ACESSO À PÁGINA DE ENTRADA DO SITE! Brasil... Meu Brasil brasileiro... NPD Sempre com você... QUE DEUS NOS ABENÇOE!
ESPECIALIDADE EM FAZER AMIGOS
AME SUA PÁTRIA!
Voltar para Home Contato Mapa do Site Volta página anterior Avança uma página Encerra Visita

NADA PODE DETER O BRASIL, O BRASIL SOMOS NÓS!

 
Guia de Compras e Serviços

ROTEIRO HOMILÉTICO

Faça sua busca na Internet aqui no NPDBRASIL
Pesquisa personalizada

FAÇA UMA DOAÇÃO AO NPDBRASIL...
AJUDE-NOS A CONTINUAR NOSSA OBRA EVANGELIZADORA!
A Comunidade NPDBRASIL precisa de você!
Clique aqui e saiba como fazer ou clique no botão abaixo...



Caríssimos Irmãos e Irmãs Religiosas, Sacerdotes, Diáconos, Catequistas, Agentes de Pastorais, Ministros e Ministras, Leigos e todas as pessoas envolvidas no trabalho de evangelização:

ATENÇÃO: Não guardamos arquivos dessa página. Toda semana ela é substituída e atualizada. Quem desejar arquivar o que está publicado aqui deverá imprimir ou salvar a página em seus arquivos.

Aqui no site NPDBRASIL, normalmente nós utilizamos como fonte de informação o Roteiro Homilético do site PRESBÍTEROS - Um site de referência para o Clero Católico e também o Roteiro Homilético da Editora Paulus, publicado na revista Vid Pastoral, pois queremos ajudar na evangelização de todos. Deus abençoe a todos vocês que nos motivam a superar todas as dificuldades que surgem em nossos caminhos a serviço de Deus Pai Todo Poderoso e Nosso Senhor Jesus Cristo.

Visitem o site PRESBÍTEROS - http://www.presbiteros.com.br, com visual moderno e excelente conteúdo de formação evangelizadora. Toda pessoa envolvida com o serviço de evangelização deve visitar este site com frequência.

Também usamos parte das páginas de Liturgia do site dos Padres Dehonianos de Portugal: http://www.dehonianos.org o qual aconselhamos visitar também para encontrar excelente material de estudos.



Revista VIDA PASTORAL: Conheça e utilize esta maravilhosa revista nos trabalhos de evangelização em sua Paróquia ou Pastoral. Você pode ler a revista na versão digital mais abaixo ou a versão on-line pelo link: http://vidapastoral.com.br/ escolhendo os temas que deseja ler ou estudar. Você tem ainda a opção de baixar a revista para seu computador, caso não possa estar conectado o tempo todo. A revista Vida Pastoral contém instruções e orientações extremamente valiosas para o trabalho de evangelização e compreensão da Palavra de Deus!

Veja também mais abaixo como assinar os Periódicos da Paulus: O DOMINGO, O DOMINGO - PALAVRA e outros, além de muitas ofertas de excelentes livros.

Ao visitar o site da Paulus, procure também pelos outros periódicos O DOMINGO - CRIANÇAS, LITURGIA DIÁRIA e LITURGIA DIÁRIA DAS HORAS. Aproveite e leia também os excelentes artigos colocados à sua disposição. Faça do seu momento à frente do computador o seu tempo para enriquecer seus conhecimentos e desenvolver melhor sua espiritualidade. Não permita deixar-se idiotizar pela maioria do conteúdo perverso que se permeia por aí... Lembre-se: Vigiai e Orai!

Uma outra sugestão para que você possa entender melhor os tempos litúrgicos é visitar a página de Liturgia do site da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes - http://www.pnslourdes.com.br/liturgia.htm ou se preferir, pode ler ou baixar um documento especial com explicação do Ano Litúrgico, acesse o link: http://www.pnslourdes.com.br/arquivos/ANO_LITURGICO.pdf .

Desejamos a todos uma feliz e santa semana, na Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Dermeval Neves
NPDBRASIL - UMA COMUNIDADE A SERVIÇO DA EVANGELIZAÇÃO


10.12.2017
2º Domingo do Advento — ANO B
( Roxo, Creio, Prefácio do Advento I – II Semana do Saltério )
__ “Preparai os caminhos do Senhor, endireitai suas estradas!” __

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

Clique aqui para ver ou baixar o PPS.

(antes de clicar - desligue o som desta página clicando no player acima do menu à direita)

CLIQUE AQUI PARA VER O ROTEIRO HOMILÉTICO DO PRÓXIMO DOMINGO (10.12.2017)

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: A mensagem deste segundo domingo do Advento é de consolo para os que tem Jesus como caminho. Isaías profetiza que o próprio Deus virá libertar seu povo eleito do exílio babilônico. Este regresso do povo à pátria prefigura a salvação realizada por Jesus Cristo que, vencendo a morte, liberta a humanidade da escravidão do pecado, devolvendo-nos a dignidade de filhos de Deus. Esta graça alcançada por Jesus em nosso benefício, exige o compromisso de anunciarmos a salvação outrora realizada. Neste sentido, João Batista é para nós modelo a ser seguido, como ele, devemos preparar os caminhos do Senhor, convertendo os corações para que sejam transformados pelo Cristo. (Após a procissão de entrada, acender a segunda vela do Advento.).

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Irmãos e irmãs, vivendo este tempo do santo Advento vamos nos preparamos para acolher o Senhor que vem ao nosso encontro. A nossa vida, a história, a sociedade, o mundo, vivem mergulhados na noite escura que aguarda a chegada da aurora. A manhã radiosa do dia do Messias virá! Hoje nós somos chamados a ser as sentinelas que o Senhor colocou na noite deste mundo. O convite é claro e vem do Senhor: Vigiemos!

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: Deus vem e caminha à frente de seu povo para reconduzi-lo, livre, da terra da escravidão à sua própria terra. Bom Pastor, cuida dos fracos e pequenos; Deus forte, alegra-se em perdoar e renovar todas as coisas. Salvação, alegria, amor, verdade, justiça, constituem o cortejo do Senhor Deus. São os bens da aliança, da amizade entre Deus e os seus. Esses bens não provêm de nós, dos nossos esforços, mas nos são dados por aquele que nos chama a converter-nos a Ele, a fim de que nossos pecados sejam perdoados. No segundo Domingo do Advento, a Igreja é convocada, como João Batista, a preparar o caminho de Cristo no coração da humanidade. Os vales são nivelados, os montes rebaixados, o que é torto torna-se reto e as asperezas são alisadas. São imagens do caminho interior que o Espírito Santo traça em nossos corações, como também são imagens proféticas da convivência social sem desníveis e desigualdades. Em outras palavras, é o mandamento do amor colocado em prática na vida cristã e na organização da sociedade, de acordo com o Evangelho e a Doutrina Social da Igreja.

Sentindo em nossos corações a alegria do Amor ao Próximo, cantemos cânticos jubilosos ao Senhor!


ATENÇÃO: Se desejar, você pode baixar o folheto desta missa em:

Folheto PULSANDINHO (Diocese de Apucarana-PR):
http://diocesedeapucarana.com.br/portal/userfiles/pulsandinho/10-de-dezembro-de-2017---2-domingo-do-tempo-do-advento.pdf


Folheto "O POVO DE DEUS" (Arquidiocese de São Paulo):
http://www.arquisp.org.br/sites/default/files/folheto_povo_deus/af_02_2-domingo-do-advento.pdf


TEMA
A CONVERSÃO, INÍCIO DA BOA-NOVA

Créditos: Utilizamos aqui parte do texto da Revista Pastoral da Editora Paulus (clique aqui para acessar a página da revista no site da Paulus- Autoria do Roteiro Homilético da Paulus para o período de Outubro/Novembro-2017: Aíla L. Pinheiro de Andrade, nj. graduada em Filosofia e em Teologia. Cursou mestrado e doutorado em Teologia Bíblica pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, FAJE (MG). Atualmente, leciona na pós-graduação em Teologia na Universidade Católica de Pernambuco, UNICAP. É autora do livro Eis que faço novas todas as coisas – teologia apocalíptica (Paulinas). E-mail: aylanj@gmail.com.

Introdução da Revistal Vida Pastoral

PREPARAI OS CAMINHOS DO SENHOR

As leituras de hoje têm duas tônicas complementares: conversão e consolação. Deus está empenhado em nos conduzir para um mundo novo ou realidade nova. Isso nos consola e nos enche de esperança, porque significa que não ficaremos para sempre sofrendo as consequências do egoísmo e há solução para o problema do mal, o qual um dia terá seu fim. No entanto, o mundo novo que nos é oferecido por Deus somente poderá acontecer quando o ser humano fizer uma reforma íntima. Isso exige que estejamos sempre dentro de uma dinâmica de conversão, de transformação do homem velho em nova criatura, que nos empenhemos em pôr em prática a vontade de Deus e caminhemos na fidelidade.

Introdução do Portal Dehonianos

A liturgia do segundo domingo de Advento constitui um veemente apelo ao reencontro do homem com Deus, à conversão. Por sua parte, Deus está sempre disposto a oferecer ao homem um mundo novo de liberdade, de justiça e de paz; mas esse mundo só se tornará uma realidade quando o homem aceitar reformar o seu coração, abrindo-o aos valores de Deus.

Na primeira leitura, um profeta anónimo da época do Exílio garante aos exilados a fidelidade de Jahwéh e a sua vontade de conduzir o Povo – através de um caminho fácil e direito – em direcção à terra da liberdade e da paz. Ao Povo, por sua vez, é pedido que dispa os seus hábitos de comodismo, de egoísmo e de auto-suficiência e aceite, outra vez, confrontar-se com os desafios de Deus.

No Evangelho, João Baptista convida os seus contemporâneos (e, claro, os homens de todas as épocas) a acolher o Messias libertador. A missão do Messias – diz João – será oferecer a todos os homens esse Espírito de Deus que gera vida nova e permite ao homem viver numa dinâmica de amor e de liberdade. No entanto, só poderá estar aberto à proposta do Messias quem tiver percorrido um autêntico caminho de conversão, de transformação, de mudança de vida e de mentalidade.

A segunda leitura aponta para a parusia, a segunda vinda de Jesus. Convida-nos à vigilância – isto é, a vivermos dia a dia de acordo com os ensinamentos de Jesus, empenhando-nos na transformação do mundo e na construção do Reino. Se os crentes pautarem a sua vida por esta dinâmica de contínua conversão, encontrarão no final da sua caminhada terrena “os novos céus e a nova terra onde habita a justiça”.


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo.
Clique no link abaixo do texto e faça sua assinatura
.

