ACESSO À PÁGINA DE ENTRADA DO SITE! Brasil... Meu Brasil brasileiro... NPD Sempre com você... QUE DEUS NOS ABENÇOE!
ESPECIALIDADE EM FAZER AMIGOS
AME SUA PÁTRIA!
Voltar para Home Contato Mapa do Site Volta página anterior Avança uma página Encerra Visita

NADA PODE DETER O BRASIL, O BRASIL SOMOS NÓS!

 
Guia de Compras e Serviços

GOTAS DE REFLEXÃO - EVANGELHO DOMINICAL


FAÇA UMA DOAÇÃO AO NPDBRASIL...
AJUDE-NOS A CONTINUAR NOSSA OBRA EVANGELIZADORA!
A Comunidade NPDBRASIL precisa de você!
Clique aqui e saiba como fazer ou clique no botão abaixo...


Índice desta página:
Nota: Cada seção contém Comentário, Leituras, Homilia do Diácono José da Cruz e Homilias e Comentário Exegético (Estudo Bíblico) extraído do site Presbíteros.com

. Evangelho de 29/09/2013 - 26º Domingo do Tempo Comum
. Evangelho de 22/09/2013 - 25º Domingo do Tempo Comum


Acostume-se a ler a Bíblia! Pegue-a agora para ver os trechos citados. Se você não sabe interpretar os livros, capítulos e versículos, acesse a página "A BÍBLIA COMENTADA" no menu ao lado.

Aqui nesta página, você pode ver as Leituras da Liturgia dos Domingos, colocando o cursor sobre os textos em azul. A Liturgia Diária está na página EVANGELHO DO DIA no menu ao lado.
BOA LEITURA! FIQUE COM DEUS!

O PESO DE NOSSA CRUZ!
Clique para ver uma apresentação especial!

Faça sua busca na Internet aqui no NPDBRASIL
Pesquisa personalizada

29.09.2013
26º DOMINGO DO TEMPO COMUM — ANO C
( VERDE, GLÓRIA, CREIO – II SEMANA DO SALTÉRIO )
__ "Não podeis servir a Deus e ao dinheiro" __

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

Clique aqui para ver ou baixar o PPS.

(antes de clicar - desligue o som desta página clicando no player acima do menu à direita)

NOTA ESPECIAL: VEJA NO FINAL DA LITURGIA OS COMENTÁRIOS DO EVANGELHO COM SUGESTÕES PARA A HOMILIA DESTE DOMINGO. VEJA TAMBÉM NAS PÁGINAS "HOMILIAS E SERMÕES" E "ROTEIRO HOMILÉTICO" OUTRAS SUGESTÕES DE HOMILIAS E COMENTÁRIO EXEGÉTICO COM ESTUDOS COMPLETOS DA LITURGIA DESTE DOMINGO.

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Como já é tradição, na Igreja do Brasil, no último domingo do mês de setembro celebramos o "Dia da Bíblia". Trata-se de uma oportunidade para que revejamos nosso relacionamento com a Palavra de Deus, no sentido que é luz para nossa vida pessoal e para a convivência social. Hoje, essa Palavra irá nos dizer que viver em função da riqueza provoca a insensibilidade fraterna, nega o valor da dignidade humana e empobrece a todos de alguma forma. Peçamos, portanto, neste dia da Bíblia, que a Palavra de Deus abra os nossos olhos e ouvidos para vermos a realidade e escutarmos o clamor dos Lázaros sofredores de nossa sociedade.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Neste domingo celebramos o Dia Nacional da Bíblia. As Sagradas Escrituras revelam como a salvação se deu ao longo da história, preparada pela Antiga Aliança e realizada pela Aliança no Sangue de Cristo. Aquela foi escrita em tábuas de pedra e esta, no coração humano. Por isso, a liturgia nos motiva ao conhecimento e ao amor aos livros santos, para que nos disponhamos a lê-los com compreensão autêntica, piedade e devoção. Hoje também se realiza um evento importante para o Ano da Fé: a peregrinação da Região Brasilândia à Catedral da Sé.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: Pobreza e riqueza são tão antigas como o mundo. Mas sempre constituíram problemas. As interpretações e soluções são várias. Há os que ligam pobreza e riqueza à "sorte" e ao acaso. Os que vêem na pobreza o sinal de incapacidade e da desordem moral, e na riqueza o sinal e o prêmio da inteligência e da virtude. Para outros é precisamente o contrário: os honestos não enriquecem, porque para enriquecer é preciso ser um tanto inescrupuloso. Riqueza coincide com exploração do homem pelo homem; o rico é ladrão, pronto para tudo a fim de defender sues privilégios. Surge a desordem, a sociedade violenta. E surge o problema: como fazer justiça? Como dividir com justiça os bens da terra e o fruto do trabalho do homem? Como mudar a ordem das coisas? Aceitar a pobreza como consolação alienante para os pobres deste mundo ou tentar construir uma teologia de revolução a partir do evangelho é iludir-se e não captar o essencial que Cristo nos passa. No plano dos objetivos e dos meios, todos devem procurar soluções eficazes, ainda que os comportamentos possam divergir, e, os cristãos conquistados pela aventura do amor e que aceitam vivê-la verdadeiramente com Cristo e em seu seguimento estarão mais atentos em fazer com que a riqueza não degenere em novas opressões e novo legalismo.

Sintamos em nossos corações a alegria do Amor ao Próximo e entoemos alegres cânticos ao Senhor!


(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (Am 6,1a.4-7): - "Ai dos que vivem despreocupadamente em Sião, os que se sentem seguros nas alturas de Samaria!"

SALMO RESPONSORIAL 145(146): - "Bendize, minh'alma, e louva o Senhor, e louva o Senhor!"

SEGUNDA LEITURA (1 Tm 6,11-16): - "Tu que és um homem de Deus, foge das coisas perversas, procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão."

EVANGELHO (Lc 16,19-31): - "Se não escutam a Moisés, nem aos profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos"



Homilia do Diácono José da Cruz — 26º Domingo do Tempo Comum — ANO C

A recompensa da riqueza mal utilizada

Não se pode ler esse evangelho sob a ótica de alguma ideologia humana, pois se corre o risco de interpretar que os ricos vão para o inferno e os pobres para o céu. O evangelista, ao refletir com as suas comunidades, não estava nenhum pouco preocupado com a questão social, mas sim com algo que é muito mais importante: a abertura que damos a Deus, a sua palavra, a sua Salvação e á sua Graça Santificante.

O pobre Lázaro não têm muitos méritos para ir ao céu, aqui chamado de seio de Abraão, é um homem extremamente carente e que vive de esmolas, não fala que ele era bom, juto, amável, que frequentava comunidade. O Rico, que nem nome tem, curte a sua riqueza esbanjando seus bens, regalando-se com banquetes todos os dias. O evangelho nem menciona que o rico passava indiferente pelo esmoleiro chamado Lázaro. Talvez isso até ocorresse, já que Lázaro esmolava no portão da entrada do Palácio do Rico.

Parece que o pobre entrou nesse evangelho como “âncora”, para que o evangelista possa falar do pecado do rico, que, confiando unicamente em sua riqueza, apostou nela todas as suas fichas e nunca sentiu necessidade de se abrir á Deus e a tudo o que ele nos oferece. Só na outra vida é que “caiu a ficha”, pois descobre (tarde demais, diga-se de passagem) que há algo mais importante do que a riqueza: a Salvação que vem unicamente pela Graça, sua sede terrível mostra que ele não a tinha e imagina ingenuamente que poderá tê-la,e que um “pouquinho” já será suficiente. 

O tal que se banqueteava na fartura, agora se contenta com uma minúscula gotinha de água da Salvação. Tarde demais...

O fato de não ter-se aberto á Salvação ainda em vida, criou um abismo entre ele e Deus e consequentemente com as pessoas, isolando-se em um terrível egocentrismo, o mesmo mal que hoje em dia corrói a alma e o coração de muitos.

Quem se abre a Graça de Deus e a sua Salvação, irá se relacionar com ele, porque o descobrirá nos mais carentes. Essa é a verdadeira religião, á que nos leva a Deus, passando antes pelo próximo. O resto é a Religião da Mentira que leva a pessoa ao mesmo lugar de tormento onde foi parar aquele Ricaço. Daí, qualquer arrependimento será inútil, porque daí,  como dizia minha saudosa mãe “A Inês já é morta”.

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Costa — 26º Domingo do Tempo Comum — ANO C

Moderação

Tendo em conta o Evangelho de hoje, poderíamos meditar sobre o desprendimento, sobre a importância de viver a solidariedade, sobre a outra vida, sobre a conversão etc. No entanto, o primeiro versículo me atraiu fortemente, “havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho finíssimo, e que todos os dias se banqueteava e se regalava” (Lc 16,19), e fico com ele. Vamos chamar esse tipo de leitura da Sagrada Escritura uma “leitura de impacto”: deixar-se impressionar pelo versículo bíblico que mais chamou a sua atenção num determinado momento.

Os espanhóis deram até um nome ao homem rico, Epulón; vem de epula, ae do latim, que significa banquete. Epulón significaria o mesmo que comilão. Penso que esse nome faz jus ao que nos diz o relato evangélico: “se banqueteava e se regalava”. Imagino-o sentado à mesa, servido por várias pessoas e comendo somente aquilo que ele gostava, preparado da melhor maneira possível e com um requinte quase inimaginável. Ademais, sempre vestido segundo a última moda da época, “de púrpura e linho finíssimo”. Epulón devia ser tão cuidadoso para arrumar-se que poderíamos classificá-lo entre esses homens que, segundo dizem por aí, passam horas nos salões de beleza, sempre se vestem segundo a moda – inclusive criando modas – e adoram exibir a própria beleza por todas as partes. Na verdade, Epulón parece até um pouco amaneirado.

Será que a conclusão é que não se pode nem comer bem nem vestir-se bem para ser um bom cristão? Não! De fato, a roupa de Jesus devia ser de qualidade, pois os soldados “tomaram as suas vestes e fizeram delas quatro partes, uma para cada soldado. A túnica, porém, toda tecida de alto a baixo, não tinha costura” (Jo 19,23); em Betânia, ele aceitou que aquela mulher derramasse sobre a sua cabeça “um vaso de alabastro cheio de um perfume de nardo puro, de grande preço” (Mc 14,3); num dos banquetes que Jesus participou, reclamou a etiqueta requerida: “Entrei em tua asa e não me deste água para lavar os pés (…). Não me deste o ósculo (…). Não me ungiste a cabeça com óleo (…)” (Lc 7,44-46). Lembremo-nos que Jesus foi educado pela Santíssima Virgem Maria e, por tanto, estava bem educado.

Todas as coisas criadas por Deus são boas. É preciso que nós amemos essa bondade natural e demos graças a Deus por ela. Não podemos ver as coisas do mundo (no sentido de “criação de Deus”) como uma ameaça à nossa santidade. Pois, “Deus contemplou a sua obra, e viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31). Mais ainda, o Senhor deu inteligência ao ser humano para que fosse criativo. O importante é que nós saibamos utilizar as coisas boas do nosso Pai do céu com a moderação requerida: “quer comais quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Cor 10,31). Ao utilizar as coisas desse mundo, o cristão deve ter como regra de conduta a glória de Deus e o bem dos demais. Uma mulher que se veste bem e se maquia pensando no seu esposo, além de estar alinhada, dá glória a Deus e faz uma obra de caridade. Como eu gostaria que surgissem estilistas com mente cristã que fizessem roupas elegantes e decentes ao mesmo tempo para que as mulheres andassem bem vestidas, também com a virtude do pudor! Um homem também tem que ter bom gosto, sem exagerações e sem afeminar-se. Pertence à natureza das coisas que a mulher se preocupe mais com a aparência externa que o homem. Isso é normal! Não tem nenhum problema. Porém, em tudo é louvável a moderação.

