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Índice desta página:
Nota: Cada seção contém Comentário, Leituras, Homilia do Diácono José da Cruz e Homilias e Comentário Exegético (Estudo Bíblico) extraído do site Presbíteros.com

. Evangelho de 28/02/2016 - 3º Domingo da Quaresma
. Evangelho de 21/02/2016 - 2º Domingo da Quaresma


Acostume-se a ler a Bíblia! Pegue-a agora para ver os trechos citados. Se você não sabe interpretar os livros, capítulos e versículos, acesse a página "A BÍBLIA COMENTADA" no menu ao lado.

Aqui nesta página, você pode ver as Leituras da Liturgia dos Domingos, colocando o cursor sobre os textos em azul. A Liturgia Diária está na página EVANGELHO DO DIA no menu ao lado.
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28.02.2016
3º Domingo da Quaresma — ANO C
( ROXO, CREIO – III SEMANA DO SALTÉRIO )
__ O tempo favorável é agora __

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

Clique aqui para ver ou baixar o PPS.

(antes de clicar - desligue o som desta página clicando no player acima do menu à direita)

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Irmãos e irmãs, sejam bem-vindos! Deus está à nossa porta e aguarda a nossa decisão. A Quaresma é o tempo favorável em que o Espírito nos move a fazer obras de justiça e santidade. A conversão é esse cultivo pessoal e comunitário necessário para que Deus, o agricultor, encontre o fruto maduro e de boa qualidade, no mundo que criou. Neste sentido, na Liturgia de hoje Deus revelará sua misericórdia para com o povo que se tornou miserável pela escravidão, e revelará igualmente sua misericórdia para com cada pessoa, esperando pacientemente que produzam frutos de vida nova.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Abramo-nos à reconciliação que o Senhor deseja no mundo. Inspirados pela Campanha da Fraternidade e pelo Ano da Misericórdia, deixemo-nos transformar pelo Evangelho, que cria laços de fraternidade, e cuidemos da casa comum que nos abriga, estabelecendo a justiça como critério básico para a convivência sadia entre todos os seres viventes.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: Neste 3º Domingo da Quaresma, a Igreja nos reúne na esperança de que o Reino está próximo e que o sentido da vida consiste em viver na proteção divina. A analogia dos sinais de trânsito, que indicam caminhos e orientam o viajante, favorecerá a contextualização que a celebração de hoje nos propõe: assim como os sinais dizem se devemos ir para direita ou para a esquerda, da mesma forma, Deus fala através dos sinais da vida, atrai por meio dos acontecimentos da vida, indicando qual caminho seguir. A conversão, portanto, é um gesto de sensatez. É o que se espera de quem se afastou dos caminhos de Deus, preferindo os caminhos mundanos. Intercedamos a graça do discernimento, para que saibamos perceber como Deus nos atrai ao seu encontro e como indica seus caminhos. Caminhando em direção à festa da Páscoa, abramos nossos corações para a conversão e reconciliação que o Senhor deseja realizar em nossas vidas e na história da humanidade. Inspirados pela Campanha da Fraternidade e pelo Ano da Misericordia, deixemo-nos transformar pela novidade da boa notícia do Evangelho, que nos faz ver no Cristo o rosto humano de Deus e o rosto divino do homem. A urgência da conversão por causa da proximidade do juízo de Deus, que os sinais dos tempos continuamente nos evocam, é a nossa resposta à experiência de Deus que vem para fazer-nos sair do Egito, que vem ajudar-nos a encontrar nossa identidade de homens. Jesus nos libertou e um povo libertado é um povo em conversão, uma conversão contínua.

Sintamos o júbilo real de Deus em nossos corações e cheios dessa alegria divina entoemos alegres cânticos ao Senhor!


(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (Êxodo 3,1-8.13-15): - "EU SOU AQUELE QUE SOU"

SALMO RESPONSORIAL 102/103: - "O Senhor é bondoso e compassivo."

SEGUNDA LEITURA (1 Coríntios 10,1-6.10.12): - "Portanto, quem pensa estar de pé veja que não caia."

EVANGELHO (Lucas 13,1-9): - "Mas se não vos arrependerdes, perecereis todos do mesmo modo."



Homilia do Diácono José da Cruz — 3º Domingo da Quaresma — ANO C

"O JULGAMENTO É CERTO!"

Nesta vida tudo é discutível e negociável à exceção da morte, que irá nos acontecer mais cedo ou mais tarde, sendo que a morte nos trará o juízo de Deus. É uma verdade que não gostamos nem de pensar e que na quaresma somos convidados pela palavra de Deus a pensarmos naquele primeiro momento, em que estaremos diante de Deus, após a morte.

Sabemos que haverá um julgamento e isso significa que Deus espera algo de cada um de nós e poderíamos até afirmar que temos uma meta a ser alcançada, uma missão a ser cumprida e nesse caso, a primeira coisa a ser feita é estarmos disponíveis para Deus, mesmo que não nos julguemos capazes para tanto, como aconteceu com Moisés, conforme a primeira leitura desse domingo.

Mas essa disponibilidade deve sempre vir acompanhada de uma total confiança em Deus, alimentando em nós a esperança e a certeza de que ele caminha conosco, mesmo que às vezes a estrada seja íngreme como um deserto, e a esse respeito, o apóstolo Paulo lembra-nos, que quando falta esta confiança inabalável no Senhor que nos conduz, poderemos estar caminhando para a morte e não para a vida.

A nossa Fé deverá ser inabalável, mesmo que algo dê errado, pois como simples mortais, estamos sujeitos as imprevisibilidades desta vida que são aqueles acontecimentos que não esperamos, e que podem nos atingir ou a alguém do nosso relacionamento, como aqueles galileus, que se envolveram em um conflito com os soldados de Pilatos no templo de Jerusalém e foram brutalmente assassinados, ou como aquele grupo de trabalhadores que morreram tragicamente na queda de uma torre que estava sendo construída.

Não é Deus que provoca esses acontecimentos, para punir e castigar os pecadores, como podem pensar algumas correntes religiosas, o massacre dos galileus foi um ato de violência contra a vida, a mando de Pilatos, e a queda da torre, pelo menos naquele tempo, não foi nenhum atentado terrorista, mas um acidente de trabalho, aliás, que também merece uma reflexão, pois os acidentes de trabalho acontecem por causa de alguma falha humana ou alguma condição insegura. Porém, Deus consente estes fatos porque respeita a liberdade humana, mas a partir da tragédia, nos ensina alguma verdade que serve para a nossa edificação.

Sobre tudo o que ocorre no mundo de hoje, guerras, conflitos, chacinas, execuções, crimes hediondos até contra crianças, falamos e ouvimos muitos discursos inflamados, desde o simples cidadão até as altas celebridades que nos grandes meios de comunicação promovem debates acirrados, ao lado de uma imprensa sensacionalista onde indignados jornalistas gritam palavras de ordem, dando-se a impressão de que, por conta disso, grandes mudanças irão ocorrer. Mas ao final, tudo continua como antes até que aconteça a próxima tragédia, para sacudir a opinião pública.

Jesus não entra nessa onda, não declarou guerra contra Pilatos, que era o que muitas lideranças queriam, e nem arquitetou alguma severa punição para aplicar aos responsáveis pela queda da torre. De investigação e denúncias, o povo já está saturado, porque no final da história, os culpados sempre ficam impunes.

Jesus aproveita o fato para nos alertar sobre a urgência da nossa conversão, que se inicia quando mudamos a nossa mentalidade em relação a Deus, ele não é aquele que abençoa dando saúde e bens materiais a quem lhe obedece, e que faz cair a desgraça na cabeça de quem não o aceita, pois se fosse assim, não ocorreriam tragédias na vida de um cristão.

Ele quer que concentremos nossa atenção no presente, percebendo a cada minuto á sua vontade a nosso respeito, fazendo o reino acontecer a partir de pequenos gestos de amor e de solidariedade em nosso quotidiano, porque se deixarmos esta vida passar em branco, sem nos darmos conta de que temos uma missão a cumprir, frutificando segundo a palavra e a graça de Deus, iremos nos surpreender ao final, porque seremos semelhantes a uma árvore seca e improdutiva justo na hora da colheita.

Nesta vida Deus nos fertiliza todos os dias com a sua graça e a sua santa palavra dando-nos todas as condições para produzirmos bons frutos. Só depende de nós! E não precisa dizer o que vai acontecer com a árvore seca, que não dá nenhum fruto...

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Costa — 3º Domingo da Quaresma — ANO C

Pecado e salvação

Ao ler o Evangelho de hoje, pensei imediatamente na recente tragédia do Haiti, talvez já esquecida por alguns magnatas da sociedade que bem poderiam continuar ajudando a esse pobre país, não só dando-lhes coisas, mas capacitando-lhes para que eles mesmos construam essa nova etapa de sua história. Pensais vós que os haitianos foram maiores pecadores que todos vós por causa dessa tragédia? Eu vos digo que não. Jesus Cristo não quis associar os desastres, as tragédias, as crises econômicas e a morte dos inocentes ao pecado, porém, ao não associá-lo não nega que todos somos pecadores, nem exclui que o pecado sempre leva às tragédias, e a maior delas é estar longe de Deus!

Falar do pecado hoje em dia não está de moda. Em muitos ambientes perdeu-se quase totalmente o sentido do pecado. Os valores outrora desejados já não o são: a honra, a fidelidade, a lealdade à palavra dada, a castidade, o pudor, a sobriedade. Frequentemente o cristão parece ser alguém digno de compaixão: na sociedade atual, desenvolvida, cheia de meios técnicos, com respostas para quase todos os interrogantes, com a ampla possibilidade de desfrutar da vida e dos prazeres, existem ainda alguns que vivem o desprendimento dos bens materiais, a temperança, a honestidade, comprometem a liberdade “para sempre” no casamento ou no sacerdócio! Parece que a crise se aproxima: diante da sorte e aparente felicidade dos que não amam a Deus, realmente vale a pena seguir lutando pela santidade?

Por outro lado, não são esses valores humano-cristãos que explicam o que é o cristianismo no seu sentido mais profundo. A Igreja não foi fundada para oferecer uma ética, uma solução política ou aos problemas sociais. Ela recebeu a salvação de Jesus Cristo e tem como missão fazer com que todas as pessoas participem em Cristo dos bens da casa do Pai: que todos se salvem e cheguem aos céus! O cristianismo retira a auto-suficiência, filha do pecado original, que todo ser humano leva dentro de si. Quando uma pessoa se encontra com Deus e com a beleza de sua graça percebe que é uma criatura e que está afeada pelo pecado. As primeiras atitudes do ser humano diante da divindade são: adoração ao reconhecer-se criatura, silêncio diante da realidade inexpressável contemplada, humilhação de saber-se um pecador feio. Em seguida, o bom Deus infunde confiança e amor em nós ao dizer-nos aquele suave e firme não temais! Chegou a salvação! Eu sou a tua salvação!

