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Índice desta página:
Nota: Cada seção contém Comentário, Leituras, Homilia do Diácono José da Cruz e Homilias e Comentário Exegético (Estudo Bíblico) extraído do site Presbíteros.com

. Evangelho de 02/06/2016 - Ascensão do Senhor
. Evangelho de 26/05/2016 - 6º Domingo de Páscoa


Acostume-se a ler a Bíblia! Pegue-a agora para ver os trechos citados. Se você não sabe interpretar os livros, capítulos e versículos, acesse a página "A BÍBLIA COMENTADA" no menu ao lado.

Aqui nesta página, você pode ver as Leituras da Liturgia dos Domingos, colocando o cursor sobre os textos em azul. A Liturgia Diária está na página EVANGELHO DO DIA no menu ao lado.
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02.06.2019
Ascensão do Senhor — ANO C
(Branco, Glória, Creio, Prefácio da Ascensão – Ofício da Solenidade)
__ O destino do Homem Novo: O ressuscitado continua conosco __

SEMANA PREPARATÓRIA DE PENTECOSTES

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

Clique aqui para ver ou baixar o PPS.

(antes de clicar - desligue o som desta página clicando no player acima do menu à direita)

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: A Solenidade da Ascensão de Jesus sugere que, no final do caminho percorrido no amor e na doação, está a vida definitiva. Sua subida aos céus inaugura, definitivamente, a ação missionária dos discípulos. Olhamos para o alto, não fugindo às responsabilidades terrenas, mas acolhendo a graça que nos permite caminhar na terra como cidadãos do Céu.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Neste domingo, celebrando a Ascensão do Senhor, agradeçamos a Deus Pai a elevação sagrada de seu Filho e recebamos d’Ele a confirmação de que todos nós fomos, com Ele, introduzidos na intimidade definitiva de Deus. Com Maria e os apóstolos, aguardemos a vinda do Espírito Santo, conforme a promessa de Cristo.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: A solenidade da Ascensão que hoje celebramos está permeada por um grande sentido de alegria: “Fazei-nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças [...]” A liturgia de hoje não é, portanto, uma saudosa liturgia de adeus a Jesus que deixa a terra e volta ao seu tranquilo paraíso, mas uma liturgia de louvor e exaltação. Descobrir o motivo deste louvor e desta exaltação significa celebrar o verdadeiro mistério do dia de hoje. A festa da Ascensão é uma festa de entronização, pois celebra o Cristo ressuscitado enquanto constituído Senhor pelo Pai, isto é, soberano do mundo. Assentado à direita do Pai, Jesus continua junto à humanidade. Interpretando teologicamente a Ascensão de Jesus, recomendam os anjos que não se fique a olhar para o céu, mas que se espere e prepare a volta gloriosa do Senhor. Esta é, até o fim dos tempos, a missão da Igreja, em tensão entre o visível e o invisível, entre a realidade presente e a futura cidade para a qual caminhamos (cf SC 2).

Sintamos o júbilo real de Deus em nossos corações e cheios dessa alegria divina entoemos alegres cânticos ao Senhor!


(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (Atos 1,1-11): - "Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu."

SALMO RESPONSORIAL (Sl 46/47): - "Por entre aclamações Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta!"

SEGUNDA LEITURA (Efésios 1,176-23): - "Rogo ao Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê um espírito de sabedoria que vos revele o conhecimento dele."

EVANGELHO (Lucas 24,46-53): - "Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto."



Homilia do Diácono José da Cruz — Ascensão do Senhor Jesus — ANO C

DE VOLTA PARA O CÉU!

Um leitor que acompanha as nossas reflexões, e que costumeiramente sempre lê o evangelho antes do domingo, me fez uma observação muito interessante, e que na verdade serviu de “gancho” para esta reflexão. “Olha, achei que o evangelho desse domingo, fosse aquele tão bonito, quando Jesus vai subindo ao céu, de volta para o Pai, de onde saiu para realizar a Salvação, mas parece que o autor Lucas, não deu muita atenção para esse detalhe cinematográfico, de Jesus flutuando entre as nuvens”

Em parte o leitor tem razão, pois Ascensão significa a volta de Jesus para o Pai. Entretanto, precisamos entender uma coisa importante: enquanto Verbo Divino, Jesus nunca saiu do lado do Pai, mas como Verbo encarnado, ele esteve em meio a humanidade, e no dia da sua paixão e morte, ressuscitou e voltou para o Pai, isso significa dizer que, um homem subiu ao céu e assentou-se á direita de Deus Pai.

O Evangelista Lucas gosta de nos mostrar em seu evangelho, que Jesus é o Salvador, e nesta narrativa da Ascensão do Senhor, resume em praticamente uma linha, no que consiste esse ato de salvação que Jesus realizou a favor do gênero humano. “Assim está escrito, o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia, e no seu nome, serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém”.Eis aí a Salvação que Deus havia prometido nas Escrituras antigas, e que agora se cumpre plenamente na missão de Jesus: o perdão dos pecados!...

A comunhão de vida que o homem havia perdido por causa do pecado, agora é resgatada, poderíamos dizer em uma linguagem mais simples, que a ascensão significa: o Céu desceu á terra, e esta subiu ao céu! Os anjos Querubins que em Gênesis, após a queda do homem, guardavam a entrada do Paraíso com espadas de fogo, agora saem de cena, o paraíso é destino de toda humanidade, Deus quer e deseja intensamente, que toda a humanidade volte um dia aquele estado de vida de comunhão plena, com ele, no paraíso.

É precisamente essa “Esperança Escatológica”, Dom que Jesus concede, que alimenta a vida de um cristão, dando um sentido totalmente novo á sua vida. Nesse sentido, a vida terrena não é um “Esperar para ver o que vai acontecer no pós-morte”, esperar para ver no que vai dar tudo isso, esperar para ver qual a sorte que está nos reservada, ou pior ainda, esperar, como se a Salvação fosse um jogo de loteria, se dermos sorte, chegaremos na Casa de Deus que fica em algum lugar, longe daqui.

Se Esperança Cristã fosse isso, não teríamos o que celebrar, e nem valeria a pena ter Fé, a Igreja já teria ido à falência nos primeiros séculos do seu nascimento, e Jesus Cristo seria apenas mais um, entre aos homens célebres, que marcaram a História da Humanidade.

Esse “Céu” já está no coração de quem crê não como uma utopia, como um “faz de conta”, como uma imagem alegórica do mundo das idéias, como imaginava Platão, mas como algo real, que reflete o “Pensar Cristão” nas atitudes e nas relações com o próximo, na Vida Verdadeira e na Esperança que se celebra em comunidade, no Louvor e no Bendizer a Deus, pela possibilidade da Salvação que ele nos deu em Cristo, e acima de tudo, nesse amor infinito que permite ao homem tomar decisões no se dia a dia, capaz de refletir o paraíso que já está no meio de nós, mas que ainda não chegou.

Ascensão de Jesus é o reencontro da Humanidade com Deus, e não há e nem haverá por certo, expressão mais acertada do que aquela que escreveu o apóstolo, na carta aos Hebreus, 9,20 “Ele nos abriu um caminho novo e vivo, através da cortina, quer dizer, através da sua humanidade”.

Que em nossa vida de cristãos, não haja lugar para o desânimo, devemos saber que a conquista do céu não depende de nós, mas é dom que em Cristo, Deus Pai nos concedeu, e se a aceitarmos, viveremos como aqueles apóstolos, em nossas comunidades, louvando, agradecendo e testemunhando essa obra, que mudou definitivamente a sorte de toda humanidade, porque a Fé nos leva a crer, que esta realidade invisível e sobrenatural, se tornou visível na Igreja, assembléia dos que crêem e louvam o Senhor Jesus, como o único Deus e Salvador de todos... (Festa da Ascensão do Senhor)

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Costa — Ascensão do Senhor Jesus — ANO C

O mistério da Ascensão

Hoje é um dia no qual se mesclam a alegria pela consumação da glorificação do Senhor Jesus, a tristeza ao vê-lo partir e a melancolia de uma espécie de sonho quase real. Ao celebrar a Ascensão do Senhor, celebramos também – como dizia São Leão Magno num sermão – a exaltação da nossa pobre natureza humana em Cristo: ele sobe aos céus com a nossa carne, com um coração de carne, com sentimentos humanos, em fim, ele nos leva aos céus. Santo Agostinho exortava: “hoje o Senhor nosso, Jesus Cristo, subiu aos céus, suba também o nosso coração com ele”.

Nós fomos feitos por Deus e para Deus, levamos dentro de nós essa marca de eternidade que nos faz desejar a felicidade. Cada ser humano tem dentro de si uma espécie de saudade do paraíso, um desejo de ser feliz para sempre, uma ânsia de eternidade que faz sentir certa náusea de viver para sempre numa situação incompleta e cheia de perigos. Aquela frase de Santo Agostinho, “Fizeste-nos, Senhor, para ti e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em ti”, continua atual. A pessoa humana, por mais que queira fugir de Deus, não descansará enquanto não se deixar seduzir pelo Senhor, já que em cada efêmera felicidade está buscando a Deus, ainda que não saiba.

Você já desejou, de verdade, ver Deus? Nós falamos de Deus, cremos nele, o adoramos, é preciso também desejar vê-lo. Como é o rosto do Pai? Como é a humanidade glorificada de Cristo? Como é a personalidade do Espírito Santo? O que é Deus? Quem é Deus? “Ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou” (Jo 1,18). Ambas as afirmações estão perfeitamente combinadas na nossa vida cristã: nós não vimos a Deus, mas nós o conhecemos em Cristo. E, no entanto, desejamos ver como é Deus, como é cada uma das três Pessoas da Santíssima Trindade; também queremos dar um abraço em Nossa Senhora e agradecer pessoalmente ao nosso anjo da guarda por tudo, enfim, nós desejamos o céu.

Hoje é um dia para desejar a vida eterna. Pode-se ler num delicioso livro publicado pela Editora Quadrante, Reflexões espirituais, de Salvador Canals, a conversa de duas pessoas, umas das quais procurava convencer a outra de que a vida cristã é muito importante. O outro, contudo, se resistia. Depois, num momento de sinceridade, disse algo surpreendente: “Não posso viver como você diz por que sou muito ambicioso”. O seu interlocutor teve uma dessas respostas inteligentes e francas: “Olha, você tem diante um homem que é muito mais ambicioso que você (…) um homem que quer ser santo. A minha ambição é tão grande que não ambiciono nenhuma coisa dessa terra (…) Ambiciono a Jesus Cristo, o Paraíso, e a vida eterna”. Isso sim que é ambição! Todo cristão é um ambicioso, santamente ambicioso.

Precisamos que a nossa ambição santa aumente e que desejemos o céu não somente para nós, mas também para todos os nossos amigos. Um cristão sem zelo apostólico é um cristão estéril. Assim como não se pode entender que um peixe não possa nadar, a não ser que esteja morto, assim também não se pode entender que um cristão não seja apostólico, proselitista (no bom sentido da palavra), a não ser que esteja morto. Não podemos perder a audácia, o desejo de ganhar a todos para Cristo. No mesmo sermão citado anteriormente, São Leão Magno dizia que “a fé, aumentada pela ascensão do Senhor e fortalecida com o dom do Espírito Santo, não pode temer diante das cadeias, da prisão, do desterro, da fome, do fogo, das feras nem das torturas dos cruéis perseguidores. Homens e mulheres, crianças e frágeis donzelas lutaram em todo o mundo por essa fé até o derramamento do sangue. Esta fé afugenta os demônios, afasta as enfermidades, ressuscita os mortos”.