O Domingo

É um semanário litúrgico-catequético que tem a missão de colaborar na animação das comunidades cristãs em seus momentos de celebração eucarística. Ele é composto pelas leituras litúrgicas de cada domingo, uma proposta de oração eucarística, cantos próprios e adequados para cada parte da missa.

ASSINAR O PERIÓDICO

ENDIREITAR O QUE ESTÁ TORTO

O Evangelho de Marcos se inicia com uma declaração importante, repetida no meio e no fim: Jesus é o Filho de Deus – máxima que o autor procurará confirmar ao longo da narrativa, mostrando a prática de Jesus. A seguir, apresenta a missão do precursor do Mestre de Nazaré, o qual pregava um batismo de conversão.

O povo, ansioso pela vinda do Messias, vai ao encontro de João para ser batizado. Muitos aguardam alguém que provoque mudança na sociedade – são as pessoas cansadas de viver num mundo de injustiça e opressão. João esclarece que não é o Messias e que este está próximo.

O jeito de João se vestir e viver questiona nossa sociedade moderna, cuja fascinação pelo consumismo e pelo descartável contribui para aumentar a desigualdade entre ricos e empobrecidos, além de sobrecarregar o planeta, nossa Casa Comum.

O Advento quer nos preparar para as festas natalinas, quando celebramos o aniversário de nascimento de Jesus. Ele veio há mais de dois mil anos, mas continua vindo ao nosso encontro para nos mostrar novo jeito de viver. Então o Natal é para celebrar a vinda do Filho de Deus, mas também para construir uma sociedade ajustada ao modelo que ele nos deixou – ou, como nos diz a segunda leitura, em conformidade com “os novos céus e a nova terra”; em outras palavras, formar nova humanidade.

Há muitas coisas tortas que precisam ser endireitadas: a corrupção, as injustiças, a falta de ética, o fingimento oportunista, a violência. A conversão tem de ser pessoal e comunitária. Não há mudança social se não houver a pessoal. Advento é esperança de renovação e de libertação das nossas misérias, pecados, fraquezas. Quando o evangelho fala em “princípio”, remete-nos ao princípio da criação. Com a chegada de Jesus, nasce nova humanidade. Cristo é a novidade radical, o homem novo que nos transforma em sua imagem, em filhos e filhas de Deus e irmãos e irmãs uns dos outros. A conversão pessoal tem em vista a transformação das estruturas sociais injustas que impedem a prática da justiça, da ética e da solidariedade.

Pe. Nilo Luza, ssp


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo - Palavra.
Clique no link abaixo do texto e faça sua assinatura
.

O Domingo – Palavra

A missão deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir as comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. O “Culto Dominical” contêm as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do hinário litúrgico da CNBB e um artigo que contempla proposto pela liturgia do dia ou acontecimento eclesial.

ASSINAR O PERIÓDICO

GRAÇAS A DEUS, A TODO MOMENTO

Quando tudo anda bem, quando tudo é festa, quando tudo é novo, quando tudo é farto, podemos correr o risco de pensar que não precisamos de Deus. É que facilmente nossa memória esfria e até esquece de que matéria somos feitos. As grandes potências mundiais, por exemplo, consideram-se autossuficientes e tomam suas decisões passando por cima dos pequenos. E geralmente fazem muita guerra.

Mas não só as grandes potências. Isso pode ocorrer com cada um de nós em particular, quando, porventura, o orgulho nos sobe à cabeça. Acontece que todas as forças do nosso corpo e os bens materiais que possuímos, tudo é fruto dos dons com que o Senhor nos presenteia a todo momento. Um coração agradecido não perde de vista isso. “É justo e nos faz todos ser mais santos louvar a vós, ó Pai, no mundo inteiro, de dia e de noite, agradecendo com Cristo, vosso Filho, nosso irmão” (prefácio da Oração Eucarística V).

De fato, a gratidão a todo momento nos torna mais humanos, profundamente humanos e sensíveis ao próximo e a tudo que nos rodeia. Um coração agradecido sabe o valor dos pequenos gestos: aquele gesto discreto, aquela voz sem altivez, aquele olhar livre de arrogância, aquele toque desprovido de malícia, aquela ação livre de interesses egoístas.

Deus não se cansa de nos oferecer a sua graça. Em Jesus, ele sacia a mais profunda sede e fome da humanidade. Trata-se de amor verdadeiro. Aquele amor que jamais sufoca, que jamais retém para si os seus. O amor de Deus por nós não se pauta em ciúme, tampouco em relacionamento pegajoso. É um amor baseado na liberdade. Por isso, o Senhor corre o risco de nos perder todo dia. Corre esse risco porque nos trata como pessoas maduras, capazes de discernir entre o bem o mal.

O tempo do Advento é momento oportuno para a gratidão, que tem que ver com a vigilância. Vigiar é ter um coração sintonizado em Deus. Isso no terreno da história, com tudo o que a história tem de contradição, e sobretudo mediante nossa atitude orante. Quem reza ouvindo Deus não perde de vista o seu amor. Amor que se derrama em nosso coração, como chuva regando as securas de nossa vida.

Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo - Crianças.
Clique no link abaixo do texto e faça sua assinatura
.

O Domingo – Crianças

Este semanário litúrgico-catequético propõe, com dinamicidade, a vivência da missa junto às crianças. O folheto possui linguagem adequada aos pequenos, bem como ilustrações e cantos alegres para que as crianças participem com prazer e alegria da eucaristia. Como estrutura, “O Domingo-Crianças” traz uma das leituras dominicais, o Evangelho do dia e uma proposta de oração eucarística.

ASSINAR O PERIÓDICO

PREPAREMO-NOS PARA A VINDA DO SENHOR
Nesta liturgia somos exortados a nos preparar para a vinda de Jesus. A graça de Deus nos acompanha sempre que nos empenhamos em viver a conversão, o amor e a fraternidade. Que esta celebração nos ajude a fazer experiência da bondade do Senhor e de sua salvação.

COMPROMISSO DA SEMANA: Como gesto concreto de preparação para o Natal, que tal combinar com a turma da catequese – ajudada pela(o) catequista – uma gincana para arrecadar brinquedos, roupas e alimentos a serem doados a crianças e famílias necessitadas da comunidade?


RITOS INICIAIS

Is 30, 19.30
ANTÍFONA DE ENTRADA: Povo de Sião: eis o Senhor que vem salvar os homens. O Senhor fará ouvir a sua voz majestosa na alegria dos vossos corações.

Não se diz o Glória.

Introdução ao espírito da Celebração
A liturgia deste II Domingo do Advento convida-nos à esperança, a acreditar que no meio das dificuldades, das perseguições, das realidades mais duras da vida, é possível um futuro melhor porque Deus é fiel àqueles que assumem os valores da verdade, da justiça, da fraternidade. A esperança a que nos falam as leituras, encontramo-la realizada em Jesus, sobretudo neste tempo de alegre espera do Natal, a concretização de um novo mundo.

ORAÇÃO COLECTA: Concedei, Deus omnipotente e misericordioso, que os cuidados deste mundo não sejam obstáculo para caminharmos generosamente ao encontro de Cristo, mas que a sabedoria do alto nos leve a participar no esplendor da sua glória. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

Monição: O profeta Isaías anuncia a todo o povo a notícia de esperança e de alegria a uma comunidade que vivia marginalizada e explorada. Os evangelistas associaram esta mensagem que ao retorno de Javé com João Baptista.

Liturgia da Palavra
Primeira Leitura

Isaías 40,1-5.9-11

Leitura do livro do profeta Isaías. 40 1 "Consolai, consolar meu povo, diz vosso Deus. 2 Animai Jerusalém, dizei-lhe bem alto que suas lidas estão terminadas, que sua falta está expiada, que recebeu, da mão do Senhor, pena dupla por todos os seus pecados". 3 Uma voz exclama: "Abri no deserto um caminho para o Senhor, traçai reta na estepe uma pista para nosso Deus. 4 Que todo vale seja aterrado, que toda montanha e colina sejam abaixadas: que os cimos sejam aplainados, que as escarpas sejam niveladas! 5 Então a glória do Senhor manifestar-se-á; todas as criaturas juntas apreciarão o esplendor, porque a boca do Senhor o prometeu. 9 Subi a uma alta montanha, para anunciar a boa nova a Sião. Elevai com força a voz, para anunciar a boa nova a Jerusalém. Elevai a voz sem receio, dizei às cidades de Judá: Eis vosso Deus! 10 Eis o Senhor Deus que vem com poder, estendendo os braços soberanamente. Eis com ele o preço de sua vitória; faz-se preceder pelos frutos de sua conquista; 11 como um pastor, vai apascentar seu rebanho, reunir os animais dispersos, carregar os cordeiros nas dobras de seu manto, conduzir lentamente as ovelhas que amamentam´".
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

A leitura corresponde ao início do Segundo Isaías (Is 40, 1 – 55, 13), também chamado «Livro da Consolação», que começa com uma voz misteriosa que diz em nome de Deus: «Consolai, consolai o meu povo, diz o nosso Deus» (v. 1). O contexto deuteroisaiano é o da situação do Povo no cativeiro de Babilónia, para onde os judeus mais válidos e importantes tinham sido levados em sucessivas deportações, que culminaram com a destruição de Jerusalém e do Templo em 587. O Profeta, continuador do grande Isaías do século VIII, começa, no início da 1ª parte desta obra (cap. 40 – 48), por animar os deportados abatidos a disporem-se para o caminho de regresso à terra-mãe, aproveitando o decreto de Ciro, rei dos Persas, que, tendo em 539 conquistado Babilónia, autorizava os deportados a regressarem às suas terras de origem. O Profeta esclarece que esta libertação é obra de Deus, Senhor do mundo e do curso da história, que se serve do rei Ciro, como seu «ungido», para trazer a liberdade ao Povo. Este regresso, difícil sobretudo para quem já tinha nascido no desterro e para quem ali se encontrava sofrivelmente instalado, é enaltecido e apresentado poeticamente como um «novo êxodo», ainda mais maravilhoso do que o primeiro. O regresso não será um caminho difícil e penoso, pois o Senhor vai fazer grandes prodígios a favor dos retornados.

3 «Uma voz clama: ‘Preparai no deserto o caminho do Senhor…’», tem uma esplêndida actualização na abertura do Evangelho de S. Marcos, o Evangelista deste ano B. Na tradição bíblica o deserto, passa a ter um profundo significado simbólico, como o lugar do encontro com Deus, na solidão e na intimidade da alma em oração, como o tempo de prova e purificação. O abater dos montes e o altear das terras abatidas para construir estradas – coisa então impensável sem a potente maquinaria moderna – é uma ousada metáfora, que se presta a ser aplicada às disposições da alma para que Deus entre nela. O texto da leitura, admiravelmente musicado no início do Messias de Händel, é bem adequado para nos introduzir no espírito do Advento, a preparar a vinda do Senhor, com disposições de humildade e rectidão para endireitar tudo o que na nossa vida ande mais ou menos desviado da vontade de Deus (cf. v. 4).

