO: Krisis grego significa separação, quebra, divisão e ao mesmo tempo julgamento, seleção, processo judicial, sentença, decisão judicial. Encontramos em Jo 8, 16: Se eu julgo [krinö] -dirá Jesus- o meu juízo [krisis] é verdadeiro. O julgamento final  está claro em Mt 10, 15 onde no dia do julgamento [en emera kriseös] haverá menos rigor com Sodoma e Gomorra do que com aquela cidade, como repete Mc 6, 11. Que seja a última e definitiva sentença vemos em Jd 1, 15: para fazer julgamento [krisin] contra todos e convencer todos os ímpios acerca de todas as suas obras ímpias. Que seja o último é claro como vemos em Mc 3, 23 em que a blasfêmia contra o  Espírito, o Santo, não tem perdão porque é réu de um julgamento [kriseös] eterno. João no capítulo V dirá: que o julgamento [krisin] foi dado a ele pelo Pai e que quem ouve sua palavra terá a vida eterna e não entrará no juízo [krisin] (v 22 e 24). João no versículo 29 distingue entre os que fizeram o bem que ressuscitarão para a vida eterna e os que praticaram o mal para a ressurreição do julgamento [eis anastasin kriseös]. O Catecismo da Igreja  Católica fala do tempo histórico e do além do mesmo que deve atravessar por um juízo escatológico. O Reino não se realizará por um triunfo histórico da Igreja, mas por uma vitória de Deus sobre o último brote e estalido do mal, tomando a forma de um juízo final. Veremos no exemplo, como  devemos interpretar as palavras divinas referentes ao mundo do além. CARREGAR OS PECADOS: Lemos em Isaías 53, 12 como o servo de Jahveh, contado entre os transgressores, contudo, levou sobre si o pecado de muitos [amartias pollön avëneken=peccatum multorum] e pelos transgressores intercedeu. DE MUITOS: Não é o oposto a todos, mas a poucos. Quer dizer que a salvação será de muitos e não de uns poucos. Mt 29, 28 abunda na mesma ideia: entregar sua vida como resgate para muitos [anti pollön=pro multis], que outros traduzem pela multidão. APARECERÁ: Melhor, será visto sem pecado, isto é, sem as debilidades e sofrimentos que o pecado, como assumido, acarretou à paixão de Cristo. AOS QUE OS ESPERAM: O mundo todo estava na expectação de forma ansiosa [apokaradokia=expectatio] pela revelação dos filhos de Deus (Rm 8, 19) e esperando [apekdechomenous=expectantibus] também a revelação do Senhor Jesus Cristo (1 Cor 1,7). Esta espera ansiosa era sobre a salvação. SALVAÇÃO: Há na Escritura 4 formas de salvação do pecado e suas consequências: da culpa, do poder, da presença e do prazer. A salvação será completa quando também o corpo ver-se-á livre da corrupção. Assim em Fp 3, 20: Paulo fala da nossa pátria que está nos céus de onde também expectamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. O ministério profético [em nome de Deus] de Cristo tem três etapas diferentes: Mestre e profeta, durante sua vida pública. Vítima e Sacerdote, desde a paixão até os tempos escatológicos. Finalmente, juiz e Rei, desde sua segunda vinda, onde seu triunfo será total e visível.

EVANGELHO (MARCOS 12, 38-44)
Lugares paralelos Mt 23, 1-36 e Lc 20, 45-47

Denúncia contra os escribas.
O óbulo da viúva

INTRODUÇÃO: Desde o capítulo 11 [entrada em Jerusalém] o antagonismo entre Jesus e os fariseus é evidente: começa com a expulsão dos mercadores do templo, e uma série de discussões sobre questões apresentadas pelos legistas que resolve Jesus magistralmente. O imposto a César, a ressurreição dos mortos,  o primeiro mandato. Como conclusão, Jesus declara que os escribas [os intelectuais entre os fariseus] não mereciam o respeito e admiração que o povo os distinguia. Este é o momento do evangelho de hoje, em que Jesus apresenta o chamado fermento dos fariseus (Mt 16, 6) e o desmascara de forma absoluta e total.  São dois os episódios a comentar: a ambição de poder e honra dos escribas e a pobreza, como consequência de seus atos.

DENÚNCIA DOS ESCRIBAS

(Mt 23, 1-36 e Lc 20, 45-47)

 A LIÇÃO: Então lhes dizia em seu ensino: olhai contra os escribas, os que desejam em longos vestidos [estolas, ou vestes talares] deambular e saudações nas praças (38). Et dicebat eis in doctrina sua cavete a scribis qui volunt in stolis ambulare et salutari in foro. Mateus, em lugar paralelo, fala de escribas [grammateis<1122>] e fariseus. Na realidade, os escribas pertenciam, na sua maior parte, ao grupo dos fariseus, já que grande parte de sua erudição provinha da tradição que não era admitida pelos saduceus como Lei. Por isso, Jesus podia afirmar que na cátedra de Moisés se assentaram os escribas e fariseus (Mt 23, 2).  Lucas copia exatamente com as mesmas palavras a advertência de Jesus narrada por Marcos (Lc 20, 46); unicamente substitui o verbo olhai por estai atentos contra. De fato, olhai contra é traduzido por cavete em latim, ou seja, guardai, tomai cuidado. Vamos explicar os vestidos longos ou talares. A stola latina deriva da stolë grega. Era uma vestidura ampla e longa que gregos e romanos levavam sobre a camisa [ou roupa interna junto a pele] e se diferenciava da túnica comum porque esta só chegava até a meia perna e aquela até o calcanhar e estava também adornada com uma franja que cingia a cintura e caia por detrás até o chão. Daí deriva a veste talar, longa até os calcanhares e própria dos clérigos na idade média. A palavra talar vem do latim talus osso do calcanhar, dai o adjetivo talaris, e o nome talaria, as asas que, segundo os poetas, tinha o deus Mercúrio nos calcanhares para voar como correio dos deuses, espalhando as notícias entre os mesmos. No mundo romano, usava-se uma faixa longa e estreita usada pelos sacerdotes nas funções litúrgicas que foi logo usada pelos bispos, presbíteros e diáconos no culto católico, pendurada no pescoço e caindo à frente, cuja cor dependia das celebrações em ato. Era um vestido de distinção à semelhança da toga romana, que hoje usam os magistrados e catedráticos como veste cerimonial. Logicamente com semelhante vestimenta [o vestido talar] os escribas se distinguiam das pessoas comuns cujos vestidos não iam além de meia perna. Mateus acrescenta que alongavam os filactérios e ampliavam as fímbrias de seus mantos. Também amavam ser saudados nas praças públicas. Os filactérios, do grego que significa forte e amuleto ou talismã, e que em aramaico são chamadas de tefilim, eram as duas caixinhas de couro que continham os versículos dos 4 trechos do Pentateuco: Êx. 13, 1-10, 11-16; Dt. 6, 4 – 9; 11, 13-21. A razão de seu uso está contida literalmente nestas palavras da Escritura entre outras: Te será como um sinal na mão e como um memorial diante de teus olhos para que a lei de Jahweh esteja em tua boca, porquanto Ele te tirou do Egito com mão forte (Êx 13, 16). As palavras que deviam ser recordadas são, em especial, as da Shemá, que serão colocadas na frente ou penduradas do braço esquerdo por meio de tiras de couro; assim se cumpria materialmente o texto bíblico, que além do citado está em Êx 13, 9; Dt 13, 16 e Dt 13, 18. Segundo a Mishná (Shebu 3, 8 e 11) se exige que todo varão de 13 anos [após a cerimônia do barmitzwá=filho da lei] use cada dia os tefilim; As mulheres estão explicitamente isentas desta obrigação religiosa, pois eram comparadas aos escravos que não tinham vontade própria. O filactério da cabeça consiste em 4 compartimentos, cada um contendo uma seção da Escritura, enquanto a da mão esquerda tem um só compartimento que contem as 4 passagens num só pergaminho. As caixas dos filactérios devem ser feitas de um animal Kosher [de uma raiz que significa próprio, correto] para descrever objetos e comidas que se conformam às leis rituais do culto e da comida. O contrário é Treyf [significando rasgado, dividido, no sentido de ter sido assim por outro animal e, portanto, impedido como comida por ter sido comida de um animal antes]. O filactério da cabeça leva impressa duas vezes a letra Shin [j], início da palavra shemá, [ouve], uma do lado direto e outra do lado esquerdo. A shin do lado direito tem 4 dentes no lugar dos 3 habituais, como recordação das 4 passagens contidas nas caixinhas (Menah 35ª). Cada caixa é costurada a uma base grossa de couro com doze pontadas, cada uma por uma das 12 tribos de Israel. Os filactérios não são de uso noturno, nem festivo, nem sabático. O filactério da mão é o que primeiro se coloca no lado interno do braço, na parte superior do mesmo, e a correia se enrola ao redor do braço. O filactério da cabeça se coloca no meio da fronte com os dois extremos da correia pendurando sobre os ombros. A colocação de cada filactério é acompanhada por algumas bênçãos. Colocam-se durante as orações da manhã e são retirados em ordem inversa em que se colocaram. Parece que o costume dos filactérios data pelo menos de 159 aC, pois a carta de Aristeas menciona o filactério da mão. Descobriram-se restos de filactérios nas covas de Murabba’at, ocupadas por refugiados na revolta de Bar Kokhba (135 dC) e nas covas de Qumrã. Três das 4 passagens escritas na caixinha da cabeça ainda estavam nos seus receptáculos originais. A forma das caixinhas, o material usado para o pergaminho e as fitas concorda com as especificações do Talmud. Os filactérios de Qumrã continham o decálogo. Mas logo foi proibida esta quinta seção [Mishná, Sanh 11, 3), porque, segundo os intérpretes o decálogo foi dado unicamente a Moisés. Se as de Qumrã tinham o decálogo e as de Murabba’at não, é que a reforma foi feita ao redor do ano 135 dC. Parece que o uso dos filactérios era o critério para distinguir um Haver [membro da sociedade rabínica] de um ‘am haares [não observante dos costumes rabínicos] ou povo comum. Segundo Flávio Josefo havia no tempo da guerra (66-70 dC) 6 mil fariseus e o número total de judeus 2 milhões contados entre a Palestina e a diáspora. A palavra tefilim em hebraico é gamea’ e em grego phylacterion todas com o significado de amuleto. É possível que as massas as considerassem como possuidoras de poderes mágicos similares às gameas, escritos em pergaminho por um escriba profissional e que se levavam sobre o corpo. A eleição do termo tefilim como plural de oração era para substituir a natureza profilática supersticiosa, por uma visão litúrgica mais legítima e religiosa. As fímbrias [franjas ou orlas] eram os tzitzit e são as do Talit. O talit é um acessório religioso judaico em forma de um xale de seda, lã, ou linho, tendo em suas extremidades as tzitziot [plural feminino de Tzitzit]. O talit é usado como uma cobertura [a modo do véu das mulheres] na hora das preces judaicas, principalmente no momento da oração de Shacharit [oração da aurora] e na sinagoga. O talit isola o que está orando do mundo a sua volta e facilita-o na sua concentração durante a oração. O talit cria um ambiente de igualdade entre os que estão orando na sinagoga, tendo uma cobertura homogênea sobre as roupas que estavam usando as pessoas que poderiam mostrar o estado econômico de quem ora. Existe um outro tipo de Talit denominado Talit Katan [talit pequeno] também conhecido por Tzitzit, que é utilizado durante o dia inteiro por baixo da roupa a fim de cumprir o mandamento durante todo o dia. A bandeira do Estado de Israel é baseada em um Talit (as duas faixas que a compõem), tendo uma estrela de Davi no centro dela. O mandamento de Tzitzit encontra-se em duas passagens da Torá: Que façam para eles tzitzit [franjas] sobre as bordas de suas vestes, pelas suas gerações; e porão sobre os tzitzit da borda um cordão azul celeste. E será para vós Tzitzit [valor numérico de suas letras=613, ou seja, número total dos preceitos da Torah] e vereis e lembrareis todos os mandamentos de Deus e os cumprireis e não errareis indo atrás do vosso coração e atrás dos vossos olhos, atrás dos quais vós andais errando; para que vos lembreis e cumprais todos os meus mandamentos e sejais santos para com vosso Deus (Nm 15, 38-41). A outra passagem é: Franjas farás para ti e as porás nos quatro cantos de tua vestimenta com que te cobrires (Dt 12, 12). Hoje os judeus rabínicos usam apenas tzitzit brancas, já que creem não ser possível obter a cor azul obrigatória do mandamento e por isso não pode ser utilizado, pois este azul era obtido de uma criatura marinha chamada chilazon, cuja identificação era incerta. Citamos uma sentença de Rabi Shimon bar Johai: Quando o homem levanta de manhã e coloca os tefilim e tzitzit , a Shekiná [glória divina] paira sobre ele e proclama: Tu és meu servo, Israel, através do qual serei Glorificado. Para mais informações ver presbiteros.com.br exegese número 111.