Peçamos a Deus que aumente a nossa fé e, consequentemente, a nossa audácia apostólica, que irá ao encontro não somente daquelas pessoas que ainda não são católicas, mas também dos mesmos católicos. Há muitos que estão afastados da Igreja, com uma fé raquítica, sem vigor apostólico. É preciso ajudá-los! Nessa Semana de Oração pela Unidade dos cristãos peçamos a Deus que se acabem as divisões, que todos tenhamos um único desejo: amar a Deus e estender o seu reino por todo o mundo, cada um no ambiente em que se encontra. É vergonhoso que tantas pessoas levem o sublime nome de “cristão” e estejam divididos por placas de igrejas e comunidade eclesiais. Que Deus nos conceda que todos sejamos um sob o cajado do Sucessor de Pedro, pois essa é a vontade de Deus para a sua Igreja.

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético — Ascensão do Senhor Jesus — ANO C
(Extraído do site Presbíteros - Elaborado pelo Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

EPÍSTOLA (Ef 1, 17-23)

INTRODUÇÃO: Paulo descreve, neste trecho da carta aos efésios, a glória atual de Cristo, como triunfo por sua obediência até a morte e morte de cruz, como dirá o mesmo apóstolo em filipenses 2,8. Agora nesta carta, é questão de ver sua exaltação sobre toda criatura, pelo poder dado a Ele [Cristo] pelo Pai, que resulta em nossa última felicidade. Por isso, nEle temos colocado nossa esperança, fundada principalmente na sua ressurreição e ascensão. Assim, hoje Ele é cabeça da Igreja, submetida a seu poder e por ele dirigida com a efusão do Espírito, enviado de modo visível em Pentecostes.

PETIÇÃO: Que o Deus do nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação em conhecimento dEle (17). Ut Deus Domini nostri Iesu Christi Pater gloriae det vobis spiritum sapientiae et revelationis in agnitione eius. Nesta oração, Paulo invoca o poder de Deus que distingue dos outros deuses pagãos como sendo o Deus revelado por Jesus Cristo, que é precisamente o Pai da glória, que podemos dizer representa a suma majestade do Universo, ou, em termos mais concretos, o supremo Senhor do mesmo. Paulo pede para os efésios o espírito de sabedoria e revelação, para conhecer a verdadeira natureza de Cristo. SABEDORIA [Sofia<4678>=sapientia] é o conhecimento profundo da realidade, a visão interior sintética do que vemos e sentimos como universo externo. Seria o conhecimento pelas causas últimas das coisas, como dizem ser a Filosofia.

REVELAÇÃO [Apokalypsis<602>=revelatio] Não é unicamente a sabedoria que nos ilumina, mas a revelação, ou seja, a palavra de Deus que deve ser entendida pelos filhos da luz, pois os homens das trevas não a receberam (Jo 3, 17). Desta forma terão os efésios um conhecimento completo de Deus e de seus planos com respeito ao ministério de Cristo e à finalidade proposta por Deus de todos os seres criados por ele. Se a Filosofia socrática tem como finalidade conhece-te a ti mesmo, a Teologia tem como meta conhece teu Deus. E este conhecimento é conhecer a bondade de Deus como Pai que ama e deseja a felicidade de seus filhos, os que se comportam como tais e os que voltam como pródigos.

ESPERANÇA: Iluminados os olhos de vossa mente para que saibais qual é a esperança de seu chamado e qual a riqueza da glória de sua herança para com os santos (18). Inluminatos oculos cordis vestri ut sciatis quae sit spes vocationis eius quae divitiae gloriae hereditatis eius in sanctis. OLHOS DA VOSSSA MENTE: Uma vez conhecida a última verdade [a de Deus Pai], saberemos qual o nosso destino que não é outro que a esperança de que somos chamados a uma suma riqueza: a de ser parte da glória divina como herança prometida a seus filhos que por isso Paulo chama consagrados, ou santos, como são os que pertencem a sua Igreja, parte do Reino definitivo. Segundo Paulo existe uma linha ininterrupta entre os que amam a Deus, e os ultimamente glorificados, porque os que são chamados segundo seu propósito, porquanto aos que predestinou a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou (Rm 8, 28-30). De modo que se alguém se perder é por falta de fidelidade a esse chamado, que é, por parte de Deus, fiel e absoluto.

GRANDEZA DIVINA: E qual a superabundante grandeza de poderio para conosco, os crentes segundo a obra da força do seu poder (19). Et quae sit supereminens magnitudo virtutis eius in nos qui credidimus secundum operationem potentiae virtutis eius. Deus não é unicamente fiel, mas é fortaleza de inigualável grandeza de modo que pode manifestar a mesma quando se trata de nossa debilidade, essa dos que nEle confiam porque conhecem perfeitamente as obras que Ele fez como manifestação sublime de seu poderio e força.

EM CRISTO MANIFESTADA: A que operou em Cristo levantando-o dos mortos e sentou à sua direita nos altos céus (20). Quam operatus est in Christo suscitans illum a mortuis et constituens ad dexteram suam in caelestibus. Esse poderio Deus o exerceu de modo especial em Cristo, reerguendo-o dentre os mortos.O verbo é egeirö [<1453> =surgere] erguer-se (36 vezes), levantar-se (28 vezes).Não é o mesmo que anastëmi [<450> =surrexere]. 1) EGEIRÖ tem o significado primário de acordar, despertar do sono, levantar-se, como no  caso da sogra de Pedro quando Jesus debelou a febre e esta a deixou e levantou-se e os servia (Lc 4, 39), ou  como os discípulos que acordaram Jesus quando as ondas pareciam submergir a barca e Ele se levantou e ordenou as ondas e o vento a se acalmarem (Mt 8, 25). Mas também é usado como verbo de ressurreição; um exemplo Mt 10, 8: os leprosos são limpos, os mortos ressuscitam. Finalmente,e o anjo disse às mulheres: Não está aqui, está ressuscitado; vede o lugar onde estava deitado (Mt 28, 6). Especialmente de Lázaro dirá várias vezes João que foi o que se levantou dentre os mortos (Jo 12, 1. 9. 17). 2) ANASTAMI que pode ser usado como levantar-se (Mt 9, 9). Exemplo: quando Levi deixou tudo e levantando-se seguiu Jesus, ou na profecia de Jesus que disse ele ressuscitaria de novo (Mt 20, 19). Porém é a palavra que dá origem a anastasis [<386>= resurrectio] que é empregada como ressurreição 39 vezes no NT, a começar pelos saduceus que diziam não existir ressurreição(Mt 22, 23). É a palavra que Paulo emprega  na sua primeira carta aos de Corinto no capitulo 15, falando expressamente da ressurreição dos mortos. Também fala de erguer-se dentre os mortos como se fosse uma revificação que foi seu estado durante os 40 dias (At 1, 3) que ainda permaneceu na terra, tempo em que lhes mostra seu corpo e diz que não é um espírito, porque este não tem carne nem ossos como vedes que eu tenho e lhe deram um peixe assado e comeu diante deles (Lc 24, 39-42), sendo visto comendo com seus discípulos (Jo 21, 15).

À DIREITA DO PAI: É uma linguagem simbólica que expressa uma verdade real, inalcançável pelos sentidos, mas que indica o poder absoluto de Cristo após sua ascensão, como ministro e dispensador dos planos divinos em ordem à salvação dos homens.

SUPREMACIA DE CRISTO: Acima de todo principado e autoridade e poder e senhorio e de todo nome, nomeado não só nesta época, mas na vindoura (21). Supra omnem principatum et potestatem et virtutem et dominationem et omne nomen quod nominatur non solum in hoc saeculo sed et in futuro. PRINCIPADO [Archë <746> principatus] embora archë seja princípio, quando usado de pessoas,  significa o principal, o líder, como no caso de Pedro em Mt 10, 2 em que este ocupa o posto de líder. Em abstrato, Paulo divide as potências que dominam o mundo em diversas categorias, das quais o principado é a mais importante. O diabo é o príncipe [archön] das trevas (Jo 12, 31) e Miguel o príncipe [archön] do céu (Dn 12, 1). E dentro do domínio humano, serão os magistrados os mais poderosos (Lc 12, 11). AUTORIDADE [Exousia<1849>=potestas] quando vemos alguém com exousia é com o poder que tem toda autoridade de governar e, portanto de submeter sob seu comando os súditos para que estes lhe obedeçam. Toda autoridade [exousia] me foi dada no céu e na terra ,dirá Jesus em Mt 28, 18. PODER [Dynamis <1411>= virtus] poder, força, especialmente a que provém da força das armas, ou como no caso de Cristo, a potestade de realizar milagres, ou os mesmos milagres como em Lc 19, 27, que Mt  declara em 10, 8. SENHORIO [Kyriotes<2963>=dominatio] que é traduzido por domínio ao verter Kyrios como Dominus, que os modernos preferem traduzir como senhorio. E para terminar, Paulo fala do NOME de Jesus que está por cima de todo nome e que pode representar a pessoa, como a mais influente dentro do mundo dos seres humanos. Em seu nome até os demônios se submetiam a seus discípulos (Lc 10, 17). E Pedro usou o nome de Jesus para o primeiro milagre após Pentecostes: Em nome de Jesus  Cristo, o Nazareno, levanta e anda (At 3, 6).

CABEÇA DA IGREJA: E todas as coisas sujeitou sob seus pés e a Ele deu a cabeça sobre toda a Igreja (22). Et omnia subiecit sub pedibus eius et ipsum dedit caput supra omnia ecclesiae. SUJEITOU SOB SEUS PÉS: Paulo está usando uma metáfora comum no seu tempo: os vencidos prostravam-se de bruços no chão e o vencedor punha seu pé sobre o corpo do derrotado.CABEÇA é a metáfora que indica ser o diretor da comunidade. Paulo, em seu simbolismo das realidades místicas, compara a Igreja com um corpo cuja cabeça é Cristo. DEle provém o Espírito que dirige e governa a Igreja que é um só corpo em Cristo conquanto muitos são como membros (Rm 12, 5). O membro principal é a cabeça e a ela compara Paulo o atual Cristo que está sentado à direita do Pai (Ef 1, 20).

