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Índice desta página:
Nota: Cada seção contém Comentário, Leituras, Homilia do Diácono José da Cruz e Homilias e Comentário Exegético (Estudo Bíblico) extraído do site Presbíteros.com

. Evangelho de 15/07/2018 - 15º Domingo do Tempo Comum
. Evangelho de 08/07/2018 - 14ºDomingo do Tempo Comum


Acostume-se a ler a Bíblia! Pegue-a agora para ver os trechos citados. Se você não sabe interpretar os livros, capítulos e versículos, acesse a página "A BÍBLIA COMENTADA" no menu ao lado.

Aqui nesta página, você pode ver as Leituras da Liturgia dos Domingos, colocando o cursor sobre os textos em azul. A Liturgia Diária está na página EVANGELHO DO DIA no menu ao lado.
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15.07.2018
15º Domingo do Tempo Comum — ANO B
( Verde, Glória, Creio – III Semana do Saltério )
__ "Evangelizar: uma exigência para o mensageiro" __

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

Clique aqui para ver ou baixar o PPS.

(antes de clicar - desligue o som desta página clicando no player acima do menu à direita)

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: O Pai nos chama e nos confia uma missão a ser desempenhada ao estilo de Jesus, que veio para curar, consolar, libertar, destruindo tudo o que oprime e escraviza e abrindo possibilidades de vida feliz e abundante. Participando da celebração, Ele nos consagra como enviados, entregando-nos seu Espírito, e nos fortalece para que nunca percamos o entusiasmo e a alegria em nossa missão.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Irmãos e irmãs, neste domingo recordamos o envio dos discípulos por Cristo para anunciar o Reino. Esse envio hoje se renova em nós que fomos convocados pelo mesmo Cristo, mediante a sua Igreja, para dar testemunho do seu Reino. Que esta Eucaristia nos ajude a reavivar em nós a vocação que um dia recebemos no Batismo e na Crisma para assumirmos a missão de anunciar o Reino nesta grande cidade.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: O Pai nos chama e nos confia uma missão a ser desempenhada ao estilo de Jesus, que veio para curar, consolar, libertar, destruindo tudo o que oprime e escraviza e abrindo possibilidades de vida feliz e abundante. Participando da celebração, Ele nos consagra como enviados, entregando-nos seu Espírito, e nos fortalece para que nunca percamos o entusiasmo e a alegria em nossa missão. Somos convidados a indagar-nos: como nos posicionamos diante do chamamento que Deus nos faz? Nosso compromisso é a resposta. A Igreja pode renovar o movimento dos discípulos de Jesus, que acataram o mandamento do Amor e levaram-no ao mundo inteiro. Procuremos atuar em nossa Igreja como São Paulo com o mesmo ardor que marcou a evangelização da primeira hora.

Sentindo em nossos corações a alegria do Amor ao Próximo e meditemos profundamente a liturgia de hoje!


(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (Amós 7,12-15): - "Vai e profetiza contra o meu povo de Israel"

SALMO RESPONSORIAL 84(85): - "Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade e a vossa salvação nos concedei!"

SEGUNDA LEITURA (Efésios 1,3-14 ou 3-10): - "Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do céu nos abençoou com toda a bênção espiritual em Cristo."

EVANGELHO (Marcos 6,7-13): - "Então, Jesus chamou os Doze e começou a enviá-los, dois a dois; e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos."



Homilia do Diácono José da Cruz – 15º Domingo do Tempo Comum – ANO B

"A LIBERDADE DO DISCÍPULO"

Li dia desses, em uma mensagem que alguém me enviou, a história de alguns jovens que se aventuraram em escalar uma alta montanha onde a caminhada seria extremamente difícil e cansativa, um deles, preparou seus apetrechos, no que foi censurado pelo outro, que tinha maior experiência, mas teimosamente insistiu em levar tudo o que julgara necessário, em sua caminhada até o cume. Não é preciso dizer que na metade do caminho, ele teve que desfazer-se de algumas coisas e se em outra parada, não descartasse mais da metade dos objetos que levava na mochila, não conseguiria chegar.

Tivemos em Votorantim um grande escritor chamado João Kruguer, cuja memória está preservada em nosso museu, ele tinha uma máxima que sempre norteou sua vida “Somente o necessário é necessário”. Esse pensamento por si só, desmonta a estrutura do consumismo, que vai esvaziando o homem nos dias de hoje, de valores importantes, convencendo-o de que a felicidade está reservada aos que podem consumir. Por aí dá para perceber como o ensinamento do santo evangelho é atual e sempre o será.

Quem quiser ser discípulo e missionário do Senhor, como nos ensina a igreja a partir do Documento de Aparecida, certamente não poderá colocar sua segurança nos bens de consumo que o mundo globalizante nos oferece. Simplesmente porque aquilo que ele anuncia, é revolucionário e milhões de vezes mais valioso e do que qualquer outro valor que o pós-modernidade pode oferecer.

Na minha infância lembro-me do Sêo João, que vendia deliciosas cocadas com seu carrinho verde, que quando passava pela saudosa vila Albertina, era uma tentação para as crianças e um martírio para os pais, entretanto, um dia, o vi comprando doces no armazém do Sêo Alexandre dando-me a impressão de que ele mesmo não botava muita fé na qualidade dos doces caseiros que fabricava. Assim também, os missionários enviados por Cristo podem correr o risco de colocarem sua segurança em outros valores senão aqueles do evangelho que anunciam e nesse caso, a mensagem não teria crédito junto aos ouvintes. É está a preocupação de Jesus, que o missionário evangelizador, portador da maior de todas as riquezas, que é o evangelho, não se apegue a outros bens, valorizando-os muito mais do que o anúncio que fazem.

Por isso, como dizia o nosso escritor João Kruguer, tio do Padre Inácio, só se deve levar o necessário, um cajado, uma sandália e uma só túnica. O pão não lhe faltará pois a quem dá o verdadeiro alimento, nunca perecerá por falta alimento material, quanto a sacola, esta serve para acumular coisas, e hoje em dia, as de plástico são uma ameaça ao meio ambiente, dinheiro na cintura significa poder, mas o coração das pessoas nunca está a venda, pregador que “compra” seus ouvintes com outros recursos, ficará um dia falando sozinho. A casa oferece abrigo seguro, a amizade e o carinho das pessoas que nos acolhem, conforto e alimentação, entretanto, isso não poderá deter o discípulo de seguir seu caminho, mas também não deve ele sentir-se preso as pessoas afetivamente, a ponto de não lhes dizer a verdade que precisa ser anunciada, para o missionário não é a amizade das pessoas ou o que elas oferecem, que é o mais importante, mas sim aquilo que eles anunciam.

Por outro lado, a história de se bater a poeira dos pés, como testemunho contra os que não acolheram o discípulo e nem aceitaram ouvir a Boa Nova, me faz lembrar mais uma vez do marketing dos produtos que nos são oferecidos, uma vez me desgostei com uma determinada seguradora de veículos, que agiu de má fé na prestação de seus serviços, lembro-me que na empresa onde trabalho, certo dia essa seguradora foi fazer sua propaganda entregando adesivos na hora da saída, que eu educadamente recusei, como é que vou aceitar uma propaganda de uma empresa que me decepcionou?

Há pessoas que nesta vida recusam acolher o evangelizador porque não aceitam a palavra de Deus, mas depois procuram a igreja nas horas de aperto, para receberem algum sacramento, ou pedirem oração, é muito estranho que, não tendo nenhum vínculo, e tendo recusado a Palavra libertadora e vivificadora, ainda pensem que a Igreja tenha que lhes dar algo, quando precisam. Jesus é muito claro quanto a isso: nenhum vínculo deve haver entre essas pessoas e o evangelho, deve o evangelizador respeitar o direito que as pessoas têm, de recusar a Palavra, e que não haja da parte desses, nenhuma insistência, mas que se rompa totalmente, isso é, bater o pé, nenhuma poeirinha deve ficar, o Reino de Deus e o anúncio do evangelho, a gente aceita por inteiro, é tudo ou nada!

Muita gente quer um cristianismo fragmentado, aceitando-se apenas aquilo que lhe convém. E no versículo final algo que chama a nossa atenção, os doze partiram em missão, evangelizar, portanto, é missão de toda igreja, e a conversão é a primeira abertura à palavra de Deus, quem não aceitar esse cristianismo radical que requer uma mudança de vida, nunca terá forças para expulsar de sua vida as forças demoníacas que se opõe aos princípios cristãos, permanecerá na doença do pecado, recusando a santa unção do Espírito Santo, porque no fundo não crê na cura da Salvação que Jesus oferece. (15º. Domingo do Tempo Comum – Mc 6, 7-13)

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Rodrigues Costa – 15º Domingo do Tempo Comum — ANO B

“Fidelidade a Cristo”

Eusébio, pai de Constantino Magno, passava em revista os seus soldados. Parado no meio do campo, exclamou: -”Os que forem cristãos venham para a minha direita”. Alguns tremeram, pois sabiam que Eusébio era idólatra. Eusébio, por sua vez, sabia que muitos dos seus soldados eram cristãos. Alguns valentes, com passo resoluto, puseram-se à sua direita, exclamando: -”Nós somos cristãos!” O imperador olhou para eles com fereza e disse: -”Sois vós somente?” Nenhum outro se moveu do lugar. Então dirigindo-se aos que estavam à sua direita, disse Eusébio: -”Vós formareis a minha legião de honra e todos os outros serão expulsos de minhas fileiras, porque da mesma maneira com que hoje se envergonharam de seu Deus diante do imperador, amanhã terão vergonha do imperador diante do inimigo”. (P. Francisco Alves, Tesouro de exemplos I, 380).

Como é importante ser fiel a Deus! Nós, cristãos, também não desprezamos a lealdade à palavra dada. Os cristãos são chamados de “fiéis”. Precisamos encorpar cada vez mais esse nome: fiel de Cristo. Fiéis! Leais!

Amós e Amasias são duas figuras muito interessantes. Amós foi um profeta que exerceu a sua missão no Reino do Norte. Lembrem-se: com Davi, unificam-se todas as tribos; Salomão, seu filho, continua a governar o reino unido; após a morte de Salomão tem lugar a divisão, formando-se assim o Reino do Norte, cujo principal lugar de culto era o Santuário de Betel, e o Reino do Sul, tendo Jerusalém e o seu Templo, construído por Salomão, como o lugar por excelência do culto a Deus.