 OS PRIMEIROS: E as primeiras  cadeiras nas sinagogas e os primeiros divãs nas ceias (39). Et in primis cathedris sedere in synagogis et primos discubitus in cenis. Brigavam também em sua ostentação por estarem nos primeiros lugares tanto nas sinagogas como nos banquetes celebrados à noite, como era o costume greco-romano. Tudo era para aparecer e obter os aplausos e reverência dos demais homens ou convivas.

ROUBO DAS VIÚVAS: Os que devoram as casas das viúvas e, com a escusa, oram longas (preces); estes receberão uma condenação mais severa  (40). Qui devorant domos viduarum sub obtentu prolixae orationis hii accipient prolixius iudicium. A tradução latina diz: os quais devoram as casas das viúvas, sob pretexto de uma oração mais ampla; e a tradução RA (revista atualizada) diz: os quais devoram as casas das viúvas e, para os justificarem, fazem longas orações. Vejamos outras traduções a espanhola: devoran los bienes de las viudas pretextando hacer largas oraciones.  A italiana: divorano le case delle vedove e fanno finta [fingimento] di pregare a lungo. A King James: Which devour widows houses and for a pretence [pretexto]  make long prayers. No lugar exatamente paralelo de Mateus 23, 14 a RA traduz: e para os justificarem, fazeis longas orações. O texto não está claro e podemos dizer que enquanto devoram as casas das viúvas [como depois explicaremos] ficam com a consciência tranquila e assim aparecem como justos, por rezarem muitíssimo. DEVORAM AS CASAS DAS VIÚVAS: Existem duas interpretações: 1ª) Marcos alude à prática da administração feita pelos escribas das propriedades das viúvas. Como as mulheres não podiam ter direito legal para administrar os bens de seus falecidos maridos; assim, confiavam nos fariseus, que através de suas longas orações públicas apareciam como honestos e conquistavam por sua piedade a confiabilidade para, em suas mãos, deixar a administração dos bens patrimoniais. Porém, de fato, ganhavam uma percentagem sobre os bens administrados e era notória  a prática do desvio do dinheiro e dos abusos. O caso era comparável ao do Korban de Marcos 7, 9-13. Por isso os escribas eram ricos e as viúvas cada vez mais pobres. 2ª) A explicação, dizem outros, está na oposição entre oração e fraude. A sede da oração dos escribas estava no templo e as despesas deste estavam por cima das necessidades das viúvas. Por isso, Jesus narrará o caso da viúva pobre que é capaz de dar todo seu sustento em oposição aos ricos [fariseus] que ostentam seus opulentos óbolos.  Neste caso, poderíamos traduzir no lugar de pretexto, compensação e por isso oferecem longas orações. A palavra fariseu deriva do hebraico Perishut, que significa abstinência e separação. O plural perishim é traduzido como farishim. Aparecem pela primeira vez como opositores a Alexandre Janeu (103-76 aC) opostos à política militar de quem era Sumo Sacerdote e rei de Israel. No ano 90, por ocasião da festa dos Tabernáculos, a multidão em sua maioria simpatizante dos fariseus, acometeu contra ele com uma saraivada de limões quando ele se preparava para oferecer um sacrifício no templo. Injuriaram-no e o declararam indigno de realizar este ato sagrado. Tal reação foi brutalmente reprimida. Janeu matou mais de 6 mil pessoas. Janeu, no seu testamento, quis se reconciliar com os fariseus. Sua viúva, Alexandra, mulher piedosa, afastou do poder os que se tomavam de liberdades em relação às leis religiosas. E os fariseus praticamente tiveram o poder em suas mãos até a morte da rainha em 67. Segundo Josefo, a seita dos fariseus tinha a reputação de fornecer os intérpretes mais rigorosos das leis; eles representavam a seita superior; atribuíam tudo ao destino e a Deus. Fazer o bem ou o mal depende essencialmente do homem, mas também para ambos intervém o destino. Aceitavam que todas as almas são imortais, mas que somente as almas dos justos passam para outros corpos, sofrendo as almas dos celerados um castigo eterno. Os fariseus têm afeição uns pelos outros e vivem harmoniosamente visando o bem comum. Segundo este mesmo historiador, os fariseus se opuseram à Herodes o Magno e recusaram o juramento em número de 6 mil [a população da palestina era de 70 mil habitantes o que dá a ideia de que quase um de cada dez habitantes era fariseu]. Sua influência notava-se especialmente nas classes médias e pobres da sociedade. A CONDENA: Implicitamente Jesus afirma que existe um julgamento e que nele há uma condena dependente dos atos maus feitos em vida; mas que todas as condenações não são iguais. E entre os que serão mais estritamente julgados e condenados estão os que se aproveitam dos próximos necessitados e impossibilitados de se defenderem, como eram órfãos e viúvas. Estas precisamente esquecidas por juízes que não se ajustavam à justiça, mas aos interesses pessoais (Lc cap 18). Donde está a fé sem obras de Lutero? Será que Jesus se equivoca ou quem erra é o frade das 95 teses?

O ÓBOLO DA VIÚVA

(Lugar paralelo Lucas 21, 1-4)

JESUS OBSERVA: Então, tendo-se assentado em frente do Gazofilácio, contemplava como o povo lançava o cobre dentro do Gazofilácio e muitos ricos lançavam muita (sic) (41). Et sedens Iesus contra gazofilacium aspiciebat quomodo turba iactaret aes in gazofilacium et multi divites iactabant multa. GAZOFILÁCIO: é uma palavra de origem grega, que é mantida no latim da Vulgata e nas traduções hispânicas, mas que, no King James é traduzida por tesouro. A palavra grega é um vocábulo composto de duas raízes Gaza [tesouro] e Filaké [guardião]. Seria, pois, a caixa forte do templo, onde existiam 13 caixas que eram como bocas de trombetas que davam ao pátio das mulheres e dentro das quais eram jogadas as moedas, geralmente de cobre  [o chalkon grego] para pagar pelos serviços do templo e para suporte dos pobres. As trombetas eram marcadas para indicar qual seria o destino das ofertas. Depois da divisão das 12 tribos, as 48 cidades especialmente designadas para servir de habitação aos levitas não mais funcionavam como cidades levitas durante o período dos juízes, segundo sugere 2 Cr 31, 2-12. Nos tempos de Neemias  os levitas traziam os dízimos à casa do nosso Deus, às câmaras da casa do tesouro. Porque àquelas câmaras os filhos de Israel e os filhos de Levi devem trazer ofertas do cereal, do vinho e do azeite (Ne. 10, 38,39). Segundo Lucas, Jesus, de modo especial, observava as ofertas dos ricos (Lc 21, 1).

 A VIÚVA: Como chegasse uma viúva pobre depositou dois leptons o que é um quadrante (42). Cum venisset autem una vidua pauper misit duo minuta quod est quadrans. Já temos falado sobre a sorte das viúvas no tempo de Jesus, especialmente as pobres. O termo hebraico ‘almanah denota uma ideia de solidão, abandono e incapacidade de se proteger. Marcos fala que era ptöchë [literalmente mendiga] Lucas, melhor versado na língua grega, fala de  penichra [pobre, mas não mendicante, paupercula latino]. A sua contribuição eram dois leptons. A moeda era a menor de todas as existentes na época. Era uma moeda de cobre [0.8 g do mesmo metal] (Lc 12, 59 e 21, 2) e equivalia ½ quadrante romano (Mc 12, 42), também de cobre, valor deste último ¼ de asse, moeda de prata de 0,25 g (Mt 10, 29) que por sua vez era 1/16 do denário de valor real 4 g de prata (Mt 18, 28 e Lc 10, 35) um pouco superior ao dracma grego de 3.6 g de prata (Lc 10, 58) e que equivalia ao salário de um dia (Mt 20, 2). Modernamente usa-se o lepton para indicar as menores partículas dentro do átomo, formando parte dos fermions [de Fermi, Enrico, que foi o primeiro a experimentar um reator nuclear] junto com os bossons dos quais se distinguem pelo spin. O mais conhecido é o elétron. Como moeda, os gregos chamam de lepton o que os outros europeus denominam de centavo, ou seja, um lepton é um centavo de euro. O Quadrante era a menor moeda romana em circulação assim como o lepton era a menor moeda judaica circulante, que equivalia a 2% do valor do denário. O lepton era o pagamento de 15 minutos de trabalho. O nome deriva do termo grego leptos que significa despojado da própria pele, desnudo, delgado, fino, delicado, leve, derivado do verbo lepö, pelar, descascar, desnudar. Sendo uma moeda de cobre ou bronze e extremamente fina, era pequeno demais para ter valor prático. Por isso, dois deles, formando um quadrante, era o mínimo para uma subsistência: toda a renda que uma viúva pobre podia oferecer. A menor soma, porém, tudo o que possuía. Para se ter uma ideia do valor real, o asse romano equivalente a 4 quadrantes [ou assarions gregos, ou 8 leptons judaicos], e era usado pelos gregos e romanos como símbolo daquilo que não tem valor algum. Disso tudo, deduzimos que Jesus quis comparar o mínimo óbolo com a máxima doação, que não depende da quantidade, mas da necessidade de quem doa.

 A APRECIAÇÃO: Então tendo convocado seus discípulos, diz-lhes: Amém eu lhes digo que esta viúva, a mendiga, tem depositado  mais que todos os que depositaram dentro do gazofilácio (43). Pois todos depositaram do que lhes sobra, mas ela, de sua indigência, tudo quanto tinha depositou, a totalidade de sua vida (44). Et convocans discipulos suos ait illis amen dico vobis quoniam vidua haec pauper plus omnibus misit qui miserunt in gazofilacium. Omnes enim ex eo quod abundabat illis miserunt haec vero de penuria sua omnia quae habuit misit totum victum suum. O Amém de Marcos é traduzido por em verdade por Lucas (21, 3). Agora, também em Lucas, a viúva é ptöchë e não pobrezinha como no versículo anterior. O paradoxo será explicado por Jesus no seguinte parágrafo. Como conheceu Jesus que era viúva? Desde tempos de Jacó  e seus filhos as viúvas vestiam de modo especial como vemos em Gn 38, 14 e 19. Vestiam-se de saco, e de um manto especial, não se penteavam, nem ungiam o rosto (Jt 10, 3-4 e 16, 8). Tudo isso confirma a ideia de que uma viúva era conhecida à vista por seus modos de vestir,  especialmente por ir descalça e sem nenhum adorno, anel, bracelete ou pulseira, como parece foi o caso de Judite. Jesus, na base de sua apreciação,  publicamente julga o valor verdadeiro e intrínseco das ofertas, observadas durante o tempo de seu escrutínio. A totalidade dos juízos de seus contemporâneos seria favorável às ofertas mais vultosas. Porém, Jesus descarta a exterioridade e fixa seu olhar na intenção dos contribuintes. Os ricos demonstram sua ostentação, querem ser vistos e louvados por sua magnificência. O depositado é o supérfluo,  desnecessário. Já a viúva põe na balança a sua vida, o necessário sustento para a mesma como outros traduzem. E isto faz com que o mínimo se transforme num todo ou total. O importante não é a ação externa, mas a intenção e a entrega interior. Quem mais dá é quem mais generosamente entrega, quem menos se reserva.

PISTAS:

1) Na base destes dois relatos está o verdadeiro mérito, aquele que é visto pelos olhos de Deus, o único juiz verídico. E como tal, o intrínseco valor de uma vida; pois no fim da sua história, só a verdade será premiada.

2) Os que vivem para serem aplaudidos pelos circunstantes, já receberam seu prêmio e não devem esperar de Deus outro galardão que não seja uma condenação formal de seu proceder. A quem desejamos servir? A nós mesmos, procurando a aclamação dos homens, ou visando os juízos de Deus, eternos e verdadeiros? (Jo 12, 43). Por isso, a justiça do reino deve superar a dos escribas (Mt 5, 20).

3) O caso dos escribas é verdadeiramente ilustrativo, por serem eles os dirigentes que lideravam o povo. A sua verdade estava escondida na sua ambição. Como poderiam eles se tornar os verdadeiros arautos de Deus se só buscavam sua própria autopromoção? (Jo 5, 44).

4) A exibição dos escribas era mais importante do que a verdade de seu ensino. Isso constituía o fermento dos fariseus (Mt 16, 6), do qual Jesus adverte seus discípulos. Submeter a verdade à sua própria ambição da qual era um sinal sua cobiça material, que não se importava em se aproveitar da pobreza das viúvas, era o grave pecado que cegava suas mentes (Mt 15, 14).

5) Uma grande lição é dada ao ver como os homens se comportam diante de Deus ao oferecerem seu óbolo, parte [ou o todo] de sua vida como esforço ou como herança. Na realidade, damos o excedente, o que não é importante, o mínimo em esforço e importância. No lugar de Deus, estamos nós como princípio de nossas atuações e participação. A totalidade da vida que devia ser oferecida a Deus como fez a viúva, e como manda o primeiro mandamento, é substituída por um punhado de moedas na oferenda da coleta dominical. Os santos são aqueles que não entorpecem a ação de Deus em suas vidas. Ou seja, santo é quem não antepõe nada à obra de Deus.