EVANGELHO (Lc 24, 46-53)
( Lugares paralelos: Mc 16, 19-20 At 1, 9-11)

INTRODUÇÃO: A Ascensão do Senhor é uma síntese teológica da fé cristã e, ao mesmo tempo, a culminação do mistério pascal. Jesus de Nazaré, após a terrível prova de sua humilhação e morte na cruz, é constituído Cristo-Senhor, subindo por seu próprio poder às alturas, onde unicamente reinava o Deus supremo. É o início de sua glorificação, como aquele que está sentado à direita de Deus. Do mesmo modo que subiu, será visto descer  dessa sua morada eterna e gloriosa (At 1, 11). Era o milagre, o sinal,  que os judeus pediam de Jesus para aclamá-lo como vindo do céu e Messias do povo ( Mt 16, 1). Além do triunfo, foi uma despedida com as últimas recomendações ou preceitos: Batizai em meu nome e ensinai a todas as gentes os preceitos que vos tenho mandado (Mt 28, 21-22). Mas vejamos os fatos do ponto de vista histórico. O único evangelista que narra em detalhe a Ascensão do Senhor é Lucas, tanto no evangelho como nos Atos. Marcos tem no trecho 16, 9-20 uma breve alusão: Foi arrebatado ao céu e sentou-se à direita de Deus (19). João não diz uma só palavra sobre a Ascensão. Mas os três evangelistas citados trazem uma série de aparições de Jesus em Jerusalém. Já Mateus, fiel às palavras do anjo - ele vos precede na Galileia, ali o vereis (28, 7)– não narra uma única aparição em Jerusalém. Isso indica que Mateus resume todas no monte da Galileia e sua narração é mais um compêndio de catecismo do que uma exposição histórica. Isso, porém, é o que o evangelista pretendia. Esta reflexão deve servir ao comentário desse fim do evangelho de Mateus para entender algumas aparentes contradições em comparação com os outros evangelistas. Marcos emoldura a cena dentro de uma única aparição em Jerusalém aos onze (16, 15). Das quatro diferentes versões de Marcos, a mais usada é a que foi aparentemente tomada de Lucas como um pequeno resumo, posterior ao próprio evangelho de Marcos. Mesmo não declarando nada novo, esse resumo constitui o extrato feito pela primeira Igreja, ou seja, um testemunho vivo da tradição, comunitariamente admitida; e, portanto, dirigida pelo Espírito Santo, Espírito de Jesus que estará com os discípulos até a consumação dos séculos (Mt 28, 20).  Somente os dois evangelhos mais tardios falarão das aparições em Jerusalém e nada dizem sobre a missão apostólica que parece ser o motivo da narração de Mateus. Lucas aparentemente parece contradizer Mateus, porque ele escreve que Jesus ordena aos discípulos não se afastarem de Jerusalém até serem revestidos da força do Alto (24, 49). Mas não podemos esquecer que sua frase inicial – eipen de pros autois [portanto lhes disse] – é mais um enlace literário que temporal. Já para João as aparições terminam na Galileia com uma missão especial para Pedro. De todos os finais dos quatro evangelhos podemos afirmar que Jesus se despede transmitindo sua obra e missão aos apóstolos que, pela força do Espírito, serão sucessivamente testemunhas de Jesus até os confins dos tempos e das nações. Essa é a grande obra da Igreja: Mostrar o Jesus vivo, continuando sua obra em todos os tempos.

O MISTÉRIO PASCAL: Então lhes disse que assim está escrito e assim devia padecer o Cristo e ressurgir dos mortos ao terceiro dia (46). Et dixit eis quoniam sic scriptum est et sic oportebat Christum pati et resurgere a mortuis die tertia. ASSIM [outôs]: O evangelista repete duas vezes o advérbio para indicar que tanto num caso como noutro o cumprimento foi total e absoluto. A paixão e a Ressurreição, que constituem o mistério pascal, foram atos realizados em conformidade com os planos previstos e anunciados como palavra de Deus. Estava escrito, dirá Jesus e também anuncia que seria o terceiro dia, o previsto, como tempo de sua ressurreição. Por isso, Jesus dirá que tudo isso era necessário.  Ele emprega a palavra edei um imperfeito do verbo deo [estar em falta]. EDEI: A palavra pode ser traduzida por era necessário. Existem em grego três palavras para expressar certa necessidade de fato. Dei implica uma necessidade imposta pelos planos divinos de conservação  do mundo ou de salvação do mesmo. Khrei como necessidade física, dependendo das circunstâncias e dos tempos em que a atuação se produz; e finalmente efeilei com o significado de ser a opção mais própria e conveniente. Aqui o texto usa o dei em tempo imperfeito que poderíamos traduzir por era necessário porque estava escrito. A Vulgata diz oporterbat (= era conveniente) com isso rebaixa um pouco a força do original grego. Como a Escritura era considerada a voz de Javé, podemos nos perguntar: onde está escrito no AT que o Cristo, o Ungido, ou Messias, devia passar por estas três coisas: padecer, erguer-se dentre os mortos, sendo que, este último fato, deveria ser feito no terceiro dia? No trecho paralelo de Lc 24, 26-27, usa-se o mesmo verbo dei para padecer e entrar na sua glória. E a começar por Moisés,  discorrendo por todos os profetas, expôs a seu respeito o que constava em todas as Escrituras. Vamos tentar explicar esta difícil passagem, vendo o anunciado pelos PROFETAS: Temos as seguintes passagens: Salmo 22, 1-31. Dele citaremos: Meu Deus, meu Deus por que me abandonastes? (2)  Sou um verme e não um homem, vergonha dos homens, escárnio da plebe (7). Todos os que me vêem zombam de mim; caçoam e meneiam a cabeça [Mc 15, 29] (8). Que Javé o liberte; que o liberte já que o ama [Mt 27, 43] (9). Secou-se o meu vigor como um caco de barro e a língua se me apega ao céu da boca [Jo 19, 28] (15). Uma  súcia de malfeitores me rodeia. Furam minhas mãos e meus pés (16). Repartem minha roupa e sorteiam minha túnica [Mc 15, 23] (19). Ou o Salmo 69, 22: Quando tenho sede dão-me vinagre a beber [Jo 19, 29]. O Salmo 34, 20: Nenhum dos seus ossos será quebrado [Jo 19, 36]. Temos também o testemunho de Isaías em 53, 1-12: Como raiz de uma terra seca, não tinha aparência nem formosura, olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse (2). Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens [Mt 27,21 e 27-31], homem das dores e que sabe o que é padecer;  e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado e dele não fizemos caso [Mt 27, 23] (3).  Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido [Mt 27, 39-44] (4). Mas ele foi traspassado [Mt 27, 35 e Jo 19, 34] pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras (=chagas) fomos sarados [Mt 27,26] (5)…O Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós (6). Ele foi oprimido e humilhado [Mt 27, 27-31], mas não abriu a boca, como cordeiro foi levado ao matadouro, e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores ele não abriu a boca [Mt 27, 12-14] (7). Por juízo opressor foi arrebatado, e de sua linhagem quem dele cogitou? Porquanto foi cortado da terra dos viventes, por causa da transgressão do meu povo, foi ele ferido (8). Designaram-lhe a sepultura com os perversos, mas com o rico esteve na sua morte [Mt27, 60], posto que nunca fez injustiça, nem dolo algum se achou em sua boca (9)….quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará seus dias [Mt 28,6] (10). Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito o meu Servo, o Justo; com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si (11). Temos também o testemunho de Daniel no capítulo 9,26: e depois de sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará. E o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário e seu fim a tribulação e após o final da guerra, a desolação. Quanto a sua ressurreição encontramos estas duas passagens da Escritura. Salmo 16:10  Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção, que segundo os critérios da época começava ao terceiro dia. Daí que Paulo possa afirmar que ressuscitou ao terceiro dia segundo as Escrituras (1 Cor 15, 4).  Isto é também conforme ao que diz Oséias em 6, 2:  Depois de dois dias nos revigorará e ao terceiro dia  nos levantará e viveremos diante dele. O texto hebraico tem uma outra versão de 16, 10: Não me entregarás à morte, nem deixarás que teu amigo fiel desça à tumba. Talvez algumas das citações não sejam nos tempos atuais suficientes para determinar uma profecia estritamente dita em sentido histórico ou verdadeiro; mas a ideologia da época, como vemos nas citações dos evangelhos, permitia, como profecia, qualquer relação com os fatos, sejam de palavras, sejam de idéias. Como exemplo podemos ver Mateus 27, 9-10 sobre a morte de Judas. Para provar como os evangelhos são palavras medidas e responsáveis, podemos comparar estas palavras de Jesus com as quais dirigiu aos dois de Emaús. Neste caso (Lc 27, 26-27), Jesus diz: Não era necessário que o Cristo padecesse tudo isso e entrasse na sua glória? E começando por Moisés e por todos os profetas interpretou-lhes em todas as Escrituras o que a ele dizia respeito. No caso atual (Lc 24, 46) dirá: Pois assim está escrito que o Cristo padecerá e se erguerá dos mortos ao terceiro dia. Como vemos nesta segunda intervenção, a ressurreição, que, por motivos óbvios não entrava na primeira, tem lugar preferente.

DEVER APOSTÓLICO: E anunciar sobre seu nome conversão e remissão de pecados a todos os povos, tendo começado por Jerusalém (47). Et praedicari in nomine eius paenitentiam et remissionem peccatorum in omnes gentes incipientibus ab Hierosolyma. A METHANOIA: Na despedida, Jesus ordena aos apóstolos qual deve ser o objetivo principal de sua pregação: a metánoia e o perdão dos pecados. A palavra metánoia traduzida por arrependimento, significa em verdade uma mudança de mentalidade, própria de quem tem visto uma nova maneira de viver completamente oposta àquela que até o presente foi experimentada. É a conversão que experimenta todo aquele que, como um impacto vital, encontra Jesus como o evangelho, a boa nova, a ele de modo especial anunciada. Conversão que tem o amor como base da motivação da vida nova (Jo 15, 9). Conversão para abandonar o culto ao dinheiro para servir ao único Deus (Lc 16, 13); e aprender que é servindo aos outros que alcançaremos a verdadeira grandeza (Mc 9, 35). O PERDÃO DOS PECADOS é a outra parte essencial do Kërigma (= anúncio) apostólico. Hoje, em que 30% da população moderna sofre de ansiedade e depressão, o anúncio do perdão, que é proclamação de paz interior, é mais necessário do que nunca. O perdão não é unicamente perdão dado por outros, os ofendidos, mas perdão interior dado a si mesmo, que origina a paz. A dependência de um Deus que me ama, evita qualquer derrota que possa causar desânimo e frustração, para finalizar na inutilidade da desesperação. Um dado determinante é que na Suécia, onde a vida é a de mais alta qualidade material possível, o número de suicídios é dos mais altos da Europa. Estamos feitos para o triunfo e para a felicidade, só que não sabemos qual é o verdadeiro triunfo e em que consiste a verdadeira felicidade. Mas para todo cristão verdadeiro, foram escritas estas palavras de Paulo: Sabemos que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam ( Rm 8, 28).  E Glória, honra e paz para todo aquele que pratica o bem (Rm 2, 10). O KËRIGMA: A palavra em si significa proclama, pregão, anúncio público de uma coisa importante para a comunidade mediante um pregoeiro ou apregoador. Publicamente deviam anunciar os apóstolos, como testemunhas, o nome de Jesus porque nele se encontrava o perdão dos pecados. Havia uma condição que devia ser cumprir: a vontade de escutar para mudar, ou seja, a metánoia, cujo significado primário é mudança de opinião, que é traduzido por arrependimento ou conversão. No AT a setenta usa epistrepho [tradução do 07725 bwv, shub hebraico] em Amós e Oseias (4, 6 e 6,10) que propriamente significa virar, voltar desviar-se, que em sentido teológico (Mc 4, 12 e Lc 1, 16-17 e 22, 32) é traduzido por converter-se como se pede a Pedro após suas negações. No NT a Metánoia é uma volta da vontade humana, de seu egoísmo para Deus, da cegueira e erro para a luz do Salvador. Em correspondência oposta, ametanoetós em Rm 2,5 significa impenitente. É claro que a volta não é material ou simplesmente intelectual de quem reconhece o erro anterior, mas essa mudança que João Batista prega como dar frutos de arrependimento (Mt 3, 2). O motivo dos antigos profetas para a metánoia [mudança de conduta], era a injustiça com os irmãos e a apostasia para com Javé. O motivo de João era a proximidade do Reino que não seria possível receber sem uma disposição de conformidade com as novas realidades do mesmo: a fé em Jesus como Messias e a aceitação de seus ensinamentos, como anunciava inicialmente Jesus: arrependei-vos e crede no evangelho (Mc 1, 15). A Metánoia é, pois uma disposição essencial e preliminar para receber a fé. Nem tudo é obra de Deus [Opus Dei luterano], mas como explica Jesus, exige boa terra para a semente dar seu fruto (Mt 13, 23).  TODOS OS POVOS: È a universalidade do reino que exige também a totalidade da humanidade, sem distinção de raça ou posição geográfica. Mas este anúncio tem uma condição prévia: deve começar por Jerusalém. Não é uma circunstância eventual, mas propositada: Jesus mantém ainda a promessa do Pai de preferir como povo escolhido o antigo Israel, para que a sua apostasia diante do Novo Reino, não fosse devida a uma rejeição divina, mas a uma obstinação humana. É para tornar discípulos [de Jesus] a todas as gentes [panta te ethne]. A missão de Jesus era para o povo de Israel e por isso ele enviou os doze somente à casa de Israel (Mt 10, 5-6). Agora a nova missão é para toda a terra, como confirma o lugar paralelo de Marcos 16, 15: a toda criatura. É uma missão ad homines que devem ter a obrigação de escutar porque os discípulos têm a missão de proclamar e receber como discípulos os mesmos. A casa de Israel, o antigo povo de Deus, é substituído pela universalidade do gênero humano. Era o primeiro triunfo da cruz. Seus braços abrangiam todos os homens.

