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Caríssimos Irmãos e Irmãs Religiosas, Sacerdotes, Diáconos, Catequistas, Agentes de Pastorais, Ministros e Ministras, Leigos e todas as pessoas envolvidas no trabalho de evangelização:

ATENÇÃO: Não guardamos arquivos dessa página. Toda semana ela é substituída e atualizada. Quem desejar arquivar o que está publicado aqui deverá imprimir ou salvar a página em seus arquivos.

Aqui no site NPDBRASIL, normalmente nós utilizamos como fonte de informação o Roteiro Homilético do site PRESBÍTEROS - Um site de referência para o Clero Católico e também o Roteiro Homilético da Editora Paulus, publicado na revista Vid Pastoral, pois queremos ajudar na evangelização de todos. Deus abençoe a todos vocês que nos motivam a superar todas as dificuldades que surgem em nossos caminhos a serviço de Deus Pai Todo Poderoso e Nosso Senhor Jesus Cristo.

Visitem o site PRESBÍTEROS - http://www.presbiteros.com.br, com visual moderno e excelente conteúdo de formação evangelizadora. Toda pessoa envolvida com o serviço de evangelização deve visitar este site com frequência.

Também usamos parte das páginas de Liturgia do site dos Padres Dehonianos de Portugal: http://www.dehonianos.org o qual aconselhamos visitar também para encontrar excelente material de estudos.



Revista VIDA PASTORAL: Conheça e utilize esta maravilhosa revista nos trabalhos de evangelização em sua Paróquia ou Pastoral. Você pode ler a revista na versão digital mais abaixo ou a versão on-line pelo link: http://vidapastoral.com.br/ escolhendo os temas que deseja ler ou estudar. Você tem ainda a opção de baixar a revista para seu computador, caso não possa estar conectado o tempo todo. A revista Vida Pastoral contém instruções e orientações extremamente valiosas para o trabalho de evangelização e compreensão da Palavra de Deus!

Veja também mais abaixo como assinar os Periódicos da Paulus: O DOMINGO, O DOMINGO - PALAVRA e outros, além de muitas ofertas de excelentes livros.

Ao visitar o site da Paulus, procure também pelos outros periódicos O DOMINGO - CRIANÇAS, LITURGIA DIÁRIA e LITURGIA DIÁRIA DAS HORAS. Aproveite e leia também os excelentes artigos colocados à sua disposição. Faça do seu momento à frente do computador o seu tempo para enriquecer seus conhecimentos e desenvolver melhor sua espiritualidade. Não permita deixar-se idiotizar pela maioria do conteúdo perverso que se permeia por aí... Lembre-se: Vigiai e Orai!

Uma outra sugestão para que você possa entender melhor os tempos litúrgicos é visitar a página de Liturgia do site da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes - http://www.pnslourdes.com.br/formacao/formacao-liturgica/ ou se preferir, pode ler ou baixar um documento especial com explicação do Ano Litúrgico, acesse o link: http://www.pnslourdes.com.br/arquivos/ANO_LITURGICO.pdf.

Desejamos a todos uma feliz e santa semana, na Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Dermeval Neves
NPDBRASIL - UMA COMUNIDADE A SERVIÇO DA EVANGELIZAÇÃO


26.09.2021
26º Domingo do Tempo Comum — ANO B
DIA DA BÍBLIA
TEMPO DE AMAR E LER A BÍBLIA - SETEMBRO: MÊS DA BÍBLIA
( VERDE, GLÓRIA, CREIO – II SEMANA DO SALTÉRIO )
__ "Quem não é contra nós é a nosso favor" __

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

Clique aqui para ver ou baixar o PPS.

(antes de clicar - desligue o som desta página clicando no player acima do menu à direita)

CLIQUE AQUI PARA VER O ROTEIRO HOMILÉTICO DO DOMINGO ANTERIOR

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Deus age no meio do povo de diferentes meios e utilizando pessoas que nem sempre pertencem à comunidade. Tantas personalidades passaram pela história e são sinais dos valores do Evangelho em seus contextos. O Senhor nos ensina a acolher sem ciúmes ou medo, pois são também eles, iluminados pelo Espírito Santo.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Irmãos e irmãs, este nosso encontro dominical com o Senhor nos faz experimentar de modo todo especial seu amor por nós. Estando aqui reunidos em sua Casa, o Senhor nos oferece o alimento de sua Palavra e de seu Corpo e Sangue para sairmos daqui mais dispostos para dar testemunho de nossa fé na vitória de Cristo sobre tudo aquilo que nos mantém escravos do pecado e da morte. Intensifiquemos nossas orações pelo Sínodo dos Bispos para que dê frutos para toda a Igreja.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: Hoje, em todo o Brasil, comemoramos o dia da Bíblia. Ela é o livro sagrado por excelência, porque contém a Palavra de Deus. É nela que estão as mais belas orações, inspiradas por Deus. É dela que tiramos as lições para nossa vida e para transmiti-las aos nossos filhos. Ela é a fonte de nossa fé. É nela que encontramos os fundamentos de nossa Igreja. Recebemos os sacramentos porque a Bíblia nos fala deles. As leituras de hoje nos ensinam que muitos são os carismas que Deus distribuiu entre os homens e que devem ser postos a serviço, para tornar Deus conhecido de todos. Rezemos nesta Eucaristia para que o Senhor faça descer sobre nós a força do Espírito Santo, a fim de que possamos servir a Deus, aos nosso irmãos e irmãs e à Santa Igreja, segundo a vontade do Pai.

Sentindo em nossos corações a alegria do Amor ao Próximo e meditemos profundamente a liturgia de hoje!


ATENÇÃO: Se desejar, você pode baixar o folheto desta missa em:

Folheto PULSANDINHO (Diocese de Apucarana-PR):
http://diocesedeapucarana.com.br/portal/userfiles/pulsandinho/26-de-setembro-de-2021---26-tc.pdf

Folheto "O POVO DE DEUS" (Arquidiocese de São Paulo):
http://www.arquisp.org.br/sites/default/files/folheto_povo_deus/ano-45-b-53-26o-domingo-do-tempo-comum.pdf


TEMA
SER DISCÍPULO SEM RIVALIDADE

Créditos: Utilizamos aqui parte do texto da Revista Vida Pastoral da Editora Paulus (clique aqui para acessar a página da revista no site da Paulus- A autoria do Roteiro Homilético da Paulus pertence aos diversos renomados escritores e estudiosos da Palavra de Deus que prestam serviços à Editora. Visitem a página da Revista Vida Pastoral e acompanhem os diversos temas ali publicados.

Introdução da Revista Vida Pastoral

Seguir Jesus de forma radical e sem exclusivismo

A liturgia deste dia nos convida a viver na graça da liberdade e gratuidade, bem como na justiça, dons de Deus. A primeira leitura e o evangelho orientam para a liberdade que vem do próprio Deus, o qual concede seus dons a quem lhe apraz e ensina, desse modo, o que espera de seu povo: viver segundo seus desígnios, sem compreender-se possuidor de Deus (cf. Nm 11) nem do Cristo (cf. Mc 9) e, principalmente, sem usurpar o direito dos pobres. O salmista nos recorda que a lei do Senhor é perfeita, ou seja, justa e reta, e, por isso mesmo, alegra o coração. É com base na liberdade e na justiça e retidão divina que não se pode aceitar um modo de proceder injusto (cf. Tg 5).

Introdução do Portal Dehonianos

A liturgia do 26º Domingo do Tempo Comum apresenta várias sugestões para que os crentes possam purificar a sua opção e integrar, de forma plena e total, a comunidade do Reino. Uma das sugestões mais importantes (que a primeira leitura apresenta e que o Evangelho recupera) é a de que os crentes não pretendam ter o exclusivo do bem e da verdade, mas sejam capazes de reconhecer e aceitar a presença e a ação do Espírito de Deus através de tantas pessoas boas que não pertencem à instituição Igreja, mas que são sinais vivos do amor de Deus no meio do mundo.

A primeira leitura, recorrendo a um episódio da marcha do Povo de Deus pelo deserto, ensina que o Espírito de Deus sopra onde quer e sobre quem quer, sem estar limitado por regras, por interesses pessoais ou por privilégios de grupo. O verdadeiro crente é aquele que, como Moisés, reconhece a presença de Deus nos gestos proféticos que vê acontecer à sua volta.
No Evangelho temos uma instrução, através da qual Jesus procura ajudar os discípulos a situarem-se na órbita do Reino. Nesse sentido, convida-os a constituírem uma comunidade que, sem arrogância, sem ciúmes, sem presunção de posse exclusiva do bem e da verdade, procura acolher, apoiar e estimular todos aqueles que atuam em favor da libertação dos irmãos; convida-os também a não excluírem da dinâmica comunitária os pequenos e os pobres; convida-os ainda a arrancarem da própria vida todos os sentimentos e atitudes que são incompatíveis com a opção pelo Reino.

A segunda leitura convida os crentes a não colocarem a sua confiança e a sua esperança nos bens materiais, pois eles são valores perecíveis e que não asseguram a vida plena para o homem. Mais: as injustiças cometidas por quem faz da acumulação dos bens materiais a finalidade da sua existência afastá-lo-ão da comunidade dos eleitos de Deus.


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo.
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O Domingo

É um semanário litúrgico-catequético que tem a missão de colaborar na animação das comunidades cristãs em seus momentos de celebração eucarística. Ele é composto pelas leituras litúrgicas de cada domingo, uma proposta de oração eucarística, cantos próprios e adequados para cada parte da missa.

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UMA COMUNIDADE ABERTA

Em todo tempo e lugar, os seguidores de Jesus correm o risco de se fecharem em si mesmos, de adotarem posturas auto-referenciais e até de se desviarem totalmente do exemplo dado pelo Mestre. Triste seria se os discípulos se considerassem um clube de privilegiados, com poderes especiais e exclusivos.

O Evangelho deste domingo mostra que Jesus é um mestre paciente. Ele já havia ensinado muitas vezes, com palavras e gestos, a respeito do discipulado. Seu grupo, porém, parece estar aquém de uma aprendizagem à altura da realidade da cruz e do serviço desinteressado: ainda permanece na lógica do mundo, no apego aos pequenos poderes, aos projetos pessoais somente. E, no afã dos poderes do mundo, esse grupo se esquece do poder que vale a pena: o poder do amor.