Conheço uma pessoa que costuma dizer que não gosta de café sem cafeína, nem de Coca-Cola light, nem de cerveja sem álcool, defendendo que as coisas devem permanecer na sua essência. Dizia também essa pessoa que nessa sem-essência de muitas coisas atuais via uma figura do que pode ser uma vida sem essência: pensamento vazio, vontade debilitada, prazer sem compromisso, religião sem levar Deus em sério. O leitor verá se essa pessoa tem ou não razão na sua comparação, mas o fato é que esse indivíduo sempre toma cerveja com álcool, Coca-Cola normal e café – como diz ele – de verdade. E continuará fazendo isso até que os médicos lhe digam o contrário! Pelo menos numa coisa temos que estar de acordo: corremos o risco de levar uma vida sem essência.

“Setenta anos é o total de nossa vida, os mais fortes chegam aos oitenta. A maior parte deles, sofrimento e vaidade, porque o tempo passa depressa e desaparecemos” (Sl 89,10). Pelo menos aproveitemos esses poucos anos, quantos Deus nos conceda, para dar-lhe glória e ajudar os irmãos através de uma vida honesta, sóbria, moderada, bem modelada pelo único modelo de todos os santos, Jesus Cristo.

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético — 26º Domingo do Tempo Comum — ANO C
(Extraído do site Presbíteros - Elaborado pelo Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

EPÍSTOLA (1 Tm 6, 11-16)

ADVERTÊNCIA: Tu, porém, ó homem de Deus, estas coisas foge; mas segue a probidade, religiosidade, fé, amor, constância, mansidão (11). Tu autem o homo Dei haec fuge sectare vero iustitiam pietatem fidem caritatem patientiam mansuetudinem. Naquele tempo existiam os falsos doutores cujos frutos eram disputas e vaidades, de onde nascem invejas, provocações, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim…dos que supõem que a piedade é fonte de lucro (1Tm 6,3-5). Parece que temos uma monição do que hoje estamos vivendo em alguns lugares. Diante, pois, destes parágrafos que precedem nosso texto, Paulo exorta Timóteo a fugir desses desvios e seguir a norma da verdadeira religiosidade que não olha o lucro, mas se contenta com o necessário para viver. E esta religiosidade verdadeira é honesta, pois pretende a PROBIDADE [dikaiosynë <1343> =iustitia] que é a conduta irrepreensível, embora traduzida geralmente por justiça, mas sem muita precisão. Uma outra virtude é a PIEDADE,[RELIGIOSIDADE] eusebeia [<2150>=pietas], que é a reverência devida a Deus e que podemos traduzir, em termos cristãos, pelo amor a Deus que inspira fundamentalmente os atos religiosos e impregna a vida inteira dos seus devotos fiéis. FÉ [pistis <4102>=fides] que aqui pode tomar sua acepção primitiva  de fidelidade, como vemos em Mt 23, 23 em que está unida aos principais preceitos da Lei, como justiça, misericórdia e fidelidade. Ou em Tito 2, 10: não furtem, mas deem prova de toda fidelidade (pisteos). O adjetivo pistos [<4153>= fidelis] é traduzido por fiel, inclusive falando de Deus que é fiel [digno de confiança] de modo que não permitirá que sejamos tentados além das forças (1 Cor 10, 13), o que é confirmado em 2 Ts 3,3. AMOR [agapë<26>=caritas] é propriamente o amor, que traduz o hebraico ahabah [<0158>=caritas] usado como o amor de Deus com seu povo,  que o latim traduz por caritas; é o amor mais sublime e altruísta. Podemos dizer que é o amor de Deus que no homem tem um eco responsável de gratidão e afeição. CONSTÂNCIA [ypomonë <5281> = patientia] constância, firmeza, persistência, paciência, perseverança, é a virtude pela qual um homem permanece fiel a Deus, apesar das tribulações e contradições. Jesus disse que o Reino era tomado por esforço e os que se esforçam se apoderam dele (Mt 11, 12)  MANSIDÃO [praotës <4236>=mansuetudo] o praotës grego significa bondade, doçura, humildade, mansidão. Sai 9 vezes no NT e todas nas cartas paulinas, sendo em todas traduzido por mansidão, a condição benigna e suave, apacível, sossegada e tranquila de uma pessoa. Jesus a si mesmo se tornou modelo desta virtude quando afirmou: Aprendei de mim porque sou manso [praos<4235>=mitis] e humilde de coração (Mt 11,29). É, pois, a bondade unida à humildade que torna um homem bom e benigno para com os outros.

A VOCAÇÃO: Combate o bom combate da fé. Toma posse da vida eterna para a qual foste chamado e confessaste a boa confissão diante de muitas testemunhas (12). Certa bonum certamen fidei adprehende vitam aeternam in qua vocatus es et confessus bonam confessionem coram multis testibus. COMBATE DA FÉ: em parte, em oposição ao combate ou guerra da Lei dos judeus. Chama este combate de bom, pois permanecer na fé encontrava muitos inimigos, tanto fora, como eram os judeus que diretamente combateram Paulo e seus auxiliares, como os costumes dos gentios que não favoreciam a fé por serem contrários à crença cristã e que precisavam de uma verdadeira conversão para aceitar as novas práticas que constituíam o caminho da salvação. Esse combate é para se obter a vida eterna que corresponde naturalmente à divindade e da qual somos herdeiros por meio de Cristo (Gl 4, 7), com Ele feitos filhos mediante a fé em Cristo Jesus (Gl 3, 26). FOSTE CHAMADO [eklëthës<2564>=vocatus es] como vemos por 1 Tm 4, 14 e 2 Tm 1,6, Timóteo foi chamado ao apostolado por meio da profecia e pela imposição das mãos, de modo a receber o dom de Deus como presbítero (no caso, como bispo) da igreja de Éfeso. CONFESSASTE [ömologësas <3670> = confessus] concordar, aceder, aprovar, expressar conformidade, admitir, confessar. Sem dúvida, Paulo rememora os fatos acontecidos em Listra, onde os cristãos davam bom testemunho de Timóteo (At 16,2) e por isso, quis Paulo que ele fosse em sua companhia (At 16, 3), de modo que  as igrejas eram fortalecidas na fé (idem 5). Esta presença foi, sem dúvida, um testemunho que Paulo afirma ser uma boa confissão diante dos muitos irmãos que foram confirmados na fé.

UMA ORDEM: Ordeno-te perante Deus que dá a vida a todas as coisas e de Cristo Jesus que testemunhou diante de Pôncio Pilatos a boa confissão (13), a guardar tu o mandato imaculado, irrepreensível até a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo (14). Praecipio tibi coram Deo qui vivificat omnia et Christo Iesu qui testimonium reddidit sub Pontio Pilato bonam confessionem, ut serves mandatum sine macula inreprehensibile usque in adventum Domini nostri Iesu Christi. ORDENO-TE [paraggellö <3853> = praecipio] transmitir uma mensagem, declarar, anunciar e também comandar, declarar, ordenar. É neste último sentido que devemos traduzir como em Mt 10, 5 quando o Senhor ordenou a seus discípulos não entrarem na região dos gentios. DIANTE DE PILATOS Jesus deu seu testemunho da verdade como diz o evangelho de João: Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade (Jo 18, 37). A fé agora se torna verdade opondo a mentira do politeísmo à verdade revelada em Jesus como filho único de Deus por nossa salvação crucificado e morto como vítima pela redenção dos pecados. Essa foi a confissão de Jesus diante de Pilatos, que este não quis escutar. Que é a verdade? (Jo 18, 38). O MANDATO [entolë<1785>=mandatum] o grego indica uma ordem, preceito, mandato, prescrição, mandamento. Em Mt 5, 19 Jesus fala daquele que viola um destes menores mandamentos [entolön] será chamado mínimo no reino dos céus. Qual é o mandato? Provavelmente o de ser testemunha da fé em Jesus Cristo, como quem dá testemunho de um Deus cujo poder estava acima do poder de Roma, pois Jesus afirmou nenhuma autoridade terias sobre mim se de cima não te fosse dada (Jo 19, 11). Num mundo em que a autoridade era o supremo valor da vida, conservar uma relação com a mesma, íntima e confiante, era escolher o caminho certo para a felicidade. MANIFESTAÇÃO: é a segunda vinda do Senhor, quando sua atuação será de Juiz e não de Redentor. Diante desta situação, o mandato é a matéria sobre a qual Timóteo deve ser julgado. Por isso, o mandato deve ser cumprido de forma irrepreensível e impoluta. Provavelmente Paulo confunde o juízo final com a destruição do templo e ruína de Jerusalém, preditas por Jesus em Lc cap 21, em que a perseguição dos discípulos precederá a ruína da cidade. Neste evangelho, próximo ao anúncio evangélico de Paulo, não vemos o fim do mundo, mas o fim do templo e de Jerusalém em termos apocalípticos e escatológicos, difíceis de interpretar, que Paulo traduz como manifestação clara do triunfo de Cristo.

JESUS O BENDITO: A qual em tempos próprios mostrará o Bendito e único Poderoso, o Rei dos reis e Senhor dos Senhores (15). Quem suis temporibus ostendet beatus et solus potens rex regum et Dominus dominantium. Essa manifestação será a revelação clara e pública daquele que é o BENDITO [makarios <3107> =beatus] era um título próprio de Deus para não pronunciar o Nome Santo, [=haShem] como fez Caifás quando interrogou Jesus se ele era o Cristo, o Filho do Bendito (Mc 14, 61).  ÚNICO PODEROSO [monos<3441>dynastës<1413>=solus potens], nome que é usado por Jesus no lugar de Jahveh ao responder a Caifás quando responde: Vereis o filho do Homem assentado à direita do Poder [dynamis]. Tanto num caso [bendito] como no outro [poder], é Deus o assim nomeado. Logo, Paulo iguala Jesus com o Deus dos judeus, ou seja, com o Deus único dos cristãos. E também o compara com os poderosos da terra dando a Ele o título supremo de Rei dos reis e Senhor dos senhores, título que os judeus davam a Jahveh, igualando assim o Filho com o Pai. Assim temos o versículo do Apocalipse (19, 16):  que tem no seu manto e na sua coxa o título: Rei dos reis e Senhor dos senhores. Como os judeus tinham dado a Jahveh o mesmo título, daí a correspondência exata entre a carta paulina e o Apocalipse de João.

JESUS O ÚNICO: O único tendo imortalidade, luz habitando inacessível ao qual não viu homem algum nem pode ver, ao qual honra e poder eterno. Amém (16). Qui solus habet inmortalitatem lucem habitans inaccessibilem quem vidit nullus hominum sed nec videre potest cui honor et imperium sempiternum amen. IMORTALIDADE [athanasia <110> = inmortalitas] Uma vez ressuscitado, a imortalidade era atributo de Cristo. Em corpo e alma sua eternidade estava segura como era a vida atribuída a Deus. Além da vida, da qual Jesus tinha dito que ele era dono [sou o caminho, a verdade e a vida] ele era também LUZ [phos<5457>=lux] oposta às trevas como afirma João, que também une vida e luz no prólogo: e a vida era luz dos homens (1, 4). Só que desta vez era luz INACESSÍVEL [aprositos<676>=inaccessibilis] derivado do verbo prosiemi (ir a) com o a negativo e contrário de não poder ser alcançado. Deus identificava-se com a luz como lemos em Is 60, 19: o Senhor será a tua luz perpétua e no Salmo 104, 2, fala de Deus como coberto de luz como de um manto. Como vemos, Paulo e o Apocalipse usam termos que, na tradição judaica, eram representativos da divindade. Precisamente nas revelações místicas essa luz aparece como manifestação da divindade. Essa luz não foi vista por homem algum e é, sem dúvida, uma experiência paulina como ele descreve sua incursão no terceiro céu onde ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir (2 Cor 12, 4) em consonância com o que o mesmo Paulo diz em 1 Cor 2, 9: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. HONRA e PODER ETERNO, é a doxologia final que se refere ao Cristo já divinizado  no céu, ou seja, mostrando seu poderio final, em que a majestade corresponde à honra com que deve ser adorado. AMÉM é o final de toda oração que implicava o desejo de ser ouvida complacentemente por Deus.

