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Índice desta página:
Nota: Cada seção contém Comentário, Leituras, Homilia do Diácono José da Cruz e Homilias e Comentário Exegético (ou Estudo Bíblico) extraído do site Presbíteros.com

. Evangelho de 14/09/2014 - Festa de Exaltação da Santa Cruz
. Evangelho de 07/09/2014 - 23º Domingo do Tempo Comum


Acostume-se a ler a Bíblia! Pegue-a agora para ver os trechos citados. Se você não sabe interpretar os livros, capítulos e versículos, acesse a página "A BÍBLIA COMENTADA" no menu ao lado.

Aqui nesta página, você pode ver as Leituras da Liturgia dos Domingos, colocando o cursor sobre os textos em azul. A Liturgia Diária está na página EVANGELHO DO DIA no menu ao lado.
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14.09.2014
SETEMBRO - MÊS DA BÍBLIA
24º DTC - DOMINGO DE EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ — ANO A
( VERMELHO, GLÓRIA, CREIO, PREFÁCIO PRÓPRIO – OFÍCIO DA FESTA )
__ "É necessário que o Filho do Homem seja levantado" __

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

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NOTA ESPECIAL: VEJA NO FINAL DA LITURGIA OS COMENTÁRIOS DO EVANGELHO COM SUGESTÕES PARA A HOMILIA DESTE DOMINGO. VEJA TAMBÉM NAS PÁGINAS "HOMILIAS E SERMÕES" E "ROTEIRO HOMILÉTICO" OUTRAS SUGESTÕES DE HOMILIAS E COMENTÁRIO EXEGÉTICO COM ESTUDOS COMPLETOS DA LITURGIA DESTE DOMINGO.

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Celebramos, hoje, irmãos e irmãs, a solenidade da Exaltação da Santa Cruz. É uma solenidade conhecida desde longa data, desde os primeiros séculos da Igreja. A atual solenidade tem uma finalidade bem clara: glorificar a Deus, porque pela Cruz de Jesus Cristo, podemos participar da Salvação que ele nos oferece. Deus escolhe o caminho da cruz para manifestar o amor e comunicar a vida. A cruz de Cristo é, portanto, o anúncio do projeto de Deus concretizado em Jesus de Nazaré. Contudo, essa solenidade não deixa de ser também uma denúncia de todas as formas de opressão que não levam à vida, e um desafio para quem se compromete com Jesus.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Hoje celebramos a Festa da Exaltação da Santa Cruz, em memória do encontro, pela Imperatriz Santa Helena, mãe do Imperador Constantino, da verdadeira Cruz em que morreu nosso Redentor. Consideremos também que um dos primeiros nomes dados ao Brasil foi Terra de Santa Cruz. Abracemos pois a cruz de Cristo e assumamos nossa cruz de cada dia, fonte de vida e verdadeira alegria.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: A exaltação da cruz tem por objetivo glorificar Jesus por seu testemunho de adesão incondicional ao querer do Pai. Só é capaz deste gesto quem acolheu a salvação de que é portadora, e deseja mostrar-se agradecido a Jesus, por tamanha prova de amor. Quem se dispõe a abrir o coração e deixar a cruz dar seus frutos de vida e salvação, irá beneficiar-se do amor infinito que o Pai demonstrou pela humanidade pecadora.

Sentindo em nossos corações a alegria do Amor ao Próximo, cantemos cânticos jubilosos ao Senhor!


PRIMEIRA LEITURA (Números 21,4-9): - "Pecamos, murmurando contra o Senhor e contra ti."

SALMO RESPONSORIAL 77(78): - "Das obras do Senhor, ó meu povo, não te esqueças!"

SEGUNDA LEITURA (Filipenses 2,6-11): - "para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos"

EVANGELHO (Mt 18,15-20): - "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna."



Homilia do Diácono José da Cruz – 24º Domingo do Tempo Comum – Ano A

"CRUZ: A VITÓRIA DO AMOR!"

Afirmar, antes do século IV, que Jesus foi um vencedor na cruz do calvário, era passar-se por ridículo, fazer zombaria com a desgraça e a tragédia que se abateu sobre o Nazareno. Na própria comunidade cristã, o uso da cruz como símbolo cristão, só viria após esse período. Falar de alguém que morreu numa cruz, ser seguidor de suas idéias e ensinamentos, era empreender uma caminhada incerta que poderia terminar em fracasso, pois antes da conversão do imperador Constantino, o Cristianismo era considerado uma seita.

Há uma linha crescente no evento Jesus de Nazaré, que começa com o seu batismo, prolongando-se nos grandes prodígios que realizou inclusive a ressurreição de mortos, que atinge o seu ápice quando o povo vê nele os sinais messiânicos aclamando-o como rei na subida para Jerusalém, cuja entrada triunfal era a concretização do ideal de libertação, sonhado e alimentado no coração do povo. Entretanto, esse evento marcou na verdade o início de uma tragédia, que iria culminar com a morte humilhante e vergonhosa na cruz do calvário.

A cruz foi assim, até o século IV o símbolo do fracasso e da vergonha, porém, no evento pós- pascal, os seguidores de Jesus, os discípulos e todos os que professavam nele a sua fé, são convidados agora a olhar para o lenho da cruz com um olhar diferente, iluminado pela glória da ressurreição.

