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Índice desta página:
Nota: Cada seção contém Comentário, Leituras, Homilia do Diácono José da Cruz e Homilias e Comentário Exegético (Estudo Bíblico) extraído do site Presbíteros.com

. Evangelho de 30/06/2019 - Solenidade de São Pedro e São Paulo
. Evangelho de 23/06/2019 - 12º Domingo do Tempo Comum


Acostume-se a ler a Bíblia! Pegue-a agora para ver os trechos citados. Se você não sabe interpretar os livros, capítulos e versículos, acesse a página "A BÍBLIA COMENTADA" no menu ao lado.

Aqui nesta página, você pode ver as Leituras da Liturgia dos Domingos, colocando o cursor sobre os textos em azul. A Liturgia Diária está na página EVANGELHO DO DIA no menu ao lado.
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30.06.2019
13º Domingo do Tempo Comum — ANO C
SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO
( VERMELHO, GLÓRIA, CREIO, PREFÁCIO PRÓPRIO – OFÍCIO DA SOLENIDADE )
__ "Pedro e Paulo: Fé e evangelização" __

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

Clique aqui para ver ou baixar o PPS.

(antes de clicar - desligue o som desta página clicando no player acima do menu à direita)

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Celebramos hoje a solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo. Mestres inseparáveis de fé e de inspiração cristã pela sua autoridade, simbolizam todo o Colégio Apostólico. Em ambos, quer na vida, quer no martírio, prolongam-se a vida, a paixão, morte e ressurreição de Cristo. Hoje é também o “Dia do Papa”. Queremos manifestar nossa estima e obediência ao sucessor de Pedro, sinal da unidade da Igreja e da comunhão na fé e na caridade.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Irmãos e irmãs, hoje a Igreja triunfante e peregrina, num só coro, louva e bendiz ao Senhor pela vocação e ministério dos dois grandes apóstolos, Pedro e Paulo. Movidos por um só e intenso amor por Cristo, ambos, de diferente formas, abraçaram a causa de Jesus, o Reino de Deus, e fizeram dela o sentido de suas vidas. Como colunas da Igreja, fundaram comunidades cristãs, unidas pelo Espírito Santo. Nós, hoje, alegres, cantamos a Deus nosso hino de louvor por tão grandes testemunhas, enquanto elevamos nossas preces pelo Papa Francisco, que hoje é o sucessor de Pedro e elo de unidade de toda a Igreja.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: A celebração de hoje é antiquíssima; foi inscrita no Santoral Romano muito antes da festa do Natal. No século IV já se celebravam três missas, uma em São Pedro no Vaticano, outra em São Paulo, fora dos muros, a terceira nas catacumbas de São Sebastião, onde provavelmente estiveram escondidos por algum tempo os corpos dos dois apóstolos.

Sintamos em nossos corações a alegria da Ressurreição e entoemos alegres cânticos ao Senhor!


(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (Atos 12,1-11): - "Agora vejo que o Senhor mandou verdadeiramente o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de tudo o que esperava o povo dos judeus."

SALMO RESPONSORIAL (Sl 33/34): - "De todos os temores me livrou o Senhor Deus."

SEGUNDA LEITURA (2 Timóteo 4,6-8.17-18): - "O Senhor me salvará de todo mal e me preservará para o seu Reino celestial. A ele a glória por toda a eternidade! Amém."

EVANGELHO (Mateus 16,13-19): - "E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela."



Homilia do Diácono José da Cruz — Solenidade de São Pedro e São Paulo — ANO C

AS COLUNAS DA IGREJA

Festa de São Pedro e São Paulo, que celebramos nesse domingo, nos faz pensar na origem de nossas comunidades. Como tudo começou? Quando foi a primeira celebração, quem fez? Como é que a comunidade cresceu e se desenvolveu para chegar aos dias de hoje? Uma coisa é muito certa, o fundador ou fundadores, deve ter feito uma experiência muito profunda com Jesus Cristo, pois sem isso, a comunidade não teria um alicerce, alguém em quem apoiar-se para poder crescer e cumprir a sua missão.

Comecemos a falar primeiro de Paulo, cuja teologia, isso é, o modo como ele começou a pensar as coisas de Deus, depois do encontro com Jesus no caminho para Damasco, foi tão marcante na vida das comunidades, que esse apóstolo é mencionado como o segundo fundador da nossa Igreja. De fato, seria difícil pensarmos em uma igreja universal, presente no mundo inteiro, em outras culturas e nações, sem nos lembrar de Paulo, aquele que pregou aos gentios que eram pessoas de outra cultura. Paulo não ficou só na mística, se assim o fizesse, teria fundado uma outra religião e arrastaria milhares de adeptos, porém, sistematizou alguns pontos doutrinários importantes, organizou as comunidades que havia iniciado, e o mais bonito, mesmo pensando um pouco diferente do Chefe dos Apóstolos, manteve-se firme em comunhão com ele e os irmãos da Igreja de Jerusalém, com quem aliás, sempre foi solidário , ao organizar coletas que levava para a Igreja mãe.

São Paulo é o modelo fiel do cristão autêntico, que faz a experiência com Jesus, se encanta com o seu ensinamento, desfaz o seu projeto de vida por causa dele e torna-se um fiel seguidor do evangelho, dando por ele a própria vida como aconteceu em seu martírio.São Paulo sempre acreditou nas comunidades, mesmo quando havia indícios de desunião, problemas internos, contendas e divisões, acreditava nas pessoas e mantinha com elas uma boa relação, mesmo que se tratasse de Pedro, que tinha uma linha mais tradicionalista, causa de algumas divergências bastante sérias entre ambos mas Paulo nunca deixou de amá-lo por causa disso. Ele mesmo manifestava essa sua flexibilidade, quando afirmava que se fazia um com todos e não tinha dificuldade de conviver com as pessoas. Outra coisa importante na pessoa de Paulo, é que ele promoveu uma ação evangelizadora em ambiente hostil á Cristo e ao seu evangelho, era corajoso e nunca teve medo de anunciar a Verdade. Isso nos leva a pensar que muitas vezes somos negligentes, quando ficamos esperando que as pessoas venham procurar nossa pastoral ou movimento, parece que a gente não se sente seguro para falar do evangelho no meio do mundo, lá onde as pessoas precisam escutar esse anúncio, porque achamos que não vão gostar e que algumas vão ser contra. Se São Paulo pensasse assim, milhares de pessoas, ontem e hoje, não teriam conhecido a Jesus.

São Pedro é chamado o príncipe dos apóstolos, isso é, aquele que iniciou o apostolado, e vemos no evangelho de hoje, porque o próprio Cristo o constituiu chefe da sua igreja. Ele conseguiu enxergar em Jesus algo muito mais do que se falava, o povo via nele um Messias Profeta, comparável a João Batista ou a Elias, outro grande profeta na História de Israel, mas esse pensamento era fruto de uma ideologia, e a era messiânica que todos aguardavam com ansiedade, representava uma nova política, uma inversão do quadro, o Messias era um libertador Político, enviado por Deus sim, porém, com uma missão terrena.

O apóstolo Pedro, que fala em nome do grupo, consegue fazer essa transição, do Messias Histórico e Ideológico, para o Messias Espiritual, ele não era enviado por Deus mas sim o próprio Deus. O que Jesus falava e fazia, todos viam, e a partir disso embalavam o sonho e a esperança de dias melhores para o povo de Israel, mas sempre em uma perspectiva terrena.

A confissão de Pedro manifesta pela primeira vez no meio do grupo, a Fé em uma Salvação que supera toda e qualquer realização humana, onde o homem atinge a plenitude do seu ser, divinizando aquilo que é humano. Cesaréia de Filipe é terra de pagãos, cercado por rochas sobre as quais há edificações habitadas pela elite do império romano. A igreja de Cristo está no meio do mundo, porém edificada sobre a fé professada por toda comunidade, que tem como base a fé professada por Pedro, naquele dia.

Como Pedro e Paulo, que sejamos nessa igreja um apoio seguro para os que ainda não crêem, porque não conhecem a Cristo e acima de tudo, nunca nos esqueçamos que Jesus Cristo edificou o reino sobre pessoas como Pedro e Paulo, instrumentos aparentemente fracos, mas que pela ação da graça operante e santificante do Batismo que receberam, tornaram-se perenes, transpondo fronteiras e todas as barreiras que separa os homens, para anunciar Jesus Cristo, o Filho de Deus, aquele que plenificou o nosso existir. (São Pedro e São Paulo MATEUS 16, 13-19)

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Costa — 13º Domingo do Tempo Comum — ANO C

Viva o Papa!

Tu és o Cristo”, eis a profissão de fé de Pedro. “Tu és Pedro”, eis a demonstração de que Deus confia nos homens. Na clausura do Ano Sacerdotal, o Papa Bento XVI falava da audácia de Deus, que consiste em confiar nos homens a tal ponto de fazer deles instrumentos e canais de graça. Realmente, Deus confia em nós! Não nos necessita, mas quis necessitar de nós.

São Pedro nasceu em Betsaida, cidade da Galiléia. Conheceu Jesus através de seu irmão André. Jesus “fixando nele o olhar” (Jo 1,42) o chamou para segui-lo. O olhar carinhoso de Cristo devia ser arrebatador, convincente e encerrava um radicalismo de entrega a Deus atraente. Aquele olhar transformou Pedro, agora chamado Cefas, pedra, Pedro. De simples pescador converte-se num pescador de homens. Foi o vigário de Cristo na terra quando ele, o Senhor, já não estava entre os seus em corpo mortal.

Jesus quis instituir a sua Igreja tendo Pedro e seus sucessores à frente dela, e isso para sempre. Pedro, Lino, Cleto, Clemente, Evaristo, Alexandre, Sisto, Telésforo, Higino, Pio, Aniceto, Sotero, Eleutério, Vítor,… Pio XII, João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II, Bento XVI: 266 papas, 265 sucessores de São Pedro. Que maravilha! Cheios de entusiasmo professemos a nossa fé nesta Igreja, que é “Una, Santa, Católica e Apostólica, edificada por Jesus Cristo, sociedade visível instituída com órgãos hierárquicos e comunidade espiritual simultaneamente (…); fundada sobre os Apóstolos e transmitindo de geração em geração a sua palavra sempre viva e os seus poderes de Pastores no Sucessor de Pedro e nos Bispos em comunhão com ele; perpetuamente assistida pelo Espírito Santo” (Paulo VI, Credo do Povo de Deus).

S. Jerônimo expressou firmemente a sua adesão ao Papa com as seguintes palavras: “não sigo nenhum primado a não ser o de Cristo; por isso ponho-me em comunhão com a Sua Santidade, ou seja, com a cátedra de Pedro. Sei que sobre esta pedra está edificada a Igreja”.

A história da Igreja – são já dois mil anos! – é uma demonstração de força e de debilidade, também no que se refere à história do papado. Graças a Deus, o século XX está cheio de grandes Papas, a começar por S. Pio X no começo do século culminando com João Paulo II. Todos nós somos testemunhas também da bondade e da inteireza do atual Romano Pontífice, Bento XVI: quanta fortaleza, quanto amor a Deus, quantas lutas para defender a Santa Igreja. A maioria dos Papas foram homens magníficos, cheios de Deus e entregues ao serviço do rebanho a eles confiado.