EVANGELHO (Lc 16, 19-31)
O RICO EPULÁRIO

INTRODUÇÃO: A parábola é própria de Lucas. Junto com a chamada do filho pródigo constitui uma das bases da teologia de Lucas ou de Paulo como própria da misericórdia divina com a qual Deus olha o mundo e define sua atitude perante os problemas definitivos do homem. A quem Deus escolhe definitivamente como membros do novo Reino e como convivas do banquete eterno? A resposta está nesta parábola porque a declaração de Abraão é propriamente a moral da história: Recebeste boas (sic) na vida e Lázaro as más. Agora ele é consolado, e tu atormentado (25). Se a parábola do filho pródigo era a parábola da misericórdia, esta é a parábola da justiça, derivada dessa misericórdia. Todos têm sua chance de experimentar os bens: ou nesta vida ou na outra. A outra conclusão é que a eternidade depende da conduta presente dos vivos. Como nota importante está a conclusão de que a fé forma parte de uma tradição e não de uma vivência ou experiência particular. Quem não está disposto a escutar as palavras proféticas não escutará as que um ressuscitado possa testemunhar. A primeira parte da parábola -inversão dos bens devido à morte- tem paralelos na literatura universal. A segunda parte -a dificuldade de conversão de um rico- é própria de Jesus e narrada especialmente por Lucas.

O RICO EPULÁRIO: Havia, pois, certo homem rico, e se vestia de púrpura e de bisso, banqueteava-se todo dia esplendidamente (19). Homo quidam erat dives et induebatur purpura et bysso et epulabatur cotidie splendide. RICO [plousios<4145>=dives]. A tradição o chama de epulário, do latim epulari. O nome epulário significa conviva ou comensal; provavelmente deduzido do castelhano que é epulón, homem que come e bebe muito, derivado por sua vez do latim épulo quem da um convite ou também convidado, comilão. O latim o usa mais frequentemente no plural e eram assim designados os três varões romanos [triumviri epulones] que cuidavam dos convites oferecidos aos deuses. Como nota curiosa vamos aportar alguns dados sobre o sacerdócio romano e seus colégios, entre os quais podemos incluir o dos epulones. Da história romana sabemos que o último rei Tarquínio foi deposto para dar passo à república em 509 aC após seu filho violar Lucrécia, dama romana que para defender sua honra se suicidou. Ao se proclamar a república, esta teve que dividir o poder entre rex romanorum [rei dos romanos] cujo papel foi dado aos cônsules e rex sacrorum [rei das coisas sacras]. Assim o mantenedor deste título recebeu o nome de Pontifex maximus  e era o chefe do Colégio dos pontífices ou flâmines. Três eram os flâmines maiores: Dialis de Júpiter, Martialis de Marte e Quirinalis de Quirino [antigo deus da guerra]; e 12 menores, entre eles por exemplo flamen Cerialis de Ceres, deusa da terra e das colheitas. Existia também o colégio dos augures, que se distinguiam por predizer o futuro pelo voo dos pássaros ou como nos pullaius pela conduta dos frangos na comida. Temos os duoviri sacris facundis, que foi aumentado até 15, encarregados dos livros da Sibila, consultados quando os raios ou outros portentos aconteciam. Temos o colégio dos Fetiales, de 20 em número, que eram os que declaravam a guerra que só era justa [bellum pium] se declarada pelos fetiales. Outro grupo era o dos arúspices em número de 60, mas sem formar collegium, que adivinhavam através das entranhas dos animais sacrificados. Temos os triunviri Epulones inicialmente três, mas depois unidos num colégio cujo número foi incrementado a sete. Sua função era supervisar os ritos sacros no opulum Jovis, ou festa de Júpiter que era celebrava junto com os Ludi Romani e os plebeus, onde exerciam funções que anteriormente eram próprias dos pontífices. Os ediles organizavam os jogos, mas os epulones visavam os ritos sacros dos mesmos. Todos estes eram os chamados maiores pontífices, pois também existiam os menores, chamados sodales. Como vemos o nome epulón dado ao rico é um tanto impróprio e traduzi-lo por epulário [conviva] é ainda mais inadequado. Qual era o nome do rico já que epulón ou epulário não é correto? Alguns manuscritos antigos falam de Níneve que lembra a grande cidade que percorreu Jonas anunciando a destruição. Na realidade as escavações de Nínive deram como resultado palácios em que Senaquerib e Assurbanipal tinham as maiores riquezas de todos os seus saques nas guerras, como vemos em Baltazar em que os vasos sagrados do templo de Jerusalém eram os recipientes do banquete (Dn 5, 2). Portanto chamar de Nínive ou Níneve o rico é uma conveniência dos leitores que veem o nome do pobre e não encontram o nome do rico. PÚRPURA E BISSO: A púrpura era uma cor vermelha forte que se parece com a cor violeta ou roxa. Historicamente, pelo seu preço e raridade era a cor purpúrea utilizada pelos reis e imperadores. Na antiguidade a cor era extraída das pequenas quantidades existentes em alguns moluscos das costas orientais do mediterrâneo. O molusco, de grande tamanho, segrega uma substância amarela que ao contato com o ar se transforma em cor vermelha violácea. A terra hoje do Líbano era chamada Fenícia que em grego significa vermelho [foinós], pois na época sua indústria de cor púrpura era famosa. O líquido do molusco, espécie de concha, era misturado com sal e cozido de modo a obter duas cores diferentes: uma de azul violeta ou púrpura e outra de cor vermelha. Dada a grande quantidade de moluscos necessários para tingir uma túnica compreende-se que a púrpura fosse a veste do Sumo sacerdote e o ornato luxuoso do templo e o distintivo de reis e pessoas muito ricas ( Jz 8, 26 e Jr 10, 9). Os romanos da república não a vestiam na sua tradicional sobriedade, mas era considerada, junto com o ouro e a prata, botim precioso de guerra. Daí a raridade e o preço que a acompanhavam. O Byssus ou bisso era uma tela de linho finíssima, quase transparente, de cor branca ou bege, que junto com a púrpura violeta ou escarlate foi oferecida para fabricar a tenda do tabernáculo no deserto (Ex 25, 4). O bisso seria o que os romanos chamavam de linum candidissimum [lino branquíssimo]. Se a púrpura era um produto de exportação, especialmente produzido em Tiro, o bisso era importado do Egito. Ou seja, em questão de vestidos o nosso rico era singular e extraordinário, da creme e nata dos melhores. BANQUETEAVA-SE: O verbo eufrainizo [<2165>=epulari] significa regozijar-se, recrear-se, ter momentos alegres, gozar da vida. O advérbio LAMPRÖS [<2988>=splendide] [esplendidamente] indica que não havia prazer que ele não degustasse, tanto na comida como nas festas lascivas que acompanhavam os banquetes. Como banquete esplêndido temos o dado pelo imperador Vitélio: antes de ser destronado esteve comendo um menu de vinte pratos, entre eles miolos de cotovias com mel. Marco Aurélio Antonino [Heliogábalo]  mandou servir 1500 línguas de flamingo a seus convidados. Maximino Trácio que numa só jornada chegou a ingerir 16 quilos de carne e 32 litros de vinho. O banquete mais numeroso foi  dado por Júlio César a 200 mil pessoas em 22 mil mesas, durante várias jornadas.

O MENDIGO: Porém havia certo mendigo de nome Lázaro, o qual jazia à sua porta coberto de chagas (20), e desejando se satisfazer das migalhas que caiam da mesa do rico; mas até os cães, chegando, lambiam as suas chagas (21).Et erat quidam mendicus nomine Lazarus qui iacebat ad ianuam eius ulceribus plenus. cupiens saturari de micis quae cadebant de mensa divitis sed et canes veniebant et lingebant ulcera eius. Seu nome era LÁZARO[=Eleazar, Deus ajudou]. A descrição da vida do infortunado mendigo era totalmente realista. O esquecimento dos homens, a doença de suas chagas, a sua morte inglória tudo está conforme ao que inclusive atualmente conhecemos desses pobres seres humanos. Se, na atualidade, uma percentagem dos mesmos é parte dos eufemisticamente chamados débeis mentais, na época de Jesus eram cegos, mancos e outros aleijados. A sorte do nosso pobre era ainda mais infortunada ao ouvir os cantos, os risos e o regozijo e barulho dos convivas dentro da casa. É uma descrição para opor a sorte de um e o infortúnio do outro. Um detalhe que depois ver-se-á repetido, mas de forma contrária, é que nem mesmo as migalhas do banquete lhe eram fornecidas. Os cães da rua eram os únicos que aliviavam suas chagas.

SORTE POSTERIOR DO MENDIGO: Sucedeu, pois, morrer o mendigo e ser ele levado pelos anjos ao seio de Abraão. Porém morreu também o rico e foi sepultado (22). Factum est autem ut moreretur mendicus et portaretur ab angelis in sinum Abrahae mortuus est autem et dives et sepultus est (in inferno). Sem que houvesse intervenção humana, o mendigo é levado por anjos ao seio de Abraão. É a primeira vez que os anjos aparecem como mensageiros divinos após a morte. O saduceu, seguindo o AT, diria que tudo acabava com a morte. Jesus, pelo contrário, afirma que tudo começa quando tudo acaba. Só que as sortes estão trocadas.

SORTE DO RICO: Seu corpo foi sepultado como convinha a sua riqueza, sem dúvida, mas sua alma entrou no profundo dos infernos, o Hades, que vamos descrever no que é possível segundo as poucas e parciais referências de que dispomos. Na realidade, só a Vulgata fala do inferno; o grego termina com o sepulcro do rico. Mas, evidentemente, a sorte do rico foi o inferno como veremos depois, pois a Vulgata traz neste versículo o que o grego acrescenta ao seguinte.

O SHEOL OU HADES: E no Hades, levantando seus olhos, estando em tormentos, vê Abraão de longe e Lázaro em seus seios (23). [in inferno] Elevans oculos suos cum esset in tormentis videbat Abraham a longe et Lazarum in sinu eius. HADES [<66>=infernus], que em latim é infernus e em hebraico Sheol. O significado de sheol se distribui entre a tumba, o mundo de ultra tumba e o estado depois da morte. A ideia de que os mortos existiam num mundo que os babilônios chamavam de Aralu, e os ugaríticos de Oeres era comum aos povos antigos. O sheol era um lugar abaixo da terra (Ez 31, 15) um espaço de pó (Jó 17, 16), de trevas (Jó 10, 21), de silêncio (Sl 94, 17) e esquecimento (Sl 88, 13). Algumas vezes as distinções existentes na vida terrena são descritas como continuando no sheol; mas sempre este é um lugar de fraqueza e tristeza. Nalgumas passagens do AT o sheol tem um aspecto punitivo (Sl 49, 13-14) e, portanto uma morte prematura é uma forma de penalidade. O AT considera a vida terrena como a arena para demonstrar o serviço devido a Deus. Portanto, estar no sheol é estar fora do âmbito divino. Sheol dizem que significa destruição, poço, cova, ou corrupção. Na literatura perto do NT encontramos no Sheol divisões que distinguem os malvados dos justos nos quais eles desfrutam de seus últimos destinos como vemos na parábola de hoje. O Hades representa o mundo de ultra tumba ou dos mortos nos clássicos gregos. A setenta traduz Sheol por Hades. Logo podemos dizer que Hades equivale ao Sheol como vemos em At 2, 27. Jesus fala das portas do Hades que não prevalecerão (Mt 16, 18). A defesa das portas de uma cidade era essencial para não ser conquistada; eram, pois, figura do poder da mesma. A frase descer ao Sheol (Mt 11, 23) é metaforicamente entendida como cair na profundeza da degradação.