Um olhar que transcende o próprio objeto, enxergando no crucificado a concretização do projeto de Deus, seria, portanto o ápice da glória do Filho do Homem, o momento da sua morte na cruz, ilumina a existência humana dando-lhe um novo sentido e mostrando a vocação do homem, criado a imagem e semelhança de Deus, à plenitude do amor.

Os que rejeitavam Jesus, sua pessoa e seu anúncio revolucionário, ao ser levantada a cruz no alto do Gólgota, enxergaram apenas um homem agonizante, um derrotado que o poder Imperial e Religioso fez calar a boca, o poder religioso tinha boas razões para querer acabar definitivamente com Jesus, ele ousara falar de uma salvação que não passava pelos padrões religiosos do Povo de Israel, e isso era imperdoável.

Entretanto, aquela cruz, sinal de aparente fracasso, torna-se a maior e mais explícita declaração de amor de Deus pela humanidade, e nesse caso, o homem olhando para o crucificado, sentindo-se tocado em seu íntimo por um tão grande amor, reconhecerá em Jesus, esmagado na cruz, a glória de um amor nunca antes conhecido por nenhum homem, nesse sentido, deve-se olhar para a cruz com o coração.

Contrariando o princípio imperialista da desigualdade social, que facilita a classe dominante, o cristianismo se fundamenta na igualdade e justiça social, a partir da liberdade. Nesse sentido o Deus dos Cristãos é o Deus Libertador, que assim manifestou-se no fato histórico do Povo Hebreu no Êxodo do Egito, uma prefiguração da libertação plena do mal do pecado, que Jesus, o novo Moisés realizou.

Confiança e fidelidade na ação Divina a favor do povo oprimido e explorado é o que as leituras desse domingo nos pedem, os deuses de ontem e de hoje, apesar de muito sedutores, conduzem o povo à morte, como as serpentes do deserto. Há um só Deus Criador, Redentor, Libertador, que pode salvar o homem: é Jesus, o Filho de Deus, encarnado na história do homem. A salvação e a libertação está disponível à todo homem que crer nele.

Olhar para a cruz com um olhar de esperança e fé, é um grande desafio, porque os olhos da carne vislumbram apenas um homem derrotado, esmagado, destruído pelo poder do mal, mas o olhar de fé sabe vislumbrar, além do fracasso a glória que envolveu Jesus, no preciso momento em que o Pai foi glorificado, porque seu amor, presente no mistério, oculto desde toda a eternidade, agora se torna visível, sendo impossível não crer nesse amor, pois como afirma João – Deus é amor e somente um amor grandioso como o de Jesus, foi capaz de tão grande sacrifício, a favor dos homens, transformando o fracasso da cruz na maior de todas as vitórias sobre o mal, de maneira definitiva. (Exaltação da Santa Cruz João 3, 13-17)

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Rodrigues Costa – 24º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Exaltada seja a Santa Cruz!

A figura do alemão Odo Casel (1886-1948) é bastante conhecida pelos liturgistas. Nasceu em 1886 em Cobienz Lützel. Foi monge beneditino, sacerdote, doutor em filosofia e em teologia, um teólogo bastante original. O mistério do culto cristão (1932) é, talvez, a sua obra mais conhecida, e, no entanto, a sua doutrina sobre o mistério também aparece naquela obra póstuma titulada O mistério da Cruz (1954), talvez pouca conhecida. O Pe. Casel morreu em 1948 enquanto celebrava a Vigília Pascal na Abadia das beneditinas da Santa Cruz de Herstelle.

É indiscutível que uma atitude contemplativa é muito importante na liturgia. Talvez o mais importante, no que diz respeito à liturgia, nos dias atuais, seja descobrir que essa atitude é a essencial daquilo que chamamos com razão participação ativa. Quem contempla o Mistério de Deus procurando entendê-lo e amá-lo na oração, participa ativamente na Sagrada Liturgia. Logicamente, apresentar a contemplação como elemento essencial da participação ativa na liturgia não exclui outros aspectos também importantes dessa participação.

A Cruz e o Mistério de Deus encontram-se intimamente unidos. A Cruz é reveladora tanto da grandeza de Deus quanto da feiúra do pecado. Casel nos mostra o Mistério da Cruz em relação com o Mistério da Igreja, Corpo de Cristo que nasceu do seu Sangue Preciosíssimo na Cruz: a Igreja é concorpórea de Cristo. E a graça chega até nós através do Mistério da Cruz, motivo suficiente para que amemos a Santa Cruz. No seguimento do Crucificado, o cristão vive no Espírito Santo, e não na carne. Aquele que renasceu “da água e do Espírito” (Jo 3,5) sabe que nasceu para as realidades superiores. Para conseguir chegar até lá tem que lutar e mortificar-se naquilo que tem de carnal.

Celebrar a exaltação da Santa Cruz é celebrar a exaltação da humilhação. Essa afirmação não é contraditória? Muitos viram na Cruz e na sua celebração festiva uma contradição; essa maneira de ver as coisas, os levou a renegar a Cruz em nome da vida segundo esse mundo. No entanto, a vida segundo esse mundo termina geralmente em angustia, desespero e morte. A Cruz nos introduz em outra percepção de valores e nos faz passar através das vicissitudes presentes com o olhar fixo nas realidades que nos esperam. Deus falou por meio da Cruz, isto é, por meio do mistério do seu Filho morto e ressuscitado. Ele quer introduzir-nos na Vida pela Cruz. Certo é que, noutros tempos, a cruz era uma miséria, sem brilho e objeto de maldição, mas, Cristo, ao abraçá-la, consagrou-a e abençoou-a. Até os nossos dias, abençoamos com a Santa Cruz: em nome do + Pai e do + Filho e + do Espírito Santo. Amém.