Amós recebe uma missão divina, a de profetizar, que inclui o anúncio e a denúncia. Encontramo-nos no reinado de Jeroboão II, no Reino do Norte, no século VIII a.C. Os tempos de Jeroboão II são tempos de prosperidade e de esplendor material, mas também de muitas injustiças: “o luxo dos grandes insulta a miséria dos oprimidos, e na qual o esplendor do culto disfarça a ausência de uma religião verdadeira”. Amós é um homem simples, e com essa simplicidade, com as características próprias de um “homem da roça” começa a profetizar, a denunciar as injustiças.

Amasias, sacerdote do Santuário de Betel, homem profundamente zeloso de seus próprios interesses e dos do rei fala ao profeta que se retire, sem dúvida em detrimento da verdade. Amasias prefere continuar com aquele culto disfarçado e com os seus interesses materiais a ouvir a Palavra do Senhor. As verdades “duras e cruas” são sempre difíceis de serem acolhidas porque mexem com a nossa comodidade, nosso orgulho e nosso egoísmo. Preferimos muitas vezes permanecer na mentira a escutar a verdade de Deus… Por que? Porque incomodam. Tantas vezes privamos os nossos irmãos de um grande bem como é a correção fraterna porque somos covardes, falta-nos a valentia; ao invés de darmos ao nosso irmão essa grande ajuda, o bajulamos e o adulemos fazendo com que permaneça nos seus defeitos e nos seus pecados contanto que continuemos com os nossos benefícios.

Amós apresenta-se como um homem valente, destemido. Ele sabe que tem uma missão divina, e precisa cumpri-la ainda que muitos se sintam incomodados e ofendidos. Também a Igreja tem uma mensagem divina, tem uma missão divina. Precisa anunciá-la, não pode calar-se; ainda que muitos sintam-se contrariados, ela precisa falar. Nós, filhos de Deus e de sua Igreja, não podemos ser transigentes com a verdade, para nós dois mais três sempre serão cinco e não quatro e meio. Precisamos ser fiéis à fé e à moral cristã, precisamos ser coerentes, viver essa admirável unidade de vida que tem que caracterizar a vida da filha e do filho de Deus. Os transigentes não são felizes, e não o são porque não são fiéis. Fidelidade e felicidade são irmãs. “A transigência é sinal certo de não se possuir a verdade. – Quando um homem transige em coisas de ideal, de honra ou de Fé, esse homem é um homem… sem ideal, sem honra e sem Fé” (S. Josemaria Escrivá, Caminho, 396).

Transigir é ceder naquilo que não se deve ceder. Alguns exemplos:

Alguém diz: “Jesus Cristo é um simples homem”. O cristão medroso responde: “sabe que você tem razão.

Aquele amigo da turminha diz: “a castidade, a pureza, é uma bobagem”. O jovem cristão, porém transigente, responde: “realmente, a Igreja é uma antiquada”, no fundo ele não acredita que seja assim, mas para ficar bem diante dos amigos…

Sei que a justiça é um valor importante, mas… de vez em quando cobrar um “jurinho”, lá no meu comércio, de 500% não tem problema… !?

Um conselho: “Sê intransigente na doutrina e na conduta. – Mas suave na forma. – Maça poderosa de aço, almofadada. – Sê intransigente, mas não sejas cabeçudo.” (Caminho, 397). As coisas da fé e da moral são intocáveis. Os interesses de Deus e de sua Igreja em primeiro lugar, não os nossos próprios interesses. De que lado ficaremos, do lado de Amasias, com os nossos interesses, porém na covardia e na submissão aos homens, ou na companhia dos corajosos e valentes que, como Amós, anunciam a Verdade de Deus e denunciam a mentira e a falsidade, a injustiça e demais desordens com a finalidade de promover o bem dos nossos irmãos, os homens e as mulheres de hoje? Da nossa fidelidade dependem muitas coisas. Se você quer ver o seu marido ou a sua esposa, o seu filho, a sua filha, o seu amigo pertinho de Deus: isso depende de você também, da sua fidelidade a Deus!

O Evangelho de hoje nos fala da missão dos apóstolos: de pregar o Evangelho e fazer as obras que Jesus fazia. Eles cumpriram com a sua missão, foram fiéis e… por isso estamos aqui hoje louvando-o nessa liturgia dominical. A maior parte deles foram mártires, derramaram o seu sangue pelo nome de Cristo, mas, como bem se sabe, “o sangue dos mártires é semente de novos cristãos”.

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético – 15º Domingo do Tempo ComumANO B
(Extraído do site Presbíteros - Elaborado pelo Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

EPÍSTOLA - EFÉSIOS 1, 3-10

INTRODUÇÃO: Todos os nossos privilégios e toda a bondade de Deus, derramada em nós como fruto de seu amor, têm como base e fundamento o amor do Pai por seu Filho Jesus, o Verbo Encarnado, de cuja semelhança nós participamos como parte do gênero humano, e de cuja inserção na divindade somos também porção pela imersão no batismo, que nos torna membros da família divina. Daí que Deus nos escolheu desde o início para sermos seus filhos, recapitulando em Cristo toda a obra de sua criação, que agora se tornou redenção e será, em definitivo, glorificação.

DEUS BENDITO: Bendito [eulogetos<2128>] o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo quem nos há abençoado em toda bênção espiritual nos espaços celestes [epouraniois <2032>] em Cristo (3). Benedictus Deus et Pater Domini nostri Iesu Christi qui benedixit nos in omni benedictione spiritali in caelestibus in Christo. BENDITO: Eulogeö é a palavra própria para abençoar em nome de Deus ou louvar seus benefícios como no caso do pão que vamos comer (Mt 4, 19) ou no caso de pessoas que são abençoadas por Deus (Mt 21, 9). Especificamente é a palavra usada para narrar a bênção do pão eucarístico na última ceia (Mt 26, 26; Mc 14, 22 e Lc 14, 30). Até tal ponto que Paulo chama o cálice consagrado de cálice da bênção (1 Cor 19, 6). Eulogetos [bendito] é usado só para Deus e eulogemenos [abençoado] para o homem que recebe os benefícios de Deus. Assim Maria é eulogemene (Lc 1, 42). Mas esta não é única vez em que Paulo se dirige a Deus com essa fórmula tão latrêutica e elegante. No NT a vemos repetida em 2 Cor 1, 3 e 1 Pd 1, 3. É uma fórmula que provém do AT como lemos em Gn 9, 26, Êx 18, 10 e Sl 28, 6 entre outras muitas passagens em que Deus é louvado. O eulogetos corresponde ao baruk hebraico. Eulogomenos diferencia-se de Makairos [ditoso], como bendito diverge de bemaventurado. Deus é bendito para sempre (Sl 72, 19), pois dEle só podemos receber o bem. PAI: O título indica o motivo ou a pessoa da bênção. Nesse caso, ambas as coisas estão unidas: é o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é bendito para sempre e a quem Paulo aclama como digno de ser louvado. Precisamente ao chamar Jesus como Cristo [Messias] e como Senhor [Kyrios<2962>] Paulo especifica uma paternidade que não é compartida pelos fiéis. É a paternidade essencial e natural que transforma Jesus em sagrado [ágios], como o chamou Gabriel ao explicar o mistério da Encarnação; e consequentemente será Filho do Altíssimo (Lc 1, 35). EPOURANIOIS: Literalmente significa sobre os céus, que o latim traduz como caelestis e que, não tendo uma palavra própria devemos traduzir de modo intelectual como regiões ou espaços celestes. O plural céus, é mais próprio da concepção semítica que, como mínimo, acreditava em três céus (2 Cor 12, 2) em cujas regiões Deus reinava supremo e não existia mal, nem maldade. A bondade divina se manifestava em bens que Paulo aqui denomina como espirituais; pois o corpo não podia morar em semelhantes lugares. E a causa dos benefícios é precisamente Cristo, ou seja, o Jesus já constituído em Messias que nos libertou, por meio do resgate de seu sangue, do pecado e da escravidão de Satanás.

CAUSA FORMAL: De acordo como nos escolheu [exelexanto<1586>] nEle antes da fundação [katabolës <2602>] do mundo para sermos consagrados [agious,40>] e sem culpa [amömous <299>] perante Ele em amor. Sicut elegit nos in ipso ante mundi constitutionem ut essemus sancti et inmaculati in conspectu eius in caritate. ESCOLHEU: do verbo eklegomai selecionar, escolher. A escolha foi através de Jesus [nEle] pois o nome correspondente a esse Ele é Cristo, em que foram dadas as mercês segundo o versículo anterior. E a escolha foi feita antes da fundação [kataboles] do mundo [kosmos]. KATABOLES: Segundo Mt 25, 34, o Reino definitivo foi preparado pelo Pai desde a fundação do mundo. A escolha foi feita nesse lugar feliz em que o Filho estava na glória do Pai, precisamente antes da fundação do mundo (Jo 17, 24). KOSMOS: primariamente significa um conjunto ordenado, mas logo se tornou sinônimo do Universo, o conjunto das coisas materiais que contemplamos como espaço e ambiente que nos rodeiam. ÁGIOS: A palavra significa consagrado a uma divindade, daí sagrado e finalmente santo, no sentido de não ser um ser puramente humano [psikikos de Paulo], mas transcendente ou divino. Pelo batismo fomos consagrados e imersos na família divina como membros da casa de Deus (Ef 2, 19). Daí que, inclusive a parte mais material, o corpo esteja também consagrado e dedicado, como um templo a Deus (Rm 12, 1). SEM CULPA: Paulo fala evidentemente da última realização do Reino em que tudo estará purificado, como é vista essa Igreja ou Comunidade purificada por Cristo (Ef 5, 27) e que completa seu corpo como pleroma (Ef 4, 12 e 1 Cor 12, 27), perante Ele. Isto implica uma ordem previamente estabelecida por Deus: uma eleição que corresponde, por nossa parte, a uma vocação, tendência e objetivo de nossas vidas. Uma justificação que se dá no Batismo inicialmente; e, finalmente, a glorificação que só se inicia, como em Cristo, quando, na hora da morte, entregamos a vida em suas [do Pai] mãos. Agioi e imaculados são dois adjetivos que representam as duas faces de uma pessoa purificada dos pecados: a positiva como sagrada e a negativa como livre de culpa. PERANTE ELE: Deus é o santo por excelência, como podemos ver em Santo, Santo, Santo é o Senhor (Is 6, 3) que em termos semíticos significa o superlativo máximo, ou seja, Santíssimo. Por isso, Ele não admite qualquer mácula ou imperfeição, especialmente a moral. Os animais destinados ao sacrifício deviam ser perfeitos, assim como o pão escolhido da flor da farinha. Sem essa total limpeza que os fariseus pensavam ser externa, mas que Jesus ensinou como provindo do coração ou mente, não é possível ver a Deus (Mt 5, 8). O homem deve permanecer descalço como mandou a Moisés se apresentar para ter a permissão de estar no lugar santo (Êx 3, 5). Descalço, como convém a um escravo, mas também com o significado de estar sem as impurezas que as sandálias recolhem do caminho (Mt 10, 14). EM AMOR: Paulo que fundamenta a justificação na graça de Deus, correspondendo a ela a fé do homem, não o santifica a não ser pelo amor, resumido em sacrifício e obediência. Há três maneiras de interpretar esse amor final do versículo 4: 1) Escolhidos por amor, unindo como final ao início da frase. 2) A santidade como fé aperfeiçoada pelo amor (Gl 5, 6) e que, na era escatológica, só permanecerá como amor (1 Cor 3, 13). 3) Finalmente, a que os autores modernos preferem: unida ao início do versículo seguinte: Em amor tendo nos predestinado.