O pecado é feio, muito feio! Trata-se de uma realidade sem entidade ao ser a carência da graça, da beleza e da ordem de Deus. O Cura d’Ars dizia que o pecado é “o verdugo de Deus e o assassino da alma” porque é uma ofensa a Deus que mata a vida da alma: um verdadeiro desastre! Santa Teresa de Jesus, que recebeu a graça de ver como é o estado de uma alma em pecado mortal, ficou tão horrorizada que passaria toda a vida em trabalhos e dificuldades para afastar todo e qualquer pecado mortal. E o que é um pecado mortal? É um pensamento, palavra, omissão ou ação que por sua gravidade e ao ser realizados com plena advertência e pleno consentimento ofende gravemente a Deus e retira a vida da graça deixando o pecador espiritualmente morto. Todo pecador é um morto vivo, está em estado de putrefação. Daí o fedor, a feiúra e o estado lastimável da alma em pecado mortal. Parece-lhe um exagero essa maneira de pensar? Na verdade, eu lamento não poder descrever com um realismo ainda maior a desgraça (falta de graça) do pecado mortal!

E os pecados veniais? São aquelas feridas que não nos matam, mas diminuem a nossa saúde de tal maneira que facilitamos a entrada de um vírus mortal a qualquer momento. Hoje em dia está de moda a saúde preventiva: antes que chegue a doença, é preciso cuidar-se fazendo check-up, esportes, indo ao médico periodicamente etc. Seria bom aplicar essa técnica à nossa saúde espiritual. Sempre foi um lugar comum na teologia ascética e mística falar do aborrecimento que devemos ter por qualquer pecado venial deliberado, isto é, não querer realizar nenhum pecado, por venial que seja a sabendas. É impossível não cometer faltas e pecados nesta vida, como disse o Concilio de Trento (sessão VI, cânon 23, ano 1547), a não ser por um especial privilégio da graça de Deus. Sendo assim, é importante que pelo menos não os cometamos deliberadamente. De fato, há pessoas que dizem: “já que isso não é pecado mortal, eu vou fazer”. Quanta falta de amor de Deus há nessa afirmação!? Deus nos salva e nos chama a ser santos, ele nos ama apaixonadamente. Também deseja ser correspondido por nós. Peçamos ao Senhor que aumente o nosso amor, pois quem ama não quer ofender a pessoa amada.

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa - 07/03/2010


Comentário Exegético — 3º Domingo da Quaresma — ANO C
(Extraído do site Presbíteros - Elaborado pelo Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

EPÍSTOLA 1Cor 10,1-6.10-12

INTRODUÇÃO: A história do povo de Israel no deserto é um modelo de como Deus se comporta diante da infidelidade constante do seu povo. Das realidades dos antigos, devemos deduzir que esse mesmo Deus, fiel, mas imutável, atuará do mesmo modo com os novos eleitos, caso sua conduta siga pelos mesmos caminhos que traçaram os antigos escolhidos do Senhor. A conduta humana não é indiferente para um Deus que é retidão e bondade. E seremos nós os que teremos o castigo proporcional a nossa culpa. Portanto, devemos ter cuidado com nossas condutas para não cairmos nos mesmos castigos que marcaram a conduta rebelde dos antigos israelitas.

OS ANCESTRAIS: Não quero, pois, irmãos que ignoreis que nossos pais, todos estavam sob a nuvem e todos através do mar passaram (1). Nolo enim vos ignorare fratres quoniam patres nostri omnes sub nube fuerunt et omnes mare transierunt. Paulo continua neste trecho de sua carta a falar que o evangelho tem como praxis uma vida não fácil. O evangelho é uma conquista a ser trabalhada dia a dia como era a disciplina dos atletas (9, 24 ss). E nesta perícope, Paulo propõe um exemplo do AT que é uma verdadeira advertência para os fiéis de Corinto. Também eles pertenciam a um povo eleito. E alude como tipo do batismo, dois fatos que são semelhantes: a nuvem [nefelë<3507>=nubis] que os envolvia e a passagem sob o mar [thalassa<2281>=mare] que é como o batismo, ao qual foram submetidos para sair como  povo de Deus, enquanto os egípcios foram nele sepultados. O Batismo cristão era feito por imersão, ou seja, com a água envolvendo o corpo do batizado. A nuvem, segundo Êx 13, 21 guiava os israelitas durante o dia e os iluminava durante a noite. A nuvem representa o Espírito Santo do qual somos revestidos no batismo. E o mar, que, segundo Êx 14, 22, formava um muro à direita  e à esquerda enquanto o povo atravessava o mesmo em seco, representa a água em que, por imersão, como era o caso do primitivo batismo, entrava e saia o neófito ao ser rodeado pelas águas.

O ANTIGO BATISMO: E todos foram batizados [submergidos] para Moisés na nuvem e no mar (2). Et omnes in Mose baptizati sunt in nube et in mari. Tomando o significado primário de baptizö [<907>=baptizo] é estar imerso ou submergido. Tanto no caso da nuvem como na passagem do mar os israelitas ficaram envoltos [imersos] por ambos os elementos e Paulo considera estes fatos como um batismo em nome de Moisés que era seu chefe ou senhor, no caso. Moisés sendo o salvador fazia tipicamente o papel de Cristo como  libertador e chefe de um povo e assim se pode dizer em sentido lato que esse povo foi batizado em seu nome ou pessoa.

ANTIGA COMUNHÃO: E todos, o mesmo alimento espiritual comeram (3). Et omnes eandem escam spiritalem manducaverunt. ALIMENTO: Em grego Bröma[<1033]=esca] é um bocado sólido, a diferença da bebida. Evidentemente se refere ao maná de Êxodo 16, 4-35. Paulo o chama  de ESPIRITUAL [pneumatikon(neutro)<4152>=spiritalis] porque, segundo a maneira de pensar dos contemporâneos, esse alimento vinha do céu como pão (Jo 6, 31) e porque assim o declarou Jesus. Continuando com a alegoria, temos que o maná e a água representavam a carne e o sangue como bebidas espirituais que são e constituem corpo e sangue de  Cristo na Eucaristia. Jesus explicará esta comida e bebida como sendo reais, mas não materialmente interpretadas,pois é o Espírito que vivifica, e as palavras que vos disse são espírito e vida (Jo 6, 63).

A BEBIDA: Pois todos da mesma bebida espiritual beberam, de uma rocha espiritual que (os) acompanhava já que a rocha era o Ungido (4). Et omnes eundem potum spiritalem biberunt bibebant autem de spiritali consequenti eos petra petra autem erat Christus. BEBIDA: Em grego Poma[<4188>=potum] que é também uma bebida espiritual, porque foi uma intervenção divina que tirou água de uma rocha, caso o mais inexplicável do ponto de vista humano e que para Paulo essa rocha era o Ungido, ou o Cristo . Paulo se inspira numa tradição rabínica, segundo a qual, a água que brotou do rochedo no deserto de Kadesh, como água de Meriba, era um rio que os acompanhou (aos israelitas) pelo deserto. Outros dizem que foi a rocha que os acompanhou, da qual se diz que era em forma de uma colmeia ou redonda como uma peneira, que acompanhava o tabernáculo e quando este acampava, ela aparecia e permanecia no átrio do mesmo, para que a água brotasse dela. Talvez se refira à Shekinah [a presença de Jahveh], que foi chamada rocha santa  e Filon disse desta rocha que era a sabedoria de Deus. Poderia ser a pedra onde estavam escritas as leis da Torah? Não parece provável. A rocha, como presença divina dentro do povo, representa o Ungido [Cristo] que, como é frequente em Paulo, assume todas as características de Jahveh, como o novo Deus do novo povo de Israel. (Rm 9,33 e Ef 4, 8).

DESAGRADO DIVINO: Mas não na maior parte deles agradou-se o Deus, pois ficaram prostrados no deserto (5). Sed non in pluribus eorum beneplacitum est Deo nam prostrati sunt in deserto. Evidentemente, Paulo fala da conduta idolátrica do povo, quando Moisés esteve ausente durante 40 dias, falando com Deus; e os israelitas fabricaram um bezerro de ouro e adoraram o mesmo (Êx 32). Este é o fato que determinou, junto com a volta dos espias e a revolta do povo (Nm 13 e 14) a ira de Deus, de modo a jurar que não entraria na terra prometida. E por isso ficaram prostrados Kataströnnymi [<2693>=prostrare], na realidade, abatidos, mortos no deserto. No salmo 94 o próprio Jahveh justifica sua ação de rejeição do povo com estas palavras: Não endureçais o vosso coração como em Meriba , como o dia de Massa no deserto, onde vossos pais me desafiaram e me puseram à prova,quando me tinham visto em ação. A razão é o endurecimento mental diante dos prodígios. Talvez, evitando a teimosia e obstinação dos incrédulos diante do milagre, Jesus antes de realizá-lo, exigia a fé dos beneficiados.

MODELO: Porém estas coisas se tornaram modelos para que não fossemos nós cobiçosos das coisas más, como eles cobiçaram (6). Haec autem in figura facta sunt nostri ut non simus concupiscentes malorum sicut et illi concupierunt. Paulo agora reflete sobre os fatos antigos que constituiam a fundação do povo eleito e os traz a tona na nova situação, que é similar, pois o novo povo da nova Aliança está sendo agora formado. Por isso fala de modelo [typos<5179>=figura] que já temos explicado no versículo 17 de Efésios. MODELO: o Typos éimpressão, imagem, exemplo, padrão, ou molde. Daí temos os tipos de imprensa, por exemplo. E também os ensinamentos próprios de uma religião, modelos a serem copiados e contemplados, que é nosso caso. O exemplo dos israelitas que, de escolhidos, se tornaram rejeitados, por não cumprirem a vontade de Jahveh, devia ser considerado pelos novos escolhidos de Deus que eram os cristãos, com Cristo tomando o lugar de Moisés como líder, sendo a glória do céu a terra prometida da nova Lei. COBIÇOSOS: O Epithymëtës [<1938>=concupiscens] cobiçoso, de epithymeö, cuja tradução é desejar ansiosamente, cobiçar, ambicionar. Segundo o relato de Números, capítulos 13 e 14, os israelitas ficaram nostálgicos dos alhos e cebolas do Egito (Nm 11, 5). A ambição do povo era comer e beber. Nem o maná (Êx 16, 35) nem as codornas (Êx 16, 13), nem a água brotada da rocha em Meriba foram suficientes para um povo que preferia os alhos e as cebolas, as carnes e os peixes  (Nm 11, 4-6) do Egito. Para não falar de coisas piores como a idolatria do bezerro (Êx 31, 1-6), e a fornicação com as mulheres de Moab (Nm 25, 1-9). Os cristãos devem evitar semelhantes condutas reprováveis.

