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Índice desta página:
Nota: Cada seção contém Comentário, Leituras, Homilia do Diácono José da Cruz e Homilias e Comentário Exegético (Estudo Bíblico) extraído do site Presbíteros.com

. Evangelho de 12/06/2016 - 11º Domingo do Tempo Comum


Acostume-se a ler a Bíblia! Pegue-a agora para ver os trechos citados. Se você não sabe interpretar os livros, capítulos e versículos, acesse a página "A BÍBLIA COMENTADA" no menu ao lado.

Aqui nesta página, você pode ver as Leituras da Liturgia dos Domingos, colocando o cursor sobre os textos em azul. A Liturgia Diária está na página EVANGELHO DO DIA no menu ao lado.
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12.06.2016
11º Domingo do Tempo Comum — ANO C
( Verde, Glória, Creio – III Semana do Saltério )
__ Deus perdoa porque ama; nós amamos porque fomos perdoados __

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

Clique aqui para ver ou baixar o PPS.

(antes de clicar - desligue o som desta página clicando no player acima do menu à direita)

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Reunimo-nos como comunidade cristã para celebrar a fé no Filho de Deus, que nos amou e se entregou por nós. O centro de nossa celebração é Cristo, que não morreu em vão; pelo contrário, sua morte nos inocentou das culpas. A fé no mistério pascal, celebrado na Eucaristia, nos leva a exclamar com Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim”. Celebrando a Eucaristia, tomamos consciência de nossos pecados e fraquezas. Porém, nenhum crime está excluído do perdão de Deus. Sendo, portanto, a Eucaristia memorial do amor de Deus que perdoa, celebrá-la significa sermos gratos ao Senhor, pois ele perdoa porque ama. Junto com todos os sofredores e marginalizados, acolhamos a salvação que Deus nos oferece em Jesus, que a todos valorizava.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Irmãos e irmãs, o Senhor Jesus nos convidou à sua Mesa. Dela sairemos alimentados pela Palavra e pela Eucaristia. Somos um povo pecador, mas alcançado pela graça da misericórdia de Deus. Por isso, hoje, bendizemos ao Pai pois Ele nos olha com compaixão e, em seu Filho Jesus, nos ama com tanta misericórdia. Por isso, bendigamos ao Senhor, no Espírito Santo, celebrando este sacrifício de louvor.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: A celebração da Santíssima Eucaristia é a expressão do imenso amor de Deus por nós e do seu perdão. A liturgia deste domingo, mostra-nos que o pecado é um enorme e pesado fardo que separa o homem de Deus, o oprime e lhe tira a alegria e o sentido da vida. Mas, nos revela também, que Deus ama tanto o homem que está sempre disposto a perdoar. De fato, Deus detesta o pecado, mas ama apaixonadamente o pecador, e investe tudo para libertá-lo dessa terrível opressão. Tudo o que Ele nos pede é que arrependidos, nos deixemos amar e confiemos no seu amor. E celebrar a Eucaristia é reconhecer e acolher seu amor misericordioso. Um dos temas fundamentais do evangelho de Lucas é a manifestação que Jesus faz de si mesmo, como aquele que salva os pecadores. Neste sentido, ele já se proclama Deus, porque os judeus têm consciência de que só Deus pode perdoar os pecados.

Sintamos o júbilo real de Deus em nossos corações e cheios dessa alegria divina entoemos alegres cânticos ao Senhor!


(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (2 Samuel 12,7-10.13): - "Por que desprezaste o Senhor, fazendo o que é mau aos seus olhos?"

SALMO RESPONSORIAL (Sl 31/32): - "Eu confessei, afinal, meu pecado e perdoastes, Senhor, minha falta."

SEGUNDA LEITURA (Gálatas 2,16.19-21): - "Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim."

EVANGELHO (Lucas 7,36-50): - "Seus numerosos pecados lhe foram perdoados, porque ela tem demonstrado muito amor."



Homilia do Diácono José da Cruz — 11º Domingo do Tempo Comum — ANO C

A CONSCIÊNCIA DO PECADO

Na sociedade globalizante e consumista da qual fazemos parte, onde vale tudo para ser feliz, seduzido pelas facilidades da vida moderna, na medida em que o homem avança em ritmo acelerado na tecnologia e na ciência, experimenta uma evolução rápida e espantosa. Porém, por outro lado todo esse sucesso da comunidade científica aumenta no ser humano a prepotência e a auto suficiência, assumindo o lugar de Deus, quando se apresenta como senhor de sua vida e de seus atos, conhecedor do bem e do mal, e arrogando-se o direito de decidir sua própria vida.

Temos visto recentemente em uma emissora de TV uma campanha publicitária onde determinada corrente ideológica defende abertamente o aborto e uma mulher elegante e liberada convence o telespectador de que o aborto está entre as demais conquistas da mulher moderna, que por isso têm todo direito de decidir o que fazer com seu corpo, sem dar satisfação a ninguém, muito menos a Deus, cuja lei é considerada retrógrada.