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético – 24º Domingo do Tempo Comum – Ano A
(Extraído do site Presbíteros)

Não publicado...

Publicação Especial - Apologética | Moral
(Extraído do site Presbíteros)

A beleza da virtude

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa

1948. Festividade de São José, 19 de março. Douglas Hyde[i] se convertia à Igreja Católica. Por ocasião da sua conversão recebeu umas 900 cartas manifestando diversas opiniões e felicitando-o. Esse gentleman fora um dos principais dirigentes comunistas ingleses. Não obstante, vivia numa duplicidade: fervor intenso pelo partido comunista e atração ao extremo pela Idade Média. Paulatinamente, as suas leituras levaram-no a autores como Chesterton e Hilarie Belloc. Devido à influência desses dois autores, Hyde passou do comunismo à aceitação da propriedade privada.

Certo dia lhe encarregaram a redação de uma crítica à Igreja Católica como instituição que se opunha ao século XX. Não conseguia escrever! As leituras feitas já influenciavam assaz sobre a sua maneira de pensar. Uma noite, sua esposa, também do Partido Comunista, desabafou, numa verdadeira explosão, tudo o que pensava sobre o Partido. Hyde, pensando de maneira semelhante, fez simplesmente uma pequena repreensão: “o que você pensa que está fazendo? Por acaso você vai se converter à Igreja Católica ou algo semelhante?” Ao que ela respondeu: “Eu não me importaria de que assim fosse”. E ele interiormente: “Eu também não me importaria”. Os dois resolveram, então, manifestar o que pensavam um ao outro.

Pouco tempo depois, Hyde assistiu sua primeira Missa, compreendia o significado do Sacrifício. Inclusive antes da sua conversão, manifestou sua opinião sobre um debate interno da Igreja Católica. Uma Encíclica de Pio XII, a Mediator Dei, se referia ao incremento das línguas vernáculas na liturgia da Igreja. Hyde mostrou-se em pleno desacordo. Posteriormente, Hyde também participaria da teologia da libertação. Que pena que esse mesmo homem, convertido em 1948, escrevia em 1996: “Há muito não pratico o catolicismo (…) contribuiu a isso o fracasso do Vaticano II em responder às esperanças e legítimas expectativas de muitos, sobretudo, depois da morte de João XIII.” Também foi penoso o fato de que Hyde faleceu cinco semanas depois de escrever essas palavras, aos 19 de setembro de 1996. O funeral dele foi concluído com a reprodução da canção de protesto socialista. Patética ambigüidade: o livro que tinha relatado sua conversão, Eu acreditei, acabou relatando também o final da sua vida.

Do comunismo à propriedade privada, de uma visão popular à defesa do medievalismo mais forte, da revolução à defesa do latim na Liturgia Católica a tal ponto de não entrar em sintonia com Pio XII, do Concílio Vaticano II à uma teologia da libertação, da fé à “incredulidade”. Como a vida humana é complexa e como é importante ser humildes à hora de emitir os nossos próprios juízos!

Como é maravilhoso deixar-se guiar pela Igreja em cada momento e da maneira como ela quer viver a fé de sempre. Já dizia Aristóteles que a virtude, fugindo dos extremos, encontra-se no meio. Os extremismos sempre fazem mal às pessoas: comer demais ou comer nada, ambos extremos podem levar-nos ao hospital. Virtus in medio!

Às vezes nós também, na Igreja, tendemos a esses extremismos: uns poucos casos de pedofilia (sempre lamentáveis!) passaram a ser motivos para culpar o celibato e querer eliminá-lo. Ora, será que não leram suficiente história da Igreja? Alguns abusos litúrgicos (todos lamentáveis!) foram motivos para cair em outros extremos em se tratando de liturgia. E o curioso é que a Igreja Católica tem dentro dela uns vinte ritos que se saúdam em liberdade! O fato de que algum membro de uma paróquia em algum lugar do planeta mostrar-se um pouco cheio de si mesmo (defeito humano bastante desculpável!), talvez fosse suficiente para que a sensibilidade levada ao extremo induzisse um cristão a afastar-se da Missa dominical. Sejamos sinceros: afastar por isso manifesta pouca maturidade na fé e um desconhecimento da natureza humana caída e levantada, mas propensa a cair sete vezes ao dia.

A virtude dos filhos de Deus é equilibrada, inclusive o nosso amor que, paradoxalmente, pode crescer sem limites. Quem ama de veras a Deus e ao próximo se sente livre, com a liberdade gloriosa dos filhos de Deus. O cristão é um seguidor de Cristo. É muito edificante contemplar a Cristo nas páginas do Evangelho: come e bebe com pobres e ricos, passa 40 dias de jejum no deserto, trabalha tanto, reza pela noite, convida os discípulos para descansar, tem sentido de humor. Que equilíbrio tão grande vemos na vida de Jesus. Aprendamos! Tampouco se poderia dizer que o equilíbrio nesse caso seria viver o cristianismo pela metade. A vida de Jesus nos mostra santidade total e, ao mesmo tempo, otimismo e realismo.