O Senhor vem para libertar

A primeira leitura nos garante que o Deus de Israel é soberano na história do mundo, embora algumas situações possam ofuscar essa certeza. Na época em que esse texto bíblico foi escrito, o povo de Deus passava por tempos de incerteza. Acontecia a sucessão do império babilônico pelo império persa, ou seja, o povo continuava sob a dominação estrangeira e não sabia se os novos senhores seriam piores ou melhores que os anteriores, situação que trazia uma onda agitada de preocupações.

Então o profeta introduz a boa-nova da redenção (v. 1-11); a mensagem de Deus para o seu povo é de consolo, porque chegou o tempo de redenção. Seu convite é que aceitem a salvação que Deus oferece. O profeta faz esse convite através de um anúncio de esperança. O profeta garante a fidelidade de Deus e a vontade divina de conduzir o povo para a liberdade e a paz.

Uma imagem muito comum na época é usada, relacionada à forma com a qual se faziam as preparações para a viagem de um rei: os vales nivelados, os montes e colinas abaixados, o caminho torto endireitado (v. 4). A voz proclama que Deus vem para levar seu povo da escravidão para a liberdade, da Babilônia para Jerusalém, ao longo de um percurso através do deserto. Deus será como um pastor à frente do rebanho, irá atravessar o deserto à frente de seu povo, que retorna do exílio babilônico para Jerusalém.

AMBIENTE

O nosso texto pertence ao “Livro da Consolação” do Deutero-Isaías (cf. Is 40-55). “Deutero-Isaías” é um nome convencional com que os biblistas designam um profeta anónimo da escola de Isaías que, provavelmente, cumpriu a sua missão profética na Babilónia, entre os exilados judeus (embora alguns situem a sua actividade profética em Jerusalém). Estamos na fase final do Exílio, entre 550 e 539 a.C.

O tempo do Deutero-Isaías é uma época peculiar, com problemas muito próprios. Muitos dos exilados estão frustrados e desorientados, sem entender porque é que Deus permitiu o drama da derrota e do Exílio… Outros estão instalados e acomodados e já não pensam em regressar à sua terra nem esperam nada de Deus.

Na fase final desta época, as notícias das vitórias de Ciro, o persa, sobre os babilónios, fazem esperar um rápido desmoronar do império babilónico e a libertação dos judeus exilados… Mas, se essa libertação chegar – perguntam os exilados – a quem é que deve ser atribuída: a Jahwéh, ou aos deuses persas? Se é a Jahwéh, porque é que Ele escolheu um estrangeiro e não um membro do Povo de Deus para realizar a obra maravilhosa da libertação? No caso de a libertação acontecer, valerá a pena arriscar o regresso e enfrentar as dificuldades do recomeço? Haverá, ainda, um futuro para esse Povo de Deus que parece ter sido abandonado por Jahwéh?

O Deutero-Isaías aparece neste contexto. A sua mensagem destina-se a consolar os exilados (os capítulos 40-55 do Livro do Profeta Isaías chamam-se, precisamente, “Livro da Consolação”) e apontar-lhes novas razões para ter esperança. O profeta começa por anunciar a iminência da libertação e por comparar a saída da Babilónia ao antigo êxodo, quando Deus libertou o seu Povo da escravidão do Egipto (cf. Is 40-48)… Ciro é apresentado como “o escolhido de Jahwéh”, o instrumento de Deus na libertação de Judá. Na segunda parte do livro, o profeta anuncia a reconstrução de Jerusalém, essa cidade que a guerra reduziu a cinzas, mas à qual Deus vai fazer regressar a alegria e a paz sem fim (cf. Is 49-55).

A primeira leitura deste domingo apresenta-nos, precisamente, o prólogo do “Livro da Consolação”.

MENSAGEM

O profeta é, pois, enviado por Deus a anunciar “ao coração de Jerusalém” que a “consolação” do Senhor está próxima (vers. 1). A imagem do “falar ao coração” sugere a relação de amor entre Jahwéh e o seu Povo, entre o amado e a amada… Deus “fala ao coração” do seu Povo, com amor e ternura, a fim de o consolar.

Em que consiste essa “consolação”? Consiste, em primeiro lugar, no anúncio do perdão de Deus (vers. 2). Os exilados estavam convencidos de que a dolorosa experiência do Exílio era o castigo para os pecados cometidos pelo Povo de Judá. Viviam angustiados, afogados em sentimentos de culpa, sentindo-se em transgressão, indignos, pecadores e afastados de Deus. Neste contexto, Deus diz-lhes: o tempo da ruptura e do afastamento terminou e chegou o tempo do reencontro, o tempo de refazer a comunhão e a Aliança.

O profeta utiliza, para expressar esta mensagem de perdão, duas imagens… A primeira é uma imagem ligada ao universo militar: o tempo de serviço que o Povo foi obrigado a cumprir já terminou (a palavra utilizada pelo profeta designa com frequência, na língua hebraica, o tempo de vassalagem forçada, o tempo obrigatório de serviço no exército); a segunda é uma imagem ligada ao universo cultual: o castigo que o Povo sofreu foi aceite pelo Senhor, como se se tratasse de um sacrifício de expiação (esses sacrifícios de expiação que a liturgia de Israel tão bem conhecia e que serviam para refazer a comunhão com Deus, depois do pecado do Povo).

Ainda neste enquadramento de “consolação”, o autor do nosso texto apresenta uma misteriosa voz que convida a preparar “no deserto o caminho do Senhor”, a abrir “na estepe uma estrada para o nosso Deus” (vers. 3-5). O que é que isto significa?
O tema do deserto leva-nos, evidentemente, ao Êxodo… Recorda esse acontecimento fundamental da história e da fé de Israel que foi a libertação do Egipto e a viagem da terra da escravidão para a terra da liberdade (viagem que não foi apenas o percorrer um determinado percurso geográfico mas foi sobretudo uma viagem espiritual, durante a qual o Povo fez uma experiência de encontro com Deus, amadureceu a sua fé e passou de uma mentalidade de egoísmo e de escravidão para uma mentalidade de comunhão e de liberdade).

A referência ao caminho pelo deserto sugere claramente que Deus prepara um Novo Êxodo para o seu Povo. O profeta anuncia aos exilados que Deus vai traçar um caminho fácil, direito, glorioso, triunfal, pelo qual os exilados irão passar da terra da escravidão à terra da liberdade, numa espécie de “reedição melhorada” do antigo Êxodo. Trata-se de um “caminho” geográfico, ou de um caminho espiritual? Provavelmente, o profeta não distingue uma coisa da outra… Ele quererá dizer aos exilados que Deus vai tornar fácil esse percurso geográfico que eles devem percorrer, alimentando-os, salvando-os dos perigos, ajudando-os a vencer a fadiga da caminhada; mas, sobretudo, o profeta quererá dizer aos exilados que Deus lhes vai oferecer, outra vez, a possibilidade de uma “caminhada espiritual”, durante a qual eles poderão fazer uma nova experiência do amor e da bondade de Deus e redescobrir os caminhos da comunhão e da aliança. Naturalmente, é preciso que os exilados preparem o espírito para acolher esta nova possibilidade que Deus oferece, aceitem confiar em Deus, aceitem o desafio de retornar à Aliança, aceitem renunciar à escravidão para correr o risco da liberdade.

Na terceira parte, o nosso texto coloca-nos diante de uma nova cena… Um “mensageiro” (em grego: um “evangelista”) eleva a sua voz sobre uma alta montanha e proclama uma “boa notícia” a Jerusalém e às outras cidades de Judá: o Deus poderoso do Êxodo (“vem com poder, o seu braço dominará”) conduz pessoalmente o seu Povo de regresso à Terra Prometida… Ele é o Pastor que reúne o seu rebanho, que o apascenta, que cuida das ovelhas mais frágeis e as conduz “ao seu descanso”, que oferece de novo ao seu Povo a vida e a fecundidade. A referência às ovelhas mais fracas e às ovelhas recém-nascidas (objecto de um especial cuidado de Deus, o Pastor) sublinha o amor, a ternura e a solicitude de Jahwéh pelo seu Povo. Trata-se, sem dúvida, de uma mensagem de “consolação” destinada a acordar nos exilados a fé e a esperança.

ACTUALIZAÇÃO

Na reflexão, considerar as seguintes linhas:

• A mensagem de “consolação” que a primeira leitura nos apresenta anuncia a esse povo amargurado, desiludido e frustrado que Deus não o abandonou nem esqueceu e que vai actuar no sentido de oferecer-lhe de novo a vida e a liberdade. Esta mensagem representa um extraordinário “capital de esperança”, oferecido ao Povo de Deus de todas as épocas e lugares… Hoje, sentimo-nos esmagados e frustrados porque a violência e o terrorismo marcam com sangue e sofrimento a vida de tantos dos nossos irmãos, ou porque os pobres e os fracos são esquecidos e colocados à margem da história, ou porque parece que a sociedade global se constrói com egoísmo, com indiferença e com exclusão… O profeta garante-nos que Deus – esse Deus que é eternamente fiel aos compromissos que assumiu para com os seus filhos – não está alheado da nossa história, que Ele continua a vir ao nosso encontro e a oferecer-Se para nos conduzir com amor e solicitude ao encontro da verdadeira vida e da verdadeira liberdade.

• A mensagem do profeta é particularmente questionadora para esses exilados que já não pensavam em regressar à sua terra nem se esforçavam minimamente por escutar os apelos e os desafios de Deus. Instalados e acomodados, eles haviam perdido a capacidade de arriscar e a vontade de começar um novo caminho com Deus. A mesma mensagem interpela todos os homens e mulheres que vivem acomodados nos seus espaços seguros e protegidos ou resignados a uma vida banal, vazia, cinzenta, insípida, e convida-os a abrir o coração à novidade de Deus. È preciso correr riscos, aceitar despojar-se do egoísmo, do comodismo, do materialismo, da escravidão dos bens, dos preconceitos para percorrer, com Deus, esse caminho de regresso à vida nova da liberdade.

• Em concreto, o que é que nos impede de percorrer o caminho que Deus nos propõe e de nascer para uma vida mais livre e mais feliz? Os bens materiais? A posição social? O comodismo? O medo? O Advento é o tempo favorável para limparmos os caminhos da nossa vida, de forma a que Deus possa nascer em nós e, através de nós, libertar o mundo… Quais são os vales que precisam de ser alteados, os montes que precisam de ser abatidos, os caminhos que precisam de ser endireitados para que Deus possa vir ao nosso encontro?