E assim, nessa sociedade mais do que nunca antroprocêntica, o homem arrogante vai dando o seu grito de independência, decretando a morte de Deus e o fim do pecado, como se Deus atrapalhasse os planos de ser feliz, da humanidade.

Mas e os discípulos de Jesus, membros de tantas igrejas cristãs, como se posicionam diante dessa sociedade que “liberou geral” em uma verdadeira maratona do “vale tudo” na busca do prazer, sucesso e felicidade?

A voz profética de Natã na primeira leitura, despertou no rei Davi a consciência do seu delito, do seu procedimento totalmente contrário à palavra de Deus, pois colocou Urias na frente de batalha para que este morresse e assim ele pudesse possuir a sua esposa. Essa atitude penitente permitiu ao rei experimentar a alegria do amor de Deus.

Precisamos admitir que estamos enfermos, para sermos curados pela misericórdia divina. O salmo 51 é um dos mais belos da sagrada escritura, com seu caráter profundamente penitencial mostra-nos o rei Davi humilde e penitente, que reconhece o seu pecado “Pequei contra o Senhor”.

Mas o pior enfermo é aquele que não admite a sua enfermidade, procurando esconde-la com práticas religiosas e uma aparência piedosa diante dos irmãos. O Fariseu Simão, que convidara Jesus para jantar em sua casa, não é má pessoa ao contrário, sua conduta é irrepreensível já que cumpre todos os deveres para com Deus e o próximo e como bom teólogo, conhece a Palavra de Deus, suas promessas e suas leis dadas a Moisés.

Já a mulher tem má fama, é conhecida como pecadora sendo moralmente desqualificada, e por sua conduta está excluída da comunidade porque é considerada impura, mas há algo em sua vida que a difere do fariseu piedoso: conheceu Jesus e descobriu-se amada e querida por ele, apesar dos seus inúmeros pecados e a experiência desse amor a leva a reconhecer-se pecadora, sentindo no coração não um remorso doloroso, mas sim uma incontida alegria que procurou manifestar na casa do fariseu, lavando e ungindo os pés daquele que a fez descobrir o verdadeiro amor.

O fariseu mantinha com Deus uma relação sem dúvida piedosa, mas como se sentia justificado pelas suas obras, dava-se o direito de julgar os que estavam em pecado, excluindo-os de sua companhia, e sentindo-se merecedor do amor de Deus e sua salvação.

Note-se que Jesus não condena a conduta e o modo de viver do fariseu, e nem tão pouco aprova a vida pecaminosa da mulher, apenas realça o modo como ambos se relacionam com Deus. Certamente essa experiência com o Mestre Jesus mudou para sempre a vida daquela mulher mostrando-nos que a iniciativa é sempre de Deus e que somente quando descobrimos o seu amor em nossa vida, é que percebemos o quanto somos pecadores por não correspondermos a esse amor.

Simão admirava Jesus, mas não via nele nada de especial, porque a lei, tradição, o rito e suas boas obras não o deixavam sentir o quanto Deus o amava, manifestando este amor em Jesus. A religião do perfeicionismo e do moralismo é sempre muito triste porque nela, o homem mantém com Deus não uma relação de filho, amado e querido, mas apenas de um empregado, que cumpre seu dever junto ao patrão, merecendo deste o justo salário.

A verdadeira autêntica e única religião têm como base um amor que não se prende a qualquer lei moral ou norma de conduta, mas sim ao encanto e fascínio de Cristo Jesus, cujo olhar, gesto e palavras tem o poder de tocar nosso coração, fazendo-nos renascer e recuperar nossa dignidade de filhos de Deus, despertando-nos esse desejo incontido de estar a seus pés, como essa mulher, naquela noite imemorável na casa de Simão. Que o formalismo religioso não mate em nós a alegria desse amor grandioso!

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Costa —11º Domingo do Tempo Comum — ANO C

Contrição e conversão

Puxa vida! Como essa mulher chorava! “As suas lágrimas banhavam os pés do Senhor e ela os enxugava com os cabelos, beijava-os e os ungia com o perfume” (Lc 7,38). Isso sim que é arrependimento. Jesus disse que os “seus numerosos pecados lhe foram perdoados, porque ela tem demonstrado muito amor” (Lc 7,47). A esse tipo de arrependimento a Igreja chama contrição porque está movido pelo amor, diferente da atrição, arrependimento movido pelo temor. A contrição limpa totalmente a alma, purifica-a e faz com que fluam os propósitos de uma vida nova.

A história da Igreja está cheia de famosos pecadores que se converteram ao Senhor, um dos mais conhecidos pelas suas próprias Confissões – livro clássico que vale a pena ser lido – é Santo Agostinho. Foi esse santo quem deixou escrita aquela frase tão conhecida e citada: “fizeste-nos, Senhor, para ti e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em ti”. É verdade, o coração humano não poderá encontrar repouso senão no Senhor. Bento XVI, ao chegar a Portugal, no começo da sua visita, sentenciou: “a relação com Deus é constitutiva do ser humano: foi criado e ordenado para Deus, procura a verdade na sua estrutura cognitiva, tende ao bem na esfera volitiva, é atraído pela beleza na dimensão estética. A consciência é cristã na medida em que se abre à plenitude da vida e da sabedoria, que temos em Jesus Cristo”.