A MURMURAÇÃO: Nem murmureis como também alguns deles murmuraram e pereceram pelo destruidor (10). Neque murmuraveritis sicut quidam eorum murmuraverunt et perierunt ab exterminatore. MURMURAR: Goggyzö [<1111>=murmurare] se diz do arrulho de uma pomba e o murmulho daqueles que conjuram contra alguém ou se queixam das circunstâncias desfavoráveis em que Deus os colocou. Neste caso foi o resmungar de Moisés, rebelando-se contra ele, como  diz o livro dos Nm 16, 1-31 e 17, 6-15). E Refere-se, sem dúvida, à rebelião contra Moisés e Araão de Nm 17 5-7. Pereceram pelo DESTRUIDOR: Olothreutës [<2644>=exterminator], destruidor ou exterminador. Quem era esse exterminador? Provavelmente, é uma expressão que, tomada do anjo descrito em Êx 13, 23, indica um número de mortes súbitas e em poucos dias ou horas, que hoje atribuimos a uma epidemia. Este anjo é explicitamente descrito em Êx 12, 23 na morte dos primogênitos dos egípcios; mas não na narração de Nm 17, 6-15 após a morte de Coré e seus ásseclas.  Também, como anjo do Senhor, temos a morte dos 185 mil assírios que cercavam Jerusalém. Provavelmente o número, como sempre exagerado de mortos,  é devido à contaminação das águas.

ADVERTÊNCIA: Pois todas estas coisas (como) modelos aconteceram para eles. Já que foi escrito para advertência nossa, para os quais os fins dos tempos chegaram (11). Paulo fala tomando como exemplo o fim da maioria de Israel por falta de docilidade aos mandatos do Senhor: Se a eles aconteceu, também pode  acontecer conosco. Essa é a conclusão de seu razonamento. Mas ele tem uma prova melhor que o simples raciocínio humano: é a escritura,pois os fatos estavam ESCRITOS [Egrafë] no livro dos Números e deles é que Paulo tira a conclusão que lhe parece advertência para os que viviriam nos FINS DOS TEMPOS [ta telë tön aiövön=fines saeculorum]. Para Paulo, como para todo judeu que se convertesse ao cristianismo, o fim de Jerusalém e do templo era o fim dos tempos, como Mateus claramente deixa a entender na passagem do discurso apocalíptico sobre a ruína de Jerusalém. Além dos discípulos pedirem qual será o sinal de tua vinda, só Mateus fala do fim do mundo (Mt 24, 3). Esta expressão não é achada em Marcos 13,4, nem em Lucas 21, 6. Os cristãos do seu tempo estavam vivendo o fim dos tempos ou da era antiga para entrar na nova, era independente do templo e de Jerusalém. Nestes novos tempos, cobra realidade tudo quanto tinha acontecido aos antigos judeus que estavam no meio de uma proteção direta de Deus no deserto.

CUIDADO: De modo que quem pensa estar firme veja que não caia (12). Itaque qui se existimat stare videat ne cadat. É a conclusão de Paulo ao considerar o exemplo dos israelitas: eles tinham tudo, visões, milagres, liderança, mercês e dádivas; mas sua natureza egoísta, seu duro coração (Mt 19, 8) prevaleceu e caíramB mortos no deserto. Os de Corinto devem temer também serem rejeitados se eles confiam em si mesmos e desprezam a graça de Deus, que não permitirá que a tentação seja maior que as forças conjuntas do homem e da graça de Deus, como dirá Paulo na sequência, em versículos que não correspondem a esta epístola.

EVANGELHO (Lc 13, 1-9)
O CASTIGO – O BEM ESPERADO POR TODOS

AMBIENTE: Apresentaram-se, pois, alguns, naquele preciso momento, anunciando-lhe o caso sobre alguns galileus dos quais o sangue Pilatos misturou com os dos seus sacrifícios (1). Aderant autem quidam ipso in tempore nuntiantes illi de Galilaeis quorum sanguinem Pilatus miscuit cum sacrificiis eorum. Jesus está na Galileia  e a notícia chega até ele provavelmente por lábios hostis de fariseus, como sempre, para tentá-lo. Pilatos tinha degolado alguns galileus no templo. Anunciam que seu sangue se misturara com o sangue dos seus sacrifícios. Tomada a frase ao pé da letra significa que os soldados da polícia de Pilatos teriam entrado até o pátio dos sacerdotes onde entravam os que sacrificavam animais para compartilhar com os dignatários levíticos o sacrifício pacífico. Parece improvável que os policiais estivessem vestidos como simples judeus. Por outra parte, a frase misturar sangue com sangue é própria do idioma hebraico, de modo que não necessariamente significava ser morto no exato momento da degolação das vítimas do sacrifício. Podemos interpretá-la como sendo mortos dentro do recinto do templo e até dentro de Jerusalém, quando estavam ali por motivo dos rituais de sacrifício a serem feitos no templo. A razão desta reflexão é que o fato não é contado por nenhum outro evangelista ou historiador da época. Não sabemos tampouco o número dos mortos e se não era grande não mereceria uma linha nos relatos contemporâneos. Sabemos que os galileus admiravam e até seguiam Judas, o Gaulonita,  ou Judas, o Galileu, do qual fazem menção os Atos 5, 37. Ocupou Séforis ( Seppori segundo os rabinos = o pássaro), a capital da alta Galileia. Era uma das cinco capitais de província que tinha seu sinédrio particular. No ano 3 dC foi conquistada por Judas e seus seguidores, mas reconquistada por Aretas, rei de Petra e aliado de Roma, que a destruiu completamente e vendeu seus habitantes como escravos. Por que notificar o sucesso a Jesus? Seguramente que seria o comentário do dia, como hoje dizemos. Mas a razão principal era saber a opinião política do momento de Jesus: condenaria Pilatos e assim enfrentaria os romanos, aliando-se aos zelotas galileus, como esperavam seus conterrâneos? Ou, pelo contrário, veria na morte dos exaltados um castigo pelos pecados, devidos à sua conduta violenta e revolucionária? Algo disso parece que podemos deduzir das palavras que precedem à perícope de hoje: apresentaram-se alguns, naquele preciso momento (tradução literal), anunciando-lhe o caso sobre alguns galileus.

A RESPOSTA: E repondendo Jesus lhes disse: pensais que aqueles Galileus se tornaram pecadores dentre todos os Galileus porque essas coisas padeceram? (2). Não, vos digo; mas se não vos arrependeis, perecereis do mesmo modo (3). Et respondens dixit illis putatis quod hii Galilaei prae omnibus Galilaeis peccatores fuerunt quia talia passi sunt Non dico vobis sed nisi paenitentiam habueritis omnes similiter peribitis. Jesus faz uma reflexão que podemos chamar filosófico-religiosa e universal dessas calamidades: os galileus assim tratados pela severa justiça romana não eram os mais culpados ou pecadores entre os galileus para sofrer semelhante castigo. Esperavam seus interlocutores uma resposta política de condenação do poder romano por sua crueldade, o que Jesus não fez. Pelo contrário, ele acrescentou um novo caso de morte como era o da torre e sobre o qual não tinham pedido sua opinião. Tudo para oferecer uma reflexão sobre o bem e o mal e sobre o castigo pela conduta errada dos assim atingidos pelo funesto acontecimento. A morte, mesmo violenta, não tem como causa última a conduta humana pecaminosa. Esta é a primeira conclusão da resposta de Jesus. Ou seja, os maus nem sempre são punidos imediatamente. A espera é uma das características da bondade divina que podemos chamar de misericórdia. O texto grego usa uma forma incorreta de comparativo tomado diretamente da idiossincrasia semita: Pensais que esses mortos eram pecadores perto de (literalmente) todos os galileus?

A TORRE DE SILOÉ: Ou aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre em Siloé e matou. Pensais que foram devedores (pecadores) mais do que todos os habitantes em Jerusalém? (4). Não, vos digo; mas se não vos arrependeis, todos da mesma maneira perecereis (5). Sicut illi decem et octo supra quos cecidit turris in Siloam et occidit eos putatis quia et ipsi debitores fuerunt praeter omnes homines habitantes in Hierusalem. Non dico vobis sed si non paenitentiam egeritis omnes similiter peribitis. A arqueologia descobriu restos de uma torre na parte norte oriental perto do lugar onde estava a piscina de Siloé (Jo, 9,7) e a chamada primeira muralha. Não temos nenhuma outra fonte de informação sobre este calamitoso sucesso. Se no caso anterior foi uma decisão humana a causa da morte, neste último caso foi um sucesso natural, não imputável diretamente a mandatos e determinações humanas. O número de vítimas neste caso parece maior e eram praticamente habitantes todos eles de Jerusalém. Do mesmo modo, usa essa forma de comparativo com os soterrados pela torre: Pensais que esses se tornaram DEVEDORES (sic no ofeileitai [<3781>= debitores] grego) em relação a todos os habitantes de Jerusalém? A palavra devedores indica também um texto original semítico, pois devedor nessa língua era sinônimo de pecador, tal como o vemos no Pai Nosso de Mateus em seu original: perdoa nossas dívidas assim como nós perdoamos nossos devedores (Mt 6,12). Os judeus tinham como coisa certa que os justos (= corretos) eram abençoados por Deus neste mundo e os pecadores castigados com diversas doenças e enfermidades, entre elas a morte, segundo vemos em Jo 9,2 a respeito do cego de nascença. Esta é a base sobre a qual Jesus edifica sua doutrina. 1º ) Os que sofrem calamidades não são mais culpados do que aqueles que aparentemente estão livres das mesmas. Portanto a doença e a morte não são necessariamente produtos do pecado individual ou coletivo. 2º) A necessidade do arrependimento: os dois casos de infortúnio são exemplos do que acontecerá necessariamente a todos os que não se arrependem. UMA EXPLICAÇÃO: A que pessoas se refere Jesus ao dizer que todos perecerão da mesma maneira? Eram os contemporâneos de Jesus ou somos também nós, os incluídos? Logicamente Jesus fala a seus conterrâneos que são galileus e seus contemporâneos que são os judeus, especialmente os de Jerusalém. Cremos que nessas palavras de Jesus está implícita uma profecia sobre o que aconteceria na Palestina e em Jerusalém na guerra contra os romanos. Somente em Jerusalém mais de 300 mil judeus pereceram no sítio da cidade. E praticamente os que não morreram foram vendidos como escravos. Por isso o arrependimento está na linha do que o Batista pedia com sua proclama: Arrependei-vos porque o reino dos céus está próximo ( Mt 3, 2). Ou como Lucas narra,  proclamando um batismo de arrependimento para a remissão dos pecados (Lc 3,3). Por isso Jesus adiciona uma parábola em que explica o que iria acontecer em futuras e próximas datas.