A PREDESTINAÇÃO: Tendo nos predestinado [proorisas<4309] para adoção filial [uithosian <5206] através de Jesus Cristo para Ele, segundo o bem querer [eudokian <2107>] de sua vontade [thelëmatos <2307>] (5). Qui praedestinavit nos in adoptionem filiorum per Iesum Christum in ipsum secundum propositum voluntatis suae. PREDESTINADOS: Paulo deixa praticamente toda a pequena e grande história humana nas mãos do Pai. É com e por sua benevolência que nós vivemos e somos, como disse aos atenienses (At 17, 28). Aparentemente parece que a liberdade humana está fora de questão. Porém, esta é patrimônio pessoal de todo ser humano e, infelizmente, temos a escolha de podermos enfrentar os desígnios divinos que deveriam se cumprir universalmente em cada um de nós, como Paulo descreve neste versículo. ADOÇÃO: a palavra grega é um composto de uiós [filho] e tithemi [estabelecer] que, logicamente, significa adoção de um filho. Feita por Deus como Pai, é muito mais efetiva que legal. Implica uma participação na divindade, semelhante à que teve Jesus, com uma relação de amor principalmente e com um efeito que os antigos padres da Igreja exemplificavam com o fogo adquirido pelo metal nele submerso. Na realidade, o batismo implica essa submersão que nos dá o elemento divino a produzir semelhança e participação, introduzindo-nos na família divina como filhos amados do Pai (Rm 8, 15) e como irmãos queridos de Jesus, unidos no amor do Espírito. Esta adoção foi fruto do sacrifício de Jesus Cristo como causa meritória, e a Ele unidos como causa exemplar cuja vida procuramos imitar em obediência e com Ele unidos efetivamente por meio do Espírito que nos comunica eficazmente ao tornarmos membros de seu corpo pleno como pleroma de seu abundante poderio universal (Ef 1, 23). Porém não é em Jesus, o Cristo, que tudo tem fim e sentido, mas é no Pai [para Ele] que as coisas são ordenadas, como diz Paulo, uma vez que tudo esteja unido em Cristo, para assim apresentar ao Pai o Reino, dessa forma conquistado (1 Cor 15, 24). EUDOKIA: Desejo, satisfação, boa vontade, boa intenção, bel querer, ou bem querer. O Pai e Deus de nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 15, 6) quis ter mais filhos além do seu unigênito encarnado; e sua vontade admite como tais os que se conformam ao seu Unigênito como diz o apóstolo em Rm 8, 29: Aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou a serem conformes à imagem do seu Filho. Este é, segundo Paulo, o modelo e origem de toda a nova humanidade; pois Ele é o primeiro dos nascidos entre muitos irmãos (idem). Assombra essa unidade de doutrina coerente nas cartas paulinas, que não vemos ter muita base nos evangelhos. À exceção do 4º evangelista, os outros têm aparentemente uma teologia muito mais simples, com base na basileia, e da qual dificilmente poderíamos extrair estas conclusões teológicas paulinas. Quem foi primeiramente escrito, Paulo ou o evangelista (Marcos, Mateus, Lucas e João)? É uma questão que praticamente não se discute, mas que é digna de grave consideração.

FINALIDADE: Para exaltação [epainon<1868>] de glória [doxës<1391>] da sua caridade [charitos<5485>] na qual nos favoreceu [echarisomen <5487>] no Amado [ëgapëmeno <25>] (6) em quem temos o resgate [apolutrösin <629>] pelo seu sangue, a remissão [afesin <659>] dos pecados [paraptömatön <3900>], segundo a riqueza [ploutos <4149>] de seu amor [charitos <485>] (7). In laudem gloriae gratiae suae in qua gratificavit nos in dilecto, in quo habemus redemptionem per sanguinem eius remissionem peccatorum secundum divitias gratiae eius. EPAINOS: louvor, elogio, panegírico. É a glorificação da DOXA, que significa, em sentido religioso, a magnificência de Deus como supremo Senhor e do Messias como rei absoluto do Universo. Também se pode falar da gloriosa condição com a qual Deus, o Pai, exaltou o Filho após seu sacrifício na cruz. E finalmente a condição gloriosa dos bemaventurados como participantes da glória de seu Senhor. A frase para o louvor de sua glória, ou da glória de sua graça, sai 3 vezes nesta epístola (1,6; 1, 12 e 1, 14). E Deus recebe o titulo de Pai da glória (1, 17); glória que deve ser participada como é a paternidade, formando a parte dada ao filho em herança (1, 18). CARIDADE: Assim temos traduzido a charis grega que significa favor, dádiva, mercê. Por parte de Deus, de modo especial, é o dom de si mesmo no Espírito Santo (Lc 11, 13) que nos é dado (Jo 14, 26) como continuação do dom do Filho (Jo, 3, 16). AMADO: É o particípio passivo perfeito do verbo agapaö que significa amar, que o latim traduz por dilectus. Evidentemente, o Amado é Jesus de Nazaret, segundo vemos em Mt 3, 17 em que Jesus recebe o título de agapetós desta vez adjetivo que substitui o nome como aposição. APOLYTRÖSIS: É um homônimo de Lytron e ambos significam resgate, ou seja, o pagamento a satisfazer para alforriar um escravo. O pagamento, no caso, foi o sangue, isto é, a vida sacrificada pelos homens, todos pecadores, considerados escravos do diabo e do pecado. Daí que a remissão seja do pecado. E tudo foi feito devido à riqueza de seu amor. PARAPTÖMATOS: propriamente transgressão, como vemos em Mt 6, 5; é a palavra que Paulo emprega 14 vezes em suas cartas. O significado é uma injúria ou afronta contra uma pessoa, seja Deus ou o próximo. Pode ser substituído por pecado ou delito. PLOUTOS: pode significar a abundancia, ou seja, a grandeza sem limites de seu amor. Paulo é um enamorado do amor de Cristo por ele e por todos os que nEle confiam.

A ABUNDÂNCIA: A qual excedeu em nós em toda sabedoria [sofia<4678>] e discernimento [fronësei<4528>] (8). Quae superabundavit in nobis in omni sapientia et prudential. A tradução mais exata, do ponto de vista mais inteligível, seria: Essa opulência de seu amor excedeu, com respeito a todos nós, tudo o que podemos pensar e é prudente imaginar. SOFIA: Embora seja um saber prudente, aqui parece ter o significado de conhecimento em todos os amplos limites da palavra. FRONESIS: Pensamento, que pode ser atitude, como em Lc 1, 17 ou discernimento como um conhecer, na sua totalidade, circunstâncias e fatos. O sentido é um superlativo absoluto desse amor divino que é impossível imaginar, dentro dos limites de nosso modo de pensar e atuar.

A POLÍTICA DIVINA: Para a administração [oikonomian<3622>] da complementação [plërömatos <4138>] dos tempos: resumir [anakefalaiösasthai <346>] todas as coisas no Cristo, tanto as dos céus como as que estão sobre a terra (10). In dispensationem plenitudinis temporum instaurare omnia in Christo quae in caelis et quae in terra sunt in ipso. ADMINISTRAÇÃO: oikonomia é a gerência dos bens domésticos que, em termos mais amplos, podemos falar de administração de uma empresa ou negócio. Aqui se trata do assunto da salvação dos homens. PLERÖMA: E estamos já no final dos tempos que Paulo fala do fim, ou do remate dos mesmos. Propriamente é a conclusão de um período. É a escatologia [o fim de uma era] que já está em função e atuando do momento em que o Verbo se encarnou, segundo Tt 1, 3, que são os tempos próprios para se manifestar essa sua bondade e benignidade (Tt 3, 4). E precisamente essa sua manifestação tem como base a de resumir, como num compêndio de sua política, todas as coisas tanto nos céus como na terra. Exclui Paulo os infernos, lugar onde estão os poderes do mal? Aparentemente não; mas sabemos por outros escritos que os demônios creem e temem (Tg 2, 19), embora estejam submetidos e tenham que dobrar, como vencidos, o joelho diante do nome de Jesus (Fl 2, 10), que os fiéis dobram como amigos. De modo que Cristo seja tudo em todos (Ef 1, 23 e Cl 3,11).

PREDESTINADOS: Nele, no qual também fomos chamados predestinados segundo o propósito daquele que todas as coisas opera segundo o desígnio de sua vontade (11). In quo etiam sorte vocati sumus praedestinati secundum propositum eius qui omnia operatur secundum consilium voluntatis suae. FOMOS CHAMADOS [eklëröthëmen<2820>=vocati sumus] é o aoristo passivo de indicativo do verbo klëroö de significado ser designado por sorte. Logicamente aqui a sorte é substituída pelos desígnios da providência. Chamados por vocação de Deus, como foram os convidados na segunda chamada ao banquete das bodas reais (Mt 22, 9). PREDESTINADOS [prooristhentes <4309>=praedestinati] particípio do aoristo passivo do verbo proorizö, com o significado de predestinar, como lemos em At 4, 28: Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se houvesse de fazer. PROPÓSITO [prothesis<4286>=propositum] apresentação, como eram os pães da proposição (Mt 12, 4); e em termos formais, plano, propósito, resolução, vontade (At 11, 23). E é neste sentido que temos escolhido a tradução. DESÍGNIO [boulë <1012>=consilium] plano, propósito, resolução, e decisão como em At 2, 23: Jesus foi entregue conforme o plano previsto na sabedoria de Deus. Ou conselho e deliberação como em At 4, 23: Dai de mão a estes homens, e deixai-os, porque, se este conselho ou esta obra é de homens, se desfará. A tradução desígnio é até conforme com a ideia paulina que coloca a predestinação e vontade divina acima de nossos próprios méritos. É o que Paulo dirá como base de sua gratitude: O qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim (Ef 1, 5).