Geralmente, os convertidos mostram ser pessoas fervorosas. Às vezes são pessoas que conheceram os abismos do pecado e do demônio, que desceram até aos abismos da morte espiritual e, por tanto, ao serem libertadas do diabo e do pecado, sabem valorizar a graça de Deus que lhes alcançou: ser cristão, ser católico; poder confessar-se com frequência; participar do Sacrifício de Cristo Salvador em cada Santa Missa; conversar com Deus na oração; viver uma vida limpa, honesta, livre das cadeias do mal e do pecado.

A contrição que os conversos manifestam me ajuda a pensar na sinceridade do meu amor para com Deus. Eu acho que nós, católicos “de sempre”, deveríamos aprender algo do fervor dos conversos. Sem dúvida, quando a vida de fé vai madurando se vê mais e melhor; não obstante, nunca podemos afastar-nos do nosso primeiro amor, dessa visão das coisas que nos foi concedida e que mudou o rumo da nossa vida. Não nos esqueçamos daquelas palavras do Espírito Santo: “trabalhai na vossa salvação com temor e tremor” (Fl 2,12).

Aquela mulher percebeu algo do amor de Deus para com ela, viu também que tinha ofendido a esse Deus tão bom e amável e, diante dessa evidência, não pode fazer outra coisa que derramar abundantes lágrimas. O ato de contrição nos leva a perceber que “Deus é amor” (1 Jo 4,8.16) e que nós ofendemos a alguém que só quer o nosso bem e a nossa felicidade; em segundo lugar, que não podemos fazer nada a não ser pedir perdão, chorar e implorar misericórdia no sacramento da confissão. É muito oportuno recordarmos aquelas palavras do Papa Francisco que tanto nos consolam: o Senhor “nunca se cansa de perdoar, mas nós às vezes cansamo-nos de pedir perdão. Não nos cansemos jamais, nunca nos cansemos! Ele é o Pai amoroso que sempre perdoa, cujo coração é cheio de misericórdia por todos nós”.

Além disso, peçamos a Deus que nos livre da atitude do fariseu que, além de ter sido pouco educado– não ofereceu água a Jesus para lavar os pés, não lhe deu o ósculo, não ungiu a cabeça de Cristo –, começou a julgar aquela pobre mulher. Infelizmente, às vezes, em lugar de alegrarmo-nos por um irmão que se converte, começamos a julgá-lo; essa atitude não é cristã. Precisamos ser mais acolhedores e alegrar-nos mais com os outros, celebrar festivamente o fato de que uma pessoa se aproxima do Senhor. Ele é o nosso Deus e quer sempre o nosso bem.

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético — XI Domingo do Tempo Comum — ANO C
(Extraído do site Presbíteros - Elaborado pelo Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

Epístola (Gl 2, 16, 19-21)

INTRODUÇÃO: A epístola aos gálatas é uma apologia de seu evangelho [de Paulo], esse que colocava a salvação ou a justificação só em Cristo, como fonte; e na fé de cada cristão, como receptor da mesma. A Lei [nomos ouTorah] era inútil e até inconveniente, diante desta fórmula única de salvação em Cristo. Neste trecho, Paulo argumenta, servindo-se do valor que tem a cruz de Cristo, onde a redenção [lytron] teve sua origem; portanto essa cruz não pode ser esvaziada de seu valor e significado. Uma outra ideia é que a fé nos transforma em novos Cristos, pois viver essa fé é estar crucificado com Ele, de modo que Paulo afirma que já a sua vida e a vida de Cristo se confundem.