TESTEMUNHAS: Vós, pois, sois testemunhas destas coisas (48). And you are witnesses of these things. MÁRTIRES: A palavra significa testemunha. Os apóstolos eram testemunhas da vida pública e pregação do Mestre e especialmente testemunhas da ressurreição de Jesus como Cristo-Senhor. Por isso, Matias foi eleito; já que além de ser testemunha da vida  de Jesus, acompanhando-o, era testemunha da sua ressurreição (At 1, 21-22), porque a mensagem cristã tem como base acreditável a Ressurreição de Cristo (At 17, 31). Todos os mártires testemunharam com sua vida que Jesus vive e é Senhor, como era o grito de aclamação dos primitivos cristãos. Não como os ídolos, deuses mortos, nem como o  imperador, que não era senhor da vida, porque ele mesmo era mortal.

PROMESSA E RECOMENDAÇÃO: E eis que eu envio a promessa do Pai sobre vós. Vós, portanto, assentai na cidade de Jerusalém até que revistais o poder (provindo) do alto (49). Et ego mitto promissum Patris mei in vos vos autem sedete in civitate quoadusque induamini virtutem ex alto. O ENVIO: Jesus é o autor da vinda do Espírito daí que, dada a communicatio idiomatum [comunicação de idiomas], podemos afirmar, como diz a Igreja Romana, o Filioque [e do Filho] do Credo. Jesus, não diferente do Verbo quando atua, é a causa da vinda do Espírito, que ele envia, assim como o Pai enviou-lhe ao mundo. Por isso dirá: Recebei (o) Espírito Santo para perdoar os pecados, e deste modo também os discípulos foram enviados por Jesus assim como o Pai o enviou ao mundo (Jo 20, 21-22).  A PROMESSA: A tradução é a mais direta possível, embora não totalmente correta do ponto de vista literário. A promessa é o Espírito segundo Is 44, 3: Derramarei o meu Espírito sobre tua raça e melhor em Joel 3,1: derramarei o meu Espírito sobre toda carne, Vossos filhos e vossas filhas profetizarão, que Pedro cita no discurso de Pentecostes em At 2, 17. JERUSALÉM: Era a cidade donde deviam permanecer até serem revestidos do poder do alto, poder que pertencia ao reino propriamente de Deus. Isto era uma referência ao Espírito Divino com que estariam dotados para o ministério. O verbo usado é se assentar nela, de modo a não sair mesmo da casa onde se reuniram, esperando serem revestidos do alto. O verbo enduö é usado na voz média e, portanto, tem o significado de vestir-se, não de vestir, este tendo como complemento outra pessoa. A tradução passiva [sejais revestidos] não é a melhor, embora seja a preferida pela vulgata [induemini] e as vernáculas respectivas. PODER DO ALTO: O poder, [ 1411 dunamiv dynamis que a vulgata traduz por virtus, poder, e não por vis [esta propriamente força]. Qual é esse poder que provém do alto, ou seja, do céu e, portanto de Deus? O mesmo que Jesus tinha para fazer milagres e falar em nome do Pai. É como um vestido que cobrirá os discípulos, uma pele nova sob a qual o poder de Deus se manifestará nas obras dos seguidores escolhidos de Jesus. Até que vos revistais com o poder vindo do alto seria a melhor tradução.

BETÂNIA: Então, pois, os conduziu fora para Betânia e levantadas suas mãos os abençoou (50). Eduxit autem eos foras in Bethaniam et elevatis manibus suis benedixit eis. BETÂNIA: Temos falado noutras ocasiões sobre a localização desta vila, perto de Jerusalém. Em direção da mesma saiu Jesus, acompanhando os discípulos. Estamos na vertente ocidental do monte das oliveiras. A tradição coloca o lugar da Ascensão no cume do monte das Oliveiras, no qual Constantino construiu a Eleona, basílica próxima da mais alta das três cristas do monte. A basílica foi substituída em 375  pelo Imbomon [sobre as alturas], uma igreja octogonal em que se conservam umas impressões que dizem ser as dos pés de Jesus. Hoje são ruínas as que se veneram em ambos os lugares. LEVANTANDO SUAS MÃOS: Era o  gesto que Aarão fez ao benzer o povo segundo Lv 9, 27; bênção que foi depois encomendada aos sacerdotes segundo a fórmula de Nm 8, 23: O Eterno te abençoe e te guarde, etc. Também nesta situação Jesus abençoou os apóstolos. A BÊNÇÃO: O verbo usado em grego eulogeo é traduzido por louvar ou benzer, pedir a Deus que abençoe uma coisa ou uma pessoa, consagrando-a. É o mesmo verbo usado quando Jesus abençoou os pães antes de multiplicá-los, (Mt 14, 19) ou no momento da transubstanciação do pão (Mt 26,26) que, no caso do vinho, será de ação de graças [eukharistesas] porque provavelmente era o cálice da benção (1Cor 10, 16) ou de ação de graças, o terceiro dos quatro cálices que eram bebidos como ritual, durante a ceia pascal e com o qual terminava o Halel  ou conjunto dos salmos 115-228.  E terminado o banquete, se recitava a bênção do quarto cálice chamado cálice do Halel (Mt 14, 25).

A ASCENSÃO: Sucedeu, pois, no momento dele abençoá-los, afastou-se deles e era elevado ao céu (51). Et factum est dum benediceret illis recessit ab eis et ferebatur in caelum. SEPAROU-SE: Enquanto os abençoava, separou-se deles e era elevado ao céu. Era a Ascensão. Atos 1, 9-11 dará outros detalhes como a nuvem e a visão dos dois anjos com a mensagem de que ele descerá do mesmo modo que subiu. Como compaginar os relatos breves de João e Paulo que afirmam aparentemente que Jesus subiu aos céus imediatamente após sua Ressurreição, com este de Lucas em que, de fato, a Ascensão aconteceu 40 dias após a Ressurreição? Desta forma visível cumpria-se o que Jesus afirmou a Natanael que vereis o céu aberto e os anjos do céu subindo e descendo sobre o Filho do Homem (Jo 1, 51), que,  nos Atos, Lucas esclarece com mais detalhes. Os biblistas distinguem entre uma exaltação invisível, mas real, na qual Cristo ressuscitado subiu junto ao Pai no mesmo dia da ressurreição, e uma manifestação visível em que Ele se despede como presença visível dos apóstolos e de modo sensível apresenta sua definitiva moradia como sendo o céu supremo, junto ao Pai. Daí que tenhamos intitulado este parágrafo como separação. ELEVADO: Era elevado, em passiva, indica uma ação divina, exatamente como foi ressuscitado dentre os mortos. Era um poder divino quer tanto se atribui ao Pai como ao próprio Filho. ]açrof , simanud .

A PROSKINESE: Eles então, tendo o adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo (52). Et ipsi adorantes regressi sunt in Hierusalem cum gaudio magno. ADORANDO-O: O proskineo inicialmente significava beijar as mãos como um cachorro faz com as do dono. Mas entre os orientais, seguindo o exemplo persa, significava cair de joelhos e tocar com a fronte o chão como sinal de um profundo respeito. Era usado no NT como homenagem ao Sumo sacerdote, a Deus, ou a Cristo, ou a um ser de procedência divina. A VOLTA: Como lhes tinha ordenado Jesus, eles voltaram para a cidade santa à espera de receber o espírito. O seu ânimo foi de grande gozo e contentamento, muito diferente da tristeza que os invadiu no momento da morte na cruz, tão humilhante e decepcionante. Agora sabiam que esse Jesus era verdadeiramente o Filho que voltava ao Pai, de quem tinha descido, pois ninguém subiu ao céu a não ser aquele que desceu, o Filho do Homem (Jo 3, 14), que mais parece um parêntese do evangelista à posteriori, do que uma frase de Jesus na circunstância histórica de seu encontro com Nicodemos. A Ascensão era a culminação do triunfo, iniciado no dia da Ressurreição. Era a meta que os seguidores teriam, pois sabiam que Ele ia preparar as moradas no Reino definitivo do Pai (Jo 14, 2).

NO TEMPLO: E estavam continuamente no templo louvando e abençoando a Deus. Amém (53). Et erant semper in templo laudantes et benedicentes Deum amen. E voltando a Jerusalém com grande alegria, continuamente estavam no templo louvando e bendizendo a Deus. Assim com o Amém termina o evangelho de Lucas que tem uma continuação em Atos. Precisamente em Atos dirá que estavam reunidos na sala superior da casa onde acostumavam ficar, perseverando na oração com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus e com os irmãos (= parentes) dele. Ambas as coisas não se contradizem. Os Apóstolos comiam, dormiam e se reuniam na casa, mas acudiam ao templo especialmente para as orações da manhã (At 3,1).

PISTAS:

1) Nas palavras de Jesus temos uma clara previsão dos planos divinos de Salvação, reduzida ao sofrimento de um por todos, cujo símbolo é a cruz. A cruz era uma realidade humilhante para a alma e dolorosa para o corpo do justiçado. Jesus se transformou num condenado que teve ambos os sofrimentos em grau extremo.