A PARÁBOLA:Então lhes diziaesta parábola: Alguém tinha uma figueira plantada na sua vinha e veio procurando fruto nela, e não encontrou (6). Pelo que disse ao podador: eis que três anos venho procurando fruto nesta figueira e não encontro. Corta-a para que, improdutiva, não ocupe a terra (7). Ele, porém, tendo respondido, diz-lhe: Senhor, deixa-a também este ano até que cave ao redor dela e ponha estrume (8). E certamente se der fruto (espera); porém, se não, no  futuro a cortarás (9). Dicebat autem hanc similitudinem arborem fici habebat quidam plantatam in vinea sua et venit quaerens fructum in illa et non invenit. Dixit autem ad cultorem vineae ecce anni tres sunt ex quo venio quaerens fructum in ficulnea hac et non invenio succide ergo illam ut quid etiam terram occupat; et si quidem fecerit fructum sin autem in futurum succides eam. Era costume plantar figueiras nos vinhedos, sem que isso fosse contrário à lei deuteronômica (22,9): Não semearás a tua vinha com duas espécies de semente, para que não degenere o fruto da semente que semeaste e a messe da vinha. Os rabinos afirmavam que as figueiras não eram sementes e que a lei não se referia a semelhantes árvores, de modo que era comum encontrar tanto figueiras como oliveiras dentro dos campos de videiras. Por outra parte, uma figueira precisava de três anos para dar os primeiros frutos. Daí a espera pedida pelo viticultor para ver se no quarto ano ela ofereceria o fruto esperado. Caso isso não acontecesse podia ser cortada como pedia o dono. Evidentemente a figueira era o povo de Israel. O podador (ampelourgos grego), ou vinhateiro, pede mais um ano. Ele sabia como é difícil seguir ao pé da letra os ciclos vitais e pede mais um ano para ver se a figueira era definitivamente estéril ou não. Caso a esterilidade fosse confirmada, concordava com o dono em que não podia ocupar um lugar inútil, pelo improdutivo do mesmo, quando com outra semente daria o fruto esperado.

EXPLICAÇÃO: A pequena comparação é uma parábola ou uma alegoria? Cremos que alguns dos elementos são verdadeiramente alegóricos e que não devemos contentar-nos com a simples moral da história. A parábola está unida à destruição de todos: da mesma forma perecereis (5). É uma profecia ou uma realidade que serve para todos os homens e todas as épocas? Cremos que a primeira opção é a verdadeira. Independentemente de quem seja o podador ou cuidador da vinha, esta é a última oportunidade que Israel tem para aceitar o Messias de paz a ele enviado e que os representantes do povo rejeitarão. Consequentemente, aferrados a um messias guerreiro e rejeitando a paz do verdadeiro, eles cavarão a sua ruína perante o poder romano, que os arrancará da terra num desterro que durará dois mil anos. Perecerão do mesmo modo que os galileus; e as torres da muralha de Jerusalém cairão sobre seus habitantes, como aconteceu na realidade. A penitência exigida é a transformação do modo de pensar, e, portanto de agir, respeito ao problema principal que era o Messias esperado. Os cristãos que acreditaram nas palavras de Jesus, fugiram em tempo e evitaram a fome e a morte que acompanhou a maioria dos judeus.

PISTAS:

1) Podemos desses casos particulares extrapolar o nosso pensamento sobre o problema do mal no mundo. As guerras, a violência, os nacionalismos extremos, a miséria, o trânsito, as drogas são causa de morte de muitos que, logicamente, não são culpáveis como são mulheres e crianças de modo especial. Haverá culpados evidentemente. Mas mesmo os últimos merecem uma sorte tão definitiva como é a perda da vida sem retorno? Que dizer da pena de morte? Há alguém que possa se arrogar o direito de matar, mesmo a quem é culpado do mesmo crime? São questões que o mundo moderno responde negativamente.

2) E que dizer dos abortamentos voluntários? É ou não é uma vida humana? Porque a interrupção do embaraço, como eufemisticamente falam os que sentem vergonha em nomear claramente o aborto voluntário, é sobre algo ou alguém completamente inocente. Se é alguém é uma vida humana e os que defendem a injustiça da pena de morte deveriam defender a injustiça do abortamento. E se é algo unicamente, uma coisa, quando é que essa coisa se transforma em ser humano? Se a resposta é não sabemos, como diante de semelhante ignorância nos atrevemos a dizer que ainda não é? E, portanto, tampouco se pode aplicar a dúvida de que talvez não seja, porque pode ser. Há algum caçador que se atreva, sem saber com certeza se o que se move atrás da mota é um animal ou um colega, a atirar porque não distingue com clareza o objeto na sua frente? E caso o morto seja um colega, poderá servir-se dessa incerteza como causa suficiente para justificar o homicídio culposo perante um juiz ou um jurado?   Precisamente hoje que até os agnósticos e ateus estão a favor da defesa da vida, infelizmente são 50 milhões de vidas incipientes (nisso pelo menos todos concordam) descartadas no mundo inteiro, o que, em determinados países de envelhecimento coletivo, se tornaria um desperdício  e seria uma loucura social livrar-se de quem poderia renovar a juventude e a vida.

3) Deus está ausente de atos diretos como castigo a pecadores porque também os justos entrariam dentro do programa. Ele prefere que a chuva e o sol beneficiem a todos por igual. Falar em castigo, é não entender o maior atributo divino referente às relações com os homens: a misericórdia, que quer que todos se arrependam e sejam salvos; porque o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido (Lc 19, 11). Paulo dá uma razão para o aparente castigo: Entreguemos tal homem a Satanás para a perda de sua carne a fim de que o espírito seja salvo no dia do Senhor (1 Cor 5, 5).


EXCURSUS: NORMAS DA INTERPRETAÇÃO EVANGÉLICA

- A interpretação deve ser fácil, tirada do que é o evangelho: boa nova.

- Os evangelhos são uma condescendência, um beneplácito, uma gratuidade, um amor misericordioso de Deus para com os homens. Presença amorosa e gratuita de Deus na vida humana.
- Jesus é a face do Deus misericordioso que busca o pecador, que o acolhe e que não se importa com a moralidade ou com a ética humana, mas quer mostrar sua condescendência e beneplácito, como os anjos cantavam e os pastores ouviram no dia de natal: é o Deus da eudokias, dos homens a quem ele quer bem e quer salvar, porque os ama.

Interpretação errada do evangelho:

- Um chamado à ética e à moral em que se pede ao homem mais que uma predisposição, uma série de qualidades para poder ser amado por Deus.
- Só os bons se salvam. Como se Deus não pudesse salvar a quem quiser (Fará destas pedras filhos de Abraão).

Consequências:

- O evangelho é um apelo para que o homem descubra a face misericordiosa de Deus [=Cristo] e se entregue de um modo confiante e total nos braços do Pai como filho que é amado.
- O olhar com a lente da ética, transforma o homem num escravo ou jornaleiro:aquele age pelo temor, este pelo prêmio.
- O olhar com a lente da misericórdia, transforma o homem num filho que atua pelo amor.
- O pai ama o filho independentemente deste se mostrar bom ou mau. Só porque ele é seu filho e deve amá-lo e cuidar dele.
- Só através desta ótica ou lente é que encontraremos nos evangelhos a mensagem do Pai e com ela a alegria da boa nova e a esperança de um feliz encontro definitivo. Porque sabemos que estamos na mira de um Pai que nos ama de modo infinito por cima de qualquer fragilidade humana.


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21.02.2016
2º Domingo da Quaresma — ANO C
( ROXO, CREIO, PREFÁCIO PRÓPRIO – II SEMANA DO SALTÉRIO )
__ Vida transfigurada __

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

Clique aqui para ver ou baixar o PPS.

(antes de clicar - desligue o som desta página clicando no player acima do menu à direita)

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: A liturgia deste Segundo Domingo da Quaresma, nos mostrará que somente em contato com Deus pela oração, responderemos satisfatóriamente à nossa vocação cristã e nos realizaremos como seguidores de Jesus, a quem demonstramos ter escutado no profundo de nosso ser. Não há cristão, não há Apóstolo, não há testemunha, sem oração pessoal e comunitária. Felizmente vão aumentando os grupos de oração, as vigílias. Hoje é uma ocasião para um autoexame: Rezo em minha vida: muito, pouco, nada?.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: A transfiguração de Jesus no Tabor revelou a glória divina e o futuro da humanidade redimida. A Cruz, porém, é a única via para a ressurreição. Aproveitemos então o apelo de Cristo e as propostas da Campanha da Fraternidade, para que a Igreja seja a casa da “misericórdia”, comprometida com a luta pela preservação da terra, casa comum de todos que vivem neste planeta.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: Um rito sacrifical sela o pacto entre Deus e Abraão, na mesma linha dos ritos que toda religião realiza como expressão de suas relações com a divindade. A iniciativa vem de Deus, sua é a escolha de Abraão, sua é a promessa de uma terra e uma descendência que ultrapassa toda esperança. Cristo se apresenta como a aliança definitiva entre Deus e o seu povo. Também para ele a aliança se faz através de um êxodo (no evangelho, Moisés e Elias falam do seu êxodo, sua morte) e de um ingresso - a face do Cristo muda de aspecto e suas vestes fulgurantes indicam a ressurreição. Os apóstolos não compreenderam, no momento, o episódio da transfiguração, mas quando o Espírito desce sobre eles, tornam-se as testemunhas do fato decisivo da cruz e da ressurreição. A eles e a toda a comunidade suscitada por seu testemunho é confiado o memorial da nova aliança, selado não com o sangue de animais imolados, mas com o sangue do próprio Cristo, para remissão dos pecados.

Sintamos o júbilo real de Deus em nossos corações e cheios dessa alegria divina entoemos alegres cânticos ao Senhor!