A JUSTIFICAÇÃO: Sendo conhecido que não se justifica um homem por meio de obras de Lei, senão através da fé de [em] Jesus Cristo, também nós, em Cristo Jesus temos acreditado, para sermos justificados pela fé de Cristo e não por meio de obras de Lei, porque não se justifica toda carne por meio de obras de Lei (16). Scientes autem quod non iustificatur homo ex operibus legis nisi per fidem Iesu Christi et nos in Christo Iesu credidimus ut iustificemur ex fide Christi et non ex operibus legis propter quod ex operibus legis non iustificabitur omnis caro. JUSTIFICA [dikaioutai <1344>=justificatur] Só Deus justifica, isto é, aplica ao homem sua santidade de vida, tornando-o livre de pecado  (Rm 3, 30) [parte negativa] e colocando nele a sua santidade [parte positiva] que geralmente é chamada de graça santificante, verdadeira justificação que nos reintegra a graça de Deus (Deus derramado em nossos corações [Rm 5, 5]), para que tenhamos uma nova vida  (Rm 6, 4) com a qual se realiza a adoção,  transformando o homem em irmão de Cristo, conferindo-lhe a participação real na vida do Filho único, revelada mediante a ressurreição (CIC 654). Tudo é real, tanto o perdão (Rm 5,1) como a graça (Rm 5,5) e por isso somos lavados, consagrados e justificados (1Cor 6,11). Paulo termina, afirmando que nenhuma carne [homem] é justificada pelas obras da Lei, ou seja, a que constituia a Antiga Aliança, que hoje é totalmente anulada (Rm 4, 14). OBRAS DA LEI: O NOMOS [Lei] em Paulo é o conjunto de normas que constituiam a Antiga Aliança [a Torah], fundada sobre a circuncisão e as numerosas tradições dos antigos, especialmente as referentes à impureza e ao sábado, que Jesus criticou em repetidas ocasiões, pois o sábado estava feito para o homem e não este para o sábado (Mt 12, 8); ou as leis de impureza eram sobre coisas externas que em nada podiam manchar o interior do homem como eram os alimentos proibidos (Mt 23, 25 ss). Máxime, se essas obras eram feitas para caiar o exterior como se fazia com os sepulcros (Mt 23, 27). PELA FÉ EM CRISTO: Sendo a justificação obra gratuita de Deus, ou a aceitamos pela fé ou unicamente podemos nos opor a ela, não admitindo a mesma, porque não acreditamos na sua bondade e a desprezamos ou a rejeitamos propositadamente, como fez aquela geração que Jesus tratava de adúltera, no sentido de servir à mammona [deus-riqueza], desprezando o verdadeiro Deus. Jesus dirá que quem crer e for batizado será salvo [ou justificado] (Mc 16, 16).

A MORTE NA LEI: Pois eu, por meio da Lei, morri na Lei para viver para Deus (19). Ego enim per legem legi mortuus sum ut Deo vivam Christo confixus sum cruci. Que significa esta frase de Paulo? Por meio da Lei morri na Lei, ou melhor, estou morto? Segundo o que ele conta em Romanos 2, 17ss, todos os judeus transgrediram a Lei [a Torah] e portanto, segundo a doutrina [verdadeiro significado de Torah] dessa Lei, estariam mortos sob o império do pecado (Rm3, 9) de modo que se pode aplicar a Escritura: Não há justo nem mesmo um só (Rm 3, 10). Mas Deus, que se compadece do pecador e veio para o salvar [viver, dar vida (Jo 10, 10)], justificou Paulo, porque ele estava morto, de modo que se tornasse verdadeira a frase que ele se atreve a afirmar: Onde abundou o pecado superabundou a misericórdia (Rm 5, 20). Tudo porque Deus é rico em misericórdia (Ef 2, 4).E de sua vida, da de Paulo, podemos tirar uma conclusão universal:O resultado final da Lei é a morte; por isso, unicamente a fé nos faz viver em Cristo pela graça de Deus. É tão atrevida esta sua aproximação ao papel da Lei que Paulo teve que explicar como a Lei não era causa formal [em si mesma] do pecado; mas é este, como sendo um ser vivo, por meio da concupiscência, quem causa a morte, como independente e oposto à Lei (Rm 7, 7ss).

A CRUZ: Pois com Cristo estou crucificado vivo; não eu, porém vive em mim Cristo, o qual, pois, agora vivo em carne, em fé vivo na do Filho de (o) Deus que me amou e deu a si mesmo por mim (20), Vivo autem iam non ego vivit vero in me Christus quod autem nunc vivo in carne in fide vivo Filii Dei qui dilexit me et tradidit se ipsum pro me. CONCRUCIFICADO: a cruz de todo cristão é estar atado ao pecado. Sabemos  que nosso homem velho tem sido crucificado com ele [Cristo] para que o corpo do pecado seja destruído, a fim de que não sejamos escravos do pecado (Rm 6, 6). E se este pressuposto é universal e normal em todo cristão que recebe no batismo o Espírito, em Paulo se deu de modo peculiar: eu não quero presumir a não ser da cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.  (Gl 6, 14). Como vemos a crucifixão de Paulo é para o pecado e o mundo, todos os dois submetidos a seu príncipe, Satanás, o verdadeiro inimigo de Cristo, cujo domínio especialmente se estende ao mundo e seus adoradores (Mt 4, 9). AGORA VIVO EM CARNE: Paulo na sua analogia do corpo de Cristo encontra na carne dos fiéis [carne e ossos, dirá] o corpo de Cristo vivente na terra em cada um dos seus verdadeiros fiéis, entre os quais ele mesmo se encontra. Por isso, sendo a Igreja e cada um dos seus membros apresentados como virgem pura a um só esposo que é Cristo (2 Cor 11, 2), e a Ele unidos individualmente (1 Cor 6, 17), podemos concluir que, segundo Gênesis, são dois numa só carne, como afirma Paulo da união com a meretriz (1 Cor 6, 16). Confirma-o Paulo quando fala da comunhão do pão e do vinho, como comunhão com o corpo e sangue de Cristo (1 Cor 10, 16). Mas para evitar uma interpretação totalmente materialista, Paulo afirmará que é dentro de uma interpretação espiritual, porém realista que deve ser interpretada esta união tão especial, não só com o espírito, mas também com o corpo de Cristo, formando um espírito comum com ele (1 Cor 6, 17), o que já Jesus disse no seu discurso de Cafarnaum: O espírito é que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida (Jo 6, 63). Como se dissesse: um corpo vive pelo espírito não pela carne. E o que comunico com estas palavras é que meu espírito tornar-se-á vosso espírito. Embora carne e sangue aparentemente sejam diferentes do espírito, eu comunico a vida nova nessa vossa carne e sangue que do contrário estaria morta. Por isso, Jesus pode afirmar que se deve comer e beber seu corpo e seu sangue. Embora muitos membros [ou corpos diferentes] todos formamos um só corpo cuja cabeça é Cristo (Cl 1, 18). Mas é maravilhoso que possamos inteiramente não só como almas ou espíritos, mas também em nossas vidas corporais repetir com os antigos padres da Igreja: Christianus alter Chirstus ( Cristão é outro Cristo). E SE ENTREGOU POR MIM: O amor é o que mais une as pessoas e o amor é melhor manifestado, quando alguém se imola pelo amado. Isso foi o que Jesus fez e por isso essa entrega é o maior penhor de nossa vida e salvação.