2) É realmente admirável comprovar como os profetas do AT previram os sofrimentos e o triunfo de Jesus de modo que Paulo podia afirmar: Cristo morreu por nossos pecados, foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia  tudo segundo as Escrituras (1 Cor 15, 4). Muitos modernos que estão de ânimo decaído, deveriam ler com espírito de esperança estas palavras para aprenderem que o triunfo só se consegue depois de um grande sacrifício e tribulação.

3)   A Metánoia, essa mudança de atitude, é necessária para que o evangelho tenha toda a força de sua verdade e impulsione uma nova forma de vida, mais em conformidade com as palavras do Senhor.

4)   A ascensão à vista de todos é um fato histórico que avalia a sua ressurreição, que não foi vista. Ele estará à direita de Deus como mediador e intercessor. Já não o veremos mais na terra e somente o encontraremos no reino das realidades eternas que não são sensíveis.


EXCURSUS: NORMAS DA INTERPRETAÇÃO EVANGÉLICA

- A interpretação deve ser fácil, tirada do que é o evangelho: boa nova.

- Os evangelhos são uma condescendência, um beneplácito, uma gratuidade, um amor misericordioso de Deus para com os homens. Presença amorosa e gratuita de Deus na vida humana.
- Jesus é a face do Deus misericordioso que busca o pecador, que o acolhe e que não se importa com a moralidade ou com a ética humana, mas quer mostrar sua condescendência e beneplácito, como os anjos cantavam e os pastores ouviram no dia de natal: é o Deus da eudokias, dos homens a quem ele quer bem e quer salvar, porque os ama.

Interpretação errada do evangelho:

- Um chamado à ética e à moral em que se pede ao homem mais que uma predisposição, uma série de qualidades para poder ser amado por Deus.
- Só os bons se salvam. Como se Deus não pudesse salvar a quem quiser (Fará destas pedras filhos de Abraão).

Consequências:

- O evangelho é um apelo para que o homem descubra a face misericordiosa de Deus [=Cristo] e se entregue de um modo confiante e total nos braços do Pai como filho que é amado.
- O olhar com a lente da ética, transforma o homem num escravo ou jornaleiro:aquele age pelo temor, este pelo prêmio.
- O olhar com a lente da misericórdia, transforma o homem num filho que atua pelo amor.
- O pai ama o filho independentemente deste se mostrar bom ou mau. Só porque ele é seu filho e deve amá-lo e cuidar dele.
- Só através desta ótica ou lente é que encontraremos nos evangelhos a mensagem do Pai e com ela a alegria da boa nova e a esperança de um feliz encontro definitivo. Porque sabemos que estamos na mira de um Pai que nos ama de modo infinito por cima de qualquer fragilidade humana.


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26.05.2019
6º Domingo de Páscoa — ANO C
(BRANCO, GLÓRIA, CREIO – II SEMANA DO SALTÉRIO)

__ "Deixo a vocês a paz, dou a vocês a minha paz... Eu vou e voltarei a vocês." __

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

Clique aqui para ver ou baixar o PPS.

(antes de clicar - desligue o som desta página clicando no player acima do menu à direita)

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Reunimo-nos para celebrar o memorial da morte e ressurreição de Jesus. Na celebração eucarística escutamos a Palavra de Deus. O Espírito irá nos ensinar tudo o que Jesus disse, a fim de que transformemos nossa sociedade numa Nova Jerusalém, esposa do Cordeiro. Hoje comemoramos também o Dia Diocesano da Comunicação e pedimos a Deus que, através dos meios de comunicação social, anunciemos o Evangelho de Jesus Cristo, príncipe da paz e do amor.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Irmãos e irmãs, bem-vindos! Somos hoje, aqui, a comunidade do Ressuscitado, a Igreja reunida pela Páscoa do Senhor. Peregrinamos neste mundo como povo humanamente frágil, mas, ao mesmo tempo, forte pela presença do Resuscitado. Somos a Igreja nascida do Pai, que, através do seu Filho Jesus, doador do Espírito, chamou-nos, reuniu-nos, salvou-nos e fez de nós um novo povo, uma nova cidade, uma nova aliança, início de uma nova humanidade.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: Na Nova Jerusalém não há templo, porque o Senhor e o Cordeiro são o seu templo. Afirmação surpreendente. Fala-se do mundo novo já presente como início na Igreja terrena, mas que se realizará em plenitude na Igreja celeste. A realidade futura não terá mais necessidade daquilo que na terra é sinal e instrumento. Mas já neste mundo é preciso fazer a passagem dos sinais visíveis para os invisíveis mistérios que naqueles Deus faz conhecer e comunica. Isto implica num processo de espiritualização e de personalização que ultrapassas as perspectivas dos profetas.

Sintamos em nossos corações a alegria da Ressurreição e entoemos alegres cânticos ao Senhor!


(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (Atos 15,1-2.22-29): - "Dessas coisas fareis bem de vos guardar conscienciosamente."

SALMO RESPONSORIAL (Sl 66/67): - "Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem!"

SEGUNDA LEITURA (Apocalipse 21,10-14.22-23): - "A cidade não necessita de sol nem de lua para iluminar, porque a glória de Deus a ilumina, e a sua luz é o Cordeiro."

EVANGELHO (João 14,23-29): - "Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada."



Homilia do Diácono José da Cruz — 6º Domingo de Páscoa — ANO C

O ESPÍRITO QUE ENSINA!

Tive um amigo que era “fera” em ciências exatas, conhecia e sabia de cor conceitos e fórmulas de matemática, física e química, que assombrava os professores e a todos nós da sua classe, que morríamos de inveja quando o víamos tirar notas altas nessas matérias, sem nunca ser preciso fazer a prova final porque bem antes de encerrar o ano letivo, já tinha fechado todas essas matérias.   Findo o segundo grau, prestou vestibular para engenharia sem fazer nenhum cursinho e de maneira brilhante obteve classificação para cursar engenharia. Em certa ocasião encontrei-o na empresa, prestando serviço como auxiliar administrativo em uma renomada empreiteira de montagens industriais e ao perguntar-lhe por que trabalhava como auxiliar se já era engenheiro formado, respondeu-me que queria especializar-se nessa área e que este aprimoramento profissional só era possível se tivesse a prática e daí sim, estaria habilitado para exercer aquela profissão “Na teoria é uma coisa, na prática é outra”, disse-me sorrindo, ao concluir a nossa conversa.

É este precisamente o ensinamento do evangelho desse Sexto domingo da Páscoa: passarmos da teoria à prática da verdadeira religião, que nada mais é do que o amor na relação com Deus e com o próximo, porque parece que as nossas comunidades cristãs, algumas um pouco mais, outras um pouco menos, são todas bem parecidas com o meu amigo dos tempos de escola, vive-se muito uma religião teórica, um amor teórico, nossos conceitos de religião e de amor, segundo o evangelho que aprendemos na catequese e que ouvimos em cada celebração, são os mais belos e verdadeiros, tanto é verdade que Jesus Cristo é conhecido e admirado por milhões e milhões de pessoas no mundo inteiro, dentro e fora das igrejas.

E essa praticidade seria impossível se não fosse à ação do Espírito Santo, que de maneira ininterrupta, 24 horas nos ensina e nos recorda as palavras de Jesus, sem essa ação do Espírito Santo, a Sagrada Escritura e particularmente o Novo Testamento, não passaria de belos conceitos e fórmulas de “Como se Viver Bem” com a gente mesmo, com os outros e com Deus, uma espécie de manual com instruções práticas sobre um eletro doméstico, desses que deixamos empoeirar, esquecido no fundo de uma gaveta. O Espírito Santo não nos ensina algo novo e diferente do que Jesus nos ensinou, mas ele atualiza a palavra em nossa vida, dando-nos a resposta que precisamos diante de certos acontecimentos ou situações, que o Jesus Histórico não viveu, pois naquele tempo não tinha TV, Celular, Internet, avião, naves espaciais, tecnologia avançada, aborto, divórcio, violência, corrupção, tráfico de drogas, globalização, essas e outras coisas são realidades do nosso tempo, diante das quais, o ensinamento de Jesus tem sempre uma resposta que é atual e verdadeira, pela ação do Espírito Santo.

Mas o Espírito Santo só age em nossa vida se já tivermos ouvido e guardado a Palavra de Jesus, que é a Palavra do Pai, mesmo porque, as três pessoas da Santíssima Trindade nunca agem isoladamente, mas sempre juntas, em perfeita comunhão. O Espírito Santo não é apenas um lado de Deus, mas é Deus por inteiro e, portanto, não faz mágica, mas sua ação está intimamente ligada ao Pai e ao Filho. E o amor a Deus e ao próximo, é o sinal de que guardamos a Palavra de Jesus, é por isso mesmo que o evangelho coloca a prática desse amor como “Carro Chefe de Tudo”, porque todo o ensinamento de Jesus, suas palavras e obras, revelam ao homem essa Verdade absoluta que é o amor de Deus, e para estar nele com ele e com o Pai, não há outro caminho que não seja o do amor.

A presença de Deus em nós não está condicionada às práticas religiosas, grandiosas liturgias e arrebatamentos celestiais, mas a vivência do amor, porque a liturgia eucarística nada mais é do que a celebração do Amor que se encarnou no meio dos homens e quem faz do cristianismo, apenas o cumprimento de preceitos e práticas religiosas, fica apenas na teoria, sabe tudo, conhece tudo, mas não vive a principal verdade revelada por Jesus, que é o amor. Isso é tão claro para o evangelista João, que ele irá dizer para sua comunidade, que “Deus é Amor”. A Paz que Jesus dá ao mundo, a partir dessa verdade, não é a paz do comodismo, da ausência dos problemas, das dificuldades e desafios. Não existe uma comunidade assim, mas a Paz significa essa presença de Deus em nossa vida por isso o nosso coração não deve se perturbar nem ter medo.

Trata-se, portanto, de uma paz inquietante, que questiona e que busca algo de belo, na plenitude que só Jesus pode nos dar, é dom, mas também conquista ao mesmo tempo, está sujeita aos conflitos na relação com o mundo porque busca algo que o mundo não pode nos dar. O mundo quer nos convencer do contrário, mas quando amamos e guardamos no coração a Palavra de Jesus, podemos contar com o melhor de todos os advogados: o Espírito Santo, que nos transforma em evangelho vivo! (VI domingo da Páscoa)

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Costa — 6º Domingo de Páscoa — ANO C

Paz de Cristo!

É bastante comum escutarmos essa saudação, não só na igreja, mas também nas ruas ao encontramo-nos. A versão equivalente é “a paz de Jesus!”. Entre os evangélicos se diz “a paz do Senhor!”. Nós aprendemos dos judeus, eles saudavam com shalom, com a paz. Trata-se de um dom de Deus muito desejado a nível pessoal e comunitário. A paz é uma característica de um filho de Deus nesta terra. Vemos, no entanto, que a paz não é uma simples ausência de guerra. O dom da paz é muito mais profundo!

Šalōm – explica Leon-Dufour – é uma palavra hebraica que deriva de um radical que designa o fato de encontrar-se completo, intacto. O homem que tem paz, que está em paz, é um homem completo. No Novo Testamento, a paz tem um nome: Jesus, “porque é ele a nossa paz, ele que de dois povos fez um só, destruindo o muro de inimizade que os separava” (Ef 2,14). Essa passagem da Escritura realça a consideração anterior, ou seja, não é possível estar completo, intacto, a não ser que seja derrubando o muro da inimizade, da separação. Esse muro que impede uma pessoa de estar em paz é aquilo que a separa da amizade com Deus, o pecado.