Jesus, porém, não desiste de instruí-los. O verdadeiro líder sabe do tempo que cada membro do seu grupo precisa. Ele, de novo, tenta desconcertar o que os discípulos têm impregnado na mente: a idéia de grupo exclusivo e com poderes especiais. Então ensina que, se alguém faz o bem, não há por que impedi-lo. O bem cabe em todo lugar, desde que seja feito sem interesses escusos. Quando praticado, em nome de Jesus, com esse espírito, não pode ser falso. Até um copo d’água dado com os mesmos sentimentos de Cristo é valioso aos olhos de Deus. O julgamento não cabe aos discípulos.

No entanto, o que Jesus não tolera é o escândalo. Por isso, seus seguidores precisam de vigilância e humildade. Vigilância para não se acharem os melhores e depois tropeçarem em alguma pedra; humildade para perceberem que estão sempre em processo de aprendizagem.

As dificuldades dos discípulos naquele tempo podem ser também as nossas hoje. Importa que fiquemos atentos à Palavra do Mestre. O Evangelho deve ser nossa fonte de meditação diária. Peçamos que as luzes do Espírito Santo nos iluminem e sejamos fiéis à missão recebida do Senhor.

Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo - Palavra.
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O Domingo – Palavra

A missão deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir as comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. O “Culto Dominical” contêm as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do hinário litúrgico da CNBB e um artigo que contempla proposto pela liturgia do dia ou acontecimento eclesial.

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UMA COMUNIDADE ABERTA

Em todo tempo e lugar, os seguidores de Jesus correm o risco de se fecharem em si mesmos, de adotarem posturas auto-referenciais e até de se desviarem totalmente do exemplo dado pelo Mestre. Triste seria se os discípulos se considerassem um clube de privilegiados, com poderes especiais e exclusivos.

O Evangelho deste domingo mostra que Jesus é um mestre paciente. Ele já havia ensinado muitas vezes, com palavras e gestos, a respeito do discipulado. Seu grupo, porém, parece estar aquém de uma aprendizagem à altura da realidade da cruz e do serviço desinteressado: ainda permanece na lógica do mundo, no apego aos pequenos poderes, aos projetos pessoais somente. E, no afã dos poderes do mundo, esse grupo se esquece do poder que vale a pena: o poder do amor.

Jesus, porém, não desiste de instruí-los. O verdadeiro líder sabe do tempo que cada membro do seu grupo precisa. Ele, de novo, tenta desconcertar o que os discípulos têm impregnado na mente: a idéia de grupo exclusivo e com poderes especiais. Então ensina que, se alguém faz o bem, não há por que impedi-lo. O bem cabe em todo lugar, desde que seja feito sem interesses escusos. Quando praticado, em nome de Jesus, com esse espírito, não pode ser falso. Até um copo d’água dado com os mesmos sentimentos de Cristo é valioso aos olhos de Deus. O julgamento não cabe aos discípulos.

No entanto, o que Jesus não tolera é o escândalo. Por isso, seus seguidores precisam de vigilância e humildade. Vigilância para não se acharem os melhores e depois tropeçarem em alguma pedra; humildade para perceberem que estão sempre em processo de aprendizagem.

As dificuldades dos discípulos naquele tempo podem ser também as nossas hoje. Importa que fiquemos atentos à Palavra do Mestre. O Evangelho deve ser nossa fonte de meditação diária. Peçamos que as luzes do Espírito Santo nos iluminem e sejamos fiéis à missão recebida do Senhor.

Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo - Crianças.
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O Domingo – Crianças

Este semanário litúrgico-catequético propõe, com dinamicidade, a vivência da missa junto às crianças. O folheto possui linguagem adequada aos pequenos, bem como ilustrações e cantos alegres para que as crianças participem com prazer e alegria da eucaristia. Como estrutura, “O Domingo-Crianças” traz uma das leituras dominicais, o Evangelho do dia e uma proposta de oração eucarística.

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MISSA DO 26º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Todas as pessoas dispostas a fazer o bem, a promover a justiça e a solidariedade, são bem-vindas entre os seguidores de Jesus. Nesta liturgia, em que comemoramos o dia da Bíblia, a Palavra do Senhor se oferece a nós como fonte de alegria e inspiração em nosso propósito de colaborar na construção de um mundo em que haja vida justa e digna para todos.

APRENDENDO COM O YOUCAT
(Catecismo para crianças)
Quando fazemos algo errado e humildemente nos arrependemos, Deus nos perdoa.
Ele deseja que vivamos unidos a ele e com o nosso próximo.


RITOS INICIAIS

Dan 3, 31.29.30.43.42
ANTÍFONA DE ENTRADA: Vós sois justo, Senhor, em tudo o que fizestes. Pecamos contra Vós, não observamos os vossos mandamentos. Mas para glória do vosso nome, mostrai-nos a vossa infinita misericórdia.

Introdução ao espírito da Celebração
O Senhor convida-nos hoje a refletir sobre os que vivem em ambientes diversos dos nossos e que fazem todo o bem que podem. Lembremo-nos que o Espírito sopra onde quer e não os invejemos, pois isso seria fanatismo, talvez inconsciente. Por isso, deveremos estar abertos à luz de Deus, a fim de que nos ajude a discernir e a agir em situações que por vezes são difíceis ou delicadas. Porque nem sempre temos julgado e atuado criteriosamente, peçamos perdão ao Senhor.

ORAÇÃO COLETA: Senhor, que dais a maior prova do vosso poder quando perdoais e Vos compadeceis, infundi sobre nós a vossa graça, para que, correndo prontamente para os bens prometidos, nos tornemos um dia participantes da felicidade celeste. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

Liturgia da Palavra
Primeira Leitura

Monição: Deus atua livremente na distribuição dos Seus dons, para bem da comunidade. Assim aconteceu com a multiplicação do carisma profético na pessoa de setenta anciãos israelitas, no tempo de Moisés.

Números 11,25-29

Leitura do livro dos Números. 11 25 O Senhor desceu na nuvem e falou a Moisés; tomou uma parte do espírito que o animava e a pôs sobre os setenta anciãos. Apenas repousara o espírito sobre eles, começaram a profetizar; mas não continuaram. 26 Dois homens tinham ficado no acampamento: um chamava-se Eldad e o outro, Medad, e o espírito repousou também sobre eles, pois tinham sido alistados, mas não tinham ido à tenda; e profetizaram no acampamento. 27 Um jovem correu a dar notícias a Moisés: “Eldad e Medad, disse ele, profetizam no acampamento.” 28 Então Josué, filho de Nun, servo de Moisés desde a sua juventude, tomou a palavra: “Moisés, disse ele, meu senhor, impede-os.” 29 Moisés, porém, respondeu: “Por que és tão zeloso por mim? Prouvera a Deus que todo o povo do Senhor profetizasse, e que o Senhor lhe desse o seu espírito!”
— Palavra do Senhor!
— Graças a Deus.

Este texto, extraído da 2ª parte de Números, que trata da estância do povo em Cadés (10, 11 – 20, 21), foi selecionado em função do Evangelho (Mc 9, 38-40), pela semelhança entre a atitude de Josué e a do Apóstolo João. A passagem deixa ver a grandeza de ânimo e a prudência no governo de Moisés, ao fazer participante do seu carisma 70 anciãos, dito duma forma simbólica: «Deus tomou uma parte do espírito de Moisés». E, quando Josué zela exageradamente a honra de Moisés, ao ver que Eldad e Meldad não atuavam na dependência imediata do caudilho, este não se mostra ciumento, resistindo à tentação de se tornar autoritário, absorvente e exclusivista; pelo contrário, zela mais as vantagens do seu povo do que o seu protagonismo e proeminência pessoal, por isso responde: «quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta» (v. 9).

....................

Moisés sentia-se sufocado pelos inúmeros problemas que tinha de resolver todos os dias. O Senhor então lhe promete um conselho de setenta anciãos, para ajudá-lo a conduzir o povo através do deserto (cf. Nm 11,17).

Os anciãos, recebendo a porção do espírito que Moisés possuía, puseram-se a profetizar (cf. Nm 11,25), ou seja, entraram em êxtase e falavam em nome de Deus, como acontece também em 1Sm 10,5-12 e 19,20-21. O transe profético atestava a presença do espírito de Deus na comunidade e, assim, suscitava entusiasmo, ardor, piedade e devoção. Tal acontecimento, embora caracterizasse o fenômeno profético na sua origem, não consistia em um elemento essencial e indispensável, a julgar pela experiência do próprio Moisés, de quem fora tirada uma parte de seu espírito para ser repartida entre os setenta anciãos, mas, ao que se pode verificar, não vivenciou o êxtase aqui descrito.

Haviam permanecido no acampamento dois homens que tinham sido escolhidos para formar parte do conselho e deveriam estar com os demais em torno da tenda. E, onde estavam, começaram a profetizar. Isso indica que o dom do espírito é dado por Deus a quem ele escolheu e esse dom não está ligado a um lugar determinado. Deus é livre e concede seus dons a quem quer, onde e quando quer. Não age segundo os nossos critérios, mas conforme sua bondade.

Josué era ajudante de Moisés e não admitia que os dois homens recebessem a porção que lhes cabia do espírito profético, pois não estavam junto ao grupo dos anciãos. Reclama o uso exclusivo do dom, como se este fosse um prêmio ou um título de honra oferecido a um grupo de privilegiados, como se não implicasse um serviço a todo o povo, em vista de quem o espírito profético fora concedido. “Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta” (Nm 11,29). É essa a resposta dada por Moisés a Josué.

Em Jl 3,1-2, o desejo de Moisés se converte em promessa de Deus. O profeta é chamado pelo Senhor e enviado para falar e agir em seu nome. Vive em estreita relação com Deus, de modo que conhece sua vontade e, assim, tem o compromisso de anunciá-la aos outros. E isso cabe a todos nós.

AMBIENTE

O Livro dos Números (assim chamado na versão grega, pelo facto de o livro começar com uma lista de recenseamento onde são dados os números de membros de cada tribo do Povo de Deus) apresenta um conjunto de tradições - sem grande preocupação de coerência e de lógica - sobre a estadia no deserto dos hebreus libertados do Egito. São tradições de origem diversa, que os teólogos das escolas jahwista, elohista e sacerdotal utilizaram com fins catequéticos.