A virtude é uma força (virtus), uma disposição, uma energia interior que nos dispõe a fazer o bem evitando o seu oposto. Ter uma boa disposição habitual nos levará a colocar-nos sempre no nosso lugar. Santo Tomás de Aquino dá uma definição de virtude que até nas palavras é de um equilíbrio impressionante: “virtude é aquela qualidade da alma pela qual se vive bem, ou seja, corretamente, e que não serve para nenhum mal”, se falamos das virtudes sobrenaturais da fé, esperança e caridade, há que acrescentar à definição que “Deus as infunde em nós sem a nossa ajuda” (S. Th. I-II, 44, 4, arg. 1).

Como conseguir ser uma pessoa virtuosa? À base da repetição de atos virtuosos. Uma pessoa que procura fazer sempre o bem, não é que ela tenha uma soma de atos bondosos, mas ela mesma acaba sendo uma pessoa boa. Um empresário que sempre atua prudentemente, não tardará em que se lhe reconheça como um homem prudente. Uma pessoa que sempre come com moderação, segundo a quantidade que lhe é necessária, sem avançar no prato nem fazer cara feia diante do que lhe põem, é uma pessoa sóbria, moderada, temperada. Quem sabe se divertir com moderação é eutrapélico (a eutrapelia é virtude que nos dispõe a divertir com moderação!). Não se trata, portanto, de ter virtude, fazendo uma espécie de coleção de virtudes, mas de ser virtuoso, ou seja, prudente, justo, temperado e forte. Quando se trata das virtudes sobrenaturais, trata-se de ser fiel, esperançoso e caridoso.

Todas as virtudes podem crescer. Ambas, virtudes humanas e sobrenaturais crescem ou pelo menos se dispõem a ser aumentadas quando realizamos vários atos virtuosos. No caso das sobrenaturais, ademais, é preciso pedi-las na oração: “Senhor, aumenta a minha fé, a minha esperança e a minha caridade”. Estas virtudes são importantíssimas. Por quê? Pelo simples e grandioso fato de que são elas que nos conduzem a Deus. Deus alcançou-nos com a sua graça e infundiu em nós as virtudes sobrenaturais ou teologais para que, com elas, possamos alcançá-lo.

Uma pessoa virtuosa é sempre agradável, alegre e simpática. Essa pessoa não só é equilibrada, mas deixa a elegância da virtude, com o seu tom de equilíbrio, por onde passa. Vem à minha memória uma das narrações que Charles Dickens, naquele delicioso romance titulado David Cooperfield, faz sobre Inês, a amiga do protagonista do relato, Cooperfield. Inês era uma senhorita gentil, sincera, amável, com uma capacidade de sofrer sem sentir-se vítima. Ela “falava de tal maneira que se percebia a sinceridade que ela transmitia ao expressar-se. Eu chorei tentando ocultar o rosto entre as mãos sem poder compreender a que se devia o bem-estar que eu experimentava ao seu lado. Inês, com a sua maneira plácida de falar, o seu olhar doce e risonho ao mesmo tempo, a sua serenidade cheia de paz, fazia – a meu ver – sagrado o lugar onde ela pisava. Ela acabou com a minha tristeza, fazendo com que eu lhe dissesse tudo o que tinha acontecido comigo desde a última vez que nos tínhamos visto”.

Apresentemos sempre o rosto amável da virtude e convidemos os outros, através do nosso próprio testemunho, a praticá-la. As pessoas do nosso entorno verão que a beleza está sempre no equilíbrio que dá a virtude e não na desarmonia causada pelo vício. Este sempre é algo feio e desumanizador. A virtude, com a sua nobre e simples presença, domina discretamente, e belamente.


[i] Sobre Douglas Hyde, pode ler-se em J. Pearce, Escritores conversos – la inspiración espiritual de uma época de incredulidad, Madrid: Palabra, 2006, págs.310-319.


EXCURSUS: NORMAS DA INTERPRETAÇÃO EVANGÉLICA

- A interpretação deve ser fácil, tirada do que é o evangelho: boa nova.

- Os evangelhos são uma condescendência, um beneplácito, uma gratuidade, um amor misericordioso de Deus para com os homens. Presença amorosa e gratuita de Deus na vida humana.
- Jesus é a face do Deus misericordioso que busca o pecador, que o acolhe e que não se importa com a moralidade ou com a ética humana, mas quer mostrar sua condescendência e beneplácito, como os anjos cantavam e os pastores ouviram no dia de natal: é o Deus da eudokias, dos homens a quem ele quer bem e quer salvar, porque os ama.

Interpretação errada do evangelho:

- Um chamado à ética e à moral em que se pede ao homem mais que uma predisposição, uma série de qualidades para poder ser amado por Deus.
- Só os bons se salvam. Como se Deus não pudesse salvar a quem quiser (Fará destas pedras filhos de Abraão).

Consequências:

- O evangelho é um apelo para que o homem descubra a face misericordiosa de Deus [=Cristo] e se entregue de um modo confiante e total nos braços do Pai como filho que é amado.
- O olhar com a lente da ética, transforma o homem num escravo ou jornaleiro:aquele age pelo temor, este pelo prêmio.
- O olhar com a lente da misericórdia, transforma o homem num filho que atua pelo amor.
- O pai ama o filho independentemente deste se mostrar bom ou mau. Só porque ele é seu filho e deve amá-lo e cuidar dele.
- Só através desta ótica ou lente é que encontraremos nos evangelhos a mensagem do Pai e com ela a alegria da boa nova e a esperança de um feliz encontro definitivo. Porque sabemos que estamos na mira de um Pai que nos ama de modo infinito por cima de qualquer fragilidade humana.