A harmonia que existia no paraíso, no jardim do Éden, acabou-se depois do pecado original. Houve uma ruptura que causou uma desarmonia dentro de nós mesmos e atingiu profundamente as nossas relações com Deus, com as outras pessoas e com a criação material. Essa falta de harmonia era a conseqüência do enorme muro de separação, de inimizade, que precisava ser destruído. O homem e a mulher já não tinham acesso ao lugar das delícias preparado por Deus, pois – como diz a Sagrada Escritura – “o Senhor Deus expulsou-o do jardim do Éden, (…) e colocou ao oriente do jardim do Éden querubins armados de uma espada flamejante, para guardar o caminho da árvore da vida” (Gn 3,23-24).

Com a morte de Jesus na Cruz, acabou-se a separação entre Deus e o homem. Segundo Mateus, “o véu do templo rasgou-se então de alto a baixo em duas partes” (Mt 15,38) e o autor da Epístola aos Hebreus nos anima a ter “ampla confiança de poder entrar no santuário eterno, em virtude do sangue de Jesus, pelo caminho novo e vivo que nos abriu através do véu, isto é, o caminho de seu próprio corpo” (Hb 10,19-20). Claro está que essas passagens se auto-interpretam. Quando os judeus pediram um sinal, “respondeu-lhes Jesus: “Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias.” (…) Mas ele falava do templo do seu corpo” (Jo, 2,18-21). Entre os judeus, a habitação de Deus era o lugar do templo chamado “Santo dos Santos”, diante da qual se colocava um véu que dividia o tabernáculo, o “Santo”, da habitação de Deus. No “Santo dos Santos” somente o Sumo Sacerdote entrava uma vez ao ano. Era um lugar inacessível ao resto dos mortais: era impossível aceder à habitação de Deus.

À luz dessas reflexões, podemos entender melhor essa separação entre o homem e Deus imposto pelo pecado, que se expressava – como foi dito – também no culto judeu: Deus é santo e o homem é pecador! Entre a santidade e o pecado há um abismo insuperável. Era impossível a paz, a integração, a harmonia, entre Deus e os homens. Daí a conveniência de que o Filho de Deus, o Santo dos Santos, tomasse a nossa carne de pecado e rompesse esse véu da separação. Em Jesus Cristo se uniram o Santo dos Santos e a carne de pecado que se encontrava separada de Deus. Nele se dá a paz entre os dois pólos contrários, ele é a nossa paz, nele vemos realizada a paz. Quem quiser ter a paz necessariamente terá que aceitar a salvação de Jesus para que sejam saradas as suas feridas e se estabeleça a amizade com Deus e a reintegração ao paraíso das delicias da eternidade.

A paz de Cristo nos foi adquirida de uma maneira dramática, pela Cruz, como também foi dramática a separação. A nossa inserção em Cristo se dá também de uma maneira dramática: é preciso que renunciemos a nós mesmos, que tomemos a sua cruz, que vençamos tantos impedimentos que nos separam da verdadeira paz, que só encontramos nele, em Jesus. Si vis pacem, para bellum – diziam os antigos – se queres a paz, prepara-te para a guerra. Paradoxalmente, a paz é fruto da guerra, desse combate que se trava diariamente dentro de nós mesmos contra o nosso orgulho, egoísmo, vaidade, sensualidade, respeitos humanos etc. A paz e a serenidade do cristão são frutos da graça e do combate espiritual.

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético — 6º Domingo de Páscoa — ANO C
(Extraído do site Presbíteros - Elaborado pelo Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

EPÍSTOLA (Ap 22, 12-14.16.17-20)

INTRODUÇÃO: Como final do livro, a profecia é testemunhada pelo anjo, por Cristo e pelo próprio João quem escreve e é autor do livro. Quem fala é o mesmo anjo ou mensageiro divino que aparece a João na seção anterior em Ap 21, 9: Veio um dos sete anjos que tinham as setes taças, cheias das sete últimas pragas, e falou comigo e me disse: Aproxima-te vou mostrar-te a noiva, a esposa de Cristo. É a nova Jerusalém, figura da Igreja triunfante onde não haverá mais lágrima porque é a perfeição sem medo da morte. E esse triunfo do Cordeiro será alcançado em breve. Por isso termina com o desejo da igreja-esposa que repete o maran atha:vem, Senhor, frequente entre os membros da primitiva igreja.

EM BREVE: Eu João escutei uma voz que me dizia: E eis que venho em breve e minha retribuição comigo está, para dar a cada um segundo sua obra (12). Ecce venio cito et merces mea mecum est reddere unicuique secundum opera sua. EM BREVE [Tachy <5035>=cito] Após todas as visões, feitas mais com imagens escuras do que com ideias diretas e claras,chega o momento da conclusão final. É o epílogo em que se resume tudo. Em primeiro lugar, a promessa de Jesus de vir como prêmio e recompensa em breve [tachy]. O Apocalipse está ordenado para consolar e animar os fiéis, mostrando a especialíssima previdência de Deus com eles. No versículo 15, que não é lido na liturgia da missa, temos os que são excluídos desse salário ou mercê: fora ficam os cães, os feiticeiros, os ímpios, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira. O cão era considerado animal impuro e tal palavra, como menosprezo, era a que designava, entre os rabinos e judeus, homens entregues à prostituição e homossexualidade. É de notar que João, para quem Cristo é a verdade (Jo 14, 6), coloca entre os excluídos, os mentirosos, os que amam e praticam a mentira, que inclui, evidentemente, os hipócritas, que Jesus tanto recriminava (Mt 15, 7). O triunfo de Cristo e de sua Igreja virá como consequência da derrota da Roma pagã que, em termos bíblicos, será em breve. É uma repetição da profecia de Isaías no reino messiânico com a derrota da Assíria; assim como no Apocalipse o Ai [ouai<3759>=vae] está contra a Babilônia que é figura da Roma imperial. As profecias, desde o capítulo 2 ao 13, estavam para se cumprirem de imediato. O triunfo foi em 312 com a batalha da ponte Mílvio, quando Constantino   venceu a Majêncio e a Igreja teve liberdade para exercer seu culto. Foram mais de 200 anos e não obstante a palavra é em breve, sem demora, porque o tempo é contado segundo a eternidade de Deus. RETRIBUIÇÃO [Misthos <3408>=merces] com o significado primário de paga, devida a um trabalho, ou salário, também prêmio devido a uma boa ação, que especialmente Deus reserva para os que fazem o bem. Do resto, podemos usar o artifício literário chamado de recapitulação, pelo qual o autor descreve uma sucessão de fatos que não é contínua no tempo, mas são paralelos, como se o tempo não fosse um contínuo em sucessão, mas um período cíclico, em que tudo se desenvolve ao mesmo tempo. Neste sentido de retribuição, tanto do bem como do mal, está usada aqui a palavra. Com esta palavra final indica que não é unicamente a fé que deve ser considerada como base do juízo final, mas as obras, em sua qualidade, as que servirão de motivo para prêmio, ou condenação, como no versículo 15 indica o escrito apocalíptico.

O QUE DECLARA: Eu sou tanto o Alfa como o Ômega, princípio e final,  o primeiro e o último (13).Ego Alpha et Omega primus et novissimus principium et finis. Estes títulos, que correspondem às letras primeira e última do alfabeto grego, foram anteriormente atribuídos a Deus no mesmo livro, em 1, 8 e 21, 6 e que agora, como em 1, 17 e 2, 8, também são atribuídos ao Cordeiro, ou seja, a Jesus Cristo. Desta forma, o apóstolo atribui ao Cristo os mesmos rasgos com os quais descreve a superioridade e eternidade de Deus. Tudo depende, em sua origem e no seu final, de Cristo, agora que o mundo é novo na terra e nos céus (Ap 21, 1-5).

UM MACARISMO: Ditosos os que cumprem os preceitos dele, de modo que a autoridade deles estará sobre o madeiro da vida e pelos portões entrem na cidade (14). Beati qui lavant stolas suas ut sit potestas eorum in ligno vitae et portis intrent in civitatem. Uma outra leitura diz : os que lavam as suas vestes como traduz a Vulgata. A Nova Vulgata traduz: beati qui lavant stolas suas, ut sit potestas eorum super lignum vitae, et per portas intrent in civitatem. Escolhida esta última tradução como a mais adaptada ao texto original, o poiountes [<4160>=facientes, que cumprem] deve ser substituído por plunontes [<4150>=qui lavant, que lavam] e entolas [<1785>=praecepta, preceptos] por stolas [<4749> =stolas, vestidos talares]. A esta nova tradução a Vulgata Clementina acrescenta in sánguine Agni ao lavado das vestes. Vamos interpretar a frase sublinhada Os que cumprem os preceitos do Senhor 1) do modo mais original, como foi a primeira tradução: terão o poder [autoridade  ou exousia] de usar o madeiro da vida [a árvore da vida do Gênesis] de modo que possam entrar pelos portões da nova cidade de Jerusalém, onde tudo será felicidade. 2) no segundo caso, substituímos a frase sublinhada em negrito por os que lavaram suas vestes [os que segundo 1, 14 eram os que vieram da grande tribulação e lavaram suas túnicas talares e as branquearam no sangue do Cordeiro]. Em ambos os casos é a fidelidade ao Senhor que é recompensada com a entrada na cidade da bemaventurança.

AUTORIDADE [Exousia <1849>=potestas] que pode ser traduzido por autoridade, direito, faculdade e neste caso seria o direito de poder entrar na cidade por causa de suas condutas (número1), ou seu martírio (Número 2) se tornaram dignos de entrarem pelos portões da nova Jerusalém. O versículo 15 em que os homossexuais e os idólatras estão fora, como cães, dessa cidade, é um argumento a favor da escolha primeira que temos proposto como original. De todos os modos, nenhuma das duas formas são contrárias ao dogma cristão ou acrescentam valores ou ideias novas, dignas de especial menção. MADEIRO DA VIDA [Xylon <3586> tës zöës <2222>=lignum vitae] que em 22, 2 aparece ao lado do rio da vida que saia do trono de Deus e do Cordeiro. É em grego [xulon tës zöës] o mesmo de Gn 2,9 da tradução da Setenta. Sem dúvida que seus frutos mensais, eram os mesmos que no Gênesis dava a árvore da vida da qual podiam comer os humanos para manter sua imortalidade e que, após o pecado, foi fruto proibido, segundo narra o livro sagrado, de modo que um querubim impelia a entrada no paraíso para guardar o caminho da árvore da vida e não pudessem os homens comer desse fruto e se tornarem imortais (Gn 3, 24). Note-se que também aqui os setenta usam o Xylon tës Zöës. Os que cumprem os preceitos, ou os que estão revestidos de estolas brancas, têm a faculdade de usar da árvore da vida e assim entrar nessa cidade, a nova Jerusalém, onde não existirá o pranto da morte.