PARA LOUVOR: Para sermos para louvor de sua glória os que previamente temos esperado em Cristo (12). Ut simus in laudem gloriae eius qui ante speravimus in Christo. LOUVOR [epainos<1868>=laus] aprovação, reconhecimento. O exemplo é Rm 1, 29: A circuncisão, a que é do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus. Como aprovação temos 1 Cor 4, 5: [no dia do juízo] então cada um receberá a devida aprovação da parte de Deus. Por isso, Paulo dirá que nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado (Ef 1, 5-6). Evidentemente Paulo está falando do final dos tempos escatológicos em que a bondade será suprema e o louvor terá como motivo uma ação de graças perene por termos recebido de Cristo a nova vida que nos tornou filhos no Filho (Gl 4, 20).

SELADOS: No qual também vós, ouvintes da palavra da verdade, o evangelho de vossa salvação, no qual também fostes selados com o Espírito Santo da promessa (13). In quo et vos cum audissetis verbum veritatis evangelium salutis vestrae in quo et credentes signati estis Spiritu promissionis Sancto. Paulo chama de palavra da verdade o evangelho que é salvação. FOSTES SELADOS [esfragisthëte<4972>=signati estis] é o aoristo passivo do vebo sfragizö literalmente coisa que está provista de um carimbo, ou selada, como diz Mateus 27, 66 do sepulcro: seguraram o sepulcro com a guarda, selando a pedra. Em sentido figurado, marcado com uma identidade especial, como aqui e em 2 Cor 1, 22: O qual também nos selou e deu o penhor do Espírito em nossos corações. A identidade do selo é o Espírito que em nós habita e clama Abbá (Rm 8, 15). Esse Espírito é o da PROMESSA [epaggelia<1860>=promisio] ou Espírito prometido, como paraklëtos, que Jesus tinha prometido: Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique convosco para sempre (Jo 14,16). Para ser o Espírito da Verdade e a Testemunha essencial de Cristo (Jo 14,13 e 16, 8-10).

O PENHOR: O qual é penhor de nossa herança para resgate de sua posse para louvor de sua glória (14). Qui est pignus hereditatis nostrae in redemptionem adquisitionis in laudem gloriae ipsius. PENHOR [arrabön<728>=pignus] com o signficado de depósito, pagamento inicial, fiança, penhor, garantia. De que é o Espírito garantia? Como Paulo afirma, pouco antes de falar do penhor do Espírito, sua garantia de que o mortal seja absorvido pela vida (2 Cor 5,4). HERANÇA [klëronomia<2817>=hereditas] como em Mt 21, 38: Os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, e apoderemo-nos da sua vinha. Segundo a lei vigente, ao não ter herdeiros o dono, a herança seria dos vinhateiros trabalhadores. A herança é eterna segundo Hb 9, 15, incorruptível e incontaminável, como é o reino de Cristo definitivo. Se a herança do AT era uma terra prometida, a Eretz Israel, a herança do NT era a participação do Reino, a eterna bem-aventurança de viver a mesma vida de Deus dentro de nós. Vive em mi Cristo, que diz Paulo (Gl 2, 20). Por isso o Espírito que habita no fiel é o penhor e garantia de que a vida definitiva nunca nele terá fim. RESGATE [apolytrösis<629>=redemptio] o significado próprio era de pagamento para a libertação de um escravo, que do latim redemptio, foi traduzido em línguas vernáculas, como redenção. Exemplo: Quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima (Lc 21, 28). Essa redenção, segundo Paulo, atinge o corpo tanto como o espírito do homem; pois substancialmente é a adoção do mesmo como filho de Deus já que esperamos a mesma por adoção como redenção do nosso corpo (Rm 8, 23). E quem fez o pagamento foi Cristo em quem temos a redenção pelo seu sangue (Ef 1, 7). De modo que o cristão já é posse de Cristo; e, como diz Paulo, para louvor de sua [de Cristo] glória. De modo que tudo é de Cristo (Cl 3, 11) e Cristo é de Deus (1Cor 15, 24).

EVANGELHO - Marcos 6, 7-13
(paralelos: Mt 10, 1-42 e Lc 9, 1-10)

INTRODUÇÃO: O evangelho é a narração do envio dos 12, na sua missão de anunciar o Reino com missão limitada à região da Palestina (Mt 10, 5), com ênfase especial na conversão, porque o Reino já chegou (Mt 10, 7). O Reino implicava uma nova mentalidade, um giro de 180 graus de uma religião externa e formalista, com base na Torah, a outra em que o encontro com Jesus, um enviado do Pai, era o fundamento de uma fé que se exercitava pelo amor (Gl 5, 6). Embora possamos afirmar que nem mesmo os doze entendiam totalmente a base do Reino, a exceção de que Jesus era o Messias, o iniciador de uma nova Era ou pacto com Deus, de um povo novamente eleito (Jo 1, 49). O relato de Marcos é o mais breve dos três sinóticos e apenas contém doutrina teológica e uma série de recomendações práticas para distinguir os verdadeiros missionários dos astutos arrecadadores de riquezas, para proveito individual. Vejamos a interpretação dos versículos que o compõem.

A MISSÃO: Então, chama a si [proskaleitai <4341>] os doze e começou a enviá-los dois a dois, e deu-lhes autoridade [exousian <1849>] sobre os espíritos [pneumatön<4151>], os impuros [akathartön <169>] (7). Et convocavit duodecim et coepit eos mittere binos et dabat illis potestatem spirituum inmundorum. CONVOCA: Mateus usa o mesmo verbo, só que, mais corretamente, no aoristo e não no presente de Marcos. Os convoca, aos doze. Quando foi esta missão? Muito provavelmente após um tempo longo de convivência com Jesus. Um ano após tê-los chamado como seus discípulos, talvez. Um mestre esperava um tempo suficientemente longo para poder confiar que seus ensinamentos estivessem bem fundados para seus discípulos poderem repetir quase ao pé da letra os seus ensinamentos. Isto avalia os escritos evangélicos, se realmente escritos pelos apóstolos ou com sua licença. Os escritos são produto de um discipulado constante e repetido. A eleição de Matias corrobora este modo de julgar: homens que acompanharam Jesus desde o batismo (At 1, 21-22). Um dado a mais: as frases curtas do Senhor são, segundo os expertos, verdadeiros dísticos, como acostumavam ser os pronunciamentos dos rabinos. Nem tudo é devido à memória dos semitas, nem tudo é uma recordação afastada no tempo. O ENVIO: Foi feito de dois em dois, para ajuda mútua e para que ninguém pudesse duvidar de suas asserções, pois a Lei mandava que fossem duas as testemunhas (Dt 17, 6 e 19, 15).

AUTORIDADE: Exousia que entre suas acepções está o poder de governar e mandar, de modo que os súditos fossem obrigados a obedecer. Tal era o poder dado por Jesus aos doze sobre os demônios, poder muito mais admirado, na época, que o de curar doenças, e muito mais ordenado à implantação do Reino, cujo inimigo era, evidentemente, o Maligno, ou Satanás (Mt 13, 25). ESPÍRITOS IMPUROS: Pneuma entre outros significados tem o de ser um espírito superior ao homem, mas inferior a Deus, que pode ser um anjo; mas que neste caso é um demônio ou espírito imundo [akathartos]. Esses demônios impuros eram, segundo se acreditava, a origem das doenças nervosas e doenças do tipo possessão diabólica, que tomavam posse do corpo do possesso. A frase espírito imundo sai 1 vez em Mateus (12, 43), 7 em Marcos e 4 em Lucas. Como endemoninhado temos 2 em Mateus, 4 em Marcos e 2 em Lucas. É notável que em João não tenhamos nenhum caso de cura de um possesso, mas é o próprio Jesus a quem os seus contemporâneos dizem ter demônio (Jo 7, 29; e 8, 48 entre outros). Hoje diríamos que está louco, como vemos em Jo 10, 20. Já que muitas doenças das que hoje sabemos têm sua origem puramente fisiológica, eram atribuídas a um espírito maligno, como podemos ver nos casos de mudos e cegos (Mt 9, 32 e 12, 22). Logicamente vemos como os escritores sagrados falam segundo a ciência da época e a cultura correspondente, tanto histórica, como de origem mais ou menos científica. Não podemos, pois, usar citações bíblicas para afirmar fatos científicos ou históricos como verdades reveladas. Segundo Mateus, os apóstolos também receberam o carisma de cura para toda classe de doenças e enfermidades (Mt 10, 1), coisa que Lucas confirma (Lc 9, 1).

AS ORDENS: E lhes ordenou que nada tomassem para (o) caminho, senão um bastão [rabdon<4464>] só, nem alforje [përan<4082>], nem pão, nem cobre [chalcon<5475>] no cinto [zönën<2223>] (8), mas, tendo calçado sandálias [sandália <4547>]; e não vistais duas túnicas [chitönas] (9). Et praecepit eis ne quid tollerent in via nisi virgam tantum non peram non panem neque in zona aes. Sed calciatos sandaliis et ne induerentur duabus tunicis. BASTÃO: A palavra indica um bordão, uma vara grossa que era a arma com a qual os peregrinos se defendiam dos bandidos no caminho. Mas tudo que não é imediatamente necessário para o caminho deve ser eliminado: alforjes [përa] onde levar a comida como o pão, ou onde os mendicantes religiosos ou os famosos cínicos da época, levavam os dinheiros arrecadados em suas viagens missionárias. Fora desse cajado, necessário para o caminho, a proibição de qualquer outra ajuda ou provisão é clara nas ordenanças de Jesus. Nada de comida e nada de dinheiro para comprá-la ou se hospedar nos povoados. Com respeito ao dinheiro, Marcos fala de cobre [chalcon] no cinto. No Brasil, até pouco tempo atrás, o dinheiro que em castelhano eles chamam de prata, era em português denominado como cobre. Exatamente como em Marcos. Cobre está por moedas de qualquer metal que eram colocadas no cinto [zönë], propriamente uma faixa de tela que, como era oca, servia de bolsa para carregar o dinheiro. Jesus permite o uso de sandálias: uma sola de couro atada ao pé por meio de tiras da mesma matéria. Era o calçado para o caminho, já que, em geral, em casa andavam com os pés nus. As duas túnicas: A palavra Chitön era a túnica ou vestido interior diferente da clâmide ou capa, externa. Que podemos dizer sobre estas recomendações? Jesus quer evitar a simonia. Na época, existiam muitos mensageiros ambulantes que em nome de um templo ou uma divindade percorriam os caminhos e entravam nas cidades. Saiam em busca de dinheiro para seus templos e voltavam carregados de bens. Temos o exemplo de Lucino que, como ministro da deusa Atargatis, reunia donativos para os sacrifícios de seu santuário. Saiu como mendigo, mas voltou como um arrieiro carregado de mercadorias. Em cada viagem trazia setenta sacos cheios. Talvez o exemplo dos apóstolos missionários dos tempos da Didaché tenha sido tomado deste trecho evangélico: não deve permanecer mais de um dia ou dois… Se permanecer 3 dias é um falso profeta. E quando partir, que não tome nada a não ser pão e se pede dinheiro é um falso profeta.