(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (Gênesis 15,5-12.17-18): - "O Senhor tirou-nos do Egito com sua mão poderosa e o vigor de seu braço."

SALMO RESPONSORIAL 26/27: - "O Senhor é minha luz e salvação."

SEGUNDA LEITURA (Filipenses 3,17-4,1): - "olhai atentamente para os que vivem segundo o exemplo que nós vos damos"

EVANGELHO (Lucas 9,28-36): - "Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o!"



Homilia do Diácono José da Cruz — 2º Domingo da Quaresma — ANO C

"TRANSFIGURAÇÃO"

Eu estava empolgadíssimo ouvindo o relato sobre um filme, assistido por um amigo meu, que voltou cheio de entusiasmo falando maravilhas do mesmo e narrando com precisão o início, quando toda a história começa a se desenvolver, mas, porém, ao chegar na parte principal, quando todo o mistério seria revelado, bastante sem graça ele confessou-me que só se lembrava do final porque, dominado pelo sono acabou dormindo no melhor da história, que raiva que me deu! Com Pedro, Tiago e João aconteceu à mesma coisa no alto daquele monte onde Jesus havia subido para rezar, como frisa o evangelista, e justamente na hora em que Moisés e Elias, personagens importantes do Antigo Testamento, conversavam com Jesus sobre o seu “Êxodo”, os discípulos nada viram e nem ouviram, simplesmente porque pegaram no sono.

Esse “dormir” teológico sempre aparece na Escritura Sagrada para mostrar como o homem é pequeno diante do grandioso mistério de Deus, no paraíso o homem dormia quando Deus tirou uma de suas costelas para fazer a mulher, no Horto da Oliveira à cena se repetirá, quando os discípulos dormem em um momento em que Jesus vive a sua angústia. Quando dormimos não sabemos nada do que se passa ao nosso redor, portanto, na vida de fé, dormir é não perceber a ação de Deus em nossa vida.

Ainda bem que eles tiveram bom censo e diferente do meu amigo, decidiram não contarem nada a ninguém sobre tudo o que tinha acontecido no alto da montanha – afirma o evangelho em seu final – e particularmente acho que fizeram muitíssimo bem porque se saíssem falando, não iriam dizer coisa com coisa, pois no fundo não haviam compreendido nada daquelas coisas que estavam acontecendo com o Mestre. Ao anunciarmos Jesus e falarmos do seu evangelho, devemos fazer com muita clareza e convicção, caso contrário corremos sempre o risco de ficarmos fantasiando o Cristo do evangelho.

Subir em uma montanha não é tarefa das mais fáceis, requer esforço, concentração e muita atenção, pois qualquer escorregão, além de poder ser fatal, a gente ainda perde todo o esforço do trabalho já feito. Jesus havia subido á montanha para rezar e nós também “subimos”, isso é, fazemos a nossa ascese quando nos entregamos à verdadeira oração, aquela onde Deus nos envolve na sua vida de comunhão, como aquela nuvem envolveu os discípulos, e revela-nos quem somos e qual a nossa missão.

Essa experiência nós a podemos fazer na oração pessoal, ou quando nos reunimos na comunidade, em torno da Palavra e da Eucaristia, onde celebramos a paixão, morte e ressurreição de Jesus, isso é, celebramos as dores e os fracassos, o amargor do cálice da derrota, mas também a glória da ressurreição, que marcou o seu êxodo, tema da conversa entre os dois personagens e Jesus.

Mas sempre há os cristãos-soneca, que também dormem o tempo todo, isso é, participam de todo este mistério sem compreendê-lo e vivenciá-lo em seu dia a dia e daí, como o apóstolo Pedro, acordam assustados, com a vontade de armarem as tendas do comodismo, fechando-se em seu grupo ou em sua comunidade, para fugir dos desafios que missão certamente lhes trará, são aqueles cristãos que só querem sombra e água fresca.

Para compreender todo o mistério, uma só coisa é necessária; ouvir com atenção as palavras de Jesus o Filho de Deus! “Escutai o que ele diz...”, dia a voz que sai do meio da nuvem, sigam pelo caminho que ele indicar, vivam do modo como ele viveu, ponham o evangelho no coração, e teremos enfim o Reino dentro de nós, irradiando muita vida e esperança, pois a transfiguração mostra-nos a glória na qual seremos envolvidos, porém, também lembra-nos que há todo um êxodo a ser percorrido, um caminho que não será dos mais fáceis, mas somente nele é que encontraremos as pegadas Daquele que venceu e foi glorificado pelo Pai.

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Costa — 2º Domingo da Quaresma — ANO C

Transfiguração

Você conhece o poema “pegadas na areia”? Relata a observação que uma pessoa fazia estando na praia de que nos momentos mais felizes da sua vida existiam duas pegadas na areia: as do Senhor e as suas. Deus estava presente nos momentos de felicidade. Mas… que decepção! Nos momentos de dificuldade, a mesma pessoa notava que só existia uma pegada na areia. Ao perguntar ao Senhor o porquê daquilo, Deus lhe respondeu que nos momentos mais difíceis Ele a segurava nos braços sem que ela mesma percebesse isso. Surpresa maior ainda: as pegadas eram do Senhor!

Escuta-se neste domingo em toda a Igreja o trecho do Evangelho que relata a transfiguração do Senhor. Ao olharmos um pouco o contexto, observamos que Jesus tinha anunciado aos seus que “é necessário que o Filho do homem padeça muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas. É necessário que seja levado à morte e ressuscite ao terceiro dia” (Lc 9,22); que ele tinha falado também que se alguém o quisesse seguir que tomasse a cruz (cf. Lc 9,23-24); por outro lado, os discípulos esperavam um messias político que vencesse pela força de um exército dominador o poder dos romanos, de cujo jugo desejavam ver-se livres.

Tendo em conta tudo isso, podemos dizer que os discípulos encontravam-se bastante desnorteados e até mesmo desanimados. A transfiguração do Senhor é um consolo. De fato, dizia São Leão Magno que “o fim principal da transfiguração foi desterrar das almas dos discípulos o escândalo da Cruz”; trata-se de uma “gota de mel” no meio dos sofrimentos. A transfiguração ficou muito gravada na mente dos três apóstolos que estavam com Jesus; anos mais tarde São Pedro lembrar-se-ia daquele maravilhoso acontecimento na sua segunda epístola: “Este é o meu filho muito amado, em quem tenho posto todo o meu afeto”. Esta mesma voz que vinha do céu nós a ouvimos quando estávamos com ele no monte santo” (2 Ped 1,17-18).  Ele, Jesus, continua dando-nos o consolo – quando necessário – para podermos continuar caminhando e para que nunca desistamos. É preciso que façamos muitos atos de esperança, uma virtude muito importante para todos os membros desse estado da Igreja que nós chamamos de “militante” ou “peregrina” Somos os que combatem e somos combatidos; tenhamos, portanto, presente que a nossa força vem do Senhor, nele nós esperamos.

Vale a pena seguir alguém que vai morrer na Cruz? Uma pergunta semelhante pôde ter passado pela mente dos discípulos do Senhor como também pôde ter passado alguma vez pela nossa, quiçá formulada de outra maneira. No ciclo B, a liturgia nos apresenta o relato da grande prova ao qual Abraão – o pai de todos os crentes – é submetido (cf. Gn 22). O relato faz parte das assim chamadas “tradições patriarcais” (Gn 12-36). A prova pela qual Abraão passa é dramática: sacrificar Isaac, seu filho amado e, ademais, filho da promessa.

Muitas vezes, também nós passamos por provas espirituais difíceis: parece que Deus não me ouve, que ele está longe de mim, não liga para mim, muda de planos e que “não está nem aí” para os meus planos. Os discípulos de Jesus têm uma sensação semelhante diante do anúncio da Paixão e do seguimento exigido por Jesus: encontravam-se diante de um projeto que eles não tinham imaginado. E agora, vale a pena? Vale a pena, Abraão? Vale a pena, discípulos de Cristo? Você que lê esse texto: vale a pena? Hoje em dia, você e eu só estamos no serviço do Senhor porque aqueles primeiros viram que valia a pena e porque livremente vimos, nós também, que vale a pena.

Os discípulos da transfiguração são os mesmos do Monte das Oliveiras, os da alegria são também os da agonia. É preciso acompanhar o Senhor em suas alegrias e em suas dores. As alegrias preparam-nos para o sofrimento e o sofrimento por e com Jesus dá-nos alegria. Os discípulos, que estavam desanimados diante do Mistério da Cruz, são consolados por Jesus na transfiguração e preparados para os acontecimentos vindouros, como, por exemplo, o terrível sofrimento que Ele padecerá no Getsêmani. Vale a pena segui-lo? Certamente.

Animemo-nos mutuamente! A nossa pátria é o céu. Para o povo de Israel estar em qualquer lugar que não fosse Jerusalém era estar exilado, fora da pátria; para o cristão, todo este mundo é um exílio, já que a sua pátria é o céu, para lá se encaminha. Mas, paradoxalmente, qualquer lugar neste mundo é para o cristão uma pátria, pois sabe que está no mundo que é propriedade do seu Pai do céu. O nosso desejo de eternidade não anula as nossas responsabilidades para com esse mundo tão amado por Deus e por cada um de nós. Jesus mesmo mostra aos seus discípulos que deve ser assim quando, diante da proposta de Pedro para fazerem três tendas no monte Tabor, desce para continuar junto com eles a sua missão evangelizadora.

Tendo presente o que foi dito, alguns propósitos concretos para este domingo poderiam ser: trabalhar por Deus, olhar as tribulações e contrariedades como uma benção santificadora do Senhor, fazer muitos atos de esperança (“Senhor, eu espero em ti”), pensar muitas vezes durante o dia que Deus está junto a nós em todos os momentos, viver na certeza de que nós podemos sempre falar com Deus. Ele é nosso Pai.

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa - 24/02/2013


Comentário Exegético — 2º Domingo da Quaresma — ANO C
(Extraído do site Presbíteros - Elaborado pelo Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

EPÍSTOLA (Fp 3, 17-4,1)

INTRODUÇÃO: Diante do erro dos judaizantes, que muitos em Filipo acreditavam como sendo verdade, Paulo predica a liberdade evangélica que retira da obrigação moral todas as leis mosaicas, a começar pela circuncisão. A cruz de Cristo seria vã e inútil se a salvação consistisse em leis de impureza e observância de antigos costumes. A fé que atua pela caridade (Gl 5, 6) é a nova lei que derroga antigos costumes e privilégios. A salvação está na cruz e morte de Cristo e não na Torah e seus preceitos.