• A figura profética do Deutero-Isaías recorda-nos que é através dos seus mensageiros que Deus continua a oferecer ao mundo e aos homens a vida, a esperança, a liberdade, a salvação. Sentimo-nos sinais vivos de Deus e testemunhas da sua proposta libertadora diante dos nossos irmãos, ou preferimos esconder-nos atrás de uma vida egoísta, cómoda, instalada, sem compromissos?

Subsídios:
1ª leitura: (Is 40,1-5.9-11) Aplanar o caminho para Deus, que reconduzirá seu povo - Começo do “Livro da Consolação” (Is 40–55). Simultaneamente com vigor e ternura, o profeta anuncia o perdão do povo (deportado por causa do pecado) e sua volta do exílio. Imagens: 1) já se pode preparar o caminho (v. 3-5); 2) Sião torna-se mensageira da boa-nova (v.9); 3) o Pastor que com ternura reconduz suas ovelhas (v. 10-11). *  40,1-2 cf. Is 52,7-12; Ex 6,7; Jr 31,33; Is 43,25 *  40,3-5 cf. Is 43,1-7; 45,2; Mt 3,3; Jo 1,23; Ex 24,16; Jo 1,14 *  40,10-11 cf. Is 35,4; 62,11; Mq 2,12-13; Ez 34,11-16; Jo 10,11-18.



Salmo Responsorial

Monição: O Salmo 84 canta a esperança do povo desterrado É um hino ao Deus compassivo que agora conduz o povo à sua terra para fazê-la frutificar.

SALMO RESPONSORIAL – 84/85

Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade
e a vossa salvação nos concedei!

Quero ouvir o que o Senhor irá falar:
é a paz que ele vai anunciar;
a paz para que o seu povo e seus amigos,
para os que voltam ao Senhor seu coração.
Está perto a salvação dos que o temem,
e a glória habitará em nossa terra.

A verdade e o amor se encontrarão,
a justiça e a paz se abraçarão;
da terra brotará a fidelidade,
e a justiça andará na sua frente
e a salvação há de seguir os passos seus.

Segunda Leitura

Monição: A segunda leitura da carta de Pedro situa-nos dentro do debate sobre o dia da segunda vinda do Senhor. Trata-se de um convite à vigilância e à conversão.

2 Pedro 3,8-14

Leitura da segunda carta de são Pedro. 3 8 Mas há uma coisa, caríssimos, de que não vos deveis esquecer: um dia diante do Senhor é como mil anos, e mil anos como, um dia. 9 O Senhor não retarda o cumprimento de sua promessa, como alguns pensam, mas usa da paciência para convosco. Não quer que alguém pereça; ao contrário, quer que todos se arrependam. 10 Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contém. 11 Uma vez que todas estas coisas se hão de desagregar, considerai qual deve ser a santidade de vossa vida e de vossa piedade, 12 enquanto esperais e apressais o dia de Deus, esse dia em que se hão de dissolver os céus inflamados e se hão de fundir os elementos abrasados! 13 Nós, porém, segundo sua promessa, esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça. 14 Portanto, caríssimos, esperando estas coisas, esforçai-vos em ser por ele achados sem mácula e irrepreensíveis na paz.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

No final desta epístola o autor inspirado tenta dar uma resposta aos que estavam perplexos com a demora da segunda vinda de Cristo; com efeito, tão grande era o desejo de que Ele chegasse, que chegaram a convencer-se da sua proximidade! Temos aqui um apelo à fé, pois o Senhor sempre cumpre o que promete, mas a verdade é que o dia da sua vinda nos é desconhecido e todos os cálculos humanos estão destinados a falhar, uma vez que para Deus «mil anos são como um só dia», no dizer do Salmo 89 (90), 4; por outro lado, Ele quer dar tempo para que «todos se possam arrepender» (v. 9).

10 «O dia do Senhor chegará como um ladrão» é uma expressão tradicional que consta dos ensinamentos de Jesus e dos Apóstolos: cf. Mt 24, 36.43-44.48-50; Lc 12, 35-48; 1 Tes 5, 4-6;2 Tim 2, 13-14; Apoc 3, 3.

12-13 «Os céus se dissolverão em chamas e os elementos se fundirão no ardor do fogo»: Não parece que se esteja a falar dos quatro elementos da Natureza, segundo os antigos: terra, água, ar e fogo; pela oposição à «Terra», parece que a expressão se refere aos corpos celestes. No entanto, o género destas expressões é claramente apocalíptico, uma linguagem figurada, grandiosa e aterradora, com que se alude a uma poderosa intervenção de Deus, mas sem que nada de concreto se possa especificar. Mas não se pense que tudo vá terminar na destruição; acabará certamente este tipo de vida e, em vez de aniquilamento, o que acontecerá há-de ser uma radical transformação – «os novos céus e a nova terra» –, que também não sabemos em que vai consistir. Estamos perante uma outra rara citação do A. T. na Secunda Petri (Is 65, 17; 66, 22; cf. Rom 8, 18-30; 2 Cor 5, 14-15; Apoc 21, 1; cf. tb. Jds 24). Trata-se de uma nova ordem de coisas, «onde habitará a justiça», isto é, a santidade e a plena harmonia de acordo com o projecto de Deus, pois não haverá mais pecado e os pecadores rebeldes estarão para sempre apartados para o fogo eterno (cf. Mt 25, 41). O mais que se diga é especulação e alimento mais ou menos edificante da imaginação.

O Senhor virá em breve

A segunda leitura nos adverte de que não podemos ignorar que o Senhor é eterno e de que não existe o aparente atraso da segunda vinda de Cristo. A expressão “um dia é como mil anos e mil anos é como um dia” (v. 8) é tirada do Sl 90,4 e não se refere a um milênio como período histórico, mas simplesmente ao fato de que o tempo não afeta o Senhor, porque ele é eterno. Esse aparente atraso no retorno do Senhor, na verdade, deve ser interpretado como uma prova de sua paciência para conosco. É vontade do Senhor que ninguém pereça, mas os pecadores mudem de atitude.

A aparente descrição do fim dos tempos como se todas as coisas fossem desintegrar-se não deve nos meter medo. O autor não está querendo afirmar que tudo vai se acabar com o fogo. Ele usa o símbolo do fogo porque era o principal elemento purificador dos metais na Antiguidade. Era pelo fogo que se mostrava o valor de um metal precioso como a prata e o ouro. Da mesma forma, é nos períodos das maiores provações que se mostra a grandeza de nossa fé e santidade. Portanto,  nossa vida e santidade devemos considerar como metal precioso, enquanto esperamos diligentemente a vinda do Senhor.

A expressão “céus e terra” serve para resumir toda a criação, por isso “novos céus e nova terra” significam apenas uma nova criação. O autor quer mostrar que haverá uma “nova terra onde habitará a justiça”. Ele não está interessado em apresentar um mapa dos eventos futuros, mas apontar para a esperança em transformar o nosso presente. Essa leitura nos convida a uma espera produtiva e transformadora do nosso comportamento. O texto bíblico nos exorta à conversão contínua e à transformação do mundo egoísta em reino de fraternidade e paz.

AMBIENTE

A Segunda Carta de Pedro apresenta todas as características de uma “carta testamento”, como se o autor, sentindo aproximar-se a morte, quisesse transmitir uma última e decisiva mensagem a um grupo de pessoas a quem se sente particularmente ligado (habitualmente, familiares, amigos ou discípulos).

Em concreto, o autor da Segunda Carta de Pedro dirige o seu “testamento” aos irmãos da sua comunidade cristã e convida-os a conservarem-se fiéis aos ensinamentos recebidos, evitando deixarem-se confundir pelas doutrinas dos alguns falsos mestres. Os crentes devem esforçar-se, segundo este “testamento”, por preparar adequadamente a segunda vinda de Jesus Cristo, sem se deixarem manipular por doutrinas contrárias ao Evangelho e ao ensinamento recebido da tradição apostólica.

O autor apresenta-se a si próprio como Simão Pedro, servidor e apóstolo de Jesus Cristo (cf. 2 Ped 1,1), testemunha da transfiguração (cf. 2 Pe 1,16); no entanto, é praticamente consensual entre os estudiosos da Bíblia que este escrito é bem posterior ao apóstolo Pedro. Tudo indica que o autor desta carta não pertenceu à primeira geração cristã; contudo, é um judeo-cristão com sólida formação helénica e que conhece bem a vida e a catequese do apóstolo Pedro. Alguns autores costumam situar a redacção desta carta por volta do ano 125.

MENSAGEM

O texto que hoje nos é proposto apresenta duas partes, embora estreitamente ligadas uma à outra pelo tema da parusia (a “segunda vinda” do Senhor Jesus, no final dos tempos). A primeira integra uma reflexão (cf. 2 Pe 3,1-10) sobre o “dia do Senhor”; a segunda integra uma exortação (cf. 2 Pe 3,11-16) aos cristãos no sentido de levarem uma vida santa.

Os cristãos dos primeiros tempos estavam convencidos da iminência da chegada de Jesus para eliminar definitivamente o mal e para instaurar definitivamente o Reino de Deus. No entanto, o tempo passava e a segunda vinda do Senhor não acontecia. Os crentes estavam decepcionados e eram objecto da irrisão dos adversários. É neste contexto que a leitura de hoje nos situa…

O autor explica sumariamente aos membros da sua comunidade cristã as razões pelas quais o Senhor ainda não veio… A primeira é que Deus não está dependente do tempo, como nós que vivemos na história (“um dia diante do Senhor é como mil anos e mil anos como um dia” – vers. 8); a segunda é que Deus é paciente e pretende prorrogar o tempo da história para dar a todos a oportunidade de acolherem a salvação que Ele oferece (vers. 9). De resto, não é possível definir o momento exacto da segunda vinda de Jesus: será algo inesperado e surpreendente, que os crentes devem esperar vigilantes e preparados.

O que é que significa estar vigilante e preparado? O nosso autor responde a esta questão na segunda parte do nosso texto (vers. 11-14). Os crentes devem viver uma vida consentânea com a vocação a que foram chamados – isto é, uma vida irrepreensível, “santa” (isto é, ao serviço de Deus), cheia de “piedade”, “sem pecado nem motivo algum de censura”. Essa conduta apressará, na opinião do autor da carta, a segunda vinda do Senhor e, consequentemente, a concretização da promessa desses “novos céus e nova terra onde habitará a justiça”.

ACTUALIZAÇÃO

Considerar, para a reflexão e actualização, os seguintes elementos:

• A certeza da ressurreição garante-nos que Deus tem um projecto de salvação e de vida para cada homem; e que esse projecto está a realizar-se continuamente em nós, até à sua concretização plena, quando nos encontrarmos definitivamente com Deus. A nossa vida presente não é, pois, um drama absurdo, sem sentido e sem finalidade; é uma caminhada tranquila, confiante em direcção a esse desabrochar pleno, a essa vida total em que se revelará o Homem Novo.