No seu estado atual, o livro está dividido em três partes. A primeira narra os últimos dias da estadia do Povo de Deus no Sinai (cf. Nm 1,1-10,10); a segunda apresenta, em várias etapas, a caminhada do Povo pelo deserto, desde o Sinai à planície de Moab (cf. Nm 10,11-21,35); a terceira apresenta a comunidade dos filhos de Israel instalada na planície de Moab, preparando a sua entrada na Terra Prometida (cf. 11,1-36,13).

Mais do que uma crônica de viagem do Povo de Deus desde o Sinai, até às portas da Terra Prometida, o Livro dos Números é um livro de catequese. Pretende mostrar que a essência de Israel é ser um Povo reunido à volta de Jahwéh e da Aliança. Com algum idealismo, os autores do Livro dos Números vão descrevendo como, por ação de Jahwéh, esse grupo informe de nômadas libertado do Egito foi ganhando progressivamente uma consciência nacional e religiosa, até chegar a formar a "assembléia santa de Deus".

Ao longo do percurso geográfico pelo deserto, Israel vai fazendo também uma caminhada espiritual, durante a qual se vai libertando da mentalidade de escravo, para adquirir uma cultura de liberdade e de maturidade. O autor mostra como, por ação de Deus (que está sempre presente no meio do Povo), Israel vai progressivamente amadurecendo, renovando-se, transformando-se, alargando os horizontes, tornando-se um Povo mais responsável, mais consciente, mais adulto e mais santo.

O episódio que hoje nos é proposto acontece pouco depois da partida do Sinai. Num lugar chamado Tabera (cf. Nm 11,3), o Povo revoltou-se por não ter comida em abundância e murmurou contra Jahwéh. Moisés, cansado e desiludido, queixou-se ao Senhor de não conseguir agüentar o fardo da condução deste Povo rebelde (cf. Nm 11,11-15); então, Jahwéh propôs a Moisés escolher setenta anciãos que, depois de ungidos pelo Espírito de Deus, ajudariam Moisés na tarefa de conduzir o Povo pelo deserto (cf. Nm 11,16-24). É precisamente neste ponto que começa o nosso texto.

MENSAGEM

Os "anciãos" (em hebraico: "tzequenîm") são uma instituição no universo político e social de Israel. São os "cabeças de família" que formavam, em cada cidade, uma espécie de "conselho" e que presidiam à comunidade. O nosso texto faz remontar a Moisés e ao deserto a instituição dos anciãos. Na perspectiva do catequista bíblico, eles recebem o Espírito de Deus para colaborar na governação do Povo de Deus.

A forma como o nosso autor descreve o dom do Espírito é a seguinte: Deus tirou "uma parte" do Espírito que estava em Moisés e derramou-o sobre os setenta anciãos. Na perspectiva do autor, a explicação é esta: Moisés possuía a plenitude do Espírito enquanto dirigiu sozinho o Povo de Deus; porém, quando a responsabilidade da governação foi dividida com os setenta anciãos, também o Espírito que repousava em Moisés foi repartido por todos. A descrição, ainda que bizarra, dá a idéia, por um lado, da unidade do Espírito e, por outro, da partilha do mesmo Espírito por todos aqueles que Deus chama a uma missão.

A presença do Espírito de Deus nos anciãos manifesta-se na capacidade de profetizar. O "profetismo" de que aqui se fala não tem nada a ver com o "profetismo" dos grandes profetas pregadores e escritores que Israel conhecerá mais tarde; mas designa um estado de entusiasmo ou frenesim, de êxtase e delírio coletivo, destinados a criar um clima de fervor e de exaltação religiosa. Nesta altura, manifestações deste tipo são vistas como sinais da presença do Espírito de Deus.

A história tem, contudo, um epílogo inesperado: Eldad e Medad, dois anciãos que estariam na lista dos setenta escolhidos, mas que não estavam presentes no momento da recepção do Espírito, começaram também a profetizar. Josué crê que se trata de um abuso intolerável, que põe em causa as competências da hierarquia estabelecida e propõe a Moisés que lhe ponha cobro... A resposta de Moisés é a resposta de um homem livre, magnânimo, de espírito aberto, que não está preocupado com o controle dos mecanismos de poder, mas com a vida e a felicidade do seu Povo: "Estás com ciúmes por causa de mim? Quem me dera que todo o Povo fosse profeta e que o Senhor infundisse o seu Espírito sobre eles" (vers. 29).

A resposta de Moisés será um anúncio profético do dia do Pentecostes, quando o Espírito de Deus se derramou sobre a totalidade do Povo da Nova Aliança (cf. At 2,16-21).

ATUALIZAÇÃO

• A comunidade do Povo de Deus é a comunidade do Espírito. O Espírito não é privilégio dos membros da hierarquia; mas está bem vivo e bem presente em todos aqueles que abrem o coração aos dons de Deus e que aceitam comprometer-se com Jesus e com o seu projeto de vida. Mesmo o irmão mais humilde, mais pobre, menos considerado da nossa comunidade possui o Espírito de Deus.

• O episódio ensina também que o Espírito de Deus é livre e atua onde quer e como quer. Não está limitado por fronteiras, nem por regras, nem por interesses pessoais, nem por privilégios de grupo. Nenhuma Igreja tem o monopólio do Espírito, nenhuma instituição pode controlá-lo ou acorrentá-lo. Por vezes, somos testemunhas da ação do Espírito no mundo através de pessoas que não pertencem à nossa instituição religiosa... Não temos que sentir-nos melindrados ou ciumentos se Deus age no mundo através de pessoas que não pertencem à nossa Igreja; temos é de reconhecer a presença de Deus nos gestos de amor, de paz, de justiça, de solidariedade, de partilha que todos os dias testemunhamos (mesmo naqueles que se dizem ateus) e agradecer ao nosso Deus a sua presença, a sua ação, o seu amor pelos homens e pelo mundo.

• A certeza de que ninguém tem o exclusivo do Espírito obriga-nos a pôr de lado qualquer atitude de fanatismo, de intransigência ou de intolerância face às perspectivas diferentes com que somos confrontados. Os preconceitos, os esquemas egoístas, as condenações à priori, os julgamentos apressados, podem fazer-nos perder os desafios que o Espírito, pela voz dos irmãos, nos apresenta.

• Moisés, o líder do processo de libertação que trouxe os hebreus da terra da escravidão para a Terra da liberdade, foi capaz de reconhecer a sua debilidade e a sua incapacidade de "fazer tudo" e aceitou a ajuda da comunidade. Não teve ciúmes, nem inveja, nem medo de perder o controle do processo, nem dificuldade em aceitar a partilha das tarefas que o Senhor lhe confiou. Com o seu exemplo, ele ensina os responsáveis das nossas comunidades a aceitar a ajuda dos irmãos, a partilhar com outros o peso da responsabilidade de conduzir a comunidade do Povo de Deus. Por vezes, temos a convicção de que só nós somos capazes de fazer as coisas bem e evitamos aceitar a ajuda dos outros; por vezes, sentimos que a intervenção de outras pessoas é uma ameaça ao nosso poder e rejeitamos qualquer ajuda; por vezes, queremos controlar o caminho da comunidade, porque não estamos dispostos a renunciar aos nossos sonhos, aos nossos projetos pessoais... Já pensamos que, quando não aceitamos partilhar responsabilidades, estamos a impedir os outros de crescer? Já pensamos que, quando somos nós a conduzir todo o processo, sem nos deixarmos confrontar com perspectivas diferentes, podemos estar a calar os desafios do Espírito?

Subsídios:
1ª leitura: (Nm 11,25-29) A profecia só depende da eleição; rejeição do falso zelo – A missão libertadora de Moisés apoiava-se no Espírito recebido de Deus (cf. Is 63,11). Também seus setenta assistentes (os “anciãos”) recebem este Espírito, mas não de modo permanente, “não continuaram” (11,25). Ora, havia dois eleitos para receber o Espírito, que não foram à Tenda do Encontro. Mesmo assim, receberam o Espírito, no próprio acampamento. Moisés, recusando o falso zelo dos que denunciam este fato, reconhece neles o dom de Deus e faz votos que todo o povo possa receber assim o Espírito. – Conforme Jl 3,1-2, tal efusão geral do Espírito é marca do tempo escatológico; At 2 a vê realizada no Pentecostes. * 11,25 cf. Nm 11,17; Dt 34,10; 1Sm 10,9-13; 19,20-24 * 11,28 cf. Mc 9,38-39 * 11,29 cf. Jl 3,1-2; At 2,4.16-18.



Salmo Responsorial

Monição: Este salmo exprime o contentamento da comunidade cristã, ao contemplar a ação do Senhor em favor dos Seus filhos. É um hino de louvor e de ação de graças a Deus que nos criou e nos acompanha.

SALMO RESPONSORIAL – 18/19

A lei do Senhor Deus é perfeita, alegria do coração!

A lei do Senhor Deus é perfeita,
conforto par a alma!
O testemunho do Senhor é fiel,
sabedoria dos humildes.

É puro o temor do Senhor,
imutável para sempre.
Os julgamentos do Senhor são corretos
e justos igualmente.

É vosso servo, instruído por elas,
se empenha em guardá-las.
Mas quem pode perceber suas faltas?
Perdoai as que não vejo!

E preservai o vosso servo do orgulho:
não domine sobre mim!
E assim puro eu serei preservado
dos delitos mais perversos.

Segunda Leitura

Monição: S. Tiago censura severamente os ricos assinalando duas situações: a dos que acumulam com sofreguidão as riquezas, julgando encontrar nelas a felicidade e ficam desiludidos; e a dos que se fazem ricos à custa dos outros por não lhes pagarem o que é justo. Aqui a justiça divina intervém, atenta à voz dos que são privados daquilo que lhes é devido.

Tiago 5,1-6

Leitura da carta de são Tiago. 5 1 Vós, ricos, chorai e gemei por causa das desgraças que sobre vós virão. 2 Vossas riquezas apodreceram e vossas roupas foram comidas pela traça. 3 Vosso ouro e vossa prata enferrujaram-se e a sua ferrugem dará testemunho contra vós e devorará vossas carnes como fogo. Entesourastes nos últimos dias! 4 Eis que o salário, que defraudastes aos trabalhadores que ceifavam os vossos campos, clama, e seus gritos de ceifadores chegaram aos ouvidos do Senhor dos exércitos. 5 Tendes vivido em delícias e em dissoluções sobre a terra, e saciastes os vossos corações para o dia da matança! 6 Condenastes e matastes o justo, e ele não vos resistiu.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Esta tremenda objurgação de S. Tiago aos ricos vai provavelmente dirigida mesmo a alguns já convertidos ao cristianismo, mas que não acabariam de entender e viver a doutrina de Cristo acerca das riquezas (cf. Lc 6, 24.25; Mt 6, 20; 25, 14.16; Lc 12, 20-21; 16, 19-30).