A Igreja é santa, é guiada e sustentada por Deus, nada a pode derrotar. É Santa, os pecadores somos nós; Deus a fundamentou de tal maneira que nem o inferno e seus demônios, nem os homens, poderão derrotá-la. A Igreja, esposa de Cristo, chegará à Parusia. Outro fato maravilhoso é que os Papas, mais santos ou menos santos, sempre guardaram intacto o depósito da fé. Deus garante o pastoreio da Igreja através desses homens que ele mesmo escolheu. É fato e é dogma de fé: o Papa quando fala sobre coisas de fé e de moral com a sua autoridade de Supremo Pastor do rebanho não pode errar, não pode equivocar-se.

O Papa é sempre o bispo de Roma. Deus quis – em sua providência – que Roma tivesse esse significado especial na história da Igreja peregrina. O Romano Pontífice como vigário de Cristo é o administrador de Cristo aqui na terra, como sucessor de Pedro leva consigo toda a autoridade que Cristo confiou ao mesmo Pedro para apascentar o rebanho do Senhor. S. Josemaria Escrivá dizia que “o amor ao Romano Pontífice há de ser em nós uma bela paixão, porque nele vemos Cristo”.

O católico deve estar sempre perto do Papa: escutá-lo, apoiá-lo, rezar por ele e suas intenções. Não podemos romper a unidade católica: todos com o Papa! De fato, para estar em plena comunhão com a Igreja de Cristo, que subsiste na Igreja Católica, é preciso professar a mesma fé, celebrar os mesmos sacramentos e estar unidos à hierarquia cujo ponto principal é o Papa. “Sou católico, vivo a minha fé” (Edições CNBB), um Compêndio da Doutrina elaborado pela Conferência Episcopal, quando se pergunta “Quem é o Papa para nós, católicos?” responde da seguinte maneira: “o Papa é o sucessor do apóstolo Pedro, o bispo de Roma que Jesus constituiu como “perpétuo e visível fundamento da unidade” (…) é o pastor de toda a Igreja. (…) tem a missão de confirmar toda a Igreja na fé, continuando a mesma tarefa que Cristo confiou a Pedro (…) Todo católico, além de conhecer e viver a Palavra de Deus, de dar testemunho da sua fé em Cristo, de participar da comunidade eclesial, espaço de testemunho, de serviço, de diálogo e de anúncio, ama e respeita o Papa e os bispos como seus legítimos pastores. Ora por eles e obedece às orientações da Igreja Católica” (V,15)

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético — Solenidade de São Pedro e São Paulo — ANO C
(Extraído do site Presbíteros - Elaborado pelo Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

Epístola (2 Tm 4, 6-8. 17-18)

Pois eu estou sendo oferecido em libação e a ocasião de minha partida tem chegado (6). Ego enim iam delibor et tempus meae resolutionis instat. OFEERECIDO EM LIBAÇÃO: O verbo spendö [<5743>=delibare] significa derramar, fazer uma libação, e figuradamente, na passiva, de uma pessoa cujo sangue é derramado em morte violenta por causa de Deus. Sai duas vezes no NT. Na segunda é em Fp 2,17:Mesmo que eu seja oferecido por libação [spendomai]sobre o sacrifício. É o mesmo Paulo que fala e que claramente usa com o mesmo sentido o verbo em questão. OCASIÃO: A palavra Kairos [<2540>=tempus] é o momento propício, que temos traduzido por ocasião. PARTIDA: em grego analysis [<359>=resolutio] dissolução, saída, especialmente de um barco, soltar amarras. Paulo está preso em Roma, desamparado de todos sem esperança de libertação. Era o ano de 67 pouco antes de sua morte. Antes desta em que derramou seu sangue por causa do evangelho, escreve esta carta pedindo a Timóteo para que lhe acompanhe nos seus dias finais.

A luta, a boa, lutei. A corrida completei, a fé guardei (7). Bonum certamen certavi cursum consummavi fidem servavi. LUTA: [aglön<73>=certamen] o significado é assembleia, o lugar onde se realiza a assembleia, especialmente para os jogos, a arena dos mesmos, daí a luta, e em geral uma luta ou combate e finalmente uma ação legal ou julgamento. Aqui é claro que Paulo considera sua vida como um combate contínuo contra o mal, contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestes (Ef 6, 12). O evangelho encontra um inimigo terrível nas verdadeiras forças do mal que não são a carne e sangue [os homens], mas as potestades celestes, ou seja, o próprio Satanás cujo reino Jesus previa como caindo (Lc 10, 18). Só assim descobriremos como a Igreja é perseguida, aparentemente sem motivo ou razão suficiente, como para ser o sangue de seus mártires realmente libados no terreno da História. Isso abre uma porta à interpretação da História do ponto de vista sobrenatural, em que existem momentos como na vida de Jesus dos quais podemos dizer como o Senhor: esta é a hora e o poder das trevas (Lc 22, 63). E Paulo continua sua comparação com o espetáculo dos jogos antigos como se fosse um gladiador que agora entra na corrida das bigas e quadrigas do circo, tudo para conservar sua fé naturalmente na missão de Cristo.

Do resto, me está reservada a coroa da justiça que me dará o Senhor naquele dia, o justo juiz; pois não só a mim, mas a todos os que amam seu advento (8). In reliquo reposita est mihi iustitiae corona quam reddet mihi Dominus in illa die iustus iudex non solum autem mihi sed et his qui diligunt adventum eius.Porém o triunfo final será sempre o triunfo do bem, onde a coroa da justiça, isto é, o prêmio [estamos dentro da arena da competição] a levará unicamente quem tiver competido com a regra do bem-fazer, ou seja, de quem cuidou de cumprir os mandatos do Senhor que constitui a única justiça válida e digna de recompensa. Por isso, a recompensa vem do Senhor, como justo juiz. E esta vitória não é só de Paulo, mas de todos os que amam ou estão esperando esse seu último advento ou presença entre a humanidade.

Pois o Senhor esteve presente e me deu forças para que por meu meio o anúncio fosse completado e o ouvissem todos os gentios e fui libertado da boca do leão (17). Dominus autem mihi adstitit et confortavit me ut per me praedicatio impleatur et audiant omnes gentes et liberatus sum de ore leonis. Nos versículos que faltam nesta leitura Paulo se queixa de sua solidão. Ninguém o visita, ninguém o ajuda. Mas ele encontrou um advogado no Senhor. Foi tal a sua defesa unicamente com a ajuda do paracletos [o advogado defensor prometido por Jesus] que serviu para dar a conhecer o evangelho entre os gentios como aprece na sua defesa diante do rei Agripa (At 25, 13 ss). E diz que foi libertado da boca do leão, ou seja, até agora nessa primeira audiência não foi condenado, como lemos em Sl 22,21: salva-me das faces do leão e talvez tenha em conta o castigo dado a Daniel na cova dos leões do qual o anjo de Jahveh o libertou, mas fizeram pedaços dos corpos de seus inimigos (Dn cap 6).

E me libertará o Senhor de toda obra má e salvará para seu reino, o do céu, ao qual a glória para os séculos dos séculos. Amém (18). Liberabit me Dominus ab omni opere malo et salvum faciet in regnum suum caeleste cui gloria in saecula saeculorum amen. Paulo fala num futuro que ele vê próximo, pois sua morte está já às portas, já que terminou a carreira e finalizou o combate (ver 7). E nessa visão, tem confiança de que Deus [o Senhor, pois Cristo é o Senhor Jesus] liberta-lo-á de toda espécie de mal e o levará ao Reino definitivo que segundo Paulo é o que está no céu [epouranios <2032>=caelestis] ou celeste, coisa oposta a epi tës gës [sobre a terra ou terrestre]. Finalmente, termina com uma doxologia: Glória [doxa], honra ou louvor a esse Deus por sempre. A frase eis tous aiönas tön aiönion tem em latim a tradução de pelos séculos dos séculos e podemos traduzi-la para sempre e por sempre, o que geralmente é por sempre jamais.

Evangelho (Mt 16, 13-19)
PEDRO E PAULO APÓSTOLOS

INTRODUÇÃO: Este evangelho é o primeiro IBOPE do qual temos notícia. A pergunta é: Quem dizem os homens que sou eu, como Filho do Homem? (13). Dois são os elementos de estudo principais derivados deste evangelho: Ekklësia e Petros. Estudaremos o texto comparando-o com os paralelos de Marcos 8, 27-30 e Lucas 9, 18-21. É um texto, o de Mateus, fundamental, que ilumina biblicamente a primitiva Igreja tal e como foi fundada por Jesus. Ekklësia, palavra grega que significa assembleia, designa a comunidade nova, o novo povo de Deus, que ia substituir o antigo povo de Israel. Nela, Petros [a rocha], obtem o poder supremo, o chamado primado do reino que dirá a última palavra sobre quem está dentro e quem deve ser expulso da mesma Ekklësia. E esta estrutura seria a definitiva, sem que a morte [os portões do Ades], tanto de Pedro como de seus sucessores, pudesse contra ela. As consequências são essenciais para entender o cristianismo atual, como organização que contribui para a obra de salvação de Jesus.

A PERGUNTA: Tendo chegado então Jesus para as terras de Cesareia de Filipe, perguntou a seus discípulos dizendo: Quem dizem os homens ser eu, o Filho do homem? (13). Venit autem Iesus in partes Caesareae Philippi et interrogabat discipulos suos dicens quem dicunt homines esse Filium hominis. O LOCAL: Mateus diz que era perto de Cesaréia de Filipe. Na realidade, Jesus veio para os distritos [merë], lugares, ou terras que eram dessa cidade. Cesareia era o nome comum de várias cidades. Essencialmente, na Palestina, existiam duas Cesareias: a de Palestina, cidade romana, fundada por Herodes o Grande, situada na costa do Mediterrâneo, 37 Km ao sul do monte Carmelo e 100 Km ao noroeste de Jerusalém; e a Cesareia de Filipe, cidade gentílica, situada no sopé do monte Hermom, no Antilíbano, na cabeceira principal do rio Jordão, 32 Km ao norte da Galileia. Distava 40Km de Betsaida [dois dias de caminho desta última]. A antiga Panion também Pânias, que hoje ainda subsiste com o nome de Baniyas  numa aldeia das fontes do Jordão. Foi helenizada no século III aC e tinha uma população, também na região, que em sua maioria não era judia. Em 20 aC, Augusto a cedeu a Herodes, que nela construiu um grandioso templo dedicado ao imperador, feito de mármore branco, sobre uma rocha que dominava a cidade e a fértil planície da qual era capital a antigas Pânias, assim chamada porque perto da cidade existia uma gruta, dedicada desde tempos remotos, ao deus Pan ou Panion [deus dos pastores e das florestas]. A cidade foi ampliada e embelezada pelo tetrarca Filipe, que lhe deu o nome de Cesareia em honra de Tibério César. Por isso foi chamada de Cesaréia de Filipe. A partir do século II foi chamada de Cesareia de Pânias e no século IV em diante, o termo Cesareia desapareceu, permanecendo apenas o antigo Pânias. O templo sobre a rocha evidentemente era um símbolo que Jesus não devia desperdiçar. A PERGUNTA: Segundo o evangelho de Mateus, a tradução literal do versículo 13 seria: Quem me dizem os homens ser o Filho do Homem? Esse me [a mim] não está sendo traduzido na vulgata latina nem nas versões vernáculas. Numa linguagem mais elaborada a tradução seria: quem dizem os homens que Eu, o filho do homem, sou? É notório que nas três recensões da pergunta dos três sinóticos a pergunta é a mesma na primeira parte: quem me dizem os homens [as turbas em Lucas] ser? Ou quem dizem os homens que eu sou? Se tomarmos unicamente Mateus, a pergunta seria sobre o Filho do homem. Que ideia tinha a gente sobre esta figura tão frequentemente usada por Jesus como unida ao Reino por ele pregado e presidido? A expressão Filho do homem é semítica e significa em princípio um membro da comunidade humana, especialmente na sua fase de frágil mortal (Is 51, 12 e Jó 25, 6). A expressão Filho do homem se transforma em Daniel (7, 13 +) numa figura simbólica. De um significado plural [o povo dos eleitos] passa a tomar um significado singular como o Filho do homem [um homem] que recebe a glória e o poder que pertencem unicamente a Deus. Por isso foi dado a ele domínio e glória e um reino, de modo que todos os povos, nações e línguas o servissem; seu domínio é um domínio para sempre, que nunca passará e seu reino é um reino que nunca será destruído. Neste último sentido é o título preferido por Jesus, aparecendo setenta vezes na sua boca nos evangelhos. Nesta ocasião, Jesus queria saber qual era a opinião da gente sobre sua pessoa como pregador público de uma mensagem divina. Uma pergunta diretamente unida a seu rol como pregador de um reino que os discípulos esperavam fosse instaurado modo militari em Jerusalém, onde esperavam ir em breve. A figura cume desse reino era, sem dúvida, Jesus que a si mesmo se intitulava como Filho do Homem. FILHO DO HOMEM: ‘O ‘yiós tou anthrópou é uma tradução grega de BEM ADÁM   que ocorre 120 vezes no AT, das quais 96 em Ezequiel, e que é um sinônimo de homem. Em Ezequiel é a denominação que Javé dá ao próprio profeta e é sempre em vocativo. Representava a humanidade em contraste com Deus e aparentando a porção da mesma que sofreria a ira do mesmo. Grita e geme, ó filho do homem, porque ela[a notícia] será contra meu povo(Ez 21, 11). Nos salmos representa a fragilidade humana em comparação com a fortaleza de Deus (8, 4-6). Porém em Dn 7, 13 aparece um como, ou semelhante a um filho de homem [Kebar mas, ‘os Yiós anthropou, quase filius hominis]. Ele provém do céu e é destinado a possuir o domínio universal. Jesus precisamente o aplica à sua vinda futura em Mt 24, 30 e lugares paralelos. No NT a frase, com uma exceção [quando Estêvão vê o filho do homem], é sempre achada em frases, pronunciadas por Jesus.  Mateus usa a frase 30 vezes, Marcos 14, Lucas 25 e João 13. O ponto crucial é precisamente este trecho do evangelho de hoje.