HOSPEDAGEM: E dizia-lhes: quando, pois, entrardes em casa, permanecei ali até dali sairdes (10). Et dicebat eis quocumque introieritis in domum illic manete donec exeatis inde. Em Mateus temos uma explicação mais explícita desta hospedagem buscando uma casa digna, isto é que não fosse impura por diversas circunstâncias. A razão de não mudar de casa é melhor compreendida nestas palavras de um rabino da época: Até quando um homem não deve mudar de hospedagem gratuita? E o rabi respondeu: Até que o hospedeiro não o golpeie ou lhe jogue suas coisas nas costas. Como temos visto, a Didaché não permitia uma estadia muito prolongada.

A REJEIÇÃO: E se em algum lugar não vos receberem nem vos ouvirem, saídos dali, sacudi o pó dos calçados de vossos pés em testemunho para eles (11). Et quicumque non receperint vos nec audierint vos exeuntes inde excutite pulverem de pedibus vestris in testimonium illis. Nas ideias da época, se alguém vinha de viagem de regiões de gentios e não se purificava ao entrar em Israel, a profanava com o pó que trazia dessas regiões. Por isso estava obrigado a sacudir vestidos e calçados antes de entrar no Hertz Haaretz [terra de Israel]. Esse gesto foi feito por Paulo e Barnabé em Antioquia da Pisídia, quando os judeus levantaram uma perseguição contra eles (At 13, 51). Mais do que o gesto está a condenação dos que não quiseram ver a luz nem ouvir a verdade testemunhada com prodígios, como eram os sinais feitos pelos apóstolos.

RESULTADOS: E tendo saído, pregavam para que se convertessem [metanoësösin <3340>] (12). E expulsavam muitos demônios e ungiam com óleo muitos doentes e sanavam (13). Et exeuntes praedicabant ut paenitentiam agerent. Et daemonia multa eiciebant et unguebant oleo multos aegrotos et sanabant. O metanoeö significa mudar de parecer, ou seja, admitir que até agora não se tinha seguido uma religião correta e se devia em consequência mudar de ideias e conduta. Era uma forma nova de culto a um Deus que rejeitava a antiga adoração como defeituosa e insuficiente. Além de que por meio dos antigos profetas, cuja tradição vemos refletida nas palavras do Batista, essa nova presença de Deus era como um julgamento em que palha e trigo deviam ser separados (Lc 3, 17). A unção com óleo é uma forma de remédio muito usada nos tempos antigos. Sua prática no Oriente é usual até em nossos dias, mas o uso pelos apóstolos, nesta ocasião, é mais instrumental que curativa. Era um sinal externo de que pela fé o poder divino atuava no enfermo para obter a cura. Todos se curavam? Não existe certeza, embora a frase deixe margem suficiente para pensar numa cura geral. Era o sacramento da Unção? Não, pois neste a finalidade principal era taumatúrgica e na unção temos o perdão dos pecados e da culpa dos mesmos como finalidade primária. O Concílio de Trento afirma: A unção sagrada dos enfermos foi instituída como verdadeiro e próprio sacramento do NT por Cristo, Nosso Senhor, insinuado já em Marcos e promulgado por Tiago (Tg 5, 14). Como temos dito no início, a expulsão dos demônios era um símbolo especial: o de que uma nova era já estava atuando e de que o poder do maligno estava sendo derrotado: Se no dedo de Deus eu expulso os demônios, certamente a vós é chegado o Reino de Deus (Lc 11, 20).


EXCURSUS: NORMAS DA INTERPRETAÇÃO EVANGÉLICA

- A interpretação deve ser fácil, tirada do que é o evangelho: boa nova.

- Os evangelhos são uma condescendência, um beneplácito, uma gratuidade, um amor misericordioso de Deus para com os homens. Presença amorosa e gratuita de Deus na vida humana.
- Jesus é a face do Deus misericordioso que busca o pecador, que o acolhe e que não se importa com a moralidade ou com a ética humana, mas quer mostrar sua condescendência e beneplácito, como os anjos cantavam e os pastores ouviram no dia de natal: é o Deus da eudokias, dos homens a quem ele quer bem e quer salvar, porque os ama.

Interpretação errada do evangelho:

- Um chamado à ética e à moral em que se pede ao homem mais que uma predisposição, uma série de qualidades para poder ser amado por Deus.
- Só os bons se salvam. Como se Deus não pudesse salvar a quem quiser (Fará destas pedras filhos de Abraão).

Consequências:

- O evangelho é um apelo para que o homem descubra a face misericordiosa de Deus [=Cristo] e se entregue de um modo confiante e total nos braços do Pai como filho que é amado.
- O olhar com a lente da ética, transforma o homem num escravo ou jornaleiro:aquele age pelo temor, este pelo prêmio.
- O olhar com a lente da misericórdia, transforma o homem num filho que atua pelo amor.
- O pai ama o filho independentemente deste se mostrar bom ou mau. Só porque ele é seu filho e deve amá-lo e cuidar dele.
- Só através desta ótica ou lente é que encontraremos nos evangelhos a mensagem do Pai e com ela a alegria da boa nova e a esperança de um feliz encontro definitivo. Porque sabemos que estamos na mira de um Pai que nos ama de modo infinito por cima de qualquer fragilidade humana.


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08.07.2018
14º Domingo do Tempo Comum — ANO B
( Verde, Glória, Creio – II Semana do Saltério )
__ "O Profeta: aquele que anuncia com temor e coragem" __

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

Clique aqui para ver ou baixar o PPS.

(antes de clicar - desligue o som desta página clicando no player acima do menu à direita)

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Hoje a Liturgia leva-nos a confessar nossa fé em Jesus, aquele que foi renegado por ser pessoa “comum”, vindo de aldeia simples e, por isso, rejeitado. Celebramos a fé naquele que se encarnou no seio de Maria, se fez homem, sofreu, foi morto, sepultado e ressuscitou. Ele, assumiu em tudo nossa condição, menos o pecado, e tão humano, só podia ser divino. Estabelecer comunhão com o Senhor é encarnar-se também e correr todos os riscos: indiferença e rejeição, injúrias, perseguições e angústias.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Irmãos e irmãs, aqui nos reunimos para o louvor que os filhos e filhas de Deus elevam ao seu Criador, que por seu Filho Jesus nos salvou da morte e nos deu a Vida. O convite que a Liturgia hoje nos faz é o de acolher o Senhor em nossas vidas, reconhecê-lo como nosso Libertador e aceitar sua palavra e ensinamento como condição para sermos realmente felizes e termos coragem para suportar as forças contrárias ao Reino que Ele, Cristo, veio anunciar.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: Hoje nossa Liturgia nos leva a confirmar que seguimos aquele que foi rejeitado por ser trabalhador, filho de Maria, uma pessoa comum de seu tempo, vindo de uma aldeia e, por isso, motivo de desprezo e rejeição. Movidos por esta fé, nos reunimos em assembleia celebrante onde, pela sua palavra, Jesus nos leva a assumir nossa evidente fragilidade sem precisar mascará-la com falsa grandeza e a buscar, em sua graça, a nossa força. Celebramos a fé naquele que se encarnou no seio de Maria, se fez homem, sofreu, foi morto, sepultado e ressuscitou. Estabelecer comunhão com ele é encarnar-se também e correr todos os riscos: indiferença e rejeição, injúrias, perseguições e angústias. Depois de termos celebrado a Festa de São Pedro e São Paulo, celebramos neste domingo o ministério de Cristo entre seus parentes e amigos. Porém, devido à familiaridade da parentela e proximidade dos que se conhecem desde pequenos, muitos tiveram dificuldade de aceitar Jesus como Messias e, por isso, ele não pode realizar em Nazaré as obras de salvação, já que "um profeta não é valorizado em sua casa". Ao contrário deles, façamos nosso ato de fé incondicional, proclamando Jesus como Deus e Salvador, e vivamos essa verdade em nossas atitudes, assumindo também a missão de levar a todos o conhecimento da fé que nos congrega na Eucaristia.

Sentindo em nossos corações a alegria do Amor ao Próximo e meditemos profundamente a liturgia de hoje!


(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (Ezequiel 2,2-5): - "Quer te ouçam ou não, hão de ficar sabendo que há um profeta no meio deles!"

SALMO RESPONSORIAL 122(123): - "Os nossos olhos estão fitos no Senhor: tende piedade, ó Senhor, tende piedade!"

SEGUNDA LEITURA (2 Coríntios 12,7-10): - "Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força"

EVANGELHO (Marcos 6,1-6): - "Um profeta só é desprezado na sua pátria, entre os seus parentes e na sua própria casa."



Homilia do Diácono José da Cruz – 14º Domingo do Tempo Comum – ANO B

"NAZARÉ DAS NOSSAS ILUSÕES"

É bonito quando vemos alguém famoso causando admiração, outro dia em uma festa de casamento, que acontecia em um belo salão, adentrou um artista de grande talento, contratado pela noiva, representando o Elvis Presley e era de se espantar em ver como os seus trejeitos, lembravam realmente o rei do rock, todos os convidados se aproximaram para umas fotos, as mulheres queriam acompanhá-lo na dança ousada, e até os homens se admiravam e a sua presença inusitada, surpreendeu a todos.

Quando Jesus chegou a sua “terrinha” de Nazaré, acompanhado dos discípulos, deve ter causado um verdadeiro “rebuliço”, pois a fama de suas pregações e milagres já tinha chegado por ali, e no sábado, como todo piedoso judeu, foi á celebração da palavra da comunidade, onde qualquer pessoa adulta poderia partilhar o ensinamento sobre a Palavra e Jesus, usando desse direito, começou a pregar á sua gente fazendo a homilia.