IMITAI-ME: Irmãos: tornai-vos coimitadores meus e contemplai os assim caminhantes do modo como tendes a nós como modelo (17). Imitatores mei estote fratres et observate eos qui ita ambulant sicut habetis formam nos.Neste capítulo terceiro de sua carta, Paulo insiste em debelar os erros dos judaizantes que consideravam a Lei como valor supremo da justificação, contrariamente à cruz de Cristo que é a base da mesma, segundo o Evangelho. Para debater esse erro dos quais Paulo chama de maus operários e falsos circuncisos, ele, Paulo, israelita de nascimento e circunciso da tribo de Benjamin, quanto a justiça [integridade em guardar os mandatos] irrepreensível, quando encontrou Jesus Cristo seu Senhor, considerou tudo como lixo a fim de ganhar a Cristo e ser achado nele pela fé, com a justiça que vem de Deus e se apoia na fé (Fp 3, 9). Trata-se de conhecê-lo a Ele, ao poder de sua ressurreição e à comunhão com seus sofrimentos, de tornar-se semelhante a Ele em sua morte, para assim alcançar a ressurreição. Sem ser perfeito neste seu intento, Paulo exorta os filipenses a caminhar nessa direção. Este é o momento em que entra o versículo que comentamos. COIMITADORES: em grego Summimëtai [<4831>=imitatores]. Os de Filipo devem imitar seu exemplo e os que caminham nessa mesma direção, que negativamente se desligava da Torah e especialmente da circuncisão. A palavra grega parece uma invenção de Paulo, pois não se encontra em parte alguma fora deste versículo. É composta de Sun [<4862>=cum] com de companhia, e o particípio do verbo Mimeomai[<3401>= imitare] imitar. Daí que temos escolhido também uma nova palavra: coimitadores. A Nova Vulgata traduz efetivamente coimitatores. CONTEMPLAI: Do verbo grego Skopeö [<4648>=observare], observar, contemplar, prestar atenção como para tomar conta de uma pessoa ou coisa em próprio proveito, distinguindo-o do blepein [olhar] sem se concentrar na visão. Aqui é, pois, uma petição de atenta observância da conduta de Paulo e dos que como ele procediam. CAMINHANTES: Do verbo Peripateö [<4043>=ambulare], caminhar e em sentido figurado como aqui, viver ou conduzir-se. MODELO: o Tupos [5179>=forma] impressão, imagem, exemplo, padrão ou molde. Daí temos os tipos de imprensa, por exemplo. E os ensinamentos próprios de uma religião, modelos a serem imitados, que é nosso caso. Em definitivo, parece que a comunidade de Filipos estava dividida entre os judaizantes e os que seguiam o exemplo de Paulo para os quais o AT se deduzia das palavras de Cristo: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo (Mt 22, 37 e 39).  A conduta de Paulo, mais do que ética era uma conduta dogmática em que a cruz de Cristo estava em confronto com a circuncisão e a Torah. Paulo escolheu a cruz e a essa escolha limita seu exemplo e pede sua imitação.

O ERRO DE MUITOS: Pois muitos caminham, como muitas vezes vos disse, os quais, e já agora  lamentando digo,(como) os inimigos da cruz do Cristo (18), dos quais o fim destruição, dos quais o Deus (é) o ventre e a glória na vergonha deles, os quais nas coisas terrenas se ocupam (19). Multi enim ambulant quos saepe dicebam vobis nunc autem et flens dico inimicos crucis Christi quorum finis interitus quorum deus venter et gloria in confusione ipsorum qui terrena sapiunt. CHORANDO: o grego Klaiön [<1799>=flens] particípio de presente do verbo Klaiö lamentar, chorar ou prantear, talvez seja melhor dizer lamentar. Com o significado de chorar, temos que Pedro, após renegar Jesus, chorou amargamente (Lc 22, 62) e com o significado de lamentar quando pede às mulheres de Jerusalém: não vos lamenteis por mim e chorai por vós e vossos filhos (Lc 23, 28). Na realidade, é o verbo usado para descrever os lamentos das carpideiras, ou seja, choro ou lamento pela morte de um ser querido. E é neste sentido que deve se tomar o Klaiön de Paulo deste versículo. INIMIGOS: Echthros [<2190>=inimicus] embora seja um adjetivo, com o  artigo se transforma em nome, como amartolos que é pecador, como adjetivo, e gentil como nome. Aqui o inimigo é quem odeia ou se opõe à cruz de Cristo, como temos visto anteriormente. DESTRUIÇÃO: Paulo fala  do fim dos tais, que é Apöleia [<684>=interitus]. Esta é uma passagem importante pois é uma afirmação geral como se fosse uma lei universal. Que significa Apöleia? No dicionário significa ruína, destruição, aniquilamento. Vejamos algum exemplo: Eu os protegi e nenhum deles se perdeu a  não ser o filho da perdição (Jo 17, 12). Este versículo de João ilustra suficientemente a passagem de hoje. A perdição é o afastamento total da graça divina e da salvação. VENTRE: Paulo continua com a descrição dos réprobos que tem como deus o ventre, Koilia [<2836>=venter]  como em Lc 1, 15 que pode ser também o estômago como em Mt 15, 17. Ao afirmar que seu deus é o ventre, quer dizer que é a coisa que eles adoram como se fosse o seu deus. Ventre substitui o que nele entra (Mt 15, 17) que é a comida e bebida, de cujos vícios Paulo tem uma descrição como sendo o oposto ao reino de Deus verdadeiro (Rm 14, 17). E pela história sabemos dos famosos banquetes que duravam toda a noite de modo a Jesus reclamar vigilância para que, chegado o dia da vingança, o coração [mente] não esteja sobrecarregado com as consequências da orgia  e da embriaguez (Lc 21, 31). Uma outra descrição dos vícios contrários ao Reino é que os pagãos se gloriavam ou tinham como doxa [<1391>= glória] a vergonha ou Aischunë [<152>=confusio] que significa ignomínia, desonra, vergonha, coisa de que se deve envergonhar. A palavra aischinë é empregada por Lucas em 14, 9 quando um convidado deve tomar o último lugar por ter querido ocupar uma cadeira que não lhe correspondia. Paulo, sem dúvida, refere-se aos vícios sexuais de sodomia e pederastia, frequentes na sociedade romana da época. Outros exegetas falam dos judeus que tinham na pureza dos alimentos [o ventre] a regra geral de santidade, a qual constituía seu deus, pois eram os mandatos mais rigorosamente obedecidos. E como a circuncisão [a vergonha] era neles a glória que os distinguia dos gentios, pode-se dizer que se cumpria neles a frase paulina com perfeita exatidão. NAS COISAS TERRENAS: A Epigeia [<1919>=terrena] literalmente sobre a terra pode ser traduzida por terrenas, porque é plural, ou terrestres. É o contrário de Anöthen [<509>=a summo] do alto, acima, de novo, do princípio. Neste caso é, sem dúvida, do alto ou do céu, pois está em oposição às coisas terrenas ou inferiores, segundo o universo de três pisos que era a ideia comum na época.

NOSSA PÁTRIA: Porém nossa cidadania em coisas do céu está, de onde também aguardamos salvador, (o ) Senhor Jesus Cristo (20). Nostra autem conversatio in caelis est unde etiam salvatorem expectamus Dominum Iesum Christum. CIDADANIA: A palavra Politeuma [<4175>=conversatio] tem o significado de administração, governo, bem-estar comum, cidadania. Sai unicamente neste versículo. Vejamos as traduções: conversatio (Vul), pátria (AV e TEB), cidadania (Es), municipatus (Nova Vulg), siamo cittadini (It). O latim conversatio significa a ação de estar ou morar em algum lugar, além de conversação ou trato. O significado é que a nossa maneira de viver deve estar nas COISAS DO CÉU, En ouranois [<3772>=in coelis] e é precisamente  daí onde AGUARDAMOS do grego Apekdechometha [<553>=expectamus] estar aguardando com ansiedade, estar na expectativa, sendo esta a melhor tradução. Essa expectação é a salvação de parte do Senhor Jesus Cristo. Na realidade, Paulo fala do Salvador [sötera<4990>=salvatorem] que em hebraico é Jeshua e que em nosso idioma se pronuncia como Jesus, a cujo nome Paulo acrescenta Cristo [=ungido] tradução de Messias. Se salvação poderia ter um significado ativo da parte do paciente da ação, salvador indica sempre um agente que traz gratuitamente o benefício, independentemente da ação do paciente, a quem basta o desejo de receber o seu libertador.

A TRANSFORMAÇÃO: O qual transformará o corpo de nossa baixeza para ser conforme ao corpo da sua majestade segundo a força do poder dele e de serem todas as coisas a ele sujeitas (21). Qui reformabit corpus humilitatis nostrae configuratum corpori claritatis suae secundum operationem qua possit etiam subicere sibi omnia. TRANSFORMARÁ: Com overbo Metaschësmatizö [<3345>=reformabit] mudar a figura, transformar, que os filólogos distinguem de metamorfoö, sendo este usado para uma transformação mais profunda e permanente. O objeto da transformação é o corpo, o nosso corpo material que Paulo descreve como sendo de baixeza, ou baixa qualidade, indigno, que a humildade do latim não traduz muito oportunamente. Pois Tapeinösis [<5014>=humilitas] indica vileza, baixeza, um estado inferior. Pelo contrário humilitas é uma virtude. Preferimos, pois, baixeza, insignificância, condição humilde, um corpo corruptível e mortal que dirá Paulo em 1 Cor 13, 53. CONFORME: é a tradução literal de Summorfon [<4832>=configuratum] neutro, já que corpo é também neutro, tanto o soma grego como o corpus latino. A tradução literal seria conforme, como temos escolhido. MAJESTADE: em grego Doxa [<1391>=claritas]. Na realidade, doxa é traduzido por glória. Se referida aos homens, é a opinião, estima, esplendor; se aos reis, a magnificência, dignidade, majestade; e com respeito de Deus, a excelência e majestade gloriosa e em supremo grau exaltada sobre qualquer criatura, que aos olhos humanos era o resplendor com que iluminava estrelas e aparecia como luz brilhante e inextinguível como era o Kabod, a nuvem que permanecia sobre o tabernáculo e assim, a glória  do Senhor o enchia. Outros dizem que é o termo bíblico do AT pela parusia, ou presença visível do Senhor. Temos exemplos nos evangelhos : Apresentou-se um anjo e a glória do Senhor os envolveu de resplendor (Lc 2, 9). Em Caná de Galileia manifestou Jesus  sua glória e seus discípulos creram nele (Jo 2, 11). Glória do Senhor é pois o aspecto de majestade e poder que pode se manifestar como resplendor externo, rodeando o corpo ressuscitado de Jesus. Paulo descreve em parte –só vemos em parte- como será o corpo semelhante  ao corpo de Cristo em 1 Cor 15 42 ss. Corpos que ele denomina em glória [doxa=glória] e em poder [dunamis=virtus] em contraste com desonra [atimia=ignobilitas] e fraqueza [astheneia=infirmitas]. O uso das mesmas palavras e ideias indica que foi o mesmo o autor das duas cartas. Segundo a FORÇA DO PODER dEle significa que a ressurreição dos mortos é um ato em que Cristo age como causa eficiente. Do mesmo modo que com só sua palavra ressuscitou Lázaro, assim, com seu poder, os mortos ressuscitarão. Força [energeia<1753>=operatio] de seu poder [dunasthai <1410>=posse]. Unido ao Verbo seu poder é o próprio de Deus; pois dentro da Trindade a ele foi dado o poder sobre sua vida, poder para entregar minha vida e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu pai (Jo 19, 18) e sobre a vida humana porque ele mesmo disse eu sou a ressurreição e a vida (Jo 11, 25). Claro que esse poder vem de Deus que como o levantou dentre os mortos também a nós nos levantará com seu poder (1 Cor 6, 14). Isso é claro, porque assim quis o Pai que todas as coisas fossem SUJEITAS à vontade dele, do Jesus ressuscitado que é o Cristo. Pois, sendo a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, nele foram criadas todas as coisas…nele tudo subsiste, cabeça da igreja, primogênito dos mortos para que em tudo tenha a primazia, porque aprouve a Deus que nele residisse toda a plenitude (Cl 1, 15 e 18)