GEHENA: Uma outra palavra que descreve o destino de ultra tumba é gehena (Mt 5, 22 Mc 9, 43 e Lc 12, 5). A palavra deriva de ge-bene-hinoum. Ou seja, Vale dos filhos de Hinnom. Era um vale perto de Jerusalém onde crianças foram sacrificadas e queimadas ao Baal ou deuses gentílicos. Era o lugar de punição para pecadores, descrito como espaço de fogo incombustível, fogo que é a medida do castigo divino (Dt 32, 22). Os rabinos da época distinguiam entre um fogo temporal e purgativo, um fogo totalmente destrutivo e um fogo eterno. Esta eternidade está claramente indicada em Mateus (9,43; 18, 8; 25, 46). Eternidade que é confirmada no Apocalipse para a besta e o profeta, para a morte e o inferno, para o Diabo e os agentes da maldade (Ap 20,10. 14-15  e 21,8), lançados ao lago de fogo que constitui a segunda morte. Esta Gehena que é lugar de suplício é traduzida por 2 Pd 2, 4 como Tártaros. Na mitologia grega o Tártaro representa a região mais profunda, situada no fundo dos infernos, onde Urano primeiro e Cronos depois,  lançavam, finalmente, para Zeus, os que o tinham ofendido. Segundo Homero, era a prisão dos deuses vencidos e dos heróis que tinham agravado a Zeus. No século VI aC se transformou no lugar onde os homens culpáveis deviam cumprir seu castigo. Na Eneida, Virgílio o descreve como uma grande prisão onde moravam as Fúrias. Situavam-no principalmente perto do Averno, nome poético do Inferno. Devemos distinguir entre Inferno e infernos. Este último termo indica o mesmo que Sheol, ou seja, os lugares inferiores dentro da terra, enquanto moradas dos mortos. O Inferno propriamente dito é a sorte [não falamos hoje de lugar] do ser humano que voluntariamente se separa de Deus, como fonte de vida, por opção definitiva. O NT o define com diversas imagens com a ajuda de diversas metáforas ou mitologias: Abismo, trevas exteriores, fogo inextinguível, lago de fogo, etc. Com tudo isso define-se a sorte do pecado e do ser humano que com ele quer se identificar.

SEIO DE ABRAÃO: é esta passagem a única, em que se descreve o que em outras passagens é chamado o Édem. Uma outra vez em Jo 13, 23-25 temos a descrição de alguém se reclinar no seio de outra pessoa: é o discípulo amado reclinado no peito de Jesus. Precisamente por esta circunstância e a de que o Reino é comparado com um banquete, podemos deduzir que agora o banquete era aquele em que participava Lázaro, apoiado no regaço do pai comum de todos os israelitas. É um paraíso ao estilo alcoranista que Jesus deve descrever para ser melhor entendido por seus ouvintes. O Paraíso é uma palavra que aqui não é usada. A distinção está entre seio de Abraão e o sheol não entrando o paraíso como termo comparativo. De fato, a palavra paraíso significa jardim ou parque. Desde o Gênese, em que o homem foi colocado nele e tinha a árvore da vida para ser expulso, uma vez cometida a desobediência, a palavra paraíso [paradeisos grego] não sai, a não ser três vezes, no NT. No AT temos o jardim do Édem que é traduzido ao grego por paraíso de delícias e em outras passagens por Paraíso de Deus. O seio de Abraão formava parte do Hades [infernos] no interior da terra e o paraíso era no terceiro céu segundo o que diz Paulo (2 Cor 12, 2), pois o identifica a continuação com o paraíso (idem 4). Foi esse paraíso que Jesus prometeu ao malfeitor arrependido (Lc 23, 4) e que no Apocalipse descreve-se como contendo ainda a árvore da vida (2, 7). Consequentemente a descrição de Jesus pertence ainda ao AT e não podemos deduzir dela verdades absolutas. Só que antes do ato redentor já existiam no outro mundo, no sheol, duas esferas: uma superior [levantou os olhos (23)] de relativa felicidade, semelhante ao que na terra podemos chamar de bemaventurança; e outra de tormentos, com um fogo que aumentava a sede.

PETIÇÃO DO RICO: E ele clamando disse: Pai Abraão, tem compaixão de mim e envia Lázaro para que mergulhe a ponta do seu dedo em água e refresque minha língua porque estou sofrendo nesta chama (24). Porém disse Abraão: Filho, relembra que tu recebeste as tuas boas (coisas) em tua vida e Lázaro de modo semelhante as más; agora, pois, aqui  é consolado tu porém és atormentado (25). E além de tudo entre nós e vós um grande abismo está presente de modo que os que desejam passar daqui para vós não podem, nem os dali para nós passar (26). Et ipse clamans dixit pater Abraham miserere mei et mitte Lazarum ut intinguat extremum digiti sui in aqua ut refrigeret linguam meam quia crucior in hac flamma. Et dixit illi Abraham fili recordare quia recepisti bona in vita tua et Lazarus similiter mala nunc autem hic consolatur tu vero cruciaris   Et in his omnibus inter nos et vos chasma magnum firmatum est ut hii qui volunt hinc transire ad vos non possint neque inde huc transmeare. Era uma migalha de água à semelhança da que ele tinha negado como comida a Lázaro. Mas era impossível porque o que separava ambos os grupos não eram umas portas de uma casa, mas um abismo [chasma em latim, com o significado de apertura na terra ou entre nuvens] ou fenda, que impedia o intercâmbio entre as duas esferas: a dos que sofrem e a dos que estão sendo consolados. Abraão apela também à justiça que no novo mundo estabelece uma mudança de papeis para que não sempre os desafortunados tenham os mesmos destinos. Não são os mais venturosos os que determinam a justiça, mas os mais desfavorecidos são os que pautam a justiça que busca a igualdade de oportunidades. Essa foi a resposta de Abraão que o rico não pode refutar.

SEGUNDA PARTE: Então disse: então te rogo pai, para que envies  a ele à casa de meu pai (27). Pois tenho cinco irmãos para que testemunhe a eles de modo que eles  não venham também a este lugar de tormento (28). Diz-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas: Os escutem (29). Porém ele lhe disse: Não, pai Abraão, mas se alguém dentre os mortos for ter com eles converter-se-ão (30). Então lhe disse: Se a Moisés e aos profetas não ouvem, nem se um dentre os mortos ressuscitar, acreditarão (31). Et ait rogo ergo te pater ut mittas eum in domum patris mei. Et ait illi Abraham habent Mosen et prophetas audiant illos. At ille dixit non pater Abraham sed si quis ex mortuis ierit ad eos paenitentiam agent. Ait autem illi si Mosen et prophetas non audiunt neque si quis ex mortuis resurrexerit credent. O anúncio aos vivos. Nesta circunstância o rico se torna altruísta e pede que seus irmãos sejam oportunamente avisados para evitarem o lugar de tormentos, onde ele agora se encontra submergido. A resposta de Abraão é terminante: Se não ouvem Moisés e os profetas, isto é, as palavras da Escritura, a palavra de Deus, nem se um morto ressuscitar, escutarão seu testemunho.

PISTAS:

1) A distinção entre ricos e pobres parece uma injustiça que clama ao céu como última causa. Por isso a parábola é uma resposta sapiencial de Jesus: a justiça será corrigida quando as sortes forem trocadas na outra vida, que por ser eterna merece o título de verdadeira.

2) Embora de modo imperfeito a distinção entre os dois lugares, o de tormentos e o de consolação, demonstra que existem prêmios e castigos na vida além túmulo. E que essa distinção não pode ser mudada pelo querer do homem. É definitiva, mas pode ser prevista pela conduta humana neste mundo.

3)O milagre não convence. Porém firma a fé dos que já estão convencidos. A palavra da Escritura salva unicamente quando ela é escutada e obedecida.

4) Para que a palavra seja eficaz devemos estar preparados para escutá-la, retirando obstáculos, de modo que quem não deseja ouvir a voz de Deus na palavra revelada não encontrará outra palavra eficaz ou fato suficiente para convidá-lo à reflexão e arrependimento.

5) A conduta do rico é escandalosa e modelo de muitas condutas atuais pelo seu esbanjamento e falta de consideração com seus semelhantes.


EXCURSUS: NORMAS DA INTERPRETAÇÃO EVANGÉLICA

- A interpretação deve ser fácil, tirada do que é o evangelho: boa nova.

- Os evangelhos são uma condescendência, um beneplácito, uma gratuidade, um amor misericordioso de Deus para com os homens. Presença amorosa e gratuita de Deus na vida humana.
- Jesus é a face do Deus misericordioso que busca o pecador, que o acolhe e que não se importa com a moralidade ou com a ética humana, mas quer mostrar sua condescendência e beneplácito, como os anjos cantavam e os pastores ouviram no dia de natal: é o Deus da eudokias, dos homens a quem ele quer bem e quer salvar, porque os ama.

Interpretação errada do evangelho:

- Um chamado à ética e à moral em que se pede ao homem mais que uma predisposição, uma série de qualidades para poder ser amado por Deus.
- Só os bons se salvam. Como se Deus não pudesse salvar a quem quiser (Fará destas pedras filhos de Abraão).

Consequências:

- O evangelho é um apelo para que o homem descubra a face misericordiosa de Deus [=Cristo] e se entregue de um modo confiante e total nos braços do Pai como filho que é amado.
- O olhar com a lente da ética, transforma o homem num escravo ou jornaleiro:aquele age pelo temor, este pelo prêmio.
- O olhar com a lente da misericórdia, transforma o homem num filho que atua pelo amor.
- O pai ama o filho independentemente deste se mostrar bom ou mau. Só porque ele é seu filho e deve amá-lo e cuidar dele.
- Só através desta ótica ou lente é que encontraremos nos evangelhos a mensagem do Pai e com ela a alegria da boa nova e a esperança de um feliz encontro definitivo. Porque sabemos que estamos na mira de um Pai que nos ama de modo infinito por cima de qualquer fragilidade humana.


FAÇA UMA DOAÇÃO AO NPDBRASIL...
AJUDE-NOS A CONTINUAR NOSSA OBRA EVANGELIZADORA!
A Comunidade NPDBRASIL precisa de você!
Clique aqui e saiba como fazer ou clique no botão abaixo...



22.09.2013
25º DOMINGO DO TEMPO COMUM — ANO C
( VERDE, GLÓRIA, CREIO – I SEMANA DO SALTÉRIO )
__ "Não podeis servir a Deus e ao dinheiro" __

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

Clique aqui para ver ou baixar o PPS.

(antes de clicar - desligue o som desta página clicando no player acima do menu à direita)

NOTA ESPECIAL: VEJA NO FINAL DA LITURGIA OS COMENTÁRIOS DO EVANGELHO COM SUGESTÕES PARA A HOMILIA DESTE DOMINGO. VEJA TAMBÉM NAS PÁGINAS "HOMILIAS E SERMÕES" E "ROTEIRO HOMILÉTICO" OUTRAS SUGESTÕES DE HOMILIAS E COMENTÁRIO EXEGÉTICO COM ESTUDOS COMPLETOS DA LITURGIA DESTE DOMINGO.

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Em espírito de oração nós nos reunimos para celebrar a eucaristia, sacramento da alegria e da salvação. A liturgia de hoje garante, em toda sua completude, que temos um único Deus, a quem adoramos como Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Dirá Jesus que não podemos servir a dois senhores, lembrando-nos de que existe a possibilidade de colocarmos Deus de lado e adotar o dinheiro como senhor, isto é, como deus de nossas vidas. Não se trata de uma discussão a respeito da necessidade do dinheiro na sociedade, pois reconhecemos sua importância para que a vida seja vivida com dignidade; até as obras de Evangelização necessitam do dinheiro para se manter. O convite feito é para que sejamos criativos e fiéis na administração dos bens que Deus nos confia. Seguir a Cristo implica, portanto, romper com a ganância, dando preferência àquilo que combina com Deus e seu projeto: justiça e amor para com os seus filhos, em primeiro lugar os pobres.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Estamos reunidos em torno da Ceia do Senhor, na qual Jesus se faz Pão da Vida e Vinho da Salvação, a fim de conceder-nos a vida em Deus e a alegria de sermos verdadeiros irmãos. Assim realizamos a nossa vocação de adoradores da Santíssima Trindade e servidores uns dos outros. Dessa forma, essa mesa anuncia profeticamente e realiza no plano da celebração o sonho de um mundo novo, onde os seguidores de Jesus não podem servir a Deus sem antes abandonar a idolatira do dinheiro. Rezemos também pela região Episcopal Santana, que hoje realiza sua peregrinação à Catedral da Sé, por ocasião do Ano da Fé.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: O mundo está geralmente dividido em ricos e pobres. A contestação, a luta de classes parece baseada no princípio de que não há possibilidade de acordo senão pela eliminação de uma das partes. O anúncio do reino de Deus, do seu amor que salva, é feito num mundo dividido entre ricos e pobres. É um anúncio que, revolucionando o íntimo do homem, revoluciona também certo tipo de ordem social.

Sintamos em nossos corações a alegria do Amor ao Próximo e entoemos alegres cânticos ao Senhor!