NÃO ESVAZIAR A CRUZ: Não rejeito a graça de(o) Deus. Pois se por meio da lei há justiça, então vanamente Cristo morreu (21). Non abicio gratiam Dei si enim per legem iustitia ergo Christus gratis mortuus est. Paulo conclui seu argumento ou diatribe, como se dizia em grego clássico entre os filósofos cínicos e estóicos, dizendo que não pode rejeitar a graça de Deus. Entre a escolha pela Lei ou pela graça misericordiosa de Deus, Paulo não tem mais remédio que optar por esta última. E como colofão de sua doutrina acrescenta: caso escolhamos a justiça como vinda da Lei, a morte de Cristo seria inútil, para nada serviria. Mas, pelo contrário, a morte de Cristo é causa da vida [do espírito] e da ressurreição [do corpo].

Evangelho (Lc 7, 36-8,3)

1a PARTE: A PECADORA

O BANQUETE: Após um convite [convidava-lhe], Jesus entrou na casa de um fariseu de nome Simão (43) e se recostou na mesa para comer. Simão (forma abreviada de Simeão=famoso) era nome comum entre os judeus na época. Foi o nome de Pedro, o nome do leproso em cuja casa hospedou-se Jesus em Betânia, a vila próxima de Jerusalém. Nome do pai de Judas Iscariotes, que foi o traidor. Era o nome de Simão, o irmão [parente] do Senhor; Simão o Cirineu; Simão o Zelote, um dos discípulos; Simão o curtidor de Jope, dos Atos 9. Era um banquete em toda regra; pois o verbo grego anaklino indica que os convivas estavam deitados ou reclinados ao modo grego e não sentados como seria o costume judaico. Provavelmente seria no entardecer da sexta feira, ou seja, no início do sábado, tempo em que os fariseus acostumavam ter suas comidas em grupo, formado por 12 a 20 pessoas. Eram banquetes religioso-sociais em que só pessoas do grupo entravam a formar parte, com a exceção de convivas especiais, como no caso de Jesus a quem consideravam profeta (39) e a quem Simão chama de Mestre (40). Nessas refeições, em que se alternavam como hospedeiros os membros dos componentes do grupo, esmeravam-se as donas da casa em oferecer o melhor de sua culinária. Este era o caso que estudamos. Como era costume entre os romanos, os comensais estavam recostados sobre divãs a pouca altura do chão, descalços, com os pés fora do divã. Estes banquetes, pelo menos entre os romanos, começavam ao entardecer e continuavam durante a noite até altas horas da madrugada. Sabemos como a comida era regada com vinhos e acompanhada com danças e diversões como no banquete oferecido por Herodes Agripa no dia de seu aniversário natalício (Mc 6, 21). Evidentemente que este não era o caso de Simeão. Era um banquete mais familiar, entre seus colegas de collegium ou associação como sabemos que existiam em Roma e Alexandria. Tampouco era o banquete celebrado em honra dos mortos, costume greco-romano, nos cemitérios, que foi recebido pela primitiva Igreja e que deu lugar aos banquetes eucarísticos nas catacumbas onde se situaram as criptas que serviam para realizar a Eucaristia sobre o altar do mártir comemorado.