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07.09.2014
SETEMBRO - MÊS DA BÍBLIA
23º DOMINGO DO TEMPO COMUM — ANO A
( VERDE, GLÓRIA, CREIO – III SEMANA DO SALTÉRIO )
__ "Não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo" __

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
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NOTA ESPECIAL: VEJA NO FINAL DA LITURGIA OS COMENTÁRIOS DO EVANGELHO COM SUGESTÕES PARA A HOMILIA DESTE DOMINGO. VEJA TAMBÉM NAS PÁGINAS "HOMILIAS E SERMÕES" E "ROTEIRO HOMILÉTICO" OUTRAS SUGESTÕES DE HOMILIAS E COMENTÁRIO EXEGÉTICO COM ESTUDOS COMPLETOS DA LITURGIA DESTE DOMINGO.

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Iniciamos o mês de setembro, mês da Bíblia. A Palavra de Deus, proposta pela liturgia atual, chamará a nossa atenção para a correção fraterna. Corrigir, antes de qualquer coisa, signifi ca ajudar o outro a reorientar atitudes e modo de pensar. Quando os pais corrigem o fi lho, por exemplo, estão reorientado a sua atitude para outro modo de agir, em base a uma mentalidade diferente. Contudo, com o desenvolvimento da psicologia, pedagogia e também da fi losofi a, sabemos que existem correções que podem transformar vidas e outras que podem prejudicá-la para sempre. Neste sentido, a primeira coisa a se fazer, é estar atento ao modo de corrigir. Portanto, o valor da vida humana, é o ponto de partida da correção. O intuito da correção fraterna é, deste modo, resgatar a vida de quem trilhava estradas ameaçadoras. Contudo, nenhuma correção se faz com ameaças ou imperativos, mas pelo diálogo que, pouco a pouco, ajuda o outro a perceber que o caminho e as atitudes que está assumindo irão prejudicar sua vida. Celebrando hoje, o “Dia da Pátria”, rezemos pelo nosso País, pelo nosso povo, e para que a independência seja marcada, todos os dias, pela segurança e pela paz em todas as cidades brasileiras. (Sugestão: A entrada solene da Bíblia poderá ser feita antes da Liturgia da Palavra).

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: No mês de setembro nos preparamos para celebrar o Dia Nacional da Bíblia, no último domingo. A intenção é reavivar nossa relação com as Sagradas Escrituras, fonte de fé e inspiração. Também hoje celebramos o Dia da Pátria e rezamos para que o nosso País, que tem uma história tão bonita, mas também tão cheia de contraste e corrupção, consiga ser uma nação sem exclusão e alcance um patamar ético fundado no amor e na fraternidade.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: O trecho do evangelho de hoje segue imediatamente a narrativa da parábola da ovelha desgarrada, da qual se torna uma aplicação concreta. Se um irmão cometeu uma falta, deve fazer-se em primeiro lugar a correção pessoal; se não escuta, é necessário chamar em auxílio algumas testemunhas; em terceira instância, convém referir à comunidade; e se não houve nem esta, deve-se, só então, considerá-lo como um pagão ou publicano, isto é, como um ex-comungado. O contexto de todo o trecho é o do convite à misericórdia e ao perdão. Não se trata tanto de uma "ex-comunhão", mas da constatação de que, apesar do recurso a todos os meios possíveis para a recdonciliação e o diálogo fraterno, não há no irmão a vontade eficaz de comunhão e conversão. E, no entanto, convém lembrar que a Igreja conserva o direito de pronunciar-se contra os pecadores contumazes, para não prejudicar a comunidade, e, com o fim de fazer o pecador entrar em si e converter-se.

Sentindo em nossos corações a alegria do Amor ao Próximo, cantemos cânticos jubilosos ao Senhor!


PRIMEIRA LEITURA (Ez 33,7-9): - "Quanto a ti, filho do homem, eu te estabeleci como vigia para a casa de Israel."

SALMO RESPONSORIAL 94(95): - "Não fecheis o coração, ouvi, hoje, a voz de Deus!"

SEGUNDA LEITURA (Rm 13,8-10): - "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo."

EVANGELHO (Mt 18,15-20): - "Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga."



Homilia do Diácono José da Cruz – 23º Domingo do Tempo Comum – Ano A

"Se o teu irmão errar..."

O evangelho deste  Domingo  deveria ser proclamado solenemente em todas as nossas reuniões pastorais, porque traz ensinamentos profundos para um desafio sempre presente, e que nunca sabemos  enfrentar: como administrar os conflitos surgidos dentro da comunidade...

Muitas vezes a gente prefere fazer “vista grossa” diante de certas “briguinhas” entre membros da comunidade, e quando nos  omitimos diante dessas  situações, que transformam a pastoral, o movimento, ou até a comunidade, em um barril de pólvora, pronto para ir aos ares, estamos fazendo como aquela faxineira desleixada, que empurra a sujeira em baixo do tapete, fazendo de conta que tudo está limpo. "Aqui em nossa comunidade as pessoas se amam e se querem bem", como se o ser humano já fosse em sua essência esse bem supremo. Nesse evangelho somos convidados a olhar a nossa relação com o próximo, marcada por tantos limites. No fundo o apelo é, para que nos reconheçamos assim, incapazes de uma relação perfeita, pois a plenitude do amor faz parte da nossa esperança escatológica, um dia nós seremos assim como imaginamos, aquela comunidade ideal sonhada por Lucas no Livro dos Atos, onde todos se amavam...