O povinho da terra nunca tinha ouvido uma pregação feita com tanta sabedoria, que superava o ensinamento dos Mestres da Lei e Fariseus, imaginemos que na comunidade, algum ministro da palavra pregue melhor do que o padre... E com o estudo teológico acessível aos leigos, isso hoje não seria novidade. Aquilo que causa muita admiração, também logo acabará despertando inveja e ciúmes.

Basta que olhemos para os nossos trabalhos pastorais, onde o carisma das pessoas não deveria jamais perturbar o coração de ninguém, ao contrário, deveria motivar um hino de louvor, por Deus ter dado a alguém um carisma tão belo, colocado a serviço da comunidade. Mas logo surgem os questionamentos maldosos: Como é que ele faz isso? Onde aprendeu? Quem o ensinou, de onde é que vem todo esse saber? Será que o padre o autorizou? (esta última coloquei por minha conta) E a admiração, contaminada por sentimentos de inveja, vai logo se transformando em desconfiança aumentando o questionamento: “Quem ele pensa que é para falar assim com a gente? Será que ele não se enxerga? E ainda tem gente que o aplaude...” Os que não gostam muito do padre, logo vão afirmar que o sujeito faz parte da sua “panelinha”, ou então, irão inventar alguma coisa para que o padre “corte a asinha” do tal.

Jesus deve ter sentido uma frustração muito grande, quando percebeu sentimentos tão mesquinhos em meio á comunidade onde cresceu e fez a sua catequese. Duvidavam da sua sabedoria, e talvez para provocá-lo, queriam que ele resolvesse algum problema da comunidade, “Se ele endireitar a comunidade, daí eu acredito”. Às vezes também nos iludimos quando queremos que alguém que fala “certos milagres”, talvez o cooperador, o coordenador do grupo, o catequista, o ministro da palavra, quem sabe o coitado do Diácono ou o Padre, que têm autoridade. Penso que na sinagoga de Nazaré foi mais ou menos assim que os fatos ocorreram, queriam jogar tudo nas costas de alguém, e como Jesus tinha fama de ser o Messias...

As pessoas, quando enxergam algo de extraordinário no carisma de alguém, começam a fazer do sujeito uma referência importante, acham que a sua oração é especial, que um toque de sua mão poderosa pode realizar curas prodigiosas, e em pouco tempo, a propaganda é tanta, que o tal não pode mais sair as ruas que é logo procurado para resolver os mais complicados problemas, inclusive de relacionamento entre as pessoas, apaziguar casais brigados, aconselhar jovens, e assim a sua palavra se torna poderosa e em conseqüência passa a ter poder religioso paralelo, e se na comunidade não houver um espaço para ele atuar, terão de criar um, pois ele precisa ser o centro das atenções.

Jesus não quis formar um grupo só para ele, para bater de frente com os Doutores da lei, escribas e fariseus, e como ele pertencia a uma das famílias do local, a ponto de sua mãe e seus irmãos serem de todos conhecidos, começaram a vê-lo como um vulgar, que nada de extraordinário tinha feito em Nazaré, para que merecesse toda aquela fama.

Na verdade, Jesus não quis assumir o papel de “Salvador da Pátria”, diferente de muitos cristãos, que se julgam o máximo naquilo que fazem, e pensam que sem eles, a comunidade estaria perdida. Essa rejeição á ele, suas obras e ensinamentos, iria se ampliar e lhe traria conseqüências muito trágicas na cruz do calvário, tudo porque suas palavras anunciavam um reino novo, que exigia uma total renovação e mudança de vida.

Quando a pregação que ouvimos, serve para o vizinho, ou para o marido ou a esposa, ou quem sabe para os filhos, ou para o chefe ou o colega de trabalho, prestamos muita atenção e vibramos, só em pensar que aquelas verdades atingem em cheio a pessoa em quem pensamos. Porém, quando a pregação toca o nosso coração e nos motiva a mudar o nosso jeito de pensar ou de agir, temos duas reações, ou reconhecemos a legitimidade da palavra e abrimos o nosso interior, para uma conversão sincera, ou então rejeitamos o pregador e passamos a querer vê-lo pelas costas.

Na sinagoga de Nazaré foi assim, e nas nossas comunidades, não é muito diferente. Quem prega mudanças de mentalidade e conduta, vai sempre arrumar uma bela de uma encrenca. Enfim, o Jesus que há dentro de nós, criado pelas nossas fantasias, ou fruto de nossas ideologias sociais ou políticas, não coincide com esse Jesus, Profeta de Nazaré, Ungido de Deus. E o pior, é que projetamos tudo isso nas pessoas que lideram a comunidade, nos cooperadores, nos coordenadores, nos ministros, nas catequistas, nos padres e diáconos e assim vai. Um dia, basta um desentendimento mais sério e o nosso Jesus idealizado “vai pro espaço” com a pastoral e o movimento.

Quanto mais somos realistas em nossa fé, mais nos adequamos á comunidade aceitando-a como ela é, quanto mais nos iludimos com o Jesus da nossa fantasia, mais difícil será vivermos em comunidade, aceitando as pessoas do jeito que elas são. Daí, como em Nazaré, nenhum milagre acontece, por causa dessa fé infantil e ilusória...

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Rodrigues Costa – 14º Domingo do Tempo Comum — ANO B

“Doutrina admirável”

Se combinarmos, entre quatro pessoas, para ir a São Paulo num carro de passeio, por exemplo, caso nunca tenhamos ido a essa cidade, precisaremos de um bom mapa de estradas e também orientar-nos pelas placas que encontraremos pelo caminho. Se não seguirmos rigorosamente essas indicações, ao invés de chegarmos a São Paulo chegaríamos a qualquer outra cidade, a qual não seria, porém, a nossa meta. O mapa não se manipula, se estuda; poderia representar o esforço pessoal para se chegar ao céu. Quanto às placas, essas estão lá, precisamos simplesmente segui-las. Alguém as colocou lá; nós, docilmente, seguindo-as chegaremos, pelo caminho proposto, à meta. Elas poderiam representar a graça de Deus. Ambas, placas e mapas nos indicam por aonde irmos se quisermos alcançar o objetivo proposto.

Para chegarmos ao céu, é importante que lutemos com muito esforço e muita decisão, sem esquecermo-nos que a graça de Deus nos acompanha sempre. Nesse nosso caminho rumo ao céu, uma das grandes graças que nos foi oferecida é o ensinamento de Cristo. Os ensinamentos do Senhor são como boas placas do caminho que, se as seguirmos, chegaremos a bom termo.

Escandalizavam-se porque o carpinteiro, o filho de Maria ensinava com autoridade, com sabedoria. Por outro lado, Jesus deixaria realmente uma impressão muito grata, os que o ouviam ficavam admirados. Gosto de imaginar Cristo ensinando, gosto de imaginar-me lá junto dele escutando as suas palavras sapientíssimas, cheias de unção, são as palavras do Filho sobre o seu Pai. Nós também ficamos admirados porque é simplesmente maravilhoso tudo o que o Senhor fala sobre o Pai, seu Pai e nosso Pai, mas… será que ficamos também escandalizados, isto é, será que suas palavras santíssimas são causa de queda para nós?

Quando as palavras de Cristo seriam causa de escândalo para nós?
Se, ao ler o Evangelho, chego à conclusão que tudo aquilo é impossível para mim, que não posso chegar a metas tão altas, que a santidade é coisa para poucos;
Se, ao escutar o Magistério da Igreja ensinando as exigências do amor de Deus, criticamos e não nos dispomos a seguir pelos caminhos que o Senhor deseja e que o Papa e os Bispos em comunhão com ele nos transmitem;
Se a humildade, a castidade, se o aproveitamento do tempo, o serviço aos demais me parecem virtudes de gente retrógrada, de gente do passado, pouco desenvolvida e que não acompanha a modernidade.

Mas, Jesus já tinha mostrado àqueles homens e muitas vezes nos tem mostrado a origem da sua autoridade: o que ele fala verdadeiramente vem de Deus, ele é o Deus feito homem. No batismo escutara-se a voz do Pai que dizia "Tu és o meu Filho amado; em ti ponho as Minhas complacências" (Mc 1,11); ao começar seu ministério muitos tinham escutado o Senhor com toda a autoridade a dizer-lhes: "Fazei penitência e crede no Evangelho" (Mc 1,15). Também tinham se maravilhado da doutrina do Senhor quando ele certa vez entrara na sinagoga de Cafarnaum e começara a ensinar, tinham visto lá um ensino com autoridade (cf. Mc 1,21-22). Essa autoridade do Senhor também fica patente quando ele expulsa demônios, quando ele cura os enfermos. Diante das maravilhas de Cristo, seus ensinamentos e suas ações, as pessoas ficavam pasmadas e davam glória a Deus: "Nunca vimos coisa assim!" (Mc 2,12). Ainda que nem todos ficassem admirados e a dar glória a Deus, é verdade que muitos tinham essas reações. Nós queremos ser contados entre esses que glorificam a Deus, não entre aqueles para os quais a doutrina de Cristo era motivo de escândalo, de queda. Por quê? Por causa do endurecimento de coração, por causa do comodismo egoísta que não os permitia olhar ao redor de si e para si mesmos de maneira realista.

A escolha dos apóstolos deixa claro que o Senhor os queria "para andarem com Ele e para os mandar a pregar" (Mc 3,14). A primeira coisa que o apóstolo cristão precisa fazer é andar com o Senhor, ele precisa ser ao entrar em contato com Cristo, outro Cristo, o mesmo Cristo. É preciso que nos identifiquemos com Cristo também na maneira de expressar-nos, isto é, as nossas palavras irão, pouco a pouco, sendo verdadeiros veículos da doutrina de Cristo explicita e implicitamente: a calma e a paz ao falar, a sinceridade, a humildade ao dirigirmo-nos aos demais, todos esses são traços de uma personalidade que se identificou com Cristo nas suas palavras. É um discípulo que ama o seu Mestre. Não se trata de ser fanático, o fanatismo é um desvio da religiosidade; trata-se de apaixonar-se por Jesus Cristo. Toda a nossa vida cristã em todos os seus aspectos será um desenrolar-se do seguimento de uma Pessoa, a de Jesus. O nosso seguimento de Jesus leva-nos a uma entrega da própria vida, de toda a vida! Se tivéssemos mais vidas, mais felizes estaríamos pela ajuda que prestaríamos ao próprio Deus que quer fazer de nós verdadeira placas de sinalização para que os outros dele se aproximem.