A PECADORA: Qual era o significado desta palavra nos tempos de Jesus? A maioria dos comentaristas pensam que essa mulher, conhecida na cidade, era uma mulher pública, das quais se dizem ter vida fácil (?), que se oferecem por dinheiro a todos os que possam pagar seus atrativos. Porém existe uma outra versão da palavra pecador que encontramos unida à de publicanos e cujo significado é de gentil ou pagão, como em Lucas 15,1: Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores [amartoloi] para ouvir. É verdade que Mateus une no mesmo contexto publicanos e meretrizes em Mt 21, 31-32. Publicanos e meretrizes [pornai] vos precedem no reino de Deus (31) e não acreditastes nele (o Batista) ao passo que publicanos e meretrizes creram (32). Em Mt 9, 10 lemos: estando ele em  casa à mesa, muitos publicanos e pecadores [amartoloi]  vieram e tomaram lugares com Jesus. Em Mc 2, 15-16 lemos que em casa de Levi muitos publicanos e pecadores [amartoloi] porque estes eram em grande número e o seguiam, estavam junto com ele (15). Por isso os escribas e fariseus perguntavam a seus discípulos por que come e bebe ele com os publicanos e pecadores [amartoloi] (16). É interessante que no lugar paralelo Lucas (5, 29-32), primeiramente, o evangelista fala de publicanos e outros(29) para depois os fariseus e seus escribas afirmar que eram pecadores (30). No mesmo Lucas a palavra pecador tem um sentido de gentil em 24, 7 quando Jesus afirma que será entregue nas mãos de homens pecadores [anthropön amartolön] Finalmente temos a passagem de Paulo em Gl 2, 15 : Nós judeus por natureza e não pecadores [amartoloi] dentre os gentios. Tudo isso indica que a palavra amartolos pode ter um sentido não necessariamente ético, mas étnico. Por isso podemos pensar que a mulher que era amartolos poderia ser não uma meretriz, mas uma mulher pagã ou talvez uma mulher judia casada com um pagão. Nestes dois últimos casos, admitidos pela semântica e por alguns comentaristas como afirmava já Gill em seus comentários, temos uma nova visão do evangelho de Lucas que confirma sua predileção, assim como a de Paulo, para ser chamado o evangelho dos gentios. Por outra parte, a repulsa do fariseu seria mais forte, caso fosse uma pagã a mulher que tocou e ungiu os pés de Jesus.

A MULHER: Podemos dizer quem não era e nada sabemos sobre quem era. A tradição grega a distingue perfeitamente das outras duas mulheres com as quais os latinos a confundem: Maria de Magdala e Maria de Betânia, irmã de Lázaro. Maria de Magdala, da qual Lucas fala em várias ocasiões, era uma mulher solteira, ou viúva, pois o seu patronímico (nome do pai ou do marido) é substituído por  um toponímico (nome da cidade de origem), Magdala, ou um apelido (mulher do pelo enrolado). Magdala significa torre e provavelmente o nome seria Magdal-El, torre de Deus. Outros preferem Migdal Nunaya, torre dos peixes, porque coincidiria com a Tariqueia de Flávio Josefo, já que Tariqueia significa pesca salgada. Sem dúvida era a cidade mais importante à beira do lago. Tinha na época 4 mil habitantes, dedicados em grande parte à salgação de peixes com uma frota de 230 barcos. Distava de Tiberíades, na época a capital da Galiléia, 6 Km ao norte da mesma, situada na planície de Genesaré entre Cafarnaum e Tiberíades, no caminho de Damasco. Maria de Magdala ou Maria Madalena é citada várias vezes nos evangelhos. O próprio Lucas afirma que Jesus tinha tirado dela sete demônios (8,2). O número 7 não deve ser tomado em termos matemáticos, mas simbólicos e seria o mesmo que dizer que havia expulsado muitos demônios. Esta última palavra deve ser explicada já que na cultura da época, endemoninhado significava uma série de doenças mentais ou desconhecidas. Um louco, um surdo-mudo, eram endemoninhados. Por isso atribuiam a Jesus um demônio  por suas afirmações mirabolantes de dizer que antes de Abraão ele já existia (Jo 7, 20). Nada mais sabemos sobre a antiga profissão ou vida de Maria de Magdala. Sabemos, porém, que após sua cura, ela era uma das mulheres que acompanhavam Jesus e com suas posses e bens o serviam. Mas é difícil pensar que uma ex-meretriz (teria 50 anos) pudesse se misturar com as outras mulheres que seguiam Jesus, como Joana, mulher de Cuza, o procurador de Herodes, ou Susana, também pertencente à alta sociedade da época. Sabemos que Maria Madalena estava ao pé da cruz (Lc 23, 49), assiste a sua sepultura (23, 55) e é a primeira a ver o Cristo ressuscitado (Jo 20, 11).  A outra mulher seria Maria de Betânia, irmã de Lázaro e Marta. Desta mulher sabemos que na casa de Simão o leproso (Mc 14, 3), durante o banquete, derramou um frasco de nardo sobre a cabeça de Jesus. Mas segundo João,  foram os pés que ela ungiu e enxugou com os seus cabelos (Jo 12, 3). Era costume oferecer água aos hóspedes para lavar os pés e ungir com perfume  sua cabeça. É possível que ambos os gestos de unção fossem feitos por Maria de Betânia, destacando João, pelo insólito, unicamente o perfume dos pés, mais próprio da sepultura. Desta Maria, fala Lucas como sendo a que estava aos pés de Jesus escutando suas palavras (final do capítulo 10).