Até que chegue esse dia tão esperado, temos que ter muito presente em nossa vida de comunidade, os ensinamentos do evangelho, tendo uns pelos outros um amor co-responsável que quer ajudar o outro a crescer, pois assim é a correção fraterna. Se faltar-nos essa compreensão para com o outro, a nossa alegria nunca estará completa e este nosso pecado irá contaminar toda comunidade.

A conclusão do evangelho nos faz pensar seriamente nas relações conturbadas existentes no seio da comunidade, como é que duas pessoas que não se querem bem, vão orar  com toda assembléia, fazendo diante de Deus um só pedido, uma só prece?  Preces que brotam de corações tomados por ressentimentos, além de não serem ouvidas por Deus, comprometem a oração de toda assembléia. Que Pai ou Mãe, se alegra ao saber que um dos irmãos está brigado com o outro? Com Deus é a mesma coisa. Sem misericórdia, amor e compreensão, não há de se resolver nenhum conflito.

É nesse sentido que Jesus recomenda a correção fraterna, que só pode ser feita entre irmãos, entre os quais há uma total liberdade de expressão, é preciso ter humildade, tanto para fazer a correção como para aceitá-la. A Comunidade é como o circuito de um aparelho eletrônico, tem que estar bem unido, bem ligado um ao outro, senão a graça de Deus, conectada a nós pelo Santo Batismo, não fará seus efeitos. Como é que o amor de Deus vai passar de um irmão para o outro, se há na comunidade relações que foram rompidas?

As divergências de opiniões só nos ajudam a crescer, desde que o debate em nossas reuniões, não seja marcado por velhas mágoas, ciúmes ou inveja, afinal, a nossa unidade se torna mais consistente na adversidade e no pluralismo de valores, precisamos sim, de ter oposição, pessoas que pensem diferente, mas que sejam inteligentes e sempre direcionados ao bem comum e não ao bem particular ou pessoal.

Uma oposição assim, que não seja burra, enriquece a comunidade e a faz crescer nos valores do evangelho. Mas que nunca nos falte a consciência de que o Senhor está no meio de nós, que o Dono da Obra é Ele, somos apenas obreiros, cada um com seus carisma e suas possibilidades de realizar ações concretas, esse poder, enquanto possibilidade de fazer sempre o melhor para a comunidade, é sempre muito bem vindo.

Admoestação de Jesus: Se o teu irmão errar... O ato do erro não é uma exceção, não se trata de uma maçã podre no meio das outras que estão ótimas, pois o erro do outro é oportunidade para exercemos a caridade, a misericórdia e a compreensão, manifestando um amor que se sente responsável pelo outro, e só quer ajudá-lo a crescer, e não humilhá-lo em seu pecado.

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Rodrigues Costa – 23º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Correção fraterna: sinal de amor verdadeiro

Como é bom encontrarmos irmãos que querem o nosso bem. No cristianismo, a correção fraterna sempre foi o um bem admirado, ainda que, frequentemente, pouco compreendido e, talvez, praticado com escassez. Jesus, no dia de hoje, explica-nos de várias maneiras como corrigir quem erra. À pessoa que é corrigida, o Senhor lhe dirige essas palavras: “aquele que ama a correção ama a ciência, mas o que detesta a reprimenda é um insensato” (Prov 12,1). Perguntemo-nos: queremos que os outros nos ajudem? Desejamos que os nossos irmãos nos corrijam? Temos essa sensatez de quem é consciente de que sozinho não podemos chegar à meta da santidade e de que, portanto, necessitamos da ajuda dos irmãos na fé? São Cirilo dizia que “a repreensão que melhora os humildes costuma ser intolerável aos soberbos”. O humilde deseja ser ajudado, o soberbo basta-se a si mesmo e… quebra a cara!

Também, na literatura profana, encontramos exemplos de ajuda mútua, de orientação e de correção. É edificante ler que Circe de lindas tranças, na Odisséia (Homero), explica ao valente Ulisses como ele deve passar por entre as sereias de belas vozes sem deixar-se arrastar pelo seu harmonioso canto e, desta maneira, não terminar destinado ao cemitério de ossos humanos putrefatos. Ulisses, obediente, à voz de Circe, explica aos seus companheiros que devem ter os seus ouvidos untados com cera para não escutarem a voz das sereias. Ulisses, ao contrário, escutaria a voz das sereias, mas com a seguinte precaução: pede aos seus companheiros que lhe atem os pés e as mãos com cordas. Feitas as coisas desta maneira, chega o momento da terrível prova. Em efeito, Ulisses encantado com as vozes das sereias pede aos seus companheiros que lhe desatem, mas Perímedes e Euríloco, em vez de obedecer, ataram-lhe com mais cordas. Desta maneira, os amigos leais passaram incólumes por essa grande provação.

Nós também, se formos amigos leais ou, melhor ainda, se formos irmãos leais, ajudaremos os nossos irmãos. Não os ataremos com cordas para que não pequem, mas lhes daremos os oportunos conselhos para não ofenderem o Senhor e falar-lhes-emos da importância de ser prudentes nisso ou naquilo; caso errarem, lhes corrigiremos com caridade. Nem mesmo perderemos a oportunidade de advertir-lhes – esse é o coração da correção fraterna – sobre alguma coisa que represente algum perigo para eles, especialmente em relação à salvação eterna. O amigo atencioso e cheio da caridade cristã procurará inclusive prever as dificuldades do outro e procurará conduzi-los a bom porto.