• A questão fundamental que os cristãos devem pôr, a propósito da segunda vinda do Senhor, não é a questão da data, mas é a questão de como esperar e preparar esse momento. O autor do nosso texto deixa claro que o que é preciso é estar vigilante. “Estar vigilante” não significa ficar a olhar para o céu à espera do Senhor, esquecendo e negligenciando as questões do mundo e os problemas dos homens; mas significa viver, no dia a dia, de acordo com os ensinamentos de Jesus, empenhando-se na transformação do mundo e na construção do Reino.

• A certeza da segunda vinda do Senhor dá aos crentes uma perspectiva diferente da vida, do seu sentido e da sua finalidade… Para os não crentes, a vida encerra-se dentro dos limites estreitos deste mundo e, por isso, só interessam os valores deste mundo; para os crentes, a verdadeira vida, a vida em plenitude, está para além dos horizontes da história e, por isso, é preciso viver de acordo com os valores eternos, os valores de Deus. Assim, na perspectiva dos crentes, não são os valores efémeros, os valores deste mundo (o dinheiro, o poder, os êxitos humanos) que devem constituir a prioridade e que devem dominar a existência, mas sim os valores de Deus. Quais são os valores que eu considero prioritários e que condicionam as minhas opções?

• A certeza da segunda vinda do Senhor aponta também no sentido da esperança. Os cristãos esperam, em serena expectativa, a salvação que já receberam antecipadamente com a morte de Cristo, mas que irá consumar-se no “dia do Senhor”. Os crentes são, pois, homens e mulheres de esperança, abertos ao futuro – um futuro a conquistar, já nesta terra, com fé e com amor, mas sobretudo um futuro a esperar, como dom de Deus.

Subsídios:
2ª leitura: (2Pd 3,8-14) Deus tem tempo: espera por nossa conversão - A 1ª e 2ª geração dos cristãos esperava, em vão, a nova vinda do Senhor, enquanto o mundo os oprimia e ridicularizava. O autor explica: Deus quer dar uma chance para que todos se convertam. Vivendo na justiça, os fiéis apressam a chegada do Dia do Senhor. Porém, este Dia vem como um ladrão, de repente: é mister estar pronto. * 3,8-10 cf. Sl 91[90],4; Lc 18,7-8; 2Pd 1,3-4; 1Ts 5,2 * 3,11-14 cf. Is 34,4; Ap 6,13-17; 21,1.27.

Aclamação ao Evangelho

Aleluia, aleluia, aleluia.
Preparai o caminho do Senhor; endireitai suas veredas. Toda a carne há de ver a salvação do nosso Deus (Lc 3,4.6).

Evangelho

Monição: Deus deseja que todo o homem seja Seu colaborador na Sua obra da criação, contribuindo, com todas as suas forças para a construção dum mundo melhor. No entanto, o cristão se não quiser atraiçoar a sua missão, tem de manter sempre a espiritualidade do deserto, ensinada pelo Precursor.

Marcos 1,1-8

— O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós. — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos. — Glória a vós, Senhor! 1 1 Princípio da boa nova de Jesus Cristo, Filho de Deus. Conforme está escrito no profeta Isaías: 2 Eis que envio o meu anjo diante de ti: ele preparará o teu caminho. 3 Uma voz clama no deserto: "Traçai o caminho do Senhor, aplanai as suas veredas". 4 João Batista apareceu no deserto e pregava um batismo de conversão para a remissão dos pecados. 5 E saíam para ir ter com ele toda a Judéia, toda Jerusalém, e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. 6 João andava vestido de pêlo de camelo e trazia um cinto de couro em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. 7 Ele pôs-se a proclamar: "Depois de mim vem outro mais poderoso do que eu, ante o qual não sou digno de me prostrar para desatar-lhe a correia do calçado. 8 Eu vos batizei com água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo".
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

S. Marcos começa o seu Evangelho com umas breves referências à pregação do Baptista (vv. 2-8) e ao Baptismo de Jesus (vv. 9-11) e uma brevíssima alusão às tentações no deserto (vv. 12-13), que constituem como que o prólogo da sua obra. À primeira vista, poderia parecer que no 1º versículo – «Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus» – a palavra Evangelho designaria o seu escrito. Mas a verdade é que estas palavras são como que a síntese de toda a obra: «Jesus» é «Cristo», isto é, o Messias anunciado pelos profetas e também o «Filho de Deus». Todo o Evangelho de Marcos está enquadrado nesta confissão de fé, com que também finaliza a vida terrena de Jesus: «verdadeiramente este homem era Filho de Deus (Mc 15, 39). O próprio Jesus é Ele mesmo o «princípio» da salvação, pois Ele é a Boa Nova, o «Evangelho». A palavra grega «evangelho» significa boa notícia; no Novo Testamento é o feliz anúncio da salvação que Deus comunica aos homens por meio de seu Filho.

A citação inicial (vv. 2-3) de Isaías 40, 3 (cf. 1ª leitura de hoje) tem o valor da citação do Profeta messiânico por excelência, por isso engloba na citação uma parte que nem sequer é de Isaías, o v. 2, mas do profeta Malaquias (Mal 3, 1; cf. Ex 23, 20). A grandeza de Jesus é posta em relevo pela humildade de João que afirma: «eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias» (v. 7); com efeito desatar as sandálias era considerado algo tão humilhante, que nem sequer se podia exigir a uma escravo que fosse judeu. O convite do Baptista à «penitência» (v. 4) é o melhor apelo a «preparar o caminho do Senhor» para Natal que se aproxima; o próprio João aparece como um modelo de preparação: um homem desprendido e penitente (cf. v. 6).

Preparai o caminho do Senhor

A liturgia de hoje nos oferece um texto que enfatiza a identidade de João Batista como mensageiro de Deus e iniciador do caminho de Jesus. Portanto, quem quiser celebrar bem o nascimento de Jesus deve passar por João Batista, entendendo o objetivo de sua vinda antes do Cristo.

A figura de João no deserto insere-se no advento do evangelho e do cristianismo, à semelhança da passagem do povo pelo deserto durante quarenta anos, a qual antecipou o nascimento de Israel como um povo consagrado a Deus. O deserto é um lugar de provação intensa ou tentação, mas também evoca o caminho do retorno, conforme as palavras de Is 40,3. Por isso, o evangelho de hoje apresenta João não apenas batizando, mas proclamando um batismo de arrependimento e de conversão. O verbo proclamar indica que o batismo realizado por João não é mero ritual, mas evento de salvação que ele veio para proclamar. Por isso, também, João não batiza em qualquer lugar, mas no rio Jordão, entrada para Israel, à semelhança dos hebreus quando foram libertados da escravidão do Egito e, atravessando o deserto, entraram na terra prometida através do mesmo rio.

Marcos relata que o batismo de João era com água e tinha como objetivo a conversão. Com a chegada do mais forte, ou seja, mais apto, o batismo será com o Espírito Santo e com fogo. Esse que virá, a saber, o Cristo, é que irá realizar a obra de Deus para a qual João está preparando as pessoas.

João Batista está seguro de que a vinda do Cristo trará consigo o fim dos tempos. Por isso, o profeta estabelece um movimento final de conversão, antes do fim iminente. Ele expõe aos seus ouvintes aquilo que considera ser a última oportunidade de conversão, porque, no seu modo de pensar, não haverá mais nenhuma outra oportunidade.

Dessa forma, João fica na fronteira entre o deserto e a Terra Prometida, abordando todos os habitantes de Jerusalém e da Judeia, como um personagem do fim dos tempos, e oferecendo uma oportunidade de conversão, antes da chegada do Cristo, a cada um daqueles que vêm ali e confessam os seus pecados. João nos convida a acolher o Cristo libertador, que nos dá o Espírito Santo para gerar vida nova ao nos introduzir na dinâmica do mundo novo que está por vir, a dinâmica do amor.

AMBIENTE

O Evangelho segundo Marcos parece ter sido o primeiro dos Evangelhos a ser redigido, certamente antes do ano 70. A crítica do texto sugere que se trata de uma obra destinada a uma comunidade maioritariamente composta por cristãos vindos directamente do paganismo, provavelmente a comunidade cristã de Roma.

O final da década de 60 é uma época difícil para os cristãos em geral e para os cristãos da cidade de Roma em particular. Por volta do ano 66, o imperador Nero organizou uma terrível perseguição contra os cristãos da capital do império. Pedro e Paulo foram mortos nesta altura, juntamente com um número considerável de outros cristãos. A fidelidade no seguimento de Jesus comportava o risco contínuo de ver-se desprezado, perseguido e maltratado.

Nesta situação de perseguição e de crise, era necessário afirmar a fé em Jesus Cristo. Como? Marcos percebeu que era preciso entender correctamente a identidade de Jesus. Se a comunidade descobrisse em Jesus o Filho de Deus que veio ao mundo ao encontro dos homens para lhes transmitir a Boa Nova da salvação, era muito mais fácil manter a fidelidade, mesmo num contexto adverso de perseguição e de sofrimento. O Evangelho segundo Marcos vai nascer, pois, com a preocupação de apresentar aos crentes – de forma clara – a verdadeira identidade de Jesus.

O texto que hoje nos é proposto é o prólogo ao Evangelho segundo Marcos. Nesse prólogo, o autor enuncia as coordenadas fundamentais do seu Evangelho. Trata-se, diz o título da obra, de apresentar uma “Boa Notícia” (“evangelho”) aos crentes mergulhados na crise e na perseguição. Qual é essa “Boa Notícia” que deve dar sentido ao sofrimento dos cristãos? É que esse Jesus, à volta do qual se constrói a vida e a fé da Igreja, é o Messias libertador (“o Cristo”) e o Filho de Deus. Nestes dois títulos fica definida, quer a missão específica, quer a identidade de Jesus.

MENSAGEM

O corpo central do nosso texto apresenta-nos a missão de João Baptista (vers. 2-3), a sua pregação (vers. 4), a reacção dos ouvintes (vers. 5), o seu estilo de vida (vers. 6) e o testemunho de João sobre Jesus (vers. 7-8).

Qual é, pois, a missão de João? De acordo com o nosso texto, é ser o “mensageiro” que prepara o caminho para o “Messias”, “Filho de Deus” (vers. 2). A propósito da apresentação da missão de João, o autor apresenta uma citação que atribui ao Profeta Isaías mas que é, na realidade, um conjunto de afirmações retiradas do Êxodo (cf. Ex 23,20), de Isaías (cf. Is 40,3) e de Malaquias (cf. Mal 3,1): “Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o teu caminho. Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”. A acumulação de citações tiradas da Torah e dos Profetas sugere que João é esse mensageiro de Deus do qual falavam as promessas antigas, e que devia vir anunciar e preparar o Povo de Deus para acolher a intervenção definitiva de Jahwéh na história dos homens.