4 «O seu salário clama; e brados dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor». Daqui vem a designação para certos pecados que bradam ao Céu; não pagar o salário a quem trabalha é um dos 4 pecados que na Escritura se diz que bradam ao Céu, juntamente com o homicídio voluntário, a sodomia e a opressão dos pobres, principalmente órfãos e viúvas (cf. Gn 4, 10; 18, 20-21; Ex 22, 21-23). A linguagem utilizada parece-nos demasiado violenta, mas seria o meio mais eficaz para sacudir almas empedernidas no pecado, para as levar à conversão através do cumprimento dos seus deveres de justiça.

5 O dia da matança, isto é, o dia do castigo divino (cf. Jer 12, 3; Sof 1, 7-9); outros entendem a matança como uma imagem da opressão dos explorados, como em Sir 34, 21-22.

6 Uma outra tradução possível, adotada por nós, é esta: «Condenastes e destes a morte ao inocente, e Deus não vai opor-se?».

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No Discurso sobre a Montanha (cf. Mt 5-7), Jesus aconselha o não acúmulo de riquezas aqui na terra, onde a traça e a ferrugem corroem e os ladrões assaltam e roubam (cf. Mt 6,19). Nesta segunda leitura, o autor da carta de Tiago dirige um lamento sobre os ricos que, oprimindo e explorando os pobres, fazem exatamente o oposto do que Jesus havia dito. Sua riqueza está apodrecida, suas vestes carcomidas pelas traças e seu ouro e sua prata, corroídos pela ferrugem (vv. 2-3). Há completo descompasso entre a proposta de vida cristã e a conduta dos ricos.

Temos aqui a denúncia da injustiça dos ricos que não cumprem a Lei de Deus, pela ganância exploram os trabalhadores e fazem valer sua força contra quem não pode se defender; que levam uma vida acintosa e fausta em detrimento dos pobres, cujo trabalho sustenta a boa vida dos seus patrões, de quem não recebem o devido pagamento. No entanto, o grito dos trabalhadores chegou ao ouvido do Senhor (v. 4), como na época em que o povo de Deus era escravo na terra do Egito (cf. Ex 3,7). Foi para que o povo vivesse em liberdade que o Senhor o tirou da terra da escravidão e deu-lhe uma Lei, a fim de não repetirem a atitude dos egípcios, que não criam no Deus de Israel, não o adoravam nem experimentaram sua salvação.

Nesses tempos do fim, o tesouro acumulado testemunhará contra os ricos. Será a prova de sua maldade e injustiça, a prova de que se recusam a obedecer ao mandamento do Senhor. A fé comporta a exigência de uma solidariedade humana incondicional e inegociável. É inseparável do amor, que se traduz em atos.

AMBIENTE

A Carta de Tiago termina com dois blocos de exortações onde o autor recorda aos seus interlocutores alguns dos aspectos que elencou anteriormente e que, na sua perspectiva, devem ser tidos em séria conta por parte de quem está interessado em viver a vida cristã autêntica. Para o autor, o acesso à vida plena depende das opções que o homem faz enquanto caminha nesta terra.

O primeiro bloco (cf. Tg 4,11-5,6) contém um elenco de atitudes negativas, que os crentes devem evitar a todo o custo: falar mal dos irmãos (cf. Tg 4,11-12), viver no orgulho e na auto-suficiência face a Deus (cf. Tg 4,13-17), viver para os bens materiais e praticar injustiças contra os pobres (cf. Tg 5,1-6). O segundo bloco (cf. Tg 5,7-20) contém uma lista de atitudes positivas que os crentes devem assumir enquanto esperam a vinda do Senhor: paciência, perseverança e firmeza no falar (cf. Tg 5,7-12), oração (cf. Tg 5,1-18) e preocupação em reconduzir ao bom caminho o irmão que anda afastado (cf. Tg 5,19-20).

O texto que nos é proposto é um grito profético de denúncia dos ricos, do seu orgulho e auto-suficiência, da sua obsessão pelos bens materiais. Este texto deve ser colocado no quadro geral de uma época de profundas desigualdades: ao lado de uma riqueza desmesurada e sem limites, vive e sofre a miséria mais aguda. A exploração do pobre e a violência contra os humildes eram, na época, fenômenos demasiado freqüentes e que os cristãos conheciam bem.

MENSAGEM

A primeira parte do nosso texto (vers. 1-3) trata do problema da acumulação da riqueza. O autor, como numa visão profética, contempla o final dos tempos e descreve, com violência, a sorte que espera aqueles cujo objetivo principal na vida foi o acumular bens. Será que os bens, o poder, a consideração que eles gozaram neste mundo lhes servirá de alguma coisa, quando chegar o juízo final, o momento em que se joga o destino definitivo do homem?

Obviamente que não. Esses bens nos quais os ricos depositam agora toda a sua segurança e esperança perderão todo o valor ("as vossas riquezas estão apodrecidas e as vossas vestes estão comidas pela traça. O vosso ouro e a vossa prata enferrujaram-se..." - vers. 2-3a); ou, pior ainda, serão uma testemunha de acusação, que denunciará o amor descontrolado dos bens materiais, o orgulho e a auto-suficiência, as injustiças praticadas contra os pobres. O destino final dos bens perecíveis é a destruição; e quem tiver os bens materiais como o seu deus, a sua referência fundamental, não terá acesso à vida plena e eterna (vers. 3b.c).

Na segunda parte do nosso texto (vers. 4-6), o autor refere-se à origem desses bens acumulados pelos ricos. Para o autor, não há dúvidas nem meios-termos: a riqueza provém sempre da exploração dos pobres. Como exemplo, o autor cita o não pagamento dos salários devidos aos trabalhadores que ceifaram os campos dos ricos (vers. 4). Trata-se de um pecado que a Lei condena de forma veemente e que Deus castigará duramente (cf. Lv 19,13; Dt 24,15). Não pagar o salário ao trabalhador é condená-lo à morte, bem como a toda a sua família (vers. 6). Os luxos e os prazeres dos ricos vivem assim da morte dos pobres.

Naturalmente, Deus não pode pactuar com a injustiça e, por isso, não ficará indiferente ao sofrimento do pobre e do oprimido. O clamor dos injustiçados sobe da terra até junto de Deus e faz com que Deus atue. Com ironia mordaz, o autor compara o rico ao cevado que, engordando, apressa o dia da sua própria matança (vers. 5): os ricos, vivendo no luxo e nos prazeres à custa do sangue dos pobres, estão a preparar para si próprios um caminho de desgraça e de castigo.

A linguagem do autor da Carta de Tiago é violenta e colorida, bem ao gosto dos pregadores da época. Para além da veemência das palavras deve ficar, contudo, esta mensagem: quem vive para os bens materiais e coloca neles o sentido da sua existência, dificilmente terá disponibilidade para acolher os dons de Deus e para acolher essa vida plena que Deus quer oferecer aos homens. Por outro lado, Deus não tolera a exploração, a opressão do pobre; e quem conduzir a sua vida por caminhos de injustiça, não poderá fazer parte da família de Deus.

ATUALIZAÇÃO

• O autor da Carta de Tiago critica os ricos, em primeiro lugar porque eles vivem apenas para acumular bens materiais, negligenciando os verdadeiros valores. Fazem do ouro e da prata os seus deuses e centram toda a sua existência em valores caducos e perecíveis. No final da sua existência vão perceber que gastaram a vida a correr atrás de algo que não dá felicidade nem conduz o homem à vida plena; a sua existência terá sido, então, um dramático equívoco. O "aviso" do autor da Carta de Tiago conserva uma espantosa atualidade... A acumulação de bens materiais tornou-se, para tantos homens do nosso tempo, o único objetivo da vida e o critério único para definir uma vida de sucesso. Contudo, aqueles que apostam tudo nos bens perecíveis facilmente constatam como essa opção não responde, em definitivo, à sua sede de felicidade e de vida plena. O ouro, a conta bancária, o carro de luxo, a casa de sonho, dão-nos satisfações imediatas e, talvez, um certo estatuto aos olhos do mundo; mas não saciam a nossa sede de vida eterna. Nós, os cristãos, somos chamados a testemunhar que a vida verdadeira brota dos valores eternos - esses valores que Deus nos propõe.

• O autor da Carta de Tiago critica os ricos, em segundo lugar, porque freqüentemente a riqueza resulta da exploração e da injustiça. Acumular bens à custa da miséria e da exploração dos irmãos é, na perspectiva do autor do nosso texto, um crime abominável e que Deus não deixará impune. Não é cristão quem não paga o salário justo aos seus operários, mesmo que ofereça depois somas chorudas para a construção de uma igreja; não é cristão quem especula com os bens de primeira necessidade, mesmo que vá todos os domingos à missa e pertença a vários grupos paroquiais; não é cristão quem inventa esquemas para não pagar impostos, mesmo que seja muito amigo do padre da paróquia; não é cristão quem se aproveita da ignorância e da miséria para realizar negócios altamente rentáveis, mesmo que pense repartir com Deus os frutos das suas rapinas...

• Uma coisa deve ficar clara: Deus não apóia nunca quem vive fechado em si próprio, no açambarcamento egoísta desses bens que Deus nos concedeu para serem postos ao serviço de todos os homens; e qualquer crime cometido contra os pobres é um crime contra Deus, que afasta o homem da vida plena da comunhão com Deus.

Subsídios:
2ª leitura: (Tg 5,1-6): A riqueza dos ricos está podre – Ameaça aos ricos, que não querem repartir sua abundância com os necessitados, e isso, na proximidade dos “últimos dias” (a primeira Igreja acreditava firmemente na iminência da Parusia). São cegos: não enxergam a miséria dos pobres, nem os sinais do tempo! Também hoje, muitos cristãos amontoam dinheiro sem escrúpulos, deixando para mais tarde o momento de acertar seu débito com Deus... Deus julga sobre a caridade testemunhada ao mais pobre, aqui e agora (cf. Mt 25,31-46). ­* 5,1-3 cf. Lc 6,24-25; Mt 6,19-20; Eclo 29,13[10]; Pr 11,4.28 * 5,4-6 cf. Am 8,4-8; Dt 24,14-15; Eclo 34,25-26[21-22]; Lv 19,13; Ml 3,5.