A RESPOSTA: Eles, pois, disseram: Uns, certamente, João, o Batista, outros porém, Elias; e outros, Jeremias ou um dos profetas(14). At illi dixerunt alii Iohannem Baptistam alii autem Heliam alii vero Hieremiam aut unum ex prophetis. A RESPOSTA: Podemos dividir esta em duas partes bem diferenciadas: uma, a geral, dada pelo povo, que praticamente indica Jesus como um homem de Deus, especialmente como um profeta comparável aos grandes de Israel; a outra é a resposta particular dada por Simão Pedro. Vamos estudar ambas as respostas. A) O Batista: A pregação de Jesus e dos discípulos era a mesma  de João: Arrependei-vos, o reino de Deus está próximo (Mt 3, 2) e oferecia um batismo como o do adusto homem do deserto (Jo 3, 22-23). O parecido  parentesco entre o Batista e Jesus (Lc 1, 36) talvez facilitasse a ideia de que Jesus era o Batista ressuscitado. Afirmava-se que João, o Batista, era Elias, pois a Escritura afirmava que o antigo profeta não tinha morrido, mas fora arrebatado aos céus no meio de uma tempestade de fogo (2Rs 2, 11). Essa era a razão pela qual se esperava a sua vinda. B) Elias propriamente dito. Segundo a tradição, Elias escreveu uma carta depois de ser arrebatado (2 Cr 21, 12) dirigida ao rei Jorão de Judá por sua conduta idolátrica já que tinha como esposa uma filha do ímpio rei Acab de Israel. Supunha-se, pois, que Elias voltaria antes do dia do Senhor, o dia da vingança e do castigo dos ímpios, dia da ira que está por vir (Jo 3, 7). Em Malaquias 3, 1 lemos: Eu vos envio meu mensageiro. Ele aplainará o caminho diante de mim. Por isso numa data posterior ao livro [após o ano 450 aC] identifica este mensageiro ou anjo, com Elias (seria no acrescentado capítulo 4, versículo 5, que não está no canônico Malaquias). Na sua complicada alegoria animalística da História, o livro apócrifo de Henoc (século II aC), descreve a aparição de Elias antes do juízo e da aparição do grande cordeiro apocalíptico. Isto é importante, visto que João falava do Cordeiro de Deus (Jo 1, 29). Em Eclo 48, 10, temos outra referência do século II aC: Tu que fostes designado nas censuras para os tempos a vir, para aplacar a cólera antes que ela se desencadeie, reconduzir o coração do pai para o filho (Lc 1, 17). Vistos os milagres que Jesus operava, os contemporâneos de Jesus pensavam que se não fosse Elias, que em vida realizou muitos e notáveis milagres, devia ser um profeta redivivo [aneste=despertado] pois a profecia tinha acabado e não era necessária nos tempos messiânicos. C) Jeremias: esta identificação é própria de Mateus, porque como vemos em 2 Mc 2, 4-7 temos Jeremias escondendo a arca e o altar dos perfumes na montanha de Moisés para afirmar: Este lugar ficará desconhecido até que Deus tenha consumado a reunião de seu povo e lhe tenha manifestado a sua misericórdia. E em 2 Mc 15, 13 lemos: Apareceu a Judas um homem de cabelos brancos…Onias disse: Este homem que ora pelo povo e pela cidade santa é Jeremias, o profeta de Deus. D) Um profeta. Lucas dirá que é um dos antigos profetas, redivivo. De fato, os judeus distinguiam entre antigos profetas como Josué, Juízes, Samuel, Davi e os profetas compreendidos no reinado de Davi, e os últimos profetas, a começar por Isaías e terminar com Malaquias. A que profeta se referem os discípulos como porta-voz da vox populi? Talvez Samuel que já nos tempos de Saul se mostrou redivivo em 1 Sm 28, 12 diante da médium de Endor? ( ver hades em parágrafo posterior). Ou talvez Moisés, pois a ele comparam a atuação de Jesus como vemos em Jo 5, 45-46 e 6, 31-32. Na realidade, os enviados oficiais perguntam a João se ele não era o Profeta [como conhecido personagem, esperado nos tempos messiânicos] de Dt 18, 15-18. Pois Javé disse a Moisés: um profeta como tu suscitarei do meio de teus irmãos. Por isso em 1 Mc 3, 45 aguardavam a vinda de um profeta que se pronunciasse a respeito. Este profeta, semelhante a Moisés, que deveria ser escutado em tudo (At 3, 22), era o próprio Jesus, coisa que o povo admitiu após a multiplicação dos pães (Jo 6, 14)  e na festa dos tabernáculos em Jerusalém(Jo 7, 40).

E VÓS? Diz-lhes: Vós, pois, quem dizeis que eu sou? (15). Dicit illis vos autem quem me esse dicitis. Que ideia têm eles, seus discípulos, do Filho do homem? Ou seja, que papel na vida pública, especialmente na vida religiosa, deve ter Jesus entre seus conterrâneos? Em qual dessas categorias deveria ser incluído o Mestre que foi seu guia e com o qual conviviam durante esse tempo?

PEDRO: Tendo respondido Simão Pedro disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente (16). Respondens Simon Petrus dixit tu es Christus Filius Dei vivi. O apóstolo-chefe é conhecido por diversos nomes entre os autores do NT. A) Simão. O nome original do apóstolo era Simão, forma abreviada de Simeão [famoso]. De fato, seu nome completo, ou como diríamos hoje, seu DNI era Simão bar Jonas [Simão, filho de Jonas], que a vulgata conserva como Simon bar Iona como vemos no versículo 17 do evangelho de hoje. Já o quarto evangelista diz dele que era filho de João [‘yiós Iöannou] (1, 42),  e que a vulgata traduz por filius Iona (?) que o próprio evangelista repete em 21, 15, como Simon Iöannou [Simão de João], com a vulgata agora traduzindo corretamente por  filius Ioannis ou de João. A dúvida existe: o pai era Jonas [pomba] ou João [ favor de Deus]? Talvez a solução seja a diferença entre o aramaico e o hebraico em cuja escrita as consoantes de Jonas e João eram as mesmas mas a pronúncia diferente. Jesus, sempre que fala com o apóstolo, usa o nome de Simão. Além do nome próprio ou, como dizem em inglês first name, temos outros personagens com o nome de Simão no NT: Simão, o zelotes, um dos doze (Mt 10, 4); Simão, o irmão do Senhor (Mt 13, 55); Simão, o leproso de Betânia (Mt 26, 6);  Simão, o fariseu (Lc 7, 40); Simão, o Cirineu( Mt 27, 32); Simão, pai de Judas, o Iscariotes (Jo 6, 71); Simão, mago (At 8, 9) e Simão de Jope (At 8, 18).  Com este nome de Simão é que Jesus o chama  B) Como Pedro em latim Petrus e em grego Petros. Uma única vez aparece na boca  de Jesus como vocativo ( Lc 22, 34). Esta única ocasião mais parece redacional que ipsissima verba Christi [as próprias palavras de Cristo]. Dentro da parte que poderíamos chamar redacional dos evangelhos,  encontramos a palavra Pedro em Mateus 16 vezes, em Marcos 11, em Lucas 9,  em João 9 e 3 nos Atos.  C) Como Simão Pedro em Mateus 3, em Marcos 1, em Lucas 2, em João 17 e  em Atos 4. D) Como Kefas [o aramaico por rocha] aparece em João 1, 42 e nas epístolas de Paulo, nas duas primeiras, Gálatas e 1 Coríntios e  sempre na boca de Paulo. Deste nome podemos deduzir que a palavra usada por Jesus foi Kefas e que, aos poucos, ela foi traduzida ao grego como Petros, com o mesmo significado; pois pedra seria lythos. Em latim petra também significa rocha, tendo o significado de pedra a palavra lápis ou calculus. A RESPOSTA: Em nome dos doze, Simão responde: Tu és o Cristo [Ungido], o Filho do Deus vivente. Vamos comparar esta resposta com a de Marcos: Tu és o Cristo (Mc 8, 29), e a de Lucas: O Cristo do (sic) Deus. Ninguém duvida de que a resposta mais breve de Marcos é a saída da boca de Pedro. A de Lucas pode ser redacional ao explicar a unção como feita pelo Deus único e a de Mateus uma explicação, como sempre, de um bom catequista, para entender as palavras do apóstolo e a bênção imediata de Jesus. Qual era o significado de Cristo [Chrestós em grego]? Logicamente devemos recorrer à palavra correspondente hebraica. Significa Ungido que seria a tradução da palavra aramaica Messiah. A palavra Messias era traduzida como Christos em grego (Jo 1, 41). Originariamente era uma referência de Há Kohen há Massiah [o sacerdote, o ungido], ou seja, o Sumo Sacerdote, em cuja cabeça tinha sido derramado o óleo, quando consagrado como líder espiritual da comunidade (Lv 4, 3). Daí que o Messias era alguém investido por Deus de uma responsabilidade espiritual especial. Nos tempos de Jesus, existia a ideia de que um descendente da casa de Davi seria o Messias que redimiria a humanidade; tradição que provinha dos tempos de Isaías. E foi o profeta Daniel em 9, 25 que deu uma nova esperança a esse ungido de Deus. Essa tradição encarava o Messias, não como um ser divino, mas apenas como um homem, um grande chefe, reformador social, que iniciaria uma era de paz perfeita. É o que os anjos prometeram aos pastores ao anunciarem o nascimento do Salvador que era o Messias (Lc 2, 14). O termo Filho de Deus vivo era título Messiânico, assim como Santo de Deus (Jo 6, 69). O nome de Filho de Deus é uma expressão usada por Oséias em 2, 1: Aos filhos de Israel…se lhes dirá filhos do Deus vivo, o qual concorda perfeitamente com a frase de Mateus e a confissão de Marta: Eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que vem a este mundo (Jo 11, 27). O Santo [consagrado] de Deus, era também um título Messiânico,  como vemos em Jo 6, 6, numa confissão feita pelo próprio Pedro. Talvez esta confissão de Pedro no quarto evangelho seja uma réplica mais ou menos exata da que hoje estudamos em Mateus. Para um judeu, o Messias era produto de uma eleição divina que confiava uma missão especialíssima ao seu ungido. Para um grego ou um romano, o título ia além da personalidade humana do Messias. Sabemos que os judeus admitiram Jesus como Messias [Chrestós], título que para os gentios era traduzido como Senhor [Kyrios]. Pois Deus o constituiu Senhor e Cristo [Kyrion autón kai Christon, de At 2, 36]. Sabia Pedro o significado substancial de suas palavras? Pelo que vemos em 16, 22, não. Porém Jesus se serviu das mesmas para fundar sua Igreja. A palavra Messias significa Ungido. Portanto, dizer tu és o Chirstós [Ungido] é a mesma coisa que dizer tu és o Messias. Quanto às palavras O Filho do Deus Vivente [muito melhor do que vivo], que seria dizer o mesmo que Filho do Deus verdadeiro, porque os outros deuses não existem, não vivem; os autores duvidam se são verdadeiramente palavras de Pedro ou foram acrescentadas pela tradição como parêntesis explicativo para distinguir entre o Messias, filho de Davi, um rei de âmbito regional, e o Messias, Filho do verdadeiro Deus, Senhor, portanto, do Universo. As razões aludidas pelos exegetas baseiam-se fundamentalmente nos lugares paralelos de Marcos [tu és o Ungido] e de Lucas [és o Ungido de Deus]. A declaração de filiação divina tem um amplo significado na tradição judaica, já que todo rei era considerado filho de Deus por virtude de seu ofício, como representante divino perante o povo. Mateus, como seus dois paralelos sinóticos, proíbe aos discípulos que digam a alguém que ele [Jesus] era o Cristo. Se o sentido de Filho de Deus fosse estrito, como o entendemos atualmente, a proibição devia recair sobre esta segunda parte, Jesus como Deus, muito mais escandalosa e até blasfema para os contemporâneos, como vemos que a contemplou Caifás (Mt 26, 36). Existia uma aposição entre Messias e Filho de Deus. O pontífice conjura Jesus, em nome do Deus, do vivo [notar a coincidência dos termos] a que declarasse se ele era o Messias, o Filho de Deus. E então Jesus explica a sua transcendência, dizendo estará sentado à direita do Poder [de Deus] e vindo sobre as nuvens do céu. Com isso, o seu messiado se transforma em Divindade; e, portanto, Caifás entende escutar uma blasfêmia já que um homem se declara divino. Mesmo que a resposta de Pedro que estudamos seja estritamente histórica, nem por isso deveria ter um significado transcendente, como era o de declarar Jesus unigênito do Pai.