Em que consistia a pregação de João? João “apareceu no deserto a proclamar um baptismo de penitência para remissão dos pecados” (vers. 4). De acordo com a catequese judaica, o Messias só chegaria quando Israel fosse, na verdade, a comunidade santa de Deus… Antes de o Messias chegar, o Povo devia, portanto, realizar um caminho de purificação e de conversão, de forma a tornar-se um Povo santo. O “baptismo de penitência” (literalmente, “baptismo de conversão” – ou de “metanoia”) proposto por João deve ser entendido neste contexto e representa um convite à mudança radical de vida, de comportamento, de mentalidade.

Este “baptismo” proposto por João não era, na verdade, uma novidade insólita. O judaísmo conhecia ritos diversos de imersão na água. Era, inclusive, um rito usado na integração dos “prosélitos” (os pagãos que aderiam ao judaísmo) na comunidade do Povo de Deus. Na perspectiva de João, provavelmente, este “baptismo” é um rito de iniciação à comunidade messiânica: quem aceitava este “baptismo” passava a viver uma vida nova e aceitava integrar a comunidade do Messias.

A pregação de João é feita “no deserto”. O “deserto” é, no contexto da catequese judaica, o lugar onde o Povo de Deus realizou uma caminhada de purificação e de conversão. Foi no deserto que os israelitas libertados do Egipto passaram de uma mentalidade de escravos a uma mentalidade de homens livres, de uma mentalidade de egoísmo a uma mentalidade de partilha, de uma atitude descomprometida a uma Aliança com Jahwéh, da desconfiança em relação à proposta libertadora que Moisés lhes apresentou à confiança total num Deus que cumpre as suas promessas e que é fonte de vida e de liberdade para o seu Povo. A pregação de João lembrava aos israelitas a necessidade de voltar ao “deserto” e de percorrer um caminho semelhante àquele que os antepassados tinham percorrido.

Como é que os interlocutores de João reagiam às suas propostas? Marcos diz que “acorria a Ele toda a gente da região da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém” para serem baptizados, confessando os seus pecados (vers. 5). A afirmação de que “toda a gente” acorria ao apelo de João parece manifestamente exagerada… Ao apresentar esta perspectiva ideal da forma como a mensagem foi acolhida pelo Povo, Marcos está, provavelmente, a sugerir o carácter decisivo e determinante da proposta que João faz: não é “mais um” convite à conversão, mas é o último e definitivo apelo de Deus ao seu Povo.

João “vestia-se de pêlos de camelo, com um cinto de cabedal em volta dos rins e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre”. O estilo de vida de João – sóbrio, desprendido, austero, simples – é um convite claro à renúncia aos valores do mundo. É a aplicação prática dessa austeridade de vida e dessa renovação de atitudes, de comportamentos e de mentalidade que João pede aos seus conterrâneos. O estilo de vida de João corrobora a mensagem que ele apresenta.

Além disso, o estilo de vida de João evoca o profeta Elias que, de acordo com 2 Re 1,8, se vestia “de peles” e “trazia um cinto de couro em volta dos rins”. O profeta Elias era, no universo da esperança judaica, o profeta elevado para junto de Deus e destinado a aparecer de novo no meio dos homens para anunciar a chegada iminente da era messiânica (cf. Mal 3,22-24). A identificação física de João com Elias significa que a era messiânica chegou e que João é o mensageiro esperado, cuja mensagem prepara a chegada do Messias libertador.

O que é que João diz sobre esse Messias libertador, do qual ele é o arauto e o mensageiro? João fala da “força” do Messias e define a sua missão como “baptizar no Espírito”. Tanto a fortaleza como o dom do Espírito são prerrogativas do Messias, segundo a catequese profética (cf. Is 9,6; 11,2). O Messias terá, portanto, a força de Deus e a sua missão será comunicar esse Espírito de Deus, que transforma, renova e recria os corações dos homens.

Em resumo: João é o mensageiro, enviado por Deus para preparar os homens para a chegada do Messias. A mensagem transmitida por João – com a palavra e com a própria atitude de vida – é um apelo veemente à mudança de vida e de mentalidade, a fim de que a proposta do Messias libertador encontre lugar no coração dos homens. João deixa claro que a missão do Messias é comunicar o Espírito que transforma o homem.

ACTUALIZAÇÃO

Na reflexão, considerar os seguintes desenvolvimentos:

• Antes de mais, temos de considerar a mensagem principal do nosso texto… João, o Baptista, afirma claramente que preparar a vinda do Messias passa pela “metanoia” – isto é, por uma transformação total do homem, por uma nova atitude de base, por uma outra escala de valores, por uma radical mudança de pensamento, por uma postura vital inteiramente nova, por um movimento radical que leve o homem a reequacionar a sua vida e a colocar Deus no centro da sua existência e dos seus interesses. Neste tempo de Advento, de preparação para a celebração do Natal do Senhor, trata-se de uma proposta com sentido: preparar a vinda de Jesus exige de nós uma transformação radical da nossa vida, dos nossos valores, da nossa mentalidade… Em concreto, o que é que nos meus pensamentos, nos meus comportamentos, na minha mentalidade, nos valores que dirigem a minha vida, é egoísmo, orgulho e auto-suficiência e impede o nascimento de Jesus no meu coração e na minha vida?

• Deus convida o homem à transformação e à mudança através desses profetas a quem Ele chama e a quem confia a missão de questionar o mundo e os homens. Estamos suficientemente atentos aos profetas que questionam o nosso estilo de vida e os nossos valores? Damos crédito às suas interpelações, ou consideramo-los figuras incomodativas, ultrapassadas e dispensáveis? E nós, constituídos profetas desde o nosso baptismo, sentimo-nos enviados por Deus a interpelar e a questionar o mundo e os nossos irmãos?

• O “estilo de vida” de João constitui uma interpelação pelo menos tão forte como as suas palavras. É o testemunho vivo de um homem que está consciente das prioridades e não dá importância aos aspectos secundários da vida – como sejam a roupa “de marca” ou a alimentação cuidada. A nossa vida também está marcada por valores, nos quais apostamos e à volta dos quais construímos toda a nossa existência… Quais são os valores fundamentais para mim, os valores que marcam as minhas decisões e opções? São valores importantes, decisivos, eternos, capazes de me dar vida e felicidade, ou são valores efémeros, particulares, egoístas e geradores de dependência e escravidão? Como nos situamos frente a valores e a um estilo de vida que contradiz, claramente, os valores do Evangelho?

• Ao acentuar o carácter decisivo e determinante do apelo de João, Marcos convida-nos a uma resposta objectiva, franca, clara e decidida. Não podem existir meias tintas ou tentativas de protelar a decisão… Estamos ou não dispostos a dizer “sim” aos apelos de Deus? Estamos ou não dispostos a aceitar a sua proposta de “metanoia”? Não chega dizer “talvez” ou “sim, mas…”. Deus espera uma resposta total, radical, decidida, inequívoca à oferta de salvação que Ele faz. Isso significa uma renúncia decidida ao nosso comodismo, à nossa preguiça, ao nosso egoísmo, à nossa auto-suficiência e um embarcar decidido na aventura do Reino que Jesus, há mais de dois mil anos, veio propor aos homens…

Subsídios:
Evangelho: (Mc 1,1-8): João Batista, precursor do “Forte de Deus” - O início da boa-nova (“evangelho”) a respeito de Jesus Cristo é a mensagem de João Batista, anunciando o Messias, mas para isso também exigindo a conversão, mediante o sinal do batismo. A fé reconheceu, nesta atividade do Batista, a realização da profecia de Is 40,2-3; Jesus, anunciado por João, é, pois, o Messias e João aquele que lhe prepara o caminho.* Cf. Mt 3,1-6.11-12; Lc 3,3-6.15-17; Jo 1,19-28 * 1,1 (“Filho de Deus”) cf. Mc 1,11; 3,11; 9,7; 14,61; 15,39 * 1,2-3 cf. Ml 3,1; Is 40,3 * 1,8 cf. Jo 1,26.33; At 1,5; 11,16; 13,25.

***   ***   ***

Do 2º domingo do Advento em diante, a perspectiva escatológica de nossa existência (cf. domingo passado) é iluminada a partir de sua “fonte”, a primeira vinda de Cristo. Enquanto o 1º domingo fala da segunda vinda de Cristo e esboça uma visão escatológica do dia de hoje à luz da segunda vinda, os demais domingos do Advento recordam e contemplam o acontecimento da primeira vinda. Na primeira vinda do Cristo está arraigado o sentido definitivo de nosso existir: é o momento fundador. Jesus Cristo é o início e o fim da existência humana plena, o Alfa e o Ômega (Ap 22,13).

A chegada deste momento fundador é a grande notícia da História, a boa-nova por excelência. O evangelho “querigmático” de Mc vê como início desta boa-nova o apelo à conversão, lançado por João (evangelho), realizando plenamente o que o “Segundo Isaías” prefigurou, quando, pelo fim do exílio babilônico (535 a.C.), conclamou o povo para preparar um caminho para Deus, que ia reconduzir os cativos. Era um apelo à conversão, pois deviam preparar a volta, “voltando” (= convertendo-se) para Deus, agora que este determinou o fim do castigo (Is 40,2) (1ª leitura). Deus reconduz os cativos. Ele mesmo vai com eles. Como um imperador na entrada gloriosa (“parusia”), ele se faz preceder pelos frutos de sua conquista: o povo resgatado (40,10). Como um pastor, reúne suas ovelhas. E com que ternura! Leva os cordeirinhos nos braços e conduz devagarinho as ovelhas que amamentam (40,11).

Esta era a boa-nova que Jerusalém, qual mensageira, devia publicar para o mundo (40,9). Assim, também, a conversão pregada por João é o início da perfeita boa-nova da vinda definitiva de Deus e seu Reino, em Jesus Cristo. A conversão faz parte da boa-nova, pois é nossa participação na salvação que Deus nos destinou. Deus já voltou seu coração para nós; resta-nos correspondermos. A conversão apregoada por João é simbolizada pelo batismo nas águas do Jordão. Se, naquela região semidesértica, a água tem por si mesma um sentido de salvação, ela lembra também a efusão escatológica do Espírito, e ainda a travessia do Mar Vermelho (Ex 14) e a travessia do Jordão quando da entrada na Terra Prometida (Js 3). A alusão a Is 40,3 lembra também a volta do exílio, concebida como um novo êxodo. O batismo de João é um símbolo da salvação, e a confissão dos pecados, pelos habitantes de Judá (Mc 1,5), significa a participação nesta salvação. Pois como pode o coração alegrar-se com a vinda do esperado, se não expulsar o pecado que lhe pesa (cf. Sl 51[50],5)?