Aclamação ao Evangelho

Aleluia, aleluia, aleluia.
Vossa palavra é verdade, orienta e dá vigor; na verdade santifica vosso povo, ó Senhor! (Jo 17,17).

Evangelho

Monição: O Senhor é a verdade e somente n’Ele se pode encontrar. Se queremos realmente amar a Deus teremos de lutar pela verdade.

Marcos 9,38-43.45.47-48

— O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós. — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos. — Glória a vós, Senhor! Naquele tempo, 9 38 João disse-lhe: “Mestre, vimos alguém, que não nos segue, expulsar demônios em teu nome, e lho proibimos”. 39 Jesus, porém, disse-lhe: “Não lho proibais, porque não há ninguém que faça um prodígio em meu nome e em seguida possa falar mal de mim. 40 Pois quem não é contra nós, é a nosso favor. 41 E quem vos der de beber um copo de água porque sois de Cristo, digo-vos em verdade: não perderá a sua recompensa. 42 Mas todo o que fizer cair no pecado a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que uma pedra de moinho lhe fosse posta ao pescoço e o lançassem ao mar! 43 Se a tua mão for para ti ocasião de queda, corta-a; melhor te é entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para a geena, para o fogo inextinguível 45 Se o teu pé for para ti ocasião de queda, corta-o fora; melhor te é entrares coxo na vida eterna do que, tendo dois pés, seres lançado à geena do fogo inextinguível 47 Se o teu olho for para ti ocasião de queda, arranca-o; melhor te é entrares com um olho de menos no Reino de Deus do que, tendo dois olhos, seres lançado à geena do fogo, 48 ‘onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga’”.
— Palavra da Salvação!
— Glória a Vós, Senhor!

A leitura recolhe ensinamentos dispersos de Jesus. No trabalho de formação dos discípulos, depois da confissão de fé de Pedro (8, 29), é interessante notar como Jesus, na 2ª parte de Marcos, tem vindo pacientemente a corrigir o espírito daqueles homens sinceros, mas rudes, aproveitando todos os incidentes diários, em que estes falhavam (cf. 8, 33; 9, 12. 16-19.28-29.33-35). Desta vez, é também mais um dos do núcleo duro que tem de ser advertido, João, que mostra estreiteza de vistas e um exclusivismo incompatível com o espírito cristão; a lição de Jesus permanece para sempre atual: o que é bem é bem, embora seja outro, que não eu, eu a fazê-lo. A sentença «quem não é contra nós é por nós» não está em contradição com o que Jesus afirma em Lc 11, 23 e Mt 12, 30: «quem não está comigo está contra Mim», pois são contextos diversos. No da primeira sentença, trata-se de alguém que também trabalhava pela a causa de Deus e do bem, ao passo que o da segunda frase é o da luta de vida ou morte entre Jesus e o demônio, em que não pode haver meio termo: ou se está do lado de Jesus, ou do lado de Satanás (é que acusavam Jesus de ter um pacto com o maligno para fazer os milagres!).

41 Este versículo não tem mais ligação com o resto para além da ligação verbal: «em nome de» (que a tradução «por serdes de» não permite ver); é bem sabido que as palavras de Jesus se transmitiram agrupando-as muitas vezes de forma artificial (também estas palavras são como as cerejas).

42-48 Os versículos que se seguem sobre o escândalo constituem uma perícope diferente. A palavra «escândalo» designa um tropeço para fazer cair, algo que leva a pecar; e os «pequeninos que crêem em Mim» não parece que neste contexto sejam simplesmente os discípulos, como acontece noutras vezes, pois Jesus aqui está a dirigir-se precisamente a eles; serão os pequenos mais pequenos, «os pequeninos», isto é, os mais frágeis e indefesos, os menores de idade. A especial gravidade que há em escandalizar as crianças não provém apenas da sua inocência, mas sobretudo de elas se acharem mais vulneráveis e indefesas contra o mal. As palavras de Jesus são tremendamente sérias e de grande atualidade. Não nos parece que se deva fazer uma tradução restritiva de «escandalizar» por «fazer perder a fé», como faz a Sociedade Bíblica e Britânica («If anyone should cause one of these little ones to lose faith in me…»), não assim a Portuguesa («fazer cair em pecado»).

43-48 «Corta… deita fora…» Este cortar e deitar fora os membros do corpo tem que se entender em sentido figurado, mas sem diminuir em nada a força e a importância da expressão: Jesus proclama graficamente a grave obrigação de afastar e evitar a ocasião próxima de pecado, pois o bem da alma é superior a todos os bens materiais, mesmo os mais apreciados. «Geena», (em hebraico Ge-hinnon) é o vale a Sul e a Oeste de Jerusalém, fora das muralhas, que a partir de Jer 19, 6-7, veio a designar o lugar do castigo eterno (assim em 1 Henoc e 4 Esdras); no tempo de Jesus era uma lixeira da cidade a que se chegava o lume e onde sempre havia fogo a remoer; também Jesus usou freqüentemente esta imagem para designar o Inferno, «onde o verme não morre e o fogo não se apaga» (v. 48; cf. Mt 25, 41.46). A expressão, para além de indicar a gravidade e a eternidade da pena, pouco pode dizer da sua natureza.

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No texto que precede o evangelho de hoje, Jesus havia dado aos discípulos um ensinamento sobre o serviço: o maior entre eles era o servidor de todos (cf. Mc 9,35). Como Josué, no texto de Nm 11,25-29, João toma a palavra e reporta a Jesus a informação de que pessoas não pertencentes ao grupo dos discípulos expulsavam os demônios em nome do Mestre (cf. Mc 9,38). E, por não seguirem o grupo, haviam sido impedidos de fazê-lo. Isso indica que os discípulos não haviam superado a rivalidade e a sede de grandeza que, pouco tempo antes, haviam sido repreendidas por Jesus.

Ele, contudo, ordena que não proíbam e os ensina a agir com tolerância e sabedoria: “Quem não é contra nós é a nosso favor” (v. 40). Pertencer ao grupo dos discípulos não implica privilégio, prestígio e exclusividade. Antes, o grupo dos seguidores de Jesus deve saber sua responsabilidade para com os pequeninos na fé (v. 42) e, principalmente, estar vigilante sobre a própria conduta (vv. 43-48).

Aos discípulos é indicado o caminho da acolhida, tanto da parte deles em relação aos “de fora” como da parte daqueles que os recebem por serem de Cristo (v. 41), pois, acolhendo-os, acolhem a Jesus e, em conseqüência, Aquele que o enviou (cf. Mc 9,37), e assim não deixarão de ser recompensados. Se a acolhida comporta uma recompensa, a escandalização dos pequeninos – feito mais grave do que a morte por afogamento, na qual o sujeito fica privado de sepultura – também tem conseqüências. Escandalizar não significa dar mau exemplo nem agir de modo a suscitar revolta, mas pôr obstáculos no caminho de fé das pessoas.

O tema do escândalo abarca também a ocasião da própria queda. Assim, tais ocasiões devem ser extirpadas de uma vez por todas, já que o escândalo é acompanhado pelo risco de perder a vida, de ir para o inferno ou ser jogado nele (vv. 43.45.47). O imperativo de amputar a mão, o pé ou o olho é hiperbólico. Acentua a gravidade do escândalo e, ao mesmo tempo, a necessidade de uma opção radical pelo Reino.

AMBIENTE

Estamos ainda em Cafarnaum (cf. Mc 9,33), a cidade de pescadores situada junto do Lago de Tiberíades. Jesus está "em casa" rodeado pelos discípulos. A ida para Jerusalém está próxima e os discípulos estão conscientes de que se aproximam tempos decisivos para esse projeto em que estão envolvidos.

Apesar da sua opção inequívoca por Jesus, os discípulos continuam a dar mostras de não terem ainda conseguido absorver os valores do Reino. Para eles, o seguimento de Jesus é uma opção que deverá traduzir-se na concretização de determinados sonhos de poder, de grandeza e de prestígio... Por isso, sentem-se inquietos e ciumentos quando encontram algo que possa colocar em causa os seus interesses, a sua autoridade, os seus "privilégios".

Jesus vai, com paciência, tentando formar os discípulos na lógica do Reino. O texto que a liturgia deste domingo nos propõe como Evangelho é mais uma instrução que Jesus dirige aos discípulos no sentido de lhes mostrar os valores que eles devem interiorizar, se quiserem integrar a comunidade messiânica.

Marcos juntou aqui uma série de "ditos" de Jesus, inicialmente independentes entre si e pronunciados em contextos diversos. Estes "ditos" apresentam, contudo, exigências várias que os discípulos de Jesus devem considerar e que, em última análise, definem a pertença ou a não pertença à comunidade do Reino.

MENSAGEM

Sendo o Evangelho deste domingo constituído por um conjunto de "ditos" de Jesus - originariamente independentes uns dos outros e versando questões diversas - temos vários temas a cruzar o nosso texto. O tema principal (uma vez que é também o tema da primeira leitura) aparece na primeira parte do Evangelho... Refere-se à necessidade de a comunidade cristã ser uma comunidade aberta, acolhedora, tolerante, capaz de aceitar como sinais de Deus os gestos libertadores que acontecem no mundo.

Nos primeiros versículos deste texto, João (desta vez o porta-voz do grupo) queixa-se pelo facto de terem encontrado alguém a "expulsar demônios" em nome de Jesus, embora não pertencesse ao grupo dos discípulos; considerando um abuso a utilização do nome de Jesus por parte de alguém que não fazia parte da comunidade messiânica, os discípulos procuraram impedi-l'O de atuar (vers. 38-41).