EXCURSUS: NORMAS DA INTERPRETAÇÃO EVANGÉLICA

- A interpretação deve ser fácil, tirada do que é o evangelho: boa nova.

- Os evangelhos são uma condescendência, um beneplácito, uma gratuidade, um amor misericordioso de Deus para com os homens. Presença amorosa e gratuita de Deus na vida humana.
- Jesus é a face do Deus misericordioso que busca o pecador, que o acolhe e que não se importa com a moralidade ou com a ética humana, mas quer mostrar sua condescendência e beneplácito, como os anjos cantavam e os pastores ouviram no dia de natal: é o Deus da eudokias, dos homens a quem ele quer bem e quer salvar, porque os ama.

Interpretação errada do evangelho:

- Um chamado à ética e à moral em que se pede ao homem mais que uma predisposição, uma série de qualidades para poder ser amado por Deus.
- Só os bons se salvam. Como se Deus não pudesse salvar a quem quiser (Fará destas pedras filhos de Abraão).

Consequências:

- O evangelho é um apelo para que o homem descubra a face misericordiosa de Deus [=Cristo] e se entregue de um modo confiante e total nos braços do Pai como filho que é amado.
- O olhar com a lente da ética, transforma o homem num escravo ou jornaleiro:aquele age pelo temor, este pelo prêmio.
- O olhar com a lente da misericórdia, transforma o homem num filho que atua pelo amor.
- O pai ama o filho independentemente deste se mostrar bom ou mau. Só porque ele é seu filho e deve amá-lo e cuidar dele.
- Só através desta ótica ou lente é que encontraremos nos evangelhos a mensagem do Pai e com ela a alegria da boa nova e a esperança de um feliz encontro definitivo. Porque sabemos que estamos na mira de um Pai que nos ama de modo infinito por cima de qualquer fragilidade humana.


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04.11.2012
Solenidade de Todos os Santos e Santas — ANO B
(BRANCO, GLÓRIA, CREIO, PREFÁCIO PRÓPRIO – OFÍCIO DA SOLENIDADE)
__ "Para humanizar a sociedade, o caminho é a santidade, a prática é a mansidão" __

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

CLIQUE AQUI E VEJA UMA APRESENTAÇÃO ESPECIAL SOBRE A LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA


(antes de clicar - desligue o som desta página clicando no player acima do menu à direita)

NOTA ESPECIAL: VEJA NO FINAL DA LITURGIA OS COMENTÁRIOS DO EVANGELHO COM SUGESTÕES PARA A HOMILIA DESTE DOMINGO. VEJA TAMBÉM NAS PÁGINAS "HOMILIAS E SERMÕES" E "ROTEIRO HOMILÉTICO" OUTRAS SUGESTÕES DE HOMILIAS E COMENTÁRIO EXEGÉTICO COM ESTUDOS COMPLETOS DA LITURGIA DESTE DOMINGO.

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Estamos no primeiro domingo do mês de novembro. Hoje, reunimo-nos para celebrar o mistério da santidade divina na nossa vida. É uma celebração que mostra o céu e indica o caminho para que a santidade seja plena em cada um de nós. Um modo para que isso seja realidade está na mansidão evangélica, uma bem-aventurança que cultiva a bondade, a serenidade e o respeito para com o outro na vida pessoal. Por isso, a solenidade de Todos os Santos e Santas de Deus lembra-nos que o chamado à santidade é uma proposta a todos os fiéis para buscarem o seguimento do caminho do Senhor e para esperarem pela sua ação redentora, testemunhada através da Igreja.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Hoje solenemente festejamos todos os santos e recordamos a vocação de vivermos a santidade no amor. Que o Batismo, que nos lavou, e a Eucaristia, que nos fortalece, nos integrem na comunhão celestial, fazendo de nossas vidas um testemunho de amor conforme a missão que desempenhamos na história. Que Deus nos ajude a anunciar com eficácia a fé cristã em todos os cenários do mundo de hoje, para que a santidade seja uma experiência forte de todos os que acreditam em Jesus.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: Na vida eterna, contemplaremos com os olhos da inteligência a glória de Deus, de todos os anjos e de todos os santos, assim como a recompensa e a glória de cada um em particular, das maneiras que quisermos. No último dia, no julgamento de Deus, quando pelo poder de Nosso Senhor ressuscitarmos com os nossos corpos gloriosos, esses corpos estarão resplandecentes como a neve, serão mais brilhantes do que o sol, transparentes como cristal. Cristo, nosso Senhor e mestre, cantará com a Sua voz triunfante e doce um cântico eterno, elogio e honra a Seu Pai celeste. Todos nós entoaremos esse cântico, com espírito alegre e voz clara, eternamente, para todo o sempre. A glória da nossa alma e a sua felicidade refletir-se-ão nos nossos sentidos e atravessar-nos-ão os membros; contemplar-nos-emos mutuamente com nossos olhos glorificados; escutaremos, diremos, cantaremos esse elogio de Nosso Senhor com vozes que nunca desfalecerão.

Sintamos o júbilo real de Deus em nossos corações e cheios dessa alegria divina entoemos alegres cânticos ao Senhor!


(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (Apocalipse 7,2-4.9-14): - "A salvação é obra de nosso Deus, que está assentado no trono, e do Cordeiro"

SALMO RESPONSORIAL 23(24): - "É assim a geração dos que procuram o Senhor!"

SEGUNDA LEITURA (1 João 3,1-3): - "Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus."

EVANGELHO (Mateus 5,1-12): - "Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim!"



Homilia do Diácono José da Cruz — Solenidade de Todos os Santos — ANO B

"VIVER HOJE O 'AMANHÃ' "

Ser santo não é uma decisão do homem, mas uma resposta ao convite que Deus nos faz em Jesus Cristo: Sede perfeitos como o vosso Pai é perfeito! Perfeição nesse sentido, nunca foi e nem será o forte do homem, feito de barro, vulnerável ao pecado, sujeito a tantas fraquezas, marcado por tantas limitações. Se santidade fosse isso, Deus seria o maior dos injustos, pois é o mesmo que um homem perfeito sair em disparada e pedir para que um deficiente físico o acompanhe nessa corrida. Nunca teríamos a menor chance de ser santos. Há ainda outra corrente que acha que a santidade é apenas para alguns, que têm uma conduta exemplar, são pacientes, tolerantes, dóceis, calmos, prestativos, solidários, educados, nunca perdem a cabeça e o equilíbrio, nunca reclamam de nada e aceitam tudo, sendo bondosos o tempo todo. De pessoas assim, é melhor manter distância e ser cauteloso, porque me dizia um padre muito amigo, o santinho de hoje pode ser o diabinho de amanhã!

Ser calmo ou ter os nervos a flor da pele, ter equilíbrio emocional, demonstrar serenidade, ser amável e dócil, ser prestativo e educado, sem dúvida que são belas virtudes, mas não necessariamente um indicativo de santidade, pois conheço histórias de grandes santos que eram bem temperamentais. Há ainda outro conceito perigoso de santidade, que é ter o poder de realizar coisas prodigiosas, os chamados milagres. Conheço pessoas descrentes de Deus e da igreja, e que, contudo praticam essas virtudes. E já tive conhecimento de curas operadas por pessoas de outras correntes religiosas, até opostas ao cristianismo.

A ideia de que santidade é coisa restrita de alguns homens e mulheres especiais, parece-me um tanto quanto equivocada, pois o visionário do apocalipse afirma categoricamente na primeira leitura, que se trata de uma multidão, de onde se conclui facilmente, que santidade é uma proposta de vida que Deus faz a toda humanidade, onde Jesus Cristo é o modelo e a referência máxima, nele a gente se encontra como Filho de Deus, não mais desfigurado pela corrupção do pecado, mas liberto, vitorioso e perfeito como fomos criados e concebidos pelo Pai. Somente Nele, com ele e por ele seremos santos! Mas encontrei nas leituras dessa "Festa de Todos os Santos", uma definição ainda mais bonita e completa do que é a Santidade - "Viver hoje o amanhã".

É preciso ter os pés no chão, pois uma coisa é enfrentar com coragem os desafios do presente e buscar soluções concretas, o outro é camuflar a situação, fazendo uma belíssima coreografia, sem mudar o cenário! É maquiar para parecer belo! A copa do mundo que vai acontecer no Brasil em 2014, será um desses momentos, de grande ilusão e utopia. Já se está vendendo a imagem de um País que é um paraíso...

As bem-aventuranças proclamadas solenemente por Jesus, no alto de um monte, são profundamente realistas: a Primeira e a Oitava trazem o verbo no presente, "... Porque deles é o Reino dos Céus", ao passo que as demais, usam o verbo no futuro, "porque serão, verão, alcançarão...". Ser pobre em espírito é fazer de Deus a sua única riqueza, é possuir já nesta vida a plenitude da vida futura. É ser discípulo e estar em constante aprendizado a partir do evangelho, vivendo hoje tudo o que cremos e esperamos no amanhã. Esta postura diferente trará incompreensão e perseguição, mas em compensação, a alegria será verdadeira, porque não se fundamenta naquilo que se vê, mas sim no que se espera.

Jesus Cristo trouxe o futuro até nós, sendo precisamente esta crença e esperança que nos faz ter uma identidade própria, fomos marcados para fazer a diferença neste mundo tão descrente, que não consegue vislumbrar a Vida Nova, para a qual fomos destinados por Deus, desde o início da Criação.

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Pe. Françoá Costa — Solenidade de Todos os Santos — ANO B

Homilia I

Santidade: divinização do homem

Somente Deus é santo! A ele toda a glória e adoração! É isso que nós dizemos em cada celebração eucarística: Santo, Santo, Santo! Desta maneira nós celebramos a transcendência de Deus, que está acima de tudo e do qual tudo depende. Diante do Deus Santo e, neste sentido, do Totalmente Outro, a nossa proclamação acaba por emudecer-se, pois diante dele cessam as palavras humanas: “à medida que nos aproximamos do cimo, as nossas palavras diminuirão e, no final da subida a essa montanha, nós estaremos totalmente mudos e plenamente unidos ao Inefável” (Pseudo-Dionísio Areopagita, Teologia Mística, c. 3).

Não obstante, Deus quis fazer-nos participantes da sua santidade. Por seu desígnio salvador, nós fomos consagrados no momento do nosso batismo e nos aproximamos da montanha da santidade. A partir daquele momento, a santidade para nós pode ser descrita como um processo no qual confluem a graça de Deus e a generosa correspondência humana. Neste processo tem lugar uma luta constante na qual um filho de Deus vai se parecendo cada vez mais com o seu Pai-Deus à espera que um dia se manifeste a plena semelhança com a divindade no próprio ser da criatura.

A santidade é acessível a todos porque Deus quer que todos os homens e mulheres sejam santos, isto é, participem da sua Vida e do seu Amor. O Pai deseja que, através da ação do Espírito Santo em nós, nos pareçamos cada vez mais com o seu Filho Jesus Cristo. Em resumo, a santidade é o desenvolvimento da nossa filiação divina: “desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é” (1 Jo 3,2).

Como se pode observar, a serpente astuta que aparece no livro do Gênesis, enganando os nossos primeiros pais, não estava tão equivocada: podemos ser como deuses, ou seja, podemos ser divinizados pela graça de Deus e parecer-nos a ele já aqui nesta terra e depois, eternamente, no céu. O erro da serpente não estava nesta afirmação – sereis como deuses – mas no método para alcançar esse objetivo. A serpente demoníaca propôs o orgulho e a desobediência para alcançar a divinização. Nada mais contraditório! O caminho é justamente outro: a humildade e a obediência acompanhadas da mais nobre de todas as virtudes, a caridade.

“Deus é amor” (1 Jo 4,8.16) e nós podemos amar, “mas amamos, porque Deus nos amou primeiro” (1 Jo 4,19). A santidade se mede pelo amor: quem mais ama é mais santo; quem menos ama é menos santo; quem não ama nada, não é santo. De tudo isso é fácil concluir que a santidade não é algo exterior, caricaturesca, rígida, sombria ou até mesmo triste. Não! O santo é uma pessoa com uma profunda vida interior, com uma grande unidade de vida, uma pessoa coerente, flexível, cheia de luz e de alegria. Uma pessoa santa é um ser humano bem normal no seu dia-a-dia, mas os outros intuem que leva dentro de si algo diferente: o amor de Deus atuante e atualizador. Se Deus, o Totalmente Outro, quis fazer-se um de nós, quanto mais nós, sendo o que somos, devemos ser nós mesmos! Que sejamos cada vez mais simples, amemos de verdade, façamo-nos próximos aos outros seres humanos. Nós estamos, efetivamente, inseridos na grande massa humana, nós somos como os outros. E, no entanto, Deus nos conhece pelo nome, nos fez seus filhos e quer ver-nos um dia com ele no céu.