(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (Am 8,4-7): - "Por causa da soberba de Jacó, jurou o Senhor: Nunca mais esquecerei o que eles fizeram."

SALMO RESPONSORIAL 112(113): - "Louvai o Senhor que eleva os pobres, que eleva os pobres!"

SEGUNDA LEITURA (1Tm 2,1-8): - "Quero, portanto, que em todo lugar os homens façam a oração, erguendo mãos santas, sem ira e sem discussões."

EVANGELHO (Lc 16,1-13): - "Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes."



Homilia do Diácono José da Cruz — 25º Domingo do Tempo Comum — ANO C

Administrar bem

Se quisermos atualizar a parábola, vamos dizer que um governante foi acusado de corrupção, isso é, de ter dissipado os bens do patrimônio público agindo de maneira desonesta. Certamente hoje Jesus contaria a parábola desse jeito, exaltando a esperteza de muitos homens públicos que conseguem fazer “conchavos” com tudo que é partido político e no final nunca fica sem guarida. Nesses casos, quando vemos algum homem público em nossos dias, abrir mão de algum benefício ou regalia, não se iludam, ele está perdendo agora para ganhar em dobro depois, pois como se diz na gíria, essa raça nunca dá ponto sem nó.

E o leitor poderá então perguntar admirado: Parece que Jesus elogia o Administrador infiel, ou o Político corrupto de nossos dias, como pode uma coisa assim? E como é que fica quem é honesto na administração pública?

Claro que essa compreensão é falsa, gerada por uma leitura superficial do texto, imaginem que Jesus, Nosso Deus e Senhor, o Mestre da Justiça, iria compactuar com uma ação desonesta... O que está em jogo nessa parábola é a habilidade do Administrador Infiel em tomar rapidamente uma decisão certeira, e colocar o plano em prática em caráter de urgência. Portanto, o elogio é para o modo como ele fez, e não para o que fez. Bem diferente da impressão que temos no primeiro momento.

O Administrador Infiel, quando viu que fora exonerado pelo seu Senhor, abriu mão da sua gorda  comissão sobre a venda dos produtos, e começou imediatamente e renegociar a dívida. Imaginem os Credores chamar os devedores para renegociar a dívida do financiamento, de um carro ou de um imóvel, por exemplo, e baixar sensivelmente o valor a ser pago, que no caso do azeite, foi de cinquenta por cento. O Governo poderia fazer assim na questão dos juros e taxas de serviços, o povão agradeceria de coração. Mas é melhor não sonhar com isso, vamos acabar caindo da cama. Os Poderosos da economia querem sempre taxas mais altas para garantir seus “gordos” lucros.

Mas vamos nos inserir dentro dessa parábola. Nós batizados, membros da Igreja de Cristo, somos privilegiados pois Deus investe em nós todos os dias, dando-nos a sua Graça Santificante e Operante, temos a Santa Palavra, os Sacramentos, que são um Patrimônio de incomparável valor na Tradição da Igreja. Deus acredita em nosso potencial e nos faculta sermos sim, administradores da sua Graça. Tudo o que somos e temos provém de Deus, nada nos pertence nesta vida.

Como o Administrador infiel, muitas vezes somos maus gestores da Graça de Deus, quando queremos ser os únicos beneficiários dela, esquecendo-nos de que ela deve ser usada para o bem do outro, nos carismas, dons e talentos que o Senhor nos concedeu. A Habilidade do Administrador infiel, elogiado por Jesus, está no fato de ter aceito “Perder” para garantir um abrigo no futuro., o mesmo devemos fazer como Cristãos, sabermos “Perder” e abrir mão hoje de muitas coisas, para garantirmos um abrigo eterno junto a Deus um dia, na Vida Futura.

Sempre temos um olhar crítico aos que administram, até na Igreja é assim, mas este evangelho nos convida a nos olharmos enquanto administradores da Graça de Deus que nos foi confiada. Temos a mesma habilidade e esperteza desse Administrador, ou somos maus Gestores? Um dia iremos todos prestar contas... Estejamos preparados!

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Costa — 25º Domingo do Tempo Comum — ANO C

Prudência

Ao escutar o Evangelho de hoje, pode-se perguntar: e “porque os filhos deste mundo são mais prudentes do que os filhos da luz” (Lc 16,8) se o Senhor nos mandou ser “prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas” (Mt 10,16)? Ao citar essa passagem, outra pergunta se impõe à nossa consideração: por que as serpentes servem como modelo de prudência? Quiçá porque, como se diz, elas não se expõem para atacar. Já no livro do Gênesis se dizia que “a serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha formado” (Gn 3,1). Neste capítulo também se pode ver a maneira espertalhona que a serpente, símbolo do diabo nesse caso, teve para levar os nossos primeiros pais ao pecado que nos trouxe a ruína espiritual. Mas, cuidado, prudência e astúcia são duas realidades distintas, ainda que, à primeira vista, poderíamos confundi-las. A astúcia, na verdade, é uma falsa prudência, porque está penetrada de simulação e interesse. A prudência, ao contrário, é uma virtude que – segundo a maneira de pensar de Santo Tomás de Aquino – nos dá uma visão clara das coisas, fazendo com que valorizemos mais a verdade que nelas há que as nossas tendências apetitivas. Um exemplo das mais variadas manifestações da virtude da prudência é – como dizia um santo – não expor-se como católico quando está de moda ser católico e, ao contrário, manifestar-se católico quando todos se acovardam. Pensemos, por um momento, em qual dessas duas situações nos encontramos.

A prudência é uma virtude cardeal, ou seja, uma das quatro virtudes ao redor das quais giram os demais valores que constroem uma vida humana na verdade e na bondade e com uma unidade sem fissuras. Somente a pessoa prudente pode ser ao mesmo tempo forte, temperada e justa. Isso é assim porque a prudência nos ajuda a aplicar o conhecimento do bem que temos às nossas ações concretas. A primazia da prudência entre as virtudes cardeais é porque – como disse Josef Pieper – a realização do bem exige um conhecimento da verdade.

Recta ratio agibilium – a definição é de Aristóteles –, a prudência é a reta razão do agir, isto é, o conhecimento certo sobre a realidade que estamos dispostos a pôr em prática. Como se pode ver, essa virtude nos afasta de uma espécie de “moral do dever”, que não é a moral cristã. A questão não o que “eu devo” fazer em cada momento, isso é secundário, mas “fazer aquilo que está de acordo com o meu ser humano e cristão, ou seja, fazer aquilo que está de acordo com a verdade conhecida”. Isso exige – como dizia Santo Tomás de Aquino, aprender da própria experiência (memoria do passado); pedir conselho; pensar com calma (reflexão); decidir-se (a indecisão, além de gerar perda de tempo, nos leva a cometer muitas imprudências. Tendo os elementos necessários, se decide, sem ficar dando voltas e mais voltas ao tema); perceber as circunstâncias nas quais nos encontramos (circunspecção) para ver se é conveniente ou não atuar dessa maneira ou de outra; cautela (segundo o Aurélio, é o cuidado por evitar um mal, mas é algo mais: significa conjugar a bondade com a prudência); disposição e prontidão para resolver aqui e agora as situações urgentes (sagacidade); capacidade de tomar providências (prever um pouco o que poderia acontecer e agir em consequência, por exemplo, se eu sei que tenho uma prova no final do mês posso começar a tomar providência estudando).

Como é importante conjugar a prudência com a bondade e a simplicidade. Sem elas, a prudência se transformaria em astucia e já não seria uma disposição boa. Por outro lado, bondade sem prudência é “ser bonzinho” no sentido de “tolo” e simplicidade sem prudência é “ser simples” no sentido pejorativo da palavra. Um cristão tem que fazer de tudo para não ser tolo nem simplório.

Nossa Senhora é chamada na Ladainha de Virgo prudentissima, Virgem prudentíssima. Entre os vários aspectos que se poderiam destacar na prudência de Nossa Senhora, chama a nossa atenção o fato de que o adjetivo “prudentíssima” qualifica o substantivo “Virgem”. Com certeza, “prudentíssima” poderia qualificar substantivos como “Mãe”, “Rainha”, etc. Eu acho que não seria um exagero pregar sobre a virtude da santa pureza, pensando nos adjetivos que a Virgem Maria recebe na Ladainha, e um das qualidades da pureza de Nossa Senhora é a prudência. Será que isso não nos está dizendo algo importante para nós que vivemos num mundo tão hedonista e tão erotizado? Prudência na vivência de todas as virtudes, uma das quais, a pureza.

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético — 25º Domingo do Tempo Comum — ANO C
(Extraído do site Presbíteros - Elaborado pelo Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

EPÍSTOLA (1 Tm 2, 1-8)

INTRODUÇÃO: Paulo pede que se façam orações em favor de todos os homens, especialmente pelos que têm autoridade, porque deles dependem a paz e o bem-estar de todos. A razão é que Deus deseja a salvação de todos, pois nos deu um único mediador, Jesus Cristo, o qual se entregou em resgate por todos nós. Esta é uma verdade que Paulo prega como essência de seu ministério apostólico. E Paulo dá uma dica de como devemos orar nas assembleias dos fiéis.

ORAÇÃO DO CRISTÃO: Rogo, pois, principalmente que todos façam súplicas, orações, intercessões, ações-de-graças em favor de todos os homens (1). Obsecro igitur primo omnium fieri obsecrationes orationes postulationes gratiarum actiones pro omnibus hominibus. A carta é uma série de recomendações sobre diversos assuntos e o primeiro é de como se deve orar durante a liturgia comum nas assembleias cristãs. Em primeiro lugar, Paulo declara que as orações não devem excluir nenhum homem, formando parte principal das reuniões dos fiéis. Estas orações têm como natureza a SÚPLICA [deësis<1162>=obsecratio] cujo significado é a necessidade, especialmente do mendigo; e daí a súplica própria de quem pede para subsistir.  Uma amostra é o Pai Nosso no início da segunda parte. ORAÇÃO [proseuchë<4335>=oratio ou precatio] é propriamente a petição formal [res sacra] dirigida a Deus em termos gerais, que para um caso particular, usaríamos deësis [petitio]. INTERCESSÃO [enteuxesis<1783>=postulatio], intercessão, petição feita por outros. EUCARISTIA [eucharistia<2169>=gratiarum actio] que não aparece em textos hebraicos e só em gregos como 2 Mc 2, 27 e Eclo 37, 11; pois no lugar de ação-de-graças, os judeus usavam o louvor como em Lv 22, 29, com a palavra todah<08426>= confissão, louvor; e daí o sacrifício de louvor, que a Vulgata traduz por gratiarum actio. É a primeira parte do Pai Nosso.  Paulo deseja que estas súplicas e intercessões sejam feitas por toda classe de homens, sem distinção. Mas, no meio delas, escolhe as mais necessárias para uma vida sossegada, como vemos no versículo seguinte.

OBJETO DA ORAÇÃO: Pelos reis e por todos os que têm superioridade, para que tranquila e sossegada vida vivamos em toda piedade e dignidade (2).  Pro regibus et omnibus qui in sublimitate sunt ut quietam et tranquillam vitam agamus in omni pietate et castitate. SUPERIORIDADE [en yperoche<5247>=in sublimitate] a palavra significa elevação, portanto, será em preeminência, em excelência ou superioridade.  Dentre eles, Paulo destaca os REIS. Em Éfeso propriamente, era o imperador de Roma, o único que podia ter o título de Basileus. Os governadores das províncias recebiam o título de Hegemonos; mas Paulo sabia que todos eles eram necessários para a paz entre os cidadãos e que um território sem governo era um inferno; melhor seria ter um tirano que viver num território acrático. Exemplos atuais: Somália e o Afeganistão. Ainda não estourou a primeira perseguição de Nero e a vida dos cristãos era livre dentro dos limites do Império. Unicamente os judeus se tinham oposto à difusão do evangelho. PIEDADE [eusebeia<2150>=pietas] cujo significado é reverência, respeito; e se o considerarmos em relação a Deus, podemos falar de piedade ou religiosidade. Ou seja, do espírito de reverência devido à presença da divindade. DIGNIDADE [semnotës<4587>=castitas] é a qualidade de uma pessoa que a torna distinguida, respeitável, digna, grave e majestosa, honrada e proba, ou de respeito, como em 1Tm 3,4: criando os filhos sob disciplina com todo respeito. É somente usada essa expressão por Paulo três vezes em duas epístolas as de Timóteo e Tito. De fato, devido ao seu sincretismo em que os romanos admitiam os deuses locais, não como vencidos, mas como associados, o cristianismo encontrou facilidades que se tornaram inimizade entre os judeus.