Não podemos permitir que episódios semelhantes àqueles que aconteceram nos primórdios da criação continuem sucedendo. Você se lembra? Depois que Caim matou Abel, Deus lhe pergunta: “Onde está o teu irmão?” (Gn 4,9). Caim, covarde e falto de sinceridade, responde ao Senhor: “Não sei! Sou porventura eu o guarda do meu irmão?” (Gn 4,9). Deus não quis dar uma resposta ao interrogante de Caim, mas, sem dúvida, a resposta seria “sim, você é o guarda do seu irmão”. Todos nós temos a responsabilidade de ajudar os outros, temos que cuidar dos nossos irmãos pois… são nossos irmãos!

Talvez seja esse o momento de recordar que há uma obra de misericórdia espiritual que acolhe em si a boa ação da correção a um irmão. “Instruir, aconselhar, confortar são as obras de misericórdia espiritual, como também perdoar e suportar com paciência” (Cat. 2447). Aconselhar! Aí se encontra, portanto, a correção fraterna entre as obras de misericórdia.

Quando não se pratica a correção fraterna é muito fácil cair na murmuração ou nas indiretas. No primeiro caso, murmuração, a coisa se transforma em fofoca; no segundo, dar indiretas, se procura o momento mais oportuno para disparar uma flecha venenosa com uma língua de serpente. “Isso chama-se: bisbilhotice, murmuração, mexerico, enredo, intriga, alcovitice, insídia…, calúnia?… vileza? – É difícil que a “função de dar critério” de quem não tem o dever de exercitá-la, não acabe em “negócio de comadres”” (S. Josemaría Escrivá, Caminho, 449).

Como irmãos em Cristo, temos o dever de corrigir-nos e o direito a que nos corrijam. Vou insistir no direito: é preciso inclusive pedir aos outros que, por favor, nos façam oportunas observações. Quando se tem a humildade de receber uma correção fraterna em silêncio, sem justificar-se, com um sorriso e com um agradecido “obrigado” nos lábios, é sinal de que realmente estamos sendo movidos pelo Espírito de Deus, de que temos autêntico desejo de santidade e de que sabemos ver nas correções que nos fazem o interesse dos nossos irmãos em ajudar-nos. Tenhamos por certo que as pessoas que nos corrigem querem o nosso bem. Os pais, por exemplo, que amam os seus filhos não omitem a oportuna correção. Advertir, corrigir, aconselhar é sinal de carinho verdadeiro pelas pessoas; isto é, porque queremos o bem delas, procuramos afastar para longe delas tudo aquilo que possa fazer-lhes dano.

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético – 23º Domingo do Tempo Comum – Ano A
(Extraído do site Presbíteros)

Não publicado...

Publicação Especial - Doutrina / Moral
(Extraído do site Presbíteros)

A atitude da Igreja dissemina a AIDS?

D. Rafael Llano Cifuentes

A Igreja não está impedindo o combate à AIDS, pelo fato de não concordar com o uso da camisinha. Quem afirmar o contrário está difundindo uma inverdade insidiosa que muitos aceitam passivamente sem ulteriores verificações. Como uma pequena mostra disto que acabamos de afirmar copio um artigo de ISTMO, uma conhecida e prestigiosa revista cultural mexicana, – não de uma revista religiosa – escrita por um especialista na matéria e não por um moralista: Se analisarmos a AIDS na África, devemos pensar que a influência da Igreja Católica se circunscreve a 15,6% da sua população total. Alguém se atreveria a afirmar que a AIDS prejudica em maior medida aos católicos do que aos muçulmanos ou animistas? Não seria possível fazer isto, já que diversas estatísticas demonstram que a comunidade católica sofre em medida bem menor a praga da AIDS: é lógico que o ensinamento em favor da monogamia e da castidade tenham os seus efeitos positivos em ambiente de promiscuidade generalizada.

Então entre que grupos humanos a atitude da Igreja poderia contribuir para disseminar AIDS? Entre os católicos sem prática religiosa, nem vivência dos seus princípios morais? Seria sensato supor que quem é infiel a sua esposa, virá a respeitar a orientação da Igreja que desaconselha o uso do preservativo? Nestas condições correria, por acaso, o risco de contaminar-se para ser fiel às orientações de uma religião que não pratica? Seria um absurdo. Evidentemente que quem não têm escrúpulos de ter relações com uma mulher fácil ou uma prostituta, nem se apresentará a questão da licitude moral do preservativo. Portanto acusar a Igreja Católica na difusão da AIDS por esse motivo é, mais do que um absurdo, uma manobra para negar-se a reconhecer a realidade contrária: sem a moral católica a sociedade seria mais promíscua e, em conseqüência, a AIDS estaria muito mais estendida[1].

The Wall Street Journal, no 14 de outubro último, deixou constância que 25% dos doentes de AIDS no mundo são atendidos por instituições católicas. E, igualmente, afirmou que os estudos científicos – um deles a cargo do Serviço de Saúde dos Estados Unidos e outro à responsabilidade da Universidade de Harvard – coincidiam em alertar sobre os decepcionantes resultados da prevenção da AIDS baseados no preservativo. Menciona-se o caso de Uganda que em 1991 contava com uma taxa de infecção de 20%, enquanto que no ano de 2002 tinha descido aos 6%, em virtude de uma política sanitária centrada na fidelidade e na abstinência, não no preservativo, (à diferença de Botsuana e Zimbábue que ainda ocupam os primeiros lugares nos contágios)[2].