Santidade! Esse é o segredo que o cristão deve ter para aproximar muitas pessoas de Deus. Mas, por favor, não vamos mostrar a santidade como uma coisa esquisita, rara, estranha. Vamos ser bem normaizinhos: comemos, bebemos, trabalhamos, saímos com os amigos e… até tomamos uma cervejinha (com moderação!). Na verdade, nós somos as pessoas verdadeiramente normais porque a vivência das virtudes humanas (prudência, justiça, fortaleza, temperança etc.) e sobrenaturais (fé, esperança e caridade) vai não somente nos divinizar, mas também humanizar-nos cada vez mais. Quem quer ser uma pessoa humana verdadeiramente realizada não tem mais que olhar para aquele que é Perfeito Homem, Jesus Cristo, e unir-se a ele para ser divinizado por ele, que é Perfeito Deus.

Quem são os santos? Uns bem-aventurados, os felizes desta terra. Quem pode ser santo? Todos. Como ser santo? Basta unir-se a Deus através dos sacramentos, da oração e duma luta contínua para dar gosto ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Qual é a finalidade de uma pessoa santa? Unir-se ao Santo dos santos e arrastar livremente muitas outras pessoas que lutaram para alcançar a santidade, a felicidade, a plenitude da vida.

Pe. Françoá Costa


Homilia II

Professor da felicidade

“Não pode existir alguém que não deseje ser feliz. Mas, oxalá os homens que tão vivamente desejam a recompensa não fugissem dos trabalhos que conduzem a ela!” – Assim começava Santo Agostinho o sermão sobre as bem-aventuranças no ano 415 em Cartago. Impressiona-nos vivamente que o Senhor relacione a felicidade daquelas multidões (cfr. Mt 5,1) com a pobreza, o choro, a mansidão, a fome e a sede de justiça, a misericórdia, a pureza de coração, a pacificidade, a perseguição sofrida e a calúnia padecida. Para os ouvidos mundanos, essas expressões não podem causar mais que rejeição! E, não obstante, são esses os trabalhos que conduzem a felicidade, como dizia o bispo de Hipona. Sem dúvida, é importante entender que Jesus não está pregando uma vida miserável, triste, sem nenhum prazer, sem garra e sem perspectiva. Vou ser sincero: eu também rejeitaria um cristianismo assim! Se o mártir visse somente os sofrimentos e a morte, não seria feliz. Para a testemunha da fé, os tormentos são suportados por amor a Deus e também por causa da recompensa, do prêmio, do céu!

Há outras palavras de Cristo que nos ajudam a compreender melhor as das bem-aventuranças: “ninguém há que tenha deixado casa ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras por causa de mim e por causa do Evangelho que não receba, já neste século, cem vezes mais, com perseguições – e no século vindouro a vida eterna” (Mc 10,29-30). Neste século: deixar pai e ter cem pais, deixar mãe ter cem mães, deixar terras e ter cem vezes mais a quantidade de terra que se tinha… é ou não é rentável? E, depois: a vida eterna! E nem precisa ser bom comerciante para dizer que negócio é ouro!

A felicidade é uma realidade que vai mais além da pobreza, do choro, da mansidão e, não obstante, está presente em todas essas realidades, não por causa delas mesmas, mas por causa do espírito com o qual as vivemos e por causa das grandes coisas que nos aportam tão pouca renúncia. Em resumo: os que não conhecem a Deus estão perdendo tempo!

Realmente, o que faz feliz o coração humano não são as coisas desse mundo, mas o sentido na vivencia e na utilização dessas coisas. A mulher que vai ao salão de beleza e espera durante algumas horas para que a deixem bem bonita, é feliz; ela se submete a esse pequeno sacrifício por um bem maior. Quem sabe as consequências prejudiciais de uma noite de álcool e mesmo assim “toma todas”, é feliz; essa pessoa não busca as consequências, mas a alienação na qual encontra a felicidade por algumas horas. Inclusive quando pecamos, as ações por nós realizadas tem como fim a busca da felicidade, ainda que de maneira errada.

Com esses poucos exemplos é fácil ver e afirmar que há coisas que levam à autêntica felicidade e outras que levam a uma aparente felicidade. Como chamar felicidade aquilo que vai acabando conosco? Somente um louco buscaria a felicidade no encontro violentamente físico entre a sua cabeça e um poste.

Existe também uma “educação para a felicidade”, para buscar a felicidade. Há fases árduas nesse aprendizado. Além do mais, há coisas consideradas “chatas” que nos fazem felizes, como tomar um remédio amargo ou ir à escola. No momento não se percebe que é assim, mas com o passar do tempo estamos felizes e agradecidos por estar sadios e por não sermos burros.

Um bom professor da matéria chamada “felicidade” é Jesus. Que grande pedagogo! Afirma, para atrair os seus discípulos, que terão cem vezes mais aquilo que eles renunciarem. Com essa perspectiva, fica até fácil pedir a renúncia ao próprio eu (pobreza de espírito), pois seremos cem vezes mais nós mesmos, realmente viveremos de acordo com a nossa dignidade; o choro do esforço, pois assim não viveremos como seres adocicados e moles cuja felicidade se encontra na posição horizontal sobre um sofá macio (que pobreza de perspectiva!); a fome e a sede de justiça que nos faz ter uma vontade cem vezes mais firme para lutar pela felicidade dos outros, caminho de liberdade interior; a misericórdia que nos dá uma coragem centuplicada; a pureza de coração que nos faz cem vezes mais nobres porque dizemos “não” ao animal que está dentro de nós, preferimos viver como seres humanos; os pacíficos que estão dispostos a lutar cem vezes porque sabem que a paz é resultado da guerra que nos fazemos a nós mesmos contra as nossas más inclinações; a perseguição que nos faz cem vezes mais perspicazes para saber viver nesse mundo com a esperteza dos filhos de Deus e não ser bobos de ficar para trás em coisas nas quais deveríamos ser os primeiros; na calúnia sofrida que nos enterrará no húmus da humildade e nos fará andar centuplicadamente em verdade. E, depois, o descanso, a vida eterna, a vida sem fim, sempre, para sempre.

Pe. Françoá Costa


Comentário Exegético — Solenidade de Todos os Santos — ANO B
(Extraído do site Presbíteros - Elaborado pelo Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

EPÍSTOLA (1 Jo 3, 1-3)

INTRODUÇÃO: Neste trecho o apóstolo exorta a uma vida santa, em geral, e, em particular, a cultivar o amor fraterno. A primeira consideração tem como base a adoção como filhos por parte de Deus que quer ser pai, coisa não conhecida no mundo, que sempre pensa nos seus deuses como senhores temidos e vingativos. Essa é a doutrina que vamos examinar neste domingo. Suas  consequências são a vida santa aqui na terra e  a esperança de participar da vida divina no definitivo Reino dos céus.

O AMOR DO PAI: Vede que classe de amor nos concedeu o Pai, de modo que sejamos chamados filhos de Deus; por isso, o mundo não vos conhece porque não o conheceu (1). Videte qualem caritatem dedit nobis Pater ut filii Dei nominemur et sumus propter hoc mundus non noࡶit nos quia non novit eum. QUE CLASSE [potapos <4217>=qualis] o grego significa que espécie, que classe, maneira ou estilo, muito mais do que grande da RA da versão evangélica portuguesa, ou que gran amor da espanhola. O apóstolo nos fala a considerar com admiração e assombro e observar um amor sem comparação e uma mercê sem medida. AMOR [agapë <26>=caritas] é a palavra própria para o amor de Deus, usada também para o amor entre amigos ou amor de um pai para com seus filhos. O PAI: Era o Pai de Jesus Cristo (Rm 15,6), mas enviando ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama Abba, já não somos escravos, porém filhos; e, como filhos, herdeiros por Deus (Gl 4, 7). Assim, dirigindo-se aos romanos, Paulo os saúda com estas palavras: amados de Deus, chamados santos: Graça e paz tenham de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo (Rm 1, 7). A diferença entre um cristão e Cristo é que este é o amado (Mt 3, 17 e Mc 12,6), o primogênito (Rm 8, 29), e até unigênito (Jo 1, 14) por estar unido pessoalmente à divindade. CHAMADOS [klëthömen <2564> =nominemur] em termos bíblicos é o mesmo que ser, pois este verbo não se usa em hebraico. Um exemplo: Gabriel fala a Maria: será grande, será chamado [klëthësetai] Filho do Altíssimo (Lc 1, 32). A Vulgata acrescenta et sumus [e somos] indicando o sentido verdadeiro do klëthömen [chamados]. O MUNDO [kosmos <2889>=mundus] o kosmos grego é inicialmente ordem, ou uma disposição e medida ordenada; também o Universo, cuja ordem e disposição tanto admiravam os filósofos gregos. Finalmente, a terra e seus habitantes. Especialmente o conjunto da multidão, oposta aos planos divinos e especialmente ao cristianismo, como é este caso. NÃO VOS CONHECE. Esse mundo que foi feito pela palavra [Logos] e o mundo não a conheceu (Jo 1, 10). E assim como não conheceu o Filho, era impossível que conhecesse os filhos, já que estes eram tais por serem filhos no Filho, pois deu aos que O [logos] receberam o poder de serem filhos de Deus, não por meio da carne, mas porque creem no seu nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus (Jo 1, 12-13). Paulo em Gl 4,6, explicará que a obra de Deus é a entrega do Espírito e não um simples documento, decreto ou declaração, como afirmava Lutero, já que não admitia a graça santificante. Nem basta a fé só para ser filho de Deus, pois pode ser uma fé morta, como afirma Tiago na sua epístola (2, 17; 20 e 26). NÃO O CONHECEU: O mundo não conheceu o verdadeiro Deus como Pai, e, portanto não pode reconhecer os filhos. E também não conheceu Jesus como Filho, quanto menos poderia reconhecer os cristãos como filhos de Deus.

A MANIFESTAÇÃO: Amados, agora somos filhos de Deus e ainda não apareceu que seremos; sabemos, porém que se se manifestar seremos semelhantes a ele porque o veremos como é (2). Carissimi nunc filii Dei sumus et nondum apparuit quid erimus scimus quoniam cum apparuerit similes ei erimus quoniam videbimus eum sicuti est. AMADOS [agapëtoi<27>=carisimi] era o título com que Paulo se dirige aos cristãos de Roma: amados de Deus, chamados santos (Rm 1, 7), Com este mesmo epíteto João se dirige aos cristãos aos quais escreve suas três cartas. NÃO APARECEU: Como João afirma no prólogo de seu evangelho, donde o Verbo foi visto com a glória do unigênito, cheio de graça e verdade (1, 14). Logicamente, a graça é o conjunto de poderes divinos; e a verdade, como quem sabe as coisas de Deus; pois do céu veio e assim podia falar das coisas que ele viu (Jo 3, 13). Por isso podia dizer testificamos o que vimos (Jo 3,11). Nem o mundo pode ver o que somos nem nós, a exceção de poucos casos místicos, sabemos o que somos. Paulo tem uma fórmula válida para todo cristão: Cristo vive em mim (Gl 2, 20) e o afirma dizendo que nosso corpo é membro de Cristo (1 Cor 6, 15). Poucos são cientes destas verdades que se MANIFESTARÃO e então veremos o que realmente somos. Veremos-nos e atuaremos como realmente filhos, porque VEREMOS DEUS como ele é: um Pai que ama seus filhos. E então viveremos conformes à imagem de seu Filho, o unigênito entre muitos irmãos (Rm 8, 28). Como disse o próprio Jesus, sua vida era viver conforme a vontade do Pai, pois os que tais fazem serão os únicos que entrarão no Reino (Mt 7, 21), o que, de outra forma parte da oração comum, em que pedimos seja feita a vontade divina na terra, assim como ela é feita nos céus (Mt 6, 10). Por isso, Jesus passou a sua vida fazendo o bem (10, 38), motivo pelo qual temos sido feitos por Deus.

A PURIFICAÇÃO: E todo aquele que tem essa esperança nele purifica-se, assim como ele é puro (3). Et omnis qui habet spem hanc in eo sanctificat se sicut et ille sanctus est. PURIFICA-SE [agnizei<48>=sanctificat] é um verbo que significa a purificação cerimonial para exercer um serviço de culto. É a palavra usada em At 21, 24 quando Paulo deve se purificar junto com quatro varões, rapando a cabeça como cumpridor da Lei do nazerato. Corresponde ao nezer<05145> de Nm 6,8, em que durante todos os dias do voto estava o separado [nizrov<05145] como sagrado [kadosh<06916>] para o Senhor. Por isso não podiam cortar o pelo, nem beber nada que fosse fermentado. Era um homem consagrado a Deus. É o verbo agnizö  o usado para purificar o coração ou mente em Tg 4, 8: vós de duplo ânimo purificai os corações, ou em 1 Pd 1, 22: purificando vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido: amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro. É o que Jesus disse numa das bemaventuranças: bemaventurados os puros [katharoi] de coração porque verão a Deus (Mt 5, 8). A Vulgata traduz por sanctificat, cujo significado é de sacer [sagrado] e significa o mesmo que agios grego, ou seja, próprio da divindade, uma coisa sem mancha, pura, inviolável, imaculada, sacra.  PURO [agnos<53>=sanctus] A palavra é usada 5 vezes por Paulo e uma por Tiago, Pedro e João respectivamente. Seu significado é limpo, sem mancha como em 2 Cor 7, 11 ou casto como em 2 Cor 11, 2, falando das virgens, livre de falta, ou limpo de pecado, como 1 Tm 5, 22. Falando de Deus é esta passagem de João que descreve a natureza divina como sem mancha, totalmente sacra e imaculada. A Nova Vulgata traduz purificat e purus, que nós temos adotado, sem saber de antemão, tal versão. E imediatamente João explica os significados, dizendo em contraste: todo aquele que comete pecado também comete iniquidade [anomia<458>iniquitas] porque o pecado é iniquidade, ou podemos dizer maldade. Desta está livre completamente Deus, de modo que Ele é o único bom [agathos<18>=bonus] (Mt 19, 17), em que não se encontra pecado ou maldade. Jesus, seu Filho, pode dizer diante de seus inimigos: quem dentre vós me convence de pecado? (Jo 8, 46). Por isso, quem não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para poder castigá-lo e deste modo fazer de nós justiça de Deus nele (2 Cor 5,21). Atualmente temos um Pontífice que foi tentado como nós, mas sem pecado (Hb 4, 15). O Anticristo é, portanto chamado de homem do pecado (2 Ts 2, 3) sendo do Diabo que faz o  pecado e peca desde o início (1 Jo 3, 8). Por isso, livres do pecado somos servos de Deus, tendo como fruto a santificação e, por fim, a vida eterna (Rm 6, 22). Portanto, não encontramos melhor explicação que citar esses textos da Escritura que nos colocam em contato com a bondade de Deus, um pai que jamais faria o mal a seus filhos e que é bondade para perdoar suas transgressões.