FINAL: De modo que, irmãos meus queridos e saudosíssimos, alegria e coroa minha, assim permanecei em (o) Senhor, queridos (4, 1). Itaque fratres mei carissimi et desiderantissimi gaudium meum et corona mea sic state in Domino carissimi. Paulo apela agora aos filipenses como a filhos queridos, a quem chama alegria e coroa minha, para que não se deixem enganar pelos judaizantes e fiquem firmes na sua fé em Cristo. Esta fé, atuando no amor (Gl 5, 6), substitui as obras, segundo a Lei ou Torah, que eram o princípio de salvação dos judaizantes

EVANGELHO - A TRANSFIGURAÇÃO

INTRODUÇÃO: Os três sinópticos relatam, com pequenas variantes, o que podemos afirmar ser a apresentação do verdadeiro Jesus ao trio especialmente escolhido como testemunho. Dos relatos, tomando os detalhes mais significativos, procuraremos fazer um compêndio o mais fidedigno possível, ao mesmo tempo em que tentaremos descobrir intenções catequéticas e deduzir pareneticamente as lógicas consequências para o nosso tempo atual. Não podemos esquecer que os detalhes são tão  importantes quanto o esqueleto da redação.

OITO DIAS: Sucedeu, pois, em seguida a estas palavras por volta de oito dias, e tomando a Pedro e a João e a Jacobo, subiu a um monte para orar (28). factum est autem post haec verba fere dies octo et adsumpsit Petrum et Iohannem et Iacobum et ascendit in montem ut oraret. Segundo os outros dois evangelistas, foram seis. Mas o importante, à parte esta pequena diferença, é que o sucesso deu-se imediatamente após um pequeno discurso de Jesus proibindo que declarassem seu título de Messias, profetizando seu fim inglório, os avisos sobre a necessidade da renúncia e finalmente, o anúncio de que o Reino seria visto por alguns deles antes da morte dos mesmos. Esta última afirmação é a que será confirmada por esses discípulos escolhidos e precisamente poucos dias após o anúncio efetuado. Isso nos dá pé para explicar o trecho de hoje com uma certeza indiscutível. O MONTE: Contrariamente ao que ordenavam a lei e o costume judaico, Jesus sobe ao cume de um monte alto. Não era para sacrificar, mas para estar a sós, já que essa região era como se fosse proibida e não se esperava que a multidão estivesse lá. Era o medo aos BAMÁ, os lugares cúlticos nos cumes dos montes.como em 1 Samuel  9, 13 em que os setenta retêm a palavra BAMÁ, onde se celebravam os banquetes rituais após os sacrifícios. Eram lugares, onde a deusa feminina da fertilidade, Asherá, estava representada por um poste de madeira e a divindade masculina ou Matsebá por uma ou duas colunas que a simbolizavam (2Rs 3,2), à semelhança dos totens indígenas. Em Levítico 26, 30, Deus diz: ¨Destruirei seus bamá¨. Antes da monarquia os lugares altos eram lugares de culto a Javé, como vemos em Samuel no lugar antes citado. Depois da construção do templo por Salomão, os lugares altos representavam o envolvimento pecaminoso em cultos pagãos. Salomão construiu lugares altos para agradar suas mulheres (1Rs 11,7), que só 300 anos depois, na época de Josias, foram destruídos (2Rs cap 23). Jeremias (Jr 19, 5) afirmará que as Bamá, que nos seus dias eram lugares de sacrifícios humanos, constituíram parte da razão da catástrofe de Jerusalém ao ser conquistada por Nabucodonosor em 586 aC. Os samaritanos adoravam no monte Garizim (Jo 4, 20). Jesus, que repudiou o uso mercantil do templo, acostumava orar no alto das montanhas (Mt 5, 1). A ORAÇÃO: como era seu costume, Jesus passa grande parte da noite em oração. A oração é o ato mais puro e profundo da adoração que um crente pode oferecer a seu Deus. Jesus, quando tinha um assunto grave, subia à montanha para orar e passava a noite em oração (Lc 6, 12). O acontecimento, do qual os discípulos foram testemunhas, foi uma explicitação do que passava dentro de Jesus: A sua intimidade com a lei (Moisés) e com as palavras dos profetas (Elias). A intenção primeira de Jesus foi a de orar e mostrar seus discípulos como a oração é primária na vida de um seguidor seu. Logo, quando orava, temos a esplendorosa epifania da qual eles foram testemunhas.

A TRANSFIGURAÇÃO: Então sucedeu enquanto orava, a aparência do seu rosto era outra e seu vestido, branco brilhante (29). Et factum est dum oraret species vultus eius altera et vestitus eius albus refulgens. Marcos fala de metamorfose, transformação ou transfiguração. Dá-se muito geralmente entre os insetos desde o ovo até larvas e finalmente o inseto adulto. Lucas evita a palavra metamorfose devido a que entre os greco-romanos era uma palavra que descrevia certos mitos pagãos e fala de como se alterou o rosto e de que suas vestes se tornaram brancas e brilhantes. O fato de que seu rosto fosse outro indica que houve algo mais que um resplendor e dá ocasião a explicar como os discípulos não distinguiam a figura de Jesus ressuscitado. Mateus fala de que sua face brilhava como o sol e que suas vestes eram brancas como a luz, que a Vulgata traduz como a neve. Marcos diz que suas vestes se tornaram tão brilhantes e brancas que jamais na terra um pisoeiro  poderia purificar. O pisão era uma máquina para operar, mediante a percussão, a apertura e limpeza do algodão. As traduções falam de lavadeiro ou tintureiro. As descrições feitas pelos diversos videntes na história da Igreja confirmam estas descrições. Os videntes falam da luz como o componente substancial de suas visões. De fato alguns comentaristas afirmam que estas descrições de luz são uma referência ao relâmpago, elemento da cenografia apocalíptica, como em Dn 10, 6.  Mas o que viram os apóstolos era uma coisa diferente da visão em Fátima. Jesus era uma realidade física que nesse momento estava transfigurado. De Moisés e Elias não poderíamos dizer a mesma coisa. Além de ser uma garantia para o ensinamento de Jesus, eles são testemunhas de que os mortos no Senhor vivem, ou seja, da persistência da vida além túmulo.

MOISÉS E ELIAS: E eis dois homens falavam com ele,  os quais eram Moisés e Elías (30). Et ecce duo viri loquebantur cum illo erant autem Moses et Helias Eram os dois homens que conversavam com Jesus. Para Marcos foi visto por eles Elias com Moisés. Para Mateus Moisés com Elias. Como conheceram os apóstolos que eram semelhantes personagens? Não existiam como hoje desenhos ou pinturas com as quais poderiam identificar os mesmos. Por isso, escutaram seus nomes durante a conversa, ou talvez existiu alguma extrapolação à posteriori para delimitar a companhia de Jesus nesse momento. Sabemos que Moisés podia ser reconhecido pelo brilho de seu rosto, que na figuração cristã aparece como dois chifres de luz e que Elias era o profeta vestido como o Batista. Mas tanto um como outro não poderiam ser identificados unicamente por esses sinais, porque também estavam em majestade (em glória) segundo Lucas, ou seja, deslumbrantes de luz. Ambos, segundo a tradição deviam voltar nos tempos do Messias. De Elias temos o testemunho de Lc 1, 17 sobre o Batista: caminhará com o espírito e o poder de Elias; ou Jo 1, 21: és tu Elias? Perguntam ao Batista. De Moisés temos as palavras do Dt 18,18: um profeta como tu suscitarei do meio de teus irmãos. Em I Mc 15, 41 os judeus nomearam Simão, chefe e supremo sacerdote, até que se erguesse um profeta fiel. Por isso também João, o Batista, é interrogado se ele era o Profeta (Jo 1,21). Moisés era o representante da lei e Elias era o profeta por excelência, que instaurou a lei nos tempos de Acab (I Rs cap 18). A Escritura, ou, como hoje falamos, a Bíblia, era denominada em tempos de Jesus por Lei e Profetas ou Moisés e Profetas (Lc 16,29 ou 24, 27). Isso significa que a palavra de Deus reafirmava tudo o que era conversado.

A CONVERSA: Os quais, vistos em glória, falavam sobre o éxito dEle que devia se cumprir em Jerusalém (31). Visi in maiestate et dicebant excessum eius quem conpleturus erat in Hierusalem. Eles foram vistos em glória ou majestade como alguns preferem traduzir a DOXA grega, ou seja, deslumbrantes de luz. Luz que é imagem do relâmpago que precede a presença divina, porque era a realidade da abertura dos céus, acompanhada pelo trovão, a voz do Senhor (Sl 29,2-3) como apareceu no batismo de Jesus (Mc 1, 10). Deus é luz (I Jo 1, 5) e é na sua luz que vemos a luz (Sl 36, 10). O fato é confirmado pelas visões modernas em Lourdes e Fátima, entre outras aparições recentes. A CONVERSA era sobre o êxito de Jesus que estava a ser realizado em Jerusalém. Evidentemente era sobre a paixão e morte de Jesus e até sobre a sua ressurreição, talvez abrangendo também sua ascensão aos céus. Todos estes eram fenômenos que estavam a acontecer em próximas datas em Jerusalém. De todos os modos, o que não podia faltar era a morte de Jesus em Jerusalém como convinha a um verdadeiro profeta que anunciava os planos do Senhor, contrários aos planos dos homens (Lc 13, 33). Essa matéria constituía uma das preocupações mais sérias de Jesus, até o ponto de repetir três vezes a predição e de se sentir angustiado pela proximidade dos sofrimentos que a acompanhavam (Jo 12, 27).