Por seu modo de vestir e alimentar-se, João evoca o deserto (1,6), pois é a partir daí que o povo deve atravessar o Jordão e penetrar na Terra da Promessa. Evoca também Elias (cf. Mc 9,13; Mt 17,13), que os judeus esperavam voltar como precursor do Messias (Ml 3,1.23-24; cf. Mc 1,2). Anuncia um “mais forte”, que virá depois dele, para “batizar com o Espírito Santo" (dom escatológico: cf. Jl 3,1-2; Ez 36,27, etc.).

O batismo de conversão fazia parte da chegada do Reino. Nossa existência se situa entre a chegada e a plenificação do Reino. Por isso, a conversão é “pão nosso de cada dia”, nossa contínua participação no Reino que vem de Deus. É o que expressa, de modo um tanto ingênuo, a 2ª leitura de hoje. Os cristãos das primeiras gerações esperavam a segunda vinda de Cristo para breve. Entretanto, o atraso tornava-se sempre mais notável e o escárnio do mundo sempre mais agressivo. Diante da impaciência e, quem sabe, desespero e desistência, que isso gerava, Pedro responde: Deus tem tempo: ele quer que todos se convertam, para que todos possam participar. Mas, mesmo assim, ele não desiste de seu projeto, pois ele deseja que tudo esteja em harmonia consigo. Só que ele não quer expurgar os “elementos nocivos” da criação antes que todos tenham a oportunidade de se converter, isto é, de se tornar participantes. Mas ele realizará, sem que saibamos o dia e a hora, seu “novo céu e nova terra” (2Pd 3,13), e então será bom estarmos de acordo com esta nova realidade (3,14).

Talvez possamos traduzir este pensamento, expresso na linguagem apocalíptica do século I, numa linguagem mais adequada para hoje, dizendo que Deus exercerá, por Cristo, seu absoluto senhorio da História, dando, porém, aos homens chances para participar desta “sua” História, pela adesão pessoal à sua vontade, no empenho em construir um mundo compatível com Deus. A História não é um absoluto, uma espécie de deus, mas um projeto do Deus de Jesus Cristo, projeto que não acontece fatalmente, mas com participação do ser humano. Convertendo-se cada dia de novo a Deus, o homem-filho de Deus realiza uma vocação inalienável. O homem não é um agente impessoal da História que se constrói, mas um filho de Deus que constrói a História de Deus. Essa construção é fazer chegar o Reino, “apressar o Dia”, por nossa participação, desde já. Não esquecendo, porém, que Deus tem a última palavra sobre a História e sobre nós que a fazemos.

DEUS SE VOLTA PARA NÓS, VOLTEMOS PARA ELE!

A Boa Notícia começa com um grande chamado à conversão (Mc 1,1-15; cf. Mt 3,1-17; Lc 3,1-22). Em que sentido a conversão é “boa notícia”? Conversão, na Bíblia, significa volta (como se faz uma conversão com o carro na estrada). Na 1ª leitura ressoa um magnífico texto do Segundo Isaías. O rei Ciro, depois de conquistar Babilônia, mandou os judeus que aí viviam exilados de volta para Jerusalém (em 538 a.C.). O profeta imagina Deus reconduzindo essa gente a Sião. Precede-lhe um mensageiro que proclama: “Preparai no deserto uma estrada” (Is 40,3) – como para a entrada gloriosa (a “parusia”) do Grande Rei. Mas é um rei diferente, cheio de ternura: “Como um pastor, ele conduz seu rebanho; seu braço reúne os cordeiros, ele os carrega no colo, toca com cuidado as ovelhas prenhes” (v. 11). Essa era a boa notícia que Jerusalém, qual mensageira, devia anunciar ao mundo (v. 9).

Conversão não é coisa trágica. Deus já voltou seu coração para nós; resta-nos voltar o nosso para ele. Ao proclamar o batismo de conversão (evangelho), João Batista pressentia a proximidade de uma “entrada gloriosa” de Deus. Como símbolo da “volta” usava a água do rio Jordão, que lembrava a travessia do povo de Israel pelo mar Vermelho e pelo rio Jordão, rumo à terra prometida. Reforçava sua mensagem repetindo o texto de Is 40,3: “Preparai uma estrada…”. Vestia-se com um rude manto feito de pêlos de camelo e alimentava-se com a comida do deserto – mel silvestre e gafanhotos –, como o profeta Elias, o grande profeta da conversão, cuja volta se esperava (cf. Ml 3,1.23-24 e Eclo 48,10). Mas João ainda não é aquele que deve vir, apenas prepara a chegada deste, o “mais forte”, que virá “batizar com o Espírito Santo” (cf. a efusão do Espírito de Deus no tempo do Fim: Jl 3,1-2; Ez 36,27 etc.).

Devemos sempre viver à espera dessa “entrada gloriosa” de Deus. Jesus veio e inaugurou o reinado de Deus, mas deixou a nós a tarefa de materializá-lo na História. Entretanto, Deus já coroou com a glória a vida dele e a obra que ele realizou: reunir as ovelhas como o pastor descrito por Isaías.

No tempo dos primeiros cristãos, muitos imaginavam que Jesus ia voltar em breve com a glória do céu, para arrematar essa obra iniciada. Depois de alguns decênios, porém, começaram a se cansar e a viver sem a perspectiva da chegada de Deus, caindo nos mesmos abusos que vemos hoje em torno de nós. Por isso foi necessário que a voz da Igreja lembrasse a voz dos profetas: Deus pode tardar, mas não desiste de seu projeto. Mil anos são para ele como um dia (2Pd 3,8), mas seu sonho, “um novo céu, uma nova terra, onde habitará a justiça”, fica de pé (2ª leitura).

Não vivamos como os que não têm esperança. Não desprezemos o fato de Deus estar voltado para nós. Voltemos sempre a ele.

(Parte do Roteiro Homilético foi elaborada pelo Pe. Johan Konings SJ – Teólogo, doutor em exegese bíblica, Professor da FAJE. Autor do livro "Liturgia Dominical", Vozes, Petrópolis, 2003. Entre outras obras, coordenou a tradução da "Bíblia Ecumênica" – TEB e a tradução da "Bíblia Sagrada" – CNBB. Konings é Colunista do Dom Total. A produção do Roteiro Homilético é de responsabilidade direta do Pe. Jaldemir Vitório SJ, Reitor e Professor da FAJE.)

III. PISTAS PARA REFLEXÃO:

As leituras de hoje enfatizam o consolo por Deus ser eterno e agir sempre em favor de seu povo, mas, ao mesmo tempo, pedem que nos dispamos dos hábitos do comodismo, da indiferença, do egoísmo e da autossuficiência e aceitemos, outra vez, nos deixar guiar por Deus.

É tempo de conversão. Não estamos nos preparando apenas para o Natal em 25 de dezembro. Estamos nos preparando para a segunda vinda de Jesus e para o mundo novo que ele trará consigo. A celebração do nascimento de Jesus é um sinal que aponta para o reino definitivo, e somente participaremos dessa nova criação se mudarmos nosso modo de viver agora.


FAÇA UMA DOAÇÃO AO NPDBRASIL...
AJUDE-NOS A CONTINUAR NOSSA OBRA EVANGELIZADORA!
A Comunidade NPDBRASIL precisa de você!
Clique aqui e saiba como fazer ou clique no botão abaixo...


Sugestões para a homilia

ATENÇÃO: Na página do Evangelho do Dia aqui no NPDBRASIL, no final de cada Liturgia Diária você encontra mais 3 sugestões de Homilias Diárias. Veja também o Comentário Exegético e mais sugestões de Homilias no índice das Liturgias Dominicais na página Homilias e Sermões.

Sugestões para a homilia

A liturgia deste domingo lança-nos um enérgico apelo à conversão, à preparação do nosso coração para acolher Deus que vem, em Jesus. Afirma-nos que Deus está sempre pronto, e até desejoso, de nos oferecer um mundo novo de liberdade, de justiça e de paz. Porém, esse mundo só se tornará uma realidade quando cada pessoa aceitar reedificar o seu coração, abrindo-o aos valores de Deus.

Uma mensagem de esperança

A primeira leitura constitui uma mensagem de consolação e de esperança, veiculada através de palavras cheias da ternura do nosso Deus. O profeta assegura aos exilados de Israel queJavé é fiel e que quer trazer de volta o seu Povo, em direcção à terra da liberdade e da paz. Ao Povo, por sua vez, é pedido que dispa os seus hábitos de comodismo, de egoísmo e de auto-suficiência e aceite, outra vez, confrontar-se com os desafios de Deus. Também nós nos sentimos apavorados diante da violência e do terrorismo, que parecem imperar, marcando a sangue a vida de tantos dos nossos irmãos e irmãs, das doenças que a medicina não sabe curar, do desprezo a que são votados os mais pequenos e fracos, enfim, de uma sociedade que teima em se construir à margem de Deus e contra Ele. Porém, a mensagem do profeta garante-nos que Deus não está alheado da nossa história, mas continua a vir ao nosso encontro e a oferecer-se para nos conduzir com amor e solicitude até à verdadeira vida e liberdade.

A esperança exige testemunho vivo

No evangelho, João Baptista convida os seus contemporâneos, e também a nós, a acolher o Messias libertador, cuja missão consiste em oferecer a todas as pessoas o Espírito de Deus, que gera vida nova e nos permite viver numa dinâmica de amor e de liberdade. No entanto, só poderá estar aberto à proposta do Messias quem tiver percorrido um autêntico caminho de conversão, uma transformação completa, por um estilo vital inteiramente novo, colocando Deus no centro da sua existência e dos seus interesses. O «estilo de vida» de João constitui uma interpelação tão forte como as suas palavras. É o testemunho vivo de um homem que está consciente das prioridades e não dá importância aos aspectos secundários da vida. A nossa vida também está marcada por valores, nos quais apostamos, e à volta dos quais construímos a nossa existência. Quais são os valores fundamentais que marcam as minhas decisões e opções? Como me situo frente a valores e a um estilo de vida que contradiz, claramente, os valores do Evangelho?

«Novos céus e nova terra»

A segunda leitura aponta para a segunda vinda de Jesus. Convida-nos à vigilância, isto é, a vivermos de acordo com os ensinamentos de Jesus, empenhando-nos na transformação do mundo e na construção do Reino. A certeza da ressurreição garante-nos que Deus tem um projecto de salvação e de vida para cada pessoa e que esse projecto está a realizar-se, continuamente, em nós, até à sua concretização plena, quando nos encontrarmos definitivamente com Deus. Os crentes são, pois, homens e mulheres de esperança, abertos ao futuro, já nesta terra, com fé e amor, mas sobretudo a um futuro a esperar, como dom de Deus, «os novos céus e a nova terra» onde habitam a justiça e a paz.