EVANGELHO: (Mt 5, 1-12s) - AS BEMAVENTURANÇAS

INTRODUÇÃO: Dois evangelistas narram o que se tem chamado as bemaventuranças. Mateus como parte do sermão da montanha, pois foi desta cátedra que Jesus falou (5,1) e Lucas que coloca o pequeno discurso paralelo numa planície (6, 17). Isso indica que a circunstância é redacional, independente das palavras e ideias a expressar. Também há uma grande diferença entre as oito ou nove bemaventuranças de Mateus e as quatro de Lucas. Ambos, porém usam a mesma palavra makarioi para designar os contemplados como prediletos do reino. Que significado tinha nos lábios de Jesus essa palavra e de que ideias hebraicas era tradução, de modo que os ouvintes a pudessem entender? O grego makários significa tanto ditoso ou feliz como bendito do verbo makarizo que significa declarar afortunado.  No primeiro caso, indicaria uma situação determinista da vida mesma, sem ligação com ulteriores fins ou propósitos. No segundo caso, a palavra tem um conteúdo teológico de modo que implica uma providência divina que, pelo contraste com o sentir comum dos dirigentes religiosos, apontava uma nova era completamente revolucionária em perspectivas religiosas. Esse é nosso caso.

O MONTE: Tendo, pois, visto as multidões, subiu ao monte [oros<3735>=mons] e tendo-se ele assentado, se aproximaram dEle seus discípulos (1). Então, tendo aberto sua boca, os ensinava dizendo (2).  Videns autem turbas ascendit in montem et cum sedisset accesserunt ad eum discipuli eius. Et aperiens os suum docebat eos dicens. Os  comentaristas unem o sermão da montanha com a entrega da Lei por Javé -Deus no monte Sinai    no AT. Oros em grego, é usado por Mateus como um ambiente paralelo ao lugar em que Moisés recebeu a lei no Sinai, sendo que o cumprimento do primeiro mandamento receberia uma gratificação especial para os que fielmente o guardavam (Êx 20, 6). Jesus também, do monte, ensina a nova lei a seus discípulos. Porém, antes deve escolher o novo Israel, e daí as chamadas bemaventuranças. Os que por elas são alcançados serão o novo Israel e, portanto, podem ser designados como verdadeiramente felizes. Jesus começa, pois, por essa distinção em que derruba o velho conceito de etnia e descendência como parte para formar a elite de Jahvé, e contrariamente, suscita um novo modelo de povo de Deus, cuja base é precisamente o infortúnio material. A eles Jesus abre um novo mundo de esperanças e felicidade. A lei, para os judeus, não era unicamente o nomos [preceito], mas também abrangia declarações, propostas e fatos de Deus em relação com seu povo escolhido. Neste sentido total e amplo, Jesus determina primeiro o âmbito de seus verdadeiros escolhidos. Logo propõe seus nomoi [preceitos], precedidos de uma retificação aperfeiçoada da antiga lei: ouvistes que foi proclamado, eu, porém, vos digo (Mt 5, 21). Como mestre da nova Lei, Jesus adota uma postura frequente entre os rabinos ou mestres em Israel. Ele fica sentado, tendo seus discípulos e ouvintes ao seu redor, geralmente de pé, pendentes de suas palavras. Os rabinos explicavam a lei segundo as tradições [ouvistes que foi dito], mas Jesus explica a nova Lei como quem tem autoridade para propô-la e anuncia-la como novidade feliz a um público geralmente esquecido e desprezado. Constituía a esperança messiânica, já atuando como realidade nova e definitiva. Finalmente, uma palavra sobre o monte: Realmente, segundo Lucas, Jesus subiu ao monte para orar durante a noite (Lc 6, 12). Na manhã, escolheu seus doze discípulos e logo ao descer do monte, se deteve num lugar plano onde a multidão o esperava para ser curada de suas doenças.  Lucas, pois, circunscreve as bemaventuranças a uma planície, embora tivesse como fundo o monte do qual acabava de descer. Também Lucas diz que elevando os olhos aos discípulos dizia (Lc 2, 20).

AFORTUNADOS   Ditosos [makarioi<3107>=beati]