AS TENDAS: Então Pedro e os que estavam com ele pesados de sono tendo despertado, viram a glória dEle os dois homens estando de pé com Ele (32). E sucedeu, ao se retirarem eles dEle, disse Pedro a Jesus: Mestre, bom é para nós permanecer aqui, e faremos três tendas: uma para ti, para Moisés uma e outra para Elías, não sabendo o que dizia (33). Petrus vero et qui cum illo gravati erant somno et evigilantes viderunt maiestatem eius et duos viros qui stabant cum illo. Et factum est cum discederent ab illo ait Petrus ad Iesum praeceptor bonum est nos hic esse et faciamus tria tabernacula unum tibi et unum Mosi et unum Heliae nesciens quid diceret. Os três apóstolos estavam com sono pesado. Dormiam. E foi ao despertar, como nos diz Lucas, que viram a GLÓRIA de Jesus (sua majestade segundo a Vulgata) e os dois homens que estavam com ele. Os outros dois evangelistas omitem estas circunstâncias. Foi ao se afastar de Jesus os dois acompanhantes, que Pedro indicou a conveniência das três tendas ou cabanas. As TENDAS eram o único lugar de acomodação que os israelitas tinham durante os sete dias da grande festa das Skenopégiaou Sukoth. Eram verdadeiros carnavais religiosos em que a alegria e a felicidade triunfavam sobre qualquer outro sentimento ou sensação. Pedro usa a palavra Epistates (Praeceptor em latim e traduzida por Mestre em vernáculo; é o Master inglês)) sendo que Marcos conserva o original Rabbi e Mateus traduz por Kyrie (Senhor) que Lucas usará também em outras circunstâncias como 5, 8. Parece que Pedro queria aproveitar o momento sem se dar conta do que estava pedindo, pois acabava de acordar. E foi nesse instante que apareceu a nuvem.

A NUVEM: Falando, pois, ele estas coisas, apareceu uma nuvem e os encobriu; porém temeram ao entrarem eles na nuvem (34). haec autem illo loquente facta est nubes et obumbravit eos et timuerunt intrantibus illis in nubem. Segundo o grego a palavra usada é NEFELË. Também temos NEFOS, esta última como palavra geral (nuvens diríamos em português) e nefele como massa limitada, uma nuvem bem formada com contornos definidos. Em hebraico temos AB de Êx 19,19  que os setenta traduzem por coluna de nuvem e que no hebraico é nuvem caliginosa como na Vulgata latina; é a nuvem que serve de estrado quando o Senhor vem julgar seus inimigos (Is 19 1), cavalgando numa nuvem ligeira ou finalmente como em Mt 24, 30, o Filho do Homem sobre as nuvens do céu. Existe uma outra palavra,  ANAN,  usada para a coluna de nuvem de Êx 13, 21. Esta palavra sai 80 vezes no AT, indicando em 75 delas a presença de Javé no tabernáculo. É a nuvem que pousará sobre o templo em I Rs 8, 10-11, manifestando a glória de Javé. Essa nuvem era escura durante o dia para se transformar em nuvem de fogo à noite. A nossa nuvem, segundo Mateus, era brilhante (não podemos esquecer que era noite) e uma manifestação da presença divina em glória ou majestade. Por isso os discípulos tiveram medo ao serem envolvidos pela mesma. Era a manifestação de Javé; e sua presença era sentença de morte para quem o visse, tal e como os judeus temiam em Êx 20, 19. É o temor que se apodera de todo humano quando o sobrenatural é sentido como sensação sensível e presente. Isso mesmo vemos nos relatos dos videntes em aparições que são de paz como as que tiveram os pastores em Belém ou Maria com o anjo.

A VOZ: Então uma voz surgiu da nuvem dizendo: este é o meu Filho, o amado:Ouvi-o (35). Et vox facta est de nube dicens hic est Filius meus electus ipsum audite Evidentemente era a VOZ de Deus, como no Sinai que se fazia ouvir da nuvem,  assim como a glória do Senhor se manifestava nela (Êx 16, 19 e 19, 16). Em II Pd 1, 17 a voz é a de Deus Pai e dele procede o som que proclama duas coisas: 1º) A filiação divina de Jesus como o amado (Mt e Mc) ou como o escolhido (alguns manuscritos gregos de Lc). Qual a diferença? Escolhido indica uma direção messiânica e amado aponta a uma filiação única porque o superlativo não existe em hebraico. O grego ressalta esse adjetivo que se transforma em atributo, especialmente por ser precedido do artigo definido que transforma o simples amado em aposição pessoal ¨o amado¨. O sentido seria o meu filho primogênito ou único. Ambos eram especialmente objeto de um amor de escolha especial. Como o substantivo empregado em grego é Huiós, devemos descartar a tradução de servo, que em grego seria Pais. É a mesma voz que no batismo de Jesus o representa como o meu filho, o amado. Pedro, na segunda de suas cartas, nos diz ter sido testemunha da majestade do Senhor Jesus Cristo ao ter recebido este a glória e honra da parte de Deus Pai, quando da excelsa glória (= nuvem) fez chegar esta voz:  Este é meu Filho, o amado, em quem, comprazido, me orgulho. 2º) O mandato de escutá-lo, como antigamente se escutou Moisés, ou a voz de Elias, como a voz de Deus, em cujo nome falavam. Por isso, desaparecem tanto Moisés como Elias e fica Jesus, sozinho. Ele é a vontade do Pai e representa os planos da grande obra salvífica que está prestes a revelar no seu êxito em Jerusalém.

FINAL: E ao se ouvir a voz, ficou Jesus só; e eles calaram e a ninguém anunciaram naqueles dias nada do que viram (36). et dum fieret vox inventus est Iesus solus et ipsi tacuerunt et nemini dixerunt in illis diebus quicquam ex his quae viderant. Segundo Marcos, o silêncio dos apóstolos foi devido a um mandato de Jesus que lhes ordenou nada  dizer até que ele ressuscitasse dos mortos. Era o segredo messiânico, pois se os apóstolos entenderam alguma coisa do fenômeno, era sem dúvida que Jesus era o Messias. E esta verdade era perigosa, devido a falsa ideia dos contemporâneos. Talvez por isso, Jesus, na continuação, declara como seria seu fim em Jerusalém.

PISTAS:

1) Oito dias antes, Pedro, a voz do  discípulo, iluminado pela fé, aclama Jesus como Messias. Agora é o Pai que ilumina os discípulos: Jesus é o Filho, o primogênito entre muitos irmãos conformes à sua imagem, dirá Paulo (Rm 8, 29).Por isso a vitória da transfiguração ilumina o fracasso da cruz.

2) O Pai deixa nas mãos de Jesus o novo Reino que se mostra independente da tradição e dos profetas. O Pai oferece o Reino ao Filho porque o Filho oferece a vida ao Pai incondicionalmente. Esse reino é visto em seu esplendor pelas testemunhas escolhidas.

3) Jesus formando uma única pessoa a do Verbo, é o escolhido para que a divindade e a humanidade coincidam, unindo-se numa única e distinta individualidade ou sujeito. Porém é sua humanidade, escolhida como filho, a que nós temos visto e ouvido como presença de Deus definitiva e última na história e a ela devemos seguir e obedecer: escutai-o – diz como mandato único a voz de Deus no monte da revelação.

4) A humanidade de Deus, revestida de humildade em Jesus, se reveste da glória e majestade de Deus no Tabor (monte onde a tradição afirma deu-se a transfiguração). A humanidade revestida de humildade será a base da redenção na cruz, mas objeto da contemplação orgulhosa do Pai  e por isso exaltada onde nós vemos o fracasso e abatimento, pois é fruto de uma obediência até a morte e morte de cruz( Fp 2,8). Seu êxito foi, pois o orgulho do Pai e a exaltação do Verbo em Jesus-homem, e como tal homem seu nome de Jesus (salvador) dominará todo o mundo criado.

5) Ao estar só o homem-Jesus é revelado como a realidade definitiva (a verdade) da presença de Deus na terra. Escutar sua voz é ouvir a realidade do Criador e sentir a presença do Salvador.


EXCURSUS: NORMAS DA INTERPRETAÇÃO EVANGÉLICA

- A interpretação deve ser fácil, tirada do que é o evangelho: boa nova.

- Os evangelhos são uma condescendência, um beneplácito, uma gratuidade, um amor misericordioso de Deus para com os homens. Presença amorosa e gratuita de Deus na vida humana.
- Jesus é a face do Deus misericordioso que busca o pecador, que o acolhe e que não se importa com a moralidade ou com a ética humana, mas quer mostrar sua condescendência e beneplácito, como os anjos cantavam e os pastores ouviram no dia de natal: é o Deus da eudokias, dos homens a quem ele quer bem e quer salvar, porque os ama.

Interpretação errada do evangelho:

- Um chamado à ética e à moral em que se pede ao homem mais que uma predisposição, uma série de qualidades para poder ser amado por Deus.
- Só os bons se salvam. Como se Deus não pudesse salvar a quem quiser (Fará destas pedras filhos de Abraão).

Consequências:

- O evangelho é um apelo para que o homem descubra a face misericordiosa de Deus [=Cristo] e se entregue de um modo confiante e total nos braços do Pai como filho que é amado.
- O olhar com a lente da ética, transforma o homem num escravo ou jornaleiro:aquele age pelo temor, este pelo prêmio.
- O olhar com a lente da misericórdia, transforma o homem num filho que atua pelo amor.
- O pai ama o filho independentemente deste se mostrar bom ou mau. Só porque ele é seu filho e deve amá-lo e cuidar dele.
- Só através desta ótica ou lente é que encontraremos nos evangelhos a mensagem do Pai e com ela a alegria da boa nova e a esperança de um feliz encontro definitivo. Porque sabemos que estamos na mira de um Pai que nos ama de modo infinito por cima de qualquer fragilidade humana.


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QUE DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje! Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

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