AGRADÁVEL ORAÇÃO: Porque isto é bom e aceitável diante de nosso salvador, Deus (3). Hoc enim bonum est et acceptum coram salutari nostro Deo. Dois ensinamentos aparecem claros neste versículo: que bom e agradável é a reza pelos dirigentes políticos; pois o fim é a paz social e a liberdade de culto dela ou com ela relacionada. E finalmente, que Deus é o Salvador. Dele, pois, dependemos e a Ele devemos dirigir nossas súplicas.

UNIVERSALIDADE DA SALVAÇÃO: O qual deseja que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade (4). Qui omnes homines vult salvos fieri et ad agnitionem veritatis venire. DESEJA [thelei <2309>=vult] é o verbo que denota vontade, propósito, determinação de fazer com amor e prazer uma coisa ou ação específica. SALVEM [sözö <4982> salvare] do infinitivo passivo que pode ser traduzido por um reflexivo como é no caso; ou melhor, pelo passivo: sejam salvos, cujo ativo é Deus que fará todo o possível para salvá-los. Essa salvação implica a libertação da condena no dia do julgamento final messiânico e dos perigos e obstáculos que obstruíam a recepção da fé em Cristo. É coisa muito diferente dessa libertação sócio/política que os modernos cristãos pró-socialismo têm pretendido na América do Sul, por exemplo. CONHECIMENTO [epignösis<1922>=agnitionem] o grego epignösis [de epi e gnösis] indica um supra conhecimento como tradução literal; ou seja, um conhecimento perfeito. É a palavra usada por Paulo 15 vezes nas suas epístolas e sempre sobre a matéria de coisas éticas ou referentes à divindade. VERDADE [alëtheia<225>veritas]. Objetivamente é a verdade, ou seja, a conformidade da mente e da palavra com os fatos e coisas que existem. Tratando-se de Deus, e do ponto de vista da revelação, é o conjunto das verdades que as escrituras contêm, opostas às interpretações errôneas como são as dos judeus ou heréticas dos cristãos que eram considerados falsos mestres. Subjetivamente, era a virtude contrária à simulação, engano, falsidade e também podemos falar de fidelidade aos princípios e valores conhecidos. Neste caso, se trata de conhecer a verdade fundamental, ou seja, Deus como Salvador por meio de Cristo como nosso mediador, ao qual acedemos pela fé e a entrega amorosa, obrigada pela gratitude de reconhecê-lo como sacrificado por nossa salvação. Verdade que explicará, sucintamente, Paulo nos versículos seguintes 5 e 6.

CRISTO ÚNICO: Um, pois, Deus; um também mediador entre Deus e homens, o homem Cristo Jesus (5). Unus enim Deus unus et mediator Dei et  homo Christus Iesus. Entre as verdades necessárias para a salvação, Paulo cita as duas necessárias e fundamentais: Um só Deus, coincidente na época com a fé judaica; mas também o acesso ao mesmo é único, que Paulo cita como sendo o homem Cristo Jesus. MEDIADOR [mesitës<3316>=mediator] derivado do adjetivo mesos <3319>=meio, entre: é a pessoa que intervém entre duas outras para restaurar a paz e amizade entre elas, ou estabelecer pacto ou convênio entre as mesmas. Paulo usa a palavra com o significado de árbitro e intercessor, três vezes (Gl 3, 19. 20 e esta de 1Tm 2,5), explicando que a proclamação da Torah não foi uma intercessão de anjos, que não foram mediadores, pois o mediador foi Moisés que a transmitiu como sendo a voz de Deus. Mas o novo pacto teve como mediador um outro homem: o Ungido [Messias] Jesus. A noção de mediador, neste caso, está melhor explicada em Hebreus 9, 15 e 12, 24, em que o sangue de Cristo, morto como vítima, foi a aspersão do novo pacto.  E temos: Por isso… Considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus (Hb 3, 1). O sacerdote era o mediador escolhido que através do sacrifício tornava a divindade propícia e disposta a perdoar os pecados do povo. E Jesus, como afirma a carta dos hebreus, é o único e verdadeiro sacerdote da nova Lei. Convinha que em todas as coisas [Cristo] se tornasse semelhante aos irmãos para ser misericordioso e fiel, sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo (Hb 2, 17). Neste versículo, vemos como a humanidade de Cristo, o homem Jesus, foi o elemento fundamental para o seu sacerdócio: para que em todas as coisas se tornasse semelhante aos irmãos, dirá o texto aos hebreus. Terminemos finalmente com Hb 4, 14: tendo Jesus, o Filho de Deus, como sumo sacerdote que penetrou os céus, e fez o que no AT era próprio do Yom Kippur, entrar no Santo dos Santos a morada e Deus com seu povo, num ato de propiciação, oferecendo o sangue da vítima. Cristo, entrou no mais alto dos céus (o novo santo dos santos do novo tabernáculo) oferecendo seu próprio sangue (Hb 9, 12), uma única vez, para sempre, quando se ofereceu a si mesmo (Hb 7, 27). E é único, pois os antigos sacerdotes eram muitos porque a morte lhes impedia permanecer em sua função. E Cristo vive no mais alto dos céus o verdadeiro trono divino, para sempre, em perpétua função de seu sacerdócio eterno, como diz Hb 7, 21: feito sacerdote com juramento por aquele que lhe disse: O Senhor o jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre.

MINISTÉRIO ATUAL: O qual se deu a si mesmo redenção para todos, o testemunho em circunstâncias oportunas (6). Qui dedit redemptionem semet ipsum pro omnibus testimonium temporibus suis. E Paulo, na continuação, descreve qual é atualmente o ministério de Jesus, sacerdote, que foi outrora pagamento por alforria de escravos e agora testemunho do mesmo para evitar a ira divina pelos pecados atualmente feitos. REDENÇÃO [antilytron <487>=redemptio] constitui um dos dogmas centrais do cristianismo: Cristo redentor, pois com sua morte salvou a humanidade da morte e da escravidão do pecado, pagando com o preço de seu sangue, o resgate destinado a satisfazer a justiça divina. De modo que a morte de Cristo foi o sangue derramado para remissão dos pecados (Mt 26, 27). Da fórmula honor est in honorante, injuria in injuriato, é prova de que o pecado chamado mortal, em certo modo, tem uma malícia infinita devido ao objeto pessoal do mesmo que é o próprio Deus, que é desprezado e subvalorizado pela opção desordenada do pecador. Logo, somente uma pessoa com valor infinito é capaz de elaborar completa reparação. Não poderia ser um anjo, mas um homem com valor infinito, como diz Paulo: o Homem Cristo Jesus (Vers. 5), porque em Hb 2, 11 se afirma que quem santifica e os que são santificados são todos um. Assim só um homem que fosse ao mesmo tempo Deus, podia ser o verdadeiro Redentor. O modo da redenção é declarado no credo: desceu dos céus [era Deus] se encarnou [feito homem], padeceu [imolação] e foi sepultado [morte sacrifical]. Foi uma operação teândrica [de theos, divina e de andros, humana], pois sem a participação do homem não haveria satisfação, e sem a dignidade do Deus não seria suficiente. As duas passagens de Isaías: Traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele e pelas suas pisaduras fomos sarados (53, 5) e o meu servo, o Justo justificará a muitos porque as iniquidades deles levará sobre si (53,11), claramente o indicaram no AT; e no NT lemos que não veio a ser servido [como Senhor] mas para servir [como escravo]  e dar sua vida em redenção por muitos [lytron anti pollön] (Mt 20, 28); coisa que Paulo ratifica como fé da primitiva igreja: Justificados gratuitamente [döreran] por sua graça [të autou chariti] mediante a redenção [dia tës apolytröseös] que há em Jesus Cristo (Rm 3, 24). S Anselmo refletindo em Deus homo pode ser considerado como o autor que fez a primeira apresentação sistemática desta doutrina que é chamada realista da redenção. A idealista, inicialmente proposta por Abelardo Socino (1562) é a restauração da vida humana a uma vida imortal divinizada, preferível a considerar a redenção como expiação dos pecados através da morte de Cristo. Mas sempre a realista predominou dentro da tradição da Igreja e inclusive entre os reformadores, de modo que a satisfação vicária é a seguida pelo catecismo da Igreja, contra a Escola Racionalista que vê um espírito de vingança, indigno de Deus, na redenção tradicional. Mas confundem pecado de vingança com virtude de justiça. A voluntariedade do oferecimento de Cristo satisfaz a justiça e tira toda vingança como motivo da Redenção, colocando esta dentro da virtude do amor e da gratuidade, como diz Paulo: me amou e se entregou por mim (Gl 2, 20). O qual pode ser dito de todo fiel cristão. Modernamente há uma redução da redenção, segundo a Teoria da Libertação, a luta entre oprimidos e opressores, reduzindo a paixão e sofrimentos de Cristo a um exemplo e paradigma em favor da justiça social a ser alcançada pela luta de classes dos injustamente tratados pelos que têm o poder e o dinheiro.

PAULO ARAUTO E MESTRE: Para o que fui, eu fui posto anunciador e apóstolo, digo a verdade em Cristo e não minto, mestre das gentes em fé e verdade (7). In quo positus sum ego praedicator et apostolus veritatem dico non mentior doctor gentium in fide et veritate. ANUNCIADOR [kërix<2783>=praedicator] O Kërix era o arauto, mensageiro ou precursor, no sentido de anunciar a vinda ou as mensagens oficiais de reis, magistrados príncipes e comandantes militares. Aqui Paulo, como os arautos das autoridades civis e militares, diz possuir pública autoridade que o constitui o anunciador primeiro e oficial e ao mesmo tempo apóstolo, e MESTRE [didaskalos <1320> =doctor] dos gentios. Isto último ele afirma com um juramento em que põe como testemunha de sua verdade, Cristo, dando a este o lugar que no AT correspondia a Jahveh. Com este final, Paulo retifica todo o dito anteriormente como verdade fundada naquele que a si mesmo se disse ser a Verdade (Jo 14, 6). E não esquece a parte humana de seu trabalho ou ministério: a fidelidade [en pistei<4102>=in fide], acepção primitiva de pistis ou fides e que Paulo considera também em Gl 5, 22 como fruto do Espírito [tradução de RA]. Uma outra interpretação seria ver a fé como a palavra que prega Paulo junto com a verdade (vide Rm 10, 8 e Gl 3,2).