Ano Paulino

Paulo, completamente mergulhado na lei de Moisés, não foi capaz de reconhecer em Cristo o Messias. Como podia um nazareno, um crucificado ser o Ungido de Deus? Para ele tudo não passava de uma mentira. Na sua concepção do mundo, o outro, o que pensa diferente, o que não pertence à lei, deveria converter-se ou ser reduzido ao silêncio e até ser aniquilado! Apaixonado pelo judaísmo vai até à loucura de perseguir os cristãos. No caminho de Damasco, surge uma grande luz e tudo muda! O seu olhar e inteligência, a sua vida abriram-se e descobriu no improvável a divindade de Jesus Cristo! O morto estava vivo! O que parecia impossível, mentira, loucura, aberração, invenção passou a ser a Verdade!

Os nossos passos, de cristãos «habituados» para quem as páginas do Evangelho «já são conhecidas», e para quem Cristo é o «automaticamente presente» nas nossas reuniões, precisam de cair por terra, em Damasco, para redescobrir a novidade e a força do Evangelho! Os nossos joelhos carecem de tocar a terra para que se levantem os olhos e o coração possa ver Cristo vivo!

Fala o Santo Padre

«No Advento somos convidados a redescobrir e a aprofundar a relação pessoal com Deus.»

Neste tempo de Advento a Comunidade eclesial, enquanto se prepara para celebrar o grande mistério da Encarnação, é convidada a redescobrir e a aprofundar a própria relação pessoal com Deus. A palavra latina «adventus» refere-se à vinda de Cristo e põe em primeiro plano o movimento de Deus rumo à humanidade, ao qual cada um está chamado a responder com a abertura, a expectativa, a busca e a adesão. E como Deus é soberanamente livre ao revelar-se e ao doar-se, porque é movido unicamente pelo amor, assim também a pessoa humana tem liberdade ao dar o seu consentimento, que é um dever: Deus espera uma resposta de amor. Nestes dias a liturgia apresenta-nos como modelo perfeito desta resposta a Virgem Maria, que contemplaremos, a 8 de Dezembro, no mistério da Imaculada Conceição. […]

Bento XVI, Angelus, 4 de Dezembro de 2005


ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS
(adaptadas de “Signes d’aujourd’hui”)

1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 2º Domingo do Advento, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.

2. DURANTE A CELEBRAÇÃO.
– O segundo domingo do Advento é, todos os anos, o de João Baptista. Convite a “preparar o caminho do Senhor”… A nós que andamos quase sempre no activismo, reflectimos imediatamente no que devemos “fazer” para isso… Parece importante ter um sentido penitencial ao longo da celebração. Como não se canta o Glória a Deus, o rito penitencial pode ser mais desenvolvido, com um silêncio mais longo entre as várias invocações.

– O Senhor usa de paciência (segunda leitura), toma os cordeiros em seus braços (primeira leitura). É um Deus cheio de ternura, que nos chama também à ternura. É preciso que nos preparemos para preparar a sua vinda e, ao mesmo tempo, para celebrar e anunciar que Ele é um Deus de amor e de ternura, próximo de cada um. É no amor que Ele é todo-poderoso.

– É sempre para uma conversão (segunda leitura, Evangelho) que somos chamados: conversão consentida no momento do nosso baptismo, conversão revivida em cada dia, necessidade de nos virarmos para este Deus de amor para melhor O ver em Jesus, seu rosto de amor e de ternura. Ao longo da celebração, isso poderá ser sublinhado através das orações e admonições, através da homilia; ou, se uma equipa preparou, pode-se distribuir uma folha que ajude a reflectir, a fazer o ponto, que ajude a uma “exame de consciência” em vista do sacramento da reconciliação.

3. PALAVRA DE VIDA.
Menos pedras… Mais carne… Podemo-nos ferir se formos contra as pedras no caminho, ou se uma queda provocar um acidente. Podemos ferir o outro atirando-lhe pedras. Ficamos feridos no mais profundo de nós mesmos se, em lugar do coração, tivermos uma pedra. No seguimento dos profetas, João Baptista veio convencer os seus contemporâneos a arrancar o seu coração se ele for de pedra, para que um coração de carne aí seja colocado. No deserto ou na margem do Jordão, ele pregava a conversão, isto é, a mudança total do coração por meio de um regresso radical para Deus. Ele era sinal da parte de Deus baptizando na água, gesto de purificação. Ele testemunhava com a sua total disponibilidade para acolher o Enviado de Deus que baptizará no Espírito Santo. O caminho estará pronto para que venha Aquele que falará ao coração do homem pedindo-lhe para amar Deus seu Pai e os homens seus irmãos.

4. UM PONTO DE ATENÇÃO.
Preparemos o caminho do Senhor… Podemos preparar um painel de média dimensão com a frase: “Preparemos o caminho do Senhor!”. Esta frase é, de certo modo, a mensagem dos textos de hoje: da oração da entrada ao Evangelho, passando pela primeira leitura e pelo salmo. Este painel deve ser colocado em lugar bem visível. A oração dos fiéis será composta por intenções que respondam à questão: “Como preparar o caminho do Senhor hoje?” Esta questão começa cada intenção e é seguida, em cada vez, do pedido: “Senhor, ajuda-nos a…” No início de cada oração de intercessão, alguém pega no painel e coloca-o diante da assembleia durante a oração.

5. PARA A SEMANA QUE SE SEGUE…
Dar espaço para o Senhor… A urgência é seguramente dar a Cristo todo o espaço nas nossas vidas: limpar o terreno, em suma… Permitir que Ele nasça no íntimo da nossa vida… O Advento pode ser um tempo de desapropriação, para melhor encontrar Cristo. Ao longo desta segunda semana, é o apelo que nos é dirigido por João Baptista: procurar libertar o espaço para o Senhor. Só assim permitimos que Ele venha!

LITURGIA EUCARÍSTICA

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS: Olhai benignamente, Senhor, para as nossas humildes ofertas e orações e, como diante de Vós não temos méritos, ajudai-nos com a vossa misericórdia. Por Nosso Senhor…

Prefácio I do Advento I: p. 453 [586-698] ou I/A p. 454
SANTO

Monição da Comunhão: Fomos convidados para a mesa da Palavra. Alimentámo-nos da Palavra do Senhor, que Jesus é o espaço autêntico deste encontro salvífico. É o grande acontecimento da história. É o grande anúncio. Deus deu-se ao homem em seu Filho Jesus. E em Jesus, nascido da mulher, o homem entregou-se ao Pai, sem reservas nem reticências. Totalmente. É o mistério da incarnação. É o mistério da Eucaristia!

Bar 5, 5; 4, 36
ANTÍFONA DA COMUNHÃO: Levanta-te, Jerusalém, sobe às alturas e vê a alegria que vem do teu Deus.

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO: Saciados com o alimento espiritual, humildemente Vos pedimos, Senhor, que, pela participação neste sacramento, nos ensineis a apreciar com sabedoria os bens da terra e a amar os bens do Céu. Por Nosso Senhor…

RITOS FINAIS

Monição final: «Preparai os seus caminhos do Senhor». Este é o desafio que o Evangelho hoje deixa e que exige que cada um de nós «parta» ao encontro daquele que vem; exige, uma conversão ao nível da mentalidade e do agir. É o apelo do mensageiro de Deus, da «voz que clama no deserto» do desejo, no deserto da expectativa.


FAÇA UMA DOAÇÃO AO NPDBRASIL...
AJUDE-NOS A CONTINUAR NOSSA OBRA EVANGELIZADORA!
A Comunidade NPDBRASIL precisa de você!
Clique aqui e saiba como fazer ou clique no botão abaixo...


HOMILIAS FERIAIS

ATENÇÃO: Na página do Evangelho do Dia aqui no NPDBRASIL, no final de cada Liturgia Diária você encontra 3 sugestões de Homilias Diárias. Veja também o Comentário Exegético e mais sugestões de Homilias no índice das Liturgias Dominicais na página Homilias e Sermões.

TEMPO DO ADVENTO - 2ª SEMANA

>>>>>>>>>>>>>>>

>>>>>>>>>>>>>>>>

>>>>>>>>>>>>>>>>

Celebração e Homilia: NUNO WESTWOOD
Nota Exegética: GERALDO MORUJÃO
Sugestão Musical: DUARTE NUNO ROCHA

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador: P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
Tel. 218540900 – Fax: 218540909
scj.lu@netcabo.pt – http://www.dehonianos.org/portal/


FAÇA UMA DOAÇÃO AO NPDBRASIL...
AJUDE-NOS A CONTINUAR NOSSA OBRA EVANGELIZADORA!
A Comunidade NPDBRASIL precisa de você!
Clique aqui e saiba como fazer ou clique no botão abaixo...



CAMPANHA DA VELA VIRTUAL DO SANTUÁRIO DE APARECIDA


CLIQUE AQUI, acenda uma vela virtual, faça seu pedido e agradecimento a Nossa Senhora Aparecida pela sagrada intercessão em nossas vidas!


Faça sua busca na Internet aqui no NPDBRASIL
Pesquisa personalizada



QUE DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje!    Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

.
ARTE E CULTURA
RELIGIÃO CATÓLICA
Ajuda à Catequese
EVANGELHO DO DIA
ANO DA EUCARISTIA
AMIGOS NPDBRASIL
COM MEUS BOTÕES
LIÇÕES DE VIDA
Boletim Pe. Pelágio
À Nossa Senhora
Orações Clássicas
Consagrações
O Santo Rosário
Devoção aos Santos
Fundamentos da Fé
A Bíblia Comentada
Os Sacramentos
O Pecado e a Fé
Os Dez Mandamentos
A Oração do Cristão
A Igreja e sua missão
Os Doze Apóstolos
A Missa Comentada
Homilias e Sermões
Roteiro Homilético
Calendário Litúrgico
O ANO LITÚRGICO
Padre Marcelo Rossi
Terço Bizantino
Santuário Terço Bizantino
Santuario Theotókos
Mensagens de Fé
Fotos Inspiradoras
Bate-Papo NPD
Recomende o site
Envie para amigos
 
Espaço Aberto
 
MAPA DO SITE
Fale conosco
Enviar e-mail
Encerra Visita
 

 


Voltar


Imprimir

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...


Voltar
Página Inicial |Arte e Cultura | Literatura | BOLETIM MENSAL

Parceiros | Política de Privacidade | Contato | Mapa do Site
VOLTA AO TOPO DA PÁGINA...
Design DERMEVAL NEVES - © 2003 npdbrasil.com.br - Todos os direitos reservados.