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético – 14º Domingo do Tempo Comum ANO B
(Extraído do site Presbíteros - Elaborado pelo Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

... Não foi publicado o Comentário Exegético desta semana no site Presbíteros. Apresentamos um texto da Doutrina da Liturgia prevista no Direito Canônico sobre a Comunhão sob as duas espécies ...

Direito Canônico | Doutrina | Liturgia

A Comunhão sob as duas espécies

A Eucaristia é a celebração central da Igreja. Na verdade, a Igreja não celebra a si mesma, e, sim a história a que ela se deve, a esperança que a anima, a vinda do Senhor, por meio da qual ela se deixa transformar; no entanto, nessa celebração ela representa, ao mesmo tempo, o que ela deveria ser: uma comunidade que dá testemunho de Jesus Cristo e do reino de Deus por ele anunciado, que tenta viver esse testemunho no serviço ao próximo e que representa simbolicamente, na celebração da liturgia, ambas as coisas- o testemunho da palavra e o testemunho da ação. Da liturgia faz parte tanto o anúncio da Palavra quanto o partir do pão. Assim, a Eucaristia também é imagem para Igreja.

Com imagem para a Igreja, a Eucaristia também diz algo sobre sua estrutura. Desde os dias da comunidade primitiva em Jerusalém até hoje, a Eucaristia é celebrada em comunhões de mesa menores: “Diariamente permaneciam unânimes no templo, nas [diversas] casas, porém, repartiam o pão” (At 2,46). Aí se revela uma estrutura básica de Igreja: Igreja é reunião, comunhão. Isso, porém, ela não é como reunião única, que abrange a todos os membros (que, quando muito, por motivos práticos, dependeria de filiais), e, sim, ela o é, de antemão, como comunidade de comunidades, nas palavras do Concílio Vaticano II: como comunidade de “Igrejas parciais”.

“Estas [as comunidades locais] são em seu lugar o Povo novo chamado por Deus(…). Nelas se reúnem os fiéis pela pregação do Evangelho de Cristo. Nelas se celebra o mistério da Ceia do Senhor (…). Nessas comunidades, embora muitas vezes pequenas e pobres, ou vivendo na dispersão, está presente Cristo” (LG 26).

Se na Eucaristia a Igreja é apresentada como comunidade, se Igreja é, essencialmente, comunidade de comunidade e se a Igreja conhece um ministério de serviços que serve à congregação para a comunhão e à unidade entre as comunidades, então se conclui logicamente que para a celebração da Eucaristia se precisa da direção por meio de um ministro ordenado. Pois a ordenação serve à congregação e à unidade na comunidade eucarística, e ela estabelece a conexão entre esta uma e as muitas celebrações eucarísticas da Igreja.

O sinal básico desse sacramento é a comunhão de mesa: pão e vinho são repartidos, a palavra interpretativa fala da última ceia de Jesus e convida: “Tomai, comei, (…) bebei” (Mt 26,26s). A Eucaristia cristã, a “Ceia do Senhor” (1Cor 11,20), tem sua origem no cear em Israel, que une os participantes entre si e com Deus; nas ceias de Jesus com os discípulos, que eram sinais realizadores de seu convite para o reino de Deus e de sua pró-existência (sua existência em favor dos outros); na última ceia de Jesus, na qual sua pró-existência em face da morte iminente se condensou na entrega extrema e na experiência de sua ressurreição e de sua nova vinda, que os discípulos fizeram “ao partir o pão” (Lc 24,35). Desde a aliança do Sinai até a congregação da comunidade na experiência pascal a Ceia sempre é sinal da aliança: A aliança de Deus com os homens se realiza quando homens se aliam entre si. No comer e beber em comum se recebe a vida, celebra-se a aliança que possibilita vida.

Quanto ao tema proposto, citado acima: a Comunhão sob duas espécies podemos reportar ao:

Concílio de Trento – Em algumas partes do mundo, alguns ousam temerariamente afirmar que o povo cristão deve receber o santo sacramento da Eucaristia sob as duas espécies do pão e do vinho e fazem comungar em geral a assembléia dos leigos não só a espécie do pão, mas também com a do vinho, inclusive depois da refeição ou doutro modo sem jejum. Eles sustentam obstinadamente que este é o modo de se comungar, opondo-se ao louvável costume da Igreja, justificado também racionalmente, que de modo condenável procuram reprovar como sacrílego:

“por isso, este concílio… declara, decreta e define que, se bem que Cristo tenha instituído e administrado depois da refeição aos apóstolos este venerando sacramento sob as espécies do pão e do vinho, não obstante isso, a admirável autoridade dos sagrados cânones e o autorizado costume da Igreja têm declarado e declaram que este sacramento não deve ser administrado depois da refeição, nem a fiéis que não estão em jejum, salvo no caso de doença ou de outra necessidade, concedido ou admitido pelo direito ou pela Igreja” (DH, 1198).

E como este costume foi introduzido, com razão para evitar perigos e escândalos, com análoga o maior razão foi introduzido e observado este outro: “se bem que na Igreja primitiva este sacramento era recebido pelos fiéis sob ambas as espécies, mais tarde, porém, era recebido pelos que produzem- o sacramento- sob ambas espécies, mas pelos leigos somente sob a espécie de pão, pois é preciso crer com toda a firmeza e sem sombra de dúvida que o corpo e o sangue de Cristo estão verdadeiramente contidos, na sua integridade, tanto sob a espécie do pão, como sob a do vinho. Portanto, visto que foi introduzido com boa razão pela Igreja e pelos santos Padres e observada durante muitíssimo tempo, este costume deve ser considerado como uma lei que não pode ser reprovada nem modificada arbitrariamente, sem o consentimento da Igreja” (DH, 1199).

Contudo, “é errôneo sustentar que a observância deste costume ou lei é sacrílega ou ilícita; e os que se obstinam em sustentar o contrário devem ser tratados como hereges…” (DH, 1200).

Código de 1917 – Sanctissima Eucharistia sub sola specie panis praebeatur (Cân. 852).

Concílio Vaticano II – “A comunhão sob as duas espécies, firmes os princípios dogmáticos estabelecidos pelo Concílio de Trento pode ser permitida, quer aos clérigos e religiosos, quer aos leigos, nos casos a serem determinados pela Santa Sé e a critério do bispo, como aos neo-sacerdotes na missa de sua ordenação, aos professos na missa de profissão religiosa, aos neófitos na missa que se segue ao batismo” (SC 55).

Código de 1983 – “Sacra communio conferatur sub sola specie panis aut, ad normam legum liturgicarum, sub utraque specie; in casu autem necessitatis, etiam sub sola specie vini” (Cân.925).

O modo ordinário de administração continua a ser sob a espécie de pão, seguindo uma disciplina multissecular fundada na afirmação dogmática de plena e perfeita presença de Jesus Cristo em cada uma das espécies sacramentais (Conc. de Trento,sess.XXI), e recomendada pelo perigo de derramamento do sanguis, assim como pela natural repugnância a que poderia dar lugar o comungar do mesmo cálice. Estes dois dados (perigo de derramamento e natural repugnância) serão tidos em conta nas normas litúrgicas que o Cânon manda observar.

A Instrução da Sagrada Congregação para o Culto Divino Sacramentali Communione, de 29 de junho de 1970, permitiu que as Conferências Episcopais ampliassem essa faculdade dos Ordinários locais. Em setembro do mesmo ano, a comissão Central da CNBB decidiu deixar nas mãos dos próprios Bispos diocesanos a determinação de novos casos de comunhão sob duas espécies, “ubi ratio pastoralis suadeat” (=onde o aconselhar uma razão pastoral). Recomendou, porém, que não se usasse essa forma quando os grupos forem muito numerosos ou heterogêneos.

Introdução Geral do Missal Romano- A Comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal sob as duas espécies. Sob esta forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai (IGMR, 281).

O Número 283 da IGMR nos diz que a comunhão sob as duas espécies é permitida nos seguintes casos:

a) Aos sacerdotes que não podem celebrar ou concelebrar o santo sacrifício;
b) Ao diácono e a todos que exercem algum ofício na Missa;
c) Aos membros “da comunidade”, aos alunos dos Seminários, a todos os que fazem exercícios espirituais ou que participam de alguma reunião espiritual ou pastoral.

O Bispo diocesano pode baixar normas a respeito da Comunhão sob as duas espécies para a sua diocese, a serem observadas inclusive nas igrejas dos religiosos e nos pequenos grupos. Ao mesmo Bispo concede a faculdade de permitir a Comunhão sob as duas espécies, sempre que isso parecer oportuno ao sacerdote a quem, como pastor próprio, a comunidade está confiada, contando que os fiéis tenham boa formação a respeito e esteja excluído todo perigo de profanação do Sacramento, ou o rito se torne mais difícil, por causa do número de participantes ou por outro motivo.

Contudo, quanto ao modo de distribuir a sagrada Comunhão sob as duas espécies aos fiéis, e à extensão da faculdade, as Conferências dos Bispos podem baixar normas, a serem reconhecidas pela Sé Apostólica. Conforme proposta da 33ª Assembléia Geral da CNBB, aprovada pela Sé Apostólica, a ampliação do uso da Comunhão sob as duas espécies pode ocorrer nos casos seguintes:

1.A todos os membros dos Institutos religiosos e seculares, masculino e femininos, e a todos os membros das casas de formação sacerdotal ou religiosa, quando participarem da Missa da comunidade.
2. A todos os participantes da missa da comunidade por ocasião de um encontro de oração ou de uma reunião pastoral.
3. A todos os participantes em Missas que já comportam para alguns dos presentes a comunhão sob as duas espécies, conforme o n.243 dos Princípios e Normas para o uso do Missal Romano:
a. Quando há uma Missa de batismo de adulto, crisma ou admissão na comunhão da igreja;
b. Quando há casamento na Missa;
c. Na ordenação de diácono;
d. Na benção da Abadessa, na consagração das Virgens, na primeira profissão religiosa, na renovação da mesma, na profissão perpétua, quando feitas durante a Missa;
e. Na Missa de instituição de ministérios, de envio de missionários leigos e quando se dá na Missa qualquer missão eclesiástica;
f. Na administração do viático, quando a Missa é celebrada em casa;
g. Quando o diácono e os Ministros comungam na Missa;
h. Havendo concelebração;
i. Quando um sacerdote presente comunga na Missa;
j. Nos exercícios espirituais e nas reuniões pastorais;
l. Nas Missas de Jubileu de sacerdócio, de casamento ou de profissão religiosa;
m. Na primeira Missa de um neo-sacerdote;
n. Nas Missas conventuais ou de uma “Comunidade”;

4. Na ocasião de celebrações particularmente expressivas do sentido da comunidade cristã reunida em torno do altar.

Instrução Redemptionis Sacramentum Para administrar a santa comunhão aos fiéis leigos as duas espécies, dever-se-á de forma apropriada levar em conta as circunstâncias, cabendo antes de tudo aos bispos diocesanos fornecer uma avaliação sobre tais circunstâncias. Seja totalmente excluída quando houver o risco, mesmo que mínimo, de profanação das sagradas espécies[1] (Redemptionis Sacramentum,101). Para uma melhor coordenação, é preciso que as Conferências dos Bispos publiquem, com a confirmação por parte da Sé Apostólica, mediante a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, as normas relativas sobretudo ao “modo de distribuir aos fiéis a santa comunhão sob as duas espécies e à extensão dessa faculdade”[2].