Chama a atenção que estes fatos são sistematicamente silenciados. Por baixo das realidades verdadeiramente científicas desliza uma correnteza estranha e anticientifica que silencia estas realidades positivas. A agência LifeSite e a agência ACI, por exemplo, denunciaram recentemente que a maioria dos informes sobre a AIDS na África ignoram sempre os êxitos conseguidos em Uganda, por haver apostado, na sua política sanitária, na promoção da abstinência sexual, da fidelidade e da castidade.

Muitas autoridades, incluindo o Secretário de Estado norte-americano Colin Powell, louvaram e reconheceram o êxito de Uganda em reduzir a taxa de infecção uns 50% desde 1992. Inclusive a CNN informou que no ano 2000 foi o país ‘com maior sucesso na luta contra a AIDS’. No entanto a Life Site adverte que por uma razão desconhecida ‘o êxito de Uganda poucas vezes é mencionado’[3].

Questionamo-nos se essas razões, desconhecidas e entranhas, são as que fazem a alguns cientistas brasileiros dizerem que ‘desconhecem a existência de pesquisas sobre falhas nos preservativos’ e os levam a formular críticas maldosas dizendo que a Igreja ‘desconhece a realidade’ e ‘nega o óbvio’.

O jornal espanhol La Gaceta de los Negócios, (16/12/02) comenta nesse sentido: ‘os patrocinadores do preservativo, como principal instrumento de prevenção da AIDS, em lugar de aceitar esta evidência – o grande sucesso da Uganda – se obstinam nas políticas de extensão do uso do preservativo, que leva inevitavelmente consigo o implícito convite à promiscuidade sexual sob a mentirosa promessa do “sexo seguro”. O resultado é o que temos diante dos olhos. Há loucos dispostos a tudo antes de propor o domínio sobre as paixões’. A afirmação está feita por um jornal comercial, não por um boletim paroquial.

O governo Bush procura, agora, incorporar um treinamento de abstinência ao Programa Internacional Americano para a AIDS. Este plano questiona a efetiva prevenção da Aids por preservativos[4].

Há evidentes realidades de que o chamado ‘sexo seguro’ não têm contido a expansão da doença. Por exemplo, conduzida por Nelson Mandela, a África do Sul abraçou firmemente a estratégia do ‘sexo seguro’, e o uso de preservativo aumentou. Mas a África do Sul continua a liderar mundialmente os casos de infecção por AIDS com 11,4% de sua população atualmente infetada. Há Notícias do Mercury News de Miami que a Fundação Bill e Melinda Gates gastarão US$ 28 milhões para estudar o potencial dos preservativos no controle de natalidade e no combate a AIDS na África. Porém, as mesmas notícias de Mercury News, acautelam que: ‘As bases científicas para a prevenção da AIDS através de preservativos são mais teóricas que clinicamente provadas’[5].

Insistimos: não entendemos como, depois de tantos questionamentos de tão alto nível, algum professor universitário brasileiro ou algum representante do Ministério da Saúde afirmem, sem fazer nenhuma ressalva, ‘a segurança absoluta dos preservativos’ Perguntamos reiteradamente: é ignorância ou uma versão nova da ‘conspiração do silêncio’?

[1] Ernesto Aquilez – Alvarez Bay. Istmo. México, DF, Março a Abril de 2003, p. 38.
[2] Aceprensa. Madrid, 22 de outubro 2003, p.3.
[3] VII Congreso Nacional Sobre el SIDA, maio de 2003, Bilbao, Espanha.
[4] LifeSite Daily News
[5] LifeSite Daily News


EXCURSUS: NORMAS DA INTERPRETAÇÃO EVANGÉLICA

- A interpretação deve ser fácil, tirada do que é o evangelho: boa nova.

- Os evangelhos são uma condescendência, um beneplácito, uma gratuidade, um amor misericordioso de Deus para com os homens. Presença amorosa e gratuita de Deus na vida humana.
- Jesus é a face do Deus misericordioso que busca o pecador, que o acolhe e que não se importa com a moralidade ou com a ética humana, mas quer mostrar sua condescendência e beneplácito, como os anjos cantavam e os pastores ouviram no dia de natal: é o Deus da eudokias, dos homens a quem ele quer bem e quer salvar, porque os ama.

Interpretação errada do evangelho:

- Um chamado à ética e à moral em que se pede ao homem mais que uma predisposição, uma série de qualidades para poder ser amado por Deus.
- Só os bons se salvam. Como se Deus não pudesse salvar a quem quiser (Fará destas pedras filhos de Abraão).

Consequências:

- O evangelho é um apelo para que o homem descubra a face misericordiosa de Deus [=Cristo] e se entregue de um modo confiante e total nos braços do Pai como filho que é amado.
- O olhar com a lente da ética, transforma o homem num escravo ou jornaleiro:aquele age pelo temor, este pelo prêmio.
- O olhar com a lente da misericórdia, transforma o homem num filho que atua pelo amor.
- O pai ama o filho independentemente deste se mostrar bom ou mau. Só porque ele é seu filho e deve amá-lo e cuidar dele.
- Só através desta ótica ou lente é que encontraremos nos evangelhos a mensagem do Pai e com ela a alegria da boa nova e a esperança de um feliz encontro definitivo. Porque sabemos que estamos na mira de um Pai que nos ama de modo infinito por cima de qualquer fragilidade humana.


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QUE DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje! Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

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