RESPOSTA DE JESUS: Então tendo respondido Jesus disse-lhe: Bendito és Simão Bar Ionas porque carne nem sangue te revelou mas o meu Pai o (que está ) nos céus (17). Respondens autem Iesus dixit ei beatus es Simon Bar Iona quia caro et sanguis non revelavit tibi sed Pater meus qui in caelis est. BEMAVENTURADO ÉS: O makarismo indica um favor divino alcançado por Pedro que Jesus explicará posteriormente. A carne e o sangue não te revelaram o que disseste. Carne e sangue é uma expressão semítica para significar o homem todo, considerado como puramente homem. Foi o meu Pai [que habita] nos céus que revelou o Filho a Pedro. Mateus entra na mesma linha lógica que descreve João em 6, 36: Todo aquele que o Pai me der virá a mim. Jesus considerou esta declaração de Pedro de tal importância que afirma duas coisas que, sem dúvida, transformarão a personalidade e o ministério do apóstolo.

PEDRO E A IGREJA: E por isso te digo, que tu és rocha e e sobre esta rocha edificarei minha Igreja. E (os) portões do Hades não prevalecerão sobre ela (18). Et ego dico tibi quia tu es Petrus et super hanc petram aedificabo ecclesiam meam et portae inferi non praevalebunt adversum eam. A) Tu  es Petrus: Com esta primeira declaração, Jesus além de trocar o nome do apóstolo, que agora seria Kefas, como vemos nos primeiros escritos (Gálatas e 1Cor), significa seu novo ministério: ser fundamento de um edifício como a rocha era e é em todos os tempos. O nome de Simão seria trocado e usado em grego como Petros derivado da palavra Petra com o significado de rocha ou penhasco. A tradução do grego é muito mais esclarecedora pela força das palavras. Jesus afirma: sobre esta mesma rocha [taute te petra], ou sobre esta que é a rocha, edificarei a minha Igreja. Segundo as escrituras, a mudança de nome é um claro sinal de uma especial escolha e missão divinas. Abrão se tornará Abraão (Gn 17, 5). Jacó se tornará Israel (Gn 32, 29). Sarai será chamada Sara (Gn 17, 15). Gedeão recebeu o nome de Jerobaal (Jz 6, 32). A exceção do caso de Gedeão, todos os outros recebem diretamente de Deus e, coisa notável, com o nome novo nasce um povo novo em todos os casos: Abraão como pai de uma multidão de nações; Sara como matriz de reis poderosos; Israel foi o pai do povo do mesmo nome. Por isso, podemos deduzir que Rocha é não unicamente uma mudança de nome, mas também implica uma novidade de um povo, o povo da nova aliança, do Reinado do Senhor Jesus, que neste caso Mateus chama de sua Igreja. B) Ekklësia: Sobre esta Rocha edificarei a minha Igreja. As traduções que usam a palavra pedra estão deturpadas. Como vimos anteriormente, elas não dariam o verdadeiro sentido de rocha como fundamento sobre o qual se edifica uma casa. Jesus usa a palavra Igreja [Ekklësia] que só aparece uma outra vez em Mateus 18, 17 com o significado de assembleia e nunca em outros evangelhos. Só nos Atos aparece pela primeira vez em 5, 11 quando todos ficaram com grande temor ao conhecerem os fatos de Ananias e Safira. Igreja está aqui como reino visível, comunidade escatológica [no sentido dos últimos tempos] a substituir a sinagoga nestes tempos finais, constituída pelos fiéis que acreditam em Cristo. Há quem, citando as palavras de Paulo, que só admite um fundamento que é Cristo (1 Cor 3, 11) confunda a rocha com o(s) fundamento(s) e admite que também os outros apóstolos edificam sobre o mesmo fundamento diminuindo assim a importância de Pedro, pois Cristo é a pedra mestra [akrogoniaios e lapis, nada de petron ou petra!] (Ef 2, 20) {ver parágrafo anterior da RESPOSTA DE JESUS}. Mas esquecem que a pedra mestra não era o fundamento mas o remate do arco da qual dependia a estabilidade do mesmo. De fato, o grego akrogoniaios tem como raiz akron [tope] e gonia [ângulo], sem nada haver com o elemento pedra [rocha]. Neste caso particular de Pedro, Jesus toma do templo de Pan, de mármore branco, edificado sobre uma rocha nas fontes do Jordão, o simbolismo da igreja e do seu chefe, Pedro. C) O Hades: Esta Igreja que começou com Pedro-rocha será a última e eterna como reunião do povo eleito porque as portas do Hades não prevalecerão contra ela. Se a afirmação de rocha como personalidade de Simão não fosse suficiente, Jesus persiste nos poderes e qualidades do seu apóstolo ao declarar seu papel primordial nessa grande assembleia dos eleitos, cuja perpetuidade descreve com palavras tomadas da tradição judaica. Fala das portas do inferno, ou melhor, portões do inferno. Há duas palavras em grego que são traduzidas por portas, mas que o inglês traduz por Gates [pyle] e doors [thyra]; em português poderíamos dizer portões e portas. O portão [pyle] era a entrada de uma cidade, de um templo, de um cárcere, de um reino. Assim a sublime porta do império turco. Pyle sai 9 vezes no NT. A porta [thyra] é a entrada ou a peça de madeira ou metal que fecha a mesma na casa e os interiores; também os sepulcros e os apriscos. É usada 18 vezes no NT. Chama a atenção que o pyle se usa em plural [pylai]. Porque os judeus admitiam 3 portas na cidade dos mortos, que corresponde ao Hades grego. Também podemos dizer que a maioria dos portões da cidade eram duplos com um espaço no meio para os guardas e os coletores de impostos. O Hades grego era o reino de uma ilha na nebulosa e subterrânea parte da terra, da qual era rei Aides [o invisível] ou Pluto [o rico]. Tanto bons como maus continuavam a existir como sombras em constante sede, nesse lugar tenebroso. Dentro do Hades, nesse mundo inferior [inferno] existia também um abismo chamado Tártaro, a região mais inferior da terra em que os malvados eram punidos. No judaísmo temos o Sheol do AT, que corresponderia ao Hades grego e a Gehena do NT, esta última identificada com o Tártaro. A essa expressão corresponde o Salmo 9, 14: Tu que me fazes subir das portas da morte. E ao Hades, região dos mortos , Atos 2, 27: Não deixarás a minha vida no Hades e 2, 31: Não foi deixada a vida dele [Cristo] no Hades, que as bíblias traduzem por morte ou região dos mortos. Como conclusão, podemos afirmar que a frase:  as portas do inferno não prevalecerão,  significa que a morte, o fim, jamais chegará a esta Igreja.