Os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos céus (3). Beati pauperes spiritu quoniam ipsorum est regnum caelorum. A palavra, usada tanto por Mateus como por Lucas, no início de cada versículo é MAKARIOI, em grego, plural de Makarios <3107>. Logicamente Mateus e Lucas usam a palavra como tradução de um original aramaico usado por Jesus. Qual é essa palavra e que significado se encerra na raiz da mesma? 1°) No AT: . Existem no hebraico bíblico dois verbos com o sentido de abençoar. Um deles é Barak <01288> que é só empregado por Deus no Pile [intensivo ativo] indicando uma ação contínua, como em Gn 1, 22: E Deus os abençoou [yebarek] dizendo: sede fecundos. Usando a mesma raiz, Deus abençoou também o dia sétimo. A setenta traduz por eulogesen louvar ou falar bem, a Vulgata por benedixit, que no inglês é traduzido por blessed. De barak temos baruk [bendito] e a palavra beraká [bênção], cujo plural é berakoth. Todas as berakoth começam com Baruk Ata Adonai que pode ser traduzido por louvado seja meu Senhor [=Deus]. Os setenta traduzem baruk [bendito] por eulogetos ou eulogemenos (Dt 28, 3 +). O outro é Ashar <0833> cujo significado primitivo é avançar; também no pile significa pronunciar feliz e pela primeira vez o encontramos em Gn 30, 13 em boca de Lia: Feliz, eu [beasheri], porque chamar-me-ão ditosa [asheruni] todas as mulheres. Nos setenta, os termos em colchetes são traduzidos por makaria e makarizousin, a mesma raiz empregada nas bemaventuranças. Não entramos em maiores detalhes. Só com o dito podemos dizer que barak [eulogeo<2127>,] é a palavra reservada para a ação divina, quando declara bendita uma pessoa; e asher [makarios<3107>] é a ação do povo que vê uma circunstância que torna feliz uma vida. Logicamente essa circunstância provém de Deus como causa principal. (Os números correspondem aos de Sprong). Os evangelistas têm muito cuidado nas palavras com as quais escolhem as ipsissima verba Christi e, portanto, acreditamos que se ambos os evangelistas escolheram makarios como tradução das palavras de Jesus, este não quis dizer que eram abençoados por Deus, mas declarados felizes pelos homens. Jesus quer mudar o modo de pensar dos discípulos para que estes pudessem ver nos pobres, nos aflitos, nos humildes, nos famintos, uma classe de predileção divina que os tornavam desejáveis e invejáveis. Jesus, praticamente, na sua primeira lição pública define a conduta humana diante da pobreza tanto material como espiritual do mundo que o rodeia. 2°) No grego clássico, a palavra makarios inicialmente significava livre dos cuidados e preocupações de todos os dias. O significado é afortunado. Assim, a ilha de Chipre é chamada de ‘e makaria [a afortunada] por ser uma ilha verde e próspera. Homero chama os deuses de ‘oi makrarioi [os felizardos] em comparação com os humanos que devem trabalhar para poderem viver. Na linguagem poética, descreve a condição dos deuses e daqueles que compartilham da existência feliz deles. Aos poucos, perdeu seu significado original para se tornar num equivalente do nosso Feliz. Quando acompanhada de tu ou vós, se transforma em bemaventurado, ou bemaventurados, indicando um elogio por parte dos conhecedores do caso. Como tais, são parabenizados os pais por causa dos seus filhos, os ricos por causa de suas riquezas, os sãos pela sua saúde, os sábios por causa de seu conhecimento, os piedosos por causa de seu bem-estar interior, os mortos por terem escapado à vaidade das coisas. Indica, pois, como motivo, uma circunstância especial que acompanha uma certa classe de homens e que por esse requisito podem ser considerados afortunados. 3°) No grego bíblico makarios traduz o hebraico esher [felicidade], ashar [declarar bemaventurado], ou asheré [bem-estar]. Vemos o asheré traduzido por makarios no salmo 2,12: Bemaventurados todos os que nele se refugiam; ou o salmo 32,1 e 2: Bemaventurado aquele…e bemaventurado o homem a quem o Senhor não atribui iniquidade. Em ambos os casos makarios é usado como tradução de asheré. O homem é bendito, e especialmente esta bênção provém de Deus. No NT é claro que substituímos o asheré hebraico por Makarios. Makarios aparece 13 vezes em Mateus e 15 em Lucas e apenas duas em João: Bemaventurados, pois, se praticares estas coisas (13, 17) e Bemaventurados os que não viram e creram (20, 29). No caso de Mateus, os bemaventurados não são os discípulos; mas, estando a frase em terceira pessoa é qualquer um que se encontra em semelhantes circunstâncias. A estimativa predominante do Reino de Deus leva consigo uma inversão de todas as avaliações costumeiras. E todos os que compartilham dessa experiência da chegada do Reino, nas circunstâncias reveladas na frase inicial, serão benditos por esse dom recebido de Deus de modo gratuito. 4°) Mas vejamos as traduções: Dichosos ou Felices em espanhol, Beati em latim e italiano, Fortunate em inglês, embora a KJ traduzirá Blessed, Felizes em português e Hereux em francês. É uma palavra que indica completa satisfação ou felicidade. Todas elas cumprem as palavras de Dt 33, 29 em que o hebraico asheré é traduzido por makários  e por ditoso: Ditoso [makários] tu Israel. Quem como tu povo vencedor? Deus é o escudo que te protege, a espada em marcha que te conduz ao triunfo. Ou o salmo 144, 15: Ditoso [makários] o povo que tem tudo isso; ditoso [makários] o povo, cujo Deus é o Senhor. Em Baruc 4,4 temos: Felizes [makarioi] somos Israel, pois podemos descobrir o que agrada o Senhor. 5°)  Como Conclusão, podemos afirmar que a palavra grega makários tem o significado de homem cuja vida é invejada por ser um privilegiado por Deus nos seus planos beneficentes. Em definitivo, podemos facilmente traduzi-la por BENDITO ou ABENÇOADO. Deus está no meio, por ser a causa de todos os verdadeiros bens. O Makarioi de Jesus entra, pois, nos planos divinos, como causa principal ao ser Deus o observador que escolhe seus eleitos, como declara Maria em seu canto: Exultou meu espírito em Deus meu Salvador porque ele fixou seus olhos na insignificância de sua escrava (Lc 1, 47-48). Até agora no mundo católico, quase de forma geral, as bemaventuranças eram vistas como prêmio oferecido às virtudes dos que mereciam semelhante elogio. Hoje não são consideradas como recompensa de virtudes, mas como escolha divina, que, em sua misericórdia, quer favorecer os mais desamparados. Não é a virtude interior alcançada, que obtém um prêmio, mas são as circunstâncias que favorecem a ação divina em sua misericórdia. Deste ponto de vista, podemos enxergar todo o contexto como sendo uma política divina que dá uma reviravolta na totalidade do pensar e atuar humanos. Jesus, em nome de Deus, como seu profeta, declara quais deveriam ser chamados de ditosos ou afortunados. Assim começa a nova economia que inicia uma nova visão do mundo dos sofridos e desafortunados. Esta situação, no lugar de ser uma situação de infortúnio, ou um estado aparente de desdita, é, pelo contrário, uma condição de sorte, porque as riquezas divinas estão à disposição dos que se supõem ter herdado o azar como condição de suas vidas. Como diria Paulo, na fraqueza é que se manifesta (mais) o poder [de Deus] (2 Cor 12, 9). Por isso, todas as bemaventuranças terminam com um porque em que Deus entra como causa ativa, subentendido na passiva do verbo correspondente, passiva que era praticamente usada só para atuações divinas. Talvez a melhor tradução seria: Sois abençoados por Deus vós os… O ESQUEMA: temos em cada bemaventurança uma prótasis [primeira parte de um poema teatral] e uma apódosis [explicação]. A prótasis ou primeira parte de cada oração é uma circunstância da vida, independente da vontade da pessoa respectiva. A apódosis é a explicação do porquê e como a sorte lhes favorece. Como caso curioso podemos ver que as quatro primeiras começam com a letra pi em grego: Ptochoi [mendigos], penthountes [chorantes], praeis [mansos] e peinountes[famintos]. Quando se sabe que a kabala era característica da interpretação das Escrituras, há uma pequena razão para pensar que Mateus, legista e intérprete da lei, tivesse alguma razão, por nós hoje desconhecida, de seguir seus ocultos princípios. PTÔCHOI: No AT ptochos aparece perto de 100 vezes e são a tradução de 7 palavras hebraicas: 1°) `anav <06035> é sinônimo de humilde, especialmente quando em forma adjetivada acompanhado de Jahvé. Com seu número de Sprong <06035> aparece 24 vezes, especialmente nos salmos e em Isaías, a começar por Moisés que é declarado o mais humilde, ou mais manso dos homens como traduz a Vulgata. O anav desse número é geralmente traduzido por prays [manso](12), penes [pobre] (11) e tapeinós [baixo] (1). Na vulgata, temos mites (6) mansuetus (6) e pauper (12). Existem duas frases em que anav  acompanha terra anav heretz. E que em ambos são traduzidos por prays ou mansos. 2°) ‘ani [37 vezes] <06041> que tem o significado de pobre, humilde, modesto, oprimido. A primeira vez que aparece é em Êx 22, 24: Se emprestares prata ao meu povo, ao pobre [ani e ptochós] que está contigo. Quando não se menciona o opressor a palavra significa realmente pobre material, os que não têm terra. A Setenta traduz, indistintamente, ani por pobre ou humilde. 3°)  `anah<06033>. A única vez que anah sai é em Daniel 4, 27: redime tua iniquidade para com os pobres <06033> em grego penetön [=dos pobres]. 4°) dal [22 vezes] <01800> baixo, fraco, pobre, magro. Fisicamente dal significa fraco e passa a ser empregado para as classes sociais mais baixas como camponeses, pobres, necessitados, sem importância. 5°) Ebyon [11 vezes] <034> significa pedinte de esmolas, mendigo; ou seja, os muito pobres e sem lar. 6°)   Rush [11 vezes] <07326> necessitado, pobre, é uma palavra que se emprega como contraste de rico. 7°)  Misken.<04542>. Nos tempos mais modernos usa-se misken, um termo que os mendigos orientais empregam para definir a si mesmos. Que deduzimos então? Se o mendigo é precisamente o ebyon e equivale ao endeês [menesteroso em grego] o ptochós de nossa bemaventurança pode ser pobre no sentido de desvalido, sem recursos, cujo único goel [defensor] era Jahvé, em oposição aos ricos que dependiam de suas riquezas como base fundamental de suas vidas. Os textos mais modernos descartam o pobre material e traduzem o Ptochós como humilde, ou humilde de espírito (AV), ou os que têm o coração de pobre (francesa). A melhor exegese será, sem dúvida, a feita por Maria: Depôs poderosos de seus tronos e aos humildes exaltou. Cumulou de bens os famintos e despediu ricos de mãos vazias. Parece que Jesus aprendeu bem de sua mãe esta política divina que tão bem se realizou na sua família. Os rabinos louvavam a simplicidade e a humildade, mas nunca a pobreza porque, segundo eles, nenhum dos males poderia se equiparar ao mal da pobreza; daí que Mateus, legista e conhecedor das tradições judaicas, teve que acrescentar uma explicação ao simples fato de pobreza. Pois para esses mestres da Lei a riqueza era o prêmio justo da virtude e a pobreza era considerada como legítimo castigo. Porém, a pobreza entra nos planos de Deus e a sua aceitação coloca os pobres como escolhidos às portas do Reino do qual Jesus era o arauto ao proclamar as condições que o limitavam, segundo Is 61,1: Ele me enviou a anunciar a boa nova aos pobres [ptochoi em grego e humildes nas versões mais modernas como a italiana]. Na História do Israel antigo, após a economia inicial de troca, uma vez consolidada a monarquia, o dinheiro tomou conta da economia e muitos dos agricultores passaram a depender dos homens das cidades. Este empobrecimento não só se tornou um problema social, mas religioso como fruto da quebra da Lei, tornando-se uma injustiça, atacada pelos profetas do século VIII aC. que ameaçavam com o juízo divino os ricos que eram culpados. E é nesta situação histórica, que podemos entender o significado de pobre e necessitado. O pobre que sofre injustiça porque outros se tornaram gananciosos, volta-se indefeso e humilde a Deus em oração, pensando que a ajuda divina em suas necessidades é a base da glória a Deus. Pobres, são os que se voltam a Deus em suas necessidades, pois é um Deus-protetor dos pobres (Sl 72, 2): Com justiça ele [o rei] julgue o seu povo, salve os filhos dos indigentes [anawim e ptochoi] e esmague seus opressores. No salmo 132, 15 diz: De pão fartarei seus pobres [anawim e ptochoi]. A desgraça do exílio levou, temporariamente, ao emprego das palavras pobre e necessitado como termos coletivos para o povo. No judaísmo tardio, tanto a pobreza material como o aspecto da sua espiritualização têm características novas: Todos os grupos religiosos tinham suas formas especiais de obras de caridade. Nas sinagogas havia uma organização para ajuda dos pobres, existindo esmolas públicas semanais. Cada sexta-feira, aqueles que viviam na localidade, recebiam dinheiro suficiente da cesta dos pobres [quppah] para 14 refeições ; os estrangeiros recebiam comida diariamente da comida dos pobres[tamhuy]; esta comida tinha sido coletada antes, de casa em casa, pelos oficiais dos pobres. Na diáspora, as sinagogas frequentemente estabeleciam uma comissão de sete para esse serviço, como fizeram os apóstolos em Atos 6, 1-6. A distribuição das esmolas era considerada particularmente meritória, se feita na cidade santa. A semelhança entre hoje e antigamente é tão grande –escreve J. Jeremias- que há algumas dezenas de anos encontravam-se leprosos, pedindo esmolas nos seus lugares habituais, no caminho de Getsêmani, fora dos muros da cidade. Em Jerusalém, a mendicância concentrava-se em torno do Templo, como vemos em At 3, 1-8. Como temos visto, os setenta traduzem anawim por ptochoi. Portanto, esta palavra perdeu o significado de mendigo para denotar o homem indefeso, que só tem como avaliador Jahweh e que nele depositou sua inteira confiança. A palavra pobre não significava a mesma coisa para um grego e para um judeu. Para o grego era um mendigo; para o judeu era aquele que não possuía terras (Êx 22, 24). Naturalmente, neste último caso, os pobres eram também gentes desprovidas de influência social, frequentemente exploradas e humilhadas. Em grego, temos a palavra Ptochós [mendigo] com necessidade de pedir esmola para subsistir e a palavra Penës, o pobre que não é rico, mas tem necessidade de trabalhar para poder viver. Como temos visto, ao explicar as diversas palavras usadas no hebraico, os pobres podem ocupar o lugar da palavra anawin, que tem um significado contrário ao de rico, com conotações religiosas de confiança em Deus. TO PNEUMATI: que pode ser traduzido em espírito ou de espírito. Evidentemente, o espírito é o espírito humano. Portanto temos: Ou pobres de espírito, que significaria acanhados; ou pobres por espírito, por eleição, pessoas estas que aceitavam a pobreza como natural ou como voluntária.  O texto grego presta-se, pois, a duas interpretações: 1) pobres quanto ao espírito 2) pobres pelo espírito. A primeira pode ter um sentido pejorativo como homem de qualidades diminuídas. Ou um positivo como aqueles desapegados do dinheiro, embora o possuam em abundância, sentido este excluído pelo próprio Jesus em Mt 6, 19-24 e pela condição imposta ao jovem rico. Na tradição judaica, os termos anawim/aniyim designavam os pobres sociológicos, que punham sua esperança em Deus por não achar apoio, nem justiça na sociedade. Jesus recolhe este sentido e convida a escolher a condição de pobres [opção contra o dinheiro e a posição social] entregando-se nas mãos de Deus. O termo “espírito”, na concepção semita, conota sempre força e atividade vital. Neste texto, denota o espírito do homem. Na antropologia do AT o homem possui “espírito” e “coração”. Ambos os termos designam sua interioridade; o primeiro, enquanto dinâmica, sua atividade em ato; o segundo, enquanto estática, os estados interiores ou disposições habituais que orientam e matizam sua atividade. A interioridade do homem passa à atividade enquanto inteligência, decisão e sentimento. Dado o que Jesus propõe, é uma opção pela pobreza, e o ato que a realiza é a decisão da vontade. O sentido da bemaventurança é, portanto “os pobres por decisão”, opondo-se aos “pobres por necessidade”. Transpondo o nome decisão pela forma verbal, tem-se “os que decidem escolher ser pobres”.  A vulgata usa pauperes spiritu do grego ptochoi to pneuma. A tradução da bíblia protestante na sua VA [versão autorizada] é: Bemaventurados, os humildes em espírito. As bíblias católicas conservam a palavra pobres e traduzem pobres de espírito ou em espírito e algumas pobres de coração. Duas traduções fazem uma exegese particular: A versão AL [América latina] os que têm o espírito de pobres e a francesa: ceux qui ont um coeur de pauvre [que têm um coração de pobre]. A bíblia de King James traduz poor in spirit e comenta que ptochós é uma pessoa que não pode se ajudar, ao contrário de penes, que,  sendo pobre, pode se virar, como dizem. E comenta: o primeiro passo para ser abençoado é a admissão da própria inutilidade espiritual. Enquanto Mateus dá uma explicação sobre o significado de Ptochoi [pobres], Lucas nada diz sobre a natureza da pobreza, aludida por Jesus na primeira bemaventurança. Segundo Lucas, é a pobreza material a que abre as portas do Reino. Segundo Mateus, essa pobreza tem um matiz necessário: é a pobreza fomentada no espírito, no desejo, no interior ou pensamento, ou tomada como objetivo na vida, que implica não considerar as riquezas materiais como finalidade da vida. Na realidade, ambos os termos podem ser vistos com uma convergência: a pobreza material é um pré-requisito para a pobreza espiritual, muito mais difícil de se conseguir quando a riqueza é o berço em que fomos aninhados. Uma interpretação moderna é de que os homens só podem ser abençoados por Deus quando diante dEle se comportarem como mendigos às portas de sua misericórdia. Vejamos duas interpretações: 1°) Do ponto de vista católico  e fundamentada em Mateus: a) a primeira Bemaventurança seria a bênção divina para os que escolhem ser pobres, porque no lugar da riqueza, estes terão a Deus por seu único Rei, que, por sua parte, escolhe os válidos e preferidos entre os pobres e oprimidos. No texto de Mateus podemos interpretar pobres no espírito como aqueles que não têm ambições de riqueza, que não se deixam levar pela avareza. b) Finalmente, pobres no espírito pode significar aqueles que carecem de qualidades humanas. Qual delas é a mais correta na interpretação das palavras de Jesus? Segundo a maioria dos autores, Ptochoi traduz o hebraico Anawim que Jesus explicará em Mateus 6, 19-21; 24 em que Jesus rejeita o desejo das riquezas e as antepõe ao serviço devido a Deus, já que não podemos servir a dois senhores. Quando da recusa do jovem em abandonar suas riquezas, Jesus comentará que é difícil para um rico entrar no Reino, pois na realidade ele está dominado pelo senhor contrário ao verdadeiro Senhor: Deus (Mt 19, 16+). E é nesta última situação que as palavras de Lucas adquirem o verdadeiro valor como Bemaventurança. Um último comentário: Pelo que Mateus nos dá a conhecer sobre o sermão da montanha parece que as bemaventuranças foram redigidas sobre a frase tão repetida neste capítulo V: Ouvistes que foi dito aos antigos; eu, porém vos digo. Isto é: nas sinagogas vos foi ensinado; porém, a verdade é outra diferente que eu vos declaro agora. Por isso a melhor tradução, sob o ponto de vista exegético, seria: Ouvistes que vos foi ensinado que os ricos eram benditos de Deus; eu, porém, vos digo que são os mais pobres os escolhidos e os que verdadeiramente são os benditos de Deus, que na terra vão constituir seu Reino. De fato, Paulo dirá aos de Corinto: Não há entre vós muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de família prestigiosa… Deus escolheu o que no mundo é vil e desprezado… a fim de que aquele que se gloria, glorie-se no Senhor. (1 Cor 1, 26-31). A bênção era tão inusitada para a época em que a pobreza era considerava pior que a lepra como castigo divino, que Mateus ou o seu copiador, se sentiu obrigado a introduzir um pequeno parêntese explicativo para restringir a pobreza a limites aceitáveis pelos seus leitores e assim fala dos pobres de coração que hoje chamaríamos pobres sem ambição, e que os evangélicos traduzem por humildes de espírito. Porém, devemos manter o original de Lucas que fala dos simplesmente pobres, indigentes, porque a bênção divina é tanto mais completa quanto mais miserável aparecer a condição humana. Assim se cumpre o dito de Jesus que afirma ter vindo salvar o aparentemente perdido. Como consequência, não devemos desprezar esses mendigos que tratamos de vagabundos, porque eles merecem um lugar de destaque no reino, e nosso amor para com eles só será um espelho do amor de Deus exemplificado nesta bênção. Em termos gerais, podemos considerar que se Lucas é o taquígrafo das palavras de Cristo, Mateus é seu intérprete e catequista. Daí as diferenças. Segundo as palavras de Jesus, citando, em Lucas, Isaías 61, 1: Ele me enviou a anunciar a boa-nova aos pobres [anawim e ptochoi, o latim mansueti,  que traduz o italiano umili e a VA quebrantados] os pobres poderiam ser os aflitos por suas necessidades materiais. De fato, as classes inferiores, escravos e necessitados se beneficiaram do evangelho em forma tal, que Jesus teve que afirmar que dificilmente um rico entraria dentro do esquema do mesmo. Serão, pois os pobres materiais os sujeitos da bemaventurança, embora devam ser excluídos da mesma os que se rebelam contra sua pobreza e não a aceitando, rejeitam os planos de Deus que prefere os deserdados aos ricos e opulentos. 2°) A evangélica de Robert H Mounce; em resumo será: Jesus exclama que não são os ricos e poderosos, mas os pobres e humildes dos quais se podem dizer, na verdade, que são bemaventurados. A apreciação de Jesus das coisas que constituem a vida, como deve ser vivida, ressalta em forte contraste com a sabedoria convencional… Na linguagem hebraica, pobre não era apenas a pessoa em desvantagem econômica, mas todos quantos, em sua necessidade, apelam a Deus em busca de ajuda (Sl 69, 32 e Is 81, 11). Estes são os anawim, “os humildes pobres que confiam na ajuda de Deus”. Pobre de espírito significa depender totalmente de Deus para ajuda, segundo o Salmo 34, 6: Clamou este pobre e o Senhor o ouviu; salvou-o de todas as suas angústias.