IDENTIFICAÇÃO DO CORDEIRO COM JESUS: Eu, Jesus, enviei meu mensageiro para testemunhar-vos estas coisas acerca das igrejas. Eu sou a raiz e a prole de Davi, a estrela, a brilhante e matutina (16). Ego Iesus misi angelum meum testificari vobis haec in ecclesiis ego sum radix et genus David stella splendida et matutina. Aqui, o autor revela o verdadeiro nome do Cordeiro e quem é realmente quem abre o livro dos sete selos e é a origem das visões do apóstolo que é o mensageiro, o anjo que revela o mandato às igrejas. E diz de si mesmo que é a raiz [rixa<4491>=radix] e a prole [genos <1086>= genus] de Davi. Sem dúvida, que forma parte do AT onde Isaías fala de que do tronco de Jessé sairá um rebento e de suas raízes [riza<4491>=radix] um renovo [anthos<438>=flor] (Is 11, 1). Com estas palavras Jesus afirma que é o Messias o qual, segundo a Escritura, devia ser descendente de Davi, como disse o arcanjo Gabriel a Maria: Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai (Lc 1, 32). No mesmo texto temos a dupla natureza de Jesus: Deus como o Pai, sendo princípio e fim de tudo e homem, como Davi, do qual é descendente e prole.

VEM: E o Espírito e a Esposa dizem: Vem. E quem ouve diga: Vem. E quem tem sede venha; e quem quiser, tome a água de vida gratuitamente (17). Et Spiritus et sponsa dicunt veni et qui audit dicat veni et qui sitit veniat qui vult accipiat aquam vitae gratis.Em 22,7 e 12 Cristo diz que vem em breve e a resposta do Espírito, esse que habita no coração dos fiéis, que é também o desejo da Igreja  [a esposa], é a mesma: Vem. ESPÍRITO [Pneuma <4151>=Spiritus] é o mesmo Espírito que dentro dofiel clama Abbá [Pai] em cada fiel (Rm 8, 15 e Gl 4, 6) e que intercede por nós com gemidos inexprimíveis (Rm 8, 26). Um destes é vem. ESPOSA [Nymfë <3565>=sponsa]: segundo o Apocalipse é a nova Jerusalém (Ap 21, 2) que em 21, 9 mostra-se como cidade de extraordinária beleza. Sem dúvida, que é a Igreja, como conjunto dos fiéis. No AT, Jahveh usou o termo matrimônio para descrever a aliança com seu povo, sendo ele o esposo fiel (Is 54, 5-8) e Israel a esposa amada (Jer 2, 2). Com Jesus, como Cristo, se realizam novos esponsais com o novo povo (Mt 9, 15; 25, 1-13. Jo 3, 29;2 Cr 11, 2 e Ap 19, 7-9 e 21,2. 9), através da Igreja, representada pelos apóstolos e seus continuadores ou sucessores. Todos eles respondem à promessa do Cordeiro: eis que venho em breve (v 12). Evidentemente era o triunfo sobre a Roma imperial que nesse momento estava produzindo a grande tribulação e que em breve cessaria graças ao triunfo do Cordeiro. Quem ouve a profecia logicamente dirá também: Vem. ÁGUA DE VIDA [Ydör <5204> Zöës <2222>=aqua vitae]: No AT Isaías (55, 1) declarava: Todos vós que tendes sede vinde às águas. De uma necessidade material, o profeta toma o simbolismo para a verdadeira necessidade do espírito e descobre uma nova Jerusalém em que  esta última estará plenamente satisfeita pela presença de Deus como pastor e governador. Já em Ap 7, 17 encontramos o Cordeiro como pastor que guiará suas ovelhas para as fontes da água da vida [Zösas pëgas]. Jesus, no dia da Dedicação do templo, exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba (Jo 7, 37). E no encontro com a samaritana: eu te daria água viva (Jo 4, 10). Que tipo de água é essa, cujas fontes e ela mesma são nomeadas como vivas? Segundo o sentir dos rabinos, as águas de poço eram mortas e as dos mananciais vivas. Estas eram abundantes e não se necessitava instrumento algum, como polias ou baldes, para a extrair e beber. Mas Jesus e, com ele a Escritura do NT, fala de uma água que é espiritual. Nas bemaventuranças, Jesus fala dos que têm sede de justiça (Mt 5, 6), que é santidade em termos modernos; ou seja. a união com Deus em vontade e estado de vida. Teologicamente é o dom da graça habitual que nos transforma em outros Cristos, onde mais do que o eu, será o Cristo que vive em mim, como diz Paulo (Gl 2, 20). GRATUITAMENTE [Döreav <1432>=grátis] é o advérbio com o qual se indica que não se deve pagar nada, pois é completamente gratuito.

SEM ACRÉSCIMOS: Testemunho juntamente, pois, a todo quem ouve as palavras da profecia deste livro: se alguém acrescentar a estas (coisas), acrescentará o Deus sobre ele as calamidades, as escritas neste livro (18). O parágrafo é uma maldição em nome de Deus para que não seja alterado o texto da profecia, ou da palavra de Deus, no livro contida.

SEMDIMINUIÇÕES: E se alguém retirar das palavras do livro desta profecia, o Deus tirará sua porção do livro da vida e da cidade a santa e dos escritos neste livro (19).Et si quis deminuerit de verbis libri prophetiae huius auferet Deus partem eius de ligno vitae et de civitate sancta et de his quae scripta sunt in libro isto. Seguindo o estilo joanino de acrescentar o oposto ao afirmativo, como em Jo 20, 23, quando Jesus confere o perdão dos pecados, aqui ao acréscimo contrapõe a retirada de qualquer palavra do livro da revelação. E agora retirará o tal do livro da vida e o lançará fora da cidade santa, ou seja, do povo eleito que constitui o povo salvo e feliz que estava escrito no livro da vida, segundo o grego, mas que a Vulgata fala do lenho da vida. Porém neste versículo, não podemos usar este termo, que não tem significado óbvio nesta situação. Já o livro da vida sai em outros três versículos (3,5; 13,8 e 20, 15) de modo que os que nele não estiverem inscritos serão lançados no lago do fogo, onde serão arrojados o diabo, a besta e o falso profeta e serão atormentados dia e noite pelos séculos dos séculos (Ap 20, 10);  e é nesse lago onde está a segunda morte (idem 20, 14).

MARAN ATHÁ: Diz quem testemunha estas coisas: sim, venho em breve. Amém. Sim, vem Senhor Jesus. Dicit qui testimonium perhibet istorum etiam venio cito amen veni Domine Iesu. TESTEMUNHA pelos versículos 12 e 16 desse capítulo podemos afirmar que a testemunha é o próprio Jesus que afirma virá em breve, sem que esse tempo seja mais determinado: Mil anos são como um dia de ontem que se foi (Sl 90, 4). Consequentemente, em  breve é muito mais uma voz de esperança do que um tempo determinado. O Amém é a resposta da comunidade: que assim seja; e continua com o Maran athá traduzido ao grego: vem, Senhor Jesus. A frase é aramaica e unicamente aparece uma vez no NT em 1 Cor 16, 22 e que, devido a incerteza temporal dos verbos semitas, pode ser traduzida por Vem, Senhor ou O Senhor tem vindo. A primeira tradução [vem, Senhor] é a do Apocalipse, feita neste versículo e denota um desejo exprimido numa ardente oração de súplica. A segunda [o Senhor tem vindo] equivale a um ato de fé. Logicamente, aqui é o desejo de todos os fiéis e da Igreja perseguida que suplicam a vitória com a presença de sua segunda vinda, prometida por Jesus para celebrar o triunfo final sobre os inimigos de seu Reino.

EVANGELHO  (Jo 14, 23-29)
RECOMENDAÇÕES DE ÚLTIMA HORA. O CONSOLADOR.

INTRODUÇÃO: O trecho de hoje é parte do discurso de despedida, pronunciado por Jesus durante a sua última ceia com os discípulos. À pergunta de Judas Tadeu, não o Iscariotes, de por que Jesus se manifestava aos discípulos e não fazia o mesmo com o mundo, Jesus responde com a perícope que vamos comentar. No evangelho encontramos três pontos de referência: o amor a Jesus; a promessa do Espírito, e a paz do Senhor ressuscitado.  O Espírito e a paz são dois pontos de união de Deus com os homens. O Espírito, enviado pelo Pai, é um substituto de Jesus e a paz é a nova visão das relações amistosas homens-Deus através do Espírito. Jesus, com sua morte, é o autor dessa amizade com Deus, cujo espírito de Amor permanece para sempre entre os discípulos de Jesus. Esse Espírito será a base da relação entre Deus e os homens por Ele escolhidos, que, pelo verdadeiro amor, ou seja, a fidelidade aos preceitos, formam uma unidade com Jesus e, portanto, com o Pai. Eu e o Pai somos um (Jo 10, 30) e pede também que todos sejam um (Jo 17, 21). A razão de não se manifestar a todos é porque nem todos têm a capacidade de receber o Espírito e com ele a paz. Podemos dividir o evangelho em 5 partes: 1ª) Para estar comigo [na minha ausência] deveis obedecer minhas palavras (vers 23-25). 2ª) Labor do Paráclito que tomará meu lugar (Vrs 26). 3ª) A paz como nova vivência e herança humana desse Espírito (vers 27-28). 4ª) Nada de tristeza, pois a minha ausência implica meu bem e vosso bem. 5ª) Uma advertência final.

A MANIFESTAÇÃO DE JESUS: Respondeu Jesus e disse-lhe (a Judas Tadeu): Se alguém me ama, guardará minha palavra e meu Pai o amará e a ele viremos e faremos uma mansão ao lado dele (23). Respondit Iesus et dixit ei si quis diligit me sermonem meum servabit et Pater meus diliget eum et ad eum veniemus et mansiones apud eum faciemus. SE ALGUÉM ME AMA: Com estas palavras, Jesus responde à pergunta de Judas. É inútil falar a quem não quer ouvir, que é como não querer obedecer. Pelo contrário, quem o ama, guardará as palavras como um tesouro sagrado e por isso também será amado do Pai, pois, como dirá a continuação, a palavra de Jesus não é propriamente sua, mas é a que lhe dita aquele que o envia (24). O verbo usado é agapao (em hebraico agab) que tem uma peculiar acepção com respeito a outros verbos como fileo ou erao. Este último, do qual derivam as palavras Eros e Erótico, refere-se ao amor entre esposos ou namorados. Fileo é o amor entre amigos e Agapao é o preferido para o amor de Deus para com os homens e a resposta amorosa destes últimos. Agapao é logicamente o verbo empregado no evangelho de hoje. Geralmente a tradução da segunda parte do versículo é guarda meus preceitos; mas não vemos como aqui essa interpretação seja a mais apropriada, devido sem dúvida aos versículos anteriores 16 e 21. A melhor tradução é guardará minha palavra. O sentido é que o amor acarreta que a palavra ouvida seja guardada como quem conserva, em depósito, uma fórmula sagrada. Por esse cuidado em reter as palavras de Jesus corretamente, como consequência, o Pai virá (ou far-se-á presente) e faremos residência nele (23 b). Esta é uma maneira de descrever a vida definitiva, ou bemaventurança eterna: Deus, como Trindade,  tornar-se-á presente pelo amor naquele que o ama através de Jesus.