OS HOMENS: Quero, pois, que os varões orem em todo lugar levantando santas mãos fora de ira e disputa (8). Volo ergo viros orare in omni loco levantes puras manus sine ira et disceptatione. Neste parágrafo, Paulo fala só de homens no sentido sexual de VARÕES. Possivelmente a oração é pública dentro da assembleia, como ele recomenda em 1 Cor 14, 24 que as mulheres calem, pois não lhes é permitido falar, devem estar submetidas aos seus maridos, segundo o que lemos em Gn 3, 16: teu desejo te arrastará a teu marido que te dominará. Paulo, que afirma a Lei [o Pentateuco] como sendo inútil para a salvação, não obstante, dela toma a palavra de Deus como ainda válida na nova Lei. O versículo diz respeito ao oráculo de Malaquias: desde o nascente do sol até o poente é grande entre as nações o meu nome e em todo lugar lhe é queimado incenso e trazidas ofertas (1, 11) e a palavra de Jesus: vem a hora quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai… em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade (Jo 4, 21-23). Contrariamente ao que os judeus afirmavam: As portas do céu só se abrem na terra de Israel. As preces sem terra [israelita] não têm como subir ao Senhor, mas se os israelitas as enviam de terra não pertencente a Jerusalém, unicamente quando chegam a Jerusalém são enviadas ao santuário e daí ascendem ao céu (Shaare Ors). E tem muitas normas para as preces particulares de modo que não devem ser dirigidas de lugares sujos ou fedorentos (Maimônides). LEVANTANDO AS MÃOS, seguindo o exemplo de Abraão que respondeu ao rei de Sodoma: Levanto a mão ao Senhor, o Deus Altíssimo, o que possui os céus e a terra (Gn 14, 22). Este gesto era também comum entre os gentios. Os judeus só podiam levantar as mãos em oração, embora pudessem orar sem levantar as mãos. Jesus orava levantando os olhos ao céu, como vemos em Mt 14, 29. As mãos deviam ser puras e sem nenhum crime ou pecado. Dirá Isaías: Quando estendeis as mãos escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade dos meus olhos; cessai de fazer o mal (Is 1, 15-16). O costume, além das mãos estarem em conformidade com o coração, é que deviam estar limpas, de modo que os judeus as lavavam antes de orar, e como sempre, o ato externo de lavar era mais importante que o interno de purificar o coração. Segundo Maimônides, antes de orar as mãos devem ser lavadas até o cotovelo com água e se não existir água, dentro de uma área de 4 milhas, deve o orante esfregar as mãos. E antes da oração da manhã, não só as mãos, mas a cara e os pés devem ser lavados e só então devem ser recitadas as preces. Paulo não se importa com a limpeza externa, mas com a purificação interior: sem IRA NEM DISPUTA [chöris orgës <3709> kai dialogismou<1261>=sine ira et disceptatione]. IRA: Orgë é ira, cólera, raiva. Paulo está na linha de Jesus, o Mestre, que manda: se ao trouxeres ao altar a tua oferta te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferenda; vai primeiro reconciliar-te com teu irmão (Mt 5, 23-24). E que em termos familiares, Pedro afirma pedindo aos maridos que tenham consideração para com as mulheres como parte mais frágil, tratando-as com dignidade, porque sois juntamente herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações (1Pd 3, 7). DISPUTA: Dialogismos: raciocínio, deliberação, questionamento; ou hesitação, dúvida; ou disputa e controvérsia. Pela primeira palavra ira devemos ter um significado correspondente. De Maimônides, o grande comentarista de ritos e leis judaicas, temos esta nota esclarecedora: Os homens não devem orar de pé, nem com riso, nem de modo leviano, conversas, contenções ou ira: mas com as palavras da lei. E rabi Chanina: Num dia de ira um homem não deve rezar. Tudo isto está claro na grande oração de Jesus, o Pai Nosso: Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos os nossos ofensores (Mt 6,12), que também Lucas repete em 11, 4. O perdão do inimigo é uma condição necessária para que a oração tenha a eficácia que Jesus prometeu: Pedi e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á (Mt 7, 7).

Evangelho (Lc 16, 1-13)
O ADMINISTRADOR INCOMPETENTE [Negligente]

INTRODUÇÃO: Dizia também a seus discípulos: Certo homem era rico, o qual tinha um administrador e este lhe foi denunciado como defraudando os seus bens (1). Dicebat autem et ad discipulos suos homo quidam erat dives qui habebat vilicum et hic diffamatus est apud illum quasi dissipasset bona ipsius. ADMINISTRADOR [oikonomon <3623>=vilicum] é o mordomo ou despenseiro de casa, também tesoureiro, que em geral era um liberto ou escravo, a quem o dono da casa entregava a gerência da casa, os recibos e gastos, junto com a direção dos empregados e até dos filhos ainda pequenos. A terra era nos tempos de Jesus a base da riqueza de modo que os soldados romanos recebiam como prêmio após sua aposentadoria (25 anos) terras para cultivar. Ou recebiam 12 anos de paga como compensação. A mão-de-obra era barata, constituída pelos escravos de guerra; e a maioria dos novos amos, que nada ou pouco sabiam de agricultura, deixavam suas propriedades nas mãos de administradores. Como exemplo, temos, nos tempos do Imperador Trajano, após as guerras da Dácia [Romênia ocidental], que teve em suas mãos 500 mil escravos que podiam servir nos novos assentamentos dos soldados e somas consideráveis de ouro e prata. Para comemorar a conquista mandou esculpir a coluna trajana com 200m de esculturas nas quais ele mesmo saia 70 vezes. Por essa vitória, o Imperador recebeu o nome de Dácio e os romanos tiveram 123 dias de espetáculos no anfiteatro. A palavra oikonomos significa um administrador-superintendente de modo que todos os problemas da casa e dos bens estivessem dirigidos a uma economia tanto de mercado como de supervisão de comidas e criados dentro da casa. Geralmente os administradores eram escravos de confiança ou libertos, já que um romano considerava o ofício indigno de um cidadão do império. Esperava-se dos administradores um bom rendimento dos bens a eles confiados. O pago dado ao administrador era um tanto por cento dos bens envolvidos nos negócios. Como não era permitida a usura existia um método para burlar a lei e os fiscais. O produto vendido era quantificado com um valor superior ao real. Exatamente como hoje se acostuma fazer com os orçamentos públicos para engordar os funcionários desonestos. DEFRAUDANDO [diaskorpizo <1287>=dissipare] A tradução do verbo diaskorpizo é espalhar ou dispersar; portanto o administrador não é um ladrão, que se aproveita para se enriquecer, ou seja, infiel, mas um irresponsável ou negligente em suas funções de modo que o lucro que esperava o dono não foi obtido. Lembra a parábola dos talentos em Mateus (25, 15) ou das minas em Lucas (19, 13). Traduzir por infiel predispõe a uma interpretação errônea da parábola. Mais: temos que estudar os costumes da época para saber quem eram os administradores e qual o seu ofício e então entendermos melhor o sentido da parábola, e portanto, a conclusão da mesma, que é o importante em todo exemplo bíblico.

AS CONTAS: E tendo-o chamado, lhe disse: Que (é) isto que ouço de ti? Presta contas de tua administração. Pois não poderás administrar mais (2). Et vocavit illum et ait illi quid hoc audio de te redde rationem vilicationis tuae iam enim non poteris vilicare. A competência em nosso caso era deficiente. O dono não estava contente e decidiu substituí-lo. Temos o exemplo de S. Calisto, Papa, que foi um escravo a quem seu dono Carpóforo, alto funcionário do palácio imperial, colocou à frente de uma banca. Calisto perdeu o dinheiro do amo e o que os cristãos lhe confiaram. Foge; mas, encontrado, é encerrado no xadrez de onde seu amo o tira reconhecendo a probidade do escravo. Calisto recobra os bens que os judeus, enganando-o, tinham maldosamente se apropriado. Os judeus se vingam denunciando-o como cristão e o Imperador Cômodo o manda para as minas da Cerdanha. Daí saiu por um edito de liberdade que Márcia, a favorita do imperador, conseguiu. De volta a Roma foi para Anzio para evitar a vingança dos judeus. O Papa Zeferino em 198 o torna seu secretário, conselheiro e administrador dos bens da Igreja, que defendeu através do artifício das catacumbas [daí a de S. Calisto], pois o novo imperador Septímio Severo reconhecia as funerárias como corporações legítimas, independentemente de sua religião. Calisto foi considerado como um gênio administrador e organizador. Precisamente por ser um ex-escravo, os fiéis o escolheram como Papa em lugar de Hipólito, escritor e grande de Roma, pelo qual este último se rebelou, formando um partido cismático. Hipólito é por isso considerado o primeiro anti-papa. Ambos se distanciaram na doutrina em que o rigorismo de Hipólito não perdoava os apóstatas, os adúlteros e os homicidas, e Calisto se inclinava por perdoar o pecado, mas impor uma severa penitência. Calisto assim como Hipólito, terminaram suas vidas como mártires. Calisto foi deposto e lançado ao poço da casa.

A DECISÃO: Então disse para si o administrador: Que farei, porque o meu dono me tira a administração? Não posso cavar. Envergonho de mendigar (3). Ait autem vilicus intra se quid faciam quia dominus meus aufert a me vilicationem fodere non valeo mendicare erubesco. O administrador demitido pensou nas duas coisas que na época existiam como meio de sobreviver: um emprego no campo como simples camponês ou recorrer à esmola como faziam muitos cidadãos em Roma. Desde a República existia a annona ou distribuição de trigo aos necessitados. Era uma prática considerada como dever do Estado que não só protegia os setores mais desfavorecidos economicamente, mas também prevenia as revoltas sociais. Os ediles realizavam o aprovisionamento e até se encarregavam de importar o trigo suficiente para a distribuição que era vigiada pelos curatores frumenti de modo a corrigir os abusos. A instituição se conservou até o final do império Romano. Não sabemos se existia alguma coisa parecida na Palestina, mas parece que houve situações em que o governo distribuiu alimentos em tempo de fome, pois Herodes o Grande até vendeu seus talheres de prata para comprar trigo. O Nosso administrador ao ser revogado de seu ofício se transformava em pedinte comum.

O ARDILOSO COMPORTAMENTO: Conheço que farei para que quando for removido me recebam em suas casas (4). Scio quid faciam ut cum amotus fuero a vilicatione recipiant me in domos suas. E tendo chamado cada um dos devedores do seu dono, disse ao primeiro: quanto deves ao meu amo? (5). Convocatis itaque singulis debitoribus domini sui dicebat primo quantum debes domino meo. Mas ele bolou um plano inteligente: tornar-se-ia cliente de seus ricos devedores. Os clientes eram as pessoas que após a salutatio de manhã recebiam o pão e a cebola para o dia ou uma cesta de comida no lugar do mesmo. Ou talvez pretendesse o cargo de administrador dos novos amigos assim ganhos à sua causa. Para isso mandou vir os que eram devedores do seu dono e da dívida retirou suas ganâncias que ele já não podia receber por ter perdido o emprego. O salário era próprio dos trabalhadores manuais. Este não era o caso dos administradores; mas existia uma retribuição que compensava as horas dedicadas. Um exemplo era o que sucedia com os professores ou pedagogos. Sem salário fixo, eles recebiam uma compensação porque poderiam ter trabalhado em outros menestréis e receber um salário apropriado. Eram as perdas que eram pagas e não o trabalho. O modo de proceder do administrador não era pois, um roubo, mas um estratagema bem bolado. Por isso podia ser admirado pelo seu senhor sem que pudesse ser acusado de ladrão.

UMA IDEIA RADIANTE: Ele então disse: cem bats de azeite. E disse-lhe: toma a tua conta e sentado, logo escreve cinquenta (6). At ille dixit centum cados olei dixitque illi accipe cautionem tuam et sede cito scribe quinquaginta. Depois a um outro disse: Tu pois, quanto deves? Ele então disse: Cem coros de trigo. E diz-lhe: toma a tua conta e escreve oitenta (7). Deinde alio dixit tu vero quantum debes qui ait centum choros tritici ait illi accipe litteras tuas et scribe octoginta. AS QUANTIDADES PERDOADAS: Parece que perdoa mais ao que deve 100 bats de azeite, aproximadamente 4 mil litros; pois o bat era uma medida  de capacidade de líquidos que equivalia a 40 litros, igual a metreta latina. A medida de sólidos era o coro equivalente a 400 l de modo que os cem coros de dívida equivaliam a 40 mil litros. O perdão do azeite era de 200 l e o de trigo de 800 l, quatro vezes mais em quantidade; mas considerando que os preços eram diferentes, temos que os 800 l de trigo equivaliam aos 200 l de azeite. Era provavelmente o dinheiro correspondente ao que o administrador deveria ganhar. Por isso o comentário do dono é só de louvor ante a perspicácia do seu antigo empregado, sem taxá-lo de ladrão. Aliás, a palavra latro latina era como se designava os soldados de suas legiões, que pelos saques e tropelias por eles cometidos, teve depois um significado restrito aos que se apropriavam dos bens alheios.