AS CHAVES: E dar-te-ei as chaves do Reino dos céus; portanto, se algo atares na terra, está atado nos céus e o que desatares sobre a terra estará desatado nos céus (19). Et tibi dabo claves regni caelorum et quodcumque ligaveris super terram erit ligatum in caelis et quodcumque solveris super terram erit solutum in caelis. Constituída a comunidade de Jesus como uma cidade com seus muros e portões próprios, só existe uma maneira de entrar: abrir as mesmas por meio de chaves, já que o assalto à mesma está descartado no parágrafo anterior [não prevalecerão]. Os levitas passavam a noite na casa de Deus, pois, a eles cabia guardá-la  e abri-la todas as manhãs (1 Cr 9, 27). Sobre o ombro do mordomo Eliacim, filho de Helcias, porá o Senhor Deus a chave da casa de Davi. Ele abrirá e ninguém fechará. Fechará e ninguém abrirá (Is 22, 22). Essa é a chave de Davi que está precisamente nas mãos do Filho do Homem do Apocalipse(3, 7). A similitude é tomada dos costumes da época. Ainda hoje os árabes carregam no ombro uma grande chave para indicar sua autoridade e potestade. A nenhum outro apóstolo foram dadas essas chaves que indicam o total domínio da Igreja. Como no parágrafo anterior, Pedro é singularmente favorecido, além de ser a rocha sobre a qual o fundamento da fé que é Cristo, edificará sua comunidade de crentes. Pedro terá as chaves para indicar quem deve ser incluído ou excluído. Estas chaves têm os seguintes significados: a) O chefe do palácio era quem recebia as chaves (Is 22, 22) e, portanto, era o dignatário de maior hierarquia. b) Se ligadas ao parágrafo posterior, as chaves servem par abrir e fechar, para admitir a entrada dos dignos e para expulsar os indignos. c) Mas também, seguindo o uso rabínico da época, as chaves eram o símbolo do ato de sentenciar questões religiosas como declarar lícita ou ilícita uma conduta. Concordam com esta interpretação as palavras de Jesus aos escribas: Ai de vós legistas, que tomastes as chaves do conhecimento; vós mesmos não entrastes e os que queriam entrar, vós os impedistes (Lc 11, 52). Os rabinos aplicavam a explicação da lei no sentido de declarar algo permitido ou proibido (Jo 21, 13-18). Agora serão Jesus e seus discípulos os que terão autoridade para representar o verdadeiro ensino. Mais: nesse caso o paralelo com as chaves indica que se trata de um verdadeiro poder e não de uma licença de ensino. É o poder que Mateus dá a comunidade na pessoa dos discípulos que têm de declarar quem é culpado de uma transgressão ou pecado, que justifica sua expulsão como membro da comum convivência. Na jurisprudência judaica da época, as chaves significam a faculdade que tinham os juízes de mandar para a prisão ou deixar livre um acusado. Poucos anos mais tarde, Rabi Neconia terminava seus sermões pedindo a Javé que não deixasse atado o que ele tinha desatado, nem desatado o que ele tinha atado; que não purificasse o que ele declarava impuro, nem tornasse impuro o que ele dissera ser puro. Em Mt 18, 18 este poder de excomungar um obstinado é dado, em termos gerais, à igreja, considerada como corpo jurídico, o que aqui é concedido em termos particulares a Pedro, o supremo pastor que deve governá-la em nome e com o amor de Jesus distribuído aos irmãos com dedicação (Jo 21,15-17 e 1 Pd 5,2).

COMENTÁRIOS: O texto é tão claro que os ortodoxos gregos  afirmam que, em suas dioceses, os bispos que confessam a verdadeira fé se integram em Pedro como sucessores e dele herdam o primado. Os evangélicos reconhecem a posição e a função privilegiada de Pedro nas origens da Igreja, mas não admitem sucessor e restringem os poderes à pessoa de Pedro. Os católicos fundamentam sua interpretação no versículo 18: A igreja é imortal, e seu fundamento deve perdurar sempre. Assim como ortodoxos e evangélicos admitem bispos presbíteros e diáconos, como sucessores dos primitivos homônimos, por que unicamente o princípio de unidade deve estar ausente, se é sobre essa rocha que foi fundada a Igreja? Com razão comentava um colega meu no sacerdócio: Nós, católicos, temos a certeza e o orgulho de sermos a única Igreja cristã, edificada sobre fundamento rochoso,  sobre Pedro (ver Mt 7,24). Daí que séculos mais tarde os latinos, com outro primado diferente de Pedro, afirmassem Ubi Petrus ibi Ecclesia Onde está Pedro aí está a Igreja. No caso de não levarmos o livre arbítrio da interpretação das escrituras ao extremo tão radical, que rejeitemos  toda outra autoridade que não seja a acrata da interpretação individual, não se entende por que se admitem sucessores dos apóstolos como são os bispos, rejeitando os sucessores de Pedro, cuja base escriturística é pelo menos tão evidente como a dos bispos, já que em Pedro está fundada a Igreja.

Pistas:

1) Deixemos a primeira pergunta – quem dizem os homens que sou eu?- Porque como está o mundo talvez a reposta muçulmana [um profeta anterior a Maomé] seja a mais próxima daquela dada pelos discípulos em Cesareia de Filipe. Vamos, pois, responder à segunda pergunta: E vós? Hoje não é suficiente a resposta de Pedro: O Messias, o esperado de Israel. A nossa deveria ser: O filho de Deus encarnado, que se entregou e morreu por mim (Gl 2, 20). Por isso, vivemos a vida presente pela fé no Filho de Deus.

2) Na verdade, essa imagem de Cristo que todos nós levamos dentro, desde o batismo, está, ou destroçada, ou escurecida. Como poderemos ser apóstolos se não sentimos sua presença dentro de nós? Como vender um produto do qual não estamos nós, os vendedores, convencidos?

3) A resposta de Jesus dada a Simão indica que a nossa resposta, admitindo seu senhorio total como Messias e como Filho de Deus, é também um dom do céu e que ela merece um makarismo especial. Não seremos os chefes, como Pedro, mas a Igreja estará fundada em nós e nas nossas famílias.

4) Além de Cristo, como figura central, temos Pedro, como figura destacada, por duas razões: por sua fé em Jesus e por sua lista de serviços como chefe da comunidade. A revelação de confessar Jesus como Messias Filho de Deus, é um dom do Pai e isso serve para todos nós. A chefia da comunidade eclesial é própria dele e continua em seus sucessores através dos séculos. A eles pertence o poder das chaves, jurídico e doutrinal, como o entende a Igreja católica. Não foi dado este poder aos outros discípulos e, portanto, devemos distingui-lo do poder evangelizador e de governo dado ao resto dos apóstolos.


EXCURSUS: NORMAS DA INTERPRETAÇÃO EVANGÉLICA

- A interpretação deve ser fácil, tirada do que é o evangelho: boa nova.

- Os evangelhos são uma condescendência, um beneplácito, uma gratuidade, um amor misericordioso de Deus para com os homens. Presença amorosa e gratuita de Deus na vida humana.
- Jesus é a face do Deus misericordioso que busca o pecador, que o acolhe e que não se importa com a moralidade ou com a ética humana, mas quer mostrar sua condescendência e beneplácito, como os anjos cantavam e os pastores ouviram no dia de natal: é o Deus da eudokias, dos homens a quem ele quer bem e quer salvar, porque os ama.

Interpretação errada do evangelho:

- Um chamado à ética e à moral em que se pede ao homem mais que uma predisposição, uma série de qualidades para poder ser amado por Deus.
- Só os bons se salvam. Como se Deus não pudesse salvar a quem quiser (Fará destas pedras filhos de Abraão).

Consequências:

- O evangelho é um apelo para que o homem descubra a face misericordiosa de Deus [=Cristo] e se entregue de um modo confiante e total nos braços do Pai como filho que é amado.
- O olhar com a lente da ética, transforma o homem num escravo ou jornaleiro:aquele age pelo temor, este pelo prêmio.
- O olhar com a lente da misericórdia, transforma o homem num filho que atua pelo amor.
- O pai ama o filho independentemente deste se mostrar bom ou mau. Só porque ele é seu filho e deve amá-lo e cuidar dele.
- Só através desta ótica ou lente é que encontraremos nos evangelhos a mensagem do Pai e com ela a alegria da boa nova e a esperança de um feliz encontro definitivo. Porque sabemos que estamos na mira de um Pai que nos ama de modo infinito por cima de qualquer fragilidade humana.


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23.06.2019
12º Domingo do Tempo Comum — ANO C
( VERDE, GLÓRIA, CREIO – IV SEMANA DO SALTÉRIO )
__ "E vós, quem dizeis que eu sou?" __

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

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Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Reunidos à mesa do Eterno Pai, celebramos a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. Conhecemos tal mistério mediante testemunho dos Apóstolos e, associando-nos a eles, seguimos compreendendo Jesus de modo progressivo. A liturgia de hoje O aponta como autêntico Messias. Sem desejar fama e poder, escolheu ser fiel ao Pai, tornando-se servo de todos até a morte.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Irmãos e irmãs, Deus nos concede uma grande graça: a de estarmos reunidos neste dia a Ele dedicado para celebrarmos juntos o memorial da morte e ressurreição do seu Filho Jesus. Nele e por Ele fomos salvos e libertos! Nele e por Ele queremos fazer de nossa vida uma oferta agradável ao Pai. Queremos seguir os passos de Jesus, aceitando o caminho da cruz que leva à ressurreição.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: Cristo tem uma identidade pessoal que salva e revela; e uma missão a cumprir. Para revelar sua identidade e cumprir sua missão, para salvar a verdade de sua vida, está ele disposto a tudo, até a perder a vida física. A decisão "incondicional" e absoluta de ser ele mesmo e cumprir a sua missão a "qualquer preço" é o ato supremo de fidelidade (obediência) a Deus.

Sintamos em nossos corações a alegria da Ressurreição e entoemos alegres cânticos ao Senhor!


(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (Zacarias 12,10-11;13,1): - "Naquele dia jorrará uma fonte para a casa de Deus e para os habitantes de Jerusalém, que apagará os seus pecados e suas impurezas."

SALMO RESPONSORIAL (Sl 62/63): - "A minha alma tem sede de vós, como a terra sedenta, ó meu Deus! "

SEGUNDA LEITURA (Gálatas 3,26-29): - "Todos vós que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo."

EVANGELHO (Lucas 9,18-24): - "Quem dizem que eu sou?"



Homilia do Diácono José da Cruz — 12º Domingo do Tempo Comum — ANO C

Que Jesus é o nosso? A quem seguimos realmente?

Parece estranho que naquela altura da caminhada, Jesus dirija a seus discípulos uma pergunta tão provocante “Quem sou eu para vocês?”... Tem-se a impressão de que, até ele ficou meio receoso de ir direto ao assunto, e primeiro perguntou a eles, quem o povo dizia que era ele, e quando o coitado do Pedro deu aquela resposta no “capricho”, Jesus parece ter sido “duro” dando um solene “cala boca”, exigindo que ele não contasse a ninguém, parece que queria guardar segredo sobre a sua pessoa e missão, Que problema havia, na resposta de Pedro?

Quando vamos à celebração da Palavra ou da santa Missa, quando recebemos algum sacramento, quando vivemos o nosso dia a dia, rezando em alguns momentos, trabalhando ou estudando, dirigindo no transito, conectados a internet, assistindo TV, em um estádio de futebol, em uma chácara ou na piscina, na praia ou no campo, nos desafios do trabalho pastoral ou no exercício de um ministério, será que a nossa conduta é coerente com aquilo que pensamos de Jesus?

Jesus não está preocupado com a sua imagem, ou conceito ou o discurso que se faz dele, mas quer saber qual a importância dele em nossa vida, nas decisões do dia a dia, em certas atitudes que somos obrigados a tomar, na vida em família, na comunidade, no trabalho ou na escola, quando estamos alegres ou tristes, quando estamos atarefados e com mil preocupações á cabeça, ou quando estamos tranquilos e em paz, quando estamos endividados ou quando pagamos todas as nossas contas, é aí que precisamos definir quem é ele em nossa vida, o que ele representa, ou a diferença que faz, crer ou não crer, viver a Fé ou ignorá-la, assumir ou não assumir o Batismo, ser igreja ou não ser de nada...

Ir sempre, vestir a camisa, ou ir de vez em quando e manter um pé atrás, sempre desconfiados com essa Igreja de Cristo, conduzida por homens. Note-se que a indagação é feita ao grupo e que podemos interpretar assim: qual é o Jesus de nossas comunidades e paróquias? Pois é aí que somos Igreja.