REINO DOS CÉUS: A promessa mais explícita, como esperança de cada bemaventurança, é a entrada no Reino, que Mateus chama dos céus, especialmente explicitada na primeira e na última, oitava e final, da lista por ele apresentada. Mateus é praticamente o único evangelista que chama reino dos céus [15 vezes] enquanto os outros dois denominam Reino do (sic) Deus. Em que consiste esse Reino que parece ser a base da pregação de Jesus? Nas suas parábolas Jesus o descreve como um banquete nupcial (Mt 22,1+), como um precioso tesouro (Mt 13, 44). Mas, em que consiste? No AT só encontramos uma vez e em grego a frase Reino de Deus [basiléia theou] no livro da Sabedoria que não é admitido como canônico pelos evangélicos: Ela [a sabedoria] guiou por sendas retas o justo [Jacó], que fugia da ira de seu irmão [Esaú], lhe mostrou o reino de Deus e deu-lhe o conhecimento  das coisas santas [significando o governo do mundo por meio de seus anjos e em particular a bondade de Deus para com o patriarca] (Sb 10, 10).  Por Daniel, especialmente no capítulo 7, sabemos que os quatro reinos procedentes do mar [do abismo, símbolo do mal] foram substituídos pelo reino que procedia das nuvens do céu [de Deus]. Era o Reino dos céus segundo Mateus ou Reino de Deus do qual Jesus se diz representante, assumindo a figura de Filho do Homem (Dn 7, 13). Das palavras de Jesus, dificilmente saberemos a resposta positiva; sabemos quais são as pessoas que entram facilmente [pobres, crianças] (Mt 5,3 e 19, 14) e quais as que têm dificuldade [ricos, autoridades religiosas] (Mt 19, 23 e 21, 31) . Sabemos que o Reino exige uma honestidade própria [mais estrita que a dos escribas e fariseus] (Mt 5, 20). Que para um escriba era necessária uma espécie de renovação como novo nascimento, que é da água e do espírito (Jo 3,5). Um reino que implica uma nova relação com Deus, não em forma aparente e externa, mas interior (Lc 17, 21). Um reino que consiste essencialmente em que a vontade divina seja a norma indispensável da vida (Mt 6, 10). Um reino que se mostrará patente após a morte de Cristo porque muitos dos ouvintes de Jesus estarão presentes ao seu início visível (Lc 9, 27) para o qual haverá sinais prévios (Lc 21, 31). Reino que terá Pedro como supremo supervisor (Mt 16, 19). Os apóstolos, seguindo esta linha de Jesus, nos dizem que o Reino consiste não em palavras, mas em poder (1 Cor 4, 20). Não em comilanças e bebedeiras, mas em honestidade, paz e gozo no Espírito Santo (Rm 14,17); que nem luxuriosos, nem idólatras, nem adúlteros, nem depravados, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem injuriosos herdarão o mesmo (1 Cor 6, 9-10); coisa que repetirá Paulo em Gl 5, 21. Trabalham pelo reino os apóstolos e com eles os que os ajudam (Cl 4, 11). Deste reino que podemos chamar na sua face terrena, chegamos ao definitivo ao eschaton do qual temos a palavra de Jesus que beberá do fruto da vide quando chegar o Reino de Deus (Lc 22, 18). Este é o reino que Jesus admite como próprio e do qual como gozo definitivo promete participar aos que nele confiam (Lc 23, 42-43). Podemos, pois, responder à pergunta qual é esse reino que a eles é prometido? Sem dúvida, que eles serão a maior e melhor parte desse novo povo de Deus que constitui o Reino por Cristo fundado e do qual ele era Senhor. Não é sem uma ideia proposta e preconcebida, que Mateus escolhe no monte onde pronuncia a novidade do reino, os doze que deveriam ser os novos pais das novas tribos do novo Israel, não como genitores materiais, mas como pais espirituais, dos quais todos nós recebemos a nova vida no Espírito.

TÊM A DEUS POR REI: Esta é a tradução preferida pelos modernos intérpretes. Assim, o grego Basileia não significa aqui reino, mas ‘reinado’. “Seu é o reinado de Deus” quer dizer que esse reinado se exerce sobre eles, que somente sobre eles age Deus como rei. A pobreza a que Jesus convida é a renúncia a acumular e reter bens, a considerar algo como exclusivamente próprio; esses pobres estarão sempre dispostos a compartilhar o que têm. A opção final que Jesus propõe, realiza o prescrito pelo primeiro mandamento de Moisés: Não terás outros deuses diante de mim (Dt 5, 7). A idolatria concretizava-se na posse da riqueza (Mt 6, 24); por isso o enunciado desta bemaventurança é porque estes  e não outros, têm a Deus por Rei. A opção proposta pela primeira bemaventurança leva à sua perfeição a metanoia ou emenda, pois quem escolhe ser pobre, renunciando a monopolizar riquezas, e com isso, à posição social e ao domínio, exclui de sua vida a possibilidade de injustiça. É a visão da teologia da libertação.

CONCLUSÃO: As palavras de Jesus são um convite a refletir de forma nova sobre fatos que consideramos desafortunados, mas que o evangelho torna afortunados. Entre eles a pobreza, considerada como um castigo divino, mas que agora devemos ver como uma circunstância providencial, uma verdadeira bênção do céu, porque facilitará a entrada no reino dos que a sofrem.

OS QUE CHORAM: Ditosos os que pranteiam [penthountes]. Eles serão consolados (4). Beati qui lugent quoniam ipsi consolabuntur. O latim e a maioria das traduções modernas modificam a ordem desta bemaventurança colocando-a em terceiro lugar. Mas que significa o verbo grego penthountes [<3996>=lugent]? Ele significa propriamente lamentar os mortos, ou seja, prantear, derramar lágrimas por alguém, estar de luto. Precisamente a palavra luto deriva do latim lugere de onde luctus. O grego pentheö [lugere latino] sai 4 vezes nos evangelhos: Duas em Mateus e uma em Marcos e Lucas. É traduzido por lugere, enquanto o pranto ou choro como o de um menino é klaiö. Pedro chorou [eklausen, ploravit] amargamente após suas negações (Mt 26, 75). As carpideiras, ou pranteadeiras, choravam [klaiontas, flentes] na casa de Jairo por causa da morte da filha (Mc 5, 38). Lucas, neste lugar paralelo, usa klaiö em vez de pentheö de Mateus (Lc 5, 21). Sobre pentheö temos  Mt 9, 15 que diz que os amigos do noivo não podem estar de luto no dia da boda do mesmo. Marcos diz que a Madalena anunciou a Ressurreição aos que estavam lamentando [penthosin, lugentibis] e chorando [klaiousin, flentibus]. Os mesmos dois verbos sucessivos usa Lucas em 6, 25.  Também o grego admite como tradução os que se lamentam ou estão afligidos, como aceitam traduções modernas. Poderíamos traduzir por os que sofrem. A razão que motiva esta bemaventurança é a de que encontrarão consolação a sua dor. Logicamente o pranto não é devido a uma dor física, mas a uma perda de uma pessoa amada ou de bens estimados, necessários para a vida: um infortúnio, uma desgraça. Alguns traduzem: os que sabem o que significa a tristeza. É o próprio Deus que será seu consolo, segundo Is 61, 2: A consolar todos os que choram. Lucas, como a vulgata de Mateus, traz esta bemaventurança em terceiro lugar e a palavra usada é Klaiontes [o latim flentes, derramando lágrimas] que como sempre traduz muito literalmente o grego. O texto não diz as razões que motivaram as lágrimas. Mas no texto de Isaías, citado por Jesus quando do início de sua missão, encontramos: que foi enviado a consolar [parakalesai] os que estão tristes [penthountas]. Usa, pois, Mateus os dois verbos que a Setenta, a bíblia-guia dos primitivos cristãos, emprega. Poderíamos afirmar que o consolador é o próprio Jesus na sua função de Messias Salvador, ou Cristo. Ele toma as funções divinas atribuídas a Deus na passiva do verbo correspondente. Recorda a passagem: Vinde a mim todos vós que estais cansados… E eu vos aliviarei (Mt 11, 28). OS MANSOS: Ditosos os mansos [praeis <4239>] porque eles herdarão a terra (5). Beati mites quoniam ipsi possidebunt terram. PRAEYS: é palavra própria dos mansos, benignos, não violentos, o mites ou mansuetus latino, que aceitam sua fragilidade e sua situação social sem revolta, mas com a confiança em Deus que será o último fautor da História. É uma imagem tomada do Salmo 37, 11: Pois os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância da paz. É notável como as palavras prays e klëronomeo são também as usadas pelo salmista. O sentido claro é que, definitivamente, o Reino é um reino de paz e que os não violentos são os herdeiros desse reino que substitui o antigo Israel, a verdadeira terra bíblica. Por isso Jesus afirma que os contrários do Reino são os violentos que estão a destruí-lo (Mt 11, 12). No tempo de Jesus, os Zelotas pensavam que fosse a terra [nome dado à Palestina pelos israelitas] matéria de conquista e guerra. Jesus, porém, toma a palavra do profeta no salmo 37, 8-9 para indicar que não é a violência que conquista a terra. Deixa a violência, abandona o furor, não te inflames: só farias o mal; porque os maus vão ser extirpados e os que aguardam o Senhor possuirão a terra. De Si mesmo dirá que devemos aprender porque é manso [praos] e humilde [tapeinos] de coração (Mt 11, 29). De novo temos a presença de Jesus nesta bemaventurança, agora como modelo humano e não como Deus que cumpre uma promessa. Esta bemaventurança é uma antecipação do número 7: os fazedores da paz. Só que, neste último caso, a situação é ativa e na nossa 3a bemaventurança o sujeito é passivo: pacífico. Terra [gë] era o termo com o qual declaravam os judeus a porção geográfica que Jahweh tinha dado a eles por herança (Dt 1, 36 e Nm 26, 53) que Dt 9, 29 identifica com o povo de Israel. De modo que podemos afirmar que unicamente os pacíficos ocuparão o espaço dos que pertencem ao Reino.