O LOUVOR DO DONO: E louvou o dono o administrador da iniquidade porque fez sensatamente; já que os filhos deste tempo (são) mais sensatos que os filhos da luz, em sua geração (8). Et laudavit dominus vilicum iniquitatis quia prudenter fecisset quia filii huius saeculi prudentiores filiis lucis in generatione sua sunt. O antigo empregador comentou elogiosamente a conduta que apontou como prudente [fronimos], sensata, judiciosa ou sábia, por previdente. CONCLUSÃO 1ª): OS FILHOS DESTE SÉCULO [aion <165> =saeculi]] são mais sábios que os filhos da luz em sua geração. A palavra aion designa tempo, duração, vida, século, idade, geração. As diversas traduções como a latina dizem: os filhos deste século são mais prudentes que os filhos da luz nesta geração. A tradução da bíblia de Jerusalém: os filhos deste século são mais prudentes com sua geração do que os filhos da luz. A espanhola: Os filhos do mundo são mais sagazes em suas relações que os filhos da luz. Que se entende por filhos deste século, ou mundo?  A frase filhos deste século [aion] sai duas vezes em Lucas. Uma aqui e outra em Lc 20, 34. Segundo Lc 18, 30 o século [aion] é oposto ao tempo presente [kairós]. Podemos afirmar que aion significa uma etapa, uma era. Os filhos desta etapa são os que mais tarde são descritos como os que escolheram a maimona (13). Os outros são os filhos da luz, que têm uma conotação parecida com os que descrevem os essênios como opostos aos filhos das trevas. A frase sobre a luz como unida a Cristo, sai em Jo 8, 12  quando Jesus afirma que ele é a luz e quem o segue não andará nas trevas, pelo contrário terá a luz da vida. Paulo fará uma distinção entre o homem psychikós [natural] e o homem pneumatikós [espiritual] que é a mesma distinção que Lucas faz neste evangelho. Vemos nesse trecho como o administrador prepara seu futuro, fazendo amigos de modo a ter uma aposentadoria por assim dizer garantida. Como prepara seu futuro o seguidor de Cristo? A isso dá resposta a segunda conclusão.

OS AMIGOS: Pois eu vos digo: Fazei para vós amigos da mamona da iniquidade para quando falharem vos recebam nas tendas eternas (9). Et ego vobis dico facite vobis amicos de mamona iniquitatis ut cum defeceritis recipiant vos in aeterna tabernacula. CONCLUSÃO 2a): FAZER AMIGOS: Do modo que o administrador fez amigos para um futuro tranquilo, devem também os filhos da luz, seguidores de Cristo, fazer amigos para que seu futuro seja o mais seguro e ditoso possível. Devem procurar fazer amigos da riqueza [Mamona] da iniquidade      [tes adikias]. A palavra mamona não é grega, mas sua origem é semita. É usada no grego em singular e aparentemente indeclinável. A vulgata não traduz a palavra, a usa também em singular e a declina como da 1a declinação. As traduções das diversas línguas traduzem por riquezas  em plural ou dinheiro em singular. A mais fiel é a inglesa que conserva o mammon. É uma palavra de origem aramaica mamon ou mamona. Seu significado primitivo seria objeto ou pessoa em que se pode confiar. Daí que Lucas diga confiar [pistoi] em objeto [de adikia = injusto de confiança] (11). Em Eclo 42, 9 significa riqueza. E no Targum se traduz por fazenda, ganância. S. Agostinho dirá que também era usado em fenício como o dinheiro de resgate de um escravo. O apelativo de iníquo é devido ao influxo contrário com que disputa o coração do homem para afastá-lo de Deus. Em Coelet 5, 8 lemos: A riqueza [traduzido por abundância] da terra pertence a todos. Marcos vê nas riquezas uma sedução, um engano quase impossível de se evitar (4, 18). O Coelet diz em 27, 2 Muitos pecam por amor ao lucro. Aquele que procura enriquecer-se se mostra implacável. A expressão riquezas injustas é de Sirac 5, 8: Não confies nas riquezas injustas, porque não te servirão para nada no dia da desgraça. O grego dos setenta diz  epi chremasin adikois. Pois a palavra chremata,  em plural, indicava riquezas. Daí provém a palavra castelhana crematística que pode ser traduzida ao português por pecuniário. A palavra adikiais [maldosas] é traduzida por mal adquiridas ou injustas como se a causa da obtenção fosse uma injustiça social, quando na realidade se trata mais de riquezas enganosas, pois não podem salvar o homem na hora mais angustiosa como é a da morte. Em que sentido elas são descritas como mammona tes adikias [bens da iniquidade] por Jesus, pois aparentemente a frase é uma autêntica palavra do Mestre? São riquezas mentirosas que iludem os homens e, portanto iníquas, maldosas. Basta esta mentira que em si encerra para titularem as mesmas como riquezas iníquas. Em Marcos 4, 19 são chamadas enganosas [apate]. É delas que se servem os prudentes do reino para adquirir amigos que à semelhança dos agradecidos pela ação do administrador incompetente, receberão os seus benfeitores nas suas tendas que são as eternas.

DO POUCO PARA O MUITO: O fiel em mínimo também em muito é fiel; e o em mínimo iníquo também em muito iníquo é (10). Qui fidelis est in minimo et in maiori fidelis est et qui in modico iniquus est et in maiori iniquus est.  Se pois,  não fostes fiéis quanto ao mammona enganoso, quem vos confiará o verdadeiro? (11). Si ergo in iniquo mamona fideles non fuistis quod verum est quis credet vobis. E se não fostes fiéis quanto ao alheio quem vos dará o vosso? (12). Et si in alieno fideles non fuistis quod vestrum est quis dabit vobis. 3a) DO POUCO PARA O MUITO: parece que esta sentença de quem é fiel no mínimo será fiel no muito etc. é uma frase que foi acrescentada e tomada da parábola das minas (19, 17). É uma tese para deduzir a conclusão imediata: Se não fostes fiéis quanto ao mammona enganoso, quem vos dará o verdadeiro [como administradores] (11)? Como vemos, existe uma oposição entre o falso e o verdadeiro dinheiro; por isso a nossa tradução de enganoso ou falso da palavra adikias tem uma base real. O relativo Quem indica muito provavelmente Deus. Deus olha o comportamento atual para dar uma recompensa futura e total.  Se não fostes fiéis no alheio, quem vos dará o próprio (12)? É uma frase difícil de interpretar. À vista do administrador da parábola que gerencia bens alheios, podemos dizer que a frase é uma reflexão sobre como a gerência de bens temporais da frase anterior determina a gerência última de bens que são inatos e acompanham sempre a pessoa, como a pele rodeia o corpo. Estes bens são evidentemente a fé e a pertença ao Reino. Somente os verdadeiros ricos, que não se deixam envolver pela sedução das riquezas, serão dignos de entrar no Reino.

MORAL DA HISTÓRIA: Nenhum empregado pode servir a dois senhores. Pois odiará a um e amará o outro ou se apegará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao mammona (13). Nemo servus potest duobus dominis servire aut enim unum odiet et alterum diliget aut uni adherebit et alterum contemnet non potestis Deo servire et mamonae. Jesus explica quem são esses senhores: Deus e Mammona. Todo o anterior serve para esta conclusão que é definitiva. Também Mateus nos apresenta a mesma declaração em 6, 24. O grego em ambas as passagens só se diferencia porque Lucas fala de nenhum empregado devido ao qual é feito a conclusão de uma parábola, enquanto Mateus generaliza a afirmação com o absoluto, ninguém. De uma situação puramente humana e racionalmente lógica, Lucas tira uma conclusão que é absoluta em termos de contradição. Deus e as riquezas, estas sem distinção de procedência, são termos opostos. Ou servimos a Deus ou servimos às riquezas, mas as duas coisas ao mesmo tempo não são possíveis.

PISTAS:

1) Dizia um padre num de seus sermões: Ou abraçamos a pobreza ou abraçamos os pobres. Para a grande maioria a pobreza é o caldo de cultivo de suas vidas. Entendemos por pobres aqueles que devem trabalhar para poder viver. Os que não querem trabalhar não comam, dirá Paulo em 2 Ts 3,10. Então teremos que dizer: Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino. A eles devemos pregar para que não se deixem iludir pela sedução das riquezas (Mc 4, 19).

2)  Os ricos têm no evangelho de hoje um exemplo para, quando a aposentadoria da vida chegar a termo, encontre amigos que os recebam nas moradas eternas: fazer bom uso das riquezas. Elas não formam parte íntima do homem. Devem ser abandonadas e os ricos são meros administradores das mesmas. Um dia teremos que dar conta da administração. Assim como o administrador deu parte ou tudo do que era seu para adquirir amigos, da mesma forma devemos também fazer amigos com essas riquezas que não nos pertencem, mas que administramos.

3) O que não é necessário para uma vida digna segundo nossa classe social da qual fazemos parte, pertence aos pobres. O luxo é uma afronta e um pecado. Porque esse luxo precisamente como supérfluo pertence aos necessitados e estamos roubando o que estamos esbanjando. E estamos dando um péssimo exemplo que causa inveja, um vício, e não admiração ou uma virtude.


EXCURSUS: NORMAS DA INTERPRETAÇÃO EVANGÉLICA

- A interpretação deve ser fácil, tirada do que é o evangelho: boa nova.

- Os evangelhos são uma condescendência, um beneplácito, uma gratuidade, um amor misericordioso de Deus para com os homens. Presença amorosa e gratuita de Deus na vida humana.
- Jesus é a face do Deus misericordioso que busca o pecador, que o acolhe e que não se importa com a moralidade ou com a ética humana, mas quer mostrar sua condescendência e beneplácito, como os anjos cantavam e os pastores ouviram no dia de natal: é o Deus da eudokias, dos homens a quem ele quer bem e quer salvar, porque os ama.

Interpretação errada do evangelho:

- Um chamado à ética e à moral em que se pede ao homem mais que uma predisposição, uma série de qualidades para poder ser amado por Deus.
- Só os bons se salvam. Como se Deus não pudesse salvar a quem quiser (Fará destas pedras filhos de Abraão).

Consequências:

- O evangelho é um apelo para que o homem descubra a face misericordiosa de Deus [=Cristo] e se entregue de um modo confiante e total nos braços do Pai como filho que é amado.
- O olhar com a lente da ética, transforma o homem num escravo ou jornaleiro:aquele age pelo temor, este pelo prêmio.
- O olhar com a lente da misericórdia, transforma o homem num filho que atua pelo amor.
- O pai ama o filho independentemente deste se mostrar bom ou mau. Só porque ele é seu filho e deve amá-lo e cuidar dele.
- Só através desta ótica ou lente é que encontraremos nos evangelhos a mensagem do Pai e com ela a alegria da boa nova e a esperança de um feliz encontro definitivo. Porque sabemos que estamos na mira de um Pai que nos ama de modo infinito por cima de qualquer fragilidade humana.


FAÇA UMA DOAÇÃO AO NPDBRASIL...
AJUDE-NOS A CONTINUAR NOSSA OBRA EVANGELIZADORA!
A Comunidade NPDBRASIL precisa de você!
Clique aqui e saiba como fazer ou clique no botão abaixo...




CAMPANHA DA VELA VIRTUAL DO SANTUÁRIO DE APARECIDA


CLIQUE AQUI, acenda uma vela virtual, faça seu pedido e agradecimento a Nossa Senhora Aparecida pela sagrada intercessão em nossas vidas!



QUE DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje! Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

.
ARTE E CULTURA
RELIGIÃO CATÓLICA
Ajuda à Catequese
EVANGELHO DO DIA
ANO DA EUCARISTIA
AMIGOS NPDBRASIL
COM MEUS BOTÕES
LIÇÕES DE VIDA
Boletim Pe. Pelágio
À Nossa Senhora
Orações Clássicas
Consagrações
O Santo Rosário
Devoção aos Santos
Fundamentos da Fé
A Bíblia Comentada
Os Sacramentos
O Pecado e a Fé
Os Dez Mandamentos
A Oração do Cristão
A Igreja e sua missão
Os Doze Apóstolos
A Missa Comentada
Homilias e Sermões
Roteiro Homilético
Calendário Litúrgico
O ANO LITÚRGICO
Padre Marcelo Rossi
Terço Bizantino
Santuário Terço Bizantino
Santuario Theotókos
Mensagens de Fé
Fotos Inspiradoras
Bate-Papo NPD
Recomende o site
Envie para amigos
 
Espaço Aberto
 
MAPA DO SITE
Fale conosco
Enviar e-mail
Encerra Visita
 

 


Voltar

 


Imprimir

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...


Voltar
Página Inicial |Arte e Cultura | Literatura | BOLETIM MENSAL

Parceiros | Política de Privacidade | Contato | Mapa do Site
VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...
Design DERMEVAL NEVES - © 2003 npdbrasil.com.br - Todos os direitos reservados.