Não se administre aos fiéis leigos o cálice, quando esteja presente um número de comungantes tão grande[3] que se torna difícil avaliar a quantidade de vinho necessária para a Eucaristia e houver o risco de “permanecer uma quantidade de Sangue de Cristo superior ao necessário e que deveria ser consumido no término da celebração”[4]; nem também quando o acesso ao cálice só possa ser regulado com dificuldade, ou seja, exigida uma quantidade se poderia ter garantia da proveniência e qualidade, ou onde não haja adequado número de ministros sagrados nem extraordinários da sagrada comunhão providos de uma apropriada preparação, ou onde parte notável do povo continue, por diversas razões, recusando aproximar-se do cálice, fazendo assim que o sinal da unidade acabe de certo modo deixando de existir. (Redemptionis Sacramentum, 103).

Quando a Comunhão é dada sob as duas espécies:

a) Quem serve ao cálice é normalmente o diácono, ou na sua ausência, o presbítero; ou também o acólito instituído ou outro ministro extraordinário da sagrada comunhão; ou outro fiel a quem, em caso de necessidade, é confiado eventualmente este ofício; (IGMR,284).

b) O que por acaso sobrar do precioso Sangue é consumido no altar pelo sacerdote, ou pelo diácono, ou pelo acólito instituído, que serviu ao cálice e, como de costume purifica, enxuga e compõe os vasos sagrados (IGMR, 284).

Aos fiéis que, eventualmente, queiram comungar somente sob a espécie de pão, seja-lhes oferecida a sagrada Comunhão dessa forma.

As quatro formas de dar a comunhão de duas espécies

Nos casos em que a comunhão é distribuída sob as duas espécies, “o Sangue de Cristo pode ser bebido diretamente no cálice, por intinção, com a cânula ou com a colher[5]. Quanto à administração da comunhão aos fiéis leigos, os bispos podem excluir a modalidade da comunhão com a cânula ou a colher, quando isso não for costume, mas, permanecendo sempre atento à possibilidade de administrar a comunhão por intinção se tal modalidade for usada, recorra-se a hóstias que não sejam muito finas nem demasiadamente pequenas, e o comungante receba o sacramento do sacerdote somente na boca[6].

Se pode distinguir quatro formas de dar a comunhão de duas espécies:

a) Beber diretamente do cálice- Quando a Comunhão do cálice é feita tomando diretamente do cálice, prepare-se um cálice de tamanho suficiente (ou vários cálices), tendo-se sempre o cuidado de prever que não sobre do sangue de Cristo do que se possa tomar razoavelmente no fim da celebração. (IGMR, 285). Se a Comunhão do Sangue se faz bebendo do cálice, o comungando, depois de ter recebido o Corpo de Cristo, aproxima-se do ministro do cálice e fica de pé diante dele. O Ministro diz: O Sangue de Cristo; o comungando responde: Amém, e o ministro lhe entrega o cálice, que o próprio comungando, com as mãos leva à boca. O comungando toma um pouco do cálice, devolve-o ao ministro e se retira; o ministro, por sua vez, enxuga a borda do cálice com o purificatório. (IGMR, 285 e 286).

b) Por intinção- Quando a Comunhão se realiza por intinção, preparem-se hóstias que não sejam demasiado finas nem pequenas, mas um pouco mais espessas que de costume, para que possam ser distribuídas comodamente depois de molhadas parcialmente no Sangue. Se a Comunhão do cálice é feita por intinção, o comungando, segurando a patena sob a boca ou outra pessoa segura a patena, aproxima-se do sacerdote, que segura o vaso com as sagradas partículas e a cujo lado tem o ministro sustentando o cálice. O sacerdote toma a hóstia, mergulha-a parcialmente no cálice e, mostrando-a, diz: O Corpo e o Sangue de Cristo; o comungando responde: Amém, recebe do sacerdote o Sacramento, na boca, e se retira. (IGMR, 285 e 286).

c) Com uma Cânula- A Cânula deve ser de prata, tanto a do celebrante (presidente), como a dos fiéis que comungam deste modo, e sempre deve ter um recipiente com água para purificar as cânulas e assim como uma bandeja para colocá-las.

d) Com uma colher- Quando está presente um diácono, ou um outro sacerdote, ou um acólito, ou um outro ministro extraordinário da sagrada comunhão, este trazem em sua mão esquerda o cálice e dão a cada um dos presentes que vão comungar, que assim sustentam a patena de comunhão em suas boca ou um outro segura a patena. O Ministro ordinário ou extraordinário dá com a colherzinha o Sangue de Cristo, dizendo: Sangue de Cristo, e cuidando ao mesmo tempo para não tocar com a colherzinha os lábios ou a língua dos que comungam. Em caso do celebrante (presidente) estar sozinho, distribuirá o Precioso Sangue, depois que tenha terminado de distribuir o Corpo de Cristo.

Cuidados necessários

a) Não seja permitido que o comungante molhe por si mesmo a hóstia no cálice, nem que receba na mão a hóstia molhada. Que a hóstia para a intinção seja feita de matéria válida e seja consagrada, excluindo-se totalmente o uso do pão não-consagrado ou feito de outra matéria (Redemptionis Sacramentum, 104).

b) Se não for suficiente apenas um cálice para distribuir a comunhão sob as duas espécies aos sacerdotes concelebrantes ou aos fiéis, nada impede que o sacerdote celebrante use mais cálices[7]. De fato, deve ser lembrado que todos os sacerdotes que celebram a santa missa devem comungar sob as duas espécies. Em razão do sinal, é louvável servir-se de um cálice principal maior juntamente com outros cálices de menores dimensões (Redemptionis Sacramentum,105).

c)Abstenha-se de passar o Sangue de Cristo de um cálice para outro após a consagração, para evitar qualquer coisa que possa ser desrespeitosa a tão grande mistério. Para receber o Sangue do Senhor não se usem em nenhum caso canecas, crateras ou outras vasilhas não integralmente correspondentes às normas estabelecidas (Redemptionis Sacramentum,106).

d)Segundo a norma estabelecida pelos cânones, “quem joga as espécies consagradas ou as subtrai ou conserva para fim sacrílego incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé apostólica; além disso, o clérigo pode ser punido com outra pena, não excluída a demissão do estado clerical”[8]. Se alguém age contra as supracitadas normas, jogando, por exemplo, as sagradas espécies no sacrário num lugar indigno ou no chão, incorre nas penas estabelecidas[9]. Além disso, tenha-se presente, no final da distribuição da santa comunhão durante a celebração da missa, que devem ser observadas as prescrições do Missal Romano e, sobretudo, que aquilo que restar eventualmente do Sangue de Cristo deve ser imediata e inteiramente consumido pelo sacerdote ou, segundo as normas, por outro ministro, enquanto as hóstias consagradas que sobrarem devem ser imediatamente consumidas no altar pelo sacerdote ou levadas a um lugar apropriada, destinado para conservar a Eucaristia[10](Redemptionis Sacramentum,107).

Pe. Jair Cardoso Alves Neto (Arquidiocese de Cuiabá).


[1] Cf. Missale Romanum. Institutio Generalis,n.283.
[2] Cf. ibidem.
[3] Cf. S. Cong.Para O Culto Divino. Instrução Sacramentali Communione, 29 de junho de1970: AAS62 (1970),p.665; Instrução Liturgicae instautariones,n.6ª : AAA62 (1970),p.669.
[4] Missale Romanum. Institutio Generalis,n.285a.
[5] Ibidem,n.245.
[6] Cf. ibidem. Nn.285b e 287.
[7] Cf. ibidem, nn.207 e 285a.
[8] Cf. Código de Direito Canônico,Cân.1367.
[9] Cf. Pont. Cons.Para a Interpretação dos textos legislativos. Responsio ad propositum dubium, 3 de julho de 1999:AAS(1999),p.918.
[10] Cf. Missale Romanum. Institutio Generalis,nn.163e 284.


EXCURSUS: NORMAS DA INTERPRETAÇÃO EVANGÉLICA

- A interpretação deve ser fácil, tirada do que é o evangelho: boa nova.

- Os evangelhos são uma condescendência, um beneplácito, uma gratuidade, um amor misericordioso de Deus para com os homens. Presença amorosa e gratuita de Deus na vida humana.
- Jesus é a face do Deus misericordioso que busca o pecador, que o acolhe e que não se importa com a moralidade ou com a ética humana, mas quer mostrar sua condescendência e beneplácito, como os anjos cantavam e os pastores ouviram no dia de natal: é o Deus da eudokias, dos homens a quem ele quer bem e quer salvar, porque os ama.

Interpretação errada do evangelho:

- Um chamado à ética e à moral em que se pede ao homem mais que uma predisposição, uma série de qualidades para poder ser amado por Deus.
- Só os bons se salvam. Como se Deus não pudesse salvar a quem quiser (Fará destas pedras filhos de Abraão).

Consequências:

- O evangelho é um apelo para que o homem descubra a face misericordiosa de Deus [=Cristo] e se entregue de um modo confiante e total nos braços do Pai como filho que é amado.
- O olhar com a lente da ética, transforma o homem num escravo ou jornaleiro:aquele age pelo temor, este pelo prêmio.
- O olhar com a lente da misericórdia, transforma o homem num filho que atua pelo amor.
- O pai ama o filho independentemente deste se mostrar bom ou mau. Só porque ele é seu filho e deve amá-lo e cuidar dele.
- Só através desta ótica ou lente é que encontraremos nos evangelhos a mensagem do Pai e com ela a alegria da boa nova e a esperança de um feliz encontro definitivo. Porque sabemos que estamos na mira de um Pai que nos ama de modo infinito por cima de qualquer fragilidade humana.


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QUE DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje! Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

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