A UNÇÃO: Propriamente o evangelho fala de quatro ações feitas pela mulher pecadora: regar [molhar, como a chuva faz] os pés com as lágrimas; secar com os cabelos [os pelos de sua cabeça]; beijar [besuquear diríamos em espanhol] continuamente os pés de Jesus e ungir com mirra ( pés ou cabeça?). Vamos por partes descrever com mais detalhes estas quatro fases de um aparentemente esquisito comportamento. Entre colchetes temos colocado as traduções mais literais do texto grego que, sem dúvida, dá uma maior expressividade. Os costumes da época eram lavar com água morna os pés dos convivas, após estes ficarem descalços, como vemos na ação de  Jesus na última ceia (Jo 13, 3), a exemplo de Abraão (Gn 18, 4), ação que terminava com enxugá-los com uma toalha (Jo 12.3). Também os hóspedes lavavam suas mãos, como rito de purificação antes da comida (Mt 15, 2). A unção com perfumes era feita na cabeça do comensal. No Salmo 23, 5 lemos: Preparas uma mesa, unges minha cabeça com unguento e minha taça transborda. Se unicamente atendemos ao grego não podemos afirmar que sejam os pés os ungidos; pode ser que a unção seja na cabeça com o qual concordaria com Mc 14, 3. e Mt 26, 6. Porém, no versículo 48 se afirma que eram os pés, os ungidos. João diz sobre o mesmo sucesso que Maria de Betânia ungiu os pés de Jesus (12, 3). Talvez seja esta uma ação inusitada e por isso Jesus podia afirmar que era uma preparação para o dia de sua sepultura (12, 7). O unguento era uma preparação medicamentosa de uso externo, feita na base de ceras e resinas. No caso, a resina empregada é a mirra, produto de uma árvore que cresce nas regiões montanhosas da Arábia e Abissínia, cuja madeira produz uma goma-resina muito aromática de cor amarelenta ou pardo-vermelha, que se obtém como oxidação da resina que corre dentro da cortiça. Essa mistura de goma e resina é parcialmente solúvel em água e pode ser usada como pomada ao misturá-la com óleo, talvez do mesmo modo que hoje obtemos os perfumes, misturando-os com 60 % de álcool. O alabastro é um mineral de gesso de forma compacta que se apresenta como um material branco e translúcido, usado no lugar do vidro nas janelas das catedrais da idade média por ser translúcido e de fácil polimento. No tempo de Jesus era usado como material para a confecção de frascos de garganta estreita onde o unguento era armazenado. Bastava quebrar o longo pescoço para derramar seu conteúdo. Isso foi feito por Maria de Betânia, segundo Mc 14, 3.

A SUPOSIÇÃO DO FARISEU: Simão não pensa no ato de bondade da mulher, mas na reputação da mesma, certamente não boa, e na falta de tato de Jesus que não se deu conta de quem era a mulher. Caso fosse uma pagã ou judia casada com um pagão, o caso se complicava, porque implicava uma impureza legal. Os fariseus diziam que se alguém tocava as roupas do povo comum ficava poluído ou impuro. Por outra parte, acreditava-se que um profeta devia conhecer as pessoas e sua moralidade, especialmente se ele era o Messias, porque este não julgará segundo o que veem os seus olhos, não se pronunciará segundo o que ouvem seus ouvidos. (Is 11,3). Por isso a resposta de Jesus na parábola indiretamente responde a esta questão: sim ele conhecia quem era a mulher, e diretamente é uma lição de moralidade contrária ao que os fariseus pensavam sobre pureza e culpa, sobre pecado e retidão de conduta.

A PARÁBOLA: Os dois devedores foram perdoados de suas dívidas na totalidade. Um devia 500 denários e o outro dez vezes menos: 50. O denário era o salário de um dia de um trabalhador ( Mt 30, 2). Jesus pergunta a Simão: qual dos dois estará mais agradecido? Na realidade o verbo grego é amará mais, mas sabemos que as línguas semitas não têm a palavra agradecer que é substituída por abençoar ou amar. O fariseu responde corretamente: Suponho que será aquele a quem mais perdoou. E Jesus replicou: julgaste corretamente.

APLICAÇÃO: E tomando a parábola pelo inverso, Jesus conclui de modo absoluto: Os dois devedores eram a mulher a quem mais se perdoou e tu a quem menos foi remitido.Por isso as duas condutas são tão diferentes: Tu devias ter me lavado os pés (Gn 18, 4), dado o beijo [de reconhecimento como profeta que pensavas que eu fosse] (Êx 4, 27);  como hóspede, nem me ungiste a cabeça com óleo como é costume (Sl 23, 5) e nada disto fizeste. Ela, pelo contrário, fez tudo isso em forma excelente. Por isso podemos deduzir que foi ela a quem muito se perdoou pois muito agradeceu . E Jesus termina com uma sentença que poderia ser um provérbio da época: A quem muito agradece [ama] é porque muito foi perdoado; mas a quem pouco se perdoa, pouco agradece[ama].