FOME E SEDE DE JUSTIÇA: Ditosos os famintos e sedentos de justiça, porque serão saciados (6).Beati qui esuriunt et sitiunt iustitiam quoniam ipsi saturabuntur. Esta bemaventurança está refletida, mas de modo material, na segunda de Lucas: Os famintos [peinontes] agora, pois serão saciados. Esta oposição à materialidade de Lucas nos descobre uma interpretação espiritualista de Mateus das palavras de Jesus. Ao mesmo tempo, Mateus conecta com o AT segundo sua proposição de que Jesus veio não para revogar a Lei, mas para completá-la (Mt 5, 17). São duas as passagens de Isaías que falam sobre sede e fome: 55, 1 e 65, 13. Especialmente nesta última Jahweh se refere aos seus servos que terão comida e bebida em abundância. Mas que significa a justiça que é a fonte ou motivo de sede e fome? Em grego dikaiosyne significa: 1) Justiça divina que premia o bem e castiga o mal. 2) Justiça humana equivalente a santidade moral. 3) Fidelidade divina que cumpre sempre suas promessas que é sinônimo de salvação. 4) Justiça distributiva humana que respeita o direito e defende em nome de Deus os mais necessitados. Qual delas é a justiça de nosso versículo? Provavelmente, a terceira. A justiça bíblica é sinônimo de santidade ou correção de vida em conformidade com a vontade divina. Não é a justiça comutativa, mas a essencial da qual nos fala Paulo e que em certo modo se identifica com salvação e santidade. O lugar paralelo é Mt 6, 33 no qual a justiça está unida ao Reino. Justos eram aqueles cujo sangue foi derramado desde Abel até o último profeta (Mt 23, 33). Uma salvação que inclui também o primeiro significado. Era o desejo manifestado por Simeão: Meus olhos viram a tua salvação (Lc 2, 30), porque essa salvação foi comparada a um banquete no qual todos podiam entrar, ricos e pobres, sãos e aleijados, bons e maus. A entrada é livre, pois a justiça divina se transformou em misericórdia. Unicamente os convivas deveriam ter uma veste limpa: não buscar a própria exaltação como os fariseus, mas revestidos de Cristo (Rm 13, 14) de sentimentos de compaixão, benevolência, humildade, doçura, paciência (Cl 3, 12).

OS MISERICORDIOSOS: Ditosos os misericordiosos [eleëmones<1655>=misericordes] porque serão tratados com misericórdia (7). Beati misericordes quia ipsi misericordiam consequentur. Eleëmones é o termo grego significando que tem compaixão. Eles alcançarão essa mesma compaixão que têm com os homens, mas da parte de Deus. Eleëmones só sai esta vez nos evangelhos. A palavra que é usada da mesma raiz é eleeö <1653>, [ miserere, ter compaixão]. É o verbo usado pelos pedintes de Jesus para uma cura, como os cegos, a mulher cananeia, o pai do filho epiléptico, etc. É o verbo usado por Jesus na parábola do servo devedor, a palavra que usa o rico para pedir de Abraão uma gota d’água. É a compaixão para com aquele que está necessitado ou pede perdão de uma dívida impagável. O próprio Lucas traduz a perfeição cristã por misericórdia: sede misericordiosos como vosso Pai (Lc 6, 36). A palavra usada por Lucas oiktirmön <3629> [misericors, que tem pena de] é mais próxima de compaixão que de misericórdia. Precisamente a eleëmosunë <1654>=eleemosyna latina [esmola portuguesa] provém dessa raiz grega que é eleëmosunë. Daí o grande motivo para dar esmolas entre os cristãos.

LIMPOS DE CORAÇÃO: Ditosos os limpos no coração porque eles verão a Deus (8). Beati mundo corde quoniam ipsi Deum videbunt.  Katharoi<2513> [mundi,limpos]. Na verdade, o latim com mundo corde diria: ditosos (aqueles) com coração limpo. O coração limpo, por outros traduzido por os puros de coração nada tem a ver com a castidade, mas visa os de intenções limpas, os não malvados, nem torcidos em seu íntimo entre pensamento, palavra e ação por terem o pensamento diverso de sua palavra mentirosa. Ou seja, os não hipócritas, os que só pensam em fazer o bem, sem outras intenções espúrias ou indignas por segundos interesses.  Limpos de coração é tomado do Salmo 24, 4: Quem é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à falsidade, nem jura dolosamente.  O salmo 15, 2 fala de quem vive com integridade e pratica a justiça, e, de coração, fala a verdade, o que não difama com sua língua, não faz mal ao próximo nem lança injúria contra seu vizinho. Esta é a limpeza do coração, mente, ou intenção, diríamos hoje. O prêmio desta vez é que verão [opsontai] a Deus. Quando? Evidentemente na figura de Jesus. Como exemplo: os fariseus viram o demônio expulsando seu colega, quando a gente simples via o dedo de Deus (Mt 12, 22-24).  Por outro lado, eles, os limpos de coração, são os que buscam a verdade e a encontrão e por isso verão a Deus em suas vidas porque Deus é a única verdade. A Carta aos Hebreus afirma que sem a santificação é impossível ver a Deus (Hb 12, 14). Não se trata unicamente do além, mas do tempo presente em que a premissa básica para encontrar o verdadeiro Deus é a pureza de intenção. Precisamente Jesus dirá que é no coração onde se prepara e cozinha a maldade (Mt 16, 19). A presença de Deus era o Templo, onde Deus estava assentado sobre os querubins da arca (1 Sm 4, 4). Agora o verdadeiro templo é o crente (1 Cor 3, 16), e só se Deus é adorado em verdade (Jo 4, 24) é que estará ali como estava sobre os querubins no antigo Templo (1 Sm 4, 4). E nesse templo interior Ele se manifestará.

OS QUE TRABALHAM PELA PAZ: Ditosos os que trabalham pela paz [eirënopoioi <1518>] porque eles serão chamados filhos de Deus (9). Beati pacifici quoniam filii Dei vocabuntur. Os  eirenopoioi grego, [pacifici latino], tem como tradução direta os que fabricam a paz, que infelizmente o latim traduz impropriamente por pacifici e que a maioria das bíblias adotou como pacífico; mas pacífico corresponde a 3a bemaventurança com o nome de praeis. Uma coisa é ser pacífico ou afável, e outra é trabalhar pela paz. Um comentarista diz que um trabalhador pela paz é um homem que experimentou a paz de Deus e pretende levar a mesma aos que com ele convivem. De fato, esta é a única vez que é empregada no NT. Serão chamados filhos, está no lugar de serão verdadeiros filhos de Deus. Precisamente, segundo Isaías, o filho que nos foi dado, terá como nome Emanuel [Deus conosco] será chamado Príncipe da paz (9,5). Esse Jesus que como rei da paz entra em Jerusalém montado num jumento e não num cavalo, montaria de guerra, para anunciar a paz às nações (Zc 9, 9-10). Os pacificadores são os verdadeiros continuadores do labor feito por Jesus, levam a paz entre os homens e a paz para com Deus. Trabalham como Jesus trabalhou, com o mesmo objetivo e o mesmo motivo: reconciliação e amor.

OS PERSEGUIDOS(10): Ditosos os perseguidos [Dediögmenoi<1377>]  por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus (10).  Beati qui persecutionem patiuntur propter iustitiam quoniam ipsorum est regnum caelorum. Dediögmenoi [pesecutionem patiuntur, perseguidos] é o particípio passado passivo do verbo diökö <1377> buscar ou acossar alguém de modo a ter que fugir por causa do acossamento.  Esta deveria ser a oitava e última bemaventurança, mas nos encontramos com um makarismo a mais, o nono. A justiça é como temos explicado no parágrafo de sede e fome de justiça, a correção de vida que se ajusta aos planos divinos, e que no AT consistia no cumprimento exato dos preceitos da Lei, como era o caso de José, esposo de Maria, que devia por lei denunciar Maria publicamente, mas pensava em repudiá-la ao modo antigo, ou seja, secretamente (Mt 1, 19). Jesus claramente abona a teoria de que a moral entra dentro dos planos divinos.

A JUSTIÇA DO REINO: Ditosos sois quando vos  reprovarem e perseguirem e dizendo palavra má contra vós mentirem por minha causa (11). Beati estis cum maledixerint vobis et persecuti vos fuerint et dixerint omne malum adversum vos mentientes propter me. Parece que este é o nono macarismo, porém os autores afirmam que ele é a explicação do oitavo, indicando quais são a justiça e a perseguição dos justos. De fato, neste último macarismo, Jesus passa da terceira pessoa, em termos gerais, para a segunda pessoa dirigindo-se aos seus ouvintes: vós. A justiça é a que está representada na pessoa de Jesus [por causa de mim]. A perseguição ou os perseguidos, do verbo dioko, são os buscados ou acossados pelos inimigos de Jesus, porque atrás deles está o Mestre, como Ele disse a Saulo, perseguidor dos seus discípulos (At 9, 4): Saulo, Saulo, por que me persegues? O grego usa neste versículo o mesmo verbo dioko. Dentro da explicação, vemos que a perseguição implica a injúria, o acossamento e a mentira. Todos eles, os perseguidos, pertencerão ao Reino e são os verdadeiros membros do mesmo, o constituem. A última bemaventurança promete a mesma recompensa  que a primeira: o Reino.

A RECOMPENSA: Ficai alegres e exultai porque vossa recompensa (é) grande nos céus. Assim também perseguiram os profetas, os anteriores vossos (12). Gaudete et exultate quoniam merces vestra copiosa est in caelis sic enim persecuti sunt prophetas qui fuerunt ante vos. A recompensa, ou melhor, o salário misthós  <3408>  é uma remuneração que só Deus pode dar e que ninguém poderá diminuir ou anular, como é o tesouro que as riquezas bem repartidas adquirem para os que delas se desprendem. Assim podeis comparar-vos com os profetas que me precederam. A ação profética é precisamente o testemunho de suas vidas, aparentemente desperdiçadas inutilmente, maltratadas e vilipendiadas pelos que tinham a obrigação de ouvir e respeitar seus testemunhos. É uma profecia do que aconteceria após a morte e ressurreição de Jesus, do qual eles se tornariam testemunhas e profetas. Em todas as bemaventuranças, vemos alguma correlação com o AT. Jesus interpreta, pois, o AT de modo a encontrar o verdadeiro sentido do mesmo. Assim são válidas as suas palavras em Mt 5, 17: Não penseis que vim revogar a lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir.

PISTAS:

1) Jesus [ou a Igreja primitiva] coloca as bemaventuranças no início da sua atuação pública, imediatamente após a escolha dos doze. Pelos detalhes de Mateus, elas ocupam o lugar dos mandamentos recebidos por Moisés no Sinai, ou seja, Jesus prega uma Boa Nova em oposição a Moisés que proclama uma lei de servidão. 2) É um evangelho positivo no qual Deus quer mostrar a sua face de bondade e salvação. E são precisamente esses homens passivos da ação divina que o mundo pensaria serem os de pior sorte, os que são beneficiados [makarioi, ditosos] pela riqueza e misericórdia de Deus. 3) Não se trata de uma moral nova a ser cumprida –à parte o capítulo V- mas de umas circunstâncias nas quais Deus quer se mostrar magnânimo e divinamente generoso. Por isso, as Bemaventuranças estão sendo proclamadas a todos os que de alguma maneira encontram em Jesus o seu Mestre e Salvador. 4) As bemaventuranças resumem o espírito evangélico, ou apresentam um modo novo de olhar para a realidade crua, dos discípulos de Jesus? Antes parece um juízo feito pela sabedoria divina dos momentos e das pessoas que nós consideramos desafortunados. Nessas situações tão indesejáveis, a esperança provém do olhar para a verdadeira essência das coisas: ver a realidade como Deus a vê. 5) As primeiras constituem a bênção de circunstâncias que podemos chamar de infortúnio. Estar nas mesmas não é um azar, mas uma sorte do ponto de vista da providência divina. As segundas implicam uma recompensa para determinadas virtudes que são essencialmente cristãs. Todas constituem a Boa Nova para necessitados ou almas de boa vontade. A Boa Vontade divina agora inclui a boa vontade humana.


EXCURSUS: NORMAS DA INTERPRETAÇÃO EVANGÉLICA

- A interpretação deve ser fácil, tirada do que é o evangelho: boa nova.

- Os evangelhos são uma condescendência, um beneplácito, uma gratuidade, um amor misericordioso de Deus para com os homens. Presença amorosa e gratuita de Deus na vida humana.
- Jesus é a face do Deus misericordioso que busca o pecador, que o acolhe e que não se importa com a moralidade ou com a ética humana, mas quer mostrar sua condescendência e beneplácito, como os anjos cantavam e os pastores ouviram no dia de natal: é o Deus da eudokias, dos homens a quem ele quer bem e quer salvar, porque os ama.

Interpretação errada do evangelho:

- Um chamado à ética e à moral em que se pede ao homem mais que uma predisposição, uma série de qualidades para poder ser amado por Deus.
- Só os bons se salvam. Como se Deus não pudesse salvar a quem quiser (Fará destas pedras filhos de Abraão).

Consequências:

- O evangelho é um apelo para que o homem descubra a face misericordiosa de Deus [=Cristo] e se entregue de um modo confiante e total nos braços do Pai como filho que é amado.
- O olhar com a lente da ética, transforma o homem num escravo ou jornaleiro:aquele age pelo temor, este pelo prêmio.
- O olhar com a lente da misericórdia, transforma o homem num filho que atua pelo amor.
- O pai ama o filho independentemente deste se mostrar bom ou mau. Só porque ele é seu filho e deve amá-lo e cuidar dele.
- Só através desta ótica ou lente é que encontraremos nos evangelhos a mensagem do Pai e com ela a alegria da boa nova e a esperança de um feliz encontro definitivo. Porque sabemos que estamos na mira de um Pai que nos ama de modo infinito por cima de qualquer fragilidade humana.


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QUE DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje! Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

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