A atitude dos discípulos mostra, antes de mais, arrogância, sectarismo, intransigência, intolerância, ciúmes, mesquinhez, pretensão de monopolizar Jesus e a sua proposta, presunção de serem os donos exclusivos do bem e da verdade... Mas, por detrás da reação dos discípulos, deve estar também uma grande preocupação com a concretização dos projetos pessoais de prestígio e grandeza que quase todos eles alimentavam. Pouco tempo antes, eles tinham estado a discutir uns com os outros acerca de quem seria o maior e de quem iria herdar os postos mais importantes no Reino que, com Jesus, ia nascer (cf. Mc 9,33-37); agora, eles estão inquietos e preocupados, porque apareceu alguém de fora do grupo que pretende atuar em nome de Jesus e que pode, num futuro próximo, disputar-lhes os lugares de relevo na estrutura política do Reino.

Jesus procura levar os discípulos a ultrapassar esta visão sectária e egoísta da missão. Na perspectiva de Jesus, quem luta pela justiça e faz obras em favor do homem, está do lado de Jesus e vive na dinâmica do Reino, mesmo que não esteja formalmente dentro da estrutura eclesial. A comunidade de Jesus não pode ser uma comunidade fechada, exclusivista, monopolizadora, que amua e sente ciúmes quando alguém de fora faz o bem; nem pode sentir-se atingida nos seus privilégios e direitos pelo facto de o Espírito de Deus atuar fora das fronteiras da Igreja... A comunidade de Jesus deve ser uma comunidade que põe, acima dos seus interesses, a preocupação com o bem do homem; e deve ser uma comunidade que sabe acolher, apoiar e estimular todos aqueles que atuam em favor da libertação dos irmãos.

Na segunda parte do nosso texto (vers. 42-48), temos outros "ditos" de Jesus que abordam outros temas. Constituem também indicações aos discípulos sobre as atitudes a assumir para integrar plenamente a comunidade do Reino. Nesses "ditos", são usadas imagens fortes, expressivas, hiperbólicas, bem ao gosto dos pregadores da época, destinadas a impressionar profundamente os ouvintes. Não são expressões para traduzir à letra; mas são expressões que pretendem marcar a necessidade de fazer escolhas acertadas, de optar com radicalidade pelos valores do Reino.

O primeiro desses "ditos" é um aviso àqueles que "escandalizam" os "pequeninos" (vers. 42). Na nossa cultura, "escandalizar" é protagonizar um mau exemplo ou um facto revoltante que melindra ou fere a susceptibilidade daqueles que testemunham essa ação. Na linguagem de Marcos, no entanto, "escandalizar" tem um significado um tanto diferente... O verbo grego "scandalidzô" aqui utilizado define, em Marcos, a ação de desistir de seguir Jesus, de não ter coragem para assumir a proposta que Jesus veio fazer (cf. Mc 4,17; 8,35.38).

Os "pequeninos" de que Jesus fala são os membros da comunidade que estão numa situação de dependência, de debilidade, de necessidade... Os membros da comunidade do Reino devem, portanto, abster-se de qualquer atitude que possa afastar alguém (especialmente os pequenos, os débeis, os pobres) da adesão a Jesus e ao caminho que Ele veio propor. Fazer algo que afaste uma dessas pessoas de Cristo e da comunidade é algo verdadeiramente inadmissível e impensável (a quem fizer isso, "melhor seria que lhe atassem ao pescoço uma dessas mós movidas por um jumento e o lançassem ao mar" - vers. - 42).

O segundo "dito" de Jesus (vers. 43-48) refere-se à absoluta necessidade de arrancar da própria vida todos os sentimentos e atitudes que são incompatíveis com a opção por Cristo e pela sua proposta. Quando Jesus fala em cortar a mão (a mão é, nesta cultura, o órgão da ação, através do qual se concretizam os desejos que nascem no coração) ou de cortar o pé ou de arrancar o olho que é ocasião de pecado (o olho é, nesta cultura, o órgão que dá entrada aos desejos), está a sublinhar, com toda a veemência, a necessidade de atuar, lá onde as ações más do homem têm origem e eliminar na fonte as raízes do mal. Estando em jogo o destino último do homem, não se pode protelar ou adiar "cortes" importantes nas atitudes de egoísmo e de auto-suficiência que afastam os homens de Deus e da vida plena.

Há ainda, neste segundo "dito", referências sucessivas a um castigo na "Geena", "onde o verme não morre e o fogo não se apaga", para aqueles que recusarem cortar com as atitudes e os sentimentos incompatíveis com o seguimento de Jesus. A palavra "Geena" vem do hebraico "Ge Hinnon" ("Vale do Hinnon"). Refere-se a um vale situado a sudoeste de Jerusalém, onde eram enterrados os mortos e onde, dia e noite, era queimado o lixo produzido pelos habitantes da cidade. Era considerado, portanto, um lugar maldito, impuro, tenebroso, que convinha evitar. Jesus usa aqui a imagem do "Ge Hinnon", para falar de uma vida perdida, frustrada, destruída, maldita, sem sentido. Quem não for capaz de cortar com o egoísmo, o orgulho, a auto-suficiência, é como se, em lugar de viver num lugar livre e feliz, estivesse condenado a viver no "Ge Hinnon".

ATUALIZAÇÃO

• O Evangelho deste domingo apresenta-nos um grupo de discípulos ainda muito atrasados na aprendizagem do "caminho do Reino". Eles ainda raciocinam em termos de lógica do mundo e têm dificuldade em libertar-se dos seus interesses egoístas, dos seus esquemas pessoais, dos seus preconceitos, dos seus sonhos de grandeza e poder... Eles não querem entender que, para seguir Jesus, é preciso cortar com certos sentimentos e atitudes que são incompatíveis com a radicalidade que a opção pelo Reino exige. As dificuldades que estes discípulos apresentam no sentido de responder a Jesus não nos são estranhas: também fazem parte da nossa vida e do caminho que, dia a dia, percorremos... Assim, a instrução que, neste texto, Jesus dirige aos seus discípulos serve-nos também a nós. As propostas de Jesus destinam-se aos discípulos de todas as épocas; pretendem ajudar-nos a purificar a nossa opção e a integrar, de forma plena, a comunidade do Reino.

• Antes de mais, Jesus mostra aos discípulos que a comunidade do Reino não pode ser uma seita arrogante, fechada, intolerante, fanática, que se arroga a posse exclusiva de Deus e das suas propostas. Tem de ser uma comunidade que sabe qual o seu papel e a sua missão, mas que reconhece que não tem o exclusivo do bem e da verdade e que é capaz de se alegrar com os gestos de bondade e de esperança que acontecem à sua volta, mesmo quando esses gestos resultam da ação de não crentes ou de pessoas que não pertencem à instituição Igreja. O verdadeiro discípulo não tem inveja do bem que outros fazem, não sente ciúmes se Deus atua através de outras pessoas, não pretende ter o monopólio da verdade nem ter o exclusivo de Jesus. O verdadeiro discípulo esforça-se, cada dia, por testemunhar os valores do Reino e alegra-se com os sinais da presença de Deus em tantos irmãos com outros percursos religiosos, que lutam por construir um mundo mais justo e mais fraterno.

• Os discípulos de que o Evangelho de hoje nos fala estão preocupados com a ação de alguém que não é do grupo, pois temem ver postos em causa os seus sonhos pessoais de poder e de grandeza. Por detrás dessa preocupação dos discípulos não está o bem do homem (aquilo que, em última análise, devia "mover" os membros da comunidade do Reino), mas a salvaguarda de certos interesses egoístas. Nas nossas comunidades cristãs ou religiosas, há pessoas capazes de gestos incríveis de doação, de entrega, de serviço aos irmãos; mas há também pessoas cuja principal preocupação é proteger o espaço que conquistaram e continuar a manter um estatuto de poder e de prestígio... Quando afastamos (com o pretexto de defender a pureza da fé, os interesses da moralidade, ou tranqüilidade da comunidade) aqueles que desafiam a comunidade a purificar-se e a procurar novos caminhos para responder aos desafios de Deus, estaremos a proteger os interesses de Deus ou os nossos projetos, os nossos esquemas interesseiros, as nossas apostas pessoais?

• No nosso texto, Jesus exige dos discípulos o corte radical com os valores, os sentimentos, as atitudes que são incompatíveis com a opção pelo Reino. O discípulo de Jesus nunca está acomodado, instalado, conformado; mas está sempre atento e vigilante, procurando detectar e eliminar da sua existência tudo aquilo que lhe impede o acesso à vida plena. Naturalmente, a renúncia ao egoísmo, ao comodismo, ao orgulho, aos esquemas pessoais, à vontade de poder e de domínio, ao apelo do êxito, ao aplauso das multidões, é um processo difícil e doloroso; mas é também um processo libertador e gerador de vida nova. O que é que eu necessito, prioritariamente, de "cortar" da minha vida, para me identificar mais com Jesus, para merecer integrar a comunidade do Reino, para ser mais livre e mais feliz?

• O apelo de Jesus à sua comunidade no sentido de não "escandalizar" (afastar da comunidade do Reino) os pequenos, faz-nos pensar na forma como lidamos, enquanto pessoas e enquanto comunidades, com os pobres, os que falharam, os que têm atitudes moralmente reprováveis, aqueles que têm uma fé pouco consistente, aqueles que a vida marcou negativamente, aqueles que a sociedade marginaliza e rejeita... Eles encontram em nós a proposta libertadora que Cristo lhes faz, ou encontram em nós rejeição, injustiça, marginalização, mau exemplo? Quem vê o nosso testemunho tem razões para aderir a Cristo, ou para se afastar de Cristo?

Subsídios:
Evangelho: (Mc 9,38-43.45.47-48) “Quem não é contra nós, é por nós” – (Continuação das instruções comunitárias: cf. dom. passado) – 9,40: quando se trata de publicar o nome de Jesus, qualquer ajuda é bem-vinda (cf. Fl 1,15) (não confundir esta palavra com a de Mt 12,30 = Lc 11,23, de outra tradição e situada num contexto bem diferente: quando se trata do poder do maligno, então sim, quem não está de nosso lado, está com o Maligno). Hoje atualizamos Mc 9,40 assim: o bem se pode fazer também fora da Igreja. Cf. 9,41: não se pergunta se os que dão um copo d’água aos que são do Cristo são cristãos eles mesmos; de qualquer modo, serão recompensados. – Em 9,42-50 continuam as instruções comunitárias: os “pequenos” não devem ser perturbados na sua simples fé, menos ainda ser seduzidos para o mal. * 9,38-40 cf. Lc 9,49-50; Nm 11,28; 1Cor 12,3 * 9,41 cf. Mt 10,42; 1Cor 3,23 * 9,42-48 cf. Mt 18,6-9; Lc 17,1-2 * 9,48 cf. Is 66,24.