O FALSO AMOR: Quem não me ama, não guarda minhas palavras; e a palavra que escutais não é minha, mas de quem me enviou, (o) Pai (24). Qui non diligit me sermones meos non servat et sermonem quem audistis non est meus sed eius qui misit me Patris. Como paralelismo, Jesus dirá que quem não o ama não guarda suas palavras (24, a). E acrescenta uma razão para que suas palavras sejam ouvidas e guardadas: Pois a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou (24 b). Jesus proclama uma identidade entre sua mensagem e a expressão da vontade divina de quem Ele chama de Pai. Esta expressão –palavra ou logos- é um mandato que deve ser cumprido como forma de amor. Jesus propõe uma fé que é cumprimento de um mandato de Jesus, não uma confiança [fé fiducial] em que o Salvador é Jesus, que atua como opus Dei in nobis sine nobis [obra de Deus em nós sem nossa cooperação], como queria Lutero. ENVIADO: Jesus não fala nem atua por si mesmo, mas como enviado do Pai. Esta união de vontade e palavra entre Jesus, o homem, e o Pai, o Deus, é total; de modo que Jesus pode afirmar que ambos usam uma mesma palavra (Jo 10, 30). A palavra oculta de Deus (Jo 5, 37) se torna audível e clara na voz do Filho, que por isso recebe em João o nome de Logos.

INÍCIO DA DESPEDIDA: Estas coisas vos tenho falado, permanecendo entre vós (25). Haec locutus sum vobis apud vos manens. Parece o início de uma despedida. De agora em diante, Jesus fala de sua ausência. E promete uma ajuda especial no Espírito que vai sucedê-lo como Defensor ante os inimigos e as ciladas do mal. E a paz, como complemento de vida feliz dentro do possível, mesmo no meio das perseguições (Mc 10, 30).

O PARÁCLITO: Porém o Paráclito, o Espírito, o divino, que enviará o Pai em meu nome Ele vos ensinará todas as coisas e vos recordará todas as coisas que disse a vocês (26). Paracletus autem Spiritus Sanctus quem mittet Pater in nomine meo ille vos docebit omnia et suggeret vobis omnia quaecumque dixero vobis. Para resolver o problema de sua ausência, Jesus propõe um novo mestre a quem dá o nome de Parakletos. A primeira vez que aparece a voz Parakletos é em 14, 16: Eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Paráclito para que convosco permaneça para sempre. Qual é o significado desta voz? Em termos jurídicos o Paráclito era o advogado defensor. A Vulgata não traduz o grego e conserva o termo grego parácletos. As bíblias evangélicas, seguindo a tradução de Lutero, usam o termo Consolador. A Bíblia Oficial católica italiana também aceita o Consolador; mas a usual na Itália conserva o Paráclito; a espanhola, Defensor; e a KJ, ou do rei James, Confortador, que pode ser traduzido por quem Alivia ou Consola. Provavelmente o papel principal do Espírito Santo é ser Mestre da verdade (26), que a revelará plenamente, anunciando as coisas vindouras (16, 13); Confortador em momentos de tristeza e solidão dos discípulos (16); e finalmente, Defensor de Jesus, pelo seu testemunho da verdade (15, 26 e 16, 7-11). Segundo nos diz a História, nos julgamentos judaicos, não existia o papel de advogado defensor que era substituído pelas testemunhas favoráveis ao réu. E este era precisamente o papel do Espírito Santo: testemunhar em favor de Jesus, como diz 16, 8, estabelecendo a culpabilidade dos três grandes causadores da morte de Jesus: o mundo (inimigo do reino); o pecado como se fosse um ser pessoal, e finalmente o Príncipe do mundo que é Satanás. E atuando positivamente como testemunha da santidade ou sacralidade (justiça) de Jesus como Filho do Pai, pois agora está à direita dEle. Esse Espírito não será visível, mas atuará internamente. No parágrafo atual, Ele é o Mestre interior que ensina intimamente, ou as coisas íntimas, como diz S. Agostinho [magister interior qui intima docet]. Ele recordará os ensinamentos de Jesus, não dando novos ensinamentos, com o qual Jesus praticamente afirma que toda a revelação possível e necessária terminou com suas palavras. Assim, a Igreja, admitindo as revelações particulares, não as considera como fonte ou base da fé, mas como matéria de devoção dos fiéis que delas se beneficiam.

A PAZ: Entrego-vos a paz, minha paz vos dou, não como o cosmos dá eu vos dou; não se perturbe o vosso coração nem se torne tímido (27). Pacem relinquo vobis pacem meam do vobis non quomodo mundus dat ego do vobis non turbetur cor vestrum neque formidet. A EIRENE de João parece ser diferente da saudação Shalom hebraica. Esta saudação era dada, tanto ao se encontrar como ao se despedir. Jesus dará agora a paz como despedida para renová-la quando, pela primeira vez, apareceu aos onze após sua ressurreição. A palavra sai cinco vezes nos últimos capítulos de seu evangelho. Duas antes da paixão, como preparação às dificuldades ante os sucessos contrários que abalariam a confiança dos discípulos no Mestre; e três outras vezes após o triunfo da ressurreição, como reafirmação de perdão e amizade. Jesus distingue entre sua paz e a paz do mundo. A paz do mundo tem como base o poder, o domínio, a força do mais poderoso sobre o mais débil. A paz de Cristo é um dom, um presente, uma espécie de herança, derivada de sua partida. É a paz conquistada com um sacrifício, uma oblação em favor dos inimigos que assim obtêm o perdão. E para os fiéis discípulos, o objetivo dessa paz é evitar a perturbação da mente (coração) que invadirá os mesmos diante do dilema aberto por sua morte, e a timidez e o medo ao se apresentar, como seguidores de um Mestre executado, ante as autoridades que o condenaram (Mc 13, 11). Jesus quer evitar a tristeza, o desânimo e a falta de confiança e fé dos discípulos, tal como sentiram os dois caminhantes de Emaús. Por isso, o Espírito que Jesus promete enviar, recebe o título de Consolador ou Confortador.

VOLTAREI: Ouvistes que eu vos disse: vou e venho a vós. Se me tivésseis amado, teríeis vos alegrado já que disse: Vou ao Pai, porque o meu Pai é maior do que eu (28).  Audistis quia ego dixi vobis vado et venio ad vos si diligeretis me gauderetis utique quia vado ad Patrem quia Pater maior me est. Os doze ficarão órfãos por um pequeno tempo, o mais difícil, porque estarão ausentes os dois Paráclitos. Mas logo me vereis. Um pouco de tempo e já não me vereis, mas um pouco ainda, e me vereis (Jo 16, 19). São os três dias em que Jesus permanecerá no sepulcro e os 40 dias em que se tornou visível, não a todo o povo, mas às testemunhas anteriormente designadas por Deus, isto é, a nós que comemos e bebemos com Ele após sua ressurreição dentre os mortos (At 10, 40-41). Mas se realmente me amásseis, vos alegraríeis, porque vou ao Pai, já que o Pai é maior do que eu. Jesus, sem dúvida, se refere ao seu triunfo após sua ressurreição, a esse estar à direita de Deus (Mc 14, 62). O triunfo de Jesus era o início do Reino que os apóstolos tanto esperavam. Isso devia constituir uma base para sua alegria. A segunda parte do versículo (o Pai é maior) foi usada pelos arianos para negar a divindade da pessoa de Cristo. Mas realmente o que Jesus quis dizer é que ele, como Filho do Homem, ou seja, enquanto homem, como era visto em Jesus de Nazaré, estava submetido à vontade de Deus. O Pai recebê-lo-á em triunfo e como prêmio estará sentado à sua direita, que, em termos não simbólicos, significa dar ao Filho do Homem o poder e a majestade da divindade.

PARA QUE CREIAIS: Por isso agora vos tenho falado antes de que tenham acontecido, para que quando se tenham realizado, acrediteis (29). Et nunc dixi vobis priusquam fiat ut cum factum fuerit credatis. Jesus se antecipa às dúvidas, desânimos e incertezas dos doze. Ele declara o que estava a acontecer para que os discípulos tivessem uma noção exata dos fatos vindouros e não perdessem a fé e a confiança nele, já que ele os perdoava e os acontecimentos estavam previstos nos planos de Deus, que eram, antes de tudo, de perdão e paz; especialmente para os que acreditavam em Jesus como enviado de Deus.

PISTAS:

1º) São quatro os pontos principais de que trata o evangelho.1- Deveis escutar e guardar minhas palavras como norma e guia de conduta, porque assim faria quem realmente me ama. Máxime que estas minhas palavras provém de Deus do qual sou o seu enviado. 2- Os enviarei um Paráclito que vos confortará e acompanhará nas horas difíceis em que vos sentireis como órfãos sem mim. 3- Por isso a paz, essa tranquilidade de ânimo para hoje e esperança do amanhã, estará sempre convosco. Não duvideis do presente, nem temais o futuro. 4- Destas minhas palavras, tendes uma certeza e segurança: eu predisse esses acontecimentos. Eles são circunstanciais, mas o triunfo será eterno. Tende fé em mim.

2º) A preocupação de Jesus com seus discípulos, quando ele sabia das horas tão funestas como lhes esperavam, indica um profundo amor pelos seus que não quer abandonar: por minha parte não perderei um só dos que me confiastes, exceto o filho da perdição.(Jo 17,12). Judas também tinha fé nas palavras de Jesus, mas faltava o amor: preferiu as trinta moedas.

3º) A paz não é uma palavra vã, mas um dom recebido do Pai por meio da entrega da vida de Jesus como grão que morre para surgir uma nova vida (Jo 12, 24).


EXCURSUS: NORMAS DA INTERPRETAÇÃO EVANGÉLICA

- A interpretação deve ser fácil, tirada do que é o evangelho: boa nova.

- Os evangelhos são uma condescendência, um beneplácito, uma gratuidade, um amor misericordioso de Deus para com os homens. Presença amorosa e gratuita de Deus na vida humana.
- Jesus é a face do Deus misericordioso que busca o pecador, que o acolhe e que não se importa com a moralidade ou com a ética humana, mas quer mostrar sua condescendência e beneplácito, como os anjos cantavam e os pastores ouviram no dia de natal: é o Deus da eudokias, dos homens a quem ele quer bem e quer salvar, porque os ama.

Interpretação errada do evangelho:

- Um chamado à ética e à moral em que se pede ao homem mais que uma predisposição, uma série de qualidades para poder ser amado por Deus.
- Só os bons se salvam. Como se Deus não pudesse salvar a quem quiser (Fará destas pedras filhos de Abraão).

Consequências:

- O evangelho é um apelo para que o homem descubra a face misericordiosa de Deus [=Cristo] e se entregue de um modo confiante e total nos braços do Pai como filho que é amado.
- O olhar com a lente da ética, transforma o homem num escravo ou jornaleiro:aquele age pelo temor, este pelo prêmio.
- O olhar com a lente da misericórdia, transforma o homem num filho que atua pelo amor.
- O pai ama o filho independentemente deste se mostrar bom ou mau. Só porque ele é seu filho e deve amá-lo e cuidar dele.
- Só através desta ótica ou lente é que encontraremos nos evangelhos a mensagem do Pai e com ela a alegria da boa nova e a esperança de um feliz encontro definitivo. Porque sabemos que estamos na mira de um Pai que nos ama de modo infinito por cima de qualquer fragilidade humana.


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QUE DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje! Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

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