O discurso que se faz sobre Jesus é sempre muito bonito, certos pregadores conseguem arrancar lágrimas dos seus ouvintes. Mas... e depois... .o que muda ou o que fica? Na verdade, nesse 12º Domingo do tempo comum, estamos diante de dois modelos distintos, o Jesus da Pós Modernidade, que é um Jesus bem light, liberal, bem açucarado, sem muitas exigências, um Jesus que “pega leve” e vai minimizando ou relativizando a Lei do Senhor e os valores do evangelho, o caráter doutrinário em questões polêmicas como: pena de morte, aborto, do adultério e todas essas coisas que nos incomodam.

Um Jesus bem aprumado, olhos azuis, loiro, dois metros de altura, de um Jesus que pede uma conversão, que não precisa ser tão radical. Um Jesus que vira e mexe, faz algum milagre, chamando unicamente para si, a responsabilidade de fazer as mudanças acontecerem, se a coisa não anda e está emperrada, chama Jesus e está resolvido. Esse Jesus da Pós Modernidade faz um sucesso tremendo, lota templos, estoura a audiência, agrega multidões e acima de tudo, ajuda a encher os cofres dos espertalhões da Fé, que juram serem os emissários de Deus, podendo garantir ainda nesta vida, um cantinho no céu para os que forem fiéis seguidores desse “Jesus” idealizado pela Pós-modernidade.

O Jesus que se apresenta diante dos discípulos e diante de todos nós, neste evangelho do 12º Domingo do Tempo Comum, não é um Jesus de muito sucesso. Principalmente por que fala em sofrimento, padecimento, rejeição e morte, uma catástrofe para a Pós Modernidade, quem vai querer seguir um Jesus assim? Nós mesmos, que somos cristãos de “carteirinha”, quantas vezes, diante de um sofrimento iminente, não rezamos, pedindo para que Deus afaste de nós tal dissabor... Não é mesmo? Sofrimento e pós-modernidade, são palavras que não combinam.

E no final do evangelho, o que já era ruim, ficou ainda pior: “Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome a sua cruz de cada dia e siga-me, pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la, mas quem sacrificar a sua vida, por causa de mim, irá salva-la”. Com um discurso assim, as Igrejas irão esvaziar-se, e Jesus vai ficar falando sozinho, porque renúncia e desapego, também não combinam de forma alguma, com a pós-modernidade, que nos ensina a sempre ganhar, nunca perder!

Será que não existe aí uma alternativa? Um modo mais brando de se viver a Fé e frequentar a comunidade, sem que haja necessidade de encarar uma “cruz” no meio do caminho? Infelizmente nas palavras de Jesus não há atenuantes, ou aceitamos viver esses ensinamentos, ou então desistimos, tiramos o time de campo, enquanto ainda é tempo, mesmo porque, o Reino é uma proposta... “Se alguém quiser...”.

Ninguém precisa casar na igreja, batizar-se, fazer catequese, ser confirmado na Fé, confessar-se, receber a Eucaristia, receber o Sacramento da Ordem, ou a unção que nos fortalece na enfermidade, enfim, ninguém é obrigado a crer no Senhor Jesus e ser discípulo, e nem por isso Deus irá deixar de amar, aquele que assim agir. Trata-se de uma proposta, para quem quiser desinstalar o sistema em sua vida, contaminado pelo hacker do pecado, e reiniciar o processo, agora configurado com o homem novo Jesus Cristo, o primogênito de toda criatura.

Uma proposta revolucionária para homens e mulheres ousados, dispostos a transformar o mundo com o seu testemunho, porque tem forças suficientes na graça de Deus, mastigando os “freios” da pós-modernidade, libertando-se do cabresto e trilhando um caminho novo, fazendo uma história nova, exatamente nas pegadas de Jesus de Nazaré, Aquele que vai á frente das comunidades, mostrando a plenitude que aguarda todos os que vivem pela Fé, sem medo de Ser Feliz, passando pela “morte” que leva á Vida.

Deixo para as comunidades cristãs, essa pergunta que sempre me faço: Que Jesus é o nosso? Será que podemos anunciá-lo com toda firmeza e convicção, ou como Pedro, ouviremos dele um solene “cala a boca?” (12º Domingo do Tempo Comum – Lc 9, 18-24)

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Costa —12º Domingo do Tempo Comum — ANO C

Seleção ruinosa!

Há palavras da Sagrada Escritura que são muito agradáveis ao ouvido: “O Senhor é o meu pastor, nada me faltará” (Sal 22), “Vinde a mim, vós todos os que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei” (Mt 11,28), “Tudo posso naquele que me conforta” (Fl 4,13), “Tu, que habitas sob a proteção do Altíssimo, que moras à sombra do Onipotente (…)” (Sal 90). Outras, ao contrário, são menos agradáveis: “Não podeis servir a Deus e à riqueza” (Mt 6,24), “Afasta-te de mim, Satanás, porque teus sentimentos não são os de Deus, mas os dos homens” (Mc 8,33), “vai, vende tudo o que tens e dá-os aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me” (Mc 10,21). Poderíamos continuar fazendo uma lista, mas já é suficiente. Talvez, uma dessas palavras incômodas do Evangelho é a de hoje: renúncia. Jesus pede como exigência para segui-lo o renegar-se a si mesmo, tomar a cruz de cada dia, perder (doando) a vida pelo Reino (cfr. Lc 9,23-24).

Essa tendência de selecionar o que mais gostamos na Bíblia, deixando de lado o que nos incomoda, poderia aplicar-se à doutrina da Igreja, expressão fiel do Evangelho. Pode-se até aceitar que Deus é uno e trino, que Jesus Cristo é Salvador, que Maria é Mãe de Deus e sempre Virgem; mas a dificuldade se mostra quando se fala da doutrina da Igreja sobre o respeito à vida desde a sua concepção natural até o seu término natural, da doutrina católica sobre a castidade, ou ainda, da obrigatoriedade de participar da Missa todos os domingos e dias santos. Como é importante aceitar toda a doutrina cristã e influenciar na sociedade, desde o cargo profissional que se ocupa, para que haja um ambiente mais humano e cristão nesse mundo!

Fazer uma seleção dentro da Sagrada Escritura e da Doutrina da Igreja não está bem! Seguir a Cristo é uma decisão com muitas conseqüências e que conforma toda a existência. Nós não podemos criar o nosso próprio código doutrinal e ético e depois apresentá-lo como se fosse doutrina de Cristo e de sua Igreja. Não! Ou se aceita ou não se aceita!

Outra coisa bem diferente é dispor-se a caminhar com Cristo aceitando tudo o que ele pede, mas, ao mesmo tempo, encontrar dificuldades à hora de realizar essa doutrina na própria vida. Ter dificuldades, e até mesmo pecar, é a pura realidade, dura realidade, do ser humano nesta terra. No entanto, se depois de um pecado seja ele qual for, nos arrependemos de coração, procuramos fazer uma boa confissão e um bom propósito de lutar para ser santos, para agradar o nosso bom Deus, fiquemos tranqüilos. Isso não é hipocrisia, é simplesmente o conhecimento de si mesmo unido à confiança no amor e no perdão de Deus. O que não pode acontecer é que por não conseguirmos fazer as coisas bem, digamos que o bem está mal e que o mal está bem.

Há um ditado que diz que quem não vive como pensa, acaba pensando como vive. Que Deus nos livre dessa ruptura nas nossas vidas. É preciso ser coerentes! A partir do momento que decidimos seguir a Cristo, aceitemos tudo o que ele nos propõe. Digamos-lhe que é difícil e que cairemos se ele não nos ajudar. Jesus nos entenderá. Não podemos seguir a Cristo mantendo as nossas próprias idéias, quando essas são errôneas. Além do mais, Jesus Cristo não é uma idéia, é uma Pessoa.

Isso pode ser duro para escutar e para pregar no mundo atual, mas é preciso acreditar que as pessoas desejam a verdade, o bem e a autêntica beleza. Jesus Cristo não muda a sua doutrina! Quando Jesus falou da Eucaristia, os seus ouvintes acharam que era uma doutrina muito dura e inadmissível. Qual foi a resposta de Jesus? Não retirou nenhuma só letra daquilo que tinha dito (cfr. Jo 6,60-67). A Igreja não pode falsificar o Evangelho porque nós somos fracos e nem sempre conseguimos vivê-lo, é o Evangelho quem tem que fortalecer-nos e modificar-nos.

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético — XII Domingo do Tempo Comum — ANO C
(Extraído do site Presbíteros - Elaborado pelo Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

Epístola (Gl 3,26-29)

INTRODUÇÃO: Ser filho de Abraão era a carta de entrada nas promessas e, portanto, na felicidade de Deus como salvos e prediletos de Jahveh (Mt 3, 9). Mas essa filiação era de carne e sangue (Jo 1, 13) da qual estavam logicamente excluídos os outros povos. Mas Paulo recebe uma revelação do mistério dos novos tempos (Rm 11, 25), por meio do qual Deus quis renovar todas as coisas em Cristo; e, através do Espírito, criar um novo povo que no novo Adão tem sua origem e filiação, por meio da ressurreição dos mortos nEle iniciada (1 Cor 15, 22).

A FÉ: Porque todos sois filhos de Deus por meio da fé em Cristo Jesus (26). Omnes enim filii Dei estis per fidem in Christo Iesu. Paulo fala só da fé; mas, na realidade, Jesus, em Marcos, também acrescenta o batismo: Quem crer e for batizado será salvo; porém, quem não crer, será condenado (Mc 16, 16). Jesus na sua conversa com Nicodemos dirá: Em verdade, em verdade te digo que se  alguém não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus (Lc 3, 3). E explicará como pode ser esse nascimento: da água e do Espírito (Jo 3, 5). Explicava um sacerdote a uma pergunta de como era possível nascer de novo, dizendo: o primeiro nascimento é da carne e sangue, pelo qual somos filhos de um homem e uma mulher. Porém nascemos como filhos de Deus no batismo: na água, como peixes, somos imersos no Espírito de Deus que se comunica; e assim nascemos como filhos de Deus, num nascimento espiritual que também comunica seus dons ao nosso corpo por meio do qual somos destinados à ressurreição do mesmo e a uma vida eterna, que compartiremos com a vida divina, já iniciada em nós pelo batismo. Do ponto de vista divino, a nova vida é pura graça, sem mérito nosso, mas de Cristo. Do ponto de vista de cada homem, tem como base a fé, a crença em Jesus como Filho de Deus, que vai acompanhada de uma sincera metanoia ou conversão quando adulto: Jesus iniciou sua pregação dizendo: O reino de Deus está próximo, arrependei-vos e crede no evangelho (Mc 1.15). Portanto, Paulo está certo quando afirma que por fé nos tornamos filhos de Deus.

REVESTIDOS DE CRISTO: Porque quando fostes batizados em Cristo, fostes revestidos de Cristo (27). Quicumque enim in Christo baptizati estis Christum induistis. Assim como o Verbo se revestiu da humanidade, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homem, reconhecido em figura humana (Fp 2, 7-8), no batismo o homem se reveste de Cristo, como repete Paulo em Rm 13, 14, do novo homem, criado segundo Deus em justiça [dikaoisynë] e santidade [osiotës] (Ef 4, 24). Dikaiosyne é a falta de pecado e osiotës é a sagração que torna uma coisa divina, por apropriação da mesma para o culto de Deus. Mas esse revestimento tem, além da ação divina purificadora e santificadora, uma sinergia humana, que Paulo declara em Rm 13, 12 : revesti-vos da armadura da luz, que em 1 Ts 5, 8 explica: a couraça da fé e do amor, e o capacete da esperança. São as três virtudes essenciais que recebem o nome de teologais.