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Antes, Mc falou em acolher pequenos “em nome de Jesus”. Encadeando outras sentenças no mesmo item, passa agora ao assunto do exorcizar “em nome de Jesus” (associação verbal, muito comum na tradição oral dos primeiros cristãos) (evangelho). Logo nos albores da comunidade cristã, milagreiros e exorcistas não cristãos, notando a força do “nome de Jesus” (cf. At 3,6.16; 4.10), tentavam usar esse nome em seus “trabalhos”. Mas os cristãos exigiam direitos autorais. Como resposta, Mc traz uma sentença de Jesus: “Quem não é contra nós, é por nós”. Resposta de bom senso e desapego evangélico, pois o importante é que o nome de Jesus seja honrado. Mas quem considera o grupo mais importante que o nome de Jesus fica indisposto. Não aceita que os dons cristãos floresçam fora da Igreja.

Jesus presta pouca atenção a esse tipo de objeções. Os que por ele foram reunidos não devem pensar que eles são os únicos em quem possa operar seu espírito. Ser reunido por Cristo é uma graça, mas não um monopólio. Pelo contrário, devemos desejar que seus benefícios sejam espalhados o mais amplamente possível. Já Moisés deu aos hebreus uma lição neste sentido. No momento da assembleia dos setenta anciãos que receberam “algo do espírito de Moisés”, dois tinham ficado no acampamento; porém, receberam também o espírito profético. Josué quer impedi-los, mas Moisés retruca: “Oxalá o povo todo recebesse assim o espírito” (1ª leitura).

Estas ideias escandalizam aqueles para quem o grupo é tudo. Ora, não a Igreja em si, mas Cristo e seu espírito são o mais importante. (Não se alegue o velho adágio: “Extra Ecclesiam nulla salus”, pronunciado contra os que abandonavam a Igreja.) Mas escandalizam-se também os que só conhecem aquela outra sentença de Jesus: “Quem não é comigo, é contra mim” (Mt 12,30 = Lc 11,23), pronunciada num contexto de inimizade (os escribas acusam Jesus de expulsar demônios pela força de Beelzebu); pois em tal contexto, é preciso escolher: quem não se coloca do lado de Jesus se coloca do outro. Mas isso nada tem a ver com o caso de alguém que recebe os dons do Cristo fora da Igreja.

Sempre no item do “nome”, Jesus promete recompensa pelo mínimo benefício feito a alguém “em nome de ser do Cristo” (9,41). E já que se estava falando também de “pequenos” (cf. v. 37), cabe dizer algo sobre o escândalo dado aos pequenos (9,42). E, continuando com o item “escândalo”: a gente tem que erradicar de sua vida as raízes do escândalo, as causas das fraquezas na fé, assim como se amputa uma mão quando ela põe o corpo em perigo (ou como se extrai um dente quando causa enxaqueca) (9,43-48).

O evangelho trata, portanto, de assuntos diversos. Ora, o conjunto da liturgia acentua o tema da ação de Deus fora da assembleia “oficial”. Este ponto deve reter a atenção da catequese litúrgica, e é muito importante em nosso ambiente, onde macumbeiros e espíritas fazem “trabalhos” em nome de Jesus (e com sucesso). Existe uma mentalidade de combater o sincretismo religioso. Talvez, seria mais evangélico ponderar – sem esconder os problemas – o bem que eventualmente façam e reconhecer que lá também Deus pode levar alguém a colocar em obra o seu amor. Tal atitude mostrará a face compreensiva da Igreja, procurando reconhecer em tudo o bem – e levaria menos pessoas a procurar a umbanda por não encontrar resposta humana num catolicismo formalizado e ríspido.

PENSAMENTO INCLUSIVO

A cristandade tradicional caracterizava-se por atitudes exclusivistas. Só a Igreja católica estava certa... Dizia-se que quem morre fora da Igreja católica vai ao inferno. (Deveria ser mandado ao inferno quem fala assim...).

O evangelho conta um episódio que nos ensina o contrário. Os discípulos ficam nervosos porque alguém anda expulsando demônios no nome de Jesus, sem fazer parte do grupo deles. Naquele tempo, todo tipo de tratamento sugestivo estava na moda, como hoje. Visto que Jesus era o sucesso do momento, alguns que não eram de seu grupo usavam seu nome para expulsar uns demoniozinhos. Que mal havia nisso? Nenhum, mas os discípulos queriam direitos autorais!

A liturgia ilustra o problema com outro episódio. O povo de Israel andando pelo deserto, o Espírito desce sobre a assembleia dos anciãos. Mas dois não foram à assembleia e receberam o Espírito assim mesmo. Os outros reclamam. Então Moisés responde: “Oxalá todo o povo de Deus profetizasse e Deus infundisse a todos o seu espírito” (1ª leitura).

Nem todos os cristãos são tão mesquinhos assim que pretendem reservar para a própria agremiação os dons de Deus. Desde o Humanismo, bem antes do Concílio Vaticano II, os educadores cristãos ensinavam que os pagãos Platão e Virgílio eram profetas, pois anunciaram coisas que, depois, se verificaram em Jesus. Houve até quem chamasse Karl Marx de profeta (com menos mérito, pois viveu bem depois de Jesus e repetiu muito coisa que Jesus e a Bíblia disseram antes dele...). As coisas boas que esses pagãos falaram não deixaram de ser um testemunho a favor de Jesus.

“Quem não é contra nós está em nosso favor” (Mc 9,40). Esta é a lição. (Jesus disse também: “Quem não está comigo é contra mim”, Mt 12,30, mas isso, em caso de conflito e perseguição.)

O nome de Jesus representa o Reino do Pai. O nome de Jesus se liga a uma realidade nova, a vontade de Deus. “Ninguém que faz milagres em meu nome poderá logo depois sair falando mal de mim” (Mc 9,39). Por tudo aquilo que ele disse e fez, pelo dom da própria vida, Jesus ligou a seu nome a nova realidade que se chama o “Reino de Deus”. Quem consegue usar o nome de Jesus como força positiva certamente colabora de alguma maneira com o Reino.

Não é preciso ser católico batizado para colaborar com os valores do evangelho. Os primeiros missionários no Brasil ficaram cheios de admiração porque os índios pagãos pareciam ter mais valores evangélicos que os colonos portugueses escravocratas. O testemunho do evangelho pode existir fora da comunidade cristã, e nós devemos alegrar-nos por causa disso.

Então, em vez de dizer que fora da Igreja não há salvação, vamos dizer: tudo o que salva expande o que estamos fazendo na Igreja. Pensamento inclusivo!

(Parte do Roteiro Homilético foi elaborada pelo Pe. Johan Konings SJ – Teólogo, doutor em exegese bíblica, Professor da FAJE. Autor do livro "Liturgia Dominical", Vozes, Petrópolis, 2003. Entre outras obras, coordenou a tradução da "Bíblia Ecumênica" – TEB e a tradução da "Bíblia Sagrada" – CNBB. Konings é Colunista do Dom Total. A produção do Roteiro Homilético é de responsabilidade direta do Pe. Jaldemir Vitório SJ, Reitor e Professor da FAJE.)

III. PISTAS PARA REFLEXÃO:

— A fé em Jesus Cristo significa adesão não apenas ao seu projeto, mas à sua pessoa, à sua vida, às suas escolhas e doação amorosa. Implica a adesão a uma Pessoa plenamente aberta, cuja vida se move a partir de Deus e em direção aos irmãos. Por agir com plena liberdade e abertura, Jesus não admite que seus discípulos privatizem seu nome (cf. Mc 9,39), mas ensina-lhes o caminho da tolerância e da acolhida. Revela-se um Messias que não se deixa manipular, tampouco aceita que o grupo dos seus seguidores se torne uma sociedade fechada, de direitos exclusivos. Antes, exorta-o ao cuidado e à responsabilidade para com os pequenos e para com a própria vida.

— A liturgia denuncia as dificuldades dos discípulos em seguir Jesus, em compreender seus ideais, ensinamentos e valores. Eles estão obstinados por ambição e sede de poder e, por isso, não admitem um Cristo que oferece o dom de si até a morte. A atitude de João não é a atitude de um discípulo de Jesus. Deve ser corrigida de imediato, pois ameaça e compromete a plenitude da vida própria do seguimento de Cristo.

— O pontificado de Francisco está baseado no projeto de uma Igreja em saída rumo às periferias existenciais, uma Igreja que, renunciando à tentação de viver autocentrada, vai ao encontro, a exemplo de seu Mestre, dos que não fazem parte dela. Uma Igreja aberta ao diálogo, hospitaleira e missionária, cuja vida é constante atitude de saída. Para isso, vale recordar que somos o povo escolhido de Deus cuja missão, no entanto, é ser sal da terra e luz do mundo, anunciar a boa-nova do evangelho a todos os povos. Assim, não há lugar para um pensamento exclusivista e intolerante aos que pensam diferente de nós e/ou não nos seguem.

— Somos povo que caminha confiante nas promessas divinas. Que o Senhor nos guarde de não acolher sua mensagem de perdão e misericórdia, não agir conforme a Palavra que recebemos e não nos deixarmos afetar pela vida de Jesus. Que o Senhor nos dê a graça e a coragem de olhar e acolher Jesus, sua vida e sua proposta, tal como ele se revela, e não de acordo com a imagem que dele fizemos.


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Sugestões para a homilia

ATENÇÃO: Na página do Evangelho do Dia aqui no NPDBRASIL, no final de cada Liturgia Diária você encontra mais 3 sugestões de Homilias Diárias. Veja também o Comentário Exegético e mais sugestões de Homilias no índice das Liturgias Dominicais na página Homilias e Sermões.

A indignação originada pela inveja

A primeira leitura lembra-nos os tempos em que Israel atravessava dificilmente o deserto, a caminho da terra prometida. Moisés sente-se atormentado com o descontentamento do seu povo. Dá-se então a multiplicação do carisma profético na pessoa dos setenta anciãos. Alguns, entre os quais Josué – íntimo de Moisés –, ficam indignados por também profetizarem aqueles que estão fora do círculo restrito dos que fazem parte da «estrutura». Pedem a Moisés que os faça calar. Com grandeza de alma, ele afirma que até quereria que Deus admitisse mais pessoas a esse dom.