CONCLUSÃO: Então disse à mulher: Perdoados são os teus pecados. E os outros comensais começaram a murmurar: Quem é este que até perdoa pecados? Das palavras do Senhor deduzimos que o importante não é o pecado, mas o perdão, que será tanto mais completo quanto maior seja o amor demonstrado. Tanto Simão como a mulher eram pecadores. Simão, porém, demonstrou pouco amor porque aparentemente pecou pouco. Já  a mulher demonstrou muito maior amor, porque o seu perdão foi muito maior. Que pouco atinge o pecado humano o Senhor e como é importante o amor que tanto o obriga, independentemente de quem seja o sujeito que ama! Deus, em sua riqueza infinita e sua bondade sem limites, pode perdoar de igual modo, tanto grandes pecados em número e classe, como pequenas e insignificantes falhas cometidas pelo homem. O que Ele procura é o agradecimento e o amor resultante desse perdão.

2a PARTE : AS MULHERES QUE O SERVIAM

AS MULHERES: Os que acompanhavam Jesus na sua missão de proclamar e anunciar o Reino de Deus eram de duas classes: os doze e algumas mulheres. Estas foram curadas de espíritos malignos e de doenças – dirá Lucas. E nomeia em primeiro lugar Maria, a chamada Madalena, da qual sairam sete demônios, como temos anteriormente descrito. Dela dirá S. Jerônimo que era viúva porque não tinha patronímico. Outra era Joana [favor de Deus],  mulher de Cuza, administrador [epitropos] de Herodes Agripa. Era um pequeno governador de uma região, um camareiro, ou um administrador dos bens domésticos? Parece que esta última hipótese é a mais correta. Seria de certa idade ou talvez viúva porque não era permitida a separação entre esposos  por tempo prolongado. Susana [açucena] é a outra mulher nomeada; dela nada sabemos fora deste versículo (8,3). Com suas posses ajudavam o Senhor e seu colégio apostólico.

PISTAS:

1) Jesus aceita um convite de quem, ao que parece, era seu inimigo; pois como diz o mesmo Lucas em 14, 1 os fariseus nessa ocasião o espiavam. Como diz Paulo, somos dados em espetáculo ao mundo, aos anjos e aos homens (1Cor 4,9). A eficácia da evangelização depende em parte de nossa conduta.

2) A conduta da mulher está valorizada por seu arrependimento e o trato com que cuida de Jesus. Todos nós temos de nos arrepender e todos nós temos um Senhor a quem servir e amar. E esta última devoção é a que dá sentido as nossas vidas.

3) Sempre existe uma razão para amar e perdoar, nunca há motivos para o desprezo e a rejeição. Dizem de Isabel I a Católica, rainha de Castela, que admitiu os dois filhos do Cardeal Mendonza, filhos da infidelidade do grande político ao seu voto de castidade e quis acolhê-los como seus familiares, que foi criticada. Ela se defendeu  dizendo: não posso deixar que se percam.

4) A Igreja, que somos todos nós, deve se preocupar e muito a se arrepender ao ver como o Senhor disse e em realidade foi consequente com suas palavras que veio salvar o que estava perdido. Parece que nós, pelo contrário, estamos para santificar o que já está encaminhado.


EXCURSUS: NORMAS DA INTERPRETAÇÃO EVANGÉLICA

- A interpretação deve ser fácil, tirada do que é o evangelho: boa nova.

- Os evangelhos são uma condescendência, um beneplácito, uma gratuidade, um amor misericordioso de Deus para com os homens. Presença amorosa e gratuita de Deus na vida humana.
- Jesus é a face do Deus misericordioso que busca o pecador, que o acolhe e que não se importa com a moralidade ou com a ética humana, mas quer mostrar sua condescendência e beneplácito, como os anjos cantavam e os pastores ouviram no dia de natal: é o Deus da eudokias, dos homens a quem ele quer bem e quer salvar, porque os ama.

Interpretação errada do evangelho:

- Um chamado à ética e à moral em que se pede ao homem mais que uma predisposição, uma série de qualidades para poder ser amado por Deus.
- Só os bons se salvam. Como se Deus não pudesse salvar a quem quiser (Fará destas pedras filhos de Abraão).

Consequências:

- O evangelho é um apelo para que o homem descubra a face misericordiosa de Deus [=Cristo] e se entregue de um modo confiante e total nos braços do Pai como filho que é amado.
- O olhar com a lente da ética, transforma o homem num escravo ou jornaleiro:aquele age pelo temor, este pelo prêmio.
- O olhar com a lente da misericórdia, transforma o homem num filho que atua pelo amor.
- O pai ama o filho independentemente deste se mostrar bom ou mau. Só porque ele é seu filho e deve amá-lo e cuidar dele.
- Só através desta ótica ou lente é que encontraremos nos evangelhos a mensagem do Pai e com ela a alegria da boa nova e a esperança de um feliz encontro definitivo. Porque sabemos que estamos na mira de um Pai que nos ama de modo infinito por cima de qualquer fragilidade humana.


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QUE DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje! Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

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