IGUALDADE CRISTÃ: Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há varão nem fêmea: pois todos vós sois um em Cristo Jesus (28). Non est Iudaeus neque Graecus non est servus neque liber non est masculus neque femina omnes enim vos unum estis in Christo Iesu. Se somente a fé é a que é a herdeira das promessas, toda distinção de um outro nascimento ou de uma classe social é inútil. Judeu ou grego, tanto faz. Escravo ou livre, é igual; varão ou mulher, não faz diferença. Todos podem ser filhos de Deus e herdeiros das promessas, porque a todos a fé unifica em Cristo. Como membros desse Cristo total, ou de seu pleroma [de seu ser completo ou pleno], nele enxertados, temos o direito a sua herança fundamental: glorificação do espírito e ressurreição do corpo para uma vida plena com Deus (Ef 1, 18).

A PROMESSA: Pois se vós [sois] de Cristo, ora, sois esperma de Abraão e segundo promessa, herdeiros (29). Si autem vos Christi ergo Abrahae semen estis secundum promissionem heredes. Paulo é um judeu convertido, que não renega de sua condição de filho de Abraão e que acredita firmemente na palavra de Deus como garantia total. Se Jahveh fez uma promessa ela cumprir-se-á em sua totalidade. Paulo o demonstra por meio de um silogismo correto: Abraão foi considerado pai por causa de sua fé e não por causa do sêmen material. Logo os filhos de Abraão o são também porque são dignos dele pela fé que o justificou e que agora os justifica a eles. A fé que antigamente era devida à palavra de Jahveh, agora tem sua razão de ser em Cristo Jesus, como dirá este em Jo 8. 56: Abraão alegrou-se por ver o meu dia, viu-o e regozijou-se. A herança não é qualquer uma, mas é a herança de Deus que Paulo chama de herança dos consagrados na luz [essência divina] (Cl 1, 12). Desta herança temos dois componentes claros: só os agioi [os que a Deus pertencem] a obterão e serão na luz [en tö föti] que é a descrição da essência divina, como vemos em Lc 16, 8 onde chama esses escolhidos filhos da luz. Em Jo 1, 4 vemos como a vida se confunde com a luz que é Cristo (Jo 8, 12). E assim conformes à imagem do seu Filho, para que este seja o primogênito entre muitos irmãos. Se a fé nos une, como membros, ao corpo de Cristo, a tribulação e a cruz, nos fazem co-herdeiros, se com ele sofremos para sermos com ele glorificados (Rm 8, 17). De modo que viver e morrer para Paulo é fazê-lo em Cristo (Gl 2, 20 e Fp 1, 21).

Evangelho (Lc 9, 18-24)

A CONFISSÃO DE PEDRO. PREDIÇÃO DA PAIXÃO

LUGARES PARALELOS: Mt 16, 13-20 e Mc 8, 27-29. Este último é, sem dúvida, a base do relato de Lucas um pouco mais elaborado que Marcos. Também podemos tomar como base da liderança petrina o trecho de Jo 21, 13-18, mas vamos explicar o que Lucas quer nos transmitir com suas palavras.

E SUCEDEU QUE: E sucedeu que ao orar ele sozinho, os discípulos estavam com ele e perguntou-lhes: Quem dizem as turbas que sou ? (18). Et factum est cum solus esset orans erant cum illo et discipuli et interrogavit illos dicens quem me dicunt esse turbae. É uma maneira típica de Lucas que a emprega em várias ocasiões para iniciar um novo período. Ele encontrava-se orando à sós. A frase determina os acontecimentos, como a revelação de Pedro de que era o Messias e a de Jesus de que esse Messias não era um vencedor, mas um derrotado, como na continuação declara a seus discípulos. Lucas, com isso, evita o local e circunstâncias como Cesareia de Filipe distante 40 km de Betsaida (dois dias de caminho desta última), que não era conhecida pelos seus leitores, e a proximidade do templo de Augusto, de mármore branco edificado sobre uma rocha que dominava a cidade e a fértil planície da qual era capital a antiga Pâneas, porque perto da cidade existia  uma gruta dedicada desde antigamente ao deus Pan ou Panion. Herodes, o Grande, havia construído o templo e Filipe a cidade do seu nome como capital de sua tetrarquia. A PERGUNTA: Era uma pergunta diretamente conectada com a oração de Jesus. Era o momento em que ele tinha decidido subir a Jerusalém ( Mt 16, 21) e em que os discípulos esperavam a restauração do Reino de modo político-militar. Jesus pergunta sobre a opinião do povo.

RESPOSTAS: Tendo, pois, respondido, disseram: João o Batista. Outros, porém Elias; mas outros que um dos profetas antigos despertou (19). At illi responderunt et dixerunt Iohannem Baptistam alii autem Heliam alii quia propheta unus de prioribus surrexit. As respostas dos discípulos sobre as opiniões do povo coincidem com o pensar de Jesus como um profeta. Na realidade, a reposta da multidão era a mesma que Lucas traz em 9, 7-8: João Batista, Elias ou um antigo profeta, todos redivivos. Também João (6, 14-21) nos oferece a mesma opinião, pois o povo exclama: Este é verdadeiramente o profeta que deve vir ao mundo. Por que unicamente profeta e este redivivo? Tentaremos responder, seguindo os diversos comentaristas. A) O Batista: A pregação de Jesus e seus discípulos era a mesma: Arrependei-vos, o reino de Deus está próximo (Mt 3,2), e oferecia o batismo que também Jesus e seus discípulos praticavam (Jo 3, 22-23; 26). Além disto, fisicamente Jesus parecia-se com João por serem ambos parentes próximos (Lc 1, 36). Da morte de João por Herodes poucos sabiam por ser uma espécie de segredo de Estado, e ter sido realizada, segundo Flávio Josefo, em Maqueronte, território da Pereia na Transjordânia do lado leste do mar Morto. É por isso que foi o próprio Herodes quem afirma ser Jesus o Batista redivivo. B) ELIAS: O povo afirmava que um novo profeta viria antes do Messias; e como a tradição afirmava que esse profeta seria Elias, pois este não tinha morrido, mas fora arrebatado ao céu no meio da tempestade em um carro de fogo, acreditava-se que ele viesse; pois a Escritura dizia: Confortará muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. E de João, o Batista,  afirmará Lucas que  caminhará na sua frente com o espírito e o poder de Elias a reconduzir o coração dos pais aos filhos e os rebeldes à prudência dos justos [corretos] para preparar ao Senhor um povo bem disposto (Lc 1, 16). Pela mesma razão, os enviados oficiais de Jerusalém perguntam a João se ele era Elias, o que ele nega; ou o profeta, ao qual ele responde: Não (Jo 1, 21). Segundo a tradição, Elias escreveu uma carta, depois de ser arrebatado (2 Cr 21, 12), dirigida ao rei Jorão de Judá por sua conduta idolátrica, já que tinha como esposa uma filha do ímpio rei Acab de Israel. Supunha-se, pois, que Elias voltaria antes do dia do Senhor, o dia da vingança e do castigo dos ímpios, dia da ira que está por vir (Jo 3, 7). Em Malaquias 3, 1 lemos: Eu vos envio meu mensageiro. Ele aplainará o caminho diante de mim ( ver Mc 1, 2 e Mt 11, 14). Por isso, numa data posterior ao livro [após o ano 450 aC], identifica a este mensageiro ou anjo, com Elias (seria no acrescentado capítulo 4, verso 5, que não está no canônico de Malaquias). Na sua complicada alegoria animalística da História o livro apócrifo de Henoc (século II aC), descreve a aparição de Elias, antes do juízo e da aparição do grande cordeiro apocalíptico. Isto é importante visto que João, O Batista, fala do Cordeiro de Deus (Jo 1, 29). Em Eclo 48,10 temos outra referência do século II aC : Tu que fostes designado nas censuras para os tempos a vir , para aplacar a cólera antes que ela se desencadeie, reconduzir o coração do pai para o filho (Lc 1,17). C) O PROFETA: Vistos os milagres que Jesus operava, os contemporâneos de Jesus pensavam que se não fosse Elias, que em vida realizou muitos e notáveis, devia ser um profeta redivivo [aneste=despertado], pois a profecia tinha acabado e não era necessária nos tempos messiânicos. Mateus e Marcos falam também de um dos profetas, sem o qualificativo de despertado ou revivido, sem chamá-lo de antigo. Os judeus distinguiam entre antigos profetas Josué, Juízes, Samuel, Reis e os últimos profetas, a começar por Isaías e terminar por Malaquias. A que profeta se referem os discípulos como porta-voz da vox populi? Talvez Samuel que já nos tempos de Saul se mostrou redivivo em 1 Sm 28, 12 diante da médium de Endor?. Ou talvez Moisés, pois a ele comparam a atuação de Jesus, como vemos em João 5, 45-46 e 6,31-32. Na realidade os enviados oficiais perguntam se João não era o Profeta (como conhecida personagem, esperada nos tempos messiânicos) de Dt 18, 15-18.  Javé disse a Moisés:  um profeta como tu suscitarei do meio de teus irmãos. Por isso em 1 Mc 4, 46 aguardavam a vinda de um profeta que se pronunciasse a respeito. Dos essênios de Qumrã sabemos que esperavam um profeta em passagens referentes ao triunfo escatológico sobre seus inimigos. Em At 3, 22 este profeta semelhante a Moisés que deveria ser escutado em tudo era o próprio Jesus, coisa que o povo admitiu após a multiplicação dos pães (6, 14) e na festa dos Tabernáculos em Jerusalém (7, 40). Como uma nota antes de prosseguir, devemos fazer um pequeno comentário a estes dois versículos de João: indicam uma posição de ideias muito anteriores à data da redação final do evangelho. Dá para refletir um pouco sobre posturas preconcebidas de uma datação tardia do mesmo. Outro dos profetas que se esperavam na época era Jeremias, somente citado por Marcos porque como vemos em 2 Mc 2, 4-7 temos Jeremias escondendo a arca e o altar dos perfumes na montanha de Moisés para afirmar: este lugar ficará desconhecido até que Deus tenha consumado a reunião de seu povo e lhe haja manifestado a sua misericórdia. Como vemos a resposta dos apóstolos era um reflexo da voz comum do povo.

E VÓS: então lhes disse; quem me dizeis que sou? Respondendo Pedro disse: O Cristo de (o) Deus (20). Dixit autem illis vos autem quem me esse dicitis respondens Simon Petrus dixit Christum Dei. Agora a pergunta é dirigida aos apóstolos. Que ideia eles têm dele, o mestre que durante longo tempo foi seu guia, com quem eles conviviam? Em qual dessas categorias estava delineado seu Jesus? PEDRO: Ele toma a palavra como porta-voz do colégio apostólico para responder: O Cristo o de Deus. A frase em Lucas tem origem em Lc 2, 26 quando o velho Simeão é levado pelo Espírito a ver o Cristo (do) Senhor [=Javé]. A frase pode ser melhor traduzida em inglês: The Lord´Christ, pois em grego não tem artigo a palavra Senhor. É uma tradução literal dos Targuns que falavam do Messias como o Messiah [ungido] de Javé., pois em Isaías 4, 2 traduz: Naquele tempo o Messiah de Javé será para gozo e glória. E em Is 28, 5 o Targum diz: Nesse tempo o Messiah do Senhor, de todos os hóspedes será uma coroa de júbilo e um diadema de louvor para o resto do povo. Podemos comparar estes dois comentários com Lc 2, 32 em que Simeão fala do menino Jesus como sendo a glória de teu povo Israel. O CRISTO DO DEUS: A palavra  Christós significa ungido, derivada do verbo Chrio ungir ou untar. Na realidade é uma tradução literal do Messiah aramaico ou Massiah hebraico. Originariamente parece que era uma referência ao Há Kohen Há Massiah [o sacerdote, o ungido] ou sumo sacerdote  em cuja cabeça tinha sido derramado óleo, quando consagrado como mestre espiritual da comunidade. Daí que o Messias era alguém investido por Deus de uma responsabilidade especial. Nos tempos de Jesus existia a ideia de que um descendente da casa de Davi seria o Messias que redimiria a humanidade, tradição que provinha desde os tempos de Isaías ( cap 7). Essa tradição encarava o Messias não como um ser divino, mas apenas como um homem, um grande chefe, reformador social, que iniciaria uma era de paz perfeita. Atualmente a teologia liberal judaica encara o Messias em sentido comunitário, como a própria  humanidade que, numa fase de sua futura evolução, chegará à idade messiânica  em que uma ordem de paz social, justiça e liberdade será estabelecida. Para esta nova era, a missão do povo judaico, atuando em seu conjunto como Messias, é de vital importância, assumindo o papel da maior influência na educação moral da humanidade, promovendo desta forma a consecução dessa nova ordem social que pode assim ser chamada de Idade Messiânica. Mas pelo que contemplamos na História atual,  nada mais oposto a essa visão; porque o atual Israel é a fonte da violência que desestabiliza todo o Oriente Meio. Em tempos de Jesus, esperava-se, porém, um personagem, um rei, descendente da casa de Davi, para instaurar essa era messiânica.

A RESPOSTA EM MARCOS E MATEUS: A resposta de Lucas tem um precedente em Marcos: Tu és o Cristo (8, 29). Lucas acrescenta do Deus. O artigo determinado distingue o único, o verdadeiro Deus, ou o vivente,  como veremos em Mateus,  para distinguí-lo dos outros deuses, que não eram nem verdadeiros, nem tinham vida. A resposta em Mateus é: Tu és o Cristo, o Filho do Deus, o vivente, sendo que o vivente refere-se a Deus. A reposta original parece ser a de Marcos. Mas Mateus introduz matizes importantes que explicam o significado de Cristo em termos cristãos. Filho de Deus era o grito dos endemoninhados (Mc 3, 12).Era um título messiânico correspondente ao de rei. Assim o reconheciam os inimigos ao vê-lo na cruz (Mt 27, 40).Foi o reconhecimento dado pelo centurião após a morte de Jesus (Mc 15, 39). A mesma ideia encerra o título dado por Pedro em Jo 6, 69 Santo de Deus. A palavra Santo (ágios) significa consagrado. O santo atual seria o dikaios em grego que é traduzido por justo, aquele que cumpre perfeitamente os preceitos e observâncias da lei (Lc  1, 6). Importante é que Pedro introduz uma nova realidade na opinião do povo. De um profeta, ele passa a ver em Jesus o Messias esperado. Claro que Pedro pensa num Messias político-militar, vencedor dos inimigos de Israel e libertador de um povo que se achava no momento submetido, como Zacarias canta no seu Magnificat, porque a seu povo visitou e libertou e fez surgir um poderoso salvador na casa de Davi…de conceder-nos que libertos do inimigo a Ele sirvamos sem temor em santidade e justiça. Temos pois, uma resposta clara de Pedro que Jesus aceita no sentido literal: Ele é o Messias, seja o título dado em forma de Ungido (Cristo), de Filho de Deus, ou de Consagrado de Deus.

O SILÊNCIO: Porém ele, tendo-os advertidos, ordenou que não dissessem isso (21). at ille increpans illos praecepit ne cui dicerent hoc. A atitude de Jesus perante a resposta de Pedro é uma ordem cominatória e severa de guardar silêncio. São os três sinóticos que confirmam esta proibição. O silêncio era necessário para não tomar como missão política o que era uma missão transcendental de ordem religiosa. De libertação do pecado e restituição da paz com Deus, em que o triunfo estava vinculado com a maior derrota, e a vitória da vida na morte do triunfador. Por isso Jesus explica claramente a sua missão como Messias, em seguida.

O ANÚNCIO: Dizendo que é preciso que o Filho do Homem padeça muito, seja reprovado pelos anciãos e chefes sacerdotais e escribas e seja morto e ressurja no terceiro dia (22). Dicens quia oportet Filium hominis multa pati et reprobari a senioribus et principibus sacerdotum et scribis et occidi et tertia die resurgere. Pela primeira vez, das três vezes, Jesus fala do futuro que lhe espera em Jerusalém. É um anúncio que prepara os discípulos – embora de modo inútil – para acontecimentos futuros desagradáveis, se bem que terminem numa morte aparente e numa ressurreição triunfal. Desde então Ele será o Ressuscitado e não o Crucificado. Os detalhes deste anúncio são importantes e merecem nossa consideração. É NECESSÁRIO: O verbo Dei denota uma necessidade moral que depende em grande parte de um mandato divino. Os três sinóticos usam a mesma palavra em grego e são traduzidos ao latim pela mesma palavra, oportet. Jesus fala de uma obrigação moral que para ele era uma necessidade para cumprir os planos divinos e assim também ser exaltado como Senhor e Cristo (At 2, 36). FILHO DO HOMEM: A frase Filho do Homem significa eu, ou melhor, a gente, e por apropriação de Dn 7, 13-14 o futuro rei, cujo reino será eterno. A esta visão apela Jesus perante o Sinédrio em Mc 14, 53. Na realidade com essa frase Jesus indica a sua natureza humana dentro da  pessoa do Verbo, ou seja, o homem Jesus de Nazaré, tal e como o viam seus contemporâneos. No lugar paralelo, Mateus fala ele e Marcos, a quem segue Lucas mantém a mesma palavra Filho do Homem. O SINÉDRIO: A reunião de Presbíteros, Chefes sacerdotais [sumos sacerdotes no latim de Mc] e Gramáticos [escribas no latim de Mc e Lc], não deixa lugar a dúvidas. É o grande Sinédrio de Jerusalém. É nas mãos deles que Jesus padecerá muito, será rejeitado e será morto. Mas ao terceiro dia ressuscitará. Só temos uma citação no AT em Sl 118, 22: A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular, palavras que Jesus cita em Mateus 21, 42.

A CRUZ: Pois dizia a todos se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a cruz de cada dia e me siga (23). Dicebat autem ad omnes si quis vult post me venire abneget se ipsum et tollat crucem suam cotidie et sequatur me. A palavra está precedida da negação a si mesmo. A cruz está ligada não unicamente ao Cristo como fundamento de sua vitória, mas a todo discípulo que deve carregá-la diariamente e não no fim da vida. Qual é o significado destas palavras? A Negação era dizer não;  e esse verbo arneisthai é usado para uma negação cristã que se assemelha ao desprezo e oposição experimentados por Jesus no seu ministério. A palavra implica a negação de toda classe de valores ou opções pessoais, não tanto de condutas pecaminosas ou viciosas. É semelhante à conduta de Jesus que se esvaziou a si mesmo e assumiu a condição de escravo…humilhou-se e foi obediente (Fl 2, 7-8), indicando uma escravidão voluntária aos planos divinos, que pressupõe uma renúncia total aos valores considerados na época, fundamentais para uma vida qualitativamente digna e feliz, como a formavam a comida, a bebida, o sexo, ou a riqueza, o apreço, o poder, a estima. Como afirma Paulo não podemos ter como máxima o comamos e bebamos, pois amanhã morreremos (1Cor,15, 32). É bom ler a passagem do apóstolo em que descreve a vida de um verdadeiro mensageiro de Cristo em 2 Cor 6, 4-10. Concorda com a visão de Jesus de quem é verdadeiro discípulo. Tomar a cruz cada dia. Estas palavras só aparecem em Lucas e neste lugar, sendo que alguns manuscritos omitem o cada dia. A palavra grega staurós significa poste e crucificar teria o sentido inicial de empalar. Porém na época de Jesus a cruz significava pendurar no madeiro [stipes] vertical, ao qual cruzava-se o patibulum [o patíbulo ou madeiro horizontal] que era carregado pelo réu no decurso de uma procissão em que o principal processado precedia o resto dos condenados. A este cortejo se refere Jesus quando diz siga-me. A cruz é, pois, o modelo fundamental em que a vida do discípulo deve pautar-se como guia e modelo de conduta.

PERDER A VIDA: Pois quem quiser salvar sua vida, perdê-la-á; mas quem perder sua vida por minha causa, esse a salvará (24). Qui enim voluerit animam suam salvam facere perdet illam nam qui perdiderit animam suam propter me salvam faciet illam O psiché Grego que a Vulgata traduz por anima [alma] na realidade significa o alento de vida e a vida mesma. Salvar  ou perder a psiché seria morrer ou viver. Daí que as traduções modernas traduzem por vida. O que Jesus apresentava como ideal era praticamente uma morte virtual e por isso o Mestre termina dizendo que, à semelhança dEle mesmo, a vida, aparentemente perdida, será definitivamente recuperada pelos discípulos do Senhor.

PISTAS:

São duas as questões que a meditação deste evangelho suscitam:

1ª) Jesus também pergunta a cada um de nós sobre o que Ele representa em nossa vida. Temos dado uma resposta afirmativa que concorda com a de Pedro: Ele é o Cristo Senhor, como dirá Pedro em sua primeira mensagem aos judeus.

2ª) Jesus indica clara e terminantemente qual é a verdadeira disposição de quem quer ser seu discípulo. As duas perguntas requerem uma resposta valente e decidida. O cardeal Dario Castrillón, prefeito da Congregação do Clero escreve que o que se necessita para alcançar a felicidade não é uma vida cômoda , mas um coração enamorado como o de Cristo. E o amor é entrega, quanto mais absoluta, maior amor temos pela pessoa amada.


EXCURSUS: NORMAS DA INTERPRETAÇÃO EVANGÉLICA

- A interpretação deve ser fácil, tirada do que é o evangelho: boa nova.

- Os evangelhos são uma condescendência, um beneplácito, uma gratuidade, um amor misericordioso de Deus para com os homens. Presença amorosa e gratuita de Deus na vida humana.
- Jesus é a face do Deus misericordioso que busca o pecador, que o acolhe e que não se importa com a moralidade ou com a ética humana, mas quer mostrar sua condescendência e beneplácito, como os anjos cantavam e os pastores ouviram no dia de natal: é o Deus da eudokias, dos homens a quem ele quer bem e quer salvar, porque os ama.

Interpretação errada do evangelho:

- Um chamado à ética e à moral em que se pede ao homem mais que uma predisposição, uma série de qualidades para poder ser amado por Deus.
- Só os bons se salvam. Como se Deus não pudesse salvar a quem quiser (Fará destas pedras filhos de Abraão).

Consequências:

- O evangelho é um apelo para que o homem descubra a face misericordiosa de Deus [=Cristo] e se entregue de um modo confiante e total nos braços do Pai como filho que é amado.
- O olhar com a lente da ética, transforma o homem num escravo ou jornaleiro:aquele age pelo temor, este pelo prêmio.
- O olhar com a lente da misericórdia, transforma o homem num filho que atua pelo amor.
- O pai ama o filho independentemente deste se mostrar bom ou mau. Só porque ele é seu filho e deve amá-lo e cuidar dele.
- Só através desta ótica ou lente é que encontraremos nos evangelhos a mensagem do Pai e com ela a alegria da boa nova e a esperança de um feliz encontro definitivo. Porque sabemos que estamos na mira de um Pai que nos ama de modo infinito por cima de qualquer fragilidade humana.


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QUE DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje! Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

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