Ainda hoje nas nossas comunidades existem pessoas que, por vezes inconscientemente, assumem esta mesma atitude. Querem fazer tudo sozinhas, entravam alguém que se insira nas suas preferências, não aceitam ajuda, não querem repartir encargos. Por isso começam a ficar esgotadas e, por fim, frustradas.

Tal atitude conduz ao fanatismo. Quem assim atua acaba por atacar todos os que não pensam de igual modo ou não pertencem ao mesmo grupo; esquecem o bem que os outros fazem ou podem fazer; não partilham ideias e propósitos; não aceitam ajudas.

A atuação do Espírito de Deus

Mas onde brotar o bem, o amor, a paz e a alegria, aí se manifesta a atuação de Deus.

Quem não aceita esta liberdade do Espírito agir onde quer, é fanático e acaba por se agitar, disputando tudo e todos.

O Evangelho narra a mesma situação: os discípulos reagem, manifestando ao Mestre a sua desilusão e irritabilidade ao verem que alguém não seguidor do grupo restrito de Jesus curava em Seu nome. Querem que o Mestre impeça a ação dessa pessoa. O Senhor condena a intransigência dos seus e define uma regra para todos os cristãos: quem quer que atue em favor do homem é dos nossos.

Norteados por tal princípio, não podemos aceitar o zelo mal-entendido. Este, aparta pessoas e grupos. Devemos combater a inveja que não reconhece as boas obras dos outros. Fiquemos alegres com o bem que praticam; estimulemos todas as formas de bondade e retidão que se manifestam nos demais, ainda que não pertençam à nossa religião, ao nosso grupo, à nossa comunidade.

A ausência de compreensão e partilha é escândalo

A comunidade deve evitar o escândalo, sobretudo aos mais pequenos, sendo que os mais pequenos são as pessoas mais débeis na fé e escandaloso o que as inibe de se moverem como seguidores de Cristo.

O escândalo pode vir de fora, por exemplo: na rejeição daqueles que erram na vida; dos atingidos por alguma doença que os faça envergonhar; da mãe solteira; daqueles que rotulamos de corruptos; dos divorciados. A sua ausência da comunidade é originada muitas vezes por se sentirem julgados, rejeitados e incompreendidos.

Há o escândalo que vem de dentro: proveniente da própria mão, do próprio pé, dos próprios olhos. Jesus aponta-nos comportamentos errados que, quando descobertos, temos o dever de corrigir fazendo os cortes necessários: devemos evitar o dedo apontado em atitude altiva de quem aplica a sua própria vontade; as mãos que arrancam a honra; os olhares invejosos, de desconfiança, de malícia; os pés que cheios de ressentimento levam à represália; os olhos que cheios de suspeição alimentam aversões e entravam a partilha dentro da própria comunidade evitando que os irmãos se falem.

A segunda leitura expressa o mesmo. Há também, infelizmente, cristãos que, como diz S. Tiago, amontoam riquezas, não repartem os seus bens com os pobres, exploram os seus servidores e se transformam em ocasião de escândalo para os que notam a sua atuação nada adequada à fé que dizem professar. Pior é quando não se mentalizam dessa condição nada condizente com discípulos de Cristo.

Mais que impedir que os outros «façam milagres», Jesus recorda-nos a necessidade de afastarmos o mal e de fazermos o bem.

Lembremo-nos: O simples copo de água dado em nome de Cristo terá a sua recompensa.

Fala o Santo Padre

«Cada pessoa é atraída pelo amor – que é o próprio Deus – mas muitas vezes erra nos modos concretos de amar.»

No Evangelho deste domingo, Jesus anuncia pela segunda vez aos discípulos a sua paixão, morte e ressurreição (cf. Mc 9, 30-31). O evangelista Marcos põe em evidência o forte contraste entre a sua mentalidade e a dos doze Apóstolos, que não só não compreendem as palavras do Mestre e rejeitam categoricamente a idéia de que Ele vá ao encontro da morte (cf. Mc 8, 32), mas discutem entre si sobre quem deve ser considerado «o maior» (cf. Mc 9, 34). Jesus explica-lhes com paciência a sua lógica, a lógica do amor que se faz serviço até à entrega de si mesmo: «Se alguém quiser ser o primeiro, há-de ser o último de todos e o servo de todos» (Mc 9, 35).

Esta é a lógica do Cristianismo, que corresponde à verdade do homem criado à imagem de Deus, mas ao mesmo tempo contrasta com o seu egoísmo, conseqüência do pecado original. Cada pessoa humana é atraída pelo amor que afinal é o próprio Deus, mas muitas vezes erra nos modos concretos de amar, e assim de uma tendência originalmente positiva mas maculada pelo pecado, podem derivar intenções e ações más. É o que nos recorda, na liturgia hodierna, também a Carta de São Tiago: «Onde há inveja e espírito faccioso também há perturbação e todo o gênero de obras más. Mas a sabedoria que vem do alto é, em primeiro lugar, pura; depois, é pacífica, indulgente, dócil, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem hipocrisia». E o Apóstolo conclui: «É com a paz que uma colheita de justiça é semeada pelos obreiros da paz» (3, 16-18). (…)

Papa Bento XVI, Castel Gandolfo, 24 de Setembro de 2006


ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 26º DOMINGO DO TEMPO COMUM
(adaptadas de “Signes d’aujourd’hui”)

1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 26º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo... Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa... Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.

2. BILHETE DE EVANGELHO.
Quando Jesus chama, pede para deixar tudo para O seguir. Quando Jesus fala do Reino, anuncia um mundo totalmente novo. Quando Jesus pede para amar, propõe um regresso radical. Mas será necessário tempo aos seus discípulos para compreender tudo isso, e sobretudo para vivê-lo. Eles conhecerão hesitações, procurarão compromissos, porão condições. Ora, para Jesus, nada deve ser obstáculo à entrada no Reino de Deus. Jesus coloca o homem face à sua liberdade, ele deve escolher. Se ele escolheu o Reino, deve aceitar as suas exigências, que se resumem numa única palavra AMAR. O homem é convidado a amar com todo o seu ser: as suas mãos para partilhar, os seus pés para reencontrar, os seus olhos para olhar. Cabe ao homem fazer com que todo o seu ser responda à sua vontade de amar.

3. À ESCUTA DA PALAVRA.
"Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demônios em teu nome e procuramos impedir-lho, porque ele não anda conosco»". João quer delimitar as fronteiras do grupo dos discípulos, pôr em ordem, classificar os bons de um lado, os maus de outro, separar aqueles que estão "em regra" daqueles que estão à margem. Esta tentação de erguer barreiras entre os homens em nome de Deus é uma tentação mortal. É a tentação de todos aqueles que pretendem agir em nome de Deus, que se declaram, eles e apenas eles, detentores da Verdade e reivindicam serem eles os únicos verdadeiros fiéis de Deus. Todos os outros, que não pensam, que não agem como eles devem ser rejeitados, condenados. Essa tentação gera o fanatismo. Isso não é em vista do espírito! É uma realidade bem concreta no nosso mundo e também na história, antiga e atual, de praticamente todas as religiões. Mas Jesus conduz-nos para além disso. Sem dúvida diz Ele: "Eu sou a Verdade", mas não reivindica qualquer poder. Recusa entrar no jogo de João: "Não impeçais este homem de expulsar os demônios em meu nome". Porquê? Porque Jesus veio para reunir na unidade os filhos de Deus dispersos e, como dirá São Paulo, para destruir a barreira que separava os Judeus e os pagãos, para fazer a paz e reconciliar todos os homens com Deus e entre eles.

4. PARA A SEMANA QUE SE SEGUE...
Com Maria, humilde serva... Para nos ajudar a amar sem orgulho, em quase início de mês de Outubro, mês do Rosário: peçamos o apoio e a intercessão de Maria. Ela que foi a humilde serva do Senhor, pode ensinar-nos a humildade, o serviço, a disponibilidade, o amor.


LITURGIA EUCARÍSTICA

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS: Deus de misericórdia infinita, aceitai esta nossa oblação e fazei que por ela se abra para nós a fonte de todas as bênçãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

SANTO

Monição da Comunhão: Que Deus nosso Pai aceite a nossa boa vontade e nos ajude, através da comunhão do sagrado Corpo e Sangue do Senhor, a ter a coragem de saber cortar com tudo aquilo que em nós, ou por nosso intermédio, se possa tornar pedra de escândalo para os homens nossos irmãos.

Salmo 118, 9-5
ANTÍFONA DA COMUNHÃO: Senhor, lembrai-Vos da palavra que destes ao vosso servo. A consolação da minha amargura é a esperança na vossa promessa.

Ou 1 Jo 3, 16
Nisto conhecemos o amor de Deus: Ele deu a vida por nós também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos.

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO: Fazei, Senhor, que este sacramento celeste renove a nossa alma e o nosso corpo, para que, unidos a Cristo neste memorial da sua morte, possamos tomar parte na sua herança gloriosa. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

RITOS FINAIS

Monição final: Evitemos o dedo apontado em atitude arrogante de quem impõe a própria vontade; as mãos que roubam e os dedos que apontam; os olhares sobranceiros, invejosos ou maldosos que dividem e os pés que nos conduzem por caminhos de vingança.


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HOMILIAS FERIAIS

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26ª SEMANA

2ª Feira, 01-X: Modelo para a Comunhão eucarística.

Zac 8, 1-8 / Lc 9, 46-50
E quem me acolher, acolhe Aquele que me enviou.

Cuidemos esmeradamente a nossa Comunhão eucarística procurando viver na presença do Senhor durante o dia; cumprindo melhor os nossos deveres quotidianos; dizendo algumas comunhões espirituais. Recebamos o Senhor como a Virgem Maria: «E o olhar extasiado de Maria, quando contemplava o rosto de Cristo recém-nascido e os estreitava nos seus braços, não é porventura o modelo inatingível de amor em que se deve inspirar todas as nossas comunhões eucarísticas?» (IVE, 55).

Celebração e Homilia: ANTÔNIO E. PORTELA
Nota Exegética: GERALDO MORUJÃO
Homilias Feriais: NUNO ROMÃO
Sugestão Musical: DUARTE NUNO ROCHA

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador:
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 - 1800-129 LISBOA - Portugal
Tel. 218540900 - Fax: 218540909
portugal@dehonianos.org - www.dehonianos.pt


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QUE